SEU PROJETO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL

SEU PROJETO

MARIA lUIZA DE castro barbosa

Introdução

Todos os dias no Brasil, mulheres são assassinadas por parceiros, familiares, ex ou desconhecidos. Elas são violentadas, estupradas e espancadas. Em parte dos casos, o feminicídio é resultado de todo um histórico de violência, isto significa que poderia ter sido evitado, caso não houvesse grande impunidade em vista dos poderes públicos. Sendo assim, pode-se considerar que o governo, em partes, acaba por consentir com a perpetuação destas mortes. Se faz de extrema necessidade chamar a atenção para esse cenário, a fim de mostrar sua dimensão e desnaturalizar as práticas enraizadas nas relações e instituições que contribuem para a violência continuar sendo fatal para as mulheres (PRADO; SANEMATSU, 2017, p. 12).

A pesquisa da Associação Brasileira de Podcasters (ABPod, 2019) afirma que o podcast possui, no Brasil, 34,6% milhões de ouvintes. Essa mídia pode criar uma “conexão” entre seu conteúdo e o ouvinte. O que, consequentemente, facilita maior entendimento do assunto tratado.

Assim como Kischinhevsky (2018), a pesquisadora australiana Mia Lindgren (2020) também acredita no caráter pessoal que os podcasts expressam em sua própria produção e até mesmo na forma de recepção por quem ouve. Os pesquisadores acreditam na capacidade de conexão entre o conteúdo sonoro (podcasts) e aqueles que vão escutar. Além disso, também veem como potencial discursivo a facilidade de contar histórias por meio dos podcasts e a facilidade como esses produtos penetram em sua audiência. A autora vê neste campo uma chance para desenvolver as produções jornalísticas, além de destacar a forma imersiva que a escuta de podcasts proporciona. (CÂMARA, 2020, p.67)


Pensando nisso, o produto em que tema será tratado é um podcast de dois episódios, cada um com 20/30 minutos de duração. No primeiro falaremos a respeito da lei do feminicídio e dados destas mortes que acontecem em Mato Grosso do Sul. Após isso, entrevistaremos, por meio de um debate, pessoas que conheciam e eram próximas de vítimas de feminicídio do Mato Grosso do sul, a fim de entender melhor como era sua vida antes do crime e como tudo aconteceu.

No segundo episódio, o assunto será tratado com um “olhar” profissional, onde entrevistaremos uma delegada, a fim de entender melhor o contexto em que acontecem os casos de feminicídios no estado. Também falaremos com uma psicóloga, com o intuito de compreender o porquê muitas vítimas são dependentes de seus agressores e não denunciam qualquer tipo de violência. Faremos um roteiro prévio onde as entrevistas serão por meio de conversação. O que criará uma aproximação e maior entendimento do ouvinte com o tema tratado.

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

  • Produzir podcast a fim de conhecer e entender quem são as vítimas de feminicídio em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

OBJETIVO ESPECÍFICO

  •  Explicar o que é feminicídio e quando a lei foi criada para contextualizar;
  •  Expor dados a respeito de feminicídio no Mato Grosso do Sul e na capital para entender e relacionar os índices de violência;
  •  Contar a história de algumas vítimas de feminicídio a partir da visão de pessoas que eram próximas a elas;
  •  Construir uma narrativa, por meio de entrevistas, com o intuito de entender a história dessas mulheres, saber mais sobre elas e pelo que passaram.

JUSTIFICATIVA

O produto escolhido para desenvolver esse trabalho foi podcast, com o tema central: vítimas de feminicídio de Mato Grosso do Sul. A ideia de fazer um podcast veio pelo fato de que é uma mídia em ascensão, que possui variedade de temas, modelos e de fácil acesso. De acordo com os autores KISCHINHEVSKY (2018) e LINDGREN (2020), citados por CÂMARA (2020, p.67), o podcast é visto com potencial discursivo por ter facilidade em contar histórias e pela capacidade de ter seus conteúdos serem penetrados na audiência. Ou seja, possui grande potencial de escuta e compressão de quem ouve.

A pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Podcasters (ABPod), feita em 2019 aponta que o podcast possui 34,6% milhões de ouvintes no Brasil. Levando em consideração que isso é 8% da população do país. De acordo com os dados da ABPodc, esta mídia está no mercado desde 2004, mas a expansão das produções foi no ano de 2018. Levando esses dados em consideração, a intenção é tornar esse trabalho algo que possa chegar a várias pessoas e conscientizá-las a respeito da realidade de uma sociedade machista e ainda violenta para a mulher.

O Brasil é considerado o quinto país do mundo com maior número de feminicídios. De acordo com o anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em outubro de 2020, os casos desse crime aumentaram 1,9% no primeiro semestre do ano comparado a 2019. No total, foram 648 mulheres assassinadas por conta de gênero. Desse número, 66,6% eram negras, 56,2% tinham entre 20 e 39 anos e 89,9% foram mortas pelo companheiro ou ex-companheiro. 2019 registrou 266.310 casos de lesão corporal dolosa, comparado ao ano anterior, houve um crescimento de 5,2%.

Segundo o mapa do feminicídio feito em junho de 2020 pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, no ano de 2019, 30 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado, sendo 5 da capital. Outras 98 sofreram tentativa do crime. A pesquisa aponta também que 77% das mortes violentas ocorreram em suas próprias casas, sendo 56,66% causadas por homens com os quais conviviam. Entre os motivos mais alegados pelos autores, estão: inconformismo com a separação, sentimento de posse, o ciúme e o menosprezo à condição de mulher.

Segundo as Diretrizes nacionais de feminicídio (ONU, 2016, p.18) a falha mais comum encontrada nas matérias jornalísticas que abordam crimes de discriminação contra o sexo feminino, é romantizar os agressores e o contexto em que tudo ocorre. Os autores desses crimes têm seu passado examinado à procura de bons antecedentes, que provem o episódio como “único”, considerado um traço de loucura de um homem “correto”. É preciso ter cuidado para não diminuir a gravidade dos atos, pois sua notoriedade vem do ato que cometeu. Diante de todo esse cenário, a escolha temática se deu ao fato de se tratar de um assunto extremamente importante e necessário, que ainda precisa ganhar visibilidade diante da sociedade, da mídia e do poder público.

Outro critério usado para definir o tema deve-se também a outros trabalhos que fiz durante o curso de jornalismo, que giravam em torno do feminismo. Sempre gostei de defender nossos direitos e acredito que quanto mais falarmos de assuntos, como feminicídio, menos casos serão invisibilizados. O podcast buscará conhecer, entender e compartilhar a história de vítimas de feminicídio, por meio de entrevistas com pessoas que eram próximas a essas mulheres. O intuito é descobrir quem eram elas, o que faziam, em qual camada social estavam, como se comportavam, com quem se relacionavam, etc. Ademais, é essencial, também, entender qual era a relação da vítima com o autor do crime e como esse episódio aconteceu. Entrevistaremos também, duas mulheres que já tenham sofrido agressões, físicas e mentais.

Na maioria dos casos, as vítimas são assassinadas em suas próprias casas e por homens com os quais conviviam. Por isso, se faz necessário, também, haver entrevista com psicóloga a fim de compreender o que leva essas mulheres, muitas vezes, a não denunciar qualquer tipo de violência sofrida e a serem dependentes de alguém que viola seus direitos. Já que, pode ser difícil para elas se verem como vítimas de alguém com quem mantém laços de afeto e afinidade. Faremos outra entrevista com uma delegada, tendo como intuito entender melhor os dados e os casos de violências que ocorrem, em específico, no Mato Grosso do Sul. Deve ser permitido um debate estrutural, para que se torne possível apontar e discorrer os diferentes tipos de opressão sofrido por mulheres. Pensando nisso, vamos entender o contexto em que ocorrem os feminicídios no estado.

Revisão Teórica

PODCAST

Os serviços de compartilhamento de arquivos digitais estão cada vez mais presentes na sociedade atual, entre eles está o podcast. ANTOUN e PECINI (2007, apud HERSCHMANN E KISCHINHEVSKY, 2009, p. 103), explicam que essa mídia é uma modalidade da radiodifusão e sua criação está ligada ao conceito que abrange o desenvolvimento das relações entre os mais diversos atores sociais, vinculados à rede mundial de computadores. Para os autores, um dos fatores responsáveis pela "sedução" da mídia podcasting, é a ausência de regras rígidas. Não existem padrões ou restrições nos formatos, temas e nem mesmo na linguagem usada.

O podcasting é descarregado no computador e, depois disso, pode ser ouvido instantaneamente ou copiado para um tocador multimídia, como um celular, por exemplo. É possível ouvi-lo uma única vez ou fragmentado. Diferente da rádio, ele tem recepção assíncrona, em que indivíduo é quem decide quando e onde vai ouvir o conteúdo. De acordo com Herschmann e Kischinhevsky (2009, p. 103), inicialmente, o podcast era, na maioria dos casos, sequências de músicas da escolha de quem ouvia. Mas, com o tempo, os episódios se sofisticaram, combinando locução, efeitos e trilhas sonoras. Em parte deles, os conteúdos ainda estão presos a estrutura dos programas radiofônicos. Porém, outras formas de expressões como debates e veiculação de análises vêm ganhando força nesse meio.

O podcasting apresenta múltiplos usos e não pode ser relacionado exclusivamente à explosão nas vendas de tocadores multimídia, embora tenha participação relevante na expansão da oferta de aparatos por táteis. A nova modalidade de rádio sob demanda parece distante da lógica do broadcasting do rádio analógico, mas pode guardar parentesco tanto com as micromídias quanto com as mídias de nicho (PRIMO, op. cit.). Ou mesmo constituir uma espécie de “mídia negocial”, ao ensinar “o usuário a consumir conteúdo distribuído de forma legalmente sancionada pela indústria cultural” – como no caso da loja virtual da Apple, a iTunes Music Store (CASTRO, op. cit.). (HERSCHMANN; KISCHINHEVSKY, 2009, p. 103)


É necessário entender que os ouvintes online podem procurar uma disponibilidade temporária flexível e que esteja alinhada a seus próprios interesses. Desta forma, acontece a realocação dos programas de rádio e capacitamos com os serviços de streaming musical, que possuem características que determinam seu sucesso: a disponibilidade, poder de escolha e personalização, mesmo que controlada. De acordo com BERRY e MCHUGH (2016, APUD FERRAZ E GAMBARO, 2020, p. 163) estamos no momento que autores chamam de "segunda onda" do podcast. Isso acontece devido ao crescimento da oferta do consumo desse formato de mídia sonora em mercados estadunidenses e europeus, por exemplo.

 Pode-se apontar um crescimento de tempo dedicado pelas pessoas a ouvirem programas em aúdios, devida a mobilidade dos smartphones. Assim sendo, se somaram a esses conjuntos de mídias, novos agentes econômicos, entre eles estão as empresas de plataformas streamings, postais de conteúdos multimídia e os ship from store (SFS), que são processos de atendimento utilizados por canais virtuais. A expressão "podcast jornalístico" se insere às formas dos conteúdos jornalísticos que possuem origens radiofônicas. Entre esses modelos estão: o de conversa entre dois apresentadores que entrevistam e promovem debates; a narração monologada sobre o assunto; podcasts de reportagens documentais de cunho jornalístico que possuem sonorizações sofisticadas; entre muitos outros formatos. (FERRAZ; GAMBARO, 2020, p. 162-166).

FEMINICÍDIO  

O conceito “feminicídio” surgiu nos anos 70 com o intuito de dar visibilidade as mortes violentas que aconteciam por conta de discriminação de gênero, violência, desigualdade e opressão. Após as quatro décadas que se passaram, a tipificação foi ganhando forças entre as ativistas e os organismos internacionais.

A primeira medida específica de combate à violência contra a mulher no Brasil foi a criação da Lei no 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como Lei Maria da Penha, com foco em aumentar o rigor das punições sobre crimes domésticos. Apesar de representar um avanço sem precedentes nas políticas públicas, a lei não impediu que a violência continuasse ultrapassando o ambiente doméstico, ou mesmo que chegasse a sua expressão extrema, o assassinato. Por isso, quase dez anos depois, foi promulgada a Lei no 13.104, de 9 de março de 2015, conhecida como Lei do Feminicídio. (JARA, 2019, p.12)


A lei foi criada a partir da recomendação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investigou a violência contra as mulheres nos estados brasileiros entre março de 2012 e julho de 2013. No início, foi definida como a violência de gênero que resulta na morte da mulher. Onde foi determinada, como uma das circunstâncias, a existência do vínculo de afeto ou parentesco com a vítima e o autor do crime. Foi considerada também violência sexual, mutilação e desfiguração da mulher, antes ou após a morte. Contudo, o texto sofreu alterações, a palavra “gênero” foi retirada da lei, devido pressão de parlamentares da bancada religiosa. Agora o feminicídio, de acordo com o Código Penal, é o ‘assassinato de uma mulher cometido por razões da condição do sexo feminino’. Ela é considerada quando há assassinato que envolve menosprezo ou discriminação contra a condição da mulher, violência doméstica e familiar. (PRADO; SANEMATSU, 2017, p. 11-12)

A lei foi estabelecida como circunstância qualificadora de homicídio. Além disso, foi incluída na Lei de Crimes Hediondos, como o estupro, o genocídio, o latrocínio, entre outros. Prado e Sanematsu (2017, p. 12- 13) explicam que enquanto o homicídio prevê pena de seis a 20 anos de prisão, o feminicídio varia de 12 a 30 anos. Caso o crime seja cometido contra menor de 14 ou maior de 60 anos, com mulher que possui deficiência, durante a gestação, nos três meses posteriores ao parto, na presença de descendente ou de ascendente da vítima, a pena aumenta ⅓ (Lei nº 13.104/2015).

Nas Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres (ONU MULHERES, 2016, p. 22- 23), são apresentadas classificações usadas para diferenciar as modalidades de feminicídios mais presentes na América Latina. Introduzidas à realidade social, elas auxiliam na compreensão da diversidade dos enquadramentos em que essas mortes ocorrem e na relação com a violação dos direitos humanos, com o quais acabam por contribuir na potencialização das condições de risco e vulnerabilidade em que as mulheres ainda se encontram. As classificações são: feminicídio ‘íntimo, não íntimo, infantil, familiar, por conexão, por mutilação genital feminina, sexual sistêmico, por prostituição ou ocupações estigmatizadas, por tráfico de pessoas, por contrabando de pessoas, transfóbico, lesbofóbico e o racista.

Ainda são recorrentes no país, assassinatos por parceiro ou ex, que são apontados como casos isolados. Término de relacionamento, ciúmes e traição são alguns dos motivos que acabam se tornando justificativas razoáveis para muitos desses crimes. Os autores usam o argumento de que estavam descontrolados devido algum comportamento da vítima. Levando isso em consideração, o papel da criação da lei do feminicídio é de extrema importância para denunciar a violência que muitas mulheres sofrem nas relações conjugais, que por vezes são vistos como crimes passionais pela sociedade no geral. De acordo com o Minimanual de Jornalismo Humanizado: Violência Contra a Mulher (ONG THINK OLGA, 2016, p.19-21), todo crime que envolve esse tipo de violência, incluindo feminicídio, são crimes de gênero e, por isso, devem ser tratados desta forma nas abordagens jornalísticas, sem qualquer tipo de romantização.

O Minimanual (ONG THINK OLGA, 2016, p.19) explica que uma manchete escrita “Amor que mata”, como foi o caso do site dm.com.br, não é correta, pois corrobora a mensagem de que a violência é o desfecho esperado para esse sentimento. Na matéria publicada pelo site Notícias R7, a manchete “Por ciúmes, homem mata mulher e filho a facadas” é um erro também, uma vez que na verdade, a situação se trata de um enredo machista, onde o homem vê a mulher como sua propriedade. Ainda podemos ver exemplos nos quais as vítimas são julgadas pelo que fizeram antes ou depois do crime, com o intuito de culpabilizá-las e diminuir o peso do crime. A manchete do jornal O Globo, “Ela voltou à comunidade. Ainda ficou de safadeza”, diz suspeito de estupro coletivo” e do site de notícias online E online “Amber Heard aparece sorridente ao lado de amiga após reunião com advogados” são exemplos de que a culpabilidade da vítima ainda acontece.

Essas e outros conteúdos jornalísticos discriminatórios, fazem com que a mídia influencie na invisibilidade desses crimes contra a mulher, e, consequentemente, faça deles menos importantes diante do poder público. Sendo assim, a lei do feminicídio é de extrema importância para mostrar que os assassinatos de mulheres são crimes de gênero que devem ser tratados com urgência e graveza. Segundo o Minimanual, não se deve ter medo de dizer as palavras “estupros”, “violência sexual”, “ato forçado”, “feminicídio”, “mata”, entre outras. Trocar essas palavras por outras que minimizem o real significado, faz com que o crime ocorrido seja menosprezado diante das políticas públicas, o que invisibiliza a discriminação da mulher e naturaliza esses ocorridos. É importante também que nessas matérias a respeito de violência contra a mulher, tenham informações de apoio a vítimas, como por exemplo, o Disque 180 da Lei Maria da Penha. A fim de ajudar na divulgação de informação de como e onde buscar ajuda caso alguém se encontre em condição parecida (ONG THINK OLGA, 2016, p. 22- 25). Em grande parte dos casos de feminicídios íntimos, a violência é contínua e cotidiana, a morte é ‘apenas’ o fim.

 É comum que alguns mecanismos que atuam para a perpetuação da violência até o desfecho fatal se repitam, configurando assim o status de mortes ‘anunciadas’: a tolerância social às diversas formas de violência contra as mulheres, a insuficiência dos serviços públicos de atendimento, segurança e justiça, a negligência de profissionais que atuam nesses serviços, a impunidade e até proteção de autores de violências por meio da culpabilização da mulher pela violência sofrida. (...) A partir da compreensão de que os feminicídios são, em boa parte, ‘mortes anunciadas’, o Estado pode ser responsabilizado. Fatores como a não efetivação dos direitos previstos nos marcos legais, não implementação de serviços especializados de atendimento, a aceitação e naturalização de hierarquias de gênero e raça e a banalização de uma série de violências anteriores pelas próprias instituições do Estado contribuem para a continuidade das violações que estão nas raízes do feminicídio. (PRADO; SANEMATSU, 2017, p. 92-93)


De acordo com as Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres (ONU MULHERES, 2016), a palavra ‘gênero’ refere-se às construções sociais que se moldam a partir das diferenças biológicas entre as mulheres e os homens, que atribuem características que se opõem. Entender a questão de gênero é fundamental para o contexto em que os feminicídios acontecem.

Esses papéis de gênero são definidos como comportamentos de uma sociedade, comunidade ou grupo social, onde seus membros acabam sendo condicionados a conceituar certas atividades, tarefas e responsabilidades, como sendo femininas ou masculinas. Piscitelli, (2009, apud PRADO; SANEMATSU, 2017, p. 15) afirma que a vinculação das qualidades da mulher com o fato de ela poder conceber filhos, favorece para que muitos ainda pensem a maternidade e o espaço doméstico, como principais funções dela. Essas e outras questões são influenciadas pela classe social, idade, raça, religião, cultura, entre outros valores atribuídos a cada pessoa. (PRADO; SANEMATSU, 2017, p. 14)

Metodologia

Primeiramente, a estrutura do projeto será baseada em pesquisas bibliográficas a respeito do formato podcast. Para o estudo voltado radiojornalismo e podcast no jornalismo, serão usados os artigos: “A ‘geração podcasting’ e os novos usos do rádio na sociedade do espetáculo e do entretenimento” (MICAEL; KISCHINHEVSKY,2008), “Podcast e radiojornalismo: uma aproximação entre a mídia formal e as novas experiências de produção e escuta” (FERRAZ, 2020) e Podpesquisa 2019 - 2020 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PODCASTERS, 2019).

Para o tema, como referência serão usados livros, artigos, diretriz e podcasts sobre o tema feminicídio, como “Feminicídio #invisibilidade mata” (INSTITUTO PATRÍCIA GALVÃO, 2017) “#NenhumaAMenos: redes sociais e feminismos nos fluxos informativos do caso de feminicídio de Mayara Amaral” (JARA, 2019), "Diretrizes nacionais de feminicídio- investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres” (ONU, 2016), Minimanual de Jornalismo Humanizado: violência contra a mulher (THINK OLGA, 2016), Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2020), Mapa do feminicídio ( Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, 2020), “Podcast “torna-se” - diálogos sobre as várias formas de ser” (MARTINI, 2020) e o Podcast “Praia dos Ossos” (RÁDIO NOVELO, 2020).

Após a fase teórica, buscaremos, como fontes, pessoas dispostas a falarem a respeito de experiências vividas por mulheres próximas a elas, vítimas de feminicídio. Será realizada também a procura por uma delegada e uma psicóloga, que trabalham na casa da mulher de Mato Grosso do Sul, a fim de realizar outras entrevistas, com olhares profissionais a respeito do assunto.

No total serão 3 episódios de aproximadamente 20/30 minutos cada. O primeiro terá uma introdução, onde explicaremos sobre a lei do feminicídio, violência contra o sexo feminino e expor os dados a respeito de casos no estado. Após, teremos a participação de pessoas que eram próximas a vítimas de feminicídios, ocorridos no Mato Grosso do Sul. No segundo episódio, o assunto será tratado com um “olhar” profissional, onde uma delegada e uma psicóloga falarão sobre as situações de violência contra o gênero feminino. Faremos um roteiro prévio onde as entrevistas serão por meio de conversação. Isso criará uma aproximação e maior entendimento do ouvinte com o tema.

O projeto passará por edição, no programa Audacity, onde, caso precise, serão feitas pequenas alterações de falas das entrevistas, qualidade de áudio aumentada e a inserção de uma trilha sonora. Também criaremos uma identidade visual, no Photoshop, para cada episódio, com o intuito de serem capas. Após esses processos, o podcast será inserido em plataformas de streaming de áudio, como o Spotify.

Referências

Associação Brasileira de Podcasters (ABPod) . Pod pesquisa: 2019-2020. 2019. 27 p. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/14fyrRYmz1QSOCI5DeEhssLQL376EbEUu/view. Acesso em: 8 mai. 2021.

Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres – ONU Mulheres. Diretrizes nacionais de feminicídio: Investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres. Brasília-DF, v. 1, 2016. 130 p. Disponível em: https://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2016/04/diretrizes_feminicidio_FINAL.pdf. Acesso em: 31 mar. 2021.

FerrazNivaldo; GambaroDaniel . Podcast e radiojornalismo: uma aproximação entre a mídia formal e as novas experiências de produção e escuta. São Paulo, 2020. 18 p. Tese (Jornalismo) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020.

Governo Federal de Mato Grosso do Sul. Mapa do feminicídio: Mato Grosso do Sul. 2020. Disponível em: https://www.naosecale.ms.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/MAPA-DO-FEMINICIDIO-MS-2019.pdf. Acesso em: 23 mar. 2021.

HerschmannMicael ; KischinhevskyMarcelo . A "geração podcasting" e os novos usos do rádio na sociedade do espetáculo e do entretenimento. Revista Famecos. Rio de Janeiro, 2009. 6 p. Disponível em: . Acesso em: 28 abr. 2021.

JARATAINÁ . #NenhumaAMenos: REDES SOCIAIS E FEMINISMOS NOS FLUXOS INFORMATIVOS DO CASO DE FEMINICÍDIO DE MAYARA AMARAL. Campo Grande/MS, 2019. Tese (Comunicação) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande/MS, 2019.

Prado Débora ; SanematsuMarisa . Feminicídio #invisibilidade mata. 1. ed. 2017. 183 p. Disponível em: https://assets-institucional-ipg.sfo2.cdn.digitaloceanspaces.com/2017/03/LivroFeminicidio_InvisibilidadeMata.pdf. Acesso em: 14 abr. 2021.

PRAIA DOS OSSOS. [Locução de]: Branca Vianna. [S.l.]: Rádio Novelo, 6 abr. 2021 Podcast. Disponível em: https://www.radionovelo.com.br/praiadosossos/. Acesso em: 1 abr. 2021.

Retrato dos feminicídios no Brasil em 2019: análise dos registros policiais. In: Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Anuário Brasileiro de Segurança Pública: 2020. 2020, p. 115-138. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2020/10/anuario-14-2020-v1-interativo.pdf. Acesso em: 24 mar. 2021.

Think Olga. Minimanual de Jornalismo Humanizado: Violência Contra a Mulher , v. 1. 26 p. (Violência Contra a Mulher ). Disponível em: https://issuu.com/thinkolga/docs/minimanual_1_efe8621a394e2c. Acesso em: 30 abr. 2021.

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