SKINNER VAI AO CINEMA

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

Turma 1001

Psicologia

SKINNER VAI AO CINEMA

BÁRBARA COELHO G. GONÇALVES - 202002426764

GIOVANNA FERNANDES COUTINHO - 202002584033

RAFAELLA KELLY PAVÃO RAMALHO ARAÚJO - 202003133647

VINÍCIUS DE CASTRO OLIVEIRA - 202002584025

Orientador: Ricardo Dias de Castro

Resumo

Vingança é um estado comportamental apresentado pelo indivíduo que, não se adapta às contingências presentes em sua vida da melhor forma. Tentando então, causar prejuízo contra aquele que seria seu causador, consequentemente, gerando situações de dano a ambos, ou terceiros. O objetivo central desta pesquisa é, analisar o comportamento operante de vingança do personagem Kenai contra o urso no filme “Irmão Urso”, abordando as principais contingências em que ele é exposto durante a história cinematográfica fictícia para que tal tenha chegado ao atual comportamento. O procedimento para conclusão do objetivo foi assistir ao filme frequentemente, refletindo a cada cena e debatendo-as em grupo, tendo a teoria do Behaviorismo Radical como mediadora de análise. Dado as expostas experiências conturbadas, relacionadas ao outro irmão, os ideais criados de Kenai sobre o urso e a morte de Sitka, criaram contingências imprescindíveis para ele querer vingar-se após o trauma. Conclui-se que, o comportamento de vingança do personagem é gerado pela mudança comportamental antes e pós morte de seu irmão ao alterar as contingências de reforçamento em sua vida.

Palavras-chave: vingança; contingência; morte; trauma; Análise do Comportamento.

Introdução

Compreende-se que comportamento vingativo gera inúmeros problemas ao indivíduo perante a sociedade do mesmo inserido, alterando suas relações sociais de maneira negativa. Com isso é importante a compreensão do estímulo gerador desse comportamento no indivíduo e o afeto ao ambiente e as pessoas ao seu redor a partir das consequências de suas ações.

A pesquisa então tem como objetivo compreender as contingências que ocasionam o comportamento vingativo do personagem Kenai na animação  “Irmão Urso”, 2003, devido ao fato do comportamento ser gatilho as problemáticas e acontecimentos principais no enredo.

Na mesma, o personagem apresenta comportamento aversivo a ursos desde o início da história, mas o que reforça o comportamento vingativo do mesmo é sua imediata interpretação da morte de seu irmão mais velho, Sitka.

Contanto compreende-se que o comportamento vingativo se origina como consequência de um acontecimento traumático. E devido a isso, baseamos o desenvolvimento deste projeto nas análises comportamentais dos personagens partindo do pressuposto de conceitos behavioristas.

MÉTODOS

A. SUJEITO

A pesquisa desenvolvida neste projeto parte da análise do comportamento do personagem Kenai e como a análise das teorias behavioristas explicam seu comportamento.

B. AMBIENTE, MATERIAIS E INSTRUMENTOS

Para o desenvolvimento deste projeto foram utilizados como materiais de apoio o Google Acadêmico, as ferramentas Microsoft Teams e Word Mobile oferecidos pela própria Universidade, o filme “Irmão Urso” de 2003 da Walt Disney baixado gratuitamente pela internet, computadores e celulares individuais de cada integrante da pesquisa.

A mesma foi realizada através de videochamadas, com cada integrante em sua respectiva casa, devido ao isolamento regente durante o período de pandemia.

C. PROCEDIMENTO

O procedimento para a realização do projeto foram as análises feitas a partir do ato de assistir a animação repetitivamente e também das análises teóricas e conceitos behavioristas que foram usados de ponte para correlação do comportamento presente na animação e sua interpretação das consequências do mesmo ano em um contexto real.

Resultados e Discussões

A animação “Irmão Urso” foi lançada pela Walt Disney, em 2003, e tem duração de 1h25min. O filme destaca a relação do ser humano com a natureza, relações familiares e tradições indígenas, contando a história de Kenai, irmão mais novo de três irmãos. Nota-se uma aversão do personagem principal à ursos e ao que eles simbolizam para sua tribo, o amor. Sendo esse o comportamento reforçado quando o mesmo acredita que seu irmão foi assassinado por um urso, e quer vingar-se do animal. A vingança do irmão mais novo é o ponto-chave da trama e é o comportamento que estamos focando em analisar.

Podemos compreender a partir da leitura do texto Behaviorismo e Etologia de Walison Douglas que a raiva é uma emoção muito comum enquanto consequência da retirada de um estímulo reforçador ou a apresentação de um estímulo aversivo. Ela é uma emoção natural na contingência acima e sua existência está ligada com o processo de seleção natural.

Ademais, podemos definir o autocontrole como capacidade do sujeito de manipular estímulos que o faça comportar-se conforme as contingências. Então quando falamos de uma pessoa com autocontrole, nos referimos a uma pessoa capaz de comportar-se adaptativamente as contingências e não apresentando comportamentos desadaptativos ( comportamentos "desadaptativos" podem ser considerados dentro da classe “causar malefícios a si/ou a outras pessoas”). Diante disso, fica claro a importância do autocontrole.

Afim de estabelecer quais as contingências despertaram e reforçaram em Kenai o comportamento de vingança para com o urso, deliberamos algumas hipóteses que conduzirão nossa análise e seus resultados.

3.1 QUERER DEFENDER SEU POVO

O núcleo familiar de Kenai apresenta um repertório comportamental de aversão aos ursos, após perder o irmão (S – estímulo discriminativo). Kenai compreende que precisa defender seu povo contra os ursos (S – reforço positivo), e em especial o que aniquilou Sitka, levando o irmão mais novo a devolver o ato ao urso (resposta do organismo).

3.2 ACHAR QUE A SIMBOLOGIA DO URSO NÃO TEM VALORES SIGNIFICATIVOS

Kenai considera que se tornar um homem significa receber deveres de luta e forma e não de amor, logo, considera o totem insignificante. Isso reforçou positivamente o comportamento vingativo do personagem principal, considerando as crenças de Kenai com o urso, um acréscimo de estímulo na contingência de vingar-se do animal.

Para ilustrar seguimos o esquema: S (estímulo discriminativo) a morte de Sitka → R (resposta do organismo) o comportamento vingativo de Kenai → S (estímulo reforçador) a insignificância atribuída ao urso.

3.3 ATRIBUIÇÃO DA CULPA AO URSO POR OUVIR INSULTOS DO IRMÃO

Após a morte do irmão mais velho (S- estímulo discriminativo), Kenai apresenta um comportamento vingativo (R- Resposta do organismo). Denahi logo provoca seu irmão mais novo, Kenai, dizendo a ele que a culpa não foi do urso (S- reforço positivo), isso o reforçou o comportamento de vingança.

3.4. MOSTRAR QUE É CAPAZ DE RESOLVER O PROBLEMA SOZINHO

O personagem principal no início da animação mostrou-se uma pessoa imatura, após seu irmão falecer (S). O mesmo quis vingar-se (R) para mostrar o quanto era capaz, corajoso, e independente. Fazendo esse estímulo inserido reforço do comportamento vingativo ao mesmo.

3.5 SE SENTIR CULPADO POR TER OCASIONADO A MORTE DO IRMÃO

O fato de Kenai ter atraído o urso para perto de si e de seus irmãos, levou o próprio a acreditar que isso causou a morte de seu irmão. Após isso, o mesmo decide vingar-se do urso, como observamos no esquema a seguir.

Tabela 1 — Esquema
Reforço PositivoEstímulo DiscriminativoResposta do Organismo
Morte do irmãoVingançaCrer que a morte de seu irmão foi sua culpa
Grupo de Pesquisa Skinner vai ao Cinema

Referências

DouglasWallson; RochaThiago Rodrigues . Raiva Desadaptativa. Behaviorismo & Etologia. Montes Claros, 2012. 2 p. Disponível em: https://behaviorismoetologia.blogspot.com/2012/01/raiva-desadaptativa.html?m=1. Acesso em: 28 mai. 2021.

Honório PortoTatiany et al. Luto: uma perspectiva da terapia analítico comportamental. Psicologia Argumento, Paraná, n. 33, p. 83, 21 12 2015.

Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, Brasil, 06 12 2018. Disponível em: http://docplayer.com.br/207080876-Tracos-de-personalidade-e-comportamentos-agressivos-o-papel-mediador-da-vinganca.html. Acesso em: 18 mai. 2021.

Nascimento da CruzRobson . U An introduction to the self-control concept proposed by the behavior analysis ma introdução ao conceito de autocontrole proposto pela análise do comportamento. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, PUC Minas, v. 8, n. 1, p. 10, 20 05 2006.

Pinto GuimarãesRodrigo. Deixando o Preconceito de Lado e Entendendo o Behaviorismo Radical. Scielo. Salvador, 2003. 7 p. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/pcp/v23n3/v23n3a09.pdf. Acesso em: 18 abr. 2021.

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