SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (AIDS)

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SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA (AIDS)

GABRIEL LOPES ISSAUniversidade Veiga de Almeida - UVA

20201102194

Resumo

A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) foi descoberta em meados de 1977 e 1978 e registrados os primeiros casos no EUA, Haiti e África Central; Em 1980 registra-se o primeiro caso no Brasil, em São Paulo.

Palavras-chave: Trabalho acadêmico. AIDS. Síndrome da imunodeficiência adquirida

Agente Etiológico



Em 1983, o HIV-1 foi isolado de pacientes com AIDS pelos pesquisadores Luc Montaigner, na França e Robert Gallo, nos Estados Unidos recebendo os nomes de LAV (Lymphadenopathy Associated Virus ou Virus Associado à Linfadenopatia) e HTLV-III (Human T-Lymphotrophic Virus ou Vírus T-Linfotrópico Humano tipo lll) respectivamente nos dois países. Em 1986, foi identificado um segundo agente etiológico, também retrovírus, com características semelhantes ao HIV-1, denominado HIV-2. Nesse mesmo ano, um comitê internacional recomendou o termo HIV (Human Immunodeficiency Virus ou Vírus da Imunodeficiência Humana) para denominá-lo, reconhecendo-o como capaz de infectar seres humanos.


A Aids é membro de um grupo de síndromes clínicas causadas por um retrovírus, o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), este por sua vez possui genoma RNA, da família Retroviridae (retrovírus) e subfamília Lentivirinae [lentivírus - incluem os vírus: visna de carneiro, imunodeficiência bovina, felina e símia (chimpanzés africanos). 

Pertencente ao grupo dos retrovírus citopáticos e não-oncogênicos que para multiplicar-se necessitam de uma enzima denominada transcriptase reversa, responsável pela transcrição do RNA viral para uma cópia DNA, que pode, então integra-se ao genoma do hospedeiro, provocando infecção latente a longo e curto prazo, ocasionando de forma progressiva e fatal síndromes debilitantes acompanhadas de degeneração do Sistema Nervoso Central (SNC).

Embora não se saiba ao certo qual a origem do HIV-1 e 2 , sabe-se que uma grande família de retrovírus relacionados a eles está presente em primatas não-humanos, na África sub-Sahariana.
Todos os membros desta família de retrovírus possuem estrutura genômica semelhante, apresentando homologia em torno de 50%.
Além disso, todos têm a capacidade de infectar linfócitos através do receptor CD4.
Aparentemente, o HIV-1 e o HIV-2 passaram a infectar o homem há poucas décadas; alguns trabalhos científicos recentes sugerem que isso tenha ocorrido entre os anos 40 e 50.
Numerosos retrovírus de primatas não-humanos encontrados na África têm apresentado grande similaridade com o HIV-1 e com o HIV-2.
O vírus da imunodeficiência símia (SIV), que infecta uma subespécie de chimpanzés africanos, é 98% similar ao HIV-1, sugerindo que ambos evoluíram de uma origem comum.
Por esses fatos, supõe-se que o HIV tenha origem africana. Ademais, diversos estudos sorológicos realizados na África, utilizando amostras de soro armazenadas desde as décadas de 50 e 60, reforçam essa hipótese.

Formas de transmissão

A Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) é causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). 

Ele é comumente transmitido durante relação sexual sem uso de preservativo, troca de fluidos corporais, uso de seringas ou agulhas por mais de uma pessoa, transfusão de órgãos e sangue contaminados, instrumentos que cortam e furam não esterilizados e da mãe para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação.  

Condutas de prevenção

É importante quebras mitos e tabus, sobre a forma de transmissão por pessoas que tenham HIV ou que já tenham manifestado a AIDS não transmitem a doença das seguintes formas:
                                               *Sexo seguro(camisinha)
                                               *Masturbação a dois
                                               *Beijo no rosto ou na boca
                                               *Suor e lágrima
                                               *Assento de ônibus
                                               *Aperto de mãos 

                                    *Sabonetes/toalhas/lençóis
                                               *Piscina
                                               *Banheiro
                                               *Talheres
                                               *Pelo ar  
                                               *Picada de inseto.


 sinais e Sintomas

Quando ocorre a infecção pelo vírus causador da AIDS, o sistema imunológico começa a ser atacado. 

Nas primeiras duas a seis semanas depois de serem infectadas pelo vírus HIV, algumas pessoas podem apresentar sintomas similares aos de uma gripe, como febre, mal-estar prolongado, gânglios inchados pelo corpo, manchas vermelhas na pele, dor de garganta e dores nas articulações. Algumas pessoas não apresentam nenhum sintoma por muitos anos enquanto o vírus, vagarosamente, se multiplicam.

Uma vez que os sintomas desaparecem, a pessoa que vive com o HIV pode não sentir mais nada por muito tempo. O período, conhecido como janela, varia de 2 a 15 anos.

A pessoa que vive com o vírus HIV é diagnosticada com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) quando seu sistema imunológico está fraco a ponto de não poder mais combater infecções oportunistas e doenças como a pneumonia, a meningite e alguns tipos de câncer. Uma das infecções mais comuns entre pessoas vivendo com o HIV é a tuberculose (TB) que, a cada ano, é a causa de um terço das mortes nessa população.

Desenvolvimento da doença

O HIV acopla-se e penetra nas células T do hospedeiro, a seguir libera RNA do HIV e enzimas para o interior da célula do hospedeiro. A transcriptase reversa do HIV transcreve o RNA viral em DNA proviral. O DNA proviral penetra no núcleo da célula do hospedeiro e a integrase do HIV facilita sua integração do DNA proviral para o interior do DNA do hospedeiro. Em seguida, a célula do hospedeiro produz RNA e proteínas de HIV. As proteínas do HIV são agregadas aos vírions e enviadas para a superfície da célula. A protease do HIV cliva as proteínas virais, convertendo o vírion imaturo em maduro, o vírion infeccioso.

Complicações

O paciente soro positivo deve ficar muito atento à sua saúde, para não deixar os efeitos colaterais de seus medicamentos e sua deficiência imunológica abram portas para outras doenças, como pneumonia, câncer, tuberculose, meningite, doenças cardíacas, doenças hepáticas, doenças renais, danos nos nervos e doenças oculares.


      - Doenças oculares: Pela baixa imunidade da AIDS, diversas complicações de saúde ficam mais fáceis de acontecer, como a Retinite, inflamação da retina.

      - Doenças renais: Pessoas com Aids estão mais suscetíveis a doenças renais devido aos processos inflamatórios ocasionados pelo próprio vírus HIV, como cálculos renais.

     - Doenças cardíacas: Alguns antirretrovirais levam ao aumento da produção de lipídios pelo organismo, o que favorece o desenvolvimento de doenças cardíacas como o infarto. Além disso, como o vírus HIV destrói as células de defesa do corpo, acaba afetando todos os sistemas, criando um estado inflamatório crônico que leva à deposição de gordura nos vasos, podendo causar um AVC.

    - Doenças hepáticas: Todo medicamento tem efeitos colaterais e alguns antirretrovirais são metabolizados pelo fígado, que pode ficar sobrecarregado e consequentemente, perder parte de suas funções. 


Tratamento

Os primeiros medicamentos antirretrovirais (ARV) surgiram na década de 1980. Eles agem inibindo a multiplicação do HIV no organismo e, consequentemente, evitam o enfraquecimento do sistema imunológico. O desenvolvimento e a evolução dos antirretrovirais para tratar o HIV transformaram o que antes era uma infecção quase sempre fatal em uma condição crônica controlável, apesar de ainda não haver cura

Por isso, o uso regular dos ARV é fundamental para garantir o controle da doença e prevenir a evolução para a aids. Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) todos os medicamentos antirretrovirais e, desde 2013, o SUS garante tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV (PVHIV), independentemente da carga viral.

Existem, até o momento, duas classes de drogas liberadas para o tratamento anti-HIV: Inibidores da transcriptase reversa 

São drogas que inibem a replicação do HIV bloqueando a ação da enzima transcriptase reversa que age convertendo o RNA viral em DNA: 

Nucleosídeos:

● Zidovudina (AZT) cápsula 100 mg, dose:100mg 5x/dia ou 200mg 3x/dia ou

300mg 2x/dia;

● Zidovudina (AZT) injetável, frasco-ampola de 200 mg;

● Zidovudina (AZT) solução oral, frasco de 2.000 mg/200 ml;

● Didanosina (ddI) comprimido 25 e 100mg, dose: 125 a 200mg 2x/dia;

● Zalcitabina (ddC) comprimido 0,75mg, dose: 0,75mg 3x/dia;

● Lamivudina (3TC) comprimido 150mg, dose: 150mg 2x/dia;

● Estavudina (d4T) cápsula 30 e 40mg, dose: 30 ou 40mg 2x/dia; e

● Abacavir comprimidos 300 mg, dose: 300 mg 2x/dia.

Não-nucleosídeos

● Nevirapina comprimido 200 mg, dose: 200 mg 2x/dia;

● Delavirdina comprimido 100 mg, dose: 400 mg 3x/dia; e

● Efavirenz comprimido 200 mg, dose: 600 mg 1x/dia.

Nucleotídeo:

● Adefovir dipivoxil: comprimido, 60 e 120 mg, dose: 60 ou 120 mg 1x/dia.

Inibidores da protease

Estas drogas agem no último estágio da formação do HIV, impedindo a ação da enzima protease que é fundamental para a clivagem das cadeias protéicas produzidas pela célula infectada em proteínas virais estruturais e enzimas que formarão cada partícula 

do HIV:

● Indinavir cápsula 400 mg, dose: 800 mg 3x/dia;

● Ritonavir cápsula 100mg, dose: 600mg 2x/dia;

● Saquinavir cápsula 200mg, dose: 600mg 3x/dia;

● Nelfinavir cápsula de 250 mg, dose 750 mg 3x/dia; e

● Amprenavir cápsula de 150 mg, dose 1.200 mg 2x/dia


Dados estatísticos 

No Brasil: Estima-se que 866 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil. De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids divulgado no final do ano passado, a epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção de casos de aids em torno de 18,3 casos a cada 100 mil habitantes, em 2017. Isso representa 40,9 mil casos novos, em média, nos últimos cinco anos.

Nos últimos quatro anos, a taxa de mortalidade pela doença passou de 5,7 óbitos/100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos/100 mil habitantes em 2017. A redução é resultado da garantia do tratamento para todos - lançada em 2013 -, aliada à melhoria do diagnóstico, além da ampliação do acesso à testagem e redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento.

          Na África: Na África Oriental e Meridional, 76% das pessoas vivendo com HIV estão diagnosticadas, 79% delas têm acesso à terapia antirretroviral e 83% destas estão com carga viral indetectável—isto significa que 50% de todas as pessoas que vivem com HIV na África Oriental e Meridional estão com supressão viral.

          Na Europa: A Europa Oriental e a Ásia Central é a única região do mundo onde as novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à AIDS estão aumentando. As novas infecções por HIV aumentaram de 120.000 [100.000-130.000] em 2010 para 190.000 [160.000-220.000] em 2016. As pessoas que usam drogas injetáveis representaram 42% das novas infecções por HIV na região. Na Federação Russa, os casos recém-relatados de HIV aumentaram 75% entre 2010 e 2016. Vários outros países da região—incluindo Albânia, Armênia e Cazaquistão—também têm epidemias em rápido crescimento.

Conclusão

Hoje, quase 50 anos depois do aparecimento da AIDS, o mundo ainda vive uma epidemia da doença, principalmente no continente africano onde os números continuam subindo vertiginosamente ao longo das décadas. 

No restante do planeta, embora haja políticas para contenção dos números de casos da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), a propagação ainda não pôde ser totalmente controlada.

Em termos de Brasil, grande parte das infecções por AIDS estão nas camadas mais jovens da sociedade. 

Os antirretrovirais trazem uma ideia de longevidade, e, devido a esses jovens não terem tido contato com o boom da doença nos anos 80 e 90, não terem visto artistas perderem a vida, não possuem vaga ideia do quão perigoso é contrair o vírus HIV. O coquetel antirretroviral, embora seja um enorme avanço da ciência no tratamento, é responsável por diversos efeitos colaterais no organismo do paciente ao longo dos anos. Pode efetivamente ser uma vida longa e de carga viral indetectável em pouco tempo, mas é uma vida que tem suas restrições devido a esses efeitos.

Somente políticas públicas ao longo de todos os períodos do ano (e não restritas à época de carnaval), estratégias comunitárias e educação sexual são capazes de controlar essa epidemia, tendo em vista que, ainda com todos os estudos e avanços científicos ao longo dessas quase 5 décadas, ainda não foi possível encontrar uma vacina contra o vírus do HIV.

Referências

Acabando com a AIDS. 19,5 mi estão em tratamento para HIV no mundo e mortes relacionadas à AIDS caem pela metade desde 2005, diz UNAIDS. Disponível em: https://unaids.org.br/2017/07/19-mi-em-tratamento-hiv-mortes-relacionadas-aids-caem-no-mundo/#:~:text=Na%20%C3%81frica%20Oriental%20e%20Meridional,Meridional%20est%C3%A3o%20com%20supress%C3%A3o%20viral.. Acesso em: 23 mar. 2021.

Manual MSD. Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/v%C3%ADrus-da-imunodefici%C3%AAncia-humana-hiv/infec%C3%A7%C3%A3o-pelo-v%C3%ADrus-da-imunodefici%C3%AAncia-humana-hiv. Acesso em: 23 mar. 2021.

Ministério da Saúde. "Aids: etiologia, clínica, diagnóstico e tratamento" Unidade de Assistência. 17 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/Aids_etiologia_clinica_diagnostico_tratamento.pdf. Acesso em: 18 ago. 2020.

Ministério da Saúde. História da AIDS. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/centrais-de-conteudos/historia-aids-linha-do-tempo. Acesso em: 18 ago. 2020.

Médicos sem fronteiras . HIV/AIDS. Disponível em: https://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/hivaids?utm_source=adwords_msf&utm_medium=&utm_campaign=aids_comunicacao&utm_content=_exclusao-saude_brasil_39923&gclid=Cj0KCQjw-O35BRDVARIsAJU5mQVJ4-FXRfQ2r1zbdmud7ZGVhdmkanqOO2vqoiwHjCyV64z0kp5hy0UaAgDxEALw_wcB. Acesso em: 23 mar. 2021.

Portal e educação. HIV e Aids: Etiologia. Disponível em: https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/pedagogia/hiv-e-aids-etiologia/28684. Acesso em: 23 mar. 2021.

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