SUCESSO NO AGRONEGÓCIO

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO

Departamento de Economia

Bacharelado em Ciências Econômicas

SUCESSO NO AGRONEGÓCIO

Daniele costa de Andrada

Resumo

O presente trabalho é uma avaliação dos fatos que permitem à Denominação de Origem Protegida Pessac-Léognan, na região de Bordeaux, na França, obter o status de sucesso que alcançou, exposta sob a teorias das organizações de regiões vitivinícolas em clusters, das suas externalidades positivas e da competitividade dinâmica na região. São levantados dados econômicos para análise das características de mercado, de oferta, demanda e movimentos de preço. São descritos os instrumentos de apoio à comercialização e as estratégias de mercado e dos canais de comercialização. O sucesso da DOP está fortemente relacionado as suas formas de organização e seus fatores de competitividade.

Keywords: Denominação de Origem Controlada/Protegida; Competitividade; Cluster Vitivinícola .

Abstract

The present work is an evaluation of the facts that allow the Protected Designation of Origin Pessac-Léognan, in the region of Bordeaux, France, to obtain the status of success that it reached. The evaluation is exposed under the theories of organizations of wine regions in clusters, their positive externalities and the dynamic competitiveness in the region. Economic data are collected to analyze the characteristics of the market, supply, demand and price movements. Marketing support tools and market strategies and marketing channels are described. The success of the PDO is strongly related to its forms of organization and its factors of competitiveness.

Keywords: Controlled designation of origin; Competitiveness; Wine cluster.

Introdução

Há dois mil anos, a região que corresponde ao departamento de Gironde, na França, conhecida também pelo seu vinho Bordeaux, foi ocupada pelos romanos. Os povos bituriges vivisques que lá viviam, já cultivavam a vinha, inclusive a cepa (olhar no glossário) Cabernet Sauvignon, uma das principais utilizadas para a produção do vinho na região. Mas foram os romanos que investiram na larga produção para consumo dos seus soldados e posteriormente para comercialização. A notoriedade do vinho Bordeaux foi então construída desde a ocupação do Império Romano na região até o século XIII, quando emergiram excepcionais castelos de produção de vinhos lendários, alguns que ainda existem. Desde então, entre guerras, crises e apogeus, o vinho de Bordeaux estabeleceu mundialmente seu nome. E para os mais entendidos, são os vinhos das sub-regiões e comunais (olhar no glossário) de Bordeaux (por exemplo Pessac-Léognan, Saint-Emillion, Saint Julien, Margaux) ainda mais valorizados. 

A qualidade e diversidade dos vinhos bordaleses se deve à diversidade geológica e à grande tradição de envelhecimento e conservação. 

A proteção de produtos renomados e dos consumidores contra as fraudes é garantida através das Denominações de Origem Protegidas (DOP. Lei francesa de 1905). Esta política estratégica de proteção do mercado e promoção dos produtos domésticos, a nível nacional e internacional, tem surtido efeito. E, tomando como exemplo a França, esse tipo de proteção estendeu-se para a União Europeia a partir de 1992 e é copiada por países como China, Brasil, México e Estados Unidos, entre outros.

É possível observar o sucesso dessa política – representada na França pelo INAO (Instute National de l’Origine et de la Qualité), na quantidade expressiva de produtos, principalmente vinhos, sob os selos de origem e de qualidade.

De acordo com FranceAgriMer (2016), em torno de 75% dos vinhos produzidos na França possuem selos de origem (DOP ou Indicação Geográfica-IG). 

Em 2016, o setor vitivinícola ficou em segundo lugar entre os excedentes da balança comercial da França, depois do setor aeronáutico e diante do setor de perfumarias e cosméticos, mantendo-se no trio de maiores produtores mundiais de vinho ao lado da Itália e Espanha. A cadeia vitivinícola francesa exporta aproximadamente 8 bilhões de euros de vinhos cada ano. 

Existem hierarquias que comprovam que os vinhos com DOP são mais prestigiados que os demais (os vinhos sem denominação de origem e os vinhos de Indicação Geográfica): primeiramente os preços são mais elevados e depois as regulamentações são mais restritas. Há também uma hierarquia entre as próprias DOP, o que pode ser chamado de “DOP dentro de DOP”: dentro de denominações genéricas ou regionais há denominações sub-regionais e comunais. Quanto mais delimitada for uma zona de DOP, mais restritas são as regulamentações. Isto costuma ser expressado no preço final.

Pessac-Léognan é uma denominação comunal: está dentro da denominação sub-regional de Graves que está dentro da denominação genérica ou regional de Bordeaux (que incorpora todo o departamento de Gironde).

Uma das maneiras de avaliar sua valorização é através da evolução do valor da terra: de acordo com o Les Echos (2012), as vinhas de Bordeaux genérico custa em média de 15.000 a 25.000 euros, enquanto em Pessac-Léognan custa em média 330.000 euros, podendo chegar a mais de 400.000, um preço ao menos dez vezes superior à denominação vizinha de Graves, da qual Pessac-Léognan fazia parte até 1987. 

Não é apenas através das regulamentações que o governo protege e estimula as atividades reconhecidas. Em Bordeaux, além de uma Delegação Territorial do INAO, há o Instutit National de La Vigne et du Vin (instituto de pesquisa e de educação superior), La Cité du Vin (um enorme edifício dedicado à história e à cultura do vinho, para visitas), diversos passeios turísticos promovidos pelos Ofícios de Turismo locais (em 2015, Bordeaux foi eleito o melhor destino turístico da Europa pelo europeanbestdestinations.com), infraestruturas de transporte: portos, aeroportos, trens e rodovias. Há ainda o INRA (Institut National de la Recherche Agronomique: Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica). Bordeaux é Patrimônio da UNESCO. E há dez anos acontece a cada ano La Fête du Vin (A festa do Vinho) com música e degustação de vinhos representados em stands indicando a origem.

O presente trabalho tem como objetivos gerais: descrever o percurso da DOP Pessac-Léognan, no seu contexto nacional e  organizacional e os seus fatores de competitividade que permitiram estabelecer o status que a denominação alcançou. 

Os objetivos específicos são: responder às seguintes questões a) por que criou-se a DOP Pessac-Léognan? b) Como foi implementada? e c) Quais foram os resultados alcançados?

Através dessas questões, espera-se descobrir quais foram/são os objetivos da criação da DOP, quais são os seus fatores internos e externos de competitividade que contribuíram com o sucesso da atividade e quais são os aspectos que identificam esse sucesso.

Os certificados de denominação de origem tem-se mostrado como uma ferramenta eficaz, não só contra a fraude (seu objetivo primeiro), mas de promoção, valorização e desenvolvimento do local e dos produtos regionais e estimula a cooperação entre produtores, preserva costumes tradicionais, desenvolve o turismo e atividades correlatas (hotelaria, alimentação, artesanato, etc.), cria oportunidade para o pequeno produtor, etc. Pretende-se mostrar esses resultados positivos e, se houver, os negativos também. 

METODOLOGIA

Para responder às questões levantadas pelo presente trabalho, foi utilizada a metodologia de estudo de caso. Esta técnica de pesquisa qualitativa é considerada mais adequada para se compreender fenômenos das organizações da economia (mercados, empresas e instituições) e sua complexidade. É particularmente útil quando é difícil separar os limites entre o fenômeno estudado e o contexto (YIN, 2010). Essa técnica de pesquisa pode ser descritiva, para compreensão de um fenômeno.

Foi utilizado o roteiro de estudo de caso descritivo para compreensão de mercados e da comercialização de produtos agrícolas, no qual os procedimentos e regras gerais são (GODOY, 1995a, 1995b; YIN, 2001):

  • garantir o acesso às organizações e aos entrevistados;
  • definir os procedimentos de campo (apresentação, fala inicial do pesquisador, forma de anotação);
  • elaborar um roteiro de estudo de caso que contenha as perguntas a serem respondidas. 

As fontes de evidencias e banco de dados do estudo de caso (GODOY, 1995a, 1995b; YIN, 2001):

  • entrevistas com base no roteiro;
  • observação da realidade;
  • busca de dados e documentos.

 A abordagem da pesquisa é qualitativa e quantitativa. Para coletar os dados qualitativos, é fundamental iniciar com uma revisão de literatura e compreensão da teoria utilizada para explicar o fenômeno. Também foram utilizadas observações diretas do local onde se encontra a cadeia de produção vitivinícola da DOP estudada, que está presente e visível nas cidades, do local de transformação, através de visitas guiadas. 

Foram realizadas entrevistas com os proprietários (apêndice 1 e 2) e com a diretora do Sindicato de Pessac-Léognan. Para isso, uma simples busca do site do sindicato permitiu realizar um contato através de telefonema e seguir através de trocas de mensagens eletrônicas. Por intermédio da diretora do sindicato, que transmitiu uma lista de contatos com os proprietários mais propícios a participar das entrevistas, foi estabelecido o contato com os proprietários dos castelos da DOP. Esta foi a etapa mais difícil. Da lista, apenas 6 proprietários aceitaram fazer uma entrevista. Durante as entrevistas, além de responder às questões, alguns proprietários ofereceram mais informações sobre questões que ainda não haviam sido percebidas, além de documentos referentes à DOP, às respectivas propriedades e folhetos com informações sobre as práticas de produção, as características dos castelos, resumos das suas histórias individuais e informações diversas. A compreensão do caso e as novas questões que surgiram melhoram significativamente a qualidade do estudo.

Em seguida, foi elaborado um segundo questionário (apêndice A), muito semelhante ao primeiro, para ser respondido online, tendo em vista a falta de tempo dos proprietários. Este então foi enviado para todos os castelos da DOP (excluindo os seis que haviam respondido ao primeiro), mais apenas foi obtida uma resposta.

Portanto, dos 56 membros do sindicato, representando 72 castelos produtores de vinho, em face das dificuldades de acesso aos proprietários, trabalhou-se com o máximo possível de contatos, que não ultrapassou 7 entrevistas, mas que não comprometeu a qualidade do estudo e foram primordiais na compreensão da cadeia produtiva local, as instâncias que fazem parte e o direcionamento da pesquisa. 

Para a coleta de dados quantitativos foram utilizados diversos sites que fornecem informações sobre o vinho, sites franceses que fornecem informações sobre produção, exportação e importação e os valores monetários movimentados com as atividades, por exemplo: douane.gouv.fr (site da alfândega francesa), OIV.int/ (The International Organisation of Vine and Wine), INAO.gouv.fr (site do Institut National de l’Origine et de la Qualité), FRANCEAGRIMER.fr (Etablissement National des Produits de l’Agriculture et de la Mer) assim como informações fornecidas pelo Sindicato de Pessac-Léognan através de correios eletrônicos e do próprio site, pessac-leognan.com, revistas eletrônicas de economia e do mundo do vinho, etc. 

A pesquisa foi realizada dentro da zona delimitada da Denominação de Origem Protegida Pessac-Léognan. Esta DOP abrange 10 cidades na região metropolitana de Bordeaux, capital do departamento de Gironde, na França, e corresponde a uma área de mais de 1823,34 hectares de plantação.

Foram considerados sujeitos da pesquisa todos os atores diretamente ligados à DOP Pessac-Léognan, quer dizer os produtores e os dirigentes do Sindicato (1 diretora e 1 assistente) de Pessac-Léognan. 

Para a coleta de dados, além da pesquisa bibliográfica em livros, atlas (por exemplo: Atlas de la Vigne et du Vin: Un nouveau défi de la mondialisation; de Legouy e Boulanger, 2015) e internet, com os diversos sites que já foram citados anteriormente, foram utilizados todo o tipo de material gráfico e digital oferecidos pelos sujeitos da pesquisa. Também foram utilizados questionários online (apêndice 1) e entrevistas não estruturadas.

Segue o desenvolvimento do presente trabalho, abordando, no próximo capítulo, o referencial teórico utilizado para a análise do estudo de caso, com a definição de Denominação de Origem Protegida, teorias de clusters e bens de clube, uma descrição de fatores de competitividade, seguindo para o desenvolvimento analítico, resultados e discussões.

referencial teórico

As denominações de origem protegida (dop)

As denominações de origem protegida (DOP) existem institucionalmente desde 1905 na França, país pioneiro neste caso. Já há séculos, os vinhos da França, especialmente os de Bordeaux, eram reconhecidos em diversas partes do mundo pela sua qualidade. Este decreto-lei nasceu da necessidade de proteger os produtores e consumidores nacionais contra fraude, logo após uma queda de produção dos vinhedos franceses – dos quais Bordeaux, decorrente dos ataques de filoxera e do oïdium. Com oferta insuficiente, comerciantes vendiam vinhos de outras regiões menos renomadas ou países com as indicações de origem das regiões mais apreciadas pelos consumidores. Desde então, muitas evoluções a nível nacional e internacional ocorreram. 

Em 1935, um decreto-lei relativo à defesa do mercado do vinho criou a Denominação de Origem Controlada (DOC) – aplicável ao vinho e à aguardente – e o organismo encarregado de sua definição, proteção e controle: o INAO (Instituto Nacional da Origem e da Qualidade).

As evoluções seguiram da seguinte forma:

1990: Todos os produtos agrícolas e alimentares passaram a ter direito a tal proteção. 

1992: A União européia, inspirada no conceito francês, criou uma nova regulamentação e o novo conceito válido em todo o seu território: Denominação de Origem Protegida. Mas para todos os produtos agrícolas e alimentares, excluindo os vinhos e aguardentes. 

2009: Os vinhos e aguardentes são incluídos na regulamentação europeia.

2012: Sendo o único país a utilizar da nomenclatura “Denominação de Origem Controlada”, a França decide que, uma vez reconhecido à nível europeu, um produto deve utilizar apenas a menção “Denominação de Origem Protegida”, para simplificar a oferta para o consumidor. Mas os vinhos ainda são autorizados a portar a menção de DOC.

Outras evoluções, à nível internacional, podem ser citadas. Dentre os quais o Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (acordo TRIPS: Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights), redigido junto a uma série de acordos que originou a Organização Mundial do Comércio (OMC). Este é um amplo acordo, com 146 países que respondem por mais de 95% do comércio internacional. Nele, uma parte dedicada às Indicações Geográficas, trás uma definição simplória e de forma alguma determina como cada país deve expressar essa indicação e quais os meios legais de proteção devem ser utilizados. Esta é a definição de Indicações Geográficas no âmbito deste acordo:

Indicações que identifiquem um produto como originário do território de um Membro, ou região ou localidade deste território, quando determinada qualidade, reputação ou outra característica do produto seja essencialmente atribuída à sua origem geográfica.” (TRIPS, 1994, art. 22)


Com o objetivo genuíno de proteger contra fraudes, a DOP trás em si o valor de qualidade reconhecida que o produto já estabeleceu. 

Na França as indicações de origem para o vinho são a DOC/DOP e IGP (Indicação de Origem Protegida). A definição de DOC/DOP está descrita no Guide du Demandeur AOC/AOP – IGP viticole

DOC/DOP
DOC/DOPInstitut National de l’Origine et de la Qualité (2016, p. 1)

DOC, denominação de Origem Controlada ( artigo L.641-5 do código rural e da pesca marítima) é a denominação de um país, de uma região ou de uma localidade que serve para designar um produto de onde é originário e de onde a qualidade ou as características são devidos ao meio geográfico, compreendendo os fatores naturais e os fatores humanos. O produto possui uma notoriedades devidamente estabelecida, e sua produção é submetida à procedimentos que comportam uma habilitação dos operadores, um controle das condições de produção e um controle dos produtos.

DOP, Denominação de Origem Protegida, corresponde à Denominação de Origem Controlada à nível europeu (artigo 93.1 a e 2. do regulamento UE nº 1308/2013). É o nome de uma região, de um lugar determinado ou, em casos excepcionais, de um país, que serve a designar um produto vitivinícola (lista dos produtos cf. artigo 1, parágrafo 2 e anexo I, parte XII regulamento UE nº 1308/2013):

– donde a qualidade e as características são devidas essencialmente ou exclusivamente ao meio geográfico particular e aos fatores naturais e humanos que lhes são inerentes;

– elaborado exclusivamente à partir de uvas provenientes da zona geográfica considerada;

– donde a produção é limitada à zona geográfica; e

– obtido exclusivamente à partir de variedades de vinhas da espécie vitis vinifera.

Certas denominações empregadas de maneira tradicional constituem uma denominação de origem logo que elas designam um vinho, fazem referência à um nome geográfico, e preenchem as outras condições enumeradas acima. (p. 4)


No mesmo documento citado anteriormente, a descrição do objetivo de um registro de uma DOC/DOP é claro: assegurar uma proteção contra as usurpações. Esta proteção repousa sobre dispositivos regulamentares próprios às denominações de origem e se encontram à nível nacional, europeu e internacional. Se apoia igualmente sobre regras gerais relativas ao engano, à luta contra as fraudes, a concorrência desleal e o parasitismo (que consiste em aproveitar-se da notoriedade ou reputação ligada às DOP sem se submeter às mesmas regras e restrições). 

Os Organismos de Defesa e de Gestão (ODG) – conjunto dos operadores da cadeia de produção – os operadores e o INAO podem agir em justiça afim de assegurar a proteção das denominações de origem e obter reparações dos prejuízos. 

Igualmente, as áreas geográficas delimitadas podem beneficiar de uma proteção contra operações de planejamento, de urbanismo, de equipamento, de construção, de exploração do solo ou do subsolo ou de implantação de qualquer atividade econômica de natureza à alcançar à área ou as condições de produção, à qualidade ou a imagem do produto. A autoridade pública encarregada de autorizar a realização dessas operações é submetida à um procedimento de consulta prévia obrigatória, direta ou indireta, do INAO. 

Conteúdo de uma Demanda de Reconhecimento em DOC/DOP

A seguir é apresentado um resumo do capítulo de mesmo nome descrito no documento “Guia do Requerente” do INAO, disponível online e referenciado no presente trabalho em francês “Guide du Demandeur” nas páginas 8 à 12. 

O dossier a ser depositado em um serviço local do INAO deve ser composto dos seguintes documentos:

– o “correio de transmissão” indicando a demanda;

– uma nota de apresentação e motivação do projeto, incluindo seu impacto técnico e econômico;

– a demanda de reconhecimento em qualidade de Organismo de Defesa e de Gestão;

– o projeto do Caderno de Especificações;

– um documento que permita assegurar o controle das condições de produção do caderno de especificações. O organismo de controle deverá depositar um plano de controle ou de inspeção junto dos serviços do INAO.

O agrupamento garante que os próprios operadores se apropriem do processo de reconhecimento, de modo a dar conta do savoir-faire que contribui para forjar a identidade do produto.

Na nota de apresentação e motivação, o grupo é instigado a se interrogar sobre os fundamentos e impactos técnicos e econômicos de tal demanda. Nesta nota devem ser apresentadas as motivações e o seu posicionamento em comparação com os produtos da mesma categoria: a) apresentar as reflexões que levaram a tal escolha para tal produto (valorização econômica, necessidade de proteção do nome); b) posicionar a abordagem em relação aos outros produtos da mesma categoria; c) Apresentar a valorização (econômica) esperada; d) apresentar e desenvolver as eventuais interações do nome proposto para a DOP com nomes de marcas comerciais ou com o nome protegido de uma DOP já reconhecida.

Ainda na nota de apresentação e de motivação do projeto, a apresentação da cadeia de produção deve situar a produção no seu contexto econômico. Os dados esperados são: a) uma descrição da cadeia; b) o número de operadores da cadeia (por tipo: viticultores, caves, particulares, negociantes) e suas localizações geográficas; c) o potencial de evolução da produção sob o nome da DOP; d) uma descrição sintética dos sistemas de produção agrícola (parte do produto na atividade agrícola); e) os volumes produzidos por tipo de operador; f) os modos e circuitos de comercialização do produto; f) os preços de venda (custo total e preço final de comercialização). Esses dados devem estar contextualizados no mercado de vinhos do mesmo tipo.

A demanda de reconhecimento do organismo de defesa e de gestão (ODG) é previsto no código rural e de pesca marítima para todos os produtos beneficiados por uma DOP ou IGP que define suas missões, princípios e modalidades de seu reconhecimento em ODG. Ele é o organismo encarregado de assegurar a defesa e a gestão do produto. Ele é dotado de personalidade civil. Durante a demanda, ele é o interlocutor do INAO, depois do reconhecimento da indicação, é o responsável pela gestão. Sua missão é contribuir com a missão de interesse geral de defender e proteger o nome, o produto e o terroir, e com a valorização do produto assim como ao conhecimento estatístico do setor. O grupo reconhecido enquanto ODG é encarregado das seguintes missões: a) elaborar o caderno de especificações, contribuir à sua aplicação e participar da execução dos planos de controle e de inspeção; b) atualizar a lista de operadores, transmitindo periodicamente ao organismo de controle e ao INAO; c) participar das ações de defesa, proteção do nome, do produto e do terroir, à valorização do produto e do conhecimento estatístico do setor; d) aplicar as decisões do comitê nacional que lhe concerne; e) escolher o organismo que será encarregado do controle do caderno de especificações; f) elaborar com o organismo de controle um plano de controle ou de inspeção; g) comunicar ao INAO,  sob sua demanda, toda a informação coletada no quadro de suas missões; h) comentar sobre o plano de controle ou de inspeção.

O projeto do caderno de especificações é definido pelo regulamento (UE) Nº 1308/2013, artigo 94, parágrafo 2. No modelo estabelecido por este regulamento ele deve comportar no mínimo os elementos seguintes: 

– A denominação a ser protegida;

– A descrição do vinho ou dos vinhos: principais características analíticas e organolépticas;

– Caso aplicável, as práticas enológicas específicas empregadas na elaboração dos vinhos assim como as restrições aplicáveis à elaboração;

– A delimitação da zona geográfica;

– Os rendimentos máximos por hectare;

– A indicação da(s) variedade(s) de uva para obtenção do vinho;

– Os elementos que corroboram que a relação da qualidade e características do produto são devidas essencialmente ou exclusivamente ao meio geográfico particular e aos fatores naturais e humanos inerentes;

– As exigências aplicáveis em virtude da legislação da UE ou da legislação nacional ou, caso se aplique, previstas pelos estados membros ou uma organização responsável da gestão da denominação de origem protegida, compreendido que estas exigências devem ser objetivas, não discriminatórias e compatíveis com as legislação da União. 

– Nome e endereço das autoridades ou dos organismos de controle dos respeito das disposições do caderno de especificações assim como uma descrição precisa de sua missão.

A natureza própria da denominação de origem protegida ou de indicação geográfica protegida implica a existência de uma relação entre a zona geográfica (e fatores naturais e humanos) e o produto. Convém refletir sobre os aspectos possíveis de serem desenvolvidos no capítulo “relação com a zona geográfica” antes de detalhar os outros elementos. 

Clusters e Bens de Clube

O conceito de cluster de Porter (1998): “concentração geográfica de empresas e de instituições interconectadas em um campo particular” é muito pertinente para avaliar as organizações dos atores nas DOPs francesas, como observado por Torre (2002).

É possível identificar os clusters sob a forma de grandes regiões vitivinícolas: Bordeaux, Bourgogne, Alsace, Champagne, Languedoc, Provence, que concentram exatamente empresas e instituições em um campo particular: a indústria vitivinícola.

Em um cluster, as empresas estão ligadas por duas formas diferentes de coordenação, sendo a combinação destas formas a origem das vantagens competitivas e dos benefícios de fazer parte do cluster:

– Todas as empresas do cluster estão em situação de concorrência. Seja entre si ou entre as outras grandes regiões e outros países. A globalização aumenta essa concorrência. 

– As empresas do cluster também estão em situação de cooperação, no sentido de que elas estão ligadas por formas de coordenação não mercantis. 

No caso vitivinícola, essa cooperação toma formas específicas e tende a modificar as condições e os efeitos da concorrência. 

As formas de cooperação nos clusters vitivinícolas

A definição de cooperação utilizada neste caso, não é a de cooperação de produção, mas as relações não mercantis que asseguram de uma parte a coordenação entre as empresas, sendo a outra assegurada pelas relações de mercado (concorrência).

A proximidade possibilita que as empresas se beneficiem das externalidades positivas geradas. O benefício marginal externo é gerado cada vez que uma atividade de uma empresa privada ou pública dentro do cluster possui efeito indireto sobre as outras e não se reflete diretamente nos preços de mercado. Por exemplo, quando uma empresa investe em pesquisa e desenvolvimento (P&D), frequentemente as inovações resultantes desses investimentos não podem ser protegidas de outras empresas, que também irão se beneficiar dos resultados do investimento em P&D.

Dentro dos clusters, a economia gerada pelas externalidades positivas podem ser representadas pela divisão do trabalho entre as empresas, pelas trocas de informações, pelo capital intelectual e acumulação de experiências e competências, pelos processos inovadores (resultantes de P&D). Desta forma, um cluster funciona como uma grande empresa constituída por empresas de tamanhos menores(Levesque et al, 1995). As externalidades, por definição, não são produzidas intencionalmente. E, como na definição de bens públicos, a partir do momento em que as externalidades são disponibilizadas é difícil impedir que outros consumam. 

Tais investimentos são caros e não costumam ser lucrativos para uma única empresa, por causa da dificuldade em impedir que copiem as inovações. Portanto os mercados ofertam quantidades insuficientes de bens públicos. Mas em alguns casos o governo pode resolver este dilema fornecendo diretamente tal bem ou oferecendo estímulos para que as empresas o façam. 

Um cluster possui as características de um bem público de não-exclusividade (qualquer empresa pode se estabelecer) e não-rivalidade (o seu uso não exclui a possibilidade de que outros também utilizem ao mesmo tempo) e inclusive com rendimentos crescentes, pois quanto maior o capital social, melhor.

Então é possível identificar o outro grande grupo de relações não mercantis identificadas no cluster: o conjunto de relações institucionais, de iniciativa pública (infraestrutura de comunicação, transporte e de serviços de apoio – estes muitas vezes específicos no domínio do cluster), instituições decentralizadas do estado específicas ao setor (agências de inovação, incubadoras de empresas) ou de iniciativa privada. Nesse tipo de coordenação reside a eficácia desses agrupamentos. As empresas do cluster financiam e fazem funcionar instituições formais como sindicatos, associações, fundações que produzem bens públicos do tipo formação de mão-de-obra, normalização, controle, pesquisas aplicadas, testes, promoção.  Da mesma forma, essas empresas estabelecem convenções baseadas em processos de conhecimento mútuo, que asseguram a convergência de antecipações e ações. Essa coordenação de antecipações e ações acontecem ou porque os indivíduos se conhecem ou porque respeitam as mesmas convenções. 

Este conjunto de relações institucionais, contrariamente às externalidades, é resultado de  processos intencionais e representam os interesses dos envolvidos. São relações de cooperação entre os membros do cluster e implicam uma participação voluntária a um bem comum do qual esperam obter vantagens para cada um. Dentre os diversos exemplos na vitivinicultura, pode-se citar as DOPs.

A DOP como um Bem de Clube

Bens de clube (TIEBOUT, 1956 ; WIESEMAN, 1957 ; OLSON, 1965), são bens coletivos, consumidos por um grupo de indivíduos de número limitado. Como demonstra Torre (2002),as DOP são bens públicos imperfeitos: são bens de clube. A existência de uma DOP é resultado de uma reputação, bem comum a todos os produtores da denominação, que apresenta as duas características do bem de club: 

Possíveis caracterizações de um bem

 ExclusãoNão-exclusão
Rival Bens privados Quase público/Prop. Comum
Não-RivalBens de ClubeBem público

Adaptado de da Costa (2010, p. 3)

– A não-rivalidade: o seu consumo
por parte de um individuo não reduz a quantidade disponível para consumo de um outro indivíduo. A utilização da reputação de uma DOP por um produtor não impede que outro produtor na mesma DOP a utilize, exceto sob comportamentos oportunistas.

– A exclusividade: é preciso adquirir o direito a consumir esse bem. A própria definição de DOP identifica radicalmente o grupo daqueles que podem aproveitar-se e as condições de exclusão. 

O que diferencia a DOP de um bem público, além das características inerentes aos bens de clube já citadas:

– O consumo de bens de clube é um ato voluntário. Para os bens públicos esse consumo pode ser passivo. Este consumo é fundamentado em um cálculo simples, que se apóia na antecipação de um benefício: sua utilidade deve ser superior do que no status de não-membro. 

– Os bens de clube podem gerar congestionamentos se utilizados por um grande número de membros. Esse fenômeno, após um certo período, pode constituir uma consequência negativa do sucesso alcançado pelo bem ou pelo processo organizacional estabelecido. A ideia de partilha, que traduz as vantagens da adesão ao clube, conduz a uma rivalidade parcial dos benefícios, quanto mais o clube cresce, provocando uma degradação da qualidade associada aos bens e serviços ofertados.

– Os bens de clube são consumidos por um grupo exclusivo, composto por um número limitado de membros e fundado sobre a base de um mecanismo de exclusão à entrada. Isto permite excluir os não-membros dos benefícios de pertencimento, incita à adesão e ajuda a evitar os fenômenos de congestionamentos. 

A priore, esta exclusividade está relacionada aos aspectos geográficos da DOP: é indispensável possuir as terras dentro da área delimitada pela DOP. 

Outra forma de exclusão é o fato de que os métodos de vinificação não são estabelecidos no caderno de especificações da DOP. A única menção no capítulo sobre “Transformação, elaboração, élevage (olhar o glossário), condicionamento, estocagem” é que os vinhos sejam vinificados “conforme os usos locais, leais e constantes”. Laporte (2000) mostra que, na medida em que seja impossível estabelecer objetivamente uma ligação entre as condições pedo-geoclimáticas e a tipicidade do vinho e enquanto os desenvolvimentos da enologia permitam de analisar os modos de vinificação e de lhes render utilizáveis por todos, a única garantia de que o vinho de uma DOP respeite sua tipicidade é o controle exercido pelos produtores na ocasião do procedimento de aprovação. Dito de outra forma, a constância e a tipicidade está fortemente ligada ao componente cultural e social do terroir/savoir-faire

Os Fatores de Competitividade

Seguindo a lógica utilizada por Sampaio et al (2006), o sucesso decorre do provimento das condições ambientais que permitam o ajuste dos fatores internos aos cambiantes fatores externos. Essa dinâmica ocorre quando os agentes de apoio antecipam-se às necessidades de ajuste, provendo os meios materiais e humanos, os serviços, os recursos e a capacitação necessária para ajuste do setor às necessidades do mercado. Em outras palavras, o sucesso (ou insucesso) depende dos fatores de competitividade internos e externos ou da competitividade dinâmica.

Para definir os fatores de competitividade internos, é possível apoiar-se nos estudos clássicos de competitividade e de eficiência. O primeiro enfatiza a comparação de preços, custos, lucros, tecnologia e qualidade dos produtos. O segundo, baseado em Farrell (1957), propõe maior produção com a mesma quantidade de recursos ou a mesma produção com menor quantidade de recursos. As duas condições estabelecem a produção na Fronteira de Possibilidade de Produção (FPP). O resultado é uma eficiência técnica e uma eficiência econômica: produzir mais com os mesmos insumos ou produzir o mesmo com menos insumos, ou obter maior valor de produção com os mesmos gastos  ou obter os mesmos valores com gastos menores. Estas são as condições que estabelecem os fatores internos de competitividade:

-Tecnologia superior: elevar a FPP para aumentar a produção ou a qualidade;

– Custos menores: maior e melhor disponibilidade dos fatores de produção;

– Preços maiores: qualidade superior, reputação estabelecida, certificações, etc.

A curva da Fronteira de Possibilidade de Produção
A curva da Fronteira de Possibilidade de ProduçãoWikibooks, Hou (2007)

Os fatores de competitividade externos, são externos às empresas no sentido de tomada de decisão, mas afetam igualmente o custo, preço e qualidade do produto, em muitos casos, de maneira determinante. Destacam-se as infraestruturas (de transporte, de comunicação, de serviços de apoio), a política econômica, instituições de pesquisa e apoio tecnológico, formações de recursos humanos, legislações e normas. A falta desses recursos, ao aumentar os custos e preços e diminuir a qualidade do produto, diminui a capacidade competitiva das empresas locais. 

certificados

Em mercados com informações assimétricas há tendência de eliminação dos produtos de qualidade. As implicações das informações assimétricas foram originalmente analisadas por George Akerlof, em 1970 (PINDYCK, 2002, p.602). Um exemplo utilizado na literatura é o mercado de carros usados. Há informações assimétricas porque o comprador e o vendedor possuem informações diferentes sobre uma transação. Dentre as falhas de mercado geradas por esse fenômeno está a seleção adversa: surge quando produtos de qualidades distintas são vendidos ao mesmo preço, porque compradores e vendedores não estão suficientemente informados para determinar a qualidade real do produto no momento da compra. A tendência é que produtos de baixa qualidade sejam mais vendidos do que produtos de alta qualidade. 

Para resolver esse problema, Michael Spence, em 1974 (PINDYCK, 2002, p. 608) desenvolveu o conceito de sinalização de mercado: os vendedores podem enviar sinais de qualidade aos consumidores.

Certificados e garantias são tipos de sinalizações de qualidade. As empresas que possuem os artigos de qualidade superior e mais confiáveis devem conscientizar os consumidores e obter preços mais elevados.

CATEGORIAS E CLASSIFICAÇÕES DOS VINHOS E HIERARQUIA DAS DOPS NA FRANÇA 

A Denominação de Origem Protegida Pessac-Léognan, é uma DOP comunal dentro da DOP sub-regional de Graves que está dentro da DOP regional de Bordeaux. Da classificação dos Crus Classés de Graves, a totalidade dos 14 classificados fazem parte da DOP Pessac-Léognan. É preciso compreender as classificações na atividade vitivinícola francesa. Esse país tem uma característica singular nos seus terroirs, algo que pode ser difícil de compreender mesmo para os franceses: a hierarquia das DOPs. Mas ainda é preciso conhecer as categorias dos vinhos na França.

CATEGORIAS DOS VINHOS  

Hierarquia das Categorias dos Vinhos da França
Hierarquia das Categorias dos Vinhos da FrançaElaboração própria

Existem três categorias de vinho:

Vins de France (Vinhos de França, ex vin de table [vinho de mesa]) – está na base da hierarquia das categorias dos vinhos, porém pode ser engano afirmar que tem qualidade inferior. Acontece que os “Vinhos de França” não correspondem às obrigações de qualquer caderno de especificações. Pode-se utilizar cepas diferentes daquelas das especificações ou utilizar técnicas diferentes daquelas utilizadas na sua zona de delimitação geográfica. Logo os vitivinicultores tem mais liberdade na elaboração do vinho quanto às uvas que podem ser de cepas (tipo da uva), origem e milésimos (ano da colheita da uva utilizada na fabricação daquele vinho) diferentes, assim como nas técnicas utilizadas. É possível indicar na embalagem o milésimo e o tipo de cepas do vinho se cada destas características representam ao menos 85% do produto. Na ausência de menção de cepa ou milésimo, não há nenhum procedimento de aprovação. Caso contrário, um procedimento de habilitação é obrigatório pelos serviços de FranceAgriMer, provocando o estabelecimento de um plano de controle, garantindo a boa rastreabilidade destes vinhos.

IGP (Indicação Geográfica Protegida, ex vin de pays) – Em 2009, quando a legislação mudou na França, os 152 vins de pays que existiam passaram para essa categoria. Desta maneira, esses vinhos têm uma proteção mais forte. Os produtores em IGP tem obrigação de criar um caderno de especificação, menos restrito ou específico que aquele das DOPs, mas também controlado por um organismo independente e, da mesma maneira, estão sob competência do INAO. As áreas delimitadas de uma IGP podem corresponder até uma região inteira. Isto pode ser uma vantagem, considerando que é mais fácil de distinguir para os consumidores. A IGP identifica um produto agrícola, bruto ou transformado, de onde a qualidade a reputação ou outras características estão ligadas à sua origem geográfica, entenda-se “savoir-faire”. Para o vinho, todas a operações realizadas desde a colheita da uva até o fim do seu processo de elaboração são realizados na zona geográfica considerada. Finalmente, no rótulo podem ser mencionadas as cepas ou o milésimo, contanto que estes correspondam a, ao menos, 85% do produto.

DOP\DOC (Denominação de Origem Protegida/ Denominação de Origem Controlada, AOP/ AOC: Appellation d’Origine Protégée/ Appellation d’Origine Contrôlée) – DOC é o sistema francês de classificação dos vinhos implementado em 1935. Reconhecido pela UE (União Européia) em 1992 pela sigla DOP. Desde 2009, com a adoção da regulamentação europeia sobre os vinhos, a DOC é oficialmente denominada DOP. A DOC corresponde a uma proteção a nível nacional e é uma etapa precedente do reconhecimento em DOP pela UE. Pode-se dizer que a diferença entre DOP e DOC é o nível de proteção. Para os vinhos que portam este selo, está declarada a sua qualidade e origem, por conseguinte sua relação a um savoir-faire e um terroir. Contudo, é preciso estar ciente de que não há, necessariamente, uma garantia gustativa. Este vinho não apresenta obrigatoriamente um gosto melhor do que os das demais categorias. Muito menos um sabor constante, padronizado. Mas, sem dúvida, ele trás tipicidade, quer dizer, ele é típico e característico da zona delimitada e do ano em que foi produzido. É a noção de terroir que funda o conceito de denominação de origem.

Um terroir é uma determinada área geográfica, onde a produção deve sua originalidade diretamente as especificidades de sua área de produção. Espaço dentro do qual uma comunidade humana constrói ao longo de sua história um savoir-faire coletivo de produção, o terroir é baseado em um sistema de interações entre o ambiente físico e biológico e um conjunto de fatores humanos. Aqui estão a originalidade e características do produto (INAO.gouv.fr, acessado em 03 de maio de 2017).

Vale salientar que um caderno de especificações de uma DOP possui regras muito mais estritas do que os demais vinhos, que oferecem, globalmente, cinco garantias: a) a área de produção: é delimitada geograficamente no interior de uma região vinícola segundo critérios de tradição e de fatores geológicos, do solo, ligados ao terroir; b) As cepas: são selecionadas para fazer o melhor vinho sobre um terroir preciso, em função das condições climáticas; c) O rendimento por hectare: é fixado por decreto. Um rendimento máximo que, em caso algum, pode ultrapassar esta norma. Igualmente é regulamentada a maneira de cultivar e manter a vinha; d) O grau mínimo de álcool: excluindo, bem entendido, qualquer adição de açúcar; e) Os processos de cultivo e vinificação: com o objetivo de preservar práticas enológicas tradicionais. Depois da adoção da regulamentação europeia para os vinhos, em 2009, os cadernos de especificações de cada DOP tiveram que ser reescritos. A produção em DOP, através da imposição de mais restrições (incluindo todo o ciclo de produção, de cultivo de uvas até o engarrafamento, passando pela vinificação e envelhecimento) e concordando em financiar um processo de controle independente, fortalece seu caráter elitista.

HIERARQUIA DAS DOPs: “DOP DENTRO DE DOP”  

As DOPs podem se encaixar umas dentro das outras, formando uma hierarquia que vai da denominação regional ao grand cru. Bem entendido, ao falar de hierarquia, pode-se incluir, além das restrições, o valor final do produto no mercado. Para um consumidor standard, uma denominação regional, como um Bordeaux ou um Alsace, é suficiente. Mas para um consumidor com um pouco mais de instruções sobre o vinho francês, as demais denominações começam a fazer sentido. Em Bordeaux, essa hierarquia é formada por três tipos de DOP mais os crus classés:

A DOP Pessac-Léognan dentro da pirâmide de hierarquia das DOP da região de Bordeaux:

A pirâmide de hierarquia das DOPs
A pirâmide de hierarquia das DOPsElaboração própria

1. DOP Regional – Na base da pirâmide de hierarquia das DOPs, é uma denominação que corresponde a uma área que pode incluir todo um departamento ou, menos frequentemente, até mais – caso da DOP regional Armagnac et Cognac, por exemplo. Todo o vinho proveniente do departamento de Gironde (respeitando as restrições das delimitações do território: de 542 cidades, 505 fazem parte da zona da DOP, estão excluídas as áreas de floresta “Landes de Bordeaux”, o centro urbano da zona metropolitana de Bordeaux e as zonas muito férteis e úmidas das bordas do rio Garone, <palus>) pode reivindicar (respeitando o caderno de especificações) uma das três DOPs regionais: Bordeaux, Bordeaux Supérieur e Crémant de Bordeaux.

2. Denominação Sub-regional: Como o nome indica, representa uma zona precisa no interior de uma região. À exemplo de Bordeaux, tem-se as sub-regiões de Médoc, Graves, Sauternes, Entre-deux-Mers, Dordogne, Libournais, Blayais e Bourgeais.

3. Denominação Comunal (ou village. Comunal: de comuna, equivalente à município no Brasil) – É uma delimitação ainda mais precisa que a denominação sub-regional. Limitada à uma comuna ou à um pequeno número de comunas circunvizinhas. Ex.: Pessac-Léognan < Graves < Bordeaux.

4. Grand Cru – Enfim, enquanto DOP, existe na França, mais especificamente em Bourgogne, Champagne e Alsace os grands crus no topo da pirâmide. Dentro destas denominações, existem algumas parcelas produtivas que são consideradas melhores que as demais na mesma zona delimitada e estão submetidas à especificações regulamentares ainda mais restritas. Em Bordeaux, os grands crus são classificados, mas não são uma DOP.

CLASSIFICAÇÕES DOS VINHOS EM BORDEAUX 

Bordeaux inaugura a noção de classificação de vinhos em 1855, sob o governo de Napoleão III, como sinônimo de qualidade e prestígio para todo o mundo. O princípio de crus classés ilustra a síntese da tipicidade de um território e do trabalho dos homens em várias gerações à serviço da qualidade.

Aqui encontra-se o ápice, o pico da pirâmide, os vinhos mais procurados, mais caros, mais investidos e mais legendários.

No departamento de Gironde, que corresponde ao território da DOP regional de Bordeaux, existem algumas classificações, aqui enumeradas por ordem de tempo de existência:

O “classement de 1855“: Para a exposição universal de Paris de 1885, Napoleão III demanda para cada região vitivinícola que estabeleça uma classificação. Os critérios são: notoriedade e preços dos vinhos. Então, baseado nesses critérios, são estabelecidos mais 6 classificações dentro desta: Premier Cru Superior, Premier Cru, Deuxièmes Crus, Troisièmes Crus, Quatrièmes Crus, Cinquièmes Crus. Em Pessac-Léognan e em Graves, apenas um castelo entrou na classificação, o vinho tinto do Château Haut-Brion. Todos os outros vinhos tintos classificados são da DOP de Médoc e os demais são vinhos brancos licorosos das DOP de Sauternes e Barsac. Essa classificação teve apenas uma revisão, em 1973, quando um castelo foi promovido do 2º Cru Classé para Premier Cru. Esta é uma das principais estratégias de diferenciação que um castelo francês pode ter. Dentre os vinhos que são vendidos no mercado primário, o mais caro da DOP Pessac-Léognan é justamente este Cru Classé de 1855. Em 2010, um excelente milésimo para a região, este vinho estava sendo vendido por 925 euros a garrafa, enquanto o menor valor foi de 17 euros (este valor já está muito acima do valor corrente dos vinhos no mercado comum) e a média era de 127,27 euros. Em 2016, os valores seguem uma tendência de regularização e o vinho deste Premier Cru no mercado primário estava a 586 euros a garrafa, o vinho mais barato neste mercado estava a 20 euros a garrafa e o valor médio era de 110,50 euros.

O classement des Graves: A pedido do Sindicato de Defesa da denominação Graves, o Instituto Nacional das Denominações de Origem (INAO) prossegue em 1953 a classificação. Os critérios era que os vinhos fossem classificados por cidade e por tipo (tinto ou branco). Esta classificação tem apenas um nível sem hierarquias e não está sujeita à revisões. Foram estabelecidos 16 crus classés, todos dentro da DOP Pessac-Léognan. Mais uma vez o Château Haut-Brion foi classificado, sendo o único vinho em Bordeaux a fazer parte de duas classificações.

O classement de Saint-Émilion: A pedido da União de Defesa da denominação de Saint-Émilion, o Instituto Nacional das Denominações de Origem (INAO) procede em 1954 à classificação dos crus desta denominação. O decreto estipula que o INAO deve rever esta classificação a cada dez anos. Desde 1954, seis classificações foram realizadas. O sexto e último ranking, publicado em 6 de setembro de 2012, é o resultado de um novo procedimento, inteiramente sob a autoridade do INAO, com a assistência dos Ministérios da Agricultura e do Consumo. Oitenta e duas propriedades foram consagradas.

O classement des Crus Bourgeois du Médoc: Uma expressão consagrada pelo uso, o termo cru bourgeois remonta à Idade Média, quando os burgueses, habitantes do bourg de Bordeaux adquirem as melhores terras da região e recebem essa denominação. Em 1932 os crus burgueses são reunidos em uma lista pelos corretores de Bordeaux, sob a égide da Câmara de Comércio de Bordeaux e da Câmara de Agricultura de Gironde. Os critérios são qualidade e valor dos vinhos tintos produzidos em uma das oito denominações do Médoc: Médoc, Haut-Médoc, Listrac, Moulis, Margaux, Saint-Julien, Pauillac e Saint-Estèphe. Este ranking é evolutivo: todos os anos, desde 2010, a seleção oficial é publicada em setembro. Entre 240 e 260 propriedades, muitas vezes familiares, fazem parte da Alliance des Crus Bourgeois todos os anos, ou seja, mais de 40% da produção do Médoc.

O classement des Crus Artisans: No Medoc, o nome de crus artisans existe há mais de 150 anos: pequenas vinhas costumavam pertencer a artesãos. Esta distinção foi revivida em 1989 com a criação do Syndicat des Crus artisans du Médoc. São pequenas e médias fazendas independentes, onde o agricultor participa efetivamente na gestão de sua vinha, produz vinhos DOP e vende sua produção engarrafada no castelo. Os critérios são qualidade e valor dos vinhos produzidos em pequenas propriedades (menos de 5 hectares) em uma das oito denominações do Médoc: Médoc, Haut-Médoc, Listrac, Moulis, Margaux, Saint-Julien, Pauillac e Saint-Estèphe. Em 1994, a regulamentação europeia homenageia este nome e autoriza a inscrição no rótulo principal da menção Cru Artisan. 44 propriedades são publicadas no Jornal Oficial em 2012. A lista é revista a cada dez anos.

O MERCADO PRIMÁRIO DE VINHOS FINOs

O mercado primário é aquele da emissão do ativo. É a primeira vez que o produtor vende o vinho de um ano. Este mercado funciona de maneira particular para os vinhos mais prestigiados, em que a demanda é frequentemente maior do que a oferta. Um sistema de alocações é estabelecido e os produtores selecionam os compradores que poderão receber os seus vinhos. Os vinhos que ainda estão sendo vinificados são degustados no ano seguinte à colheita, na primeira semana de abril pelos principais enólogos e repórteres do mundo do vinho. Eles serão avaliados e os seus preços determinados. A venda ocorre entre os meses de abril e junho e os vinhos só são entregues um pouco menos de dois anos mais tarde. Por isso, diz-se que é um mercado mais virtual que físico.

Esse sistema foi lançado na década de 1970 e popularizado na década seguinte. Quase todos os vinhos finos da região de Bordeaux (em torno de 400 castelos, 30 de Pessac-Léognan) são vendidos nesse sistema que acontece na Place de Bordeaux e só os seus negociantes são habilitados a comprar. Eles recebem dos castelos o direito de comprar uma quantia determinada. Se eles exercem esse direito, este é renovado no ano seguinte. Se eles exercem apenas uma parte no ano t, então o seu direito em t+1 será igual àquele exercido em t. Então, se um negociante não comprar o vinho de um castelo do qual ele recebeu o direito, ele perderá essa alocação para o ano seguinte.

Se um castelo vende toda sua produção de um ano ao invés de envelhecê-lo por alguns anos, ele renuncia à oportunidade de vender o vinho no momento mais favorável. Quando o vinho sai do castelo, ele tem um valor de 10% à 30% maior do que durante as negociações no mercado primário. Por isso, raramente um castelo vende toda a sua produção em primário. Essa diferença entre a quantidade vendida e a quantidade estocada faz parte das variáveis estratégicas dos produtores.

A chave do mercado primário é justamente o sistema de alocações. Se um milésimo é fraco ou razoável, os negociantes não deixam de comprar para poder manter suas alocações tendo em vista os milésimos excepcionais. O inconveniente é a inflação nesse mercado marcada no ano 2000 e mais evidente a partir de 2010. Pode até acontecer de um vinho ser vendido mais barato no ano em que chega ao mercado do que quando é vendido no mercado primário.

Também existe o mercado secundário. Esse mercado estabeleceu uma verdadeira bolsa, dentre outras, a Liv-Ex é a principal no mundo. Em Londres, desde 1999, os vinhos são os ativos de investimento negociados entre particulares via internet ou leilão ou ainda por fundos de investimentos dedicados total ou parcialmente ao vinho. Dos seus 100 vinhos mais negociados e mais caros, ao menos 80 são da região de Bordeaux.

A DOP PESSAC-LÉOGNAN 

A denominação de origem protegida Pessac-Léognan foi reconhecida em 1987. Originalmente território da DOP Graves (sub-regional de Bordeaux), conflito de interesses foi uma das principais causas que motivaram a separação dos produtores do norte desta DOP. De fato, o território de Pessac-Léognan, em torno do porto de Bordeaux, é o berço dos grandes vinhos bordaleses. O seu território faz limite à oeste e sul da cidade de Bordeaux (capital de Gironde), à leste do rio Garonne e a parte setentrional da denominação de origem de Graves. Ela cobre o território de 10 comunas e uma superfície de produção de 1823,4 ha. Esse conflito de interesse se explica pelas características de ocupação periurbana, diferente do restante da sua DOP de origem. O território de Pessac-Léognan sofreu pressão do aumento populacional pelo desenvolvimento de Bordeaux e de suas comunas imediatamente suburbanas e perdeu milhares de hectares quando ainda era a DOP Graves. Entre o início do século XX e a década de 1970, mais de 3000 ha e centenas de castelos são perdidos pelo desenvolvimento urbano. Naquela época, o território da futura DOP Pessac-Léognan contava com apenas 550 ha.

Então um grupo de jovens vitivinicultores dinâmicos e empreendedores (como afirmam os documentos da DOP), dos quais o mais lembrado é André Lurton, se lançam à reconquista e, para tal, demandam a hierarquização da DOP Graves.

O INAO determina que uma demanda de reconhecimento de uma DOP deve ser feita por um grupo de representantes que ao mesmo tempo demanda o reconhecimento como ODG – Organismo de Defesa e de Gestão. Portanto, em 1980, foi criado o Sindicato Vitícola de Pessac-Léognan. À época, este sindicato representava 55 castelos, uma superfície de 1000ha, uma produção média de 40000 hectolitros, um número de negócios de uma média de 200 milhões de francos e aproximadamente 75% da produção era exportada: 25% da superfície total de Graves, 1/4 da produção total desta DOP, mas uma média de 50% do valor. Ele substituiu o precedente Sindicato Vitícola de Altos Graves de Bordeaux, fundado em 1964, para defender, no interior da vasta denominação de Graves, a tipicidade e originalidade do vinhedo tradicional nos limites estabelecidos desde sua criação pelo primeiro Sindicato de Graves de Bordeaux, fundado em 1904 em Léognan, os mesmos limites descritos acima.

O novo sindicato tinha por objetivos essenciais a salvaguarda, a reabilitação e ilustração do vinhedo: a) a reclassificação em DOP de todos os solos aptos à produção de vinhas de alta qualidade, inicialmente excluídos das delimitações precedentes por não haver plantação; b) estabelecer todos os meios à proteção da integridade do território vitícola contra os danos decorrentes do crescimento urbano e industrial em uma ótica realista de respeito das complementaridades regionais, mas também do espaço vital necessário ao equilíbrio de uma economia criadora de empregos, riquezas, prosperidade e benéfica ao equilíbrio da balança comercial da França.

No caderno de especificações da DOP, são descritas todas as práticas que devem ser respeitadas desde a etapa agrícola da produção até comercialização do produto final. É previsto que ao menos duas, das três etapas, sejam integradas pelo produtor, a saber: a primeira etapa é a produção das uvas e a segunda etapa é a vinificação, condicionamento e engarrafamento. Um lugar específico para estocagem também é previsto e deve ser justificado. A data a partir da qual o produto pode ser comercializado também é estipulada. Sobre os fatores naturais, são descritas a localização, as características e formações do solo, do relevo, do clima favorável e, por último, sua particular característica de periferia de metrópole e sua resistência à urbanização e especulação imobiliária.

Dentre os fatores humanos que contribuíram com a originalidade do DOP, alguns personagens ilustres são citados. Depois da dinâmica do porto de Bordeaux, a primeira personagem é Alienor de Aquitânia. Ela foi duquesa da Aquitânia e da Gasconha e condessa de Poitiers por direito. Quando casou com o rei Luís VII, foi rainha consorte da França e depois da Inglaterra ao casar-se com o rei Henrique II, em 1152, quando a Aquitânia tornou-se território inglês. Sua contribuição a prosperidade do vinho de Bordeaux vem da proibição de toda concorrência enquanto houver ao menos um barril do vinho local à venda. A idade de ouro se inicia quando o Claret de Bordeaux conquista os consumidores ingleses. Então, de 1531 até 1551, Jean de Pontac constrói o mais ilustre dos Pessac-Léognan, o Château Haut-Brion, que já reunia todas as características do Château bordalês. A lista termina com os “jovens viticultores dinâmicos e empreendedores”, mas poderia continuar com Montesquieu, o Papa Clément V, um prefeito de Bordeaux (Duffour-Dubergier), a rainha da Suécia e Noruega (Jeanne Clary), etc.,todos proprietários de castelos que estão em produção ainda hoje na região.

Sobre a qualidade e características dos produtores, apenas são citadas as cepas utilizadas para a fabricação dos vinhos tintos e brancos e a utilização de barris de carvalho.

Sobre as interações causais, são descritas as práticas utilizadas para alcançar a maturidade ideal das uvas. Também são descritos os critérios de seleção e exclusão dos solos aptos à produção do vinho característico da DOP. Tal seleção de parcelas são orientadas para que as cepas locais expressem toda sua aptidão à conservação e envelhecimento, ligadas historicamente à necessidade de longos transportes dos produtos, principalmente na comercialização para os ingleses e para as colônias holandesas. O fato de que todos os vinhos classificados como Crus Classés des Graves, de 1959, estejam no território de Pessac-Léognan testemunha a notoriedade histórica dos vinhos produzidos nesta DOP. A proximidade do porto de Bordeaux também contribuiu para o comércio internacional dos produtos locais e sua notoriedade. Muito importante também é particularidade do mercado primário na Place de Bordeaux. Ela se realiza na primavera após a colheita e vinificação entre os proprietários e negociantes por intermédio dos courtiers (uma espécie de corretor de vinhos). Após a transação, o vinho, sob responsabilidade do vendedor, é conservado e condicionado até o engarrafamento. A integração dessas etapas permite que os produtores cuidem da qualidade do produto para preservar sua reputação no mercado.

Características do Mercado

O PRODUTO

A Denominação de Origem Protegida Pessac-Léognan são vinhos finos tranquilos secos brancos e tintos. 

De acordo com Cardebat (2017), os vinhos podem ser caracterizados como:

  • Matéria prima: quando vendidos à granel;
  • Bem de luxo: os grands crus classés;
  • Bem artesanal: os vinhos de pequenas propriedades;
  • Bem cultural: quando respeitam as tradições locais;
  • Bem industrial: os vinhos padronizados;
  • Ativo financeiro alternativo.

Os vinhos da DOP Pessac-Léognan podem ser bem de luxo, ativo financeiro alternativo e bem cultural. Eles são substitutos quase perfeitos entre si. É um mercado em concorrência monopolística. São 72 castelos que produzem em uma mesma área delimitada, com suas características geológicas e territoriais semelhantes, submetidos a uma regulamentação de rotulagem e de produção que garante um nível mínimo de qualidade. Nesse caso, tem-se cepas ( 4 cepas estabelecidas para o vinho branco e 6 para o vinho tinho) semelhantes, mesmo clima, limite de densidade de plantação, de irrigação e outras práticas culturais na plantação, rendimento, colheita, transporte e maturidade da uva, transformação, elaboração, acondicionamento e estocagem etc, determinados no caderno de especificações da denominação.

Mas existem outros fatores, subjetivos ou não, que podem determinar a escolha do consumidor. Esses fatores podem vir em formas de sinais de qualidade na embalagem. Cardebat (2017) indica quais são os sinais permitidos na França:

  • Nome do vinho/ marca: veículo supremo da reputação do vinho, que pode auxiliar no reconhecimento imediato pelo consumidor. Os termos “château“, “domaine“, “clos“, etc, também são símbolos de qualidade e a sua utilização é regulamentada e protegida internacionalmente. 
  • Nome do proprietário: muito importante para os experts, principalmente em regiões como Bourgogne onde o nome do vitivinicultor pode ser a informação mais importante;
  • Menção de origem: Do país à cidade de origem. As DOPs comunais são percebidas na Europa como símbolo de qualidade superior;
  • Lugar de engarrafamento (mise en bouteille): Importante para a luta contra a fraude, não mais exatamente um sinal de qualidade importante;
  • Cepas: Destacada na etiqueta principal ou na contra-etiqueta. São uvas utilizadas na produção do vinho. Nem sempre está presente nos vinhos DOP, este sinal é mais relevante nos vinhos do “Novo Mundo”.
  • Milésimo: É o ano da colheita da uva que permitiu a produção daquele vinho. Sinal importante para os experts porque a qualidade dos milésimos é variável em muitas regiões;
  • Classificações: próprias das DOPs, hierarquizam os vinhos em função da qualidade. Na França, a noção de “cru” domina. Esta palavra é um sinal de qualidade.
  • Recompensas: muitos produtores submetem seus vinhos à concursos na esperança de obter uma recompensa. Frequentemente elas tem forma de medalha (ouro, prata e bronze) e são percebidas como sinal de qualidade pelo consumidor.
  • Informações diversas: acompanhamento, temperatura para servir, território, descrição enológica, velhas vinhas, etc. 
  • Estilo da etiqueta: clivagem entre o clássico (letras góticas, desenho da propriedade, etc) e o moderno (designes diferentes das normas precedentes). O clássico é um sinal de qualidade para os amadores. O moderno envia um sinal de ruptura, de quebra dos códigos e instiga o interesse. 
  • Estilo da garrafa: Clássico ou original, o estilo da garrafa depende frequentemente das DOPs. A bordalesa (estreita e reta) se opõe à borguinhona (menor, mais redonda e larga). Existem numerosos formatos com densidade do vidro diferente, inscrições, etc, enviando sinais de qualidade.  

Quatorze castelos dessa DOP fazem parte da classificação de Crus Classés de Graves, são mais caros que os demais; Frequentemente, alguns castelos da denominação recebem boas notas do enólogo Robert Park, sumidade no assunto, especialmente respeitado nos Estados Unidos e na China; existe produção orgânica dentro da DOP, assim como produção responsável, medalhas de concursos, castelos com enólogos prestigiados, todas essas diferenciações são citadas na embalagem; depois, como fatores subjetivos, além da preferência do consumidor, a história e prestígio do castelo e/ou do proprietário, o fato de ter visitado a região, o castelo ou ter conhecido o proprietário, são fatores que vão determinar a escolha do consumidor, assim como o preço que, entre as 19 marcas de vinhos vendidos no mercado primário da Place de Bordeaux, os preços do milésimo de 2016 variaram de 20 até 586 euros. Eles são concorrentes entre si, porque são semelhantes, e investem em estratégias de diferenciação para atrair os diversos perfis de consumidores de diversas partes do mundo.

OS COMPRADORES E VENDEDORES

Representação esquemática da cadeia do vinho de Pessac-Léognan
Representação esquemática da cadeia do vinho de Pessac-LéognanElaboração própria

Existem diversas formas de comercialização do vinho em Bordeaux. A venda direta sur place acontece no próprio castelo. A maioria dos castelos promove visitas e degustação no local, onde os visitantes consumidores e negociantes podem realizar compras.

Esses negociantes podem ser pequenos distribuidores, que compram e vendem os vinhos engarrafados nos castelos, ou grandes empresas que estocam e até podem se ocupar da finalização do vinho. No primeiro caso, o negociante propõe vinhos de todas as categorias a uma clientela de profissionais revendedores e a particulares. No segundo caso, além da distribuição de vinhos engarrafados nos respectivos castelos, o negociante compra vinhos a granel ( em vrac), que ele termina o processo de élevage (envelhecimento em barril, filtragem, requinte) e de assemblagem, então engarrafa e comercializa sob seus próprios nomes e marcas, mas isso não é possível para os vinhos de Pessac-Léognan.

Uma maneira particular de comercialização dos vinhos bordaleses é a venda em Primeurs, na Place de Bordeaux, onde se encontram os mais cotados castelos, negociantes e courtiers, para degustar, avaliar e determinar os preços dos vinhos que ainda estão em processo de transformação nos barris e só estarão disponíveis para o consumidor final 18 a 24 meses mais tarde. Assim os vinhos são vendidos antes mesmo de serem engarrafados. Este é o mercado primário dos vinhos de Bordeaux. Ele ocorre porque, para os castelos mais renomados, a demanda é maior do que a oferta. Pode-se dizer que no mercado primário o vendedor escolhe a sua clientela. As negociações são feitas uma vez por ano . Neste momento, os preços de todos os vinhos da região daquele milésimo são determinados. Uma média de 30 castelos da DOP Pessac-Léognan realizam suas vendas no mercado primário da Place de Bordeaux

É um investimento da parte dos negociantes, que tem a oportunidade de comprar os vinhos mais prestigiados pelo menor preço e vendê-los mais tarde por todo o mundo, alcançando os maiores lucros – o que gera variações de preços significativas e atrai especuladores. E é um conforto para os castelos que não precisarão se ocupar depois com a comercialização dos seus vinhos.

Sobretudo, os compradores são consumidores finais, pequenos e grandes negociantes, grandes redes de supermercados, bares, restaurantes, hotéis, etc. por todo o mundo. E os vendedores são os próprios castelos ou os negociantes..

poder E NEGOCIAÇÕES

No “Velho Mundo”, vitivinicultores, especialmente em DOP, valorizam as tradições de produção e o terroir. Em outras palavras, a originalidade e autenticidade. O vinho deve ser uma expressão do clima, da biodiversidade, das técnicas utilizadas no campo, na transformação e no envelhecimento e engarrafamento, do ano, das intempéries que sofreu, etc. O vinho é um produto natural, proveniente de uma transformação natural e exprime no seu sabor as condições pelas quais passou em cada processo. Assim, em cada ano, pode ter um sabor e qualidade diferente. Por isso a importância do milésimo, principalmente em regiões de clima instável como Bordeaux, com seu clima oceânico. Não é desejável, neste tipo de produto, uma uniformização ou padronização do sabor.

 Nesse estilo de produção, onde o produto pode ser diferente a cada ano, o valor é variável. Além dos fatores naturais que influenciam qualquer produto agrícola, há outros fatores no mundo do vinho que vão influenciar diretamente e com forte impacto o preço deste produto. Além da hierarquia das DOPs, os vinhos mais caros fazem parte de alguma classificação (como a lendária classificação de 1855 ou os Crus Classés) ou tem altas notas nas avaliações de enólogos prestigiados no mundo todo ( ou nos países maiores consumidores).

 Por ser um produto com baixa perecibilidade após engarrafado, um vinho de um ano de uma boa colheita pode ser envelhecido – o vinho de Bordeaux é particularmente conhecido por esta característica, podendo envelhecer bem de 20 até 50 anos – diminuindo a sua oferta e alcançando maiores preços no futuro. Como confere o Le Monde (2012) Isso torna alguns vinhos um produto financeiro de investimento: em quase cinco anos, e apesar de uma ligeiro recuo em 2012, o índice Liv-ex 100, que lista os maiores vinhos
franceses, essencialmente bordaleses, cresceu 47%. Ao mesmo tempo, o CAC 40, o índice de referência da bolsa de Paris, caiu 35%.

ORGANIZAÇÃO DO MERCADO

Os produtores de Pessac-Léognan estão organizados de diferentes maneiras. Para compreensão da análise, os conceitos de clusters e de clube são importantes. O departamento de Gironde, na França, que corresponde à grande região da DOP Bordeaux é o território que caracteriza um cluster vitivinícola: concentração geográfica de empresas e instituições interconectadas em um campo particular (vitivinicultura). Diversas empresas privadas e públicas estão instaladas nessa região, não apenas os vitivinicultores, mas todo o tipo de produtos e serviços envolvidos na cadeia de produção são ofertados. Uma lista exaustiva sobre todas as etapas e todos os atores envolvidos em cada etapa de produção e comercialização pode ser feita. A primeira etapa, a etapa agrícola, envolve: mão de obra; máquinas e tratores e implementos agrícolas, mudas, estacas e fios de ferro, fitossanitários, combustível para os tratores, empresas de trabalhos agrícolas, prestadores de serviços para podar as vinhas, etc. A segunda etapa, a transformação, envolve: equipamentos em inox (adega e fermentadores), barris, embalagem (impressões de etiquetas e caixas, garrafas, rolhas, serviços de engarrafamento no castelo, etc). A última etapa pode envolver a comercialização (quando esta não é feita através do mercado primário) ou apenas as obrigações contábeis e administrativas: promoção, concursos, salões e exposições, transporte, materiais de informática, expert contábil, banco, etc. 

No cluster, empresas rivais e complementares cooperam a fim de aumentar a competitividade coletiva. Por compartilhar a mesma área geográfica delimitada, as empresas instaladas aproveitam as externalidade positivas geradas pela proximidade, principalmente em termos de inovação e capital social (comercialização, mão de obra, partilha de materiais, divisão do trabalho entre as empresas, etc). Além das externalidades geradas, estratégias coletivas podem ser implementadas. Este tipo de organização tem força e atrai investimentos públicos em infraestruturas. Os atores das relações institucionais mais evidentes são o Sindicato de Pessac-Léognan, Conselho Interprofissional do Vinho de Bordeaux (CIVB), União des Crus Classés des Graves, o INAO e os ofícios de turismo de Bordeaux e das cidades circunvizinhas. 

Em Pessac-Léognan, todos os produtores são independentes e integram ao menos duas etapas da produção: a plantação e a transformação. Alguns serviços são terceirizados dentro das propriedades, como a cultura da vinha e o engarrafamento, mas continuam sob a responsabilidade dos proprietários. Com o aumento do enoturismo e das vendas por internet, muitos passaram a integrar a terceira etapa, a venda. Mas muitos continuam a confiar a comercialização à terceiros (negociantes e courtiers). 

Como dito anteriormente, a cadeia vitivinícola (vinhos, cognac e armagnac) é o segundo setor excedente na balança comercial da França, atrás apenas da aeronáutica e à frente do setor de perfumaria e cosméticos. Alguns produtores dizem que é impossível saber onde vão parar seus vinhos – isso é particularmente verdade para aqueles vendidos na Place de Bordeaux ou através de negociantes. Os maiores consumidores de vinhos franceses são, respectivamente: Estados Unidos (maior país consumidor de vinhos), Reino Unido, Alemanha, China (maior país consumidor de vinho tinto), Bélgica, Japão, Hong-Kong, Canadá, Suíça e Países Baixos. Em outras palavras, União Européia, América do Norte e Ásia. Isso não quer dizer que o vinho francês não é consumido no próprio território. Primeiro país em consumo per capita. Estima-se que, em média, 30% da produção do vinho de Bordeaux fica em Bordeaux.
Na França, 90% do vinho consumido é francês. Em geral o canal de venda mais importante, depois dos grandes distribuidores, são os cafés, hotéis e restaurantes. 

oferta, demanda e movimentos de preços

Como produto agrícola, os fatores climáticos são os mais evidentes na variação do preço do vinho. Quando um ano é ruim e há perdas consideráveis na colheita, o custo de produção (custo marginal e médio) é maior, causando inevitavelmente, aumento do preço final. 

Mas o vinho não é um produto agrícola como os outros.

Existem duas dimensões da oferta de vinho: a quantidade produzida cada ano, mas também a qualidade dessa produção. Ela tem como determinantes da oferta a terra, o clima e o trabalho dos homens aliado às tecnologias utilizadas. Além disso, tem uma relação particular com o tempo. O tempo que passa afeta especialmente a qualidade do vinho e influencia os comportamentos estratégicos de modificação da quantidade ofertada.

A tabela 1 representa a variação de preços dos últimos 10 anos da produção de vinho:

Variação de preços e notas dos milésimos

ANO       NOTA     MÁX        MÍN           MED    VarMax(%)VarMin (%)VarMed(%)
200634381770104-200,09
2007332515596-40-6,6
200832021747,310-44-7,47
2009585019129,24011791,78
2010592517127,723-46,95
2011350016740-63-20
2012333617596-33-9
201313011757,513-20-4,20
201433501861,323-710,11
201545501988,5 106032,6
201658620110,528413,89

Elaboração própria a partir dos dados de Bolomey e Put (2017)

A nota representa a qualidade do milésimo na região de Bordeaux e varia da seguinte maneira:  5= Excepcional; 4= Ótimo; 3= Bom; 2= Razoável; 1= “Pequeno” ano. O valor máximo (MÁX) representa o vinho mais caro, sempre o Château Haut-Brion, único cru classé de 1855 de Pessac-Léognan. O valor mínimo (MÍN) é o menor valor no qual foi vendido uma marca. O valor médio (MÉD) a média de preço daquele ano. Em seguida, a tabela 1 apresenta as variações máximas, mínimas e médias nos preços dos vinhos vendidos no mercado primário.

Excluindo os anos de 2009, 2010 e 2013, a última década teve uma produção de vinho normal e regular, com a maioria de notas 3. Então, a análise é concentrada nesses anos de exceção, para explicar o impacto do clima na oferta (quantidade, qualidade, preço).

Os anos de 2009 e 2010 foram excepcionais na produção de milésimos em Bordeaux da última década. Isto lhe rendeu algumas notas máximas do enólogo Robert Parker para dezenas de castelos. E, consequentemente, os maiores preços – apesar da crise financeira mundial naquele ano. Essa produção nota 5 se deu graças às condições climáticas favoráveis, descritas em qualquer revista de vinho francesa: “Le millésime 2009 : des immenses rouges sensuels” (O milésimo 2009: imensos tintos sensuais), Le Figaro; “Millésime 2009 à Bordeaux : le millésime du siècle!” (Milésimo 2009 em Bordeaux: o milésimo do século!), Vins Fins; “INFORMATIONS & NOTES SUR LES VINS DU MILLÉSIME 2009 BORDEAUX” (Informações e notas sobre os vinhos do milésimo 2009 Bordeaux), IdealWine; “Le millésime 2009 : une année solaire pour les vins” (O milésimo 2009: um ano solar para os vinhos), Le Guide Hachette des Vins, etc. Em todos, uma descrição das quantidades de chuva e sol adequadas e noites frescas que houve naquele ano.

O ano de 2010, menos “harmonioso” que o de 2009, teve boas condições climáticas para o vinho na maior parte do tempo. Mas um frio imprevisto em uma noite de junho, durante a floração, causou maturações diversificadas nas uvas. Assim como o tempo extraordinariamente seco nos meses de julho e agosto que condensou as bagas, resultando em concentrações fenomenais que atraem os provadores, mas que não necessariamente fazem vinhos harmoniosos. O “savoir-faire” dos vitivinicultores faz diferença nesses momentos.

Já o ano de 2013 teve nota 1, o que não havia acontecido desde 1992 e se refletiu no preço: uma variação de -4,2%, mas não tão expressiva quanto às dos anos precedentes de -20% e -9% em 2011 e 2012, respectivamente. Caracterizado por más condições meteorológicas na primavera: chuvas, tempestades e granizo, estima-se uma perda de 26% na produção daquele ano. Para tirar o melhor nessas condições, é preciso bastante técnica e mão de obra – especialmente na seleção e colheita das uvas em melhor estado de maturação. Resultado: menor produção, maior custo e tímida variação do preço.

Produção de vinhos DOP em Gironde e na França

ANO GIRONDE FRANÇA G/F VAR G VAR F
200957731442256827025,58%
201056874322166886426,25%-1,48%-3,99%
201154845682281050224,04%-3,57%5,27%
201252690201975371126,67%-3,93-13,40%
201338544581876419320,54%-26,85%-5,01%
201452946982190243324,17%37,37%16,72%
201553146832130057524,95%0,38%-2,75%
201667689072094895932,31%27,36%-1,65%

Elaboração própria a partir de FranceAgriMer (2017)

A tabela 2 apresenta a produção de vinhos (em hl) DOP em Gironde e na França, a proporção desses vinhos produzidos em Gironde com relação à França (G/F) e a variação anual da produção em Gironde (VAR G) e na França (VAR F). 

A partir desses dados é possível constatar que a DOP Bordeaux (território de Gironde) foi responsável por uma produção média de 25% da produção nacional nos anos de 2009 a 2015, aumentando para 32% em 2016. 

Da mesma maneira, observa-se a queda na produção em 2013, causada pelas más condições climáticas daquele ano, que reduziram à 20% a participação de Bordeaux na produção nacional.

Exportação de vinhos DOP em volume e em valor

ANO BOR (MI hL) DOP  (MI hL) FRA   (MI hL) B/FVar BVar FDOP (Mil EU) FRA (Mil EU) Var DOP Var F
20032024,4
20041781,8-11,98%24945351
2005171757201428912,02%-3,64%2880607315,48%13,49%
20061816,559331540911,79%5,79%3,72%309166107,33%8,84%
20071940,759321432913,54%6,84%-0,02%3503704513,33%6,58%
20081794,749551279614,03%-7,52%-16,47%29165845-16,76%-17,03%
20091547,849931296611,94%-13,76%0,77%28325909-2,88%1,09%
20101773,152691389112,76%14,56%5,53%3407686820,30%16,23%
20112166,456871471814,72%22,18%7,93%4079770319,72%12,16%
20122366,958631498915,79%9,25%3,09%410279050,56%2,62%
20132310,455201450715,93%-2,39%-5,85%37107643-9,56%-3,31%
2014538814303-2,39%383480523,34%5,35%
2015526113945-2,36%37998192-0,91%1,74%

Elaboração própria a partir de FranceAgriMer (2017)

A tabela 3 apresenta os números das exportações de Bordeaux (BORD), do total nacional de vinhos AOP (AOP), total nacional (FRA), a proporção do quantidade exportada de Bordeaux com relação à França (BOR/FR) da variação anual nas quantidades em Bordeaux e nacional, todos expressos em milhares de hectolitros. E apresenta o valor do total de exportações de vinhos AOP, do total nacional (FRA), a variação anual das exportações de vinhos AOP e a variação anual das exportações de vinhos nacionais, expressos em milhões de euros. 

Em Bordeaux, apesar das excelentes avaliações e condições climáticas, o ano de 2009 ou o de 2010, não apresentaram os maiores volumes exportados. Naquele ano, houve uma crise financeira. Foi em 2012 que obteve-se os maiores volumes exportados. 

Outra característica que pode ser observada é a evolução dos valores exportados, com variações positivas em todos os anos, menos em 2008 (ano da crise) e em 2013 (ano de menor colheita em Bordeaux e má qualidade do milésimo). 

Os Instrumentos de Apoio à Comercialização

Evolução dos preços dos Pessac-Léognan de 2006 a 2016
Evolução dos preços dos Pessac-Léognan de 2006 a 2016Elaboração própria a partir dos dados de Bolomey e Put (2017)

Para o Premier Cru Classé e sua segunda marca, a variação do preço desenha uma montanha russa. Ilustrando os vinhos mais caros da DOP, seus preços variaram de 148 a 800 euros para o segundo e de 202 até 925 euros para o primeiro. Os demais ficaram na faixa de 15 euros e 150 euros, a maioria raramente passando muito pouco dos 100 euros. 

É possível observar que o ano de 2013, considerado o pior ano no que se refere à qualidade do vinho, foi o segundo menor preço para os dois mais importantes, depois do ano de 2008, ano da crise. No mercado de vinhos finos de investimento, o preço seguia uma lógica de crescimento até o momento da crise dos subprimes, mas voltou a seguir rapidamente após a crise, até 2011, com a queda bruta da demanda chinesa. É possível observar esse movimento no gráfico acima. A partir de 2014 os preços voltam a subir, mas ainda não é possível confirmar essa tendência para o milésimo de 2017, que promete a menor produção desde 1945, por causa do clima instável deste ano. O percurso dessa curva de preços pode ser comparado à uma bolha especulativa que varia com a demanda. Neste mercado, a demanda chinesa tem um forte impacto.

Evolução dos preços dos Pessac-Léognan excluindo os dois mais caros
Evolução dos preços dos Pessac-Léognan excluindo os dois mais carosElaboração própria a partir dos dados de Bolomey e Put (2017)

Também é possível observar uma instabilidade nos vinhos na faixa de preço entre 30 e 50 euros e entre 50 e 100 euros. Estes últimos também são influenciados pela demanda e desenham curvas parecidas com as dos vinhos de alta gama. Aqueles de menores valores seguem uma lógica estável e regular de crescimento.

Todos esses vinhos são vendidos no mercado primário, que tem conhecido uma inflação desde o ano 2000. Esse mercado virtual existe desde a década de 70, mas explica em parte essa inflação por causa do seu sistema de alocações discorrido no capítulo 2.6 (O mercado primário de vinhos finos).

Esta última década foi marcada por 3 milésimos excepcionais dos vinhos de Bordeaux (2005, 2009 e 2010), que elevaram os preços a valores fora do comum em um curto espaço de tempo.

As avaliações de enólogos prestigiados, principalmente de Robert Parker em Bordeaux, tem um forte impacto na demanda mundial e, consequentemente, no preço.

Por último, um outro ponto forte que marcou as variações de preços dos vinhos de Bordeaux foi a demanda chinesa. Com o crescimento da classe alta da China, os produtos de luxo viram suas demandas crescerem exponencialmente. Por exemplo, em 2006 a exportações de crus franceses se multiplicaram por três para a China. Depois de escândalos de falsificações e muita aquisição de vinhos raríssimos (caríssimos), em 2011 os asiáticos diminuíram drasticamente sua demanda e não aceitaram mais os preços exorbitantes dos Bordeaux. Assim a região viu a queda de preços até 2013.

Esse aumento exagerado de preço rendeu uma má reputação conhecida como Bordeaux Bashing. Consequentemente o mercado tem apresentado altas moderadas, mesmo em 2016, também considerado um excelente milésimo, as altas registradas foram entre 10 e 20%, em uma média de 12% com relação à 2015. O mercado conhece um novo crescimento a partir de 2014. Mas o milésimo 2017 promete uma baixa histórica na produção e, por esta razão, os produtores fizeram estoques do 2016 para recuperar um valor mais alto no futuro e compensar as perdas previstas.

A denominação de origem controlada/protegida é, ao mesmo tempo, um minimizador de oscilação de preços e instrumento de apoio  à comercialização. Ela atua sobre a confiança no mercado, valorizando e estabilizando, na maioria dos casos, os preços dos produtos. Dentre os produtores entrevistados, a maioria afirma que o Ofício de Turismo é uma das principais instâncias públicas que ajudam na comercialização dos seus produtos, de maneira indireta, nas vendas nos castelos após as visitas.

As Estratégias de mercado e dos Canais de Comercialização

A comercialização dos vinhos engarrafados caracteriza a terceira etapa da cadeia vitivinícola. Todos os produtores da DOP Pessac-Léognan devem, como prescrito no caderno de especificações, integrar ao menos as duas primeiras etapas: a produção das uvas e dos vinhos.

As propriedades, utilizando de diversas estratégias, divergem nesta etapa. Elas podem vender diretamente no castelo para turistas, visitantes e negociantes ou em visitas à negociantes ou ainda em diversos salões e feiras no território nacional e internacional. Ou vender no mercado primário na Place de Bordeaux, então os negociantes ficam responsáveis pela comercialização aos canais de distribuição. 

A terceira etapa está dividida em duas: intermediários e vendas.

Em Bordeaux existem três tipos de intermediários:

  • O corretor em vinhos (courtier): profissão regulamentada na França pela lei Nº49-1652 de 1949, o courtier pode estar presente em todas as transações de compra-venda da região de Bordeaux. Ele não compra e vende por conta própria nem é assalariado. Por uma taxa de corretagem fixa, ele reúne vendedores e compradores. Ele deve ser estabelecido na região e conhecer bem o produto, deve ter aptidões à degustação, conhecer os processos de produção e saber avaliar e precificar.
  • O negociante: em diversas regiões, esse ator da cadeia vitivinícola compra vinhos sem marcas e realiza todo o processo de assemblage (filtração, acondicionamento e combinação), engarrafamento e comercialização final. Em Pessac-Léognan o vinho não pode ser vendido antes de ser engarrafado, então os negociantes dos seus produtos tem uma função precisa: comprar para revender. 
  • Grossista-exportador: sua atuação pode ser no território nacional e internacional. No nacional, ele desenvolve o conceito “garrafa sobre a mesa”, distribuindo o vinho em caves, restaurantes, bares e hotéis. E no internacional ele é o exportador, distribui o vinho para importadores, outros compradores e mesmo embaixadas, também com o objetivo de desenvolver o conceito “garrafa sobre a mesa” nas grandes cidades pelo mundo. 

Finalmente os vinhos são vendidos nos canais CHR (cafés, hotéis e restaurantes), em caves e na grande distribuição (supermercados, hipermercados, etc) para os consumidores finais.

O vinho, enquanto produto, pode ser extremamente diversificado, altamente diferenciado, segmentado. Ele pode ser vendido como um bem agrícola comum, quando vendido à granel, até como um bem de luxo, utilizado para caracterizar status social elevado ou para investimento alternativo. 

A segmentação de um mercado consiste em reunir produtos e consumidores em grupos distintos entre si, mas homogêneo no seu interior. Quando bem feita, permite identificar os grupos de vinhos que não serão substitutos entre os grupos, mas substitutos quase perfeitos dentro do seu grupo. Do ponto de vista da oferta, a segmentação do mercado pode acontecer de acordo com as diferentes características do produto, como indica Caderbat (2017):

  • Origem: País, região, DOP, etc;
  • Embalagem: à granel, garrafa de plástico, garrafa de vidro, tipo de garrafa (forma, tamanho, etc);
  • Tipo e cor: tinto, rosé, branco, espumante, seco, suave, etc.;
  • Perfil (para as mesmas cores):  tipo de cepa, tipo de vinificação (barris de madeiras, inox, com ou sem sulfitos, etc);

Do ponto de vista da demanda, os principais critérios de segmentação são:

  • A nacionalidade;
  • Perfil sociodemográfico: idade, renda, profissão, etc.;
  • Preferências;
  • Nível de conhecimento e frequência de compras: debutantes, ocasionais, amadores, experts.

Dado o nível de complexidade na oferta e demanda no mundo, é difícil determinar uma segmentação clara e pertinente do mercado do vinho. Uma segmentação completa é um cruzamento das determinantes de oferta e demanda.

Alguns autores sugerem uma segmentação baseada nos preços. Por sua vez, o preço expressa a sua raridade. Nos dois extremos dessa segmentação estão os vinhos à granel e os vinhos de luxo. Para avaliação da segmentação ou segmentações as quais fazem parte os vinhos de Pessac-Léognan, é pertinente compreender quais são as características essenciais que caracterizam o bem de luxo: prestígio e autenticidade. 

Um vinho prestigioso deve ser conhecido e admirado pela força do seu nome e do seu valor pelo maior número possível de pessoas, amadores e experts. Ele é caro e sua possessão confere prestígio. 

Um vinho autêntico reúne seis características, segundo Beverland (2006): história, qualidade, técnicas de produção, estilo, terroir e práticas comerciais adaptadas. A história se escreve lado a lado com a história do lugar. A qualidade está intimamente ligada aos métodos e técnicas de produção. As propriedades investem em inovações na vinha (por exemplo com utilização de drones para diversas funções e análises) ou na vinícola para melhor seleção das uvas. As práticas comerciais devem estar de acordo com a autenticidade e evitar ser ostentatórias ou agressivas. Ao contrário, para um vinho autêntico é desejável produzir um efeito de clube e de criar a raridade, exatamente como é feito através dos sistema de alocações no mercado primário da Place de Bordeaux

O vinho é um produto que o seu valor é gerado pela qualidade e portanto durante as duas primeiras etapas (vinha e vinho). Essa qualidade deve ser sinalizada aos consumidores através de sua embalagem, especialmente para evitar o problema de seleção adversa causada pelas informações assimétricas. 

Dentre outras, existem duas grandes formas de sinalizar a qualidade do vinho: através da construção de uma marca ou através de uma indicação de origem. 

A escolha da estratégia pode depender do tamanho da empresa, tendo em vista o custo de desenvolver o reconhecimento de uma marca. Ela é um veículo de reconhecimento imediato para o consumidor. Se o objetivo é investir só na marca, certamente procura-se liberdade na tomada de decisões que não há com os cadernos de especificações para as DOC/DOP/IGP. Mas uma marca deve ofertar um produto constante em termo de qualidade e sabor. O volume produzido a cada ano não é a maior imposição, que implica compras eventuais de uvas à novos fornecedores. A qualidade variável em função das condições climáticas exigem investimentos em padronização do produto através do sabor por um processo de vinificação mais refinado. 

A vantagem de sinalizar a qualidade através de uma DOP é o fato de que a reputação já está estabelecida e é coletiva. Portanto, os custos com comunicação podem ser diluídos entre os membros. Para tanto, os produtores estão submissos ao caderno de especificações (rendimentos, tipos de cepa, etc). Contudo, a imagem da empresa está ligada à imagem da DOP. Se a reputação da DOP for ruim, impossível (ou quase) tornar-se uma marca de forte reputação. Mas uma marca muito boa também melhora a imagem da DOP (efeito de cluster) e o contrário é igualmente possível – uma marca ruim pode manchar a imagem da DOP, buscando diminuir custos se aproveitando da reputação coletiva no território. O caderno de especificações visa estabelecer um nível mínimo de qualidade esperado, buscando evitar esse tipo de comportamento. Se, ainda assim, um produtor tiver esse tipo de comportamento e seu vinho não estiver de acordo com a tipicidade e qualidade esperados, após uma série de degustações por enólogos da DOP, ele pode ser impedido de mencionar a DOP na sua etiqueta. 

Em Pessac-Léognan, a DOP tem um papel muito importante na imagem coletiva das empresas. A segmentação baseada nos preços do vinhos no mercado nacional francês, elaborada por Rabobank (2003), agrupa os vinhos em basic (< 3 euros), popular premium (de 3 a 5 euros), premium (de 5 a 7 euros), super premium (de 7 a 14 euros), ultra premium ( de 14 a 150 euros) e ícone ( > 150 euros). 

Preços praticados no mercado primário
Preços praticados no mercado primárioElaboração própria a partir de Bolomey e Put (2017)

No gráfico 3 é evidente a presença de dois segmentos: ultra-premium e ícone. Os dois mais caros são bens de luxo, principalmente o Haut-Brion, que reúne todas as características pertinentes.

Os demais investem em estratégias de diferenciação, todas voltadas para a qualidade e consumidores mais exigentes, com maiores rendas. Por exemplo, o Château Smith Haut Lafitte, que investe na vitivinicultura de bio-precisão. Essa técnica, presente nas duas etapas, tem por objetivo favorecer o equilíbrio do ecossistema da vinha através de fabricação de composto orgânico, aração a cavalo, plantação de capim natural, etc, assim como a manutenção da diversidade genética das vinhas. Aboliram a utilização de produtos químicos, servindo-se de predadores e técnicas naturais  contra os perigos que ameaçam as vinhas. Diversas outras práticas tecnológicas e manuais são utilizadas, como uso de imagem via satélite, triagem manual e mecânica para evitar danificar as uvas, produção das próprias mudas e porta enxertos (normalmente comprados a fornecedores pela maioria das propriedades), análise de solo em cada 50cm da parcela e produção dos próprios barris adaptados para cada tipo de vinho produzido no castelo.Também é possível citar como exemplo de diferenciação dentro da DOP Pessac-Léognan a agricultura orgânica, sistema de gestão ambiental, medalhas de concursos, etc.

Considerações Finais

A Denominação de Origem Protegida Pessac-Léognan é um caso de sucesso do agronegócio vitivinícola francês por razões diversas e descritíveis por inúmeras teorias. A razão deste sucesso está além das condições naturais e históricas favoráveis. O referencial teórico utilizado neste trabalho explica em boa parte.

A boa governança, a organização interprofissional da cadeia vitivinícola da região e a presença de infraestruturas adequadas conferem à DOP excepcionais vantagens na competitividade com o mercado internacional. Em um momento da pesquisa, durante as primeiras entrevistas, os produtores foram questionados quanto ao nível de satisfação com as infraestruturas de transporte, sempre com muita estranheza. Na terceira vez, a entrevistada respondeu que esta pergunta não faz sentido, pois esse não é um fator que preocupa os produtores. As infraestruturas tem qualidade e é constante. Esta realidade é especialmente marcada em Bordeaux, que abriga os dois maiores setores excedentes da balança comercial do país: aeronáutica e vitivinicultura. 

Além da ótima condição das estradas e auto-rotas, na região tem porto, aeroporto, ferrovia e todos os meios de locomoção: fluvial, marítimo, rodoviário, ferroviário e aéreo. Como um produto muito procurado como investimento alternativo, por casas de leilões e colecionadores no mundo todo, a oferta e a variação de preços estão constantemente publicadas em sites, catálogos, bolsa de investimentos, o que permite obter preços maiores e alcançar os mercados, assim como adaptar a produção aos requerimentos qualitativos da demanda. As infraestruturas de serviços de apoio (padronização, certificação de qualidade, etc) também estão presentes. O INAO, os Organismos de Defesa e de Gestão, os sindicatos, uniões, etc, são muitas vezes responsáveis pelas certificações de origem e da qualidade e defesas dos interesses das DOP, apoiados pelas leis e normas vigentes de proteção dos mercados e dos consumidores.

Instituições de pesquisa e de apoio tecnológico estão representadas pelo Institut des Sciences de La Vigne et du Vin (ISVV), pelo Institute National de la Recherche Agronomique (INRA) em Bordeaux. A França é o segundo país mais forte economicamente na Europa, ao lado da Alemanha, e tem uma política econômica estável. Além do mais, os produtores vitivinícolas tem poder de barganha nas negociações com o governo e costumam ter suas reivindicações atendidas, como no caso da criação de uma denominação de “Vin de France“, com menos restrições. 

Outro fator de sucesso da DOP Pessac-Léognan é a organização dos atores da cadeia de produção em cluster. A pesar da integração vertical de pelo menos duas primeiras, das três etapas da cadeia (a saber: vinha, vinho e venda), todos os membros do cluster obtêm ganhos gerados pela proximidade: acumulação de competências, mão de obra especializada, divisão do trabalho entre as empresas, trocas de informações, processos inovadores, etc. 

A criação de uma DOP também responde a uma demanda dos consumidores, cada vez mais exigentes, especialmente em países desenvolvidos e para os produtos com maior qualidade, a questão da informação.

Esses aspectos, além dos fatores de competitividade internos e das condições naturais favoráveis, são decisivos para que a DOP Pessac-Léognan, localizada na maior região de vinhos finos do mundo, tenha vantagens competitivas muito superiores às demais regiões fora do território nacional e mesmo nacional, dado seu acúmulo de experiência e cultura do vinho ao longo dos seus 2 milênios.

Há desvantagens nesse tipo de organização a nível ambiental e de saúde pública. Dentro do território da DOP Pessac-Léognan, verifica-se que a produção agrícola é fortemente marcada pelas vinhas, resultando em uma grande monocultura. Um problema em si. Esse tipo de ocupação do solo justifica, em parte, o uso de produtos fitossanitários, um problema de saúde pública pelo fato do território ser periurbano. A jornalista francesa, Isabelle Saporta, denunciou no seu livro Vino Business (2014), dentre outros problemas, o uso intensivo desses produtos nas vinhas da região de Bordeaux, incluindo os castelos produtores de Grands Crus, utilizando como exemplo a DOC comunal de Saint-Émilion, onde estão os vinhos mais caros da região. No mesmo ano, foi processada por um proprietário nesta DOC comunal, mas dois anos após, em 2016, a escritora foi absolvida.

 Resultado dessa denúncia, transformada em documentário que foi ao ar na TV aberta nacional, ou não, o fato é que, ao menos na DOC Pessac-Léognan, os vitivinicultores tem investido na produção responsável ou mesmo na produção orgânica e na bio-precisão. Eles se organizaram em uma associação de produtores para o Système de Management Environnemental – SME (Sistema de Gestão Ambiental), criado em 2010 por iniciativa do CIVB. Os valores defendidos por essa associação são: preservação dos terrois e da biodiversidade, proteção da saúde dos assalariados, elaboração de de um produto de qualidade para satisfazer o consumidor cada vez mais exigente. Duzentos e dez aderentes representam 17000ha e 30% de vinhos produzidos em Bordeaux. Desde 2011, a integração dessas práticas permitiu aos membros dessa associação de satisfazer às exigências da norma ISO 14001. 

Atualmente, dois grandes problemas para os vinhos DOP da região de Bordeaux precisam ser resolvidos. Como evidenciado na baixa da demanda chinesa pelos vinhos bordaleses após o desenvolvimento da falsificação de vinhos finos e no documentário Sour Grapes (2016) do crime que aconteceu nos Estados Unidos sobre o falsificador Rudy Kurniawan, quando os consumidores percebem que não estão seguros, eles deixam de comprar, porque os vinhos escolhidos para serem falsificados costumam ser os mais caros. 

O outro problema está relacionado com a herança das propriedades. Como a terra, desde a criação da DOP Pessac-Léognan, foi valorizada, os direitos de herança também ficaram mais caros (é preciso pagar na França pelo direito de herança). Então, após a morte de um proprietário, a família pode decidir vender a propriedade. Na região, muitos investimentos são feitos em aquisições de vinhas e castelos, transformando uma atividade cultural, muitas vezes familiar, num verdadeiro negócio.

Referências

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Banco Mundial (BIRD)DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO LOCAL: UM MANUAL PARA A IMPLEMENTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO LOCAL E PLANOS DE AÇÃO. Tradução Gabriele Schöler, Claudia Walther. Washington: Bertelsmann Stifund, 2006. Disponível em: <http://siteresources.worldbank.org/INTLED/552648-1107469268231/20925549/Portuguese_Primer.pdf>. Acesso em: 9 Mar. 2017.

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Bio-précision. Château Smith Haut-Lafitte. Bordeaux, França, 20??. Disponível em: <http://www.smith-haut-lafitte.com/fr/smith-haut-lafitte-bio-precision.html>. Acesso em: 28 Abr. 2017.

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Bolomey David Put Ward van derBordeaux Primeurs 2016: AOC Pessac-Léognan. Bolomey Wijnimport . Amsterdam, 2017. Disponível em: <https://www.bolomey.nl>. Acesso em: 3 Jul. 2017.

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SaportaIsabelleVinoBusiness. Paris: Albin Michel, 2014. 253 p.

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TixierFrédéricLes nouvelles façons d’investir dans le vin. Le Monde.fr. França, 2012. Disponível em: <http://www.lemonde.fr/economie/article/2012/10/22/les-nouvelles-facons-d-investir-dans-le-vin_1776810_3234.html#8wEzIFwb7uD0QJ3T.99>. Acesso em: 13 Ago. 2017.

TorreAndré. Les AOC sont-elles des clubs ? Réflexions sur les conditions de l’action collective localisée, entre coopération et règles. Revue d économie industrielle, v. 3. Janeiro. 2002. 100 p. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/46519122 >. Acesso em: 3 Mai. 2017.

Vin de France (ex-Vin de table) SIG (vins Sans Indication Géographique). Dico du Vin. Disponível em: <http://www.dico-du-vin.com/vin-de-france-ex-vin-de-table-sig-vins-sans-indication-geographique/>. Acesso em: 4 Abr. 2017.

WaquilPaulo DabdabMieleMarceloSchultzGlaucoMercados e Comercialização de Produtos Agrícolas. 1. ed. Porto Alegre: UFRGS Editora, 2010. 71 p. (Educação a Distância) Disponível em: <http://www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad016.pdf>. Acesso em: 1 Mar. 2017.

APÊNDICE A — Questionário online 

Tradução do questionário online elaborado originalmente na plataforma de formulários da Google formulários.

O Sucesso da DOP Pessac-Léognan: Um estudo de caso sobre as Denominações de Origem e o Desenvolvimento Local

QUESTIONÁRIO ONLINE/ PRODUTORES 

Esta é a segunda etapa deste questionário direcionado aos produtores da DOP (onde, da primeira etapa, produtores responderam pessoalmente à questões similares). O objetivo desta ferramenta é obter informações sobre suas experiências e as percepções das condições locais e da DOP e como elas interagem para o sucesso da atividade no local. Colocar em evidência o ambiente e as práticas que estimulam o desenvolvimento do empreendedorismo e os problemas aos quais são confrontados os empreendedores locais. Suas respostas devem traduzir exclusivamente as suas próprias experiências no ambiente dos negócios desta cidade. As informações obtidas serão tratadas confidencialmente e nem o seu nome nem o de sua empresa aparecerão em qualquer parte sem autorização antecipada. Essas informações serão utilizadas para preparar o TCC de Bacharelado em Ciências Econômica na Universidade Federal Rural de Pernambuco, Brasil.

           *Obrigatório

1. Endereço de email *

A EMPRESA

2. Qual o nome da propriedade?*

3. Status jurídico: *

 Marcar apenas uma oval.

          ( ) SCEA (Société civile d’exploitation agricole)

          ( ) GAEC (Groupement agricole d’exploitation en commun)

          ( ) EARL (Exploitation agricole à responsabilité limitée)

          ( ) SEP (Société de fait / Société en participation)

          ( ) Outra: 

4. Há quanto tempo sua empresa está em atividade?

5. Localização *

   Marcar apenas uma oval.

             ( ) Pessac

             ( ) Léognan

             ( ) Cadaujac

             ( ) Canéjan

             ( ) Gradignan

             ( ) Martillac

             ( ) Mérignac

             ( ) Saint­Médard­d’Eyrans

             ( ) Talence

             ( ) Villenave d’Ornon

6. Produção em Ha (tamanho da área de produção)

7. Produção anual em garrafas*

8. Estime a porcentagem de produção de vinhos brancos e de vinhos tintos na sua empresa.

9. Quais são as suas marcas?*

   Se você tiver várias, classifique-as por ordem de importância.

10. Você é um grand cru classé? *

   Marcar apenas uma oval.

             ( ) Sim

             ( ) Não

11. Quais são os preços para os consumidores finais?

12. Quantidade de empregados efetivos*

 13. Quantidade de empregados temporários

PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO

 14. O que você poderia dizer a respeito da sua tecnologia de produção? Que pourriez­vous dire au sujet de votre technologie de production? *

       a) Na vinha; 

 b) Na vinificação; 

 c) No armazenamento.

 15. Qual é a particularidade do seu vinho?*

 16. Quais são as exigências dos seus consumidores? *

 17. Qual meio você utiliza para obeter um “feedback” dos seus consumidores?

      Marcar tudo o que for aplicável.

 ( )  Degustação no local

 ( )  Degustação em eventos (salões, exposições, etc)

 ( )  Os negociantes

 ( )  Redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, Pinterest, Youtube, etc)

 ( )  Sites internet

 ( )  Pesquisa de satisfação

 ( )  Atendimento ao cliente (SAC)

 ( )  Outra: 

18. Em qual outro tipo de estratégia de diferenciação você investiria para aumentar a comercialização?

  Marcar apenas uma oval.

          ( ) Produção orgânica

          ( ) Produção razoável (responsável)

          ( ) Medalhas de concursos

          ( ) Participação regular em eventos locais

          ( ) Patrocínio de atividades

          ( ) Atrair mais turistas

          ( ) Nenhuma

           Outra: 

19. Quais dessas estratégias você já utiliza?

  Marcar tudo o que for aplicável.

 ( ) Produção orgânica

          ( ) Produção razoável (responsável)

          ( ) Medalhas de concursos

          ( ) Participação regular em eventos locais

          ( ) Patrocínio de atividades

          ( ) Atrair mais turistas

          ( ) Nenhuma

           Outra: 

20.Estime a porcentagem de seus produtos que são vendidos: 

 a)Na própria aglomeração; 

 b) No próprio país; 

 c) No estrangeiro

AMBIENTE LOCAL DAS EMPRESAS

21. Na sua opinião, quem são seus principais concorrentes?*

  Classifique-os por ordem de importância (1= o mais importante)

  Marcar apenas uma oval por linha.

Empresas Locais

Empresas Nacionais

Empresas europeias

Empresas do Novo Mundo

22. Sobre o futuro de sua empresa na aglomeração, você é:

  Marcar apenas uma oval.

          ( ) Otimista

          ( ) Pessimista

 23. Você tem intenção de expandir sua empresa?

      Marcar apenas uma oval.

 ( ) Sim

 ( ) Não

 24. Sua empresa tem dificuldade em encontrar pessoal qualificado?*

      Marcar apenas uma oval.

 ( ) Sim

 ( ) Não

 25. Se sim, em qual área de especialização?

 26. Você encontra todos os produtos e serviços que é preciso para o bom funcionamento da sua empresa na aglomeração?*

      Marcar apenas uma oval.

 ( ) Sim

 ( ) Não

 27. Quais são as características mais atrativas para os investidores no ambiente dos negócios na sua aglomeração?

 28. Quais são as piores características da aglomeração para as empresas?

 29. Qual serviço público tem o efeito mais favorável para o desenvolvimento da sua empresa? Por quê?

 30. E o mais desfavorável?

31. Qual é a instância mais ativa para a promoção do desenvolvimento econômico local na sua aglomeração?

32. Quais são os fatores mais importantes que dificultam o desenvolvimento da sua empresa?

33. Quais são os fatores mais importantes para o bom funcionamento da sua empresa?

A DOP

34. Você acredita que os selos de origem foram/são importantes para a sobrevivência das atividades tradicionais/culturais a pesar da globalização?

   Marcar apenas uma oval.

            ( ) Sim

            ( ) Não

            ( ) Talvez

35. Por quê?

   Marcar tudo o que for aplicável.

         ( ) Eles reconhecem a qualidade

         ( ) Eles reconhecem a originalidade

         ( ) Eles protegem um terroir/ savoir-faire

         ( ) Eles valorizam o produto local

         ( ) Eles valorizam o valor da terra

         ( ) Eles aumentam o preço do produto

         ( ) Eles aumentam a autoestima do produtor

         ( ) Eles respondem a uma exigência do mercado consumidor

         ( ) Eles atraem investidores

         ( ) Eles atraem turistas

         ( ) Eles reduzem o êxodo rural

         ( ) Todas as opções

          Outra: 

36. Quais são as vantagens de participar de uma DOP?

37. E as desvantagens/ inconvenientes?

38. Você já participou de concursos de vinho?

   Marcar apenas uma oval.

          ( ) Sim

 ( ) Não

39. Existe algum efeito ou influência nos concursos de ter uma DOP?

   Marcar apenas uma oval.

           ( ) Sim

 ( ) Não

40. Na sua opinião, qual é o mais importante?

   Marcar apenas uma oval.

          ( ) A marca

 ( ) A DOP

41. Você acredita que a criação de uma DOP seja capaz de instigar o desenvolvimento rural local?

   Marcar apenas uma oval.

 ( ) Sim

 ( ) Não

FIM DO QUESTIONÁRIO

42. Você autoriza mencionar o nome da sua empresa no estudo?*

   Marcar apenas uma oval.

 ( ) Sim

 ( ) Não

43. Você gostaria de deixa uma mensagem?

MUITO OBRIGADA!

Agradecemos sua participação

APÊNDICE B — Questionário para entrevista presencial

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

BACHARELADO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS

PROF. DR. ALMIR SILVEIRA MENELAU

ALUNA: DANIELE COSTA DE ANDRADA

 

O SUCESSO DA DOP PESSAC-LÉOGNAN (BORDEAUX-FR)

UM ESTUDO DE CASO SOBRE DENOMINAÇÃO DE ORIGEM

 

QUESTIONÁRIO PARA OS PRODUTORES

(Traduzido)

______________________________________________________________

 

    1. Identificação do produtor e da propriedade

 

Propriedade

 

Nome e Posição:

 

Forma social da propriedade:

 

Localização:

 

Telefone:

 

Correio eletrônico:

 

Área de produção em Ha:

 

Produção anual em garrafas:

 

Quantidade de empregados:

 

 

 

1. Há quanto tempo sua empresa está em atividade?

_________________________________________________________________________________________________________________________________

2. O que você poderia dizer a respeito da sua tecnologia de produção?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

3. Qual é a particularidade do seu vinho?

_________________________________________________________________________________________________________________________________

 

4. Quais são as exigências dos seus consumidores?

_________________________________________________________________________________________________________________________________

 

5. Quais são os preços aos consumidores finais?

____________________________________________________________________________________________________________________

 

6. Estime a porcentagem dos seus produtos que são vendidos:

    1. na sua aglomeração:

    2. no país:

    3. no estrangeiro:

 

 

______________________________________________________________

Você poderia descrever a cadeia de produção do vinho?

 

7. Você é otimista ou pessimista sobre o futuro da sua empresa na região?

otimista (  ) pessimista (  )

8. Você tem intenção de expandir seu negócio?

Sim (  ) Não (  )

9. Quem, na sua opinião, são os seus principais concorrentes? Classifique por ordem de importância (1= mais importante).

    1. Outras empresas locais (  )

    2. Outras empresas nacionais (  )

    3. Empresas estrangeiras (  )

 

10. Sua empresa tem dificuldade em encontrar mão de obra qualificada?

Sim (  ) Não (  )

11. Em qual outro tipo de estratégia de diferenciação você investiria para aumentar a comercialização?

    1. Um outro selo (  )

    2. Participação em concursos (  )

    3. Divulgação da marca (  )

    4. Nada (  )

    5. Outra. Qual? (  ) _____________________________________

 

12. Quais são os fatores mais importantes que dificultam o desenvolvimento de sua empresa?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

13. Qual o serviço público tem o efeito mais favorável para o desenvolvimento de sua empresa? Por quê?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

14. E o mais desfavorável?

_________________________________________________________________________________________________________________________________

15. Qual é a instância mais ativa para o desenvolvimento econômico local na sua aglomeração?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

16. Quais são as características do ambiente das empresas na sua aglomeração mais atrativas para os investidores?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

17. Quais são as características da aglomeração piores para as empresas? (Fraquezas)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

 

______________________________________________________________

18. Quais são as vantagens de fazer parte de uma DOP?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

19. E as desvantagens (inconvenientes)?

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

20. Na sua opinião, qual é o mais importante (para as vendas):

A marca (  ) A DOP (  )

21. Você já participou de concursos de vinhos?

Sim (  ) Não (  )

22. Há algum efeito ou influência por ter uma DOP nos concursos?

_________________________________________________________________________________________________________________________________

 

MUITO OBRIGADA!

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