REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA FÁBRICA SEARA DE JARAGUÁ DO SUL

UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE - UNIVILLE

CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA FÁBRICA SEARA DE JARAGUÁ DO SUL

LUANA MARQUARDT

 INTRODUÇÃO 

TEMA 

O tema da requalificação se tornou importante ao longo dos anos, isso porque, esses edifícios carregam todo o desenvolvimento econômico e social de sua época, e que contribuíram gradativamente para a construção do espaço, trazem consigo valores culturais históricos e tecnológicos e sociais para a sociedade (Bartolini, 2019).

São estruturas presentes na memória de quem fez parte do edificado e representam a história quem já passou por eles e pelo local. Para Castore (2013) quando edifícios como esses são abandonados pela sociedade, transferem diversas problemáticas ao território, além de transmitir insegurança aos usuários daquele local em espaços públicos e ruas, também intervém no seu entorno, esses elementos se tornam áreas desabitadas e sem uso, causando inviabilidade naquela região, ainda segundo a autora uma das questões fundamentais neste sentido é aquela relativa ao reuso do patrimônio como um meio para sua preservação.

Contudo, quando o patrimônio se torna algo intocável, ou objeto de comércio, a população local pode se sentir rejeitada por aquele edifício, que passa a se tornar exclusivamente a turistas, para isso a revitalização e reutilização desses espaços se torna a forma mais eficaz de preservação do patrimônio industrial. (Castore, 2013).

  

PROBLEMa

O complexo atualmente em ruinas por muito tempo fez parte do desenvolvimento econômico e social daquela região, de acordo com a historiadora Kita (2021) em 1969 foi aberto o primeiro Supermercado de Jaraguá do Sul naquele espaço. 

Desde que foi inaugurada, em 1975, como Frigorífico Rio da Luz S.A., a unidade passou por cinco controladores, cresceu e habilitou-se para atender ao mercado externo. Em 1983 a SEARA assume o controle do frigorífico operando com 890 funcionários e 199 produtores de aves locais, até 2011 ano do seu fechamento na cidade. (Kita, 2021)

Após o fechamento e abandono da fábrica, identificou-se a crescente evasão da população local, seja de funcionários ou de pequenos agricultores, que já não veem o mesmo reconhecimento do local sem o edificado em atividade. 


OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Elaborar uma proposta arquitetônica de reuso da antiga fábrica Seara alimentos de Jaraguá do sul, com fins cooperativos, visando atender às novas necessidades sociais e econômicas da população daquela região e seus produtores rurais que carecem de conhecimento de plantio, infraestrutura e venda.

OBEJTIVO ESPECÍFICO 

  •  Elaborar um plano de atividades agrícolas através do cooperativismo;
  • Desenvolver um plano de incentivo a permanência e produção aos moradores, cujo seu sustento provenha da agricultura familiar;
  • Desenvolver um plano de turismo patrimonial para conhecimento e  preservação do patrimônio histórico presente no entorno da edificação. 

JUSTIFICATIVA 

Como conservar esses bens que já foram sinônimos de desenvolvimento e hoje se encontram abandonados, ou em estado deterioração? No caso dos bens arquitetônicos o uso se faz essencial para sua conservação, para Choay (2000, p. 230) “A arquitetura é a única, entre as artes maiores, cujo uso faz parte de sua essência e mantém uma relação complexa com suas finalidades estética e simbólica...”.

A fábrica está localizada em um ponto estratégico para sua preservação, encontra-se no entorno de uma região rural predominante da agricultura familiar, e tombada pelo IPHAN em 2005, que passou a integrar os roteiros nacionais de imigração (Ipatrimônio, [entre 2015 e 2020]).

Em Santa Catarina 78% das propriedades rurais produzem no sistema de agricultura familiar, o valor bruto de produção agropecuária do Estado é de R$ 20,48 bilhões; 50% desse total vem da agricultura familiar. (NSC TOTAL, 2019). Segundo Loturco (2019) o estado também é líder no número de cooperados, a região sul conta com a maior quantidade, são 7.077.190 pessoas. 

Diante disso, o presente trabalho justifica-se através da tentativa de unir a deficiência e a potencialidade que a região apresenta. Sendo a deficiência o abandono do patrimônio industrial local e a potencialidade o seu entorno rural, e a valorização do entorno tombado pelo patrimônio histórico. Sendo assim, a proposta deste trabalho é a requalificação da antiga fábrica, dando a ela um novo uso cooperativista que vai ao encontro da característica da região, com ênfase na agricultura familiar. 

METODOLOGIA

A partir de procedimentos metodológicos, buscou-se alcançar conhecimentos teóricos sobre patrimônios industriais, a pesquisa proporcionou um conhecimento mais profundo sobre a requalificação desses bens.  

Através das análises urbanas sobre o município de Jaraguá do Sul, mais precisamente da região rural do Rio da Luz, foi possível investigar com maior profundidade o potencial da região para requalificação do empreendimento com fins cooperativistas. A análise foi feita através de mapeamentos, leitura das legislações pertinentes, e consultas na prefeitura. 

Por meio dos estudos de correlatos buscou-se justificar e entender as propostas que maior representavam o projeto, para assim ter uma uma base de pré- dimensionamento. 

Dessa forma, foi possível elaborar um programa arquitetônico com o pré-dimensionamento, análise de fluxos, e de acessos para requalificação do objeto de estudo. 

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A FÁBRICA SEARA ALIMENTOS 

Em 1969 os sócios Ademar Frederico Duwe, Aldo Piazera e Renato Raboch inauguram o primeiro supermercado de Jaraguá do Sul, a demanda por mantimentos era grande, a família Duwe abatia frangos em casa para vende-los individualmente na sua empresa, denominada Ademar Duwe Ltda, com o aumento da população e o constante crescimento da população, decidiram criar uma empresa exclusivamente para essa finalidade.  (Kita, 2021)

Assim, após estudos para sua implantação, em 20 de janeiro de 1975 solicitam alvará de licença da empresa FRILUSA – Frigorífico Rio da Luz S/A, no ramo de atividades de avicultura, pecuária, agricultura, abatedouro, fomento, transformação de alimentos, assistência técnica (Kita, 2021).

Em 1978 alteram a denominação para FRIL Frigorífico Rio da Luz S/A. A empresa cresceu, chegando a ter quinhentos empregados. Com o crescimento da gradativo da empresa, em 1978 alteram a denominação para FRIL Frigorífico Rio da Luz S/A. A empresa cresceu, chegando a ter quinhentos empregados, que logo passou a atender o mercado externo com a visita do Xeque árabe Abdelkader Berkane, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico dos Países Islâmicos e do Conselho Comercial dos Países Afro-Árabes, no dia 5 de julho de 1981 (Kita, 2021).

Em 1º de agosto de 1984 o controle acionário da empresa passa para a Seara Industrial S/A, fundada em 1956 no município de Seara, oeste do estado de Santa Catarina,  o Sr. Ademar Frederico Duwe permaneceu na diretoria até 1986, quando partiu para as atividades políticas e nova empresa. (Kita, 2021).

Figura 1 — Seara alimentos
Seara alimentosNSC, 2011

Em 2011 a empresa contava com 890 funcionários e 199 produtores de aves que forneciam para a unidade. No final do mesmo ano a empresa fechou a filial de Jaraguá do Sul, devido a problemas de logística com grandes centros produtores de grãos e escassez de mão de obra. (NSC TOTAL, 2011).

PATRIMÔNIO INDUSTRIAL

Conforme Kühl (2008) as discussões sobre arqueologia industrial iniciaram na Inglaterra em meados da década de 1950, época em que também foi cunhada a expressão “arqueologia industrial por Michel Rix. Mas foi a partir de 1960 que o tema ganhou atenção da população quando aconteceram demolições de edificações expressivas como a Bolsa de Carvão, a Estação Ferroviária de Euston em Londres, e do Mercado Central de Paris, no início da década de 1970.

Tendo em vista o maior reconhecimento sobre este assunto, em 1978 fundou-se Comissão Internacional para a Conservação do Patrimônio Industrial (The International Committee the Conservation of the Industrial Heritage – TICCIH), junto disso criou-se também a Carta de Nizhny Tagil (2003) sobre o patrimônio industrial. Este documento trouxe a melhor compreensão de métodos que auxiliam na preservação do patrimônio industrial que representa o testemunho de atividades que tiveram e que ainda têm profundas consequências históricas, tal carta determina que: (Kühl, 2008).

O patrimônio industrial compreende os vestígios da cultura industrial que possuem valor histórico, tecnológico, social, arquitetônico ou científico. Estes vestígios englobam edifícios e maquinaria, oficinas, fábricas, minas e locais de processamento e de refinação, entrepostos e armazéns, centros de produção, transmissão e utilização de energia, meios de transporte e todas as suas estruturas e infra-estruturas, assim como os locais onde se desenvolveram atividades sociais relacionadas com a indústria, tais como habitações, locais de culto ou de educação. (TiccihBrasil, 2003).



Outros documentos importantes assim como a carta foram criados para conservação do patrimônio junto ao ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) órgão vinculado à UNESCO, como por exemplo a Carta de Veneza (1964) e a Carta de Washington (1987) que relatam os princípios básicos que norteiam a conservação e a restauração dos monumentos, a partir desses documentos foram surgindo outros de aprofundamento no assunto, segundo Kühl (2008) a Carta de Florença (1981) sobre jardins históricos, a Carta para Proteção e Gestão do Patrimônio Arqueológico (1990), a Carta para a Proteção e Gestão do Património Subaquático (1996), a Carta Internacional de Turismo Cultural (revista em 1999), as discussões presentes no Documento de Nara (19994) relatam sobre a autenticidade, e a conservação para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial e a Carta de Princípios para a análise, conservação e restauração estrutural da herança arquitetônica, todas essas resultantes da assembleia geral no Zimbábue em 2003.

Para Kühl (2008) os documentos do ICOMOS são considerados fundamentais por uma série de motivos, tais como: o fato de serem fruto de reuniões científicas internacionais que contaram com a participação de notáveis estudiosos; constituírem efetivas contribuições para o tratamento dos temas, tendo sido debatidos, analisados e reinterpretados em diversos ambientes culturais; por se consolidarem como referenciais internacionais significativos, adquirindo importância crescente com o decorrer do tempo; pelo fato de seus princípios serem, em larga medida, válidos para o contexto brasileiro.

PATRIMÔNIO INDUSTRIAL NO BRASIL

Em 1986 ocorria um encontro-chave ao qual se confere certa referência para o estágio atual do campo no Brasil, o 1º Seminário Nacional de História e Energia em São Paulo. Contudo, apesar desse primeiro impulso, os estudos se desenvolvem lentamente e seu reconhecimento se mantém “adormecido” (Rodrigues, 2019).

Para Rosa (2011) este cenário que caminha lentamente no reconhecimento destes bens pode ser justificado por três grandes limitações: a ausência de políticas governamentais da salvaguarda do património industrial, ausência de inventários ou banco de dados para apoio às pesquisas acadêmicas para assim estabelecer medidas de proteção, e a ausência de uma consciência pública do valor do patrimônio industrial para a sociedade, ainda para a autora o caminho para o conhecimento e a valorização do patrimônio industrial não pode consistir-se apenas da atuação dos órgão governamentais, mas também da ação da sociedade organizada. No Brasil no mesmo ano da criação da Carta de Nizhny Tagil, alguns meses antes acontecia aqui um encontro entre acadêmicos e não acadêmicos a fim de subscrever uma carta de manifesto, um “Comitê Provisório pela Preservação do Patrimônio Industrial no Brasil.” iniciativa que resultou na criação do Comitê Brasileiro para a preservação do Patrimônio Industrial, O TICCIH - BRASIL fundado em 2004.

Os debates e pesquisas sobre patrimônio industrial ainda são recentes, segundo o IPHAN órgão federal fundado em 1936, é inexistente no Brasil uma discussão e uma carta de princípios nacionais voltadas à realidade brasileira. O propósito seria torná-la adequada ao nosso meio, pois se confirma uma crescente ampliação daquilo que é considerado bem de interesse cultural a ser preservado, estendendo-se a um número cada vez maior, e a tipos cada vez mais variados de um passado cada vez mais recente. E é dentro desse contexto de ampliação que muitos exemplares de patrimônio industrial se enquadram no Brasil. (Kühl, 2008)

 A REQUALIFICAÇÃO COMO OBJETO DE PROTEÇÃO

O reconhecimento ou não do patrimônio se configura, como o principal problema para a sua preservação, pois somente através da compreensão do objeto de intervenção, dos seus valores e das suas características é possível esclarecer os deveres e os limites das ações de recuperação de um lado e das ações restaurativas ou conservativas do outro. (Castore, 2013).

Para Lemos (2017) preservar um bem cultural é conservar, livrar, defender, resguardar, tombar, restaurar, revitalizar, e dar-lhe uma nova função, um uso adequado, um novo sentido. A requalificação de um edifício compreende restabelecer a ele um “ novo uso ” de modo que para Kühl (2008) a nova utilização deve preservar, respeitar, valorizar e não distorcer suas principais características, fazendo o uso de instrumentos teóricos apresentados pela restauração.

Na carta de Veneza de 1964, é destacada a importância do uso para a preservação dos monumentos, contudo as novas adequações devem respeitar as suas especificidades. (IPHAN, 1964).

Artigo 5º - A conservação dos monumentos é sempre favorecida por

sua destinação a uma função útil à sociedade; tal destinação é,

portanto, desejável, mas não pode nem deve alterar a disposição ou

a decoração dos edifícios. É somente dentro destes limites que se

deve conceber e se podem autorizar as modificações exigidas pela

evolução dos usos e costumes. (IPHAN, 1964).


A adaptação de um novo uso em benefício da sua conservação foi ressaltada também pela Carta de restauração Italiana em 1972. 


Sempre com o objetivo de assegurar a sobrevivência dos

monumentos, deve ser atentamente avaliada a possibilidade de

novas utilizações dos antigos edifícios monumentais, caso não

resultem incompatíveis com os interesses históricos-artísticos. As

obras de adaptação deverão ser limitadas ao mínimo, conservando

escrupulosamente as formas externas e evitando alterações

sensíveis das características tipológicas, do organismo construtivo e

da sequência dos percursos internos. (Kühl, 2008, p. 210).


Kühl (2008) reforça que não basta somente que o novo uso leve em conta apenas os aspectos materiais, de distribuição espacial e documentais, se o próprio uso não for proporcional com o próprio significado do bem e apropriado ao local e situação em que se insere e a comunidade em que se localiza. 

 AGRICULTURA EM SANTA CATARINA.

Santa Catarina é um estado pequeno da região sul, comparado aos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. Ainda com seu pouco tamanho tem uma produção agrícola diversificada. (Chaddad, 2017).

Tabela 1 — Produção Agropecuária e Produtividade em Santa Catarina
Produção Agropecuária e Produtividade em Santa CatarinaIBGE, Abipecs (2014) e Ubabef (2014).

De acordo com Chaddad (2017) o estado é o maior produtor de carne suína do país, e segundo maior produtor de frango. O estado tem cerca de 193.000 estabelecimentos agrícolas em 6 milhões de hectares, o que corresponde a menos de 2% das terras cultivadas no país. 

Tabela 2 — Características dos Produtores por Região e em Estados Selecionados
Características dos Produtores por Região e em Estados SelecionadosIBGE, 2016

Ainda segundo o autor, as fazendas de Santa Catarina são compostas pela metade do tamanho estabelecido pela média nacional (31ha), mas os produtores são capazes de originar 40% a mais de receita bruta por instalação do que a média nacional (mais de R$50.000,00). Esse sucesso se explica pelo fato desses produtores estarem ligados a cadeias de valor que funcionavam bem e lhes proporcionaram acesso de qualidade a insumos, tecnologia, crédito e assistência para aumentar a produção. (Chaddad, 2017)

Santa Catarina tem os níveis mais altos de acesso à assistência técnica, 61% dos estabelecimentos e um acesso ao crédito rural de 37%, provenientes de cooperativas e de agronegócios por meio de contratos de produção. As 52 cooperativas localizadas em Santa Catarina tem um importante papel econômico para o estado, cerca de 26% dos agricultores do estado pertencem a uma cooperativa e 9% participam de acordos contratuais com processadores, são 67.500 associados, 32.000 funcionários e um faturamento de R$13 bilhões e patrimônio líquido de R$3,3 bilhões  (Chaddad, 2017).

Chaddad (2017) reforça que os contratos foram introduzidos na década de 1960, como um meio de levar até os produtores a tecnologia, assim promover o aumento de produção. Estes contratos permitem uma relação mais próxima entre agricultores e compradores (processadores e varejistas), atualmente mais de 95% suinoculturas e da avicultura ocorrem através de contratos. Hoje no mercado existem dois tipos básicos de contratos: de comercialização e de produção, no primeiro exemplo o produtor toma todas as decisões até a entrega ao comprador, já no caso do contrato de produção, o comprador fornece assistência técnica, crédito e insumos, enquanto o produtor oferece, o trabalho e suas instalações para a produção. Ainda segundo o autor, o maior uso de contratos de produção pode ser associado, ao aumento de produção, à produtividade e aos altos níveis de qualidade.

AGRICULTURA FAMILIAR 

Segundo o Governo Federal (2019) a agricultura familiar é a principal responsável pela produção dos alimentos disponibilizados para o consumo da população brasileira. É constituída de pequenos produtores rurais, a gestão da propriedade é compartilhada pela família e a atividade produtiva agropecuária é a principal fonte de renda. Além disso, o agricultor familiar tem uma relação particular com a terra, seu local de trabalho e moradia.

De acordo com a Lei 11.326/2006, que regulamenta esse tipo de atividade, a agricultura familiar é aquela que efetua tarefas no meio rural, além de atender aos seguintes critérios: ter uma área de, no máximo, quatro módulos fiscais; usar a mão-de-obra da própria família na maior parte das atividades; ter um percentual mínimo de renda originada de suas próprias atividades; ter as atividades gerenciadas pela própria família. (CRESOL, 2019).


O Censo Agropecuário (2017) observou que mais de 5 milhões de propriedades rurais de todo o Brasil, 77% dos estabelecimentos agrícolas do país foram classificados como da agricultura familiar, em extensão de área, a agricultura familiar ocupava 80,9 milhões de hectares,  23% da área total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros (Governo Federal, 2019).

Entre 1960 e 1970, enquanto o Brasil vivia um forte avanço nos processos de industrialização e urbanização e de grande crescimento econômico, o setor agrícola era caracterizado pela baixa produtividade, grande parte do abastecimento do pais provinha de importações. Foram necessários investimentos públicos pelo governo e a instituição de políticas públicas para aumentar a produção e a produtividade. (EMBRAPA, 2018).

Dentre esses investimentos, encontra-se o principal apoiador da agricultura familiar o PRONAF, que tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar. Com ele agricultores familiares podem acessar várias linhas de crédito de acordo como sua necessidade e o seu projeto, dentro outros programas de incentivo como os programas de compras instrucionais, como o PAA, PNAE, ATER, e o Programa Garantia Safra e o Seguro da Agricultura Familiar. (da Silva, 2018).

COOPERATIVA

Segundo a Lei nº 5.764/71, artigo 4º, '' As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindo-se das demais sociedades...” (Loturco, 2020).


O cooperativismo teve origem na organização de trabalhadores na Inglaterra, no período da Revolução Industrial. No ano de 1844, em Rochdale, bairro da cidade Manchester, 28 trabalhadores diante do desemprego e de baixos salários, reuniram-se para comprarem produtos de suas necessidades. Assim, criaram a Associação dos Probos Pioneiros de Rochdale, que mais tarde foi oficializada pelos mesmos na cooperativa de Rochdale, na qual a função inicial era conseguir capital para aumentar o poder de compra coletiva, o cooperativa ficou conhecida como os Princípios de Rochdale, ou seja, são o conjunto de princípios de cooperação, que ainda hoje são a base de cooperativas pelo mundo todo.  (SEBRAE, 2014).

Em 1995, a Aliança Cooperativa Internacional registrou os sete princípios do cooperativismo, que seriam eles:  

  • Adesão livre e voluntária: cooperativas são abertas para qualquer pessoa;
  • Gestão democrática: cada membro tem direito a um voto;
  • Participação econômica: todo associado deve contribuir com o patrimônio da cooperativa;
  • Autonomia e independência: a cooperativa deve se manter autônoma;
  • Educação, formação e informação: a cooperativa deve contribuir para a educação, formação e informação de seus associados e da sociedade que está inserida;
  • Intercooperação: cooperativas devem trabalhar em conjunto a fim de fortalecer o movimento;
  • Interesse pela comunidade: políticas para o desenvolvimento da comunidade em que a cooperativa está inserida (SEBRAE, 2014).

Dessa forma, a função da cooperativa é melhorar a situação econômica de determinado grupo, solucionando eventuais barreiras ou satisfazendo necessidades comuns, que excedam a capacidade de cada indivíduo satisfazer sozinho, a cooperativa atua no mercado desenvolvendo atividades de consumo, produção, crédito, prestação de serviços e comercialização para seus cooperados, colocando os produtos e serviços de seus cooperados no mercado de forma mais vantajosa do que eles podem ter isoladamente. (SEBRAE, 2014).

COOPERATIVA NO BRASIL

A cultura da cooperação no Brasil vem desde a época da colonização portuguesa, mas foi em 1887 que nasceu a primeira cooperativa brasileira, a Cooperativa de Consumo dos Empregados da Companhia Paulista, em Campinas (SP). Entretanto o movimento teve início oficialmente apenas em 1889, com a fundação da cooperativa econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto em Minas Gerais, não demorou muito e se expandiu para outros estados do Brasil. (OCB, [s.d.])

A partir de 1906 começaram a surgir as cooperativas agropecuárias, idealizadas principalmente por produtores rurais e imigrantes alemães e italianos, que trouxeram de seus países o trabalho associativo e a experiência de atividades comunitárias. Contudo, apenas em 2 de dezembro de 1969 o cooperativismo teve seu marco histórico quando ganhou sua própria entidade de representação, a Organização das Cooperativas do Brasil, que é a única representante e defensora dos interesses do cooperativismo nacional sem fins lucrativos, com neutralidade política e religiosa (OCB, [s.d.]).

Outro marco importante aconteceu em 2005, quando a OCB se completa com a criação de duas novas entidades, a Confederação Nacional das Cooperativas  que iria responder pela representação sindical das cooperativas, e o  consórcio cooperativo agropecuário Brasileiro que tem como seu objetivo  possibilitar aos seus membros  acesso ao registro de produtos genéricos usados na agricultura, comercialização, dentre outras atividades (SistemaOCB/RO, [s.d.]).


A Organização das Cooperativas Brasileiras define cooperativa como: “Uma sociedade de, pelo menos, vinte pessoas físicas, unidas pela cooperação e ajuda mútuas, gerida de forma democrática e participativa (OCB, [s.d.]).

COOPERATIVISMO EM NÚMEROS

Segundo anuário do cooperativismo de 2018 publicado pela (MundoCoop, 2018)  o movimento está em constante expansão tanto é que em 2019, o número de cooperados passou de 14,6 milhões para 15,5 milhões, considerando somente as cooperativas com registro que somam 5.314, empregando um total de 427.576 mil pessoas, no mesmo ano juntas recolheram R$7 bilhões em impostos e tributos. Outros R $9 bilhões foram colocados na economia através de pagamento de salários e benefícios.

Quanto à quantidade de cooperadores, a região sul conta com a maior quantidade, são 7.077.190 pessoas, título que também se concentra na região sul é a quantidade de empregados em cooperativas são, 226.414 em atividades em diversos ramos. Dentre os ramos do cooperativismo, as que mais empregam são as cooperativas agropecuárias, com 207.201 trabalhadores e 992.111 cooperados. (MundoCoop, 2018).

 RAMO AGROPECUARIO NO COOPERATIVISMO 

cooperativas de produtores rurais ou agropastoris e de pesca, cujos meios de produção pertencem ao cooperado. Caracterizam-se pelos serviços prestados aos associados, como recebimento ou comercialização da produção conjunta, armazenamento e industrialização, além da assistência técnica, educacional e social. (SICOOB, [s.d.]).


No Brasil, a cooperativa surge como um instrumento de organização econômica da agricultura exportadora e capitalizada direcionada para uma agricultura de abastecimento interno.  (Rios, 2007).


Dessa forma, em 1932 o Estado tinha como principal objetivo promover a expansão agrícola, devido a necessidade de abastecimento dos centros urbanos que vinham sofrendo um crescente aumento da população, consolidando-se a criação da cooperativa no país.  (Fleury, 1983).


Quadro 1 — 7 Ramos do cooperativismo
7 Ramos do cooperativismoOCB, 2020. Adaptado pela autora


Ainda em âmbito nacional, conforme observado na tabela o  cooperativismo agropecuário é o mais representativo, nesse setor a capacidade de desenvolvimento, as cooperativas praticamente participam de toda cadeia agroindustrial, da produção até a comercialização do produto. E ainda atuam como importantes instrumentos na propagação das novas tecnologias, assistência técnica especializada e acesso a créditos rurais. (MundoCoop, 2018).


Segundo matéria publicada pelo site AGROSOMAR (2019) o pequeno produtor rural enfrenta grandes dificuldades na produção agrícola, o escoamento da sua produção é uma das maiores, e para isso surgem as cooperativas agrícolas surgem com soluções para essas situações com o  objetivo de conseguir maior poder de negociação e também de escoamento com um volume maior de produção.

A matéria publica pela cooperativa COCAMAR ([s.d.]) existem uma série de benefícios em fazer parte de uma cooperativa agroindustrial, podem ser listadas algumas delas:

  •   A cooperativa organiza toda a produção, oferecendo insumos e assistência técnica;
  •  Transfere conhecimento, formação e tecnologia aos associados;
  • Oferece assessoria comercial e estabelece parâmetros de mercado
  • Disponibiliza infraestrutura localizada estrategicamente, durante o ano inteiro;
  • Armazena e comercializa a produção com toda infraestrutura e burocracia  necessária;
  • Agrega valores e estabiliza preços agrícolas via industrialização
  • Busca constantemente a viabilidade econômica dos cooperados e da região;
  • Representa politicamente os associados;
  • Exerce suas atividades com responsabilidade social;
  • Retorno dos resultados permanecem na região. 

CORRELATOS 

FOOD PORT

Ficha técnica: 

Localização: West Louisville, KY 42301, Estados Unidos

Arquitetos: OMA 

Ano: 2015

LOCALIZAÇÃO

 Louisville é identificada como uma das principais cidades gastronômicas dos Estados Unidos. O local está localizado em uma área classificada como um deserto de alimentos, onde alimentos são escassos. A história de desinvestimento em  Louisville após o Grande Dilúvio em 1937 definiu a área em contraste com East Louisville e o centro da cidade em rápido crescimento. Uma das iniciativas para lidar com a diferença de Ocidente e Oriente é o centro de alimentação, que tem o potencial de desempenhar um papel importante na revitalização da comunidade local de Louisvile. (Rosenfield, 2015).

Figura 2 — Localização Food Port
Localização Food PortArchdaily, 2015

PROPOSTA ARQUITETÔNICA

 O desenvolvimento das cidades está intrinsecamente ligado à sua produção, abastecimento e distribuição. Mas com a migração das comunidades rurais para as cidades urbanas, a população está cada vez mais afastada dos locais de produção e menos consciente de como seus alimentos são feitos. A relação entre produtor e consumidor está separada por uma linha cada vez maior de entidades intermediárias, incluindo distribuidores, processadores e varejistas (Rosenfield, 2015).

Conforme a figura (3) observamos que o Food Port realoca muitos programas de alimentos normalmente separados do comprador de volta para o centro da cidade. Ele define um novo modelo de como a relação entre consumidor e produtor pode ser definida. (Rosenfield, 2015).

Figura 3 — Setorização de serviços
Setorização de serviçosArchdaily, 2015

O projeto tem seu uso misto e concilia as instalações para o cultivo, venda e distribuição de alimentos para os agricultores locais em Louisville. O novo espaço transformará uma antiga fábrica de tabaco em um centro econômico e comunitário que apresenta um novo modelo de relação entre consumidor e produtor. O programa vem como uma nova paisagem alimentar de espaços públicos e praças onde produtores e consumidores se encontram no mesmo espaço. (Rosenfield, 2015).

Figura 4 — Espaços públicos
Espaços públicosArchdaily, 2015

PROGRAMA DE NECESSIDADES 

O  Food Port é mais que um centro alimentar típico, com a adição de vários programas importantes que atendem e fornecem para todas as fases da cadeia alimentar, desde a agricultura ao processamento, cozinhas comunitárias compartilhadas, varejo e reciclagem (Rosenfield, 2015).

Figura 5 — Programa de necessidades
Programa de necessidadesArchdaily, 2015

FORMA 

O Food Port se baseia na posição da cidade dentro da rede de rios navegáveis e no legado da cidade como um importante porto de embarque, fornecendo uma infraestrutura necessária entre fazendeiros e fornecedores e a crescente demanda por alimentos locais. Fazendo referência às malhas das ruas da cidade, que são giradas em ângulos diferentes de bairro a bairro para manter a orientação para o rio Ohio. (Rosenfield, 2015).

Figura 6 — Forma construtiva
Forma construtivaArchdaily, 2015

MERCADO DE AGRICULTORES DE TULA

Ficha técnica: 

Localização: Zaoksky District, Tula Oblast, Rússia

Arquitetos: 8 lines

Área:1095 m²

Ano: 2017

PROPOSTA ARQUITETÔNICA

A instalação de um mercado de agricultores, está desenvolvendo um mercado pouco conhecido e que recebe pouco investimento: pequenas fazendas e empresas locais. O mercado funciona da forma tradicional comum, mas que combina todos os serviços em um só. (ArchDaily, 2019).

Figura 7 — Proposta arquitetônica
Proposta arquitetônicaArchdaily, 2019

Esses usos permitem que o mercado se torne não apenas um local de comércio, mas um espaço comunitário, novas formas e projetos vão se criando, e as oportunidades estão se estabelecendo preservando a semelhança com a tradição e simbolizando a união dos agricultores. (ArchDaily, 2019).

PROGRAMA DE NECESSIDADES

  •  Espaços comerciais com áreas de vendas de produtos agrícolas;
  •  Café;
  •  Laboratório de controle de qualidade de produtos;
  •  Playground; 
  • Área para eventos sazonais; 
  • Área de recreação;
  • Instalações sanitárias; 
  • Área administrativa que inclui um escritório, um armazém e oficinas. 

Figura 8 — Espaço público
Espaço públicoArchdaily, 2019

PARTIDO / CONCEITO

Na construção a democracia, e a cooperação foram destaques como modelo de um novo modo de vida rural. A arquitetura reflete os valores modernos do comércio no segmento de alimentos, onde produtos artesanais e a singularidade são valorizados. A forma do edifício retrata a ideia de cooperação rural, onde cada agricultor é  um indivíduo, mas também trabalha junto a uma cooperativa, administrando e ajudando outros produtores a responder às condições do mercado. (ArchDaily, 2019).

Figura 9 — Forma e cooperação
Forma e cooperaçãoArchdaily, 2019

MÉTODO CONSTRUTIVO

A forma aberta foi um elemento para economizar no orçamento inicialmente, apenas um telhado foi construído e em seguida, essa cobertura foi equipada internamente com toda a infraestrutura necessária, mas não foi vedada. No ano seguinte incomodados com o clima, foram erguidas as paredes de vidro, assim poderiam vender produtos agrícolas em qualquer época do ano, indiferente do clima da região (ArchDaily, 2019).

Figura 10 — Método construtivo
Método construtivoArchdaily, 2019

ANÁLISE URBANA

CONTEXTUALIZAÇÃO REGIONAL

A presente proposta irá atender o município de Jaraguá do Sul, que está localizado no Vale do Itapocu, na região nordeste do Estado de Santa Catarina, cercada pela cadeia da Serra do Mar, a cidade está protegida por morros de vegetação nativa preservada. (Rosa, 2019).

Figura 11 — Localização
Localização Google imagens, 2021. Modificado pela autora.

Segundo dados Portal de Turismo de Jaraguá do Sul ([s.d.]) a cidade foi fundada em 1876, e possui atualmente uma população de 181 mil habitantes (estimativa IBGE 2020). Já dados do IBGE (2010) apontam para uma população de 132.918 habitantes em área urbana, e 10.288 habitantes em área rural.

A descendência de sua população alemã, negros, italianos, húngaros e poloneses, tem uma forte contribuição na formação cultural da cidade, que demonstra sua preocupação na preservação de seu patrimônio cultural, a herança é percebida no município através da arquitetura, alimentação, no modo de viver, nas festas e nas celebrações. (Portal de Turismo de Jaraguá do Sul, [s.d.])

Jaraguá do Sul ficou conhecida nacionalmente em 2019, quando o estudo no IPEA apontou a cidade como a mais segura do Brasil,  outro reconhecimento que a cidade carrega é a valorização do seu patrimônio histórico, os tombamentos do Rio da Luz em Jaraguá do Sul e do Testo Alto em Pomerode são os únicos tombamentos rurais de bairros que existem no Brasil. (IPHAN, 2017).

 O clima da cidade é considerado subtropical, com temperatura média anual ao redor de 21 °C. No verão as temperaturas frequentemente ultrapassam os 35 °C. O inverno é relativamente frio para os padrões brasileiros, com uma média das temperaturas mínimas ao redor de 12 °C nos meses de junho e julho. O mês mais chuvoso é janeiro, com média de 246 mm, e o menos chuvoso é agosto, com média de 93 mm. A pluviosidade média anual é de 1836 mm. Cerca de 60% do município está localizado a menos de 200m de altitude, a vegetação original das planícies foi derrubada para dar lugar à produção rural. (Guia Santa Catarina, [s.d.]).

Ainda segundo o (Guia Santa Catarina, [s.d.]) Jaraguá do Sul tem a história econômica intimamente ligada às raízes de seus colonizadores, os primeiros imigrantes no final do século XIX encontram solo fértil, construíram uma comunidade baseada no extrativismo e na agricultura, os primeiros imigrantes a chegarem na cidade no final do século XIX eram, na maioria, camponeses europeus sem dinheiro ou terra. Ao encontrarem solo fértil, construíram uma comunidade baseada no extrativismo e na agricultura.

Com a chegada da Ferrovia no início do século XX, Jaraguá do Sul passou a ter ligação direta ao porto de São Francisco do Sul e à cidade paranaense de Rio Negro, a possibilidade de escoamento de produtos foi fundamental para o desenvolvimento da cidade. Na década de 30 surgiu a primeira fábrica têxtil da cidade, considerada a Capital Nacional da Malha (Guia Santa Catarina, [s.d.]).

Atualmente Jaraguá do Sul não é apenas a capital nacional da malha, mas tem um parque industrial diversificado, com várias companhias nos setores metalmecânico, de energia e de alimentos, com destaque para a WEG, maior produtora de motores elétricos da América Latina. Há um dinamismo econômico muito grande que desenvolve um crescimento constante, o que garantiu que o PIB aumentasse nos últimos dez anos. Segundo dados do IBGE Jaraguá do Sul teve o sétimo maior PIB de Santa Catarina em 2018 com R$ 8,9 bilhões,  o que representou o quarto maior crescimento do Brasil (Luzzani, 2020).

No interior do município, a agricultura familiar recebe destaque como atividade predominante, com grande diversidade de lavouras e criação de rebanhos. 

Tabela 3 — Quantidade produzida, área plantada e valor da produção das lavouras temporárias de Jaraguá do Sul - 2003/2007
Quantidade produzida, área plantada e valor da produção das lavouras temporárias de Jaraguá do Sul - 2003/2007Fonte: IBGE, 2010. Chaddad (2017)

No ano de 2007 o cultivo de mandioca ganhou destaque nas lavouras temporárias do município de Jaraguá do Sul, representou 1,14% de toda a produção do estado de Santa Catarina, já o cultivo do arroz ficou em destaque com a maior área plantada. (Chaddad, 2017).

Figura 12 — Quantidade produzida, área plantada e valor da produção das lavouras permanentes de Jaraguá do Sul - 2003/2007
Quantidade produzida, área plantada e valor da produção das lavouras permanentes de Jaraguá do Sul - 2003/2007Fonte: IBGE, 2010. Chaddad (2017)

Nas lavouras permanentes do município no ano de 2007, a banana e o palmito apresentaram-se como os produtos com maior representatividade para a cidade, juntas somaram, 7,03% e 7,22% da produção estadual. (Chaddad, 2017).

Figura 13 — Rebanho em Jaraguá do Sul - 2003/2007
Rebanho em Jaraguá do Sul - 2003/2007Fonte: IBGE, 2010. Chaddad (2017)

No ano de 2007 o rebanho do município teve queda, em praticamente todos os tipos de rebanho, exceto nas criações de caprino, coelhos e ovinos. (Chaddad, 2017). Percebe-se na tabela a grande quantidade de galos, frangas, frangos e pintos provenientes dos convênios com os produtores da empresa SEARA do município.

Com as informações detalhadas é possível verificar a atividade agrícola e agropecuária predominante no município, e assim estabelecer usos condizentes, incentivos e apoio a determinada produção.

Figura 14 — Produção de origem animal em Jaraguá do Sul - 2003/200
Produção de origem animal em Jaraguá do Sul - 2003/200Fonte: IBGE, 2010. Chaddad (2017)

ANÁLISE urbana DO BAIRRO RIO DA LUZ

Jaraguá do Sul possui uma área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Os núcleos rurais Testo Alto e Rio da Luz, separados pela Serra de Jaraguá, localizam-se em pequenos vales, respectivamente, em Pomerode e Jaraguá do Sul, formam juntos 90km de preservação, na região predominam pequenas propriedades com base na agricultura familiar. O levantamento de material para o tombamento do Conjunto Rural de Rio da Luz se iniciou nos anos 1990, o dossiê foi organizado em 2007 e, em 2015, a região de aproximadamente 49km foi tombada e passou a integrar os Roteiros Nacionais de Imigração. (Ipatrimônio, [entre 2015 e 2020]).

Para Kita (2018) além de preservar as edificações, o que ocorreu no Rio da Luz teve como objetivo preservar o modo de vida do local, a preservação da paisagem  como ela foi constituída pela colonização. 

 A colonização da região do Rio da Luz iniciou com os imigrantes alemães que vieram de Blumenau, antes mesmo da “descoberta” de Jaraguá do Sul. 

Figura 15 — Conjunto rural de Rio da Luz
Conjunto rural de Rio da LuzEspaço Arqueologia, 2019


O Rio da Luz é um ponto importante para entender e história das colonizações, o tombamento abre oportunidades que estão sendo aproveitadas pelo Município com incentivo aos agroeempreendimentos através de projetos, como por exemplo o Acolhida na Colônia. (Jornal do Vale do Itapocu, 2019).

Contudo, em documentário realizado pelo escritório de cinema em 2017, o tombamento do bairro divide opiniões entre moradores favoráveis e não favoráveis, seja pela falta de informação, aliada à forte resistência por grande parte dos moradores, criou uma polêmica em torno do assunto, trazendo à tona o debate sobre o limite entre os interesses público e privado. (Vale..., 2016).

Quadro 2 — População do bairro Rio da Luz
População do bairro Rio da LuzIBGE, 2010. Modificado pela autora

Já em contra partida, em matéria publicada por Koch (2019) um grupo de empreendedores preocupados com o futuro da região de aproximadamente 2.806 habitantes segundo dados do IBGE, sendo a grande maioria jovens. Decidiram formar uma associação para impulsionar turismo no Rio da Luz, o local cercado por prédios históricos, comércios, propriedades rurais e a forte preservação da cultura germânica, formam um conjunto de potencialidades ainda pouco explorados, fator esse que motivou o grupo de empreendedores da região a criar a associação, o objetivo é  estruturar e fomentar o turismo do local como negócio.

Preservando sempre as tradições germânicas especialmente nos segmentos religiosos, educacionais, gastronômico e musical, ainda hoje cinco sociedades contribuem economicamente e culturalmente com o bairro, são elas: Salão Barg, Centenário, Ribeirão Grande da Luz, Rio da Luz Vitória e Guarani, entre outros espaços que se tornaram pontos de visitação. (Koch, 2019).

Figura 16 — Turismo, gastronomia e arquitetura do Rio da Luz
Turismo, gastronomia e arquitetura do Rio da LuzPrefeitura de Jaraguá do Sul, 2021. Modificado pela autora.

Figura 17 — Turismo, gastronomia e arquitetura do Rio da Luz
Turismo, gastronomia e arquitetura do Rio da LuzGoogle imagens, 2021. Modificado pela autora.

Este cenário de incentivos contribuirá para o estudo de requalificação da antiga fábrica, voltada para fins cooperativistas que favoreçam os pequenos agricultores e empreendedores da região. 

CONDICIONANTES LEGAIS 

De acordo com a LEI COMPLEMENTAR Nº 219/2018 Art.51. O território do Município de Jaraguá do Sul, fica dividido nas seguintes áreas de uso e ocupação. 

I - Área Urbana: toda área do território municipal, contínua ou não, com predominância de usos residenciais, comerciais, de prestação de serviços, institucionais, industriais ou análogos, formada pelo perímetro urbano, áreas de expansão urbana, áreas urbanas consolidadas, de urbanização específica, núcleos urbanos isolados e os parcelamentos do solo rural enquadrados no Decreto Federal Nº 62.504, de 08 de abril de 1968, na legislação federal afim e na específica do INCRA;

II - Área Rural: toda área do território municipal com predominância de usos agrícolas, pecuários, florestais, agroindustriais, de exploração de recursos naturais, preservação ambiental ou análogos, formada pelas áreas localizadas fora da área urbana.

Art.53. Na Área Rural as edificações, usos e intensidades de usos subordinar-se-ão à necessidade de manter ou restaurar a qualidade natural e respeitar a fragilidade de seus terrenos, devendo o Executivo:

I - promover políticas para a permanência do agricultor na terra,

valorizando suas atividades;

II - estimular a substituição progressiva do uso de agrotóxicos

pela agricultura orgânica;

III - promover políticas de incentivo ao agro ecoturismo;

IV - incentivar a criação e o desenvolvimento de agroindústrias

familiares;

V - valorizar o espaço produtivo predominantemente agrícola e

agroindustrial, com a introdução de novas atividades dessa natureza;

VI - valorizar o espaço de proteção ambiental como base para

a sustentabilidade dos assentamentos humanos e desenvolvimento de atividades agrossilvopastoris e agroindustriais, assegurando a proteção dos recursos naturais;

VII - estimular a permanência de atividades agrícolas, de reflorestamento, de extração mineral e a preservação de áreas com presença de vegetação significativa e de paisagens naturais, assim como definir outros incentivos compatíveis com as características destas áreas, promovendo, concomitantemente, a universalização, melhoria e modernização da prestação dos serviços de abastecimento de água, esgoto sanitário, resíduos sólidos e eletrificação rural;

VIII - implantar numeração predial na área rural para identificação dos imóveis, objetivando facilitar o endereçamento postal, a localização pelas concessionárias de serviços públicos (água, esgoto, gás, telecomunicação, energia), as intervenções emergenciais (bombeiro, polícia, ambulância) e a entrega de mercadorias.

Conforme o Art. 53. §2º da lei Nº 219/2018 Área Rural serão consideradas as unidades de conservação, áreas de preservação ambiental, agricultáveis e não agricultáveis, de produção agropecuária, extração vegetal, exploração mineral, turismo, chácaras, moradias permanentes, regularização fundiária, ocupação urbana consolidada, preservação histórica e arquitetônica, empreendimentos agroindustriais e outros compatíveis, desestimulando-se a implantação de indústrias não ligadas a atividades típicas do campo e os parcelamentos para fins urbanos.

 As ZEIS, ZEIC e ZEIA situadas na Área Rural, serão tratadas na forma de Zonas de Especial Interesse. ( Art. 53. §2º da lei Nº 219/2018)

Figura 18 — Zonas de especial interesse
Zonas de especial interessePrefeitura de Jaraguá do Sul, 2021. Modificado pela autora.

I - ZEIS (Zona Especial de Interesse Social): destinada à promoção da urbanização, regularização fundiária e produção de habitação de interesse social, para salvaguardar o direito à moradia e à cidadania, podendo ser divididas, em legislação específica, em ZEIS de regularização fundiária e ZEIS de produção de habitação de interesse social;

II - ZEIC (Zona Especial de Interesse Cultural): destinada à

proteção e preservação do patrimônio ambiental cultural, abrangendo sítios,

edificações ou conjuntos de edificações de valor arquitetônico e histórico;

III - ZEIA (Zona Especial de Interesse Ambiental): destinada à

proteção e preservação do patrimônio ambiental natural, abrangendo a rede hídrica, a cobertura vegetal, as paisagens notáveis, as áreas ambientalmente frágeis, as APPs - Áreas de Preservação Permanente e as franjas verdes.

 ZONAS DE ESPECIAL INTERESSE - IPHAN

O objeto de estudo está localizado dentro do perímetro urbano do bairro Rio da Luz, no perímetro da ZEIS (Zona Especial de Interesse Social) e no entorno da ZEIC (Zona Especial de Interesse Cultural), o que torna o terreno um setor paralelo ao de tombamento, nomeado de Setor E4 (Áreas Urbanizadas de Entorno).  

Figura 19 — Setorização dos perímetros de tombamento e entorno
Setorização dos perímetros de tombamento e entornoPrefeitura de Jaraguá do Sul, 2021. Modificado pela autora.

Segundo o Art. 9º da portaria nº 69, de 22 de fevereiro de 2013, o entorno se   caracteriza-se pela concorrência entre a atividade rural e a crescente ocupação urbana, sendo considerado, do ponto de vista da preservação do sítio tombado, como área de transição e amortecimento. 

Figura 20 — Uso e ocupação do solo
Uso e ocupação do soloPrefeitura de Jaraguá do Sul, 2021. Modificado pela autora.

As intervenções propostas para a requalificação da fábrica devem levar em conta a preservação, a valorização e a qualificação da paisagem das áreas tombadas, por isso se aplicam uma série de normativas, segundo a portaria nº 69, de 22 de fevereiro de 2013, o Art. 22 destaca os seguintes requisitos para as novas edificações no setor E4: 

II - Telhado em duas ou quatro águas e cobertura em telha cerâmica de cor natural similar às edificações tradicionais (marrom escuro ou avermelhado) e com tratamento não brilhoso.

III - Paredes externas com acabamentos em cores similares àquelas utilizadas pela arquitetura tradicional da região, vedado o uso de tonalidades fortes e vibrantes, de revestimentos cerâmicos ou de acabamento brilhoso;

Parágrafo Único - Sótão e subsolo não serão computados para fins de cálculo das alturas totais das paredes externas.

Art. 23. Em todos os setores de TOMBAMENTO e ENTORNO, os cercamentos (muros, muretas e cercas) deverão seguir as seguintes características:

I - Se construídos com elementos vazados (madeira ou metal), a altura máxima será de 1,80 metros;

II - Se construídos com materiais opacos (tijolos, blocos de pedra ou outro material similar), a altura máxima será de 80 centímetros;

III - Se construídos com elementos mistos (aliando materiais opacos e elementos vazados), a altura máxima será de 1,50 metros, com embasamento de, no máximo, 50centímetros de altura.

IV - Em todos os casos, deverão possuir desenho sóbrio, compatível com as tipologias de muros e/ou cercas que tradicionalmente acompanham a arquitetura teuto-brasileira de valor cultural da região, ficando vedada pinturas ou acabamentos com cores claras (como o branco ou tons pastéis).

V - Fica vedada a construção de portais ou qualquer tipo de cercamento estranho àquele tradicionalmente utilizado na área rural de Rio da Luz e relacionado com a arquitetura teuto-brasileira de valor cultural da região.

ANÁLISE DO LOTE   

Figura 21 — Vistas externas da fábrica
Vistas externas da fábricaPrimária, 2021

A fábrica está localizada no entorno do perímetro de tombamento do bairro Rio da Luz, e possui uma área de topografia plana de aproximadamente 102236.43m². O terreno possui três testadas, o que gera boas propostas projetuais de integração do edifício com o local, uma extensa área verde no seu entorno imediato proporciona um contato direto com a natureza, sem poluição sonora e visual, não havendo possibilidade de sombreamento de outras edificações. Ao analisar a trajetória solar sobre a fábrica, observa-se que incidência do sol acontece integralmente, possibilitando a utilização da iluminação natural. 

Figura 22 — Análise do entorno imediato
Análise do entorno imediatoPrefeitura de Jaraguá do Sul, 2021. Modificado pela autora.

HIERARQUIA VIÁRIA

A análise de ruas e suas hierarquias determinam como os bairros se estruturaram, e como seus usos se desenvolveram ao longo delas. Sendo assim, através da figura (23) foram analisadas as vias no entorno da fábrica.

O acesso da fábrica é público, feito pela rua Eurico Duwe, eixo de ligação, desde o início do bairro na área urbana até o final do bairro na área rural, por este motivo possui movimento intenso de pedestres e veículos. O escoamento do trânsito e cargas pode ser realizado pela SC-110, aproximadamente a 3,7km (5m) ou pela BR-101 a aproximadamente 53,8km (55min) da fábrica. 

Figura 23 — Mapa de acessos
Mapa de acessosPrefeitura de Jaraguá do Sul, 2021. Modificado pela autora.

CONDIONANTES AMBIENTAIS 

Através da análise ambiental, é possível determinar se existem restrições que podem influenciar na forma de ocupação, podem sofrer influência de cursos d'água, áreas de preservação permanente, área de inundação, entre outros. 

O mapa traz a localização da fábrica em estudo e condicionantes do entorno imediato. Através da figura (24) é possível perceber que a fábrica não possui restrições de inundação nas últimas maiores enchentes do município, porém se encontra em área suscetível a inundação. 

Figura 24 — Condicionantes ambientais
Condicionantes ambientaisPrefeitura de Jaraguá do Sul, 2021. Modificado pela autora.

DRETRIZES PROJETUAIS 

CONCEITO E PARTIDO

O novo uso do empreendimento visa integrar o bairro com a cooperativa, através de usos públicos. As soluções urbanísticas, como o espaço público têm como finalidade tornar convidativo o local para toda comunidade, indiferente se ser associado ou não. A intenção de requalificar é garantir um novo uso para toda comunidade, de modo que o patrimônio industrial não seja apenas um objeto de preservação. 

Figura 25 — Conceito e partido
Conceito e partidoElaborado pela autora, 2021

PROGRAMA DE NECESSIDADES

Por meio de análises de correlatos utilizados como referências arquitetônicas, foi possível desenvolver um levantamento com a setorização de cada espaço, chegando a um pré-dimensionamento. A fábrica foi dividida em cinco grupos; administração, comercial, gastronômico, educacional e agroindustrial, de usos públicos, semipúblico e privado. 

No setor administrativo estão reunidas as atividades referentes ao funcionamento e organização da cooperativa, onde será feita a recepção da população e visitantes. No setor comercial situam-se as vendas de produtos e toda parte administrativa do setor. O setor gastronômico tem acesso independente, é responsável pela alimentação dos colaboradores e de visitantes. No setor educacional está localizado toda estrutura necessária para educação, formação e informação de seus associados e a população em geral. O último setor também possui um acesso independente da cooperativa, o setor agroindustrial, é responsável por todo recebimento, higienização, controle e armazenamento da cooperativa. 

Figura 26 — Programa de necessidades
Programa de necessidadesElaborado pela autora, 2021

 FLUXOGRAMA

Através do fluxograma é possível compreender de que forma funcionaria a circulação interna da cooperativa. Os funcionários e associados tem livre circulação pela cooperativa, já os visitantes têm seu acesso limitado ao setor comercial e gastronômico. 

Figura 27 — Fluxograma
FluxogramaElaborado pela autora, 2021

SETORIZAÇÃO E ACESSOS  

A setor gastronômico e comercial da cooperativa terá livre acesso aos visitantes, sendo de uso público, a área gastronômica possui acesso independente por este motivo, a cooperativa possui espaços semipúblicos e privados, possibilitando a visitação nos finais de semana. 

Figura 28 — Setorização e acessos
Setorização e acessosElaborado pela autora, 2021


REFERÊNCIAS

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