TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – MBA EM FINANÇAS

Saint Paul Escola de Negócios & New York Institute of Finance

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – MBA EM FINANÇAS

Frederico lucas pedroso prado

Conhecimento geral do setor de da empresa

os objetivos da companhia

A Sauípe S.A., é uma sociedade anônima de capital aberto, controlada integralmente pela PREVI – Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, com sede em Mata de São João, Bahia que tem por objetivo a implantação, gerenciamento e exploração comercial de ativos imobiliários próprios ou de terceiros, inclusive sob a forma time Sharing, e a implantação e administração de complexos turísticos, hotéis, pousadas, incluindo Resorts, no Brasil ou no exterior, abrangendo todas as atividades complementares relacionadas direta ou indiretamente a esta atividade, tais como operação de lavanderia, serviços de limpeza e higiene, gerenciamento de suprimentos e de transportes, comercialização de produtos e de alimentos e bebidas, prestação de serviços e promoção de eventos, a exemplo de feiras, congressos, eventos musicais, promoção de atividades esportivas e a prestação de serviços de consultoria hoteleira e turística em geral. A Companhia é responsável pela gestão do Complexo Turístico Costa do Sauípe (“Costa do Sauípe”), localizado no município de Mata de São João, no litoral norte da Bahia, em uma região denominada Costa dos Coqueiros que conta com 5 hotéis com 1.417 quartos e 5 pousadas com 147 quartos (Sauípe S.A, 2016, p. 54).

Sua missão, Visão e Valores

A Sauípe não possui o tripé missão, visão e valores definidos em nenhum documento disponibilizado pela empresa, porém, a partir de uma breve análise do formulário de referência podemos traçar qual o plano estratégico da empresa e também o plano de reestruturação administrativa e financeira pelo qual a empresa vem passando nos últimos anos. Vamos à eles:

  • Plano Estratégico: Definindo de uma maneira sucinta, a Sauípe S.A visa adequar seus produtos ao público-alvo potencial, melhorando a percepção dos serviços e aumentando a rentabilidade do negócio. Visam também promover maior aproximação do segmento Luxo, através do incremento de serviços diferenciados e melhoria da experiência para este público (Sauípe S.A, 2016, p. 54-55).
  • Plano de Reestruturação: A companhia define para este item algumas ações alinhadas ao plano estratégico explicado anteriormente, como:
    • Consolidação do posicionamento no segmento corporativo com a Arena Sauípe;
    • Consolidação dos padrões de qualidade da bandeira “Sauípe”;
    • Adoção de processos que permitam melhoria contínua e consequente percepção de qualidade por parte dos clientes;
    • Continuidade no processo de aprimoramento dos níveis de governança corporativa;
    • Foco em treinamento e certificação de mão de obra;
    • Ajustes no posicionamento visando permitir melhoras e receitas unitárias (Sauípe S.A, 2016, p. 54-55).

É possível também a partir dessa análise verificar que mesmo sem definição oficial a empresa possui valores de cunho social e ambiental, por exemplo o Instituto Berimbau, iniciativa que apoia e desenvolve algumas atividades fomentando a sustentabilidade  em projetos sociais nas comunidades em torno do complexo de hotéis. Alguns dos projetos apoiados são:

Escolinha Meninos do Porto: escola construtivista que atua com 80 crianças da região, de 3 a 6 anos de idade;

VerdeCoop: Cooperativa com aproximadamente 70 famílias locais que atua diretamente na usina de coleta e reciclagem de resíduos;

Coopart: cooperativa de mulheres artesãs.

Com esses projetos a Sauípe prega o que eles chamam de Turismo Sustentável.

Podemos inferir a partir da leitura de seus formulários de referência que estes valores demonstrados pela empresa vêm desde seu inicio de operação, ficando mais fortes e com melhor definição conforme chegamos nos dias atuais. Apesar disso, a Sauípe precisa rapidamente oficializar um trio bem definido de missão, visão e valores como forma de demonstrar uma maior transparência com o público e principalmente com os investidores consolidando um caminho e objetivo para o futuro da empresa.



PORTFÓLIO de Produtos e Serviços

A Companhia possui um único segmento operacional de negócios oriundo da
exploração da atividade de hotelaria (Sauípe S.A, 2016, p. 59) . A Sauípe oferece 3 tipos principais de serviços de hospedagens para seus clientes:

  • SAUÍPE PREMIUM: Trata-se de um serviço de hospedagem de luxo com 198 apartamentos e diversos tipos de diferentes serviços oferecidos ao clientes como por exemplo espaços privativos premium, atividades de lazer diversas como ioga, alongamento, aula de dança, piscinas exclusivas, SPA, brinquedoteca, etc. Oferece amplos apartamentos no formato suíte tipo Standard e Suíte Standard Tripla. Inclui amenities by L’Occitane, minibar completo e travesseiros de pluma (Costa do Sauípe, 2017).
  • SAUÍPE RESORTS: Linha de serviço de hospedagem padrão da Sauípe, oferece 1219 apartamentos do tipo Standard com 43m². Os clientes têm direito a diversas opções de entretenimento como piscinas, campo de futebol, tirolesa, biribol, canoa canadense, entre outros (Costa do Sauípe, 2017).
  • SAUÍPE POUSADAS: Linha de serviço mais simples e acessível da companhia. São 5 pousadas temáticas com 147 apartamentos com opções Standard de 17,80m² e Suíte com 44m². Possui acesso a diversas experiências de entretenimento como aulas de hidroginástica, campo de futebol society, 5 piscinas , entre outros (Costa do Sauípe).

Além dos serviços principais de hospedagem a Sauípe oferece nas suas instalações diversos outros serviços de entretenimento aos seus hóspedes, por exemplo a Vila Nova da Praia. Trata-se de um local que diariamente oferece uma programação completa baseada nas tradicionais vilas baianas. Os hóspedes contam com diversas opções gastronômicas além de lojinhas para compra de diversos produtos.

A empresa também possui a Arena Sauípe, um complexo construído para receber os mais diversos eventos. Possui capacidade para 3.500 pessoas em auditório e 6.000 pessoas em formato show (Sauípe S.A, 2016).

A Sauípe oferece desde 2014 o Costa do Sauípe Vacation Club. Trata-se de uma operação de tempo compartilhado onde os clientes adquirem o direito de hospedagem para uso posterior tanto nos hotéis da Costa do Sauípe quanto em hotéis e resorts afiliados ao sistema da intercambiadora RCI (Resorts Condominiuns International). Esse serviço teve um grande volume de vendas em 2016, cerca de R$ 10 milhões de valor líquido de contratos. Uma grande vantagem desse tipo de operação é que ele gera uma grande antecipação de caixa proporcionando fundos próprios adicionais importantes para o financiamento dos projetos da companhia. (Sauípe S.A, 2016).

DISTRIBUIÇÃO POR ESSENCIALIDADE ECONÔMICA 

Em 2014 vimos o início de um declínio no produto interno bruto brasileiro (PIB), declínio que foi mais acentuado nos anos escolhidos para análise da empresa, 2015 e 2016. Segundo dados do ministério do turismo, o Brasil ocupa hoje a sexta posição na lista de países com maior contribuição direta do turismo para o PIB. Na tabela abaixo vemos a variação do PIB Brasil com o PIB do setor de turismo e podemos enxergar a dependência entre eles através da similaridade das curvas e pelo modo que uma responde o movimento da outra.

Variação PIB Brasil x Turismo
Variação PIB Brasil x TurismoAdaptado de Ministério do Turismo (2017)

Abaixo discutiremos aspectos relevantes do cenário econômico nacional sobre o setor de turismo e sobre o rendimento geral da empresa.

Elasticidade-preço da demanda

A elasticidade-preço da demanda que mede a intensidade com que a quantidade demandada responde a variações no preço do bem depende de inúmeros fatores, tais como: a existência de bens substitutos próximos, o grau de necessidade do bem, o peso do bem no orçamento do consumidor, etc. (NogueiraTakasago, 2008).  

A Elasticidade
A ElasticidadeNogueira e Takasago (2008)

Uma equipe de professores do Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília estimou que a elasticidade-preço da demanda para o turismo brasileiro foi de -1,71, ou seja, para cada 1% de variação positiva (aumento) no preço do serviço de turismo haverá uma variação negativa (redução) de 1,71% na demanda por esse serviço (NogueiraTakasago, 2008).

Dessa forma, podemos inferir que a demanda pelo setor de turismo no Brasil, setor esse em que a Sauípe S.A está inserida, é elástica tendo em vista que variações no preço dos serviços afetam diretamente a demanda dos mesmos.

Fatores Econômicos e Outros fatores

Além da elasticidade temos também fatores econômicos e outros fatores que podem vir a afetar o desempenho da companhia, vamos à eles:

  • Taxa de Inflação: As altas taxas de inflação têm impacto direto nas despesas contratadas, na compra de itens de alimentos e bebidas e, em especial, em custos de pessoal. Dessa forma, o aumento da inflação tende a atingir direta e negativamente os custos da empresa, diminuindo seu desempenho geral.(Sauípe S.A, 2016, p. 20)
  • Variação Cambial: O mercado de resorts é também diretamente afetado pela variação cambial. O dólar fechou 2015 com uma alta de 47% frente ao real. O resultado é positivo, com consequências diretas na redução das viagens de Brasileiros ao exterior com consequente redirecionamento de fluxo para o mercado interno, bem como aumento significativo na atratividade e relação custo/benefício para a retomada do mercado internacional. Essa valorização volta o mercado para o crescimento da demanda interna e torna os destinos brasileiros mais competitivos quando comparados com resorts internacionais, principalmente no Caribe e América Central. Em contra partida, inflaciona os custos com serviços, alimentação e manutenção (Sauípe S.A, 2016, p. 20-21).
  • Companhias Aéreas: O mercado de turismo também é fortemente influenciado pelo desempenho das companhias aéreas. Em 2015 as empresas aéreas reduziram sua oferta de assentos, mas conseguiram manter os níveis de 2014 em termos de número de bilhetes vendidos, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Entretanto, as principais companhias aéreas do mercado doméstico encerraram 2015 com prejuízos relevantes face impacto da alta do dólar em seus custos e endividamento, bem como redução de preços médios de venda. (Sauípe S.A, 2016, p. 20-21).
  • PIB e Renda per Capita: Duas variáveis importantíssimas para a macroeconomia e que afetam o desempenho do setor. A situação econômica doméstica desafiadora nos últimos anos em conjunto com um cenário de muita competição, a inflação chegando à 10,67%, a grande desvalorização da moeda brasileira, a perda do grau de investimento do país e as dificuldades políticas são acontecimentos ligados ao desempenho dessas variáveis e que trouxeram no último biênio certas dificuldades para o setor de turismo brasileiro. Por se tratar de um serviço supérfluo, ou seja, que não é estritamente necessário a vida cotidiana, o turismo sempre perde em situações onde a renda do brasileiro diminui ou o custo de viajar fica muito caro. Mesmo em situações mais brandas a Sauípe acaba tendo influências negativas por fazer parte do segmento Hoteleiro de Resorts que oferece um serviço de qualidade porém um pouco mais caro. (Sauípe S.A, 2016, p. 20-21). Apesar disso, quando olhamos para o principal público alvo atendido hoje pela Sauípe, um público de renda mais alta, vemos que o impacto no faturamento, apesar de existente, é baixo.

DISTRIBUIÇÃO POR FATURAMENTO E RENTABILIDADE

Conforme definido no item 1.3 PORTFÓLIO DE PRODUTOS E SERVIÇOS, a companhia possui apenas um segmento operacional de negócios, a exploração da atividade de hotelaria. Segundo Guilherme Martini, diretor-presidente do complexo, 25% do faturamento da Sauípe atualmente advém de eventos corporativos realizados nas instalações do resort, principalmente na Arena Sauípe.

A Companhia não disponibiliza em seus relatórios a receita operacional
líquida segregada pelos tipos de acomodação que oferece, segundo descrito
no item 1.3 PORTFÓLIO DE PRODUTOS E SERVIÇOS, sendo assim não é
possível realizar uma análise mais detalhada dessa distribuição, tendo apenas a visão macro de receita operacional líquida do segmento conforme tabela abaixo:

Receita Operacional Líquida
Receita Operacional LíquidaSauípe S.A (2016)

A companhia possui também receita pelo oferecimento do serviço Costa do Sauípe Vacation Club, que consiste na venda de produtos de tempo compartilhado (time-share). Esse produto gera forte antecipação de caixa pois o hóspede adquire o direito futuro de utilizar o resort e isso é contabilizado em caixa no momento da compra. No ano de 2016 a Sauípe capitalizou cerca de R$ 10 milhões em contratos com o oferecimento desse produto nos seus canais de venda.

Sazonalidade

Em hotéis focados em lazer , como é o caso do complexo de resorts da Costa do Sauípe, o nível de ocupação apresenta um importante fator sazonal, alcançando seus mais altos níveis de ocupação nos períodos de feriados, férias escolares e no verão que ocorrem no primeiro e quarto trimestres como podemos ver no gráfico abaixo:

Sazonalidade – Receita Operacional (em milhões de R$)
Sazonalidade - Receita Operacional (em milhões de R$)Autoria Própria

Para mitigar a baixa ocupação em períodos diferentes dos citados anteriormente a companhia, visando reduzir os ciclos de baixa ocupação, coloca seu foco no mercado de eventos corporativos utilizando a Arena Sauípe, mercado esse que é um importante gerador de demanda nos períodos de baixa ocupação do turismo de lazer.

Diferenciais e vantagens competitivas

A companhia não possui algum serviço ou instalação que possa ser considerado uma vantagem competitiva, porém podemos destacar a Arena Sauípe como um diferencial da empresa.

A Arena Sauípe é hoje a maior estrutura do país para realização de eventos corporativos dentro de um resort tornando a  Costa do Sauípe extremamente competitiva e assegurando grande participação deste segmento nos resultados.

Como exemplo de cases de sucesso na utilização desse espaço temos a 54ª  Convenção Nacional do Comércio Lojista realizada em 2014 contando com cerca de 2800 pessoas. Outro exemplo foi sorteio final da Copa do Mundo Fifa 2014 que contou com 5000 pessoas, sendo 3200 hóspedes e 1800 não hóspedes.

A figura abaixo (figura 3) mostra os dados de ocupação e utilização da arena no evento de sorteio da Copa do Mundo Fifa 2014 além de um comentário do secretário geral da FIFA, Jerome Valcke.

Sorteio da Copa do Mundo FIFA 2014
Sorteio da Copa do Mundo FIFA 2014Costa do Sauípe ()

A carteira de clientes e de fornecedores

A Companhia mantém diversas relações com fornecedores considerados estratégicos para o correto funcionamento da sua operação (bebidas, carnes, material de limpeza, manutenções) através de contratos de fornecimento de longo prazo de forma a salvaguardar no tempo as condições comerciais e garantir o fornecimentos dos itens mais importantes. Para os demais insumos a Companhia tem a prática de ter pelo menos 3 fornecedores possíveis cadastrados e elabora cotação de preços a cada compra para que não haja nenhuma dependência de terceiros na sua operação . A Companhia mantém estoque suficientes para gerir sua operação por 30 dias de forma a se proteger de eventuais riscos ou quebras de suprimentos no curto prazo.

É muito importante ressaltar que a Companhia não possui dependência de fornecedores específicos para insumos da maior importância em sua operação, desenvolvendo uma constante busca de novos fornecedores com melhores prazos e condições a atender a Companhia (Sauípe S.A, 2016, p. 61). Por esse motivo é possível afirmar que a companhia possui um poder de barganha suficiente para sua operação, visto que não depende de um fornecedor único e realiza compras sempre negociando o melhor preço ao mesmo tempo que também não possui força competitiva suficiente para que consiga influenciar nos preço de seus insumos, como empresas que tem o domínio do seu mercado, AMBEV é um bom exemplo, fazem.

A carteira de clientes da Companhia é composta principalmente de pessoas físicas e agências/operadoras de turismo. Em 2015 a operadora de turismo CVC BRASIL OPERADORA E AGÊNCIA DE VIAGENS S.A. teve uma participação efetiva na receita bruta de hospedagem, cerca de R$ 57 Milhões, ou seja, praticamente 30% da receita bruta de hospedagem de 2015. Isso coloca dois pontos importantes a serem avaliados:

  • A dependência de uma empresa terceira em cerca de 30% faturamento anual da companhia traz uma certa preocupação pois permite que essa empresa tenha um poder de barganha considerável nas relações comerciais podendo forçar bônus ou comissões mais altas com uma certa facilidade.
  • Ao mesmo tempo, a Companhia pode se utilizar disso para uma alavancagem ainda maior das vendas e das taxas de hospedagem. Acordos bilaterais que beneficiem ambas as empresas devem ser pensados e colocados em prática visando um benefício sólido e também sustentável à longo prazo.

Conclui-se que a empresa encontra-se numa situação de atenção quanto ao seu poder de barganha com clientes. O fato da operadora CVC ser responsável por cerca de 30% da receita bruta coloca um risco na operação da empresa e em sua geração de caixa por acabar cedendo muito poder de negociação para a operadora.

Principais concorrentes por linha de produtos

O mercado de resorts no Brasil vem em um crescente aumento da oferta de quartos, associado a
perspectiva de consolidação do turismo doméstico, e maior atratividade do mercado  internacional, consequência de novos patamares cambiais já estabelecidos o que deverá  permanecer para os próximos anos.  Outros fatores a serem considerados são a oferta de cruzeiros marítimos na alta  temporada, que duplicam a oferta de quartos disponíveis no período, e a concorrência de  resorts internacionais, que devem ser tornar menos competitivos no atual cenário de alta cambial. (Sauípe S.A, 2016, p. 21).

A Sauípe S.A. opera na linha de exploração da atividade hoteleira tendo em seu foco os resorts de luxo. Ela disputa com forte presença de mercado, principalmente na região nordeste do país onde está a maior concentração desse tipo de serviço. Dentre os principais concorrentes da companhia nesse segmento podemos citar:

  • Marina de Iracema Park: Resort Urbano localizado na Praia de Iracema em Fortaleza. Conta  com uma Marina com capacidade para 120 embarcações. Possui infraestrutura diversificada com diversos bares, restaurantes e várias opções de quartos disponíveis.
  • GJP Hotels & Resorts: GJP Hotels & Resorts é uma empresa nacional com presença em 11 estados brasileiros e em constante expansão em todas as regiões brasileiras. GJP soma mais de 3.000 apartamentos contando todos suas linhas de produto.
  • Grand Palladium Imbassai Resort & SPA: Localizado em uma reserva ecológica de Imbassaí, município de Mata de São João, este Hotel resort possui um total de 654 suítes, distribuídas em 11 prédios de 3 níveis de diferentes tamanhos.
  • Iberostar Bahia Resort: O hotel Iberostar Bahia é um resort 5 estrelas, com serviço All-Inclusive localizado na região litorânea da Bahia. O resort dispõe de 401 apartamentos standard, 127 apartamentos standard especial, 18 apartamentos standard frente mar, 16 apartamentos superior frente mar, 68 suítes júnior frente mar e 2 suítes presidenciais, além de 6 apartamentos adaptados para pessoas portadoras de necessidades especiais totalizando uma capacidade máxima de hospedagem de 638 quartos.
  • Vila Galé Marés Resort Hotel: Localizado na cidade de Salvador-BA, este resort hotel conta com  224 quartos e suítes com vista para o mar.
  • Hotéis Othon: Atualmente a rede de Hotéis Othon conta com 1.925 apartamentos distribuídos em 12 hotéis, sendo cinco próprios e sete Administrados. A Rede Othon está presente no Rio de Janeiro, Macaé, São Paulo, Limeira, Araraquara, São Carlos, Matão, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza. 

Um dos principais meios de mensuração da competição entre empresas desse setor é a capacidade instalada, ou seja, a quantidade de quartos disponíveis para uso de hóspedes. Dentre as companhias que foi possível separar apenas o segmento de resorts, temos a seguinte comparação:

Número de quartos disponíveis
Número de quartos disponíveisAutoria Própria

Das empresas citadas acima, foi possível encontrar informações financeiras apenas da rede de Hotéis Othon e da Marina de Iracema por serem empresas de capital aberto. A partir dessas informações é possível traçar algumas comparações entre as companhias:

Estrutura de Capital – Comparativo
Estrutura de Capital - ComparativoECONOINFO ()

A tabela acima compara a estrutura de capital da empresa com duas de suas concorrentes apresentando o percentual de capital de terceiros, PL e o quanto do capital de terceiro vem de financiamentos e empréstimos.

Vemos uma diferença grande no balanceamento do passivo, onde tanto Marina de Iracema quanto Hoteis Othon possuem a maior parte de seus financiamentos vindos de terceiros enquanto a Sauípe conta com quase que 80% de dinheiro dos sócios, dinheiro esse que geralmente custa mais caro diminuindo o desempenho operacional e financeiro da companhia.

Receita Operacional – Comparativo
Receita Operacional - ComparativoEconoinfo ()

O gráfico acima compara as companhias descritas de acordo com as suas respectivas receitas operacionais iniciando em 2011 e vindo até o último exercício completo no ano de 2016. A Sauípe apesar de vir operando prejuízo à algum tempo mantém um crescente aumento de sua receita operacional devido a alguns ações tomadas pela direção da empresa como campanhas de marketing para divulgação do resort, venda de pacotes promocionais para aumento do volume de ocupação entre outros.

Receita Operacional em números – Comparativo
Receita Operacional em números - ComparativoEconoinfo ()

A tabela acima mostra em números as receitas operacionais dos anos descritos.

Receita Operacional Trimestral – Comparativo
Receita Operacional Trimestral - ComparativoEconoinfo ()

No gráfico acima podemos observar a Sazonalidade apresentada pela Sauípe e seus concorrentes. Nota-se um aumento nas receitas entre o último e o primeiro trimestre, período esse que temos as férias e o início do verão.

Retorno sobre Ativos – 2016
Retorno sobre Ativos - 2016Adaptado de Google Finance ()

A tabela acima mostra em números o ROA das 3 empresas comparadas. Todas elas estão gerando um valor negativo de ROA, ou seja, estão destruindo o valor dos ativos mostrando que os últimos anos foram de grande impacto ao turismo brasileiro.

Comparação entre ROA
Comparação entre ROAAutoria Própria

O gráfico acima compara a evolução do ROA partindo do ano de 2013 até 2016. Vemos uma degradação contínua desse indicador para Sauípe mostrando que o investimento em ativos que vem sendo feito pela companhia pode não estar sendo pensado e analisado corretamente. Ainda que o mercado até o ano de 2016 permaneça desaquecido a empresa precisa repensar nas suas ações de investimento de capital para ativos que consigam pelo menos se manter estáveis em termos de valor.

Sua participação de mercado

Segundo dados do ministério do turismo a intenção de destino dos brasileiros vem mantendo uma boa média nos últimos anos, sendo que 23% dos brasileiros estão planejando viajar para fora do país enquanto os outros 76,6% pretendem viajar para destinos dentro do país, sobrando apenas 0,4% de indecisos. Além disso, a pesquisa mostra que o Nordeste, região onde está localizada a Sauípe, recebe 50,8% das intenções de viagem (figura 5). A mesma pesquisa também mostra que o meio de hospedagem preferido dos consumidores ainda são Hotéis e Pousadas (figura 6), setor de atuação da companhia.

Intenção de viagem
Intenção de viagemMinistério do Turismo ()

Quando olhamos dados sobre o turismo brasileiro publicados no site oficial do ministério do turismo (Ministério do Turismo) , toda a região nordeste oferece cerca de 201.209
leitos em um total de 1.862
 meios de hospedagem espalhados pelo estado.

Se olharmos apenas para a região da Bahia, onde se situa a empresa, chegamos ao número de 64.170
leitos distribuídos entre os mais de 501
meios de hospedagem disponíveis (isso inclui apartamentos, hotéis, pousadas, resorts, entre outros, todos competidores diretos e indiretos da companhia).

A Sauípe hoje possui uma capacidade instalada de 1564 leitos entre seus modos de hospedagem oferecidos, logo, a companhia é responsável por cerca de 2,5% de toda a oferta de quartos na região baiana.

Preferência do consumidor por Meios de Hospedagem
Preferência do consumidor por Meios de HospedagemMinistério do Turismo ()

Utilizando todos as análises apresentadas podemos inferir que a Sauípe S.A. possui uma grande participação no mercado visto que metade do turismo nacional se concentra no nordeste e que a companhia possui uma considerável fatia (37% de market-share) do mercado de Resorts na região.

composição acionária e ligações societárias

A Sauípe S.A. possui uma ligação societária bastante simples pois o controle acionário da Companhia é detido pela Previ com uma participação de 99,999692% do seu capital total. Abordaremos em seguida todos os detalhes sobre a composição acionária. Abaixo temos a tabela que descreve sua de acordo as informações disponibilizadas publicamente:

Posição Acionária
Posição AcionáriaEconoinfo ()

Além dos dados evidenciados acima a empresa não possui nenhum fato ou outras informações societárias relevantes no período do estudo aqui apresentado. Também não se apresentam riscos inerentes a questões familiares que possam de alguma forma prejudicar a administração da companhia, tanto a diretoria quando o conselho administrativos são eleitos e possuem períodos definidos de atuação.

qualidade do quadro administrativo e funcional

Abaixo será apresentado e discutido detalhes sobre a formação da Diretoria e do Conselho administrativo. Mais a frente será apresentada a experiência de cada um dos membros assim como a qualidade e avaliação de práticas de governança corporativa.

Diretoria

A diretoria da companhia é composta dos seguintes membros:

Diretoria Sauípe
Diretoria SauípeEconoinfo ()

Mais adiante serão descritas mini biografias de cada um dos participantes da diretoria e do conselho de administração, bem como informações relevantes à esse estudo.

Conselho de Administração

O conselho administrativo da companhia é composta dos seguintes membros:

Conselho de Administração Sauípe
Conselho de Administração SauípeEconoinfo ()

Experiência Profissional de Diretores e Membros do Conselho

  • Mauro Sérgio de Almeida França é formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e possui MBA Executivo em Administração pela IBMEC-RJ. Com fluência em inglês e conhecimento em planejamento estratégico, corporativo, compras estratégicas, RH e TI, possui grande experiência em empresas líderes, com conhecimento em Finanças, Controladoria e Gestão de Negócios. Já foi Diretor de Finanças e Controladoria no Grupo Pestana Hotelaria e Turismo, e na Sheraton Hotéis (Starwoord Inc. Hotels and Resorts Worldwide), Diretor de Finanças e Serviços na Domingues e Pinho – Contadores e Consultores, Diretor Financeiro na Fagga Eventos Internacionais (GL Evens Inc.), Gerente de Planejamento e Controle, e posteriormente Diretor de Controladoria e Finanças no Grupo Abril S/A , e Gerente Sênior de Auditoria na KPMG Auditores e Consultores.
  • Guilherme Sidnei Martini é formado em Administração de Empresas pela FGV/SP. Atuou como consultor na AT Kearney, como Coordenador de Planejamento na Tess e Gerente de Marketing na Claro, e diretor de Marketing na Time For Fun. 
  • Mark Straton Campbell Jr é formado em Direito. Atua em Costa do Sauípe desde a sua implantação tendo sido responsável pela gestão das áreas comuns do empreendimento. Atualmente é o responsável por toda a operação hoteleira do complexo de Costa do Sauípe.
  • Luis Gustavo de Mello Syllos é administrador de empresas. Possui 21 anos de experiência profissional adquirida em companhias aéreas, locadoras, hotéis e empresas de cartão de crédito, atuou fortemente em marketink, gestão de clientes, desenvolvimento de produtos, estruturação de novos canais de vendas e desenvolvimento de negócios nacionais e internacionais.
  • Mônica Carraso Gonçalves é graduada em Administração pela BBGEPES e possui MBA Executivo em Finanças. Já foi Gerente de Divisão e Gerente de Mesa de Operações do Banco do Brasil.
  • Rafael Zanon Guerra de Araújo já foi Secretário de formação Sindical e Secretário de assuntos Jurídicos no Sindicato dos Bancários de Brasília, Professor na Secretaria de Educação do Distrito Federal e
    Conselheiro Consultivo da PREVI.
  • José Afonso de Oliveira Queiroz é graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Varginha, e possui MBA em Formação Geral de Executivos pela UFMG. Já foi Conselheiro Fiscal e Superintendente Regional do Banco do Brasil.
  • Rubem Hansen é graduado em Administração pela UFP, possui MBA em Gestão de Negócios e Desenvolvimento Regional Sustentável e Mestrado em Administração, ambos pela UNB. Já foi Conselheiro Titular do SEBRAE PA e Superintendente Regional do Banco do Brasil.
  • Ivan Luiz Modesto Schara é graduado em Economia pela PUC-SP, especializado em Finanças e Direito pela FGV-RJ e Mestrado em Administração pelo IBMEC-RJ. Em 2002 atuou como Gerente de Equipe, posteriormente Técnico Sênior na PREVI no RJ. Atualmente ocupa posição de Gerente Executivo da Previ.
  • Odali Dias Cardoso é graduado em Economia pela Universidade Candido Mendes e possui MBA e Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas. Já Conselheiro de Administração da Telemar Participações e Conselheiro Deliberativo da PREVI.

    Nota-se ao observar a área de competência de cada um dos membros do conselho e da diretoria que, apesar de possuírem currículos muito competentes faltam membros com experiência na área hoteleira e de turismo. Apenas formação em áreas de administração e gestão podem não ser suficientes frente a problemas intrínsecos ao ramo de atuação da Sauípe.

    A companhia informa através de nota explicativa disponível em seu formulário de referência que não há quaisquer relações conjugais, de união estável ou de parentesco entre: (a) quaisquer membros da Administração da Companhia; (b) A Companhia não possui quaisquer controladas, direta ou indiretamente; (c) quaisquer membros da Administração da Companhia, diretas ou indiretas e sua controladora, diretas ou indiretas; (d) quaisquer membros da Administração da Companhia e administradores diretos e indiretos de nosso controlador. Sendo assim, a empresa não está exposta aos riscos que poderiam ocorrer no caso de uma gestão familiar.

    A companhia também informa em nota explicativa que busca seguir as práticas de governança corporativa recomendadas pelo IBGC em seu Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa, bem como as diretrizes do Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa da PREVI. Dentre as práticas de governança corporativa recomendadas pelo IBGC, a Companhia adota as seguintes:
  • capital social da Companhia dividido somente em ações ordinárias, proporcionando direito de voto a todos os acionistas;
  • manutenção e divulgação de registro contendo a quantidade de ações que cada sócio possui;
  • contratação de empresa de auditoria independente para a análise de seus balanços e demonstrativos financeiros;
  • clara definição no Estatuto Social (a) da forma de convocação das Assembleias Gerais; e (b) da forma de eleição, destituição e tempo de mandato dos membros do Conselho de Administração e da Diretoria;
  • transparência na divulgação pública do relatório anual da administração;
  • livre acesso às informações e instalações da Companhia pelos membros do Conselho de Administração; (Sauípe S.A, 2016, p. 112) .

Aprofundando um pouco mais a análise crítica sobre as práticas de governança da Sauípe, vemos que apesar de seguir as diversas práticas de governança recomendadas pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) a Sauípe ainda não possui os altíssimos níveis de governança disponibilizados pelo Novo Mercado Bovespa. Alguns dos itens dos níveis de governança anteriores à esse do Novo Mercado, os níveis N1 e N2, estão sendo cumpridos, ainda assim é necessário a empresa implementar controles adicionais para que esteja em pleno acordo com o Novo Mercado, nível máximo de governança no mercado brasileiro. Abaixo está descrito como funciona e quais o itens necessários de governança corporativa para que se atinja os níveis N1, N2 e NM (novo mercado):

N1: As empresas listadas no segmento Nível 1 devem adotar práticas que favoreçam a transparência e o acesso às informações pelos investidores. Para isso, divulgam informações adicionais às exigidas em lei, como por exemplo, um calendário anual de eventos corporativos.

free-float mínimo de 25% deve ser mantido nesse segmento, ou seja, a empresa se compromete a manter no mínimo 25% das ações em circulação no mercado (BM&F BOVESPA). Falta a Sauípe a implementação do free-float mínimo de 25%. Hoje a empresa possui 100% do seu capital social sob responsabilidade da PREVI.

N2: O segmento de listagem Nível 2 é similar ao Novo Mercado, porém com algumas exceções. As empresas listadas têm o direito de manter ações preferenciais (PN). No caso de venda de controle da empresa, é assegurado aos detentores de ações ordinárias e preferenciais o mesmo tratamento concedido ao acionista controlador, prevendo, portanto, o direito de tag along de 100% do preço pago pelas ações ordinárias do acionista controlador.

As ações preferenciais ainda dão o direito de voto aos acionistas em situações críticas, como a aprovação de fusões e incorporações da empresa e contratos entre o acionista controlador e a empresa, sempre que essas decisões estiverem sujeitas à aprovação na assembleia de acionistas (BM&F BOVESPA).

Novo Mercado: O Novo mercado possui alguns dos pontos dos itens anteriores e adiciona mais alguns, veja abaixo:

  • O capital deve ser composto exclusivamente por ações ordinárias com direito a voto.  
  • No caso de venda do controle, todos os acionistas têm direito a vender suas ações pelo mesmo preço (tag along de 100%).
  • Em caso de deslistagem ou cancelamento do contrato com a BM&FBOVESPA, a empresa deverá fazer oferta pública de aquisição, para recomprar as ações de todos os acionistas pelo valor econômico, no mínimo.
  • O conselho de administração deve ser composto por pelo menos cinco membros, sendo 20% dos conselheiros independentes, com mandato máximo de dois anos. Este item também não está em vigor hoje na empresa.
  • A empresa também se compromete a manter, no mínimo, 25% das ações em circulação (free-float). Conforme explicado anteriormente, a empresa possui 100% do capital sob responsabilidade da PREVI.
  • Divulgação de dados financeiros mais completos, incluindo relatórios trimestrais com demonstração de fluxo de caixa e relatórios consolidados revisados por um auditor independente.
  • A empresa deve disponibilizar relatórios financeiros anuais em um padrão internacionalmente aceito.
  • Necessária divulgação mensal das negociações com valores mobiliários da empresa pelos diretores, executivos e acionistas controladores.(BM&F BOVESPA)

Os ativos intangíveis

De acordo com a nota explicativa 9.1 do formulário de referência de 2016 a Companhia não possui marcas, patentes, licenças relevantes ou quaisquer outros itens que possam ser classificados como Ativos Intangíveis.

Mesmo a marca Costa do Sauípe, apesar de conhecida, não representa um valor intangível a empresa. Além disso não foi possível encontrar um valor de mercado para a empresa de forma que não é possível comparar o seu valor nominal, ou seja, seu Patrimônio Líquido, com seu valor de mercado para que possamos analisar quaisquer diferenças que surgiriam dessa comparação.

Capacidade instalada e ociosa

Localizada no município de Mata de São João, no litoral norte da Bahia, em uma região denominada Costa dos Coqueiros a empresa conta com 5 hotéis e 5 pousadas com capacidade instalada de 1.417 quartos e 147 quartos, respectivamente.

Os hotéis e pousadas são divididos em 3 segmentos: Sauípe Premium, Sauípe Resorts e Sauípe Pousadas.

O segmento Premium oferece um serviço de hospedagem de luxo com capacidade instalada de 198 apartamentos.

O segmento Resorts oferece um serviço de hospedagem padrão que conta com uma capacidade instalada de 1219 apartamentos.

Já o segmento Pousadas é uma linha de serviço com intuito de ser de maior acessibilidade. São 5 pousadas com capacidade total instalada de 147 apartamentos.

Além dos quartos disponibilizados para os hóspedes a companhia também possui uma parte de sua propriedade destinada a eventos corporativos, a Arena Sauípe. Esse empreendimento possui capacidade instalada para atender 3500 pessoas em formato de auditório ou 6000 pessoas em formato show.

Segundo entrevista dada pelo diretor-presidente Guilherme Martini, a taxa de ocupação média do complexo vem subindo desde 2009, quando estava em 33%, evoluindo para 53% em 2013 e chegando ao patamar de 56% em 2014.(PREVI). Em eventos realizados pela companhia a taxa de ocupação chega a patamares bem mais elevados, como foi por exemplo no Sauípe Folia em que a taxa de ocupação chegou a 92%.

Fazendo uma correlação entre a taxa de ocupação inicial de 2009 (33%) com a taxa crescimento anual do PIB Turismo podemos projetar o crescimento da ocupação e chegaremos ao seguinte cenário:

Taxa de Ocupação em relação ao crescimento do PIB Turismo
Taxa de Ocupação em relação ao crescimento do PIB TurismoO Autor a partir de dados do Ministério do Turismo (2017)

Se observarmos o resultado podemos perceber que há uma boa relação entre esses dois indicadores visto que a taxa real de ocupação de 2013 teve um desvio de 2,2 pontos percentuais aproximadamente e a taxa de ocupação real de 2014 teve um desvio de 0,4 pontos percentuais.

Suponde que a empresa consiga alcançar os patamares projetados e respeitando os prováveis desvios ocasionados por diversos fatores internos e externos à companhia, podemos dizer que a companhia possui um bom prognóstico operacional no futuro com o reaquecimento da economia e a retomada do crescimento nacional.

Análise das decisões de investimento e financiamento

Neste tópico, serão analisadas e discutidas todas as informações referentes às decisões de investimento e financiamento da Sauípe S.A. Também iremos abordar todas as evoluções dos ativos e passivos da companhia. Para isso, analisaremos os balanços patrimoniais comparando os anos de 2015 e 2016, comentando sobre os itens de investimentos presentes nos ativos da empresa, assim como as decisões de alocação de capital, e os itens de financiamentos, referente aos passivos e patrimônio líquido.
Os itens a seguir apresentarão as tabelas que ilustram uma versão resumida do Balanço Patrimonial da Sauípe. Nestas tabelas foram incluídas duas colunas de análises verticais, uma para cada ano analisado, uma coluna de análise horizontal com a variação monetária entre os dois períodos e uma coluna de análise horizontal percentual.

Balanço PATRIMONIAL – ATIVOS

Sauípe S.A – Ativos
Sauípe S.A - AtivosSauípe S.A (2016)

Distribuição dos Investimentos

Podemos notar na tabela acima (tabela 4) que a divisão dos ativos com relevância se dá basicamente em (a) 11% do total sendo de ativos circulantes com destaque para o item Contas a receber de clientes com um volume de 7% sobre o total de ativos e de 63,6% do total dos ativos circulantes além de Caixa e equivalentes de caixa com 2% do total de ativos e 14% sobre os ativos circulantes, e (b) 89% de ativos não circulantes com destaque para o item Imobilizado que corresponde à 96,6% dos ativos não circulantes e 86% do total de ativos da companhia.

Analisando o item Caixa e equivalentes de caixa chegamos ao detalhamento abaixo:

Caixa e equivalentes de caixa
Caixa e equivalentes de caixaSauípe S.A (2016)

Vemos que cerca de 88% da conta caixa é composta por aplicações financeiras de liquidez imediata com um insignificante risco de mudança de valor. Em seguida temos o item depósitos bancários à vista que correspondem por cerca de 11,8% e por último Caixa com um volume de aproximadamente 0.8%.

A partir destes dados podemos inferir que a empresa não possui uma estratégia de aquisição num curto período de tempo visto que este tipo de estratégia requere um maior volume de caixa.

Analisando o item Contas a receber de clientes presente no ativo circulante da empresa temos a seguinte tabela demonstrando sua distribuição durante os períodos estudados:

Contas a receber de clientes – Detalhamento
Contas a receber de clientes - DetalhamentoSauípe S.A (2016)

Estes itens fazem todo o sentido operacional dado o segmento de atuação da empresa que trabalha com a exploração da atividade de hotelaria e a venda de produtos aos clientes durante o período que estes estão hospedados. Nota-se também que a grande maioria das Contas a receber de clientes está concentrada no curto prazo conforme demonstrado na tabela a seguir que expõe o a visão de aging do ano de 2016:

Contas a receber de Clientes – Aging
Contas a receber de Clientes - AgingSauípe S.A (2016)

Percebe-se uma distribuição segura do aging visto que cerca 81% das contas a receber estão à vencer. Também nota-se uma provisão para créditos de liquidação duvidosa que a companhia utiliza para cobrir eventuais inadimplências por parte dos clientes, isso mostra uma preocupação e uma boa visão de risco por parte da administração. Esta provisão porém representa cerca de 10% do subtotal das contas a receber. Enquanto essa abordagem mais conservadora faz sentido no momento de crise em que o país se encontra a empresa pode encontrar aqui um ponto de melhora para seu faturamento.

Seguindo para o item Imobilizado presente no ativo não circulante da empresa, a distribuição também faz todo o sentido pelo setor de atuação em que a empresa está inserida. O grande volume de Imobilizado está ligado à todas as instalações, edificações, terrenos e equipamentos em geral que a empresa necessita para que possa operar. Vejamos abaixo uma tabela descrevendo detalhadamente esse Imobilizado:

Imobilizado – Detalhamento
Imobilizado - DetalhamentoSauípe S.A (2016)

Da tabela podemos destacar o item Edificações que corresponde ao complexo Costa do Sauípe do qual fazem parte todos os Hotéis, Pousadas, Áreas de Lazer, Arena de eventos, entre outras construções necessárias para o normal funcionamento da empresa. Este item corresponde 65,7% do valor total  do Imobilizado, seguido de 23,7% do item Terrenos e por último, a soma dos itens restantes que correspondem à 10,6% do Imobilizado. Vale frisar que todos os itens descrito na tabela 7 são de total importância para a operação da companhia.

Essa distribuição também está de acordo com outras empresas do ramo atuantes no mercado onde ao realizar a análise dos balanços podemos ver que grande parte dos ativos não circulantes são também Imobilizados confirmando que a decisão de investimento da Sauípe S.A está sendo feita de forma consistente com o que se espera de uma empresa do ramo. A tabela abaixo utiliza dois players nacionais: Hotéis Othon e Sauípe S.A assim como três players internacionais do ramo: Eldorado Resorts, Red Rock Resorts e MGM Resorts International para ilustrar este fato:

Proporção do Imobilizado nos Ativos
Proporção do Imobilizado nos AtivosGoogle Finance ()

Através do gráfico apesentado conseguimos observar que a distribuição do Imobilizado em companhias como a Sauípe S.A segue um padrão definido. O caso dos Hotéis Othon apresenta uma pequena diferença pois a companhia opera sobre 12 hotéis porém apenas 5 deles são próprios explicando o fato da proporção de Imobilizado ser menor que as outras empresas analisadas.

Por fim, podemos concluir que o investimento em Imobilizado realizado pela Sauípe nos últimos anos faz todo sentido operacional e segue o padrão mercadológico definido pela análise de concorrentes do setor bem como empresas internacionais de destaque no ramo de Resorts.

Evolução dos Investimentos

Dos itens com relevância no balanço de ativos da companhia podemos destacar três para falarmos sobre sua evolução: (a) O item Caixa e equivalentes de caixa que apresentou uma evolução de cerca de 27%, (b) O item Contas à receber de clientes que apresentou uma evolução de cerca de 14% e (c) o item Imobilizado que não apresentou nenhuma mudança no período.

Vejamos a tabela com a evolução do item Contas a receber de clientes detalhadamente:

Contas a receber de clientes – Evolução
Contas a receber de clientes - EvoluçãoSauípe S.A (2016)

Apesar da diminuição do item Hóspedes, operadoras e agências em 11,5%, podemos ver que o item Cartões de Créditos mostrou um aumento expressivo de 80% no mesmo período, isso contribuiu bastante para que em sua totalidade o item Contas a receber de clientes tivesse um aumento de 14%. A provisão para créditos de liquidação duvidosa manteve o mesmo patamar no período anterior dando o entendimento que a companhia acha que o valor estipulado é suficientes para cobrir quaisquer perdas eventuais devido à inadimplência.

O item Caixa e equivalentes de caixa aumentou devido ao fato de que houve aumento significativo nas aplicações financeiras, de mais ou menos 131% contrabalanceado pela diminuição de cerca de 71% dos depósitos bancários à vista.

Quanto ao imobilizado, podemos observar uma estagnação entre os anos de 2015 e 2016. O valor em balanço no ano de 2015 foi de R$ 315,937 milhões frente aos R$ 315,871 milhões de 2016, uma diferença de 0,02%. Essa diferença é dada pela depreciação desses ativos ao longo do tempo conforme mostrado anteriormente na tabela 7 evidenciando que a Sauípe apenas realizou a atualização dos valores de seus ativos imobilizados no período.

Além dos dois pontos mais relevantes do ativo discutidos acima também tivemos alguns itens não tão marcantes em volume porém com elevada relevância em sua evolução: Tributos à recuperar com um aumento de 57,9% que discutiremos mais a frente quando falarmos sobre os tributos devidos pela companhia, Despesas antecipadas com uma redução de 50%, Outras contas a receber com um aumento de 482,6% e por último Depósitos Judiciais com um aumento de cerca de 25%.

O item Outras contas à receber não possui nenhuma nota explicativa e/ou fato relevante. Isso levanta um sinal de alerta é um ativo de R$ 2,15 milhões sem explicação por parte da companhia.

O item Despesas antecipadas apesar de também não possuir nenhuma nota explicativa acerca do que são essas despesas teve uma diminuição de 50% no período. Podemos estimar que esta redução tenha vindo de algum financiamento de cunho operacional (Adiantamento de clientes, por exemplo) que teve necessidade prematura de quitação.

BALANÇO PATRIMONIAL – PASSIVOS

Sauípe S.A – Passivos
Sauípe S.A - PassivosO autor (2017)

Distribuição dos Financiamentos

A Sauípe possui uma distribuição de seus financiamentos com forte apoio em Capital Próprio como podemos ver na tabela a seguir:

Financiamento por tipo de capital
Financiamento por tipo de capitalAutoria Própria

Como podemos notar na tabela 10, a empresa financia 79% de seus investimentos com Capital Próprio, 7,1% com capital de terceiros de cunho operacional (obrigações fiscais, sociais e trabalhistas, etc) e 13,9% com capital de terceiros onerosos, ou seja, capital com incidência de juros ou correção monetária. Este último traz vantagens e desvantagens pois apesar de a empresa não se arriscar alavancando seus negócios preferindo tomar uma posição mais conservadora ela também acaba com um custo de capital mais elevado. Discutiremos mais desses pontos de custos de capital com mais detalhes no capítulo 4 deste trabalho aplicado.

Aprofundando mais a análise podemos dividir o financiamento entre Operacional que, no caso da Sauípe, é quando advém de Obrigações sociais e trabalhistas, Obrigações fiscais e Outras obrigações, e também financeiro, que é quando advém de terceiros onerosos, no caso Empréstimos e financiamentos, Fornecedores e Adiantamento de Clientes. Diferentemente de outras companhias, a Sauípe encorpora Fornecedores e Adiantamento de clientes como sendo do tipo financeiro devido ao fato de que os preços são firmados no ato da compra/venda dos serviços ou produtos e que o atraso no cumprimento desse contrato acarreta juros e correções monetárias. Vejamos a tabela a seguir que divide os passivos entre Operacional e Financeiro, Circulante e Não Circulante e também compara 2016 e 2015.

Financiamento – Operacional e Financeiro
Financiamento - Operacional e FinanceiroAutoria Própria

A distribuição dos financiamentos se dão percentualmente da seguinte maneira:

Financiamento – Curto e Longo Prazo
Financiamento - Curto e Longo PrazoAutoria Própria

A tabela anterior evidencia o peso do Capital Próprio no financiamento da empresa. Além disso deve ser ressaltado o fato de que a empresa possui financiamento através de adiantamento de clientes devido a dois motivos, veja a tabela a seguir:

Adiantamento de Clientes – Detalhamento
Adiantamento de Clientes - DetalhamentoNota Explicativa Sauípe S.A (2016)

(a) Serviços de hotelaria
Em 31 de dezembro de 2016, a Companhia possui saldo de adiantamentos de clientes no montante de R$18.381 (R$23.827 em 31 de dezembro de 2015) referente à venda de serviços de hotelaria ainda não prestados. 

(b) “Timeshare
Refere-se à venda do Programa “Sauípe Vacation Club” ou “SVC”, cuja receita é reconhecida mediante a sua utilização pelos clientes e pelo seu prazo de validade. O cliente adquire o direito de utilizar alojamento sem ter de definir nesse momento qual será o quarto localizado nos hotéis e nas pousadas da Companhia, direito esse que é representado em pontos. O saldo de pontos vendidos a utilizar em 31 de dezembro de 2016 é de 117.831 mil pontos.

É necessário ressaltar que o Adiantamento de clientes para a companhia é um ponto importante pois auxilia o seu financiamento. 

A empresa vem realizando um esforço conjunto para que o Sauípe Vacation Club seja cada vez mais utilizado pelos clientes, gerando comodidade para os mesmos e antecipação de caixa para futuros investimentos da companhia.

A tabela abaixo compara a Sauípe com outros players do mercado de resorts tanto nacionalmente quanto internacionalmente, vejamos:

Passivos – Comparação de Financiamento
Passivos - Comparação de FinanciamentoAutoria Própria baseado em Google Finance ()

Nota-se uma distribuição bem maior de capital de terceiros em outras empresas do ramo, principalmente de terceiros onerosos trazendo a Sauípe para fora desse padrão mercadológico. A companhia portanto, parece ainda não ter, ou não querer, acesso no mercado de capitais brasileiro para financiamento de suas atividades, financiamento esse que poderia baratear seu custo de capital trazendo melhor eficiência financeira para a companhia.

Evolução dos Financiamentos

Da evolução dos investimentos podemos destacar os seguintes pontos: (a) aumento do item Adiantamento de Clientes no longo prazo e diminuição no curto prazo, (b) Aumento dos Empréstimos e Financiamentos de curto prazo e diminuição dos de longo prazo, (c) Aumento no item Fornecedores e por último (d) Aumento do Capital Social da empresa.

Adiantamento de Clientes: Pode-se explicar a diminuição no curto prazo de 21% por causa da diminuição do adiantamento do item serviços de hotelaria em cerca de 22%. Já o aumento de 178,94%
do Adiantamento de clientes de longo prazo presente no Passivo não circulante pode ser explicado pelo aumento do item Timeshare que teve um igual aumento de 178% no período, evidenciando as decisões da empresa de investir nesse tipo de serviço.

Empréstimos e Financiamentos: Podem ser explicados utilizando a tabela exposta na nota explicativa encontrada nas demonstrações financeiras da empresa, veja:

Dívidas – Detalhamento
Dívidas - DetalhamentoSauípe S.A (2016)

Nota-se um aumento entre 2015 e 2016 de 53% nas dívidas com vencimento próximo, demonstradas na tabela acima como Circulante. Nota-se também a diminuição de cerca de 17% nas dívidas com vencimentos mais distantes, demonstradas na tabela como Não circulante. Isso normalmente ocorre pois as dívidas de longe prazo tendem a se transformar em dívidas de curto prazo conforme o tempo passa. 

Fornecedores: O aumento dos fornecedores pode ser explicado pela maior atividade operacional da companhia no ano de 2016. Sendo necessário um volume maior de artigos para hóspedes, produtos de limpeza, material para manutenção, alimentos e bebidas, a companhia pode firmar melhores acordos com seus fornecedores. Além disso também houve aumento no prazo médio de pagamentos o que também explica esse fato.

Aumento do Capital Social: Em 5 de julho de 2016, a PREVI efetuou aumento de capital, no montante de
R$11.500, por meio da subscrição de 1.361.916 ações, sendo 453.972 ações ordinárias e 907.944 ações preferenciais, totalmente subscritas e integralizadas, no valor de emissão de R$8,443986. Em 5 de outubro de 2016, a PREVI efetuou aumento de capital, no montante de
R$9.500, por meio da subscrição de 1.171.572 ações, sendo 390.524 ações ordinárias e 781.048 ações preferenciais, totalmente subscritas e integralizadas, no valor de emissão de R$8,108763. Em 24 de novembro de 2016, a PREVI efetuou aumento de capital, no montante de
R$11.800, por meio da subscrição de 1.455.215 ações, sendo 485.072 ações ordinárias e 970.143 ações preferenciais, totalmente subscritas e integralizadas, no valor de emissão de R$8,108763. Todos esses aumentos de capital evidenciam a diferença de R$ 32,8 milhões de reais entre os anos de 2015 e 2016.

Análise dos Resultados e da Qualidade das Decisões de Investimentos e Financiamentos

Abordaremos neste capítulo todos os detalhes que compreendem aos resultados financeiros e econômicos da Sauípe. Aqui serão feitas diversas análises sobre as Demonstrações dos Resultados do Exercício abordando tópicos como receitas, despesas e margens bem como das Demonstrações dos Fluxos de Caixa da companhia para o período de 2015-2016.

Crescimento das receitas

DRE – Sauípe 15/16
DRE - Sauípe 15/16Adaptado de Sauípe S.A (2016)

A tabela acima mostra as demonstrações de resultado do exercício dos anos 2015 e 2016 bem como suas mutações demonstradas pelas análises horizontais e sua proporção e importância na geração de lucro/prejuízo para a empresa.

É possível notar que houve um crescimento de 3,67% da receita operacional líquida impulsionada por alguns fatores que abordaremos a seguir no item 3.2.

DFC – Fluxo de Caixa Operacional
DFC - Fluxo de Caixa OperacionalSauípe S.A (2016)

A figura acima demonstra o fluxo de caixa operacional e suas variações. Estes dados serão usados como base para análises futuras.

DFC – Fluxo de Caixa dos Investimentos
DFC - Fluxo de Caixa dos InvestimentosSauípe S.A (2016)

A figura acima demonstra o fluxo de caixa dos investimento e suas variações. Estes dados serão usados como base para análises futuras.

DFC – Fluxo de Caixa dos Financiamentos
DFC - Fluxo de Caixa dos FinanciamentosSauípe S.A (2016)

A figura acima demonstra o fluxo de caixa dos financiamentos e suas variações. Estes dados serão usados como base para análises futuras.

DISTRIBUIÇÃO do crescimento da receita

Receita Operacional Líquida – Detalhamento
Receita Operacional Líquida - DetalhamentoSauípe S.A (2016)

Ao analisarmos o principal serviço que a empresa oferece, a receita de hospedagem, vemos que a Sauípe alcançou em 2016 um aumento de 7,5% em relação ao ano anterior o que indica melhoria no desempenho principalmente administrativo e comercial da empresa. Realizando uma comparação entre o IPCA de 2016 que foi de 6,29% veremos que a principal receita da empresa cresceu acima do índice de inflação em 1,21%. Se compararmos toda a receita operacional , ou seja, englobando o item Outras receitas chegaremos em um crescimento de 6,28%. Por outro lado, quando comparado o crescimento da receita operacional líquida, ou seja, após descontados PIS, COFINS, ISS, INSS e ICMS chega-se a um aumento de 3,66% em relação à 2015.

A melhoria dos valores de receita ocorreu por diversos fatores como o do desempenho positivo do canal de vendas Lazer Internacional, consequência direta do  efeito cambial de desvalorização do Real, aliado a forte melhoria dos canais diretos, fruto de investimentos da companhia em pessoas e tecnologias especificas para este tipo de distribuição, que contribuiu para amenizar o forte declínio dos canais corporativos, onde o fluxo de eventos corporativos, congressos e afins foi muito inferior a expectativa que a Companhia tinha seu orçamento para 2015. Mesmo assim, comparativamente a 2015, a taxa de ocupação de 2016 foi 1,5% superior e o RevPAR (receita média por apartamento disponível) apresentou crescimento de 17,5%, principalmente pelo crescimento verificado nos segmentos Lazer internacional e Canal Direto. Portanto, podemos dizer que houve intenso esforço tanto comercial quanto administrativo da Sauípe para aumentar o seu desempenho no ano de 2016.

Isso é contrabalanceado pelo fato de que houve um aumento dos custos e despesas (que serão detalhadamente analisados mais a frente) de 5,9%, ou seja, maior do que o aumento da receita e portanto contribuindo para um prejuízo operacional de R$ 25,60 milhões de reais em 2016.

Análise da Força competitiva

Margem Bruta
Margem BrutaO Autor

A margem bruta da companhia passou de 1,77% em 2015 para -0,47% em 2016 evidenciando um perda na força competitiva. Como relatado no capítulo 1, a Sauípe está segura em questões de relacionamento comercial por não depender de fornecedores únicos e utilizar-se de contratos de fornecimento de longo prazo para abastecimento de insumos que considera importante, por outro lado, a perda na força competitiva pode influenciar negativamente a relação da empresa com agências e operadoras de turismo.

Isso se intensifica com o fato de que operadoras de turismo são responsáveis por grande parte das receitas da companhia, como por exemplo a CVC Turismo que no ano de 2016 foi responsável por cerca de 30% da receita total da Sauípe. A perda da força competitiva coloca mais poder de barganha nas mãos dessas agências fazendo com que a companhia tenha de desembolsar bonificações maiores ou diminuir os preços para voltar a ser competitiva, ou em situações mais severas pode fazer com que não seja interessante para as operadoras de turismo ter contratos firmados com a companhia, acarretando um grande prejuízo em termos de receita.

Esforço de crescimento e análise das despesas

Podemos dividir os custos e despesas de forma a entender a geração desse prejuízo, vejamos a tabela a seguir:

Custos e Despesas – Evolução
Custos e Despesas - EvoluçãoAdaptado de Sauípe S.A (2016)

Nessa tabela podemos ver que praticamente todos os custos e despesas tiveram aumento maior do que as receitas no período 2015-2016. O cenário político-econômico brasileiro em 2016 influenciou negativamente o país trazendo fortes impactos à economia doméstica. Durante o ano e principalmente no primeiro semestre a demanda por viagens corporativas tiveram volume bem abaixo do esperado, praticamente congelando o segmento de eventos corporativos, segmento este que traz grande receita à empresa através da Arena Sauípe. Estes fatos evidenciam o pouco aumento da receita que acabou por não acompanhar o crescimento dos custos e despesas apesar de todos os esforços realizados em diversas áreas da companhia.

Abaixo detalharemos melhor todos os custos e despesas da companhia assim como sua evolução:

Custos e Despesas por Natureza
Custos e Despesas por NaturezaAdaptado de Sauípe S.A (2016)

À partir da tabela acima podemos definir que custos como “Alimentos e Bebidas”, “Aluguéis” e “Transporte, brindes e hospedagem” acompanharam os seus respectivos índices de reajuste (IPCA, IGP-M, INCT) e estão dentro do valor esperado para o ano, alguns um pouco acima (transporte, brindes e hospedagem) e outros um pouco abaixo (aluguéis, alimentação e hospedagem).

O gasto com pessoal que corresponde a cerca de 42% do total dos custos e despesas teve um aumento de 9,35%, um pouco acima do índice de inflação do período 2015/2016 que ficou na média de 8,48%. Isso faz sentido se pensarmos que houve um aumento no pessoal para que a empresa fosse capaz de lidar com o aumento do índice de hospedagem.

É possível notar um esforço da companhia para manter o alto padrão das instalações se olharmos o aumento de quase 17% nos custos de conservação e manutenção. É possível também que no ano de 2016 tenha havido alguma manutenção periódica necessária para o contínuo funcionamento das instalações.

Vemos também um significante aumento nas “provisões para créditos de liquidação duvidosa”, chegando à 106%, saindo de um custo de R$ 303 mil em 2015 para um ganho de R$ 20 mil em 2016.

Além disso, também é possível notar um significativo aumento no gasto com “Material de cama, mesa e banho”, mesmo que esse item corresponda à 0,75% do total ele teve um aumento de 21,32%, bem acima da inflação do período, o que pode ser por conta da alta do dólar caso o preço destes itens sejam fortemente influenciados pela moeda estrangeira.

Um ponto de atenção que vale ser comentado é o fato de que analisando a evolução dos custos operacionais da empresa vemos que o “Custo os serviços prestados” acompanha de perto o ritmo da inflação (6,28% em 2016) enquanto “Despesas Gerais e Administrativas” e principalmente “Honorários dos administradores” descolam desse índice com um aumento de 12,3% e 15,1%, respectivamente. É impossível não sairmos com o questionamento do porque os administradores estão sendo mais bem remunerados, muito mais que a inflação do períodos, se a companhia não está obtendo os resultados esperados.

Por fim, acredito que o desempenho ruim da empresa tenha base mais em questões macroeconômicas e de mercado do que da má utilização dos recursos e investimentos feitos pela empresa durante o ano apesar de haver alguns pontos de melhoria que serão comentados mais a frente neste trabalho.

Impacto das decisões de financiamento

A DFC a seguir retrata os investimentos da companhia para os anos estudados:

DFC – Investimentos
DFC - InvestimentosSauípe S.A (2016)

Vemos que a empresa realizou um forte investimento aumentando o gasto com imobilizado em cerca de 146%. Porém se analisarmos o item  “depreciação e amortização” do período, vemos que os 11 milhões de reais que a empresa está investindo é apenas o necessário para manter a sua operação no mesmo patamar.

DFC – Financiamentos
DFC - FinanciamentosSauípe S.A (2016)

Observamos também que a empresa utilizou-se de dinheiro do sócio para financiar seus investimentos no período estudado. Nota-se uma diminuição da capitação de cerca de 55% da captação de empréstimos e financiamentos, ou seja, capital de terceiros com incidência de juros e um aumento de capital de cerca de 32 milhões de reais.

Nota-se que o aumento de capital realizado pela empresa ajuda a mascarar o desempenho ruim no ano de 2016 quando olhamos a variação de caixa (FCO + FCI + FCF). A facilidade com que a PREVI realiza aportes de capital repetidamente durante os anos é um ponto de atenção. Como não existem outros investidores colocando dinheiro na empresa é preciso ficar bastante atento ao quanto a ela está disposta a “sacrificar” o próprio capital para manter a operação da Sauípe, mesmo que a mesma esteja apurando prejuízo nos últimos anos.

Outro ponto de atenção é o modo que a administração utilizou para apurar lucro no fluxo de caixa operacional no ano de 2015. Nota-se que a conta “adiantamento de clientes” está bastante inflada, o que faz com que o FCO do ano fique positivo em 4,1 milhões de reais.

Se olharmos as margens da empresa na figura abaixo, veremos que a margem operacional é negativa nos dois anos, evidenciando uma perda considerável das capacidades administrativas e de vendas da empresa. Grande parte da “culpa” da margem operacional negativa se encontra nos custos e despesas serem maiores do que as receitas, tanto em 2015 quanto em 2016.

Margens
MargensO autor

Por fim podemos concluir que a Sauípe necessita urgentemente rever o plano
administrativo em curso se quiser que sua operação seja capaz de apurar lucro sem
que a PREVI necessite realizar anualmente grandes aportes de capital apenas para manter a empresa em operação. Um melhor desempenho operacional feito através de um aumento nas vendas e na ocupação e uma revisão urgente de custos e despesas é onde a empresa precisa colocar o foco para que tenha alguma esperança de ser rentável em algum momento.

Sustentabilidade e saúde do crescimento

O crescimento das receitas operacionais pode ter ocorrido de forma saudável,
através de investimentos em canais de venda e melhor divulgação da empresa no mercado de resort. Isso acarretou uma melhor ocupação de quartos no ano de 2016 se comparado a 2015. 

Apesar disso, quando olhamos o resultado líquido da empresa como um todo vemos que não foi saudável e muito menos sustentável visto que ela operou prejuízo durante os últimos anos. Conforme analisado anteriormente no item 3.5 deste trabalho, a PREVI necessita anualmente realizar aumentos de capital para que a empresa continue funcionando. 

A incapacidade da Sauípe de se manter funcionando através da geração de caixa de sua própria operação é um sinal de alerta constante e está presente nos últimos anos. É necessário urgentemente que a gestão enderece os problemas e busque resolvê-los na raiz ao invés de continuar com aportes anuais de capital mascarando resultados piores do que realmente está sendo mostrado.

As medidas e planos de reestruturação que foram
estabelecidos de forma que os problemas de performance administrativa, financeira e operacional fossem corrigidos para que a mesma consiga eventualmente operar num ciclo positivo de crescimento precisam ser urgentemente melhoradas e colocadas em prática para garantir que, eventualmente, a empresa consiga operar num ciclo positivo de crescimento.

A empresa parece ter investido para crescer?

É possível afirmar, através da análise de dois itens dos fluxos de caixa da empresa que não houve investimento para crescimento no último ano.

Se olharmos para o investimento em imobilizado e para a depreciação e amortização do período veremos que ambos possuem praticamente o mesmo valor:

CAPEX x Depreciação
CAPEX x DepreciaçãoAdaptado de Sauípe S.A (2016)

Logo, à partir da análise dos dados da figura acima, podemos concluir que a empresa investiu apenas o suficiente para manter sua capacidade operacional estável e do mesmo tamanho.

FUsões e aquisições

Não houve nenhuma fusão ou aquisição no período aqui analisado.

É possível afirmar também que a companhia não apresenta nenhuma chance de ser adquirida por outro player do mercado no curto, médio e longo prazo, nem busca adquirir quaisquer outros players, seja de forma vertical ou horizontal.

Os diferenciais competitivos se traduzem em resultados para a empresa?

Apesar de não possuir nenhuma vantagem competitiva conforme explicado no item 1.5 deste trabalho, podemos citar a Arena Sauípe como um diferencial competitivo da empresa.

Durante o ano e principalmente no primeiro
semestre a demanda por viagens corporativas tiveram volume bem abaixo do esperado, praticamente congelando o segmento de eventos corporativos, segmento este que traz grande receita à empresa através da Arena Sauípe. Por conta desse problema de demanda, o investimento não conseguiu ser traduzido em receita para os anos analisados praticamento anulando este ponto como diferencial competitivo.

EBITDA E TAXA DE CONVERSÃO 

Neste ponto será discutido EBITDA, sua margem e a taxa de conversão entre EBITDA e FCO, para isso será analisada a tabela abaixo que demonstra um resumo das informações contidas nas demonstrações de fluxos de caixa:

Resumo DFC
Resumo DFCAutoria Própria baseado em Sauípe S.A (2016)

Podemos observar pela tabela acima que a empresa teve uma queda enorme na geração de caixa operacional dado sua performance no ano de 2016 por diversos motivos já apresentados neste trabalho. O EBITDA, apesar de negativo em 2015 também apresentou piora de 83% indo de R$ -9,64 milhões em 2015 para R$ -17,64 milhões em 2016. A margem EBITDA por consequência também apresentou uma piora, foi de -5% em 2015 para -8,9% em 2016. Isso indica que a empresa não tem geração potencial de caixa mas sim destruição potencial de caixa.

O Fluxo de Caixa Operacional ajustado, apesar de positivo em 2015 teve uma brusca queda em 2016, passando de R$ 5,85 milhões positivos para R$ 16,54 milhões negativos, queda de 383%.

A empresa acaba por ter valores não representativos de taxa de conversão de potencial de geração de caixa operacional para geração efetiva de caixa operacional pois não existe potencial de geração.

Sobre o fluxo de caixa livre da empresa:

FCLE
FCLEAdaptado de Sauípe S.A (2016)

É possível observar na tabela anterior que apesar de positivo, o fluxo de caixa livre da empresa (FCLE) também diminuiu substancialmente entre os anos de 2015 e 2016. Vemos uma diminuição de R$ 22,5 milhões, aproximadamente 51,3% de queda.

Performance ECONÔMICA e Financeira da Empresa

Receitas e despesas financeiras
Receitas e despesas financeirasSauípe S.A (2016)

Em primeiro lugar nota-se que as Despesas Financeiras da companhia são superiores às Receitas financeiras. Isso evidencia que o os lucros/prejuízos são inteiramente ligados à operação da empresa, tornando mais simples o processo de medição de performance da mesma.

As receitas financeiras tiveram ganho de cerca de R$ 1,45 milhões em 2016, mais que o dobro de 2015 quando atingiu o valor de R$ 724 mil. Dos itens a serem ressaltados temos (a) Rendimento de aplicações financeiras com valor de R$ 537 mil e proporção de 36,8% do total das receitas financeiras em 2016 e (b) Juros, com valor de R$ 783 mil e proporção de 53,7% do total de receitas financeiras em 2016.

As despesas financeiras por sua vez também foram maiores, a companhia gastou aproximadamente 38,3% a mais em 2016 do que gastou em 2015. O motivo para esses gastos residem principalmente em dois fatores: (a) Juros sobre empréstimos e financiamentos e (b) Juros e multas.

O controverso cenário político-econômico brasileiro em 2016, os baixos níveis de interesse, altas taxas de juros, perda do rating, entre outros motivos trouxeram problemas para o mercado brasileiro. Isso fez com que o risco país aumentasse devido às incertezas do cenário e, como consequência, aumentassem também os custos de captação no mercado de crédito no Brasil. O aumento de 23.8% nos Juros sobre empréstimos e financiamentos assim como o aumento de 144,6% nos Juros e multas tem esses fatores com principais responsáveis em seus respectivos aumentos.

Por fim, concluímos que apesar das dificuldades e do significativo aumento das despesas operacionais o Resultado Financeiro da companhia apresenta-se dentro da normalidade para uma companhia cuja principal operação não é de cunho financeiro.

Diversos motivos evidenciam que a empresa não obteve boa performance financeira e econômica nos últimos anos. Observamos pioras em praticamente todos os indicadores analisados neste trabalho. O Lucro Bruto diminuiu, de R$ 3,39 milhões em 2015 para um prejuízo de R$ 944 mil. O fluxo de caixa operacional de 2016 também apresentou queda de 383% em relação à 2015. A receita operacional aumentou porém foi acompanhada de um aumento ainda maior dos custos acarretando prejuízo. Por fim, a empresa apresentou um prejuízo líquido de R$ 29,3 milhões de reais, ou seja, 25% maior que o ano anterior.

A figura abaixo nos permite visualizar as margens e analisá-las de forma mais detalhada:

Margens
MargensSauípe S.A (2016)

Nessa figura percebemos que a Sauípe teve uma piora na sua margem bruta ocasionada principalmente pelo péssimo ritmo de mercado e desaquecimento da economia. Percebe-se também que em ambos os anos a empresa teve a margem operacional fortemente afetada pelas despesas operacionais, indicando que a operação da empresa ainda não alcançou níveis ideais de rendimento e ocupação, além de ter um desempenho administrativo e de venda ruim e por isso possui as despesas maiores do que o resultado operacional.

Finalmente, a margem líquida também sofre um declínio devido ao rendimento financeiro, porém este acontece em níveis normais. Num futuro evento em que a empresa atinja os resultados esperados e obtenha níveis satisfatórios de Lucro Bruto e Lucro Operacional a margem líquida não será influenciada tão negativa pelo resultado financeiro quanto ocorre hoje.

Enfim, a Sauípe S.A, através de análise de sua DRE está auferindo prejuízo por conta de não conseguir atingir resultados operacionais esperados e não por conta de quaisquer outros fatores como Despesas Operacionais ou Receita e Despesas Financeiras fora do padrão.

RENTABILIDADE E SEUS DRIVERS

A rentabilidade de uma empresa, dada pelo seu ROE (return on equity)
é um dos principais pontos analisados por investidores na hora de
colocar dinheiro em uma empresa. O cálculo do ROE é dado pela seguinte
fórmula:

ROE – Fórmula para cálculo
ROE - Fórmula para cálculoO autor (2017)

Nos
anos de 2015 e 2016 a Sauípe apresentou prejuízo em suas demonstrações
de resultado deixando a empresa com ROE negativo em ambos os anos
conforme demonstrado na tabela a seguir:

ROE – Sauípe 2015/2016
ROE - Sauípe 2015/2016Autoria Própria baseado em Sauípe S.A (2016)

O grau de alavancagem financeira, também conhecido como GAF, mede o quanto uma empresa se utiliza de capital terceiros para alavancar sua operação e obter maior rentabilidade. O GAF pode ser maior que 1 indicando que a alavancagem está se mostrando favorável, ou seja, o retorno sobre o ativo será maior que os juros pagos sobre o capital de terceiros. Por outro lado o GAF pode ser menor que 1 indicando que a alavancagem está sendo desfavorável, ou seja, os juros sobre o capital de terceiros são maiores que os rendimentos que os ativos proporcionam, ocasionando redução do patrimônio líquido. Por fim, o GAF pode ser igual a 1 indicando uma alavancagem financeira nula.

Fómula GAF
Fómula GAFO autor

No caso da Sauípe o GAF calculado para os anos de 2015 e 2016 são:

GAF – Sauípe 2015/2016
GAF - Sauípe 2015/2016Autoria Própria

A tabela acima evidencia que a empresa possui um grau de alavancagem financeira praticamente nulo o que faz todo sentido pois a vasta maioria dos financiamentos da empresa são por parte do próprio capital e não capital de terceiros.

Outro driver de rentabilidade importante a ser avaliado é o Giro do Ativo. Esse driver mede a quantidade de valor gerado pela empresa para cada 1 R$ em ativo, por exemplo, um giro do ativo de 1,5 significa que a empresa gera R$ 1,50 para cada R$ 1 real em ativo.

Giro do Ativo – Fórmula
Giro do Ativo - FórmulaO autor

O giro do ativo da Sauípe é dado pela tabela à seguir:

Giro do Ativo – Sauípe 2015/2016
Giro do Ativo - Sauípe 2015/2016Autoria Própria baseado em Sauípe S.A (2016)


Podemos ver que este indicador também apresenta um resultado insatisfatório, a empresa não consegue se aproveitar totalmente do seu ativo tendo um giro do ativo de 0,55, ou seja, ela gera 55 centavos por real investido em ativo.

Por fim, vamos avaliar a margem operacional da empresa:

Margem Operacional – Fórmula
Margem Operacional - FórmulaO autor

Ao analisarmos esse driver chegamos também num resultado negativo. No ano de 2015 a margem operacional foi de -10,93% evidenciando a péssima performance operacional da companhia. Em 2016 esse indicador teve uma piora e passou para -13,35% demonstrando um maior deficit operacional.

Performance da concorrência

Para essa comparação foram usados 3 players de destaque internacional no ramo de resorts: Eldorado Resorts, Red Rock Resorts e MGM Resorts International e 2 players nacionais sendo um deles a Sauípe e o outro a companhia Hotéis Othon.

Comparação da Performance
Comparação da PerformanceGoogle Finance ()

Na tabela anterior vemos que a menor margem bruta positiva pertence a companhia Eldorado Resorts com 37,3% de margem bruta enquanto a companhia Hotéis Othon aparece com a maior, cerca de 66%. Por outro lado, ao analisarmos lucro líquido e margem líquida temos a empresa MGM Resorts International com cerca de R$ 3,52 bilhões de lucro líquido e um margem de 11,65% revelando uma ótima performance tanto financeira quanto operacional. O ROE gerado por essas empresas internacionais são muito satisfatórios, principalmente se levarmos em conta que o custo de oportunidade do investidor no país que essas empresas se encontram são muito menores que o custo de oportunidade do investidor no Brasil por exemplo. A Red Rock Resorts lidera o ranking com um excelente ROE de 26,30%, valor bem acima das taxas referenciais americanas.

Objetivo dos acionistas

A Sauípe S.A nos últimos anos não foi capaz de realizar o objetivo primário à seus acionistas: Gerar rentabilidade.

A companhia operou em prejuízo em ambos os anos analisados fechando os períodos com ROE negativo nos dois anos, -8,15% em 2015 e -10,13% em 2016.

A empresa porém está trabalhando em todos os pontos levantados pela administração para atingir o objetivo firmado em seu Plano de Reestruturação citado no capítulo 1. Resta agora saber se com reaquecimento do mercado interno e a economia voltando aos trilhos, a companhia será capaz de gerar o devido resultado operacional esperado e aos poucos sair do vermelho.


Análise dos riscos , do valor e das oportunidades de negócio

Gestão do capital de giro – PRAZOS MÉDIOS, CAPITAL DE GIRO e outros aspectos da liquidez

Prazos Médios

Os prazos médios, divididos em prazo médio de estoques, prazo médio de pagamentos e prazo médio de recebimentos, nos anos de 2015 e 2016 se dão da seguinte forma:

Prazo Médio de Estoques
Prazo Médio de EstoquesAutoria Própria baseado em Sauípe S.A (2016)

A fórmula utilizada para o cálculo do Prazo médio de estoques é a seguinte:

PME – Fórmula
PME - FórmulaO autor (2017)

CMV significa custo médio de venda, e CMV diário é o CMV dividido por 365, que é o número de dias do ano.

O prazo médio de estoques da companhia é de aproximadamente 8 dias o que significa que os produtos vendidos aos hospedes ficam em estoque em média 8 dias. Entre os anos de 2015 e 2016 praticamente não houve variação neste prazo.

Prazo médio de recebimentos
Prazo médio de recebimentosAutoria Própria baseado em Sauípe S.A (2016)

O prazo médio de recebimentos utiliza a venda diária, calculada a partir do valor da receita operacional líquida dividida por 365. A fórmula para o cálculo do PMR é a seguinte:

PMR – Fórmula
PMR - FórmulaAutoria Própria

O prazo médio de recebimento da Sauípe foi de aproximadamente 40 dias em 2015 e de aproximadamente 44 dias em 2016. Esse aumento de cerca de 10% se baseia na piora da economia brasileira no ano de 2016 trazendo o impacto recebido no bolso do consumidor a tona e aumentando o tempo que o cliente demora para pagar.

Prazo médio de pagamentos
Prazo médio de pagamentosAutoria Própria baseado em Sauípe S.A (2016)

O prazo médio de pagamentos é dado pela seguinte fórmula:

PMP – Fórmula
PMP - FórmulaAutoria Própria

O prazo médio de pagamentos da Sauípe foi de aproximadamente 25 dias em 2015 e apresentou um aumento de aproximadamente 8% em 2016 chegando à 27 dias. Isso conta como uma melhora para a companhia devido a ela pode diminuir seu ciclo de caixa e por consequência a necessidade de capital de giro futuro.

Por fim chegamos ao seguinte ciclo de caixa:

Ciclo de Caixa
Ciclo de CaixaO autor

Nota-se uma piora de cerca de 2 dias no indicador de ciclo de caixa, fato este que explica o aumento da NIG, entre outros fatores.

Apesar de pequeno, este fato evidencia que a empresa não tem uma gestão eficiente dos seus ciclos de pagamentos, recebimentos e estoques.

Capital de Giro Líquido, NIG e Saldo em Tesouraria

A tabela a seguir resume todos os dados necessários para análise do capital

de giro da empresa:

Capital de Giro
Capital de GiroAdaptado de Sauípe S.A (2016)

Para entendimento:

ACF – Ativo Circulante Financeiro;

PCF – Passivo Circulante Financeiro;

ACO – Ativo Circulante Operacional;

PCO – Passivo Circulante Operacional;

AC – Ativo Circulante;

PC – Passivo Circulante.

Vemos que a gestão de capital de giro da companhia é feita de forma

bastante agressiva. Temos o Saldo em Tesouraria (ACF – PCF) bastante negativo o
que por si só já demonstra uma incapacidade da empresa de lidar com obrigações financeiras de curto prazo sem reduzir os recursos alocados no ciclo operacional. 

Conforme esperado, pela piora no ciclo de caixa temos também um aumento de quase 30% do delta NIG, indicando que a
necessidade de capital de terceiros onerosos para financiar o ciclo de operação
aumentou. Por consequência impactanto negativamente no ROE e na taxa de conversão de EBITDA em FCO.

Por fim, temos o CGL (capital de giro líquido) também negativo, indicando que a empresa está financiando ativos de longo prazo com passivos de curto prazo, trazendo riscos para a companhia.

COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO ONEROSO DA EMPRESA

As dívidas da empresa para os anos de 2015 e 2016 se distribuem da

seguinte maneira:

Dívidas
DívidasSauípe S.A (2016)

Em 26 de setembro de 2014 a Companhia assinou contrato de empréstimo de capital de giro com o Banco do Brasil no montante de R$10.000, com juros
pactuados de 3,8% ao ano, acrescidos da variação do CDI, com pagamento em 54 parcelas mensais, tendo a primeira vencimento em 27 de março de 2015. Os recursos provenientes desse empréstimo foram recebidos pela Companhia em 22 de outubro de 2014. 

Em 28 de setembro de 2015 a Companhia assinou novo contrato de
empréstimo para captação de capital de giro com o Banco do Brasil no montante de R$4.500, com juros pactuados correspondentes à taxa média do CDI, acrescidos de 5,85% ao ano e pagamento em 48 parcelas mensais, com 12 meses de carência, tendo a primeira vencimento em 18 de setembro de 2016 e a última em 18 de agosto de 2020. Os recursos provenientes desse empréstimo foram recebidos pela Companhia em 14 de outubro de 2015.

Em 21 de dezembro de 2015 a Companhia assinou contrato com a Companhia de Energia Elétrica da Bahia – Coelba no montante de até R$3.000 para financiar o projeto de Eficiência Energética do Complexo. O valor financiado deverá ser ressarcido à Coelba em até 48 parcelas mensais e consecutivas, tendo a primeira vencimento em janeiro de 2017, limitadas ao prazo máximo da vigência do contrato. O valor que será ressarcido deverá ser atualizado pelo IGP-M, com reajustes mensais.

CAPACIDADE DE PAGAMENTO DAS DÍVIDAS

A empresa mostra em seu Demonstrativo de Resultados que possui terrenos
e edificações dados como garantia para a captação dos empréstimos no montante de R$17.780, além de recebíveis decorrentes de sua operação normal, no valor mínimo de R$1.175, referentes aos créditos que a Companhia tenha a receber, decorrentes de vendas ou serviços realizados, vencíveis até o prazo de 180 dias. O indicador de Dívida Líquida pelo EBITDA demonstra quantos do EBITDA atual são necessários para o pagamento das dívidas. Esse indicador porém não cabe na análise da companhia aqui estuda pois a mesma apresentou EBITDA negativo durante ambos os anos estudados. Sendo assim, a responsabilidade de arcar com as dívidas caso a companhia continue performando abaixo do esperado em sua operação cabe inteiramente à PREVI, atual controladora de 100% das ações da companhia.

GERAÇÃO E PERFIL DOS FLUXOS DE CAIXA

A tabela abaixo resume as informações sobre as evoluções dos fluxos de
caixa durante o período estudado:

Os Fluxos de Caixa
Os Fluxos de CaixaAdaptado de Sauípe S.A (2016)

Primeiramente é possível perceber que o fluxo de caixa operacional passou
de um gerador de caixa em 2015 para um destruidor de caixa em 2016. O principal ponto relevante aqui foi a performance da operação em 2016 devido a dificuldade econômica enfrentada pelo país. O setor de turismo, principalmente o de resorts de luxo sentiu um baque bastante grande devido à diminuição de suas receitas. Os custos e despesas porém continuaram altos levando à um fluxo de caixa desastroso. Mesmo a melhora do ciclo de caixa não foi capaz de melhor a situação deste item que acabou por destruir caixa da operação no montante de R$ 19,3 milhões.

O fluxo de caixa dos investimentos, que tem por normalidade destruir caixa, teve também um aumento. As taxas de juros elevadas, taxas de câmbio, inflação, entre outros, problemas trouxeram dificuldades e investimentos mais caros. Quase a totalidade dos investimentos foi em Aquisição de Imobilizado, também gerando destruição de caixa no montante de R$ 11,7 milhões.

Por fim, o fluxo de caixa dos financiamento teve grande peso e também grande variação percentual. Tudo isso é explicado pelos diversos aportes de capital realizados pela PREVI durante o ano de 2016. No total foram R$ 32,8 milhões de reais aplicados na empresa pelos sócios ocasionando uma variação 1431% e uma geração de caixa de aproximadamente R$ 32 milhões.

No final de 2016, levando em consideração todas as variações que ocorreram nos fluxo de caixa a companhia fechou o ano com uma variação negativa no caixa de R$ 361 mil, ou 23% percentualmente.

Gestão tributária e alíquotas efetivas

A companhia adota o regime de lucro real para apuração do Imposto de Renda e da Contribuição Social. A conciliação
da despesa de IRPJ e CSLL, calculados pela aplicação das alíquotas vigentes, e os valores refletidos nos resultados dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2016 e de 2015 está demonstrada a seguir:

Imposto de Renda e Contribuição Social
Imposto de Renda e Contribuição SocialSauípe S.A (2016)

Vemos que a alíquota de Imposto de renda e contribuição social combinada da empresa é de 34% sobre o Lucro/Prejuízo Líquido.

Em 31 de dezembro de 2016 a Companhia possuía prejuízos fiscais e bases negativas de
contribuição social, os quais são disponíveis para futuras compensações, no montante de R$152.531 (R$129.267 em 31 de dezembro de 2015), cujo imposto de renda e contribuição social diferidos no montante de R$38.133 (R$32.317 em 31 de dezembro de 2015) e R$13.728 (R$11.634 em 31 de dezembro de 2015), respectivamente, não foram registrados em decorrência da inexistência de expectativa de geração de lucros tributários Em 31 de dezembro de 2016 a  Companhia possuía prejuízos fiscais e bases negativas de
contribuição social, os quais são disponíveis para futuras compensações, no montante de R$152.531 (R$129.267 em 31 de dezembro de 2015), cujo imposto de renda e contribuição social diferidos no montante de R$38.133 (R$32.317 em 31 de dezembro de 2015) e R$13.728 (R$11.634 em 31 de dezembro de 2015), respectivamente, não foram registrados em decorrência da inexistência de expectativa de geração de lucros tributários nos exercícios subsequentes.

(SAUÍPE S.A,2016, p.43)

Riscos relacionados a itens off-balance-sheet

Segundo as demonstrações de resultado do exercício dos anos de 2015 e 2016 a empresa não possui nos seu ativos e passivos quaisquer itens de off-balance sheet.

Potencial perda de força competitiva

A empresa obteve no ano de 2016 uma margem bruta de -0,47%. Isso mostra que a empresa, mesmo que de forma sutil, perdeu força competitiva.

Por utilizar-se de contratos de longo prazo para compra de mercadorias necessárias para a operação a empresa não possui nenhuma dependência por parte dos fornecedores, podendo trocar um fornecedor para qualquer outra que ofereça melhores condições na negociação.

Por outro lado, na ponta dos clientes, a empresa possui um forte vínculo com operadoras e agências de turismo tendo a operadora CVC Turismo sido responsável por cerca de 30% da receita operacional líquida do ano de 2016. Essa queda na margem coloca a empresa em uma posição mais fraca em momentos de negociação com esse tipo de cliente visto que depende fortemente deles. Isso pode afetar as margens de lucro da empresa e também sua rentabilidade, caso essas em algum momento cheguem a ficar positivas.

Riscos sistemáticos – principais fatores externos de risco à atividade operacional da companhia

A empresa está exposta a diversos fatores de risco, sendo eles:

Risco de Mercado: Os negócios da Companhia estão suscetíveis a diversos aspectos de mercado preferência do consumidor; ambiente macroeconômico; concorrência de produtos e destinos alternativos.

Fatores Adversos: Incêndios, desastres naturais ou danos ambientais podem danificar ou destruir as
instalações da Companhia. Falhas ou faltas em fornecimentos de energia, saneamento e comunicações podem comprometer a capacidade de realização de negócios e na plena operação das atividades da Companhia. Eventuais sinistros poderão não estar integralmente cobertos pelas suas apólices de seguro, podendo causar dano material para a Companhia.

Fatores de Risco relacionados com seus Fornecedores: A Companhia encontra-se a aproximadamente 100 km do centro urbano, sendo de
fundamental importância o bom funcionamento de sua comunicação com este. Em  virtude desta distância pode haver restrição na oferta de produtos e de fornecedores  atuantes na região. O prazo e pontualidade na entrega podem ser comprometidos; os custos podem ser mais elevados em virtude de fretes adicionais; a qualidade dos produtos pode ser comprometida, comprometendo a qualidade dos serviços e produtos da Companhia.

Fatores de risco relacionados aos setores da economia e mercado: O mercado de resorts é influenciado por fatores macroeconômicos, variação do câmbio,
movimento da concorrência, sazonalidade e canais de venda, questões socioambientais como cuidados e obrigações, definidos pela
legislação ambiental, cujo pleno cumprimento pode não ser integralmente executado conforme exigido pelas autoridades.

Riscos relacionados ao posicionamento estratégico da companhia

O posicionamento estratégico da companhia passa por um plano de reestruturação que visa corrigir diversos erros administrativos, financeiros e operacionais que vem sendo feitos desde o início de sua operação. Dos itens presentes nesse plano de reestruturação é bastante interessante citar os seguintes:

  • Adoção de processos que permitam melhoria contínua e consequente percepção de
    qualidade por parte dos clientes;
  • Continuidade no processo de aprimoramento dos níveis de governança corporativa;
  • Redução de custos;
  • Ajustes no posicionamento visando permitir melhoras de receitas unitárias.

Além dos pontos citados acima a empresa precisa investir mais em divulgações para atrair mais clientes, principalmente pelo fato de que a demanda por viagens dentro do Brasil que tem o Nordeste como destino vem crescendo nos últimos anos.

Riscos relacionados ao potencial de crescimento do setor

A empresa possui uma capacidade instalada bastante grande, sendo uma das maiores em sua categoria. O crescimento do setor de turismo principalmente em termos de resorts de luxo seria extremamente benéfico para a empresa caso ela mantenha capacidade operacional atual. Pelo que foi estudado neste trabalho a empresa possui uma grande capacidade operacional ociosa para absorção de um eventual crescimento de mercado sendo necessário apenas implementar maneiras de mostrar sua qualidade de serviço e assim se sobressair perante suas concorrentes.

Visão gerencial da estrutura de custos e despesas operacionais e práticas orçamentárias da empresa

Premissas, construção e apresentação da DRE gerencial da empresa

Abaixo se encontra a DRE Gerencial disponibilizada pela empresa para os anos de 2015 e 2016:

DRE Gerencial
DRE GerencialEconoinfo ()

A partir da figura acima podemos entrar em maiores detalhes da divisão de custos conforme nota explicativa disponibilizada na Demonstração de Resultados do Exercício para os anos de 2015 e 2016. Para isso os custos foram considerados como sendo fixos ou variáveis, divididos da seguinte maneira:

Custos e Despesas – Fixo e Variável
Custos e Despesas - Fixo e VariávelAdaptado de Sauípe S.A (2016)

Entende-se que, conforme tabela acima, os itens “Custo dos serviços prestados” e “Honorários dos administradores” são considerados variáveis dado que dependem do volume de receita gerado no ano em questão para serem calculados. Por outro lado, os itens “Despesas Gerais e Administrativas”, “Depreciação” e “Outras despesas operacionais, líquidas” são todos considerados custos fixos por independerem do volume de receita gerada no período.

Fixo x Variável
Fixo x VariávelAdaptado de Sauípe S.A (2016)

Podemos destacar nesta análise que a empresa possui grande parte do seu custo como custo variável, mais de 89% de todos seus custos e despesas. Isso corrobora com o fato de que a empresa não possui margem de lucro pois para ambos os anos estudados pois se somarmos custos e despesas fixos e variáveis teremos um resultado negativo tanto antes quanto depois de levar em conta o resultado financeiro e os impostos. Aqui se apresenta outro ponto de melhoria para a empresa pois é de suma importância que a sua estrutura de custos  seja reavaliada de forma que possa ser possível diminuir os custos e despesas necessários para manter a operação.

Análise de margem de contribuição, ponto de equilíbrio e sensibilidade da estrutura de custos fixos

Para essa análise utilizaremos a figura abaixo como base:

Análise Margem de Contribuição
Análise Margem de ContribuiçãoO autor

Podemos ver figura acima que houve uma substancial queda na margem de contribuição da empresa dado pelo aumento de custos variáveis superior ao aumento da receita. Podemos ver também que os gastos com custos fixos também aumentaram em proporção superior à receita, tendo um impacto significante e aumentando o prejuízo operacional da companhia em aproximadamente 27%. O Resultado financeiro, também foi responsável por trazer este prejuízo ainda mais para baixo, chegando a quase 30 milhões de reais de prejuízo líquido em 2016 e cerca de 24 milhões de reais em prejuízo líquido no ano de 2015.

O aumento dos gastos pode ser explicado se olharmos mais a fundo nos custos e despesas da Sauípe conforme abaixo:

Custos e Despesas – Detalhe
Custos e Despesas - DetalheAdaptado de Sauípe S.A (2016)

Nota-se aumentos expressivos em itens como “Provisão para riscos fiscais, cíveis e trabalhistas” com cerca de 58% de crescimento, gastos com Energia, água, telefone e gás também tiveram um aumento de 10%, “Serviços de terceiros” também mostra um aumento de cerca de 13%. Todos estes itens combinados, onde a grande maioria teve um aumento maior que os 3,67%
de aumento da receita pressionam de forma negativa as margens e capacidade de gerar lucro e rentabilidade da empresa.

O ponto de equilíbrio demonstra qual a quantidade mínima de receita para cobrir todos os custos fixos e variáveis, ou seja, o ponto em que não há lucro ou prejuízo contábil. É o ponto de igualdade entre a receita total e o custo total. Também chamado de break-even point, ponto de ruptura ou ponto crítico.

Pode-se dizer que uma empresa está no ponto de equilíbrio quando ela não apura lucro ou prejuízo no período, nesse caso, as receitas totais são iguais aos custos totais e despesas totais.

A empresa vem desde de 2013 apurando prejuízo em seus resultados, ou seja, não teve capacidade de chegar nem ao break-even point, situação que se torna preocupante a cada ano que passa.

Discussão sobre métodos de custeio

Para análise entraremos em detalhes sobre alguns dos principais métodos de custeio abaixo (WK Sistemas, 2016) :

Custeio por Absorção

No custeio por absorção, todos os custos de produção são alocados aos bens produzidos ou serviços prestados, compreendendo os custos fixos, variáveis, diretos e indiretos.

O Custeio por Absorção tem como características:

  • Englobar custos fixos, variáveis, diretos e indiretos;
  • Necessitar de critérios de rateios, no caso de apropriação dos custos indiretos (gastos gerais de produção) quando houver mais de um produto ou serviço prestado;
  • Por ser o método derivado da aplicação dos Princípios Fundamentais da Contabilidade é o critério legal exigido no Brasil;
  • Os resultados apresentados são influenciados pelo volume da produção;
  • Não identificar a margem de contribuição (diferença entre o preço de venda e o custo do produto);
  • Estabelecer o custo total unitário do produto/serviço;
  • Indicado para decisões realizadas a longo prazo.

O Custeio por Absorção deve ser usado quando a empresa busca o uso do sistema de custos integrado à contabilidade. É válido tanto para fins de Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados como também, na maioria dos países, para Balanço e Lucro Fiscais.

Algumas outras vantagens do Custeio por absorção:

  • Atender à legislação fiscal, permitido pela legislação brasileira;
  • Permitir a apuração do custo por centro de custos, visto que sua aplicação exige a organização contábil. Assim, quando os custos forem alocados aos departamentos de forma adequada torna-se possível acompanhar o desempenho de cada área;
  • Ao absorver todos os custos de produção, permite a apuração do custo total de cada produto;
  • Ser aceito pelo Imposto de Renda do Brasil, utilizado na contabilidade financeira e auditorias externas, por atender aos princípios contábeis.

Como desvantagem tem-se a utilização dos rateios para distribuir os custos entre os departamentos e/ou produtos, uma vez que nem sempre tais critérios são claros e objetivos, podendo distorcer os resultados, penalizando alguns produtos/serviços e beneficiando outros e mascarando problemas, como ineficiências e desperdícios produtivos.

Custeio Variável

No Custeio Variável somente são apropriados como custos de fabricação os custos variáveis, diretos e indiretos. Os custos fixos, pelo fato de existirem mesmo que não haja produção, não são considerados como custo de produção e sim como despesas, sendo encerrados diretamente contra o resultado do período.

O Custeio Variável tem como características:

  • Englobar custos variáveis diretos e indiretos;
  • Não necessitar de critérios de rateios. Os custos fixos são considerados como despesa e não como custo do produto;
  • Os resultados apresentados são influenciados pelo volume de vendas;
  • Identificar a margem de contribuição unitária e global;
  • Estabelecer o custo parcial unitário do produto/serviço, uma vez que considera os custos variáveis;
  • Indicado para decisões realizadas a curto prazo.

As vantagens proporcionadas pelo custeio variável são basicamente com relação à produção de informações para as tomadas de decisão (por exemplo, quais produtos, linhas de produtos, áreas, clientes, segmentos são mais lucrativos, etc).

Algumas outras vantagens do Custeio Variável:

  • Apresentar de imediato a margem de contribuição;
  • Mensurar de forma objetiva os custos dos produtos, uma vez que estes não sofrerão processos arbitrários/subjetivos de distribuição dos custos comuns;
  • Lucro líquido não ser afetado em decorrência do aumento/diminuição de inventários;
  • Totalmente integrado ao custo padrão e o orçamento flexível, possibilita o correto controle de custos.

O Custeio Variável tem como desvantagem o fato das informações não serem apropriadas para decisões a longo prazo. Além disso, os resultados do custeio variável não são aceitos para a preparação de demonstrações contábeis de uso externo.

Custeio ABC (Activity Based Costing)

Diferentemente dos custeios por absorção e variável que distribuem os custos diretamente aos produtos, o Custeio ABC rastreia as atividades relevantes do processo produtivo, aloca os custos às atividades para então distribuí-los aos produtos.

No Custeio ABC, os recursos de uma organização são consumidos por suas atividades e não pelos produtos que elas fabricam. Desta forma, todas as atividades devem receber parte dos custos. Uma atividade é uma ação que utiliza recursos humanos, financeiros, tecnológicos, de materiais, entre outros, para que bens sejam produzidos e serviços prestados. Compreende todos os sacrifícios de recursos necessários para desempenhá-la. Deve incluir salários com os respectivos encargos sociais, materiais, depreciação, energia, uso de instalações, dentre outros.

Algumas vantagens do Custeio ABC:

  • Atender aos Princípios Fundamentais da Contabilidade (similar ao custeio por absorção);
  • Identificar os custos de cada atividade em relação aos custos totais da organização;
  • Identificar os produtos e clientes mais lucrativos, além de oportunidades para eliminar desperdícios e aperfeiçoar atividades;
  • Proporcionar melhor visualização dos fluxos dos processos;
  • Melhorar as decisões gerenciais através de informações mais transparentes sobre os recursos consumidos pelas atividades;
  • Permitir a apuração dos custos da não-qualidade.

Talvez uma das maiores desvantagens do Custeio ABC seja o custo elevado em decorrência do alto nível de controles internos a serem implantados e avaliados. Estes controles demandam tempo e trabalho, envolvendo implantação, permanência e revisão constante das informações. É um custeio que envolve muitas informações, por vezes difíceis de serem obtidas. Muitas vezes, o envolvimento, o comprometimento e a própria capacitação dos empregados também apresenta-se como um grande obstáculo.

Custeio UEP (unidade de esforço de produção)

O Custeio UEP cria uma unidade – não monetária – para medir uma produção diversificada. Este método de custeio simplifica a atividade de medição da produção, fazendo com que produtos diferentes sejam contabilizados por um único parâmetro, permitindo que se tenha um valor global e sintético das atividades da empresa.

Através do Custeio UEP, e de uma medida única que torna mais fácil os cálculos e controles, é possível analisar custos, capacidade produtiva, rentabilidade, ociosidade de máquinas e equipamentos, entre outros. Pode-se, por exemplo, comparar a capacidade produtiva diária, semanal ou mensal de máquinas, áreas e até mesmo de toda a empresa em diferentes períodos, pois esta medida única independe do tempo, de aspectos econômicos como inflação/deflação, entre outros.

Algumas vantagens do Custeio UEP:

  • Apresentar informações mais claras e precisas sobre produtos, como custos, prejuízos, lucros, etc;
  • Permitir a identificação da capacidade de produção, inclusive dos possíveis gargalos, facilitando decisões como o lançamento de um novo produto, o investimento em máquinas/equipamentos, entre outros;
  • Propiciar um melhor planejamento do mix de produtos a fim de maximizar a produção;
  • Apurar os custos de transformação da produção permitindo reduzir as distorções na alocação destes custos;
  • Proporcionar aumento das vendas em decorrência das informações sobre quanto pode ser produzido em cada área, evitando capacidades ociosas e reduzindo custos;

O Custeio UEP tem como desvantagem sua aplicação limitada à produção. O método não efetua o controle de perdas e/ou desperdícios. Também não considera as despesas administrativas (estruturais), mas somente àquelas relacionadas ao processo produtivo. Em uma empresa, onde são aplicadas melhorias contínuas e, portanto, mudanças nos processos de produção, são necessárias revisões nos cálculos do custeio, tornando-o, muitas vezes, inviável.

O método de custeio na Sauípe

A Sauípe não divulga em nenhum de seus documentos quaisquer informações sobre o método de custeio utilizado, porém, faz sentido que o utilizado hoje pela empresa seja o Custeio por Absorção. A empresa hoje toma medidas e traça ações de melhoria da sua operação com uma visão idealizada à longo prazo, além disso, o fato de que no Custeio por absorção os resultados são influenciados pelo volume casa com o fato de que se analisarmos a DRE da empresa veremos essa influencia. Outra característica deste tipo de custeio é que ele estabelece um custo total unitário do produto/serviço em questão se encaixando com o modo de operação da empresa que oferece diferentes serviços de hospedagem que claramente possuem custos diferentes e que precisam ser analisados separadamente.

Política e cultura orçamentária

Para análise devemos conhecer os diversos tipos de orçamentos. Abaixo se encontra um resumo dos principais tipos (dos Santos, 2012) :

Orçamento Estático

Objetivo: É focada nos resultados de um único plano, uma única atividade, uma vez que ele é elaborado ele não muda, fica estático, parado, permanece sem alterações desde seu princípio. Esse tipo de orçamento não se ajusta a mudanças.

Orçamentos Flexível

Teve origem inicialmente na década de 70, na Alemanha por Kilger e Plaut (GPK), englobando dois princípios básicos: controle e cálculo de custo por produto e a diversificação entre custos fixos e variáveis.

Serve para auxiliar a empresa a calcular sua capacidade e assim prever seus custos para vários níveis de atividades. O orçamento flexível somente torna-se eficaz quando a empresa consegue calcular o que cada empregado produz o que cada máquina ou computador produz e o que cada metro quadrado a fábrica produz, assim os gestores conseguem se preparar para o inesperado. 

Esse tipo de orçamento avalia e controla os custos de despesas operacionais e de fabricação.

Orçamento Rolling ou Contínuo

Tem como objetivo analisar naquele período que foi elaborado o orçamento, o que deu certo e o que deu errado e assim projetar um novo orçamento a fim de diferenciar o que deu errado, contudo analisar detalhadamente as receitas e as despesas para ter base para a elaboração do período futuro. O orçamento contínuo cobre em torno de 12 meses, sendo que se pode revisa-lo mensalmente, trimestralmente e semestralmente, resultando em um orçamento mais claro e detalhado.

É aplicável em empresas que trabalham com produtos com ciclo de vida reduzido e processos que necessitam de rapidez nas mudanças.

Orçamento Beyond Budgeting

Criado por um grupo de 60 empresas, no ano de 1998, do qual os empresários renunciaram o orçamento tradicional e apostaram na flexibilidade e descentralização dos gestores.

Seu objetivo é criar um ambiente de trabalho favorável, com autogerenciamento e uma cultura organizacional vinculado com responsabilidade, fornecendo assim uma cadeia de motivação, produtividade e melhor atendimento aos clientes da empresa, isso requer liderança e visão. O orçamento é projetado a médio e longo prazo, em torno de 18 meses.

Orçamento Ajustado

Seu objetivo é a organização obter uma saída, uma alternativa conforme o planejamento da quantidade da fabricação e vendas ou de outras variáveis. O orçamento fica modificado a partir do orçamento inicial.

Orçamento Base Zero

Chamada de orçamento baseada em riscos, a primeira formalização ocorreu em 1960, no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, portanto somente em 1970 ocorreu a implementação na Divisão de Assessoria e Pesquisa da Texas Instruments, e a primeira publicação foi realizada nos meses de novembro e dezembro do mesmo ano.

Seu objetivo é examinar o custo-benefício ou análise de evolução de todos os processos, projetos e atividades, iniciando da estaca zero, foco nos objetivos e metas dos gestores para uma estimativa de vendas, fabricação e outras peças orçamentárias, sendo assim, o OBZ leva mais tempo para sua elaboração e contrapartida conduz a um resultado acertado. Temos os tipos de perguntas que ao elaborar o OBZ devemos analisar: O que gastar? Quanto gastar? Como gastar? Onde gastar? Por que gastar?

É bastante aplicado em atividades industriais, comerciais e de serviço, com ou sem fins lucrativos.

Controle Matricial

Serve para controlar os custos da organização, de tal forma como é chamada, matricial, que são analisados o orçamento através de linhas e colunas, para assim estar mais preparada para o mercado competitivo.

Pode ser usada para controle de todas as despesas de qualquer empresa, de qualquer ramo.

A Sauípe S.A

Novamente não temos informações oficiais acerca de Política e Cultura Orçamentária utilizada na Sauípe, levantando mais um ponto de atenção no que se refere à transparência da empresa para com os seus acionistas.

À partir das definições apresentadas acima e das análises feitas em capítulos anteriores deste trabalho podemos inferir que a empresa utiliza o orçamento Rolling ou Contínuo visto que anualmente a administração elabora e divulga planos traçando diversos objetivos para o ano a fim de melhorar os pontos negativos da companhia apontados em períodos anteriores. É possível ver que durante os últimos anos estes planos foram ajustados a realidade da companhia e principalmente à realidade do mercado e da economia brasileira. A empresa assumiu compromissos de melhora em diversos indicadores buscando ajuda de terceiros no mercado para tal.

Avaliação dos títulos da empresa no mercado de capitais

Comportamento do preço das ações e de seus demais títulos

A empresa não possui ações no mercado de ações. Todas as ações da companhia estão em posse de sua controladora PREVI. Entretanto, pode-se demonstrar o valor da ação a partir dos dados apresentados nos balanços patrimoniais e demonstrações de resultado:

Ações
AçõesSauípe S.A (2016)

Também é possível demonstrar o prejuízo atribuível aos acionistas por ação durante os anos de 2015 e 2016 conforme tabela abaixo:

Prejuízo por ação
Prejuízo por açãoSauípe S.A (2016)

Beta da empresa

Os betas mais próximos do setor encontrados são de 0.88 pertencente a empresa T4f Entretenimento S.A, 0.15 da empresa Hotéis Othon S.A, 0.71 da empresa Brazil Hospitality Group S.A e 0.20 da Companhia Habitasul S.A.

Para realizar o cálculo do beta podemos utilizar a seguinte fórmula:

Cálculo do Beta
Cálculo do BetaO autor

A fórmula acima descreve o cálculo do beta como sendo a variância do índice de mercado durante um período de tempo, por exemplo o índice Ibovespa, dividido pela covariância entre o índice de mercado e o preço da ação durante o mesmo período de tempo.

Como a Sauípe S.A não possui ações circulando livremente no mercado e portanto não possui histórico para calcularmos sua covariância em relação ao mercado, chegaremos ao beta da Sauípe utilizando a média dos betas desalavancados das empresas citadas e depois será feita a realavancagem para a estrutura de capital da empresa.

Para desalavancar o beta é utilizada a seguinte fórmula:

Beta desalavancado – Fórmula
Beta desalavancado - FórmulaO autor

t = Taxa de imposto (34%)

D = Quantidade de dívida da empresa

E = Quantidade de Equity da empresa

A tabela abaixo demonstra os betas desalavancados das empresas citadas anteriormente assim como o cálculo da média dos mesmos:

Betas – Empresas do Setor
Betas - Empresas do SetorAdaptado de Google Finance ()

Na parte de baixo da imagem pode ser notado que foi utilizada a média dos betas desalavancados para que, a partir da estrutura de capital da Sauípe pudéssemos calcular seu beta, que tem o valor de aproximadamente 0,44.

Para calcular o beta realavancado foi utilizada a seguinte fórmula:

Beta realavancado – Fórmula
Beta realavancado - FórmulaO autor

WACC da empresa

As dívidas onerosas da empresa para os anos de 2015 e 2016 são as seguintes:

Dívidas Sauípe
Dívidas SauípeAutoria Própria

Importante citar que o Kd é o custo da dívida enquanto o Kd efetivo é o custo real da dívida quando levamos em conta o benefício fiscal da taxa de imposto de 34%.

Para cálculo do Ke foi utilizada a seguinte fórmula:

Custo do Equity – Fórmula
Custo do Equity - FórmulaO autor (2017)

Onde:

rf (USD) = Taxa livre de risco 10 year Bonds (T-bonds)

(rm-rf) = Prêmio de risco de mercado

CRP = Risco País

SP = Prêmio pelo tamanho

Foram utilizadas as seguintes premissas:

Premissas para cálculo do Ke
Premissas para cálculo do KeO autor

Para facilitar a visualização e as contas optei por arredondar o valor do Ke para 18%.

A partir dos cálculos do Kd e Ke realizados anteriormente chegamos ao WACC da empresa, o NOPAT, o ROIC e o EVA®:

WACC
WACCAutoria Própria

Múltiplos de mercado

Devido a falta de informações disponíveis de concorrentes diretos da Sauípe no país não foi possível realizar a avaliação da empresa utilizando a técnica de múltiplos de mercado. A empresa por não possuir uma precificação da ação também não nos permite calcular o seu Enterprise Value, utilizado para o cálculo do múltiplo EV/EBITDA.

Demais elementos que que reflitam a percepção do mercado em relação à companhia analisada

Premissas para projeção:

Premissas para Projeção
Premissas para ProjeçãoO autor (2017)

Os valores de crescimento do faturamento na tabela acima foram baseados nas previsões para crescimento do Turismo brasileiro. O crescimento da margem bruta foi feito de maneira que a empresa possa atingir os patamares que empresas de sucesso no ramo possuem atualmente, isso vale também para os valores assumidos para a margem operacional.

Resultado financeiro foi baseado em premissas também encontradas em empresas internacionais respeitadas as devidas proporções.

A depreciação e aquisição de imobilizado foram escolhidas partindo do pressuposto que a empresa investe basicamente para manter seu tamanho enquanto melhora de maneira devagar a sua estrutura, por isso um CAPEX um pouco maior que a depreciação.

Valores históricos utilizados para ajudar na projeção:

Valores históricos
Valores históricosO autor (2017)

DRE Projetada:

DRE Projetada
DRE ProjetadaO autor (2017)

Fluxo de Caixa Projetado:

Fluxo de caixa Projetado
Fluxo de caixa ProjetadoO autor (2017)

Compondo a taxa de desconto:

Taxa de desconto
Taxa de descontoO autor (2017)

Acima estão os valores imputados que foram calculados no decorrer da análise da empresa. O ritmo de crescimento foi escolhido baseado na meta de inflação calculada para o país.

Valuation da empresa:

Valor da empresa
Valor da empresaO autor (2017)

Conclusão

A partir da análise de demonstrativos financeiros da companhia Sauípe S.A nos anos de 2015 e 2016 assim como diversos outros materiais disponibilizados pela companhia, análise do setor e da economia, podemos concluir que no último biênio a empresa passou por diversas dificuldades acerca da sua operação. Vimos a empresa em seu principal serviço, que é administração e gerenciamento de complexos turísticos, pousadas e resorts, ter uma fase ruim e de péssimo desempenho no geral.

Sua operação, apesar de conseguir um aumento total de receita de cerca de 3,67% durante o biênio teve um aumento do custo dos serviços prestados quase que duas vezes maior, 6,03%, gerando um prejuízo bruto de R$ 944 mil em 2016, uma diferença de quase 4,35 milhões de reais se comparado ao ano anterior em que a empresa conseguiu um lucro bruto de aproximadamente 3,39 milhões de reais.

As despesas operacionais também apresentaram um aumento de cerca de 5,12%, quase 2 vezes mais que o aumento das receitas. Esse aumento foi puxado principalmente pelo aumento de despesas gerais e administrativas que apresentaram crescimento de 12,3% assim como honorários aos administradores que apresentou um aumento de 15,1%.

Como esses resultados a empresa alcançou um prejuízo operacional antes do resultado financeiro de cerca de 26,5 milhões de reais, uma piora de cerca de 26,6% se comparado ao ano de 2015.

Esses números somados ao resultado financeiro negativo em 2,7 milhões coloca a empresa em um prejuízo de cerca de 29,3 milhões de reais no exercício de 2016, 25,8% pior que 2015.

Com a analise das margens é possível observar uma perda da força competitiva amparada pela diminuição da margem bruta que saiu de 1,77% em 2015 para -0,47% em 2016. As margens operacional e líquida também apresentaram piora, de -10,93% para -13,35% e de -12,12% para -14,72%, respectivamente.

Diversos foram os motivos para essa piora da empresa no biênio estudado entre eles piora da economia, principalmente da economia do turismo, piora de indicadores macroeconômicos, perda de eficiência operacional, entre outros.

O cenário político-econômico
brasileiro em 2016 foi um grande ponto negativo para a empresa pois impactou fortemente à economia. Durante o ano e principalmente no primeiro semestre de 2016 a demanda por viagens corporativas tiveram volume bem abaixo do que era esperado pela empresa, o que praticamente congelou a demanda por eventos corporativos, segmento que tem a capacidade de trazer um incremento da receita da empresa através da Arena Sauípe.

A taxa de ocupação em 2016 foi 1,5% superior à apurada em 2015, sendo motivada principalmente pelo aumento da demanda do exterior, que acabou por compensar a menor procura por empresas para realização de eventos corporativos.

Foi possível observar pela análise da estrutura de capital da empresa que a empresa financia sua operação majoritariamente através do uso de capital próprio que corresponde à 79% do seu financiamento. Os 21% restantes são financiados por capital de terceiro e de terceiros onerosos, onde há incidência de juros e/ou correção monetária. Neste ponto a empresa mostra um certo nível de conservadorismo da estrutura de capital, que também pode ser visto como uma oportunidade de melhora caso a empresa decida realizar captação no mercado, onde geralmente pode conseguir um custo de capital mais barato. É possível também notar uma diferença grande neste ponto quando olhamos para players internacionais do mercado de resorts de luxo. O baixo custo de captação de recursos lá fora permite que empresas como a Red Rock Resorts, que também foi analisada neste trabalho, possam ter um grau de alavancagem bem superior e conseguir níveis de rentabilidade muito superiores.

Outros pontos que contribuíram para o resultado negativo da empresa foram o aumento da necessidade de capital de giro da empresa assim como a piora dos prazos médios.

A empresa teve um delta NIG de cerca de 29,5% em 2016 impactando fortemente a rentabilidade e a taxa de conversão de EBITDA em FCO. Além disso, a partir do estudo da gestão de capital de giro da companhia podemos ver que a mesma é feita de forma bastante agressiva. O saldo em tesouraria negativo no biênio demonstra a incapacidade da empresa de lidar com obrigações financeiras de curto prazo sem que haja redução de recursos alocados no ciclo operacional. Por fim, temos o capital de giro líquido (CGL) também negativo, indicando que a empresa vem financiando seus ativos de longo prazo com passivos de curto prazo, expondo assim a empresa à riscos como por exemplo o descasamento de prazos.

O EBITDA negativo em ambos os anos assim como o FCO negativo em 2016 demonstram que a empresa não possui potencial de geração de caixa nos anos analisados.

Foi encontrado também uma piora no ciclo de caixa de cerca de 2 dias puxado pela piora dos prazos médios. A empresa apresentou piora em seu prazo médio de recebimentos em cerca de 4 dias enquanto o prazo médio de estoque manteve praticamente o mesmo valor de cerca de 7,7 dias. Isso foi amenizado pela melhora no prazo médio de pagamentos que apresentou um aumento de cerca de 8% em 2016, chegando a 27 dias.

É possível observar que a empresa tem investido o suficiente para se manter com a mesma capacidade operacional, isto é, a comparação dos valores entre depreciação e amortização com o CAPEX estão ambos com valores muito próximos à 11 milhões de reais em 2016.

Por fim, todos os pontos analisados acima impactaram diretamente a rentabilidade da empresa. Em 2015 a empresa já possuía um ROE negativo de -8,15% e passou a apresentar em 2016 uma rentabilidade ainda pior, -10,13%, demonstrando a incapacidade da empresa de gerar retorno ao acionista, não chegando nem um pouco próximo do custo de oportunidade do investidor brasileiro (SELIC de aproximadamente 14%) e destruindo o valor da companhia.

Pelo fato de a empresa não possuir ações sendo negociadas livremente no mercado, ou seja, 100% das ações pertencerem a PREVI, a análise de comportamento dos papel da Sauípe (PSEG3 e PSEG4) assim como seus demais títulos não foi pode ser aprofundada.

O prejuízo básico por ação da Sauípe em 2016 foi em média de R$0,84, entre Ordinárias e Preferenciais, condizente com o resultado financeiro apresentado no biênio.

O beta da empresa foi calculado utilizando o beta de concorrentes para traçar uma média e aí então realizar a alavancagem do beta médio do setor para a estrutura de capital da empresa. O resulta foi um beta de aproximadamente 0,45, ou seja, em uma situação em que a empresa tivesse ações sendo negociadas livremente o seu papel teria uma menor volatilidade se comparado ao mercado.

O WACC da empresa manteve o patamar de cerca de 17,6% no biênio, com um NOPAT de -13,84 milhões em 2015 e de -17,5 milhões em 2016, mostrando um alto custo médio de capital que dificulta ainda mais a situação da empresa.

O ROIC que era de -4,66% em 2015 foi para -5,83% em 2016, apresentando uma piora de 25,3% no período e também mostrando que a empresa destrói o seu valor ao longo do tempo.

Em relação à análise estratégica utilizando como ferramenta a análise SWOT (Strenghts, Weaknesses, Opportunities, Threats) pode se destacar como pontos fortes da Sauípe (Strenght) o tamanho e variedade das suas instalações e a sua capacidade instalada, contando com mais de 1500 leitos, a maior da região baiana.

Já como fraqueza, ou desvantagens da empresa, pode ser destacadas o péssimo gerenciamento dos ativos e da operação com resultado apurado nos últimos anos com prejuízos chegando à quase 30 milhões de reais.

Como ameaça a Sauípe S.A possui variáveis macroeconômicas, como queda no PIB, aumento do desemprego, dificuldade de acesso à crédito e aumento na inadimplência, pontos que diretamente afetam o desempenho da empresa assim como possíveis regulações governamentais acerca de particularidades do setor, principalmente em questões de cunho ecológico e ambiental. Outra ameaça é o fato da empresa possuir uma grande dependência de operadoras e agências de turismo, muito comum em empreendimentos deste tipo. Podemos citar também como ameaça a possibilidade de a PREVI não mais aportar as grandes quantias de capital que têm sido necessárias para manter a operação.

Por fim, podemos citar como oportunidades da Sauípe S.A o crescente mercado de resorts e a quantidade de demanda deste setor em situações de crescimento econômico, a consolidação da empresa no mercado de eventos corporativos fazendo uso da estrutura da Arena Sauípe e por último a utilização do mercado para captação de dinheiro de terceiros trazendo à empresa um custo de capital menor.

Finalmente, em meu entendimento, a Sauípe possui bons ativos que, sem bem geridos, podem trazer sim resultados positivos. Porém, do modo que está sendo administrada hoje pela PREVI a empresa não tem um futuro garantido. A possibilidade de venda do empreendimento à uma empresa privada consolidada no mercado de resorts e turismo parece ser a melhor opção, pensando tanto na companhia quanto na PREVI, que tem na Sauípe um investimento que vem apenas trazendo prejuízo e demandando gigantescas quantias de capital. Tudo parace demonstrar que a Sauípe hoje tem mais responsabilidade de gerar emprego e desenvolvimento na região baiana em que se encontra do que realmente trazer a rentabilidade esperada aos seus acionistas.

Por fim, em um cenário fictício em que a empresa possuísse ações sendo negociadas no mercado, a partir de todas as analises feitas e do modo que a empresa é administrada, eu não recomendaria a compra dos seus papéis.

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