PROJETO RUAN

Centro de Profissionalização e Educação Técnica

PROJETO RUAN

RUAN ARANTES DA SILVA

Resumo

Com o inicio da Revolução Industrial, a energia elétrica se tornou fundamental no cotidiano da população trazendo uma inovação gigantesca para o ser humano. De inicio a única forma de distribuição era por redes aéreas, mesmo sendo uma fantástica inovação, com o tempo veio a percepção de que a utilização de postes e a montoeira de fios estava se descontrolando e junto com o conforto trouxe o perigo e poluição visual para as cidades. Desta forma o homen com outra perspectiva fomentou novas ideias para melhorar o projeto, e desenvolveu o plano de redes subterrâneas, um sistema de distribuição de energia elétrica que pode ser totalmente ou parcialmente enterrada. Este tipo de rede veio com vários benefícios que superam as redes aéreas inclusive na estética das cidade e na segurança. Na perspectiva do sistema operacional da rede subterrânea apresenta muita eficiência nos indicadores de continuidade, outro ponto que prevalece sobre as redes aéreas, contudo o custo financeiro para implantação da rede subterrânea um fator ainda negativo, que pode em alguns casos inviabilizar a implantação deste sistema.

Palavras-chave: Redes de Distribuição. Redes subterrâneas. Redes aéreas. Energia Elétrica.

Abstract

With the beginning of the Industrial Revolution, electric energy became essential in the daily life of the population, bringing a gigantic innovation to the human being. At first the only form of distribution was by aerial networks, even though it was a fantastic innovation, with time came the perception that the use of poles and the pile of wires was getting out of control and along with comfort brought danger and visual pollution to The cities. In this way, the man with a different perspective fostered new ideas to improve the project, and developed the plan for underground networks, an electricity distribution system that can be totally or partially buried. This type of network came with several benefits that surpass aerial networks including city aesthetics and safety. From the perspective of the operating system of the underground network, it presents a lot of efficiency in the continuity indicators, another point that prevails over the aerial networks, however the financial cost for implantation of the underground network is still a negative factor, which can in some cases make the implementation of this system unfeasible.

Keywords: Distribution Networks. Underground networks. Overhead networks. Electricity.

Introdução

Com o descontrolada crescimento dos centros urbanos no país exige uma diligencia de energia elétrica cada vez maior no intuito de satisfazer as necessidade dos brasileiros. Contudo, a distribuição dessa energia por redes aéreos, muito utilizada no Brasil, vem se transformando em um senário caótico nas cidades urbanas mais povoadas, visto que há excesso de postes e emaranhado cabos em áreas que ja não suportam esse tipo de sistema com essas estruturas, essencialmente por ausência de planejamento espacial. A energia elétrica é transportada de um ponto para outro por meio das linhas de transmissão de alta potência e posteriormente redistribuída aos consumidores mediante as redes de distribuição e ramais de ligação. 

As redes aéreas de distribuição de energia traz algumas desvantagens, as quais se relacionam vários pontos como desligamento da energia por conta de curtos circuitos, poluição visual da cidade, risco de acidentes por um  fio descascado entre outos fatores que refletem de maneira muito negativa no campo econômico, social, e ate ambiental.

Dessa forma almeja-se conseguir aduzir uma nova perspectiva em relação a implantação da rede subterrânea no pais como também no mundo, distinguir os desvantagens e vantagens que decorrem desse tipo de rede, e apresentar resultados positivos.    

redes de distribuição de energia elétrica 

evolução HISTÓRICa

Desde os primórdios dos tempos o homen usava energia para executar os deveres que salvaguardavam sua sobrevivência. A nossa dependência da energia permanece até hoje, visto que ele é fundamental para concluirmos nossas atividades diárias

Foi a Revolução Industrial que marcou o período histórico do progresso recorrente da população. Desde o surgimento da máquina a vapor em 1781, tornou-se cada vez mais vital a implantação de tecnologias inovadoras para a crescimento desenfreado na capacidade da produção industrial. A energia elétrica, empregada como força motriz para que esse desenvolvimento pudesse se tornar-se viável, caracterizou-se-se como elemento fundamental e indispensável no cotidiano, tal como na questão econômica como na dimensão do conforto e praticidade, (GOMES E VIEIRA, 2009).

Contudo, apenas em 1882 surgiu a primeira empresa capacitada para gerar e comercializar a energia elétrica. A nossa tecnologia empregada atualmente surgiu com George Westinghouse Jr com a criação de transformadores capazes de transmitir correntes elétricas por longas distâncias.

Com a iniciativa de Dom Pedro II, em 1879 houve a primeira geração de energia elétrica no Brasil através de recursos mecânicos, com a instalação de uma iluminação elétrica na Estação Central da Estrada de Ferro no Rio de Janeiro, logo em seguida tinha a cidade de Rio Claro, que passou por um acentuado ápice econômico, com a mudança das lavouras canavieiras para a produção de cafeicultura, e também o inicio do desenvolvimento industrial, com isso Rio Claro foi a primeira cidade da província de Sao Paulo e a segunda cidade do país a ser contemplada com energia elétrica. 

Em 1883 a eletricidade se destacou também nos transportes coletivos brasileiros, em Niterói com a linha de bondes elétricos a bateria. Na Cidade de Campos – RJ, teve a primeira central construída parta a gerar e transmitir energia, sendo movida através de uma unidade termoelétrica. Ainda em 1883 foi construída a primeira usina hidrelétrica no Brasil na cidade de Diamantina em Minas Gerais.     

Com a elevada expansão da população brasileira após o século XX notou-se uma crescente demanda na tarefas urbanas impulsionando o mercado interno a produção superior de bens de consumo. Devido a esse crescimento urbano, em 1899 uma empresa canadense conhecida por LIGHT foi instituída por Sao Paulo e Rio de Janeiro, com intuito de fornecer vários dos serviços urbanos da população, incluindo iluminação publica. Em 1924 foi instituída outra empresa de energia elétrica, American Foreign Power Company, a qual tinha a responsabilidade de alcançar algumas cidades do interior de Sao Paulo e outras nove capitais do país. (LORENZO, 2002).

No entanto em 1940 ja tinha sido esgotado os potenciais hidrelétricos, podendo contar somente com uma ampliação da capacidade havidas pelas usinas existentes. A falta de de energia elétrica era corriqueiramente e a demandada de novas instalações sempre abundante resultava na demora no atendimento, apresentava muitas quedas abruptas na voltagem, com isso as consequências no desenvolvimento econômico gerou entraves complexos.   

Com intuito de solucionar os entraves de abastecimento primordialmente na região Sudeste do país, foi implantada, em 1957, a empresa Federal Central elétrica de Furnas no Rio Grande, contendo um excelente aproveitamento energético, suficiente para retardar o racionamento de energia que a tempos ja causava sérios aborrecimentos para o povo e a industria.  

Com isso, foi idealizado o primeiro Plano Nacional de Eletrificação, o qual previa a necessidade de integralizar as regiões elétricas através de sistemas de transmissão, e ainda previa a quantidade de recursos a serem utilizados no investimento. Neste Plano estava incluso a criação do Fundo Nacional de Eletricidade (Eletrobrás), e um setor nacional para produção equipamentos elétricos.   

Com a vasta evolução no setor elétrico e o descontrolado crescimento da população urbana, aparecerem-se diversas sequelas danosas. com a falta de planejamento urbano, a distribuição de energia elétrica para a população consumidora, por redes aéreas poluiu vulgarmente  as grandes cidades, criando grandes emaranhados de redes de distribuição elétrica e telefônica, e de consequência apontam falhas em vários pontos operacionais.  

Segundo os pesquisadores do IBGE de 2013, cerca de 99,6% das residências brasileira utilizam energia elétrica, correspondente a 65.0 milhões de unidades domiciliares, a distribuição dessa energia e feita por meio das redes de distribuição, no qual segundo os dados fornecidos pela AES Eletropaulo em 2013 , 97% da população consumidora recebem a energia elétrica através das redes de distribuição aérea. 

Muitos aspectos atualmente comprometem a credibilidade do recurso de distribuição de energia elétrica no país, como por exemplo questões ambientais, econômicas, segurança, visibilidade, falta de espaço e as falhas no fornecimento de energia.  

Diversos investimentos em redes aéreas e subterrâneas foram introduzidos  no país desde o início do século, sendo as  redes aéreas mais utilizada por conta da praticidade e do custo. Apesar de ser um sistema viável e com vantagens como estéticas e qualidade as redes subterrâneas foram jogadas para escanteio no princípio da eletrificação brasileira. 

    

 Da GERAÇÃO até a  DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA no BRASIL

Sabe-se que a energia elétrica pode originar-se de varias fontes, como por exemplo: éolica, hidráulica, solar, térmica, nuclear, e demais. Porem a fonte predominante de energia elétrica no Brasil  esta no campo hidrelétrico, em outras palavras, a energia que é gerada pela fonte hidráulica, quando se usa dos provenientes da agua para converter em energia elétrica.   

Com isso, aquela energia que foi gerada nas usinas no começo vai ser direcionada imediatamente para o chamado Sistema Integrado Nacional (SIN), o qual é responsável por coordenar e monitorar toda a produção até a distribuição da energia pelo pais. 

Segundo a Associação Brasileira de Distribuição de Energia Elétrica – ABRADEE (2015) o sistema elétrico é bem diferente dos outros sistemas de redes utilizadas no Pais como saneamento e gás, por esta razão a energia elétrica tem uma carência de continuo equilíbrio, ou seja, toda a energia consumida deve ser constantemente produzida, correndo o risco do sistema sofrer os famosos “apagões” resultantes do desligamento do sistema.

Para se efetivar o percurso da energia elétrica ate consumidor final, a Lei Federal nº 11.934 de 05 de maio de 2009, exige que seja feita um implantação de sistema de energia elétrica, estabelecida pela  referida Lei como um “conjunto de estruturas, fios e cabos condutores de energia, isoladores, transformadores, subestações e seus equipamentos, aparelhos, dispositivos e demais meios e equipamentos destinados aos serviços de geração, transmissão, distribuição e ao uso de energia elétrica” (BRASIL, 2009).

No intuito de impedir que se desperdice energia elétrica no decorrer do caminho que ela transita até o consumidor final, essa energia passa pelos transformadores que são responsáveis por aumentar e diminuir a tensão da energia para que esta alcance o ponto ideal de transmissão necessária, e assim possa percorrer longas distancias segundo a precisão de cada consumidor final, seja ele industria, comercia ou residência. 

A função dos transformadores como dita anteriormente é alterar os níveis da energia elétrica, ou seja, transformar a tensão media para a baixa tensão. Os transformadores de distribuição diferente dos transformadores de subestações, são instalados nos postes de luz, podendo ser um ou o conjunto de transformadores, são eles que abastecem as redes de baixa tensão, e estas posteriormente transmite a energia elétrica para o consumidor final. No Brasil em sua maior parte, os transformadores de distribuição são incumbidos de transformar cerca de 13.800 V, em 127 V / 220V, em outras regiões do Pais os 13.800 V, é transformado em 220 V / 380. Alguns consumidores de grande porte como por exemplo mineradoras e fabricas, não necessitam que a energia passe pelo processo de redução, dessa forma elas recebem a energia em alta tensão. Em um desenho esquemático o processo geração, transformação e distribuição está ilustrado na figura 1, que segue abaixo.

Figura 1 — percurso da energia elétrica desde a sua geração até a distribuição
percurso da energia elétrica desde a sua geração até a distribuiçãohttps://www.ageradora.com.br/

CLASSIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DAS REDES

De acordo com a ABRADEE (2015), as linhas de transmissão são sobretudo compostas por fios condutores metálicos pendurados em torres, por meio de isoladores cerâmicos ou de outros instrumentos sobretudo isolantes.

As linhas que cuidam da transmissão da energia no Brasil são catalogadas segundo o nível de tensão da operação de cada uma, estimado em Quilo Volt (kV)

ABRADEE (2015), diz que, não só pelas redes de sub-transmissão, mais que também as empresas distribuidoras atuam com linhas de media e baixa tensão, conhecidas por redes primarias e secundarias, especificamente, posto que as linhas  de média tensão são aquelas com tensão elétrica entre 2,3 kV e 44 kV (A4 e A3a) e as redes de baixa tensão, variam entre 110 e 440 V.

E segundo AZEVEDO (2010), Além da diferenciação pela tensão de execução, as redes de distribuição podem ser distinguidas também de acordo com o tipo de isolamento do condutor, podendo este ser nu, protegido ou isolado, e também quanto à forma de instalação das redes, que podem ser classificadas como  aérea, semi-enterrada e subterrânea.

Adiante estão especificas as características das redes segundo o tipo de cada uma, com base no estudo de ABRADEE (2015) e Nakaguishi e Hermes (2011):

Rede de Distribuição Aérea Convencional: no Brasil é o modelo de rede elétrica mais utilizado, este os condutores são nus ,ou seja, sem isolamento, os mesmos são sustentados em isoladores de vidro quando não, por porcelana, e assim afixado na horizontal sobre cruzetas feitas com madeira nos circuitos primários e com media tensão, ja as secundarias de baixa tensão são fixados verticalmente. por conta desta maneira de implantação dos condutores a probabilidade de dar defeito podendo gerar curtos-circuito nestas redes é muito alta, ainda mais se houver contato dos condutores elétricos em galhos de arvores. Na figura 2 que se segue abaixo, demostra um exemplo de rede de distribuição aérea convencional.

Figura 2 — Rede convencional com isoladores de perfil protegido
Rede convencional com isoladores de perfil protegidohttps://www.celesc.com.br

Rede de Distribuição Aérea Compacta: constituída no Brasil cerca de 1990, esta rede é coberta por três condutores envolvidos por um revestimento de polietileno não reticulado, apoiados por um cabo de aço, o qual é responsável por sustentar os espaçadores poliméricos que ficam posicionados a cada 10 metros, servindo de apoio para os condutores postos em um conjunto compacto triangular. Com relação ao nível de segurança e proteção as redes compactas superam as redes convencionais, essa característica se da pelo fato dos condutores terem uma camada de isolação, e porque esse tipo de rede não necessita de tanto espaço como as outras.  Na figura 3 que se segue abaixo, tem como exemplo a rede de distribuição aérea compacta.  

Figura 3 — Rede Compacta
Rede Compactahttps://www.ancoraindustrial.com.br/acessorios-rede-compacta

Rede de Distribuição Aérea Isolada: esse tipo de rede é considerada bem protegida, ja que, seus condutores são precisamente envolvidos por um isolante bastante resistente, na maioria dos casos esse tipo de rede sempre é mais caras, por isso são utilizadas somente em casos especiais, como por exemplo: ambientes com muitas arvores grandes, ou ate mesmo alguns locais em seja necessário uma confiabilidade do sistema mais elevada.  Na figura 4 que se segue abaixo, mostra um exemplo de rede de distribuição aérea Isolada.  

Figura 4 — Rede Isolada
Rede Isoladahttps://www.institutodeengenharia.org.br/site/wp-content/uploads/2017/10/arqnot9693.pdf

 Rede de Distribuição Subterrânea: este tipo de rede pode ser introduzida de duas maneiras semeinterrada ou totalmente enterrada, a primeira é  usada quando tem os cabos enterrados, porém os equipamentos elétricos são instalados no solo, já a segunda tanto os cabos quanto os equipamentos são instalados no subsolo, ou seja totalmente enterrados. O modo semeinterradas costuma ser usado quando o local tem espaço para ser instalado cabines para os transformadores de distribuição de energia, por outro lado o modo totalmente integrado é utilizado quando o local não abrange espaço para os equipamentos elétricos ou redes aéreas. Na figura 5 que se segue abaixo, mostra um exemplo de rede de distribuição subterrânea, neste caso totalmente enterrada.

Figura 5 — Rede Subterrânea
Rede Subterrâneahttp://www.grupoccr.com.br/infra-em-movimento/urbanismo/o-desafio-da-fiacao-subterranea

Segundo MARTINS (2012) os sistemas empregados no processo de enterramento das redes são definidos por dois tipos: rede reticulada ou network e rede radial. Sendo que rede radial dispõe de uma linha principal posicionada na fonte e que é encaminhada até as cargas, formando interligações com outros circuitos de mesma tensão. Por outro lado o sistema reticulado detém diverso circuitos de média tensão, os quais alimentam os transformadores de distribuição. Relata ainda que o sistema subterrâneo é composto por câmaras de transformação, caixas para inspeções e para passagem, e também de dutos para cabeamentos diretamente no subsolo. 

A rede subterrânea evidencia vários benéficos para o consumidor e ate mesmo para a concessionaria de energia elétrica, que podem ser identificados logo após a instauração das redes no subsolo, quando se nota o impacto na reurbanização das cidades, e assim, veremos estes benefícios no decorrer o do trabalho.

Indicadores de qualidade de serviço de distribuição de energia elétrica

Segundo a ARSESP (2013), os Indicadores de Continuidade do Serviço de Distribuição de Energia Elétrica medem a continuidade e qualidade do fornecimento de energia elétrica distribuída para os consumidores referente aos fatores duração e frequência. 

Estes Indicadores foram originados pelo ja extinto DNAEE, por meio da Portaria n.o 46, de 17 de abril de 1978, nesta portaria ficou estabelecido os primeiros limites. Porém, inicialmente não previa as punições financeiras para os caso de excelência desses índices. Com o surgimento da Resolução Normativa n.o 24, de 27 de janeiro de 2000, foi decretada a pena de pagamento de uma compensação financeira, sendo descontado no pagamento da fatura pelo consumidor, como também uma multa em caso de descumprimento, do exigido pelo DNAEE.  Contudo, em 2009, tal resolução foi revogada pela Resolução Normativa n.o 395, de 15 de dezembro de 2009, extinguindo a obrigação do pagamento da compensação e da multa. 

De acordo com a ANEEL, as distribuidoras tem a responsabilidade de verificar esses indicadores e envia-los constantemente para que sejam apurados a continuidade e qualidade do serviço distribuído. Os dados que são colhidos mostram o tempo e numero de vezes em que a unidade consumidora ficou sem energia elétrica por um período variado de tempo, que devera ser determinado. Os indicadores de continuidade coletivos mais utilizados para medir são: DEC, FEC, DIC, FIC e DMIC.

COMPARATIVOS DE INDICADORES DE CONTINUIDADE

Diante doa fatores que devem ser analisados quanto a escolha do modelo de rede a ser introduzido, temos um dos mais importantes que é o indicador de continuidade. Sendo o DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) como dito anteriormente, tem a responsabilidade de perceber a qualidade quanto a distribuição de energia para o consumidor, fazendo medição da duração e frequência dos desligamentos das redes elétricas. 

A Resolução Normativa ANEEL de numero 414/2010 traz duas determinações, primeira que o custeio das obras instigado por aperfeiçoamento da estética a responsabilidade recai sobre o solicitante. Porem a resolução também diz que a prestação do serviço adequado, alem de outra coisas, deve satisfazer as condições de regularidade, continuidade, eficiência e segurança. 

Desta forma, em um estudo amplo, mesmo ja em 1997, do inicio da utilização dos indicadores de continuidade, observa-se que estes vem tendo uma queda lastimável, principalmente em relação a distribuição de energia elétrica no território Nacional, porém ficando bem atras deste índice esta o Estado de Sao Paulo, o qual tem boa parte da localidade com energia elétrica subterrânea. Neste sentido, o estudo induz a duvida quanto a qualidade dos serviços prestados no geral. Assim também no Rio de Janeiro, segundo Nakaguishi e Hermes (2011), desde da implantação das redes subterrâneas, aumentou a confiabilidade no sistema, e reduziu os valores apresentados pelo DEC e FEC.

De Acordo com a ABRADEE (2015), o porcentual de perda de energia elétrica do SIN em 2013 teve um calculo estimado de 8.39% para perdas técnicas que pode ser a energia que se dissipou, e 5.60% com perdas comerciais, quando ocorre furto ou fraude. Com base nisso, observou-se que a inserção das redes subterrâneas podem resultar na baixa da pratica de furtos e fraudes, devida as redes não estarem expostas. Podendo haver a redução ate na contribuição do consumidor regular, qual detém a obrigação de pagar as tarifas advindas das perdas percebidas pelos consumidores irregulares. 

Além do mais, a ANEEL em suas revisões tarifarias, tem como um dos requisitos o investimento em infraestrutura realizados pelas concessionarias, e diante do reajuste das tarifas deve ser considerado a modificação na qualidade quanto a distribuição do serviço prestado pelas concessionaria, ou seja, para que haja o aumento na tarifa cobrada do consumidor, as concessionarias devem ponderar uma melhoria na distribuição das suas redes elétricas, com objetivo de progredir na qualidade do serviço, sendo assim, observa-se que a implantação das redes subterrâneas é predominantemente uma melhoria a ser ponderada pelas concessionaria. 

A Elektro realizou  um estudo no Estado de São Paulo, mais precisamente na cidade de Limeira, consta no estudo três conjuntos de redes: convencional, compacta e subterrânea;  sendo analisado os seus desempenhos referente ao DEC e FEC. Nesta analise, foram escolhidas três chaves fusíveis no perímetro urbano, num período de operação de novembro de 2014 à outubro de 2015. Na tabela a seguir é demonstrada a  comparação dos indicadores de continuidade do estudo. 

Tabela 1 — Comparação dos indicadores de continuidade entre redes aéreas convencional, compacta e subterrâneas.
Comparação dos indicadores de continuidade entre redes aéreas convencional, compacta e subterrâneas.Elektro S.A.

Nesta tabela observa-se que os valores do DEC e FEC com relação a rede subterrânea é consideravelmente menor em comparação a redes compacta e a rede convencional, sendo que, referente a diferença do DEC entre as rede subterrânea e a convencional chega a reduzir mais da metade do valor. Para melhor o entendimento, os gráficos a seguir retrata os fatos ja citados de um outro ponto de vista, através de uma curva de desempenho dos indicadores em um mesmo período determinado.   


Gráfico 1 — Performance do DEC em redes aérea convencional, aérea compacta e subterrânea
Performance do DEC em redes aérea convencional, aérea compacta e subterrâneaAdriana Lima 2016


Gráfico 2 — Performance do FEC em redes aérea convencional, aérea compacta e subterrânea
Performance do FEC em redes aérea convencional, aérea compacta e subterrâneaAdriana Lima 2016

Diante destas analises expostas, vale dizer que o DEC da rede convencional chega a ser 107% superior que o da rede subterrânea, como também o da compacta que é 68% superior ao DEC da rede subterrânea. Se tratando do FEC, este na rede convencional é 16% superior a rede subterrânea e quanto a compacta supera em 10% a rede subterrânea.    

Neste caso, fica evidente os pontos positivos da implantação de redes subterrâneas de distribuição de energia elétrica nas zonas urbanas, porem, ainda deve ser feita um analise mais detalhada dos diversos fatores envolvidos, afim de  que possam ser alcançados os efetivos benefícios da inserção da rede subterrânea, levando em consideração  que os gastos financeiros mantém-se bastante superiores em comparação as redes aéreas.

Impactos Social da redes SUBTERRÂNEAS no TERRITÓRIO

No decorrer da evolução do setor elétrico no mundo, a participação do ser humano destaca vários impactos tanto sociais como econômicos, devido ao fato do tipo de distribuição de energia elétrica inserida que pode ter benefícios ou prejuízos para a sociedade. Desta forma, a escolha pelo tipo de rede a ser implantada é um fator questionável, e que pode variar bastante dependendo das localidade, do custo, entre outros fatores.   

Um fator muito relevante a ser levando em conta no momento de escolha do tipo de rede é a confiabilidade dele, pode se calcular esse fator pelo numero de vezes em que houve falhas na forma de distribuição da energia. Sabe-se que as redes convencionais são destaques em dados que demostram elementos causadores de desligamento das redes, um dos mais destacado esta nos condutores nus, que por estarem expostos as adversidades do ambiente são mais sucessíveis a danos. 

Vale ressaltar também a perturbação na organização espacial da localidade, o espaço em que os postes de redes ocupam trazendo o abalroamento de fios nas vias pode ocasionar muitos prejuízos, inclusive reduz drasticamente a segurança destas vias, que muita das vezes são intensamente movimentadas, além de obstruir a eficiência da distribuição de energia. 

Segundo uma repostagem divulgada em 2014 no site do Governo de Santa Catarina (2015), a Celesc sofreu uma perda de 5,4 milhões de reais em pagamento de equipamentos que foram corrompidos pelo abalroamento nas vias, chegando ao numero de 4.687 de casos de abalroamentos. a Reportagem ainda  adicionou que neste caso de incidente, o prazo médio do restabelecimento da energia chega a ser no mínimo 5 horas. 

No tocante a locomoção diária da população, o IBGE (2010) apresentou que aproximadamente 30% das percursos diários das pessoas são diretamente a pé, sendo assim, fica demostrado a grande necessidade de melhoria nas calçadas para melhor mobilidade para as pessoas, pelo fato dos potes ocuparem boa parte das caçadas, ocasionando transtorno na locomoção dos cadeirantes, deficientes físicos ou ate mesmo mães com bebes com carrinhos onde muitas das vezes precisam recorrer as ruas movimentadas correndo maior risco ainda. Desta forma a rede subterrânea trás impactos sociais benéficos, tendo em vista a inexistência de postes nas calcadas, dando mais espaço disponível para os passantes.  

 Outro aspecto questionável é o impacto social que é advindo com os objetos presos na rede elétrica, como por exemplo: galhos de arvores, pipas e linhas entre outras coisas, esses objetos no tempo da chuva são capazes de se tornar condutores de energia, e gerar curtos-circuitos nas redes, assim também pode ser perigoso por contas das arvores que com o vendo forte podem esbarrar nos nos fios de rede e provocar desligamento da distribuição. 

Neste contexto, fica evidente que a modificação para a rede subterrânea oferece uma proteção contra estes fenômenos naturais e ate artimanhas de crianças nas ruas, ja que esta modelo de sistema fica com suas redes protegidas e isoladas abaixo do solo, sendo assim o reflexo desses aspectos apresenta uma redução nos valores do DEC e FEC, resultando em um custo mais baixo desse tipo de rede e uma melhor qualidade para o consumidor alem da satisfação quanto a um espaço mais valorizado visivelmente. 

Comparativos Financeiros

A seguir será apresentado uma analise comparativa entre o custo de instalação dos tipos de redes mais comuns no Pais, esta analise é baseada em pontos específicos de algumas cidades onde se encontra consumo de energia em alta quantidade. 


Das Redes Aéreas  

Segundos os dados apresentados pela Elektro S.A. (2015), assim como na tabela abaixo, os custos das redes aéreas compactas medidas por quilometro 


Tabela 2 — Estimativa de Custo (R$/km) de diferentes tipos de rede compacta
Estimativa de Custo (R$/km) de diferentes tipos de rede compactaElektro S.A

De acordo com dados fornecidos pela Eletro S.A., as redes convencionais (Nuas) apresentam um custo que chega aproximadamente a 30% abaixo dos custos apresentados pelas redes compactas, neste sentido, a tabela a seguir demostra um espelho. 


Tabela 3 — Estimativa de custo (R$/km) de diferentes tipos de rede convencional (Nua)
Estimativa de custo (R$/km) de diferentes tipos de rede convencional (Nua)Elektro S.A

Paulo Migliorini, analisa de compras da concessionaria Elektro, afirma que, os custos medidos por km (quilômetro) com o fim de efetivar os planejamentos de instalação das redes aéreas convencionais (Nua) e compactas nas zonas urbanas, definidas com cargas elevadas podem chegar a 140.000,00 (cento e quarenta mil) (R$/KM) no caso da rede convencional, ja na compacta pode alcançar até 200.000,00 (duzentos mil) (R$/KM). 

E não só o custo de instalação deve ser levado em conta, ja que é de notável importância que seja feita um serviço de poda nas redes aéreas na qualidade de manutenção destas redes. O engenheiro elétrico Flavio Penellas diz que o custo razoável desse tipo de serviço por quilometro de rede diante dos ramais e troncos urbanos é de quase 385.00 (trezentos e oitenta e cinco) (R$/KM) por poda. 

Assim, é evidente que o custo de implantação das redes aéreas vai alem das de implantação, inclusive ha a exigência de cursos  de formação para exercer o serviço de implantação destes sistemas e redes. Desta forma, para operar uma rede aérea o profissional eletricista, segundo dados cedidos pela CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais) a carga horária mínima de formação inicial exigida para o cargo é de 980 horas. 

Redes Subterrâneas

Para o estudo do custo de implantação da rede subterrânea seja ela parcialmente enterrada ou totalmente enterrada, foi analisado segundo a suas tipologias aplicada, ja que estas podem variar o custo final, podendo ser no sistema radial ou reticulado, medido pela Copel a utilização das redes de distribuição subterrâneas nas zonas urbanas,  por meio da densidade de carga típica, o custo por quilometro e o custo quiilovoltampere (kVA). Em uma pesquisa feita pela CEMIG (Centrais Elétricas de Mina Gerais), demostra os custos gerais entre as RDP, RDI E RDS, assim como exposto nas tabelas abaixo:


Tabela 4 — Custo de implantação de redes subterrâneas parcialmente enterradas.
Custo de implantação de redes subterrâneas parcialmente enterradas.Copel

Tabela 5 — Custo de implantação de redes subterrâneas totalmente enterradas.
Custo de implantação de redes subterrâneas totalmente enterradas.Copel

Tabela 6 — Custo de implantação de redes parcialmente enterradas em localidades diversas.
Custo de implantação de redes parcialmente enterradas em localidades diversas.Copel

Tabela 7 — Comparativo de custos entre RDP, RDI e RS.
Comparativo de custos entre RDP, RDI e RS.UNIVERCEMIG

Da mesma maneira que para implantação das de redes aéreas é obrigatório o curso especializados para os eletricistas, assim também é para a aplicação da rede subterrânea. No entanto a carga horária mínima de formação inicial exigida para o cargo de eletricista de rede subterrânea é de 1544 horas. 

Fica evidente que em todas os dados apresentadas, os custos de instalação das redes subterrâneas é superior aos custos das redes aéreas. Porem vale destacar que estes custos apresentados deveriam se arcados pelas concessionaria juntamente com os órgãos públicos, e ainda, vale dizer que com a implantação da redes subterrâneas outras empresas prestadoras de serviços se beneficiariam desta mudança, como por exemplo telefonias, internet, fibra ótica, tv a cabo entre outras, o que concluiria em uma redução dos custos se fosse compartilhado a responsabilidade deste custo. 

Atualmente os aspectos de analise para implantação da redes subterrânea são diversos, e estabelecidos conforme as características da localização, da necessidade de uma rede deste tipo, ate mesmo a necessidade da energia em si, e entre essa variação de fatores ha uma grande redução dos custos. Outro ponto positivo a se destacar é a evolução da tecnologia que vem sendo baratinada no decorrer dos anos, ajudando bastante na baixa do custo da implantação da rede subterrânea se esta for bem estudada, planejada, e aplicada se valendo dos novos aspectos levantados por este trabalho. 



 



Conclusão

No trabalho apresentado foram apontados vários fatores que distinguem os tipos de redes de distribuição de energia elétrica, em destaque a aspecto econômico e social. Vimos que a implantação do tipo de rede subterrânea pode variar muito de acordo com as características do local. 

No tocante aos fatores sociais, as redes aéreas são nocivas pelo fato de provocarem por exemplo a poluição visual da cidade, acidentes por conta do abalroamento de fios e postes, transtorno na mobilidade urbana, acidentes com pipas entre outros problemas que a torna esse tipo de rede prejudicial a população. Já a rede subterrânea retrata alternativas benéficas que sobrepõem a todos estes fatores.

Em relação as questões operacionais, é evidente que os indicadores de continuidade das redes subterrâneas dispõem de um ação expressivamente melhores do que às redes aéreas. sendo que há uma visível reduções no DEC e do FEC, demostrado ainda que as redes subterrâneas tem uma melhor qualidade na distribuição de energia e dessa forma reduz o custo com as manutenções corretivas.

No campo financeiro, a modalidade subterrânea apresenta um custo elevado por conta das despesas com alem dos equipamentos de específicos do sistema, também é necessário os serviços da construção civil e profissionais elétricos devidamente cursados. Porem são gastos que trarão uma benfeitoria que terá uma duração muito mais garantida e a satisfação do consumidor. 

A conclusão deste trabalho é que a possibilidade de implantação das redes subterrâneas variar conforme sua finalidade e necessidade. Com relação aos  aspectos sociais e operacionais, sua implantação é executável e traz diversas vantagens para a distribuição de energia, conforto da população e equilíbrio do meio ambiente. Contudo, se o método de implantação observar somente os fatores financeiros, as redes aéreas ainda serão a melhor opção, mais este trabalho foi desenvolvido para abordar todos os aspectos que devem ser analisados para a escolha do tipo de rede de distribuição de energia, inclusive soluções aceitáveis de como reduzir os custos por parte das concessionarias. 

Referências

ABRADEE – Associacão Brasileira de Energia Elétrica. Redes De Energia Elétrica. ABRADDE. Disponível em: http://institucional.taesa.com.br/como-a- energia-chega-ate-a-sua-casa/. Acesso em: 17 set. 2020.

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