RESUMO DO DOCUMENTÁRIO VOZES DA FLORESTA – AILTON KRENAK

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RESUMO DO DOCUMENTÁRIO VOZES DA FLORESTA – AILTON KRENAK

SORAIA DE FIGUEIRÓ DE LIMAINSTITUTO FEDERAL DE SANTA CATARINA – CÂMPUS CHAPECÓ

Ailton Krenak é o primeiro entrevistado da série Vozes da Floresta - A aliança dos Povos da Floresta de Chico Mendes a nossos dias. Esta série faz parte do documentário "Não verás país nenhum", produzida pela Memória Viva. Nesta entrevista Ailton Krenak se apresenta, falando sobre sua trajetória de vida e sobre as contradições e desafios dos movimentos sociais frente as políticas instituídas ao longo da história até o momento atual. Explicitando o que é ser índio no Brasil, a necessidade do resgate da memória e da identidade, abordando a aliança dos povos da floresta e sua trajetória e o modelo de gestão territorial indígena. 

Sua narrativa expõe a recorrente e premente busca por um lugar para os povos indígenas na sociedade brasileira, que, em suas palavras, "é muito desigual e tem se revelado também extremamente racista e preconceituosa", descrevendo que a história de colonização do Brasil é uma marcha sobre os territórios indígenas e a edificação sobre cemitérios indígenas. Nesta narrativa ele relata o início de sua caminhada para a descolonização dos povos das florestas e da (re) construção social, que considere e respeite os diversos saberes, as diversas vozes, identidades, maneiras de ser, formas de se constituir e organizar dos povos.

Ailton descreve a realidade vivida pelos povos indígenas até os dias atuais como genocídio, pontuando a agressão movida pela ganância do poder econômico com o extermínio dos Botocudos, a invasão e ocupação dos fazendeiros e remoção dos povos da floresta (índios e seringueiros) de seus territórios, a perseguição, a atração, a domesticação, a violência e assassinatos de indígenas por todo o Brasil. Mas, para além destes, ele narra o início da organização, movimento e militância pelos direitos (território, cultura, educação e saúde) indígenas, a luta contra a ditadura e a redemocratização com a constituição de 1988.

Segundo ele, as mobilizações começaram entre 1984, 1985, quando nasce a união das nações indígenas, uma organização tipicamente indígena, constituida unicamente por líderes indígenas, um movimento coletivo discutindo os seus problemas e descobrindo uns aos outros, reivindicando um lugar dentro da vida brasileira como indígenas, não integrados ao pacote civilizatório, mas com identidade e o direito a existência, explicando que o modelo de gestão territorial indígena é coletivo, tendo um sistema de decisão e governança compartilhada, com responsabilidade acerca de todos os eventos que acontecem dentro desse território, pontuando que o sistema de vida do povo indígena é fiel a memória identitária dos seus antepassados e de seus ensinamentos.

Conforme sua narrativa, a aliança dos povos da floresta surgiu no final da década de 80, entre índios e seringueiros, objetivando reivindicar o usufruto de um território, onde de geração em geração se possa continuar mantendo um sistema de vida dentro da floresta, protegendo e preservando-a, não só para si, mas  para todos os seres humanos, pois a floresta é um ecossistema vivo e dinâmico, seus produtores são os pássaros, os primatas, os seres humanos, o vento e a chuva. Índios e seringueiros mostraram que os seres humanos criam e mantêm as florestas, e isso têm equilíbrio, se as comunidades humanas que estão lá dentro conhecem esse ecossistema e cuidam dele, ele vai viver e vai se reproduzir, mas se for predado, ele vai mudar até ficar inviável.

Para finalizar este resumo, nas palavras de esperança e preocupação de Ailton Krenak, "vamos ver como que a gente vai seguir daqui pra frente com o ataque contra a floresta e contra o povo da floresta, contra a própria ideia da florestania. Se o legado da Aliança dos Povos da Floresta ainda é capaz de criar alguma potência transformadora”.

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