TOXICIDADE DO PARACETAMOL E DA IVERMECTINA PARA CÃES E GATOS

UNIVERSIDADE GUARULHOS

TOXICIDADE DO PARACETAMOL E DA IVERMECTINA PARA CÃES E GATOS

Cleisson LINO DA SILVA

Orientador:
Paulo Cesar de Carvalho Ferreira de Freitas

Resumo

Os problemas existentes da automedicação ou do abuso de medicamentos, como o paracetamol e a ivermectina, em cães e gatos, que são usados sem amparo veterinário ou sem a indicação de um profissional qualificado, caracterizam-se como um problema grave de saúde. Anualmente há um crescimento significativo no número de animais domésticos nos lares brasileiros. Para comprovação das informações foram utilizados dados estatísticos, relatos aludidos em literatura médico veterinária, revistas de saúde animal, jornais, livros e artigos confiáveis, para a discussão dos problemas e de possível toxicidade da medicação paracetamol e ivermectina nos animais domésticos mais comuns nas residências das pessoas, os chamados pets, como os cães e gatos. Além da análise do acetaminofeno (antipirético e analgésico) e da ivermectina (antiparasitário de amplo espectro), outras medicações dessas classes, como os antiparasitários fenbendazol e o mebendazol, e analgésicos como dipirona e o ibuprofeno foram analisados e comprovados que os seus usos indiscriminados e sem conhecimentos veterinários de medicamentos em animais domésticos podem acarretar sérios riscos à saúde de cães e gatos, causando intoxicações e reações adversas graves, e podendo levar até a morte.

Palavras-chave: Medicações para animais; Toxicidade animal; Paracetamol e ivermectina; Cães e gatos; Saúde Animal;

Abstract

Existing self-medication or drug abuse problems, such as acetaminophen and ivermectin, in dogs and cats that are used without veterinary protection or without the advice of a qualified professional are characterized as a serious health problem. Annually there is a significant growth in the number of domestic animals in Brazilian homes. Statistical data, reports alluded to in veterinary medical literature, animal health journals, journals, books and reliable articles were used to prove the information, in order to discuss the problems and possible toxicity of acetaminophen and ivermectin medication in the most common domestic animals in the households. people, so-called pets, like dogs and cats. In addition to the analysis of acetaminophen (antipyretic and analgesic) and ivermectin (broad spectrum antiparasitic), other medications of these classes, such as the antiparasitics fenbendazole and mebendazole, and analgesics such as dipyrone and ibuprofen, have been analyzed and proven that their indiscriminate and Without veterinary knowledge of medicines in domestic animals can pose serious health risks to dogs and cats, causing poisoning and serious adverse reactions, and can even lead to death.

Keywords: Animal medications; Animal toxicity; Paracetamol and ivermectin; Dogs and cats; Animal health.

Introdução

O Brasil é considerado em 2019 o segundo maior mercado pet do mundo, com uma arrecadação em 2018 de mais de R$ 20 bilhões de reais, 9,8% a mais do que em 2017 (SILVEIRA, 2019).

Faturamento do mercado mundial em 2018
Faturamento do mercado mundial em 2018Euromonitor. Elaboração Abinpet

Faturamento nominal do mercado pet no Brasil

AnoFaturamente nominal em real
 2013R$ 18,7 bi
 2014R$ 20,3 bi
 2015R$ 22,3 bi
 2016R$ 23,3 bi
 2017R$ 25,0 bi

Instituto Pet Brasil

Gasto médio mensal por diferentes tipos de pets domiciliados

Animal petGasto médio mensal
Cães de pequeno porteR$ 274,37
Cães de médio porteR$ 326,98
Cães de grande porteR$ 425,24
GatosR$ 205,94
RoedoresR$ 108,25
PeixesR$ 94,17
RépteisR$ 20,50
AvesR$ 17,38

Instituto Pet Brasil

E a presença de animais domésticos nos lares brasileiros também cresceu notoriamente nos últimos anos. Segundo dados do Instituto Pet Brasil, em 2018, nos domicílios brasileiros residiam cerca de 54,2 milhões de cães e 23,9 milhões de gatos, sendo que a região sudeste apresenta a parcela de 50% do montante nacional (INSTITUTO PET BRASIL, 2019).

População de animais de estimação no Brasil em 2018

Animais de estimação Concentração (em milhões)
Cachorros 54,2
Aves  39,8
Gatos 23,9
Peixes 19,1
Répteis e pequenos mamíferos 2,3

Instituto Pet Brasil

Por causa dessa grande inserção dos chamados pets na vida cotidiana dos seres humanos, uma “humanização” em medicamentos vem sendo implantada nos animais domésticos, como cachorros e gatos. O ato de se automedicar do ser humano é usado de forma negligente para os cães e gatos, e com isso reações adversas e casos de toxicidade se implantam e acarretam consequências negativas na saúde animal (FELDKIRCHER, 2014).

Intoxicação significa o ato de ter contato com uma substância química que faz acarretar um efeito de toxicidade no organismo. Num primeiro momento o diagnóstico é clínico (processo analítico que verifica características e sintomas da intoxicação sem o amparo ainda de exames laboratoriais). Posteriormente exames laboratoriais, como de sangue, são solicitados para diagnóstico mais completo e preciso (O’MALLEY, 2018).

A quantidade de atendimentos em centros de saúde animal, como em hospitais veterinários vem crescendo a cada ano no Brasil e no mundo. Paracetamol e ivermectina são os medicamentos que estão no topo da lista no caso de intoxicações entre cães e gatos (ConceiçãoOrtiz, 2015, p. 59-62).

De modo genérico os medicamentos prejudicam em gravidades congruentes cachorros e gatos na saúde. É levado em consideração nessa análise de estudo características como a raça, peso, idade, tamanho, entre outras, no teor tóxico do medicamento. Por exemplo, o paracetamol ataca como tecido alvo o fígado de cães com determinadas alturas e pesos (CONCEIÇÃO; ORTIZ, 2015, p. 59-62).

Os animais de companhia são mantidos nos lares humanos geralmente para receberem e darem amor como parte da família. Logo há uma certa obrigação para mantê-los saudáveis e sem sofrimento por consequências de dores ou doenças (Quadros, 2017).

Desse modo deve-se estudar os efeitos nefastos da automedicação feita nos animais domésticos, pois as consequências para a saúde desses animais são preocupantes a nível global (Zielke et al., 2018).

OBJETIVOS

Objetivo geral

Investigar e analisar os efeitos tóxicos das medicações paracetamol e ivermectina no uso em cães e gatos, principais animais domésticos nos lares humanos.

Objetivos específicos

– Analisar os efeitos de toxicidade dos medicamentos paracetamol e ivermectina em cães e gatos

– Informar dados estatísticos da concentração de animais domésticos nos lares humanos e a ligação com casos de intoxicação.

–  Estabelecer conceitos importantes sobre cães e gatos e definir estratégias importantes para resolução dos problemas de saúde acometidos por medicamentos tóxicos.

METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se por revisão bibliográfica, produzido através de livros científicos e acadêmicos, artigos, sites e revistas científicas, onde o assunto pautado envolve dados quantitativos e explicativos da população de animais pets no Brasil, características fundamentais de caráter fisiológico de cães e gatos, e a farmacologia e toxicologia envolvida na manipulação e abuso de medicamentos como o paracetamol e a ivermectina. 

A aquisição dos elementos informativos foram obtidos através de pesquisas em sites de artigos científicos confiáveis e bibliotecas universitárias com o conteúdo mencionado. Além de acesso a revistas científicas periódicas e sites com credibilidade para mensurar dados estatísticos relevantes. 

Foram utilizados tabelas e figuras para explicitar melhor a elaboração e a compreensão do conteúdo.

Revisão da literatura

Cenário geral

Todos os anos são registrados milhões de casos de intoxicação de medicamentos em seres humanos por diferentes substâncias, medicamentos, plantas, etc… Mas essa complicação não afeta somente os seres humanos – animais domésticos, como cães e gatos também sofrem a ação do uso irracional e inadequado de medicamentos humanos ingeridos neles. Essa ação muitas vezes em ambiente doméstico é de modo acidental ou intencional. Sendo o principal motivo das intoxicações medicamentosas a desinformação da população (medeiros et al., 2009).

Exames Clínicos importantes: valores de referências

Resultados esperados em um exame de urina de cães e gatos sadios

AnáliseResultado
Coloração Amarelo-claro
a amarelo-escuro
Aspecto Límpido
a discretamente turvo
Densidade 1,015
a 1,045 (cães) e 1,035 a 1,060 (gatos)
pH 5,5
a 7,5
Proteína,
glicose, cetona, bilirrubina e sangue oculto
Negativo
Hemácias
por campo
<5
Leucócitos
por campo
<5
Cilindros Raros
cilindros hialinos
Bactérias

Raras
Células
epiteliais
Ausentes
a raras
Cristais Fosfato
triplo, oxalato de cálcio e outros

CARNIEL, 2015, Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc

Valores de referências: exames metabólitos

 Unid. de medidaCaninosFelinos
Ácidos
graxos livres
mmol/L SIL SIL
Beta-hidroxibutirato mg/dL 0,24
– 0,36
SIL
Colesterol mg/dL 135
– 270
95 – 130
Frutosamina umol/L 170
– 338
219 – 347
Glicose mg/dL 65
– 118
73 – 134
Triglicerídeos mg/dL 38,1* 35,4*
Proteínas
totais
g/L 54
– 71
54 – 78
Albumina g/L 26
– 33
21 – 33
Globulinas g/L 27
– 44
26 – 51
Bilirrubina
total
mg/dL 0,1
– 0,5
0,15
– 0,5
Bilirrubina
direta
mg/dL 0,06
– 0,12
SIL
Creatinina mg/dL 0,5
– 1,5
0,8
– 1,8
Hemoglobina g/dL 12
– 18
8 -14
Lactato mg/dL 2
– 13
SIL
Uréia mg/dL 21
– 60
43 – 64

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. *Valores médios. SIL: Valores sem informação na literatura

Valores de referências: Enzimas

 Unid. de medidiaCaninos Felinos
Amilase U/L 185
– 700
0 – 500
ALT
(TGP)
U/L 0
– 102
0 – 83
Arginase U/L 0
– 14
0 – 14
AST
(TGO)
U/L 0
– 66
0 – 43
Colinesterase U/L 270* 540*
Creatinina
quinase
U/L 0
– 125
0 – 125
Fosfotase
alcalina
U/L 0
– 156
0 – 93
GGT U/L 0
– 10
0 – 8
Lactato
desidrogenase
U/L 45
– 233
63 – 273
Sorbitol
desidrogenase
U/L 0
– 8
0 – 8

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. *Valores médios. SIL: Valores sem informação na literatura

Valores de referências: Minerais

 Unid. de medidaCaninosFelinos
Cálcio mg/dL 9,0
– 11,3
6,2
– 10,2
Cobre ug/dL 100
– 200
SIL
Ferro ug/dL 30
– 180
68 – 215
Fósforo mg/dL 2,6
– 6,2
4,5
– 8,1
Magnésio mg/dL 1,8
– 2,4
1,4
– 3,1
Potássio mmol/L 4,4
– 5,3
4,0
– 4,5
Sódio mmol/L 141
– 152
147 – 156

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. SIL: Valores sem informação na literatura

Valores de referência: Hematologia
Valores de referência: HematologiaUniversidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

Anatomia geral

De acordo com Versalius (1543), a anatomia “deve ser corretamente considerada
como a base sólida de toda a arte da medicina e como a sua introdução essencial”. Etimologicamente a palavra anatomia significa separação ou desassociação de partes do corpo (Albuquerque, 2005, p. 30).

Numa abordagem sistemática da anatomia felina e canina, as divisões constituintes dos sistemas de órgãos ou aparelho são: osteologia (descrição dos ossos e cartilagens), sindesmologia (descrição das junturas), miologia (músculos), esplancnologia (descrição das vísceras), angiologia (órgãos de circulação), neurologia (sistema nervoso), órgãos de sentido e tegumento comum (Getty, 1986, p. 3).


Cachorro – características

“Mamífero canídeo, domesticado pelo homem desde tempos remotos” (Ferreira, 2001, p. 128).

Adaptável à temperatura, ao clima em geral e todas as condições ambientais, o cão se mostrou durante toda a sua evolução o animal mais adaptável e próximo ao ser humano. Os cães possuem ótima tolerabilidade as diferentes dietas, podendo sobreviver praticamente com qualquer alimentação que inclua proteínas, carboidratos e gorduras. As características sensoriais e comportamentais são os atributos mais significativos para uma posição de destaque no mundo animal e conseguintemente para o relacionamento com seres humanos. São facilmente domesticados, os cachorros são utilizados para diferentes desejos das pessoas, desde um animal de guarda, até um companheiro e melhor amigo  (Geary, 1978, p. 26)

Os cães possuem as seguintes características que os classificam: tamanho (pequeno possui menos de 46 cm; médio entre 46 a 61 cm e grande possui mais de 61 cm) e peso (pequeno possui menos de 10 kg; médio variando entre 10 a 25 kg; grande de 25 a 45 kg e gigante entre 45 a 90 kg). As regiões do corpo são classificadas em parte anterior (cabeça, pescoço e membros anteriores) e corpo (dorso, lombo, caixa torácica e abdômem). (canin, 2001, p. 490).

Imagem ilustrativa da anatomia óssea geral canina
Imagem ilustrativa da anatomia óssea geral caninaFCA: Federación Cinológica Argentina

Anatomia canina: coluna vertebral
Anatomia canina: coluna vertebralFCA: Federación Cinológica Argentina

Gato – características

“Felídeo domesticado, us. no combate aos ratos” (FERREIRA, 2011, p. 334).

O gato é um dos animais mais presentes nos lares humanos. Ele foi domesticado ao longo da história. Apesar dos felinos parecerem esnobes e apáticos, são altamente sociáveis e suas capacidades sensoriais e comportamentais são benéficas para o relacionamento com seres humanos. O gato em sua maioria populacional possui corpo alongado e membros relativamente curtos. Sua cabeça geralmente é arredondada com a face larga e curta ou triangular. As orelhas são pequenas e a cauda comumente é esguio, tenro, de posição baixa ou levantada. O pescoço é curto com a pele solta, podendo ser estirada e segurada com facilidade. As paredes abdominais são consistentes e nédias. A cavidade abdominal é mais comprida do que larga. Os quadris e as coxas desenham uma enorme área de superfície convexa (canin, 2001, p. 245).


Anatomia óssea de um gato
Anatomia óssea de um gatoDONE, S. et al. 2010

Principais medicações intoxicantes

A automedicação é uma forma comum de auto-atenção à saúde, consistindo no consumo de um produto
com o objetivo de tratar ou aliviar sintomas ou doenças percebidos, ou mesmo de promover a saúde, independentemente da prescrição profissional. Para tal, podem ser utilizados medicamentos industrializados ou remédios caseiros. Várias são as maneiras de a automedicação ser praticada: adquirir o medicamento sem receita, compartilhar remédios com outros membros da família ou do círculo social e utilizar sobras de prescrições, reutilizar antigas receitas e descumprir a prescrição profissional, prolongando ou interrompendo precocemente a dosagem e o período de tempo indicados na receita (Filho et al., 2002, p. 56).

Segundo a comunidade científica, o consumo desenfreado e inadequado de medicamentos em animais domésticos são as principais causas de intoxicação e até morte. As principais substâncias ativas destacadas nos casos de toxicidade são: o paracetamol; ibuprofeno; ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroides; e substâncias antiparasitárias como a permetrina e as avermectinas (riboldi, 2010).

De modo lato, os primeiros prenúncios da toxicidade de medicamentos oferecidos aos pets são: esputação excessiva, desarranjo intestinal, adormecimento intenso, andar desgovernado, tremores e crises de caráter convulsivo  (FELDKIRCHER, 2014)

Casos de intoxicação exógenas de cães atendidos na Faculdade Veterinária da Universidade Federal Fluminense entre 2002 a 2008
Casos de intoxicação exógenas de cães atendidos na Faculdade Veterinária da Universidade Federal Fluminense entre 2002 a 2008Revista Ciência Rural

Casos de intoxicação exógenas de gatos atendidos na Faculdade Veterinária da Universidade Federal Fluminense entre 2002 a 2008
Casos de intoxicação exógenas de gatos atendidos na Faculdade Veterinária da Universidade Federal Fluminense entre 2002 a 2008Revista Ciência Rural

Paracetamol para gatos e cães

O paracetamol é um fármaco com boas propriedades antitérmicas e analgésicas; mas, assim como a dipirona, possui baixa atividade inflamatória. O paracetamol parece perder sua atividade inibidora da COX em meio ácido ou rico em peróxidos, como ocorre no foco inflamatório e no estômago (BARROS; STASI, 2012, p.223) 

O acetaminofeno (Tylenol®) possui como principais reações adversas o “vômito, anorexia, mucosas pálidas ou cianóticas, ptialismo, letargia e depressão” (nogueiraandrade, 2011, p. 245).

Em caso de superdosagem pode acarretar a uma necrose hepática em cães e em felinos é totalmente contraindicado, pois pode levar à insuficiência hepática aguda, necrose hepática e metahemoglobulinemia acompanhada de cianose (BarrosStasi, 2012, p. 223).

Metabolização hepática do paracetamol e geração em excesso do radical eletrofílico N-acetil-p-benzoquinona
Metabolização hepática do paracetamol e geração em excesso do radical eletrofílico N-acetil-p-benzoquinonaBARROS; STASI, 2011

Características fisiológicas e farmacológicas

Apesar de possuir uma similaridade com humanos e cães, os felídeos possuem características farmacológicas peculiares que devem ser analisadas numa possível prescrição veterinária. Por exemplo, os gatos possuem uma deficiência relativa na atividade de enzimas glicuronil transferase e são susceptíveis à metahemoglobina e a formação de corpúsculos de Heinz (inclusões dentro das hemácias compostas de hemoglobina desnaturada) quando administrados alguns fármacos ou doses irregulares, pois possuem um número maior de grupos sulfidril comparado com cães e humanos (ANJOS; BRITO, 2009).

A inibição da COX é a maior responsável pelos efeitos adversos dos AINEs. Efeitos
adversos incluem toxicidade gastrointestinal, nefrotoxicidade, hepatotoxicidade e desordens hematológicas e alérgicas. A maioria dessas reações tem sido descritas em cães e poucos efeitos colaterais tem sido descrito em gatos talvez pelo receio de usar AINEs nesta espécie em conseqüências de intoxicações ocorridas com Aspirina e Paracetamol (Berbert, 2004, p. 32).

Em gatos recém-nascidos a absorção de fármacos é menor do que em adultos devido à diferença da motilidade e pH gástrico. Entretanto a farmacocinética (meia-vida e volume de distribuição) de fármacos em animais pediátricos é maior porque o volume total de água e a porcentagem de água entre água extracelular e intracelular é muito maior nos felídeos jovens. Já os gatos geriátricos, possuem uma diminuição do número total de células, variando entre 25% a 30% de perda, e há diminuição satisfatória do tamanho e da função celular. Curiosamente, em felinos velhos magros há maior incidência de overdose medicamentosa devido a diminuição da gordura corpórea. Ambas as faixas etárias (jovem e idosa) de felinos possuem uma menor concentração da proteína albumina (AnjosBrito, 2009).

Mecanismo de ação

O acetaminofeno é um inibidor da ciclooxigenase com fraca ação anti-inflamatória e sua atividade é através da inibição seletivada COX-3 no cérebro. Possui um pKa elevado e sua convergência com proteínas plasmática é baixa. O paracetamol atua de maneira relativamente significativa sobre a PG sintetase no cérebro. Sua ação antifebril se dá pelo entrave da ação dos pirógenos endógenos na área do hipotálamo que regula a temperatura. O processo de metabolização no fígado ocorre pela produção metabólitos inativos do acetaminofeno que faz a conjugação desse metabólito com glicuronídios e sulfatos (spinosaGórniakBernardi, 2011, p. 256-257).

Toxicidade

Os gatos não corporificam adequadamente a conjugação do glicuronil-transferase (glicosiltransferase detoxificiante), e isso prejudica sua biotransformação hepática, causando um teor tóxico no organismo e acarretando sérios danos fisiológicos no organismo do felino. Na literatura médico veterinária é verificado inúmeros casos de reações adversas como vômitos, náuseas, fezes azuladas e salivação intensa nas 4 primeiras horas expostas aos paraminofenóis. Após dias, o organismo começa a manifestar sintomas de depressão e até edema facial. E se não tratado a intoxicação a tempo pode levar à morte (SPINOSA; GÓRNIAK; BERNARDI, 2011, p. 256-257).

Em suma, o paracetamol é contraindicado a gatos, por provocar intoxicação grave com risco de morte devido aos baixos níveis de glicuroniltransferase, enzima responsável pela etapa final da metabolização do paracetamol, resultando em deficiência na glicuronidação e provocando rápida saturação da via de sulfatação, gerando quantidade elevada do metabólito tóxico reativo, o N-acetil-p-benzoquinona. Este metabólito é inativado pela conjugação com glutatião hepático e eritrocitário, havendo rápida depleção das reservas de glutatião. Por isso, os metabólitos tóxicos reativos se acumulam, causando lesão oxidativa hepatocelular e à hemoglobina, provocando metamoglobinemia e corpúsculo de Heinz (NOGUEIRA; ANDRADE, 2011, p. 250-251).

Tratamento

Para tratamento dessa situação aguda de toxicidade nos felinos existe no mercado antídotos capazes de desintoxicar o organismo desses gatos, como o carvão ativado na prática ambulatorial. Um fármaco excelente para tratar a overdose e toxicidade do paracetamol é a acetilcisteína, pois ela fornece para a metabolização hepática os glicuronídios e acelera a excreção dos paraminofenóis.

Vale salientar que a intoxicação também pode acometer caninos, mas em comparação aos gatos, a magnitude dos efeitos é ínfima. Entretanto, pode ocorrer necrose hepática e metemoglobinemia – condição de conversão excessiva da hemoglobina em metahemoglobina. Para melhor segurança a administração de codeína e paracetamol é melhor aconselhado (SPINOSA; GÓRNIAK; BERNARDI, 2011, p. 256-257). 

Ivermectina para cães e gatos

Medicação antiparasitária. As avermectinas (medicações semelhantes à ivermectina) e as milbemicinas (milbemicina e moxidectina) são lactonas macrolídeas. É neurotóxica aos parasitas pela potencialização dos canais de íons cloro ligados ao glutamato nos parasitas. A paralisia e a morte são causadas pelo aumento da permeabilidade aos íons cloro e pela hiperpolarização das células nervosas. Estas medicações também potencializam outros canais de cloro, incluído aqueles relacionados ao GABA (PAPICH, 2009, p. 400).

A ivermectina (dissacarídeo
lactona macrocíclico) é formada pela hidrogenação catalítica seletiva das avermectinas B1a e B1b nas proporções respectivas de 80% ou mais e 20% ou menos. Seu mecanismo de ação contra os parasitas está na estimulação da liberação do neurotransmissor inibidor GABA (ácido gama-aminobutírico) na fenda sináptica entre interneurônios do cordão central e neurônios motores (Pimpão et al., 2005).

As avermectinas, como a ivermectina, possuem ação de amplo espectro (lavadouro et al., 2013).

Na maioria das vezes, os mamíferos são resistentes, pois possuem poucos canais de cloro ligados ao glutamato e ocorre pouca afinidade por outros canais de cloro nos mamíferos. Como estas medicações geralmente não atravessam a barreira hematoencefálica, os canais relacionados ao GABA no SNC dos mamíferos não são afetados. A ivermectina é eficaz contra parasitas intestinais, ácaros, bots, microfilárias de Dirofillaria e larvas em desenvolvimento. A ivermectina não possui efeito em trematódeos ou em cestódeos (PAPICH, 2009, p. 400).

Características farmacológicas 

A toxicocinética da ivermectina depende do tipo de via de administração e também da formulação usada. A meia-vida no organismo do cachorro é de aproximadamente 1,8 dia. Após a administração da ivermectina, cerca de 95% dela é metabolizada pelo fígado, logo o aparelho hepático é o principal órgão para o metabolismo do fármaco. A excreção ocorre majoritariamente por via fecal (98%) e o remanescente ocorre na urina (NOGUEIRA; ANDRADE, 2011, p. 125).

“Fórmula da ivermectina: 22,23 – diidroavermectina B1a (>80%) e 22,23 – diidroavermectina na B1b (<20%)” (SpinosaGórniakBernardi, 1999, p. 461).

Estrutura química da avermectina
Estrutura química da avermectinaBARROS; STASI, 2011

Dosagem e instruções de uso para cães e gatos

A ivermectina é usada em uma grande variedade de animais para o tratamento de parasitas internos e externos. A posologia varia dependendo da espécie e do parasita em questão.

Cães:

  • Preventido de dirofilariose: 6 mcg/kg a cada 30 dias VO.
  • Microfiliricida: 50 50 mcg/kg VO, duas semanas após a terapia adulticida.
  • Ectoparasitas: 200-400 mcg/kg (0,2-0,4 mg/kg) IM, SC ou VO.
  • Endoparasitas: 200-400 mcg/kg (0,2-0,4 mg/kg) semanalmente SC ou VO.
  • Demodicidose: iniciar com 100 mcg/kg/dia (0,1 mg/kg) e aumentar a dose em 100 mcg/kg/dia até 600 mcg/kg/dia (0,6 mg/kg) por 60-120 dias VO. 
  • Manejo da sarna sarcóptica e tratamento de queiletielose: 200-400 mcg/kg a cada 7 dias VO ou a cada 14 dias SC por 4-6 semanas (PAPICH; 2009, p. 402).

Gatos:

  • Preventido de dirofilariose: 24 mcg/kg a cada 30 dias VO. 
  • Ectoparasitas: 200-400 mcg/kg (0,2-0,4 mg/kg) IM, SC ou VO.
  • Endoparasitas: 200-400 mcg/kg (0,2-0,4 mg/kg) semanalmente SC ou VO.
  • Tópicos: 0,5 mL/orelha (0,1 mg/mL) no tratamento de ácaros de ouvido (PAPICH; 2009, p. 402)

Toxicidade

A toxicidade das avermectinas (ivermectina) em gatos e principalmente em cães, acontece quando passam pela barreira hematoencefálica, agindo sobre os canais GABAA-receptor-cloro, favorecendo o aumento da permeabilidade da membrana aos íons cloro, acarretando em diminuição da resistência da membrana celular, evidenciando sintomatologia do SNC e outras: incoordenação motora, tremores, pupilas dilatadas, vômito, salivação, coma e até o óbito. Usualmente, possuem grande nível de segurança em mamíferos, pois comumente não atravessam a barreira hematoencefálica desses animais, entretanto pode ocasionar ocorrências de intoxicações quando ocorrem doses excessivas (superdosagens) ou hipersensibilidades constitucionais congênitas (NOGUEIRA; ANDRADE, 2011, p. 126).

As raças mais atingidas pela atuação da ivermectina são Coliie, Old English, Sheepdog, Pastor de Shetland, Pastor Alemão, Poodle e labrador (lavadouro et al., 2013).

 A reação tóxica ocorrida em cães de raça Collie é atribuída a
uma característica da barreira hematoencefálica desses animais que permite a passagem da ivermectina em concentrações suficientes para estimular a secreção do GABA, ocasionando depressão do sistema nervoso central (Pimpão et al., 2005, p. 20).

E também essas raças, homogêneas ou oriundas de cruzamentos, são afetadas por mutação no gene recessivo autossomal, o gene MDR1, que acarreta na produção de P-glicoproteínas defeituosas, as quais falham em impedir a entrada da ivermectina no SNC, acudindo grande entrada da droga através da barreira hematoencefálica, além de facilitar para a diminuição da excreção renal e biliar da referida substância (NOGUEIRA; ANDRADE, 2011, p. 126).

Os sinais de reação tóxica, quando a droga é administrada oralmente, podem ser observados em 24 horas (sendo mais rápido quando administrado por via parenteral) e consistem em: perda do controle motor (incapacidade de manter postura, membros cruzados e ataxia), letargia, fraqueza, perda de reflexos visuais, depressão respiratória, bradicardia, midríase, tremores, hipersalivação, coma e eventualmente a morte (MelooliveiraLago, 2002).

Estudos recentes provaram que os gatos possuem um nível ótimo e satisfatório de segurança quando administrado as ivermectinas, e foi visto raros casos de idiossincrasia. Os gatos não apresentam, geralmente, sinais de toxicidade quando administradas doses orais de ivermectinas de 750 μg/kg e doses injetáveis de 500 μg/kg, SC (NOGUEIRA; ANDRADE, 2011, p. 126).

Todavia, “a ivermectina, em doses de 400 mcg/kg, pode causar intoxicação em filhotes de gatos Siameses e doses mais baixas, como 300 mcg/kg, foram letais para filhotes de gatos” (PAPICH; 2009, p. 401).


Tratamento

A intoxicação por avermectinas não possui antídoto específico, sendo utilizado o tratamento sintomático e de suporte. Há um relato de sucesso no tratamento de gatos gravemente intoxicados com neostigmina IV (NOGUEIRA; ANDRADE, 2011, p. 127)

Tratamento de  suporte do tipo fluidoterapia e complexo B são relevantes para a recuperação de um cachorro acometido por intoxicação medicamentosa à ivermectina (Rodrigues et al., 2017).


Conclusão

Este trabalho possibilitou entender o efeito do uso indiscriminado e sem conhecimento profissional adequado de medicamentos humanos ou veterinários em animais domésticos, como os cães e gatos. Evidenciou-se os 2 principais: o paracetamol e a ivermectina.

Foi relatado as características farmacológicas do paracetamol e da ivermectina e seus mecanismos e toxicidade em cães e gatos.

Para se atingir a base de conhecimento e evidencia foi utilizado dados estatísticos, bases científicas e discursivas, características físicas e farmacológicas, e casos reais, de intoxicação, que aconteceram no Brasil.

Com esses dados obtidos, a comunidade científica pode propagar e promover o uso consciente de medicamentos também para animais domésticos. Afinal, os pets estão inseridos na vida humana significativamente e sua saúde também interfere nas condições e realidades humanas.

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