SEGURANÇA E RISCOS NA COMPOSTAGEM

Centro de Profissionalização e Educação Técnica

SEGURANÇA E RISCOS NA COMPOSTAGEM

marcos do espirito santo

Orientador: MARCIA

Coorientador: MARCIA

Resumo

O trabalho aqui apresentado versa sobre a segurança diante dos riscos na atividade de processamento da compostagem natural segura de fertilizante ou húmus decomposto bio naturalmente de lixo vegetal resultando em adubo orgânico Justifica pela necessidade de novos insumos livres de compostos químicos e dentro de uma nova filosofia mais próxima do natural e artesanal podendo ser realizada domesticamente pelo descarte já rotineiro e comum de compostos vegetais não aptos ao consumo humano e portanto adequado a praticas domiciliares e de pequena e media monta. O objetivo e o alcance da independência de produção segunda a necessidade de bio decomposição de material inerte e descartável em substrato hábil e eficaz para produção caseira ou de pequena e media monta que leve a economia familiar e independência no quesito financeiro quanto a aquisição de insumos de fertilizantes químicos. Considera se para efeito econômico a tendência dos mercados pela procura de produtos que se identificam sobre bandeira verde ou seja isentos de agrotóxicos e com praticas e técnicas que preservam a substancia mais próxima do natural das plantas produtos e subprodutos que são obtidos através do uso consciente e eficaz de cultura e técnicas que preservem a essência e que afastem a macula de manipulações de natureza transgênica ou quimicamente com defensivos ou venenos.

Palavras-chave: compostagem - risco - segurança - produçao -artesanal - fertilizantes

Abstract

The work presented here deals with safety in view of the risks involved in the processing of safe natural composting compost or naturally decomposed humus from vegetable waste, resulting in organic fertilizer. close to natural and artisanal and can be carried out domestically by the already routine and common disposal of vegetable compounds not suitable for human consumption and therefore suitable for home and small and medium-sized practices. The objective and scope of production independence according to the need for bio-decomposition of inert and disposable material into a skillful and effective substrate for home or small and medium production that leads to family savings and independence in the financial aspect regarding the acquisition of inputs. chemical fertilizers. For economic purposes, the tendency of the markets for the search for products that identify themselves under the green flag, that is to say free of pesticides and with practices and techniques that preserve the substance closest to the natural plant products and by-products that are obtained through conscious and sustainable use, is considered. effective culture and techniques that preserve the essence and keep the macula away from manipulations of a transgenic nature or chemically with pesticides or poisons.

Keywords: composting - risk - safety - production -artesanal - fertilizers

Introdução

Compostagem é o processo biológico de valorização da matéria orgânica, seja ela de origem urbana, doméstica, industrial, agrícola ou florestal, e pode ser considerada como um tipo de reciclagem do lixo orgânico. Trata-se de um processo natural em que os micro-organismos, como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação de matéria orgânica, transformando-a em húmus, um material muito rico em nutrientes e fértil.

Húmus é a matéria orgânica estável presente em vários tipos de solos, essencial para a vida na Terra

Húmus, humo, ou erroneamente escrito, "humus", é um termo que remonta ao tempo dos antigos romanos, quando era usado para designar o solo como um todo. Hoje, o termo "húmus" designa toda a matéria orgânica estabilizada (que não sofre mudanças químicas ou físicas significativas) presente nos mais diversos tipos de solos (argilosos, arenosos, entre outros). Ollech, cientista estudioso do tema, definiu o húmus, em 1890, como "todas as substâncias que são formadas na decomposição e fermentação da matéria orgânica de origem vegetal e animal, ou por meio da ação de certos agentes químicos sobre essa matéria orgânica, na forma de compostos orgânicos amorfos [que não tem forma determinada], não voláteis, não gordurosos, mais ou menos escuros".

Apesar do húmus ser estável, ele não é estático, e sim dinâmico, uma vez que é formado constantemente a partir de resíduos vegetais e animais que são continuamente decompostos por micro-organismos.

Importância do húmus

A importância do húmus para a o solo é múltipla. Ele fornece nutrientes para as plantas, regula as populações de micro-organismos e torna os solos férteis. O húmus também é fonte de carbono, nitrogênio, fósforo, cálcio, ferro, manganês, entre outras substâncias essenciais para o crescimento saudável dos vegetais.

Ele é capaz de impedir a penetração de substâncias tóxicas do solo nas plantas; retém umidade e mantém a temperatura do solo equilibrada. A função do húmus para a vida aquática vegetal e animal ainda é pouco estudada, entretanto, sua importância é amplamente reconhecida.

O húmus define a cor, textura, estrutura, retenção de umidade e a aeração do solo. Quimicamente, ele influencia a solubilidade de minerais do solo, formando compostos com certos elementos como o ferro, o que os torna mais facilmente disponíveis para o crescimento das plantas e aumenta as propriedades tampão do solo. Biologicamente, o húmus serve como fonte de energia para o desenvolvimento de micro-organismos e melhora o ambiente para ao crescimento de plantas superiores. Entretanto, as funções do húmus para as plantas ainda não foram completamente estudadas pela ciência e, apesar de haver a possibilidade de alguns efeitos prejudiciais do húmus para as plantas, o consenso científico é de que os benefícios superam os malefícios.

Cascas, talos e partes ruins dos alimentos não precisam ser descartadas após o preparo das suas refeições. É possível usar esses restos de alimentos para fazer adubo orgânico, seja pela compostagem ou através de uma versão mais simples da composteira. Se você tem um quintal com um pouco de terra sobrando, também pode enterrar os restos de vegetais e esperar que se decomponham, antes de misturar o material com o restante do jardim.

Em espaços mais urbanos, a compostagem surge como uma opção mais viável, já que não exige a presença de terra. Existem vários tamanhos de composteira, de acordo com a necessidade de cada família. Aderir à compostagem é uma forma de reduzir sua pegada ambiental, já que o processo biológico valoriza a matéria orgânica, transformando os restos de alimentos em adubo, o húmus. Trata-se de um processo natural em que micro-organismos, como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação de matéria orgânica.

Depois de adotados todos os cuidados possíveis para reduzir o desperdício de alimentos em casa, ainda é possível aproveitar os nutrientes presentes em partes dos alimentos que já não servem para ingestão. Usar a composteira é uma forma de fazer adubo orgânico com resto de alimentos.

  Pode parecer de fato é um processo incrível ver seu lixo orgânico transformado em húmus, um rico adubo para plantas sem cheiro e com textura parecida com a da terra. Você pode colocar na composteira os restos de frutas, verduras, legumes, sementes, borra de café, sobras de alimentos cozidos ou estragados (sem exageros), cascas de ovo, saquinhos de chá, gravetos e até guardanapos usados. O processo é simples e higiênico.

Além da composteira, outra forma de fazer adubo orgânico com resto de alimentos é usar uma espécie de minicomposteira - uma versão menor e mais caseira, para quem não tem tanto espaço ou disposição. Com dois potes de sorvete você consegue simular uma caixa coletora de compostagem e produzir um pouco de adubo orgânico para seus vasos de plantas.

Micro-organismos

Sem os micro-organismos não haveria húmus, e sem húmus a vida no planeta Terra como a conhecemos seria impossível.

São os micro-organismos os principais responsáveis pela formação do húmus a partir de resíduos vegetais e animais. Eles produzem húmus continuamente por meio da decomposição e mineralização (transformação da matéria orgânica em minerais). O papel dos micro-organismos no ciclo da matéria orgânica no solo, bem como na natureza, em geral, é indispensável. Sem a transformação dos restos animais e vegetais em húmus, todos os elementos essenciais ficariam armazenados nesses organismos mortos e não poderiam ser reutilizados.

Tipos de húmus

As formas mais conhecidas de húmus são aquelas encontradas em jardins. Entretanto, existem diferentes tipos de húmus, até mesmo variedades que não são utilizadas para plantio, mas para fins industriais.

O húmus presente no carvão e na turfa é usado como fonte de combustível e tem sido um dos principais agentes no desenvolvimento da civilização industrial moderna. O húmus presente no petróleo, por exemplo, tem uma importante função econômica. Mas, de maneira geral, o húmus é separado em quatro categorias:

Húmus marrom:

Encontrado na vegetação viva, na matéria orgânica recentemente caída (serrapilheira), na turfa, em ervas marinhas em decomposição nas margens dos corpos d'água e onde crescem os fungos.

Húmus preto:

Geralmente encontrado em um estado ativo de decomposição nas camadas mais profundas do solo, na decomposição de folhas e madeiras de florestas, em estrumes de animais, em turfa de pântanos e em lamas.

Húmus de transferência:

É o encontrado nas água dos rios, lagos, nascentes e água da chuva.

Húmus fóssil:

É o húmus encontrado sob a forma de lignite, carvão marrom e outros depósitos de carbono, bem como em muitos minerais, como minérios hidratados de ferro e manganês.

Minhocário: para que serve e como funciona

Húmus de minhoca

"Húmus de minhoca" é a expressão utilizada para designar o húmus resultante da matéria orgânica decomposta por meio do processo digestório das minhocas, formando uma compostagem natural. As minhocas facilitam o trabalho dos micro-organismos fragmentando a matéria orgânica em pedaços menores; e por isso elas têm sido utilizadas como uma forma de potencialização da formação do húmus, prática conhecida como vermicompostagem. Saiba mais sobre esse tema nas matérias: "Vermicompostagem: o que é e como funciona", "Minhoca: importância ambiental na natureza e em casa" e "Como criar minhocas californianas de composteira".

Húmus caseiro, a reciclagem do lixo

Por meio da compostagem, é possível transformar todos os resíduos orgânicos produzidos em casa em um húmus muito rico. A vantagem dessa pratica é que, além de adquirir adubo para as plantas, você reduz a quantidade de lixo que seria destinado para aterros e lixões e ainda evita a emissão de gases do efeito estufa para atmosfera. Saiba como fazer seu próprio húmus na matéria: "O que é compostagem e como fazer".

 Húmus, o descontaminador do solo

A contaminação dos solos por metais pesados, como cromo, chumbo e cobre, entre outros, é motivo de grande preocupação para a saúde humana e do meio ambiente. Muitas alternativas já foram testadas para evitar os danos destes metais ao solo e aos lençóis freáticos, mas o húmus revelou-se uma das mais eficientes, já que pode ser feito em casa, com materiais orgânicos e, com a ajuda das minhocas, se tornar um fertilizante para o solo.

De acordo com a dissertação de mestrado do químico Leandro Antunes Mendes, a vermicompostagem, que é o processo de produção do húmus de minhoca, é muito eficaz na descontaminação de solos.

Em pesquisa realizada no Laboratório de Química Ambiental do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, com o título de Utilização de vermicomposto com vistas à remediação de solos contaminados com cromo, cobre e chumbo, os testes mostraram que a compostagem pode substituir solventes (poluentes usados na descontaminação de solos que contêm metais pesados). Isso porque o húmus gerado no processo faz com que não ocorra a lixiviação (carregamento das substâncias para o lençol freático), além de fazer com que os metais não fiquem disponíveis no meio ambiente, segundo o pesquisador.

Desenvolvimento

História da compostagem

A compostagem orgânica não é uma prática nova, mas está ganhando popularidade ao passo que há uma tendência maior de preocupação com a sustentabilidade. Há muito tempo agricultores já utilizavam o método de reciclagem do lixo doméstico para obtenção de adubo orgânico.

No oriente médio, principalmente na China, a compostagem vem sendo aplicada há séculos. Já no ocidente, ficou conhecida em 1920, a partir dos primeiros experimentos de Sir Albert Howard. O Inglês Howard era considerado um dos propulsores da compostagem doméstica na província Indiana de Indore, onde tentou efetuar a compostagem com resíduos de uma só natureza e concluiu que era necessário misturar diversos tipos.

Também na Europa, a técnica era usada durante os séculos XVIII e XIX pelos agricultores que transportavam os seus produtos para as cidades em crescimento e, em troca, regressavam às suas terras com os resíduos sólidos urbanos das cidades para utilizá-los como corretivos orgânicos do solo. Assim, os resíduos eram quase completamente reciclados por meio da compostagem e da agricultura.

Compostagem do lixo nas grandes cidades: lidando com o resíduo orgânico de maneira sustentável. Com a expansão das áreas urbanas, o aumento populacional e do consumo, houve mudanças na qualidade dos resíduos sólidos, que acabaram tornando-se cada vez mais inadequados para o processo de compostagem de lixo. Logo, a técnica perdeu popularidade. Entretanto, nos dias de hoje, com a pressão para a utilização de métodos direcionados para a preservação do meio ambiente, há um novo interesse em compostagem de restos de comida em casa como uma solução para a redução do volume de lixo que é encaminhado para aterros e lixões todos os dias.

Esse hábito ainda pode fornecer uma opção saudável de adubo orgânico para plantas e hortas. Com isso, cada vez mais pessoas querem colocar a mão na massa e fazer a sua própria compostagem, mas muitas não sabem por onde começar.A compostagem ajuda na redução das sobras de alimentos, tornando-se uma solução fácil para reciclar os resíduos gerados em nossa residência. Segundo dados do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o material orgânico corresponde a cerca de 52% do volume total de resíduos produzidos no Brasil e tudo isso vai parar em aterros sanitários, onde são depositados com os demais e não recebem nenhum tipo de tratamento específico. 

Ai entra e observa se os benefícios da pratica de compostar domiciliarmente. Uma massa orgânica com uma dose apropriada de nitrogênio e carbono ajuda no crescimento e a atividade das colônias de micro-organismos envolvidos no processo de decomposição, possibilitando a produção do composto em menos tempo. Sabendo que os micro-organismos absorvem o carbono e o nitrogênio numa proporção de 30 partes de carbono para uma parte de nitrogênio, ou seja, uma razão de 30/1, essa é a proporção ideal para o material orgânico depositado na composteira, mas também são recomendados valores entre 26/1 e 35/1, como sendo as relações C/N mais propícias para uma rápida e eficiente compostagem.

Fases da compostagem

1ª) Fase mesofílica:

Nessa fase da compostagem, os fungos e as bactérias mesófilas (ativas a temperaturas próximas da temperatura ambiente), começam a se proliferar na matéria orgânica aglomerada na composteira, fazendo a decomposição do lixo orgânico. Primeiro são metabolizadas as moléculas mais simples. Nessa fase, as temperaturas são moderadas (cerca de 40°C) e dura em torno de 15 dias.

2ª) Fase termofílica:

É a fase mais longa da compostagem, podendo se estender por até dois meses, dependendo das características do material que está sendo compostado. Nessa fase, entram em cena os fungos e bactérias denominados de termófilos, que são capazes de sobreviver a temperaturas entre 65°C e 70°C, à influência da maior disponibilidade de oxigênio - promovida pelo revolvimento da pilha inicial. A degradação das moléculas mais complexas e a alta temperatura ajudam na eliminação de agentes patógenos.

3ª) Fase da maturação:

É a última fase do processo de compostagem, podendo durar até dois meses. Nessa fase da compostagem, há a diminuição da atividade microbiana, da temperatura (até se aproximar da temperatura ambiente) e da acidez. É um período de estabilização que produz um composto maturado. A maturidade do composto ocorre quando a decomposição microbiológica se completa e a matéria orgânica é transformada em húmus, livre de toxicidade, metais pesados e patógenos.

São muitos os fatores que podem influenciar na quantidade e qualidade dos compostos gerados durante a compostagem, os principais são os seguintes:

Organismos:

A transformação da matéria orgânica bruta para húmus é um processo, basicamente, microbiológico, operado principalmente por fungos e bactérias, que, durante as fases da compostagem, alternam espécies de micro-organismos envolvidos. Também há a colaboração da macro e mesofauna, como minhocas, formigas, besouros e ácaros, durante o processo de decomposição;

Temperatura:

Um dos fatores de grande importância no processo de compostagem. Esse processo de decomposição da matéria orgânica por micro-organismos se relaciona diretamente à temperatura, por meio de micro-organismos que produzem o calor, pela metabolização da matéria orgânica, estando a temperatura relacionada a vários fatores, como materiais ricos em proteínas, baixa relação carbono/nitrogênio, umidade e outros.

Materiais moídos e peneirados, com granulometria mais fina e maior homogeneidade, originam uma melhor distribuição de temperatura e menor perda de calor. Veja mais detalhes na matéria "Condições básicas para manutenção da composteira: temperatura e umidade".

Umidade:

A presença de água é fundamental para o bom desenvolvimento do processo, pois a umidade garante a atividade microbiológica, isso se deve porque, entre outros fatores, a estrutura dos micro-organismos consiste de aproximadamente 90% de água e, na produção de novas células, a água precisa ser obtida do meio, ou seja, neste caso, da massa de compostagem.

Porém, a escassez ou o excesso do líquido pode desacelerar a compostagem se houver excesso, é necessário acrescentar matéria seca, como serragem, ou folhas secas. O húmus é um material estável, rico em nutrientes e minerais, que pode ser utilizado em hortas, jardins e para fins agrícolas, como adubo orgânico, devolvendo à terra os nutrientes de que necessita, e evitando o uso de fertilizantes sintéticos. Resíduos com relação C/N baixa (C/N<26/1) são pobres em carbono e perdem nitrogênio na forma amoniacal durante o processo de compostagem. Nesse caso, recomenda-se juntar restos vegetais celulósicos, como serragem de madeira, sabugo e palha de milho e talos e cachos de banana, ricos em carbono, para elevar a relação a um valor próximo do ideal. No caso contrário, ou seja, quando a matéria-prima possui relação C/N alta (C/N>35/1), o processo de compostagem torna-se mais demorado e o produto final apresentará baixos teores de matéria orgânica. Para corrigir esse erro, deve-se acrescentar materiais ricos em nitrogênio, como folhas de árvores, gramíneas e e legumes frescos.

Além do que até aqui mencionado, outros cuidados recomendados estão relacionados ao local onde a composteira estará alocada: o preparo prévio do material orgânico, a quantidade de material a ser compostado e as dimensões das leiras (quando a compostagem é feita em leiras, pilhas de resíduos em linha). Você também deve tomar cuidado com quais materiais orgânicos colocar na sua composteira, como, por exemplo, no caso da vermicompostagem, onde há restrições a alguns tipos de alimentos já mencionados, como excesso de frutas cítricas, cebola ou alho, pois alteram o pH do composto.

A prática de compostar em casa faz bem para a saúde. De acordo com um estudo, o contato com uma bactéria presente no húmus funciona como um antidepressivo, diminui alergias, dor e náusea.

SEGURANÇA NO TRABALHO DE COMPOSTAR

OPERANDO COM SEGURANÇA

No que se refere à saúde em seu contexto global, a Constituição Federal Brasileira de 1988, expressa no seu art. 196 que: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. (Brasil, 1988) Já a Lei nº 8.080/90, por sua vez, afirma em seu art. 2º, parágrafo 3º:

“A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso a bens e serviços essenciais:

os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do País” (Brasil, 1999).16

Em relação aos riscos existentes no ambiente de trabalho, Oddone et al. (1986), ressaltaram a importância da criação e manutenção de núcleos dentro das fábricas, como também da integração dos trabalhadores com o sindicato, objetivando detectar e quantificar o risco. Esta prática baseia-se no princípio do resgate do saber operário. A epidemiologia daria neste momento, através da observação da prevalência e da incidência dos principais agravos à saúde dos trabalhadores, suporte para a intervenção objetivando prevenir doenças ocupacionais, como também evitar acidentes.

Segundo Wisner (1986), são três os aspectos da atividade do trabalho: 

a) físico; b) cognitivo; e c) psíquico; 

os quais podem determinar uma sobrecarga ou sofrimento ao trabalhador. 

Os trabalhadores envolvidos com a coleta de resíduos sólidos estão expostos, em seu processo de trabalho, a seis tipos diferentes de riscos ocupacionais, sendo eles:

1. Físicos: ruído, vibração, calor, frio, umidade;

2. Químicos: gases, névoa, neblina, poeira, substâncias químicas tóxicas;

3. Mecânicos: atropelamentos, quedas, esmagamentos pelo compactado,

fraturas;

4. Ergonômicos: sobrecarga da função osteomuscular e da coluna

vertebral, com conseqüente comprometimento patológico e adoção de posturas forçadas incômodas;

5. Biológicos: contato com agentes biológicos patogênicos (bactérias,

fungos, parasitas, vírus), principalmente através de materiais perfuro-cortantes;

6. Sociais: falta de treinamento e condições adequadas de trabalho.

 

 Sugestão de operação nas NRS : 6 - 9 - 11 - 15 - 17 - 24.

 A SABER:
normatizaçao de EPI'S (mascaras de proteçao respiratorias - capacete de proteçao - luvas - calçados - uniformes - aventais - oculos de proteçao - creme para pele), implementaçao de prevençao de riscos, logistica com prevençao de acidentes, mitigaçao e reduçao de riscos de acidentes ocupacionais, parametros ergonomicos de realizaçao do trabalho, condiçoes e instalaçoes sanitarias do local.

RISCOS QUIMICOS E BIOLOGICOS

Pessoas que manipulam resíduos sólidos estão sujeitas aos seguintes riscos biológicos:

Contato com os resíduos ou solo contaminado, transmissão feco-oral, transmissão do bioagente através da ingestão de alimentos contaminados ou pelo manuseio inadequado dos alimentos, penetração na pele, penetração ativa do bioagente patogênico, penetração do bioagente através de ferida perfurocortante, penetração do bioagente através de solução de continuidade da pele e mucosas, penetração do bioagente pela inalação através das vias aéreas superiores.

As substancias ou produtos químicos que podem contaminar um ambiente de trabalho classificam-se, segundo as suas características físico-químicas, em: aerodispersóides, gases e vapores. 

Os agentes biológicos presentes nos resíduos sólidos podem ser responsáveis pela transmissão direta e indireta de doenças, mediante a disseminação de vírus, bactérias, fungos, dentre outros parasitas (SALIBA, 2005).

Microorganismos patogênicos ocorrem nos resíduos sólidos municipais mediante a presença de lenços de papel, curativos, fraldas descartáveis, papel higiênico, absorventes íntimos, agulhas e seringas descartáveis contaminadas, preservativos, materiais esses originados de descartes da população, dos resíduos de pequenas clínicas, farmácias e laboratórios e, na maioria dos casos, dos resíduos hospitalares, misturados aos resíduos domiciliares (FERREIRA; ANJOS, 2001)

Sendo que os dois últimos comportam-se de maneira diferente, tanto no que diz respeito ao período de permanência no ar, quanto às possibilidades de ingresso no organismo. Os aerodispersóides podem ser sólidos ou líquidos, sendo os sólidos enquadrados como pós e fumos e os líquidos como névoas e neblinas. Nos resíduos sólidos municipais pode ser encontrada uma variedade muito grande de resíduos químicos, dentre os quais merecem destaque, pela presença recorrente, as pilhas e baterias, os óleos e graxas, os pesticidas e herbicidas, solventes, tintas, produtos de limpeza, cosméticos, medicamentos, aerossóis (PORTO et al., 2004).

RISCOS MECANICOS  E FISICOS  

Os riscos mecânicos são aqueles capazes de provocar acidentes por quedas, acidentes com veículos, acidentes com máquinas, os quais podem causar traumatismos diversos e, em casos mais graves, até a morte. As lesões provocadas pelos resíduos de saúde (principalmente por objetos perfurocortantes) quando do descarte de seringas, agulhas, lâminas e descartáveis apresentam o risco associado à contaminação por organismos patogênicos (SALIBA, 2005).

A ventilação natural e garantida, tendo em vista a questao de serem feitas a campo aberto no quintal e portanto ao ar livre e abertas nas laterais. Não obstante a plena ventilação do ambiente, o nível de desconforto produzido pelos odores decorrentes da triagem e compostagem dos resíduos e insignificante.

Os riscos físicos são gerados por intercâmbios bruscos de energia entre o organismo e o ambiente, em quantidade superior àquela que o organismo é capaz de suportar, podendo acarretar uma doença profissional. Os fatores físicos mais importantes são as temperaturas extremas (calor e frio), os ruídos, vibrações, pressões anormais, radiações ionizantes e radiações não ionizantes (BRASIL,1978).

Nesse aspecto, considera-se que os EPIs utilizados não eram eficazes para mitigar a inalação de atmosfera fétida emanada dos resíduos semiputrefatos que chegavam para a triagem ou permaneciam no local durante a compostagem. Nesse sentido, considera-se que havia descumprimento da NR-6.

ERGONOMICOS

Os riscos ergonômicos são aqueles que podem afetar os sistemas muscular e esquelético mediante movimentos corporais e esforços relacionados ao trabalho.

Os riscos ergonômicos são estudados pela biomecânica ocupacional, considerada um segmento da biomecânica geral, cuja preocupação é a interação física do trabalhador com seu posto de trabalho, máquinas, ferramentas e materiais, visando reduzir os riscos de distúrbios musculoesqueléticos (IIDA, 2005).

Em ergonomia, a relação conforto/segurança/bem-estar, está sempre atrelada, sendo assim, não é possível pensar apenas em conforto, segurança e condições de trabalho adequadas, sem se reportar também à produtividade. A ergonomia procura otimizar as condições de trabalho para que o trabalhador possa apresentar melhores desempenhos, evitando assim situações de fadiga ou acidentes que interfiram em seus rendimentos e em sua saúde. Como exemplos de fatores que podem gerar riscos ergonômicos podem ser citados os postos de trabalho, geralmente, mal projetados e com trabalho estático ou repetitivo. (MARANGONI et al. 2006).

Não obstante o National Institute for Ocupacional Safety and Health (NIOSH) estabelecer que o peso máximo permitido para levantamento manual seja em torno de 23 kg e que a NR-17 estabelece como critério 50 kg, há que se considerar que as embalagens contendo lixo são instáveis e exigem adequações posturais repentinas para possibilitar sua estabilidade no transporte, o que pode gerar torções e esforços danosos ao organismo do trabalhador.

Nesse contexto, mesmo que houvesse uma aparente adequação à norma quanto ao peso da carga manipulada, considera-se que havia riscos posturais, pois as embalagens de lixo são instáveis dada a natureza escorregadia dos materiais de que são constituídas e pelas diversificadas formas e texturas que assumem em função dos conteúdos abrigados. Devido a essas características das embalagens de lixo e, sobretudo, pelo risco de perfuração das embalagens em contato com o corpo dos trabalhadores, estes são obrigados a adotar movimentos inadequados e adversos daqueles que seriam compatíveis com levantamentos de mesmo peso para cargas mais estáveis e sem riscos secundários. Vale lembrar que, mesmo se tratando de resíduos urbanos, há riscos microbiológicos pela presença de materiais perfurocortantes contaminados, o que obriga o trabalhador a manter os recipientes afastados de seus corpos. Os esforços e as posturas adotadas nesses casos, portanto, potencializam os riscos de lesões na coluna vertebral, nos ligamentos e músculos.

Depois de descarregados, manualmente, no setor de recepção da usina, os resíduos eram encaminhados para a mesa de separação ou triagem. Nesse procedimento um trabalhador munido de um garfo metálico com cabo de madeira, semelhante a uma pá manual, alimentava a mesa de triagem mediante movimentos em alavanca. Dessa forma o trabalhador cravava os sacos de lixo de diversos pesos e os elevava até a mesa de triagem. Em dadas situações, quando as embalagens eram muito pesadas, esse trabalhador manejava a carga manualmente até o topo da mesa de separação.

Constatou-se que os trabalhadores escalados para esta tarefa, além de não portarem EPIs adequados (respiradores com filtro de carvão ativado e luvas), eram submetidos a movimentos de inclinação, torção e elevação do tronco e membros que comprometiam a estabilidade da coluna, já que os pesos entre as extremidades do garfo e o ponto de empunhadura constituíam alavancas poderosas.

Sendo assim, mesmo que o peso das embalagens estivesse adequado às normas, haveria ainda o descumprimento da NR-17, no seu item 17.2.2, que estabelece: “Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas por um trabalhador, cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua segurança” (BRASIL, 1978, p.1). 

Conclusão

Conclui-se que a compostagem  doméstica  de pequena ou media escala  mostra ser uma alternativa viável para a redução dos resíduos sólidos uma vez que pode gerar com composto (adubo) rico em nutrientes com grande potencial econômico e de fácil obtenção e gestão. 

A compostagem doméstica se mostrou viável para a ciclagem de resíduos sólidos orgânicos domiciliares, e num período de 120 dias originou um composto com boas características físicas e químicas, com potencial para uso agrícola, como condicionador de solos e/ou como substrato para plantas. A compostagem doméstica de resíduos sólidos orgânicos domiciliares, se devidamente conduzida, considerando-se os fatores básicos do processo, como aeração, umidade e temperatura, não resulta na geração de mau cheiro e/ou atração de vetores. A compostagem doméstica de resíduos sólidos orgânicos consiste numa alternativa viável para a ciclagem desse tipo de resíduo, podendo ser empregada em prefeituras, escolas, casas.

Quando se percebe que a prática da compostagem influencia na aplicação      residencial, verifica-se o grande potencial que este processo possui como ferramenta disseminadora da educação ambiental e das boas práticas sustentáveis, permitindo a destinação final ambientalmente adequada, segundo a PNRS, dos resíduos orgânicos.

 Reduzindo os impactos ambientais, trazendo grandes benefícios ao meio ambiente, assim como também para agricultura, ou pequenas hortas domésticas e jardins. A produção em pequenas quantidades em compostagem doméstica, com manejo adequado, pode auxiliar na recuperação do solo agregando nutrientes, aumentando a produtividade e qualidade nutricional das plantas. 

Além de todos esses atributos, fazer a compostagem doméstica pode contribuir para a redução dos impactos gerados proveniente do descarte desses resíduos em lixões, assim como a redução na utilização de fertilizantes industrializados quando comparado à produção em grande escala.

  Sabendo que o produto final da compostagem será futuramente aplicado em uma horta orgânica na própria instituição, prevê-se a elevação da qualidade de vida dos idosos residentes, pois tais projetos (compostagem e horta) permitirão a formação de programas de intervenção com esses idosos, como a terapia ocupacional, podendo desenvolver os estados físico, mental e a interação social de cada um. 

 A aplicação do composto orgânico em terreno de instituição ainda adiciona outro benefício ambiental, que está diretamente relacionada com o aumento das melhorias químicas, físicas e biológicas do solo conferindo atividade saudavel aos internos.

Através da comparação entre os dimensionamentos das unidades de compostagem, no formato de pequena escala e de leiras, foi possível observar que o primeiro modelo é capaz de ocupar uma área mais reduzida e de forma mais higiênica e sanitária.  

Recomenda-se  e sugere-se uma análise de viabilidade econômica, para que tal prática possa ser difundida com mais embasamento e possivelmente incorporada em outras instituições, visando a descentralização da prática do processo de compostagem e a crescente difusão de conhecimento.

 

 

Referências

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