PROJETO JEFFERSON

Centro de Profissionalização e Educação Técnica

PROJETO JEFFERSON

JEFFERSON PAULINO DE AQUINO

Introdução

Logística Reversa é um termo bastante genérico. Em seu sentido mais amplo, significa todas as operações relacionadas com a reutilização de produtos e materiais. Logística Reversa  se refere a todas as atividades logísticas de coletar, desmontar e processar produtos e/ou  materiais e peças usados a fim de assegurar uma recuperação sustentável (amigável ao meio  ambiente). (REVLOG: 20??). Como procedimento logístico, diz respeito ao fluxo de  materiais que voltam à empresa por algum motivo (devoluções de clientes, retorno de  embalagens, retorno de produtos e/ou materiais para atender à legislação). Como é uma área  que normalmente não envolve lucro (ao contrário, apenas custos), muitas empresas não lhe  dão a mesma atenção que ao fluxo de saída normal de produtos. Mesmo a literatura técnica  sobre logística só agora começa a se preocupar com o tema.  

Em uma visão mais ampla, Leite (2002) define a logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera, controla o fluxo do retorno dos bens de pós-venda e  de pós - consumo ao ciclo produtivo, por meio dos Canais de Distribuição Reversos,  agregando a esses produtos valor econômico, ecológico, logístico e outros. 

Atualmente, são publicados vários artigos científicos com a finalidade de demonstrar qual o conceito de logística reversa e os motivos para a sua aplicação. Nota-se que existem  determinadas causas que têm feito com que esta aplicação se torne cada vez mais frequente e  essencial.

Em uma visão mais crítica, De Oliveira (2011) afirma que as empresas ao optarem pela aplicação da logística reversa, não podem ignorar os custos que a mesma pode trazer, ou  seja, produtos que voltam às fábricas podem acarretar custos adicionais para a empresa,  devido aglomerar toda a cadeia produtiva novamente (armazenagem, separação, distribuição)  e, com isso, o custo seria duplicado.

 O objetivo deste trabalhoo é analisar de que maneira a logística reversa vem atuando no mercado competitivo e demonstrar quais os benefícios e malefícios para as  empresas que optam por implantá-la. Os objetivos específicos estão voltados para a definição  dos conceitos relacionados à logística reversa, abordagem acerca dos fatores que influenciam  na eficiência do processo de logística reversa, demonstração dos retornos financeiros que a  mesma traz para as empresas e uma breve análise da redução de custos obtidos pelas empresas  por meio da prática da logística reversa. 

Referência Teórico

Atualmente, a prática da logística reversa, tem sido cada vez mais adotada por boa parte das empresas, fazendo com que a mesma deixe de ser um fluxo novo no mercado. Alguns exemplos, seriam as indústrias de alumínio que há muitos anos praticam a coleta de latas descartadas, realizando o reaproveitamento da matéria prima reciclada, assim também tem feito as siderúrgicas que utilizam a sucata criada por seus clientes como insumos de produção (DE OLIVEIRA, 2011). 

Para um melhor entendimento deste fluxo reverso, serão apresentados a seguir, alguns conceitos relacionados à logística reversa, como sua classificação e sua relação com o ciclo de vida útil do produto.

Logística Reversa

O conceito de logística reversa é bastante amplo. Ela cuida do planejamento e gerenciamento do produto do momento em que ele sai do consumidor até a fábrica, ou seja,  como o próprio nome diz, cuida do fluxo reverso da fabricação do produto. Várias são as  definições relacionadas a este termo e aqui serão apresentadas algumas delas. 

Em Nhan et al. (2003), a logística reversa pode ser considerada como uma função de otimização do fluxo reverso de informações, materiais, além dos recursos integrados de uma  empresa que cuida de atividades gerenciais e operacionais, ou seja, que cuida do  planejamento, implementação e controle do fluxo de materiais e recursos desde sua origem ao  seu destino, de maneira a adequar esses materiais às necessidades do mercado, isto é, fornecedores e consumidores. 

Para Rogers e Tibben-Lembke (1999) apud Hernández et al. (2012), pode-se definir a logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera, e controla os fluxos  reversos de matérias-primas, estocagem e os produtos finais, como também, as informações  deste produto, do ponto do consumidor até a fábrica, com a função de recapturar valor e gerar  benefícios competitivos nas esferas econômica e socioambiental. 

Para um melhor entendimento, pode-se observar (Figura 1) o processo de logística reversa. Nota-se que esta ferramenta gera produtos reutilizados que retornam ao ciclo  produtivo tradicional.

Imagem 1 — Representação Esquemática dos Processos Logísticos Direto e Reverso
Representação Esquemática dos Processos Logísticos Direto e ReversoLacerda (2002)

Classificação da Logística Reversa

Liva et al. (2003) apud Nhan et al. (2003) classificam a Logística Reversa em três tipos: Logística Reversa de pós-venda, Logística Reversa de pós-consumo e Logística Reversa de embalagem. 

  •  Logística Reversa de pós-venda: Controla o fluxo logístico correspondente aos bens de pós-venda, ou seja, produtos sem uso ou com pouco uso que são devolvidos. Pode-se incluir produtos com falhas no funcionamento, erros nos pedidos, liquidação de vendas. São produtos que podem ser agregados valor comercial, envio à reciclagem ou reaproveitamento.
  • Logística Reversa de pós-consumo: Controla o fluxo físico correspondente aos bens de pós-consumo, ou seja, produtos descartados pela sociedade. São aqueles que ainda possuem vida útil ou que possuem possibilidades de reutilização. Eles se referem a respeito, também, dos resíduos industriais que voltam ao ciclo produtivo. Esses produtos poderão surgir de bens duráveis, por exemplo, quando um produto é desmontado seus componentes podem ser aproveitados ou remanufaturados. No caso de não haver reaproveitamento, esses produtos serão destinados para lixões ou sofrerão incineração. 
  •  Logística Reversa de embalagem: embora este tipo de logística reversa possa estar aglomerado na logística reversa de pós-venda e de pós-consumo. É importante ressaltar que existe uma tendência mundial de reaproveitamento das embalagens retornáveis ou dem múltiplas viagens, devido à grande quantidade de resíduos gerados despejados no meio ambiente Isso acontece devido à distribuição de embalagens em mercados cada vez mais afastados– aumento de gasto com embalagens repercute no custo do produto final.

O ciclo de vida útil do produto

O conceito de logística reversa, embora, seja bastante amplo, antes deste conceito, existe um de suma importância que é o do ciclo de vida do produto. Ao analisar a vida de um produto de uma maneira logística, será constatado que a mesma não termina quando este produto chega ao consumidor, ou seja, produtos podem ser danificados ou não funcionar, e,

com isso deverão voltar ao lugar de origem onde foram fabricados para serem descartados ou reaproveitados de maneira correta. Segundo De Oliveira (2011), o ciclo de vida do produto pode ser definido em quatro estágios – introdução, crescimento, maturidade e declínio. A introdução está relacionada ao baixo período de vendas, pois o produto está sendo inserido no mercado e, consequentemente, não há lucros neste estágio, devido às altas despesas para a inserção do mesmo. O crescimento diz respeito à aceitação do produto no mercado e, com isso, uma melhora nos lucros. A maturidade refere-se a uma diminuição das vendas, devido ao produto já ter conquistado a aceitação dos clientes. Já o declínio ocorre quando o produto não é mais vendido no mercado

Imagem 2 — Fases do ciclo de vida do produto
Fases do ciclo de vida do produtohttps://www.slideshare.net/SergioManjate/ciclo-de-vida-do-produto-66714769

Nota-se, contudo, que o ciclo de vida de um produto compreende custos de matéria- prima, fabricação, estocagem e, principalmente, o planejamento e gerenciamento de todo o  seu fluxo reverso. 

Ao analisarem o clico de vida do produto com a logística reversa, Tibben-Lembke (2002) e De Britto et al. (2002) apud De Oliveira (2011), afirmam a importância de que na  fase do desenvolvimento do produto, já seja considerado de que maneira será feita o descarte do mesmo, ou a reutilização de suas peças no final do seu ciclo de vida.

METODOLOGIA

EFICIÊNCIA NO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA

As empresas que adotam o processo de Logística Reversa, precisam ficar atentas aos custos adicionais que este fluxo pode trazer. Isso significa que, conforme este fluxo for planejado, poderá ter uma boa ou má eficiência.

Fatores críticos que influenciam a eficiência do processo de logística reversa

Para Lacerda (2002), existem alguns fatores, os que se forem bem ajustados, podem surtir efeito positivo para a empresa que adotar esta prática. Esses são chamados de “Fatores críticos que influenciam a eficiência do processo de logística reversa” como:

  •  Bons controles de entrada: é necessário analisar os materiais que serão retornados, para que esses possam seguir corretamente o fluxo reverso, evitando assim que os  mesmos gerem retrabalhos futuros.
  • Processos padronizados e mapeados: formalizar e mapear corretamente todos os procedimentos para que, com isso, seja feito um controle dos materiais e consequentes melhorias no fluxo reverso.
  • Tempo de Ciclo reduzidos: diz respeito ao tempo entre a identificação da necessidade de reciclagem, incluindo a disposição ou retorno de produtos até o seu processamento.
  • Sistemas de Informação: para obter melhorias sobre as informações a respeito da identificação de materiais devolvidos pelos consumidores, é necessário um rastreamento eficaz a respeito de retornos, medição dos tempos de ciclo e avarias no produto.
  • Rede Logística Planejada: consiste na necessidade de uma infraestrutura adequada para logística reversa, ou seja, que suporte os fluxos de entrada de materiais usados e fluxos de saída de materiais processados, isto é, instalações que contenham áreas de recebimento, separação, armazenagem, processamento, embalagem e expedição dos materiais.
  • Relações colaborativas entre clientes e fornecedores: devido a série de fatores existentes no processo de logística reversa, existem questões relacionadas à confiança das partes envolvidas. Informações que dizem respeito à responsabilidade sobre os danos causados no produto é um exemplo desse fator. 

Nota-se que é necessário as organizações envolvidas nesse processo, desenvolver soluções colaborativas para que o fluxo de logística reversa tenha uma boa eficiência.

TAXAS DE RETORNO DA CADEIA REVERSA

Rogers e Tibben-Lembke (1999) apud Garcia (2006) demonstram pela seguinte tabela, alguns exemplos de taxas de retorno de materiais do fluxo reverso de algumas indústrias:

Imagem 3 — Percentual de Retorno dos Produtos no Canal Reverso
Percentual de Retorno dos Produtos no Canal ReversoRogers e Tibben-Lembke (1999) apud Garcia (2006)

É observado que as taxas variam de acordo com o tipo de indústria e, que, dependendo do tipo de negócio, o planejamento e gerenciamento do fluxo reverso são fundamentais, de modo a capturar valor, como é o caso das revistas e catálogos.

Segundo Souza (2010), uma empresa consegue reduzir seus custos a partir da reutilização de materiais que seriam descartados pelos clientes, por exemplo, o retorno de revistas que não foram vendidas. Após uma triagem, essas revistas podem voltar às bancas onde serão vendidas em promoção.

O processo de logística reversa estabelece algumas medidas que diminuem a quantidade de produto descartável e, consequentemente, traz benefícios como a redução de resíduos e reutilização de materiais.

Segundo Iaria (2002) apud Garcia (2006), a cada tonelada de plástico reciclada, é economizado 130 quilos de petróleo; para uma tonelada de vidro. A energia de fabricação é economizada em 70%; e a cada tonelada de papel reciclado são poupadas 22 árvores e consumido 71% menos energia, além da poluição que diminui em 74%.

PARTICIPAÇÃO E RELEVÂNCIA DA LOGÍSTICA REVERSA

Recentemente, foi observado que existem dois fatores incentivando as empresas a adotarem a logística reversa: fator competitividade e fator ecológico. 

Em uma análise feita por De Oliveira (2011), foi possível observar que algumas empresas aplicaram a logística reversa. Alguns desses fatores são destacados de forma mais  nítida. Todavia, sempre existem outros ganhos decorrentes de outros fatores que, também, são  considerados como ganhos empresariais. 

Uma das empresas consultadas por De Oliveira (2011), foi denominada “Xerox”, que  tinha como estratégia a comercialização de suas copiadoras. Em 1960, Xerox estabeleceu uma  rede reversa que utilizava meios de coleta, desmontagens dos produtos, seleção de destino e  eutilização dos mesmos, oferecendo as mesmas garantias e repassando a economia de custos  a seus clientes, o que garantiu um alto nível de competitividade.  

Esse projeto havia sido idealizado para facilitar a desmontagem de componentes de alta intercambialidade, o que garantia uma boa flexibilidade em sua reutilização. Na venda de  uma máquina, a data de entrega e de desinstalação era planejada e empresas terceirizadas a  executavam nos centros de distribuição. 

Com isso, as operações eram conciliadas e essas mesmas empresas se encarregavam da desinstalação, seleção e destino dos produtos e seus componentes já usados. Em alguns  casos, os equipamentos eram submetidos a reparos nos próprios centros de distribuição e  posteriormente destinados à locação de equipamentos usados, já em outros casos, os  equipamentos eram destinados para algum centro de distribuição reversa, onde seria feita uma  nova seleção e destinação. 

A empresa Xerox, é um exemplo onde a prática da Logística Reversa é vista como estratégia empresarial e possui excelentes resultados. A revalorização logística dos  equipamentos usados é vista como revalorização econômica e tecnológica pelo  reaproveitamento de seus produtos e componentes e, também, a revalorização ecológica, pois  há uma redução de impacto ao meio ambiente, devido à diminuição de sucatas descartadas. Obtém-se, assim, um resultado positivo tanto no que diz respeito à sua imagem corporativa, como também em sua fidelização com seus clientes e toda comunidade.

Conclusão

Inicialmente, a Logística Reversa era uma ferramenta com baixa notoriedade no mercado, mas com o tempo, essa realidade veio mudando, devido à necessidade das empresas  em reduzir custos, evitar desperdícios e, também, a outras pressões externas. 

A Logística Reversa pode ser uma boa forma de vantagem competitiva para as empresas que a adotarem, todavia para isso, é necessário que essas empresas tenham um bom  planejamento de todo o fluxo reverso. Caso contrário, a gestão da mesma não será eficiente. Outro fator que difere a Logística Reversa e, é também fonte de vantagem competitiva, é o  fator ecológico. Diante das exigências dos clientes e aumento da rigidez da legislação  ambiental, a Logística Reversa atende de maneira eficaz no que diz respeito ao  reaproveitamento de materiais, prevenção ao meio ambiente e fidelização da sociedade como  um todo. 

De acordo com alguns exemplos de retorno da cadeia reversa citados no presente artigo, é observado que o processo de Logística Reversa possui um enorme campo de  aplicação, além de ser uma ferramenta que se encontra em grande evolução, devido ao  crescente interesse empresarial para a implantação da mesma. 

As empresas que optam por implantar a Logística Reversa, devem ficar atentas aos custos adicionais que a mesma pode trazer, visto não ser possível ter uma garantia da  recuperação do valor para o produto ou uma possível agregação de valor ao produto que foi  retornado. É fundamental que as empresas evitem a ocorrência de retornos não planejados.

Referências

CoelhoBeatriz. Citação direta: diferença entre citação curta e citação longa nas normas da ABNT. Blog Mettzer. Florianópolis, 2021. Disponível em: https://blog.mettzer.com/citacao-direta-curta-longa/. Acesso em: 10 mai. 2021.

CoelhoBeatriz. Conclusão de trabalho: : um guia completo de como fazer em 5 passos. Blog Mettzer. Florianópolis, 2020. Disponível em: https://blog.mettzer.com/conclusao-de-trabalho/. Acesso em: 10 mai. 2021.

CoelhoBeatriz. Introdução:: aprenda como fazer para seu trabalho acadêmico. Blog Mettzer. Florianópolis, 2021. Disponível em: https://blog.mettzer.com/introducao-tcc/. Acesso em: 10 mai. 2021.

DMITRUKHilda Beatriz (Org.). Cadernos metodológicos: diretrizes da metodologia científica. 5. ed. Chapecó: Argos, 2001. 123 p.

Mettzer. O melhor editor para trabalhos acadêmicos já feito no mundo. Mettzer. Florianópolis, 2016. Disponível em: http://www.mettzer.com/. Acesso em: 21 ago. 2016.

NaínaTumelero. TCC pronto em apenas 5 passos: do início à defesa. 2019. Disponível em: https://blog.mettzer.com/tcc-pronto/. Acesso em: 11 mai. 2021.

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