PROJETO GRAZIELA

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PROJETO GRAZIELA

Graziela Grando Bresolin

Resumo

Este é o resumo do seu projeto. Ele é um elemento obrigatório pelas normas da ABNT e o tamanho recomendado é de 150 a 500 palavras. Nele você deve apresentar de forma sintética os pontos principais do trabalho. Utilize a terceira pessoa do singular, na voz ativa. Procure utilizar frases claras, afirmativas e evite enumeração de tópicos. Ressalte o objetivo, o método, os resultados e as conclusões obtidas no estudo. A primeira frase deve destacar o tema principal do trabalho. Abaixo do resumo você encontra as palavras chave, que serão utilizadas para a catalogação dos trabalhos na biblioteca. Utilize de 3 a 5 palavras separadas por ponto.

Palavras-chave: Mettzer. Formatação. Trabalho acadêmico.

Abstract

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Palavras-chave: Mettzer. Formatting. Academic work.

Introdução

As rápidas evoluções ocasionadas pelo mundo globalizado alteram a forma de viver e aprender na atualidade, principalmente pela ampliação dos meios de comunicação e informação através de equipamentos como telefones, televisão e computador. A velocidade dessas mudanças criam um permanente estado de aprendizagem e de adaptação ao novo e as necessidades de acompanhar essas mudanças, o que impõem novos ritmos e dimensões à tarefa de ensinar e aprender. Nos dias de hoje as informações e conhecimentos podem ser adquiridos sem deslocamentos físicos até as instituições de ensino. A educação a distância proporciona ensino online e inúmeras possibilidades de estar informado por meio das interações com diferentes tipos de tecnologias e pessoas (KENSKI, 2015).

Os avanços tecnológicos se estenderam para o processo educacional, onde em um mercado mais competitivo, a procura por cursos superiores aumentou, havendo a necessidade de flexibilidade dos recursos oferecidos pelas instituições. As instituições de ensino devem procurar novas formas de atrair o aluno e garantir uma posição no mercado, através do estabelecimento de novas posturas, novas metodologias, novas maneiras de se ensinar. Algumas instituições de ensino dispõem de tecnologias avançadas dentro de uma visão conservadora de educação, enquanto outras instituições disponibilizam cursos presenciais, online e semipresenciais. Aos poucos a educação vai se tornando uma mistura de cursos, de sala de aula física e também de intercâmbio virtual. No futuro essas instituições irão adaptar-se ao ritmo das pessoas e apresentarão cursos cada vez mais personalizados para esse novo indivíduo da era tecnológica. Obrigando a redimensionar e reorganizar também o conceito de aula presencial para que se possa superar o modelo ultrapassado, que não atende mais às expectativas dos alunos, tampouco da sociedade e do mundo do trabalho (MORAN, 2001).

A pesquisa justifica-se na tradicional publicação NMC Horizon Report, em sua edição “Higher Education” de 2017 que destaca as tendências para os próximos cinco anos sobre o desenvolvimento de tecnologias para mudanças educacionais apontando o impacto futuro do uso de práticas e tecnologias inovadoras para educação no ensino superior e o principal ponto abordado é em relação a aprendizagem online como tendência inevitável. Assim, as instituições que não tiverem estratégias robustas para integrá-las simplesmente não vão sobreviver ao mercado.

Em vista do cenário já exposto e da diversidade de teorias educacionais trabalhadas no intuito de se buscar uma aprendizagem significativa, faz-se necessário refletir sobre como se dá a aquisição do conhecimento a partir da implementação de novas tecnologias, tanto na modalidade a distância como na presencial. Dentro do contexto apresentado, o artigo busca responder a seguinte questão: Como ocorre o processo de criação do conhecimento na educação presencial e a distância? Para se chegar aos resultados a presente pesquisa conta com o método indutivo, pesquisa exploratória, utilizando a técnica de pesquisa bibliográfica, a partir de uma abordagem qualitativa.

O objetivo principal do trabalho é comparar como ocorre o processo de criação do conhecimento na educação presencial e na educação a distância. Para isso, os objetivos específicos são: Definir os principais conceitos sobre educação presencial e educação a distância. Descrever como ocorre o processo de criação do conhecimento. Demonstrar como ocorre a criação do conhecimento tanto na educação presencial quanto na educação a distância.

O trabalho leva em conta a importância crescente do conhecimento na sociedade, que gera demandas cada vez maiores por formação constante e permanente. A democratização do uso da internet possibilitou que o ensino chega-se a muitas mais pessoas que a educação presencial, pelo motivo que agora pode-se aprender em qualquer lugar conforme as disponibilidades de tempo para o estudo. A motivação encontra-se na obtenção de um comparativo entre como ocorre a criação do conhecimento em diferentes tipos de educação disponíveis nas instituições de ensino superior no Brasil, para que através da comparação crie-se subsídios para extrair os principais pontos positivos, negativos e as necessidades de mudanças que possibilite adequar esses tipos de educação a realidade do aluno nos dias de hoje.

 DESENVOLVIMENTO

No presente capítulo serão apresentados conceitos e definições de autores e pesquisadores sobre os temas gestão do conhecimento, educação, educação presencial e educação a distância, com o intuito de contribuir para o melhor entendimento do objeto de estudo.

2.1 GESTÃO DO CONHECIMENTO

O gerador de riqueza e poder das empresas na sociedade atual deixou de ser exclusivamente de fatores tradicionais de produção (capital, terra e trabalho) e passou a ser configurado pelo fator intangível do conhecimento, o que justifica o porquê de muitas empresas terem valor de mercado superior ao seu valor patrimonial. Isso acontece segundo Terra (2001) porque valores intangíveis como patentes depositadas, imagem, valor da marca, talento dos funcionários, capital intelectual agregado têm sido cada vez mais valorizados e acabam por gerar um aumento considerável do valor de ações das empresas, assim como garante vantagens competitivas duradouras. Conforme abordado por Edvinsson e Malone (1998), o capital em forma de imobilizado e o trabalho na velha concepção de mão-de-obra cedeu o lugar aos fatores intangíveis. O que torna o conhecimento, o ativo mais importante e a matéria prima principal sendo mais valioso que ativos físicos ou financeiros.

Hoje, na sociedade do conhecimento, aos três fatores tradicionais de produção acrescenta-se o conhecimento e a inteligência das pessoas, agregando valor aos produtos e serviços. Como argumenta Drucker (1996), o conhecimento passou a ser o recurso, ao invés de um recurso. Paiva (1999) concorda que o conhecimento passou a representar um importante diferencial competitivo, para as empresas que sabem adquiri-lo, mantê-lo e utilizá-lo de forma eficiente e eficaz.

Davenport e Prusak (1999) argumentam que a vantagem do conhecimento é a geração de retornos crescentes e continuado, que ao contrário dos ativos materiais que diminuem à medida que são utilizados, o ativo do conhecimento é aumentando quando usado. Os autores afirmam ainda que o conhecimento não se deprecia, ao contrário, se multiplica quando compartilhado, enriquecendo o receptor e permanecendo com o emissor.

Drucker (2001) afirma que a próxima sociedade será a do conhecimento. O conhecimento será o recurso chave e os trabalhadores do conhecimento serão o grupo dominante na força de trabalho desta sociedade. Esta sociedade será a mais competitiva de todas, tanto para as organizações quanto para os indivíduos. O mesmo autor ainda caracteriza a sociedade do conhecimento na qual o acesso a bons empregos não mais depende da carteira de trabalho, mas do diploma. O mundo está se tornando, não intensivo de mão-de-obra, materiais ou energia, mas de conhecimento, e os meios de produção não serão mais o capital, nem os recursos naturais e sim o conhecimento.

Sveiby (1998) chama essa nova geração de empresas de ‘organizações do conhecimento’, formada por profissionais na sua maioria altamente qualificados e com alto nível de escolaridade. Seu trabalho consiste em converte as informações em conhecimentos através de suas próprias competências ou de conhecimento especializado. Essas empresas tem ativos intangíveis mais valiosos que os tangíveis. Sendo assim o autor confirma que o capital se deprecia com o uso, mas o conhecimento se valoriza. Assim a economia da era do conhecimento oferece recursos ilimitados porque a capacidade humana de gerar conhecimento é infinita.

Terra (2001) também ressalta que as organizações começaram a perceber lentamente que investir em conhecimento não é somente desejável, e sim imprescindível para o aumento do valor no mercado em função da valorização do patrimônio intangível e efetivação de relações sustentáveis. Amaral (2006) complementa o aspecto sociológico da sociedade do conhecimento afirmando que há de se destacar a importância essencial da educação, em que a disseminação da informação é apoiada pelas novas tecnologias.

2.2 EDUCAÇÃO

Mizukami (1986) conceitua educação como uma realidade não acabada, é um fenômeno humano, histórico e multidimensional que abrange tanto a dimensão humana quanto a técnica, a cognitiva, a emocional, a sociopolítica e a cultural com múltiplas implicações e relações. Moran (2013) complementa, afirmando que a educação é um processo social, que afeta todas as pessoas de todas as formas e em qualquer situação. Portanto a educação é a soma de conhecimentos, culturas e aprendizagens adquiridas com o processo de desenvolvimento das pessoas assim como grupos e instituições organizada por meio formal ou informal.

Para Moran (2001) educar é aprender a gerenciar um conjunto de informações e torná-las algo significativo, isto é, o conhecimento. Existem inúmeras informações, porém o conhecimento é bem menor, porque as mesmas estão soltas e as pessoas não entendem como reorganizá-las. Além de gerenciar a informação, é importante aprender a gerenciar também sentimentos, afetos, emoções e as próprias experiências. Educar é um processo complexo, não é somente ensinar ideias, é ensinar também a lidar com toda essa gama de sensações, emoções que ajudem a no equilíbrio das pessoas e a viver com confiança. Não basta só informação e conhecimento, educar também é aprender a gerenciar valores, e ao falar de valores, educar também é procurar encontrar sentido para viver, é aprender a gerenciar processos onde busca-se à autonomia, liberdade e identidade para diferencia-se dos outros e ter sua particularidade. Educar também é aprender a gerenciar tecnologias, tanto de informação quanto de comunicação. Ajudar a perceber onde está o essencial e a estabelecer processos de comunicação cada vez mais ricos, mais participativos.

Nos dias de hoje existe a educação presencial, semipresencial (parte presencial/parte virtual ou a distância) e educação a distância (ou virtual). A presencial é a dos cursos regulares, em qualquer nível, onde professores e alunos se encontram sempre num local físico, geralmente chamado sala de aula. É o ensino convencional. A semipresencial acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância, por meio das tecnologias. A educação a distância pode ter ou não momentos presenciais, mas acontece fundamentalmente com professores e alunos separados fisicamente no espaço e ou no tempo, mas podendo estar juntos através de tecnologias de comunicação (MORAN, 2002).

Os professores e alunos são peças chave para a mudança educacional. Porém a maioria dos professores conhece o conteúdo mas não consegue passar de forma adequada, falta didática na hora de ensinar, assim como dinâmicas para facilitar a aprendizagem e para principalmente motivar os diferentes tipos de alunos, tornam-se generalistas. Por assumirem muitas disciplinas tendem a reproduzir rotinas e modelos e resumir o máximo as atividades e trabalhos, o que torna o ensino uniforme, padronizado e que não se adapta ao ritmo de cada um. E no outro lado, falta interesse por parte dos alunos, que escutam o professor e não buscam algo a mais, que acreditam no fato de que se somente frequentar as aulas terão resultado. A grande questão dos dias de hoje é que mesmo com a disponibilidade infinita de informações na rede, falta conhecimento de como buscar melhores fontes que trazem informações de credibilidade (MORAN, 2013).
 

2.3 EDUCAÇÃO PRESENCIAL 

Dohmem (1967) define educação presencial, sendo o oposto da a distância, pois a presencial pode ser feita de forma direta ou frente a frente, tendo lugar definido para acontecer e contato direto entre professor e aluno. Porém na medida em que avançam as tecnologias de comunicação virtual, que possibilitam a conecção entre pessoas que estão distantes fisicamente, o conceito de presencialidade também se altera. Pode-se ter professores compartilhando determinadas aulas, com outros professor que não estão na sala, via internet havendo assim, um intercâmbio maior de saberes, possibilitando que cada professor colabore, com seus conhecimentos específicos, no processo de construção do conhecimento, muitas vezes a distância (MORAN, 2002).

A estudo presencial de acordo com Kenski (2015) é polifônico. Existem sons, vozes e linguagens que permanecem impregnadas por todas as partes e que fazem parte da característica dessa modalidade de ensino. A aura da instituição de ensino depende de seus espaços e atores. Atores esses que circulam em forma de professores e alunos e tornam o espaço mágico de aprender e abrir-se para o mundo. Tornando uma linguagem múltipla e diferenciada, que constitui o aprendizado e transforma o pensamento racional ligado as memórias do espaço de aprendizagem e das pessoas que passaram por esse processo. Costa (2000, p.10) acrescenta que “o ambiente influencia o processo de aprendizagem do alunos […] as instalações condicionam a integração da comunidade acadêmica com sua produção e pesquisa”.

Os espaços no ambiente de aprendizagem fazem parte do momento educativo e condiciona a proposta de ensino e de pesquisa desenvolvida. Os locais de circulação e concentração de alunos e professores tem ligação direta com a produção e estímulo para os estudantes. A disposição e o uso de móveis e equipamentos em todos os ambientes definem as ações pedagógicas de cada instituição de ensino. Assim como as salas, bibliotecas, laboratórios e espaços de convivência refletem a filosofia de trabalho, tornando os espaços em uma das linguagens mais poderosas da educação presencial (KENSKI, 2015).

A mesma autora acrescenta que na educação presencial assim como os sons são característicos, os movimentos e corpos permitem manifestar sem precisar do uso da fala, de forma que é possível identificar a identidade de seu dono e a distinção dos que ensinam para os que aprendem através de suas atitudes e comportamentos, criando oportunidades para que os professores possam identificar as particularidades dos alunos, o que permite oportunidades de ensino criativos através da percepção para propor novas formas de ensinar para a esse nova era.

O modelo de educação vigente até o momento no Brasil, segundo Kenski (2015) é rotineiro e repetitivo. Possibilita a formação do aluno mas não atende as necessidades pessoais e profissionais. Em muitos casos os alunos formados precisam de outros cursos para se atualizarem e conseguirem se inserir no mercado de trabalho. A sociedade da informação está exigindo da educação um amplo acesso as novas tecnologias e a reorganização dos currículos para se adequarem a esse novo aluno e mercado. Para que ocorra essa mudança deve haver um novo estilo pedagógico que favoreça a aprendizagem personalizada e o uso da rede como forma de cooperação e compartilhamento de informações, pela utilização de cursos e disciplinas que utilizem a potencialidade informativa e comunicativa das redes como forma de interação e colaboração entre alunos e professores.

A educação tradicional restringe a interação com a informação por meios de programas e currículos. Restringe ainda mais o acesso a informação a um número limitado de pessoas: alunos e professores, por meio de prazos, tempo para terminar um curso, épocas para ensinar e aprender, qualificações físicas e mentais e níveis de conhecimento. A instituição de ensino é que estabelece o tipo de interação com a informação e conhecimento, que não se diferencia do método ouvir e ler, pensar, discutir e fazer. As formas de ensinar seguem algumas regras: Momento de ensinar, onde o professor fala e o aluno escuta; Interação com a informação e aprender, onde o aluno lê, memoriza, reflete, discute e posiciona-se; e tempo para o fazer, com exercícios, provas e testes de conhecimentos. Ensinos tradicionais estão centrados na ação e na exposição docente e o aluno como ser submisso que só responde quando lhe é solicitado (KENSKI, 2015).

O ensino mediado a partir das tecnologias digitais altera a estrutura vertical professor/aluno, pois nessa modalidade o aluno constrói individualmente e socialmente seu conhecimento através das informações que são passadas, da interação com outros e a partir das suas experiências e conhecimentos adquiridos anteriormente. Pode-se utilizar os espaços virtuais para realizar atividades didaticamente ativas e envolventes construídas a partir da participação dos alunos e professores, no ensino baseado em trocas e desafios, que envolva e motive alunos para participar e expressar suas opiniões. Baseado na ideia em que alunos e professores são seres sociais que aprendem melhor em sistema de cooperação, com troca de informações, opiniões e no trabalho coletivo. Cabe ao professor orientar o processo, estimular o grupo a participar e expor opiniões, criar um clima agradável e amigável de envolvimento para que todos possam superar as inibições de comunicar-se virtualmente com os colegas. Assim como os alunos tem maior grau de responsabilidade e autonomia. Esse tipo de ensino tanto pode ser utilizado na educação presencial, semipresencial e a distância (KENSKI, 2015).

2.4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Existem diversos conceitos para educação a distância, a maioria dos autores a descreve com base no ensino convencional destacando a diferença entre a distância aluno e professor e o uso de mídias tecnológicas como meio para realização (GUAREZI; MATOS, 2012). Os principais conceitos foram escritos no início da criação da educação a distância e seus conceitos vão se atualizando conforme as tecnologias vão avançando com o tempo.

Para Dohmem (1967) a educação a distância é uma forma sistematicamente organizada de auto estudo, na qual o aluno se instrui a partir do material de estudo que lhe é apresentado. O acompanhamento e a supervisão do sucesso do estudante são feitos por um grupo de professores com o uso meios de comunicação capazes de vencer longas distâncias.

A visão de Peters (1973) parte do pressuposto técnico quando defende a ideia em que a educação a distância é uma forma industrializada de ensinar e aprender. É um método racional de compartilhar conhecimentos, habilidades e atitudes pelo uso extensivo de meios de comunicação que tem como resultado reproduzir materiais técnicos de alta qualidade, através da instrução de um grande número de estudantes ao mesmo tempo e enquanto esses materiais durarem.

Na mesma linha de pensamento Moore (1973) define como uma família de métodos instrucionais em que as ações dos professores são executadas à partir das ações dos alunos, essa comunicação entre professor e aluno deve ser facilitada por meios impressos, eletrônicos, mecânicos e entre outros. Assim como para Aretio (1994) a educação a distância é um sistema tecnológico de comunicação bidirecional que substitui a interação pessoal pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e pelo apoio de uma organização tutora que propicie a aprendizagem autônoma dos alunos.

Perry e Rumble (1987) afirmam que a característica básica da educação a distância é o estabelecimento de uma comunicação de dupla via, onde o professor e aluno não se encontram na mesma sala e essa interação somente é possível por meios de comunicação. Assim como Romiszowski (1993) define educação a distância como qualquer método de ensino que consegue eliminar as barreiras de comunicação criadas pela distância ou pelo tempo. Chaves (1999) complementa que é o ensino que ocorre quando o professor e o aluno estão separados e a distância é contornada pelo uso de tecnologias de telecomunicações e de transmissão de dados, voz e imagem.

Educação a distância para Moran (2002), é o processo de ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, onde professores e alunos estão separados espacial e ou temporalmente. É o tipo de ensino onde professores e alunos não estão normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar conectados, interligados por tecnologias. Na mesma linha seguem Arieira et al (2009) quando definem como uma modalidade de ensino que prevê a construção da autonomia do aluno no processo de ensino e aprendizagem, permite que o aluno não esteja fisicamente presente em um ambiente formal de ensino-aprendizagem mas sim, o aluno e o professor estejam interligados por meio da tecnologia.

No entendimento de Preti (2002) a educação a distância é um canal que viabiliza a interação e a interatividade entre educadores e educandos, tratando-se de um processo mediatizado, pois os mesmos encontram-se separados pelo tempo e espaço. Há uma estrutura organizacional complexa a serviço do educando com um sistemas e subsistemas integrados e a aprendizagem se dá de forma independente, individualizada e por meio de interações sociais. O mesmo autor acrescenta que essa modalidade nem sempre é adequada para todos os segmentos populacionais, sendo mais indicada para estudantes adultos.

A esse respeito, Preti (2002) considera como principais características da educação a distância o fato de ela ser aberta, ou seja, com uma grande amplitude na oferta de cursos e redução de barreiras; a flexibilidade de espaço, cada um a seu tempo e ritmo de aprendizagem; adaptada para atender as necessidades dos alunos, com suporte tecnológico que estimula e o motiva; oferece a possibilidade de formação permanente e economia de tempo, espaço e recursos e estabelece uma comunicação multidirecional, com diferentes modalidades e vias de acesso.

No entendimento de Azevedo (2012) as vantagens do ensino a distância são oferecer ensino de qualidade a grandes contingentes humano, ser mais eficaz que os métodos tradicionais, ser menos custoso que o método tradicional, evitar uma grande concentração de alunos, professores e servidores e como consequência não precisar de grandes infraestruturas, assegura o ensino superior de alto nível onde não existem instituições para oferecê-lo, o que reduz os fluxos migratórios para os centros urbanos e a possibilidade de qualificação da população em áreas rurais. Portanto a ideia central do ensino a distância não é o professor quem ensina e sim o aluno quem aprende.

De acordo com o Ministério da Educação, o decreto nº. 5.622, de 19 de dezembro de 2005, caracteriza como educação a distância a modalidade de ensino na qual a mediação é feita através de tecnologias de informação e comunicação, com professores e estudantes desenvolvendo atividades educacionais de ensino e aprendizagem em lugares ou tempos diversos (BRASIL, 2005).

No Brasil, as autoras Guarezi e Matos (2012), apontam que a primeira experiência no ensino a distância ocorreu na fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro em 1923, em que se transmitia programas de literatura, radiotelegrafia, telefonia, línguas entre outras, coordenada por um grupo da Academia Brasileira de Ciências. No entanto o Instituto Universal fundado em 1941, também é considerado como uma das primeiras experiências, utilizando basicamente material impresso. E assim diversas iniciativas começaram a surgir no final da década de 1960. Recente pesquisa realizada pelo Anuário Brasileiro da Educação Aberta e a Distância (AbraEAD) mostra que mais de 2,5 milhões de usuários estudavam a distância no ano de 2007, abrangendo cursos de educação básica, técnica, graduação e de especialização.

Moran (2011) aponta os tipos de educação a distância, podendo ser treinamento e qualificação no trabalho, a formação supletiva, a formação profissional, a especialização acadêmica ou a complementação de cursos profissionais. O mesmo autor complementa citando, a existência de diversos modelos, o focado no professor (tele aula), no conteúdo, e outros centrados em atividades e projetos. Existem também modelos para poucos alunos a modelos em massa, para milhares de alunos, com alta interação e baixa interação com os professores e com menos ou mais encontros presenciais. Ainda podem contemplar cursos por satélites, com tele aulas ao vivo e com um tutor ou monitor presencial por sala, em polos ou com o apoio da internet com tutorias online. É um modelo que mantém a figura do professor e a flexibilidade da autoaprendizagem. No Brasil a maior parte das instituições que oferecem cursos a distância também o fazem no ensino presencial.

Um ponto importante que abrange o ensino a distância e que ainda causa um certo distanciamento e falta da preferência dessa modalidade pelo público em geral está pautada na questão da qualidade dos cursos oferecido online. Guarezi e Matos (2012) acrescentam, que estudos realizados mostram que o ensino a distância pode garantir a mesma qualidade que a educação presencial e em alguns casos até demonstraram desempenho melhor que o presencial. Antigamente o pensamento sobre ensino a distância era sinônimo de estudo sozinho, separado no tempo e no espaço e que a qualidade de um curso baseava-se apenas em bons materiais pedagógicos. Era dada pouca atenção ao processo comunicativo entre os envolvidos, porém hoje com a internet tem se priorizado métodos e processos de comunicações diversas e que podem abranger um para um, um para muitos e muitos para muitos. Um bom processo de comunicação com intermediadores diminui a barreira de tempo e espaço tornando o aprendizado menos solitário.

Para que ocorra a integração entre as comunicações é preciso que sejam utilizadas tecnologias de ponta que permitam que isso seja feito. Armengol (1987) ressalta ainda mais a importância do desenvolvimento da tecnologia e da internet para a expansão da educação a distância, pois pode se integrar diferentes tipos de se comunicar de forma cada vez mais interativa, reduzindo custos e ampliando as possibilidades de autodescobrimentos através das diversas opções de busca de informações na rede mundial.

As mídias deixaram de ser somente um suporte tecnológico e abrangem outra característica de meio de comunicação e compartilhamento entre pessoas, mudando o jeito como o conhecimento é adquirido, criando uma nova cultura e um novo modelo de sociedade. Portanto as mídias não são mais vistas como uma tecnologia e sim como complemento, interação e principalmente como continuação de seu espaço de vida (KENSKI, 2015).

O aluno dessa modalidade de ensino está diante de uma nova realidade educacional que difere do ensino presencial, especialmente por valorizar a questão da autonomia do aluno na hora do estudo e o professor atua como “mediador”, estabelecendo uma rede de comunicação e aprendizagem, através de diferentes meios e recursos da tecnologia vencendo a distância física entre educador e o educando. O aluno por sua vez deverá se autodisciplinar e auto motivar, para que possa superar os desafios e as dificuldades que surgirem durante o processo de ensino-aprendizagem (BELLONI, 2003).

Para Kenski (2015) a educação virtual é exposta na tela do computador, sendo este o local onde se compartilham fluxos e mensagens para a difusão do saber. Se constrói com base no estímulo realizada através de atividades colaborativas para que o aluno não se sinta sozinho e para que possa compartilhar e aprender através de meios de comunicação em grupo, estruturadas por comunidades online em que professores e alunos dialogam permanentemente mediados por seus conhecimentos. A educação virtual apresenta espaços que estão sempre em mudança e que refletem essa nova forma de linguagem e cultura que são características desse momento tecnológico em que se vive.

Dessa maneira, muitas instituições de ensino já perceberam que a flexibilidade é inevitável e dispõem de cursos que podem ser feitos presenciais e a distância com maior integração. Assim como os cursos presenciais terão cada vez mais atividades a distância em proporção superior a atual, de forma que perderá sentido a separação entre o presencial e o a distância, como acontece até agora (MORAN, 2011).

 METODOLOGIA

Para Gil (2012, p. 08), método científico é “o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento”. De acordo com a visão de Fachin (2006), seria o mais poderoso processo da vida intelectual, tendo como objetivo procurar alcançar a verdade dos fatos por meio do resultado de pesquisas da realidade, ou seja, o método deve auxiliar o pesquisador na realização de seu objetivo.

Conforme apontado por Fachin (2006, p. 32) “o método indutivo é um procedimento do raciocínio que, a partir de uma análise de dados particulares, encaminha-se para noções gerais”. Tal método estabelece um raciocínio do particular para o geral com base nos dados observados (ANDRADE, 2005). No presente artigo se faz o uso do método indutivo, onde as explicações citadas surgem da observação dos principais aspectos que compõe a educação presencial e a distância e como os mesmos aspectos podem influenciar na criação do conhecimento. Assim, foram analisados temas referentes à educação presencial, educação a distância e criação do conhecimento para se chegar ao comparativo de como ocorre o processo de criação do conhecimento em cada modalidade de ensino.

Do ponto de vista dos objetivos da pesquisa apresenta-se nesse artigo o uso da pesquisa exploratória, com o objetivo de proporcionar uma visão geral sobre o assunto referente à educação presencial e a distância, explorada em diversos livros e artigos, conforme os conceitos de alguns autores sobre o tema. Essa pesquisa possibilita analisar as diferentes formas de criação do conhecimento em diferentes meios de ensino e compará-los para se obter uma visão geral de ambos os tipos de ensino abordados. A pesquisa exploratória de acordo com Andrade (2005) é o primeiro passo de todo o trabalho científico, constitui um trabalho preliminar ou preparatório para outro tipo de pesquisa, pois proporciona mais informações sobre determinado assunto possibilitando desenvolver uma boa pesquisa sobre o tema proposto.

A técnica utilizada foi a pesquisa bibliográfica com base no referencial teórico de livros e artigos já publicados sobre os temas educação presencial, educação a distância e os processos de criação do conhecimento. A pesquisa bibliográfica é um conjunto de conhecimentos reunidos em obras de toda natureza, que possibilita à pesquisa de determinado assunto. Forma uma fonte de informação que auxilia na atividade intelectual e contribui para o conhecimento do saber. Uma técnica de pesquisa que ocupa lugar de destaque por ser o primeiro passo de um estudo (FACHIN, 2006).

A abordagem metodológica utilizada neste artigo caracteriza-se como uma análise qualitativa, uma vez que a pesquisa se deu a partir da revisão bibliográfica que possibilitou a autora descrever de que forma os conceitos de educação presencial e a distância transformaram a aprendizagem e como os diferentes tipos de ensino podem propiciar a criação do conhecimento de formas diferentes e variadas. A análise qualitativa caracteriza-se pela “observação dos fenômenos sociais feita de maneira intensiva, a qual implica a participação do pesquisador no universo de ocorrência desses fenômenos” (DENCKER, 1999, p. 97).

ANÁLISE DE DADOS

Nesse capítulo do artigo serão apresentadas as discussões sobre o tema proposto a fim de se chegar a uma contribuição de como ocorre o processo de criação do conhecimento na educação presencial e a distância, assim como apresenta um comparativo entre essas duas modalidades de educação. 

4.1 CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO

Para compreender a criação do conhecimento, deve-se levar em conta as definições dos elementos dado e informação para se chegar ao conhecimento. Neste contexto Carvalho (2012) define dado como registro de um evento, comparado a informação e conhecimento, o dado é o menor e mais simples elemento do sistema, sendo mais fácil de ser manipulado e transportado. Davenport e Prusak (1998) denominam como a matéria prima essencial para a criação da informação. Vieira (2016) complementa que os dados são desprovidos de interpretação ou significado, descrevendo apenas partes de alguma informação.

 A esse respeito, Carvalho (2012) conceitua a informação como um conjunto de dados contextualizados. Assim a informação depende de um conjunto de dados contextualizados e coordenados. Vieira (2016) aponta a informação como um conjunto de dados organizados de forma coerente ou com algum significado. Davenport e Prusak (1998) caracterizam a informação como uma mensagem, já Nonaka e Takeuchi (1997) tratam como fluxo de mensagens e ainda apontam a informação como proporcionadora de novos pontos de vistas para a interpretação de eventos, por isso, a informação é um meio ou material necessário para se extrair e construir o conhecimento.

Dretske (1981) vai além ao afirmar que a informação é uma mercadoria capaz de produzir conhecimento, concluindo que o conhecimento é sustentado pela informação. Sveiby (1998) afirma que em muitos aspectos, a informação é ideal para transmitir o conhecimento explícito, pois é rápida, segura e independente de sua origem. Define informação como fatos em forma de números, símbolos ou palavras e o conhecimento como informação interpretada.

O conhecimento ao contrário de uma informação, é sobre uma ação e tem uma finalidade com um contexto especifico. Tem a ver com crenças e compromisso, sendo uma “crença justificada”. Assim, a informação é um fluxo de mensagens e o conhecimento é criado pelo mesmo fluxo adicionado as crenças e no compromisso do portador. O conhecimento está relacionado com uma ação humana. As instituições de ensino apoiam os indivíduos e propiciam meios e contextos para criar o conhecimento (NONAKA; TAKEUCHI, 2008).

Para Nonoka e Takeuchi (2008) conhecimento é formado por dois componentes dicotômicos e complementares, o conhecimento explícito e o tácito. O conhecimento explícito é expresso por palavras, números, sons e compartilhados na forma de dados, fórmulas, recursos visuais e manuais, podendo ser rapidamente transmitido aos indivíduos por meio formal e sistematicamente. Porém o conhecimento tácito não é facilmente visível e explicável, pois é altamente pessoal e difícil de formalizar pois está profundamente enraizado no indivíduos através de sua experiência, valores, cultura, ideias que ele expressa e engloba suas habilidades pessoais e individuais “know-how”, os insights, intuições e palpites derivados da experiência e a dimensão cognitiva como crenças, percepções, ideias, valores, emoções e modelos mentais que dá forma ao modo que se percebe o mundo.

De acordo com Polanyi (1966) o conhecimento tácito é pessoal, especifico ao contexto e por isso é de difícil formalização e comunicação. Enquanto o conhecimento explícito é codificado e transmitido a partir de uma linguagem formal e sistêmica. Portanto os indivíduos adquirem conhecimento através da criação e organização de suas próprias experiências. Na visão de Johnson-Laird (1983) o conhecimento tácito inclui elementos cognitivos chamado de “modelos mentais” que são os esquemas, paradigmas, perspectivas, crenças e pontos de vistas que ajudam o indivíduo a perceber o mundo a sua volta, e os elementos técnicos chamados de “know-how” que são as habilidades.

Carvalho (2012) configura o conhecimento explícito como o visível ou tangível. É o conhecimento codificado em linguagem, apresentando uma estrutura formal e sistêmica, o que facilita sua transmissão. Ele é cristalizado por poder ser transmitido por palavras, números e fórmulas e pode ser armazenado e transportado por meio de manuais, artigos, livros, bancos de dados e até ser ministrado em palestras e aulas. Sendo assim ele também é mensurável, além de ser mais racional, teórico e objetivo.

Uma instituição de ensino cria e utiliza o conhecimento convertendo o tácito em explícito e vice-versa. Assim a conversão do conhecimento explicada através da espiral do conhecimento de Nonoka e Takeuchi (2008). A criação do conhecimento inicia-se com a socialização que compartilha e cria conhecimento tácito através de experiência direta (do indivíduo para indivíduo e do tácito para o tácito); a externalização que articula o conhecimento tácito através do diálogo e da reflexão com outros indivíduos (do indivíduo para o grupo e do tácito para o explícito); a combinação que sistematiza e aplica o conhecimento explícito e a informação (do grupo para organização e do explícito para o explícito); e a internalização em que se aprende e adquire novo conhecimento tácito na prática (da organização para o indivíduo e do explícito para o tácito).

Para que haja a criação do conhecimento descrito por Nonaka e Takeuchi (2008) é preciso que o conhecimento tácito, que é pessoal, especifico e difícil de formalizar e comunicar aos outros seja convertido em conhecimento transmissível e articulado. A produção de novos conhecimentos amplia organizacionalmente o conhecimento criado pelos indivíduos e cristaliza-o como parte da rede de conhecimento. Portanto a conhecimento é criado apenas pelo indivíduo, uma organização ou instituição de ensino não pode criar conhecimento por si própria sem os indivíduos, somente através de um contexto e ambiente apropriado que amplie essa criação através de diálogos, discussões, reuniões, compartilhamento de experiência ou comunidade de práticas e até mesmo a partir de momentos de interação e lazer.

A socialização é um processo de compartilhamento de experiências e de criação do conhecimento tácito. Ocorre aprendizado a partir da observação, práticas, reuniões informais, discussões, ambientes de compartilhamento de ideias, interações e troca de experiências entre indivíduos. A externalização é um processo de criação de conceitos através de diálogos e reflexão coletiva, onde o conhecimento tácito torna-se conceitos explícitos na forma de metáforas, analogias, conceitos, modelos, manuais e processos. A combinação é um processo sistemático de conceitos em um sistema ou rede de informações codificadas e de conhecimentos, com a combinação de diferentes conhecimentos explícitos através de meios como documentos, reuniões, conversas ou rede de comunicação computadorizada levando assim a um novo conhecimento possível através da combinação do conhecimento explícito já existente com um novo (NONAKA; TAKEUCHI, 2008).

A internalização é um processo de incorporação do conhecimento explícito em tácito, quando as experiências com a socialização, externalização e combinação são internalizada no indivíduo na forma de modelos mentais compartilhados ou know-how técnico. O processo ocorre quando o conhecimento explícito está verbalizado ou diagramado em documentos, manuais ou relatos orais que ajudam o indivíduo a internalizar o que eu foi vivenciado através das experiências de outras pessoas que auxiliam no seu enriquecendo do conhecimento tácito (NONAKA; TAKEUCHI, 2008).

Os mesmos atores afirmam que o segredo da criação do conhecimento está na mobilização e na conversão do conhecimento tácito. O processo que permite a mobilização e conversão é composto por quatro modos que se alternam em um movimento espiral. Na espiral da criação do conhecimento, a interação entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito é amplificada por meio dos quatro modos de conversão do conhecimento. A espiral torna-se maior em escala a medida que sobe para os níveis ontológicos (indivíduo, grupo, organização e interorganização nessa sequência). A espiral começa novamente depois de ter sido completada, porém em patamares cada vez mais elevados, ampliando assim a aplicação do conhecimento.

4.2 CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO NA EDUCAÇÃO PRESENCIAL E A DISTÂNCIA

A memorização das informações e a construção de conhecimento fazem parte do processo de aprender. Porém uma formação totalmente baseada na memorização já não é capaz de preparar pessoas para atuarem e sobreviverem no mercado e na sociedade do conhecimento. É preciso possuir as informações corretas para desenvolver competências que são impossíveis de serem simplesmente memorizadas. Assim a informação deve ser acessada e o conhecimento deve ser construído pelo indivíduo. O desafio da educação a distância está em criar condições para que a aprendizagem ocorra baseada nessas duas concepções, através de abordagens que contemplem tanto a transmissão de informação como a construção do conhecimento (VALENTE, 2011).

O mesmo autor sustenta, que a criação do conhecimento não necessariamente ocorre como fruto do autodidatismo, da ação isolada de aprender. Para que essa construção ocorra é necessária a interação entre o indivíduo e outras pessoas, que o auxiliem no processo de compreender o que está sendo realizado, possibilitando, assim, novos conhecimentos. Moore (1993) observou que o aluno, pelo fato de estar sozinho na educação a distância, tem que ter um grau maior de responsabilidade na condução das atividades educacionais. Assim, alunos com maior grau de autonomia conseguem progredir com pouca necessidade de orientação. Em sua teoria o autor defende que quanto maior for o diálogo, mais flexível for a estrutura dos cursos, mais autonomia tiver o aluno, menor será a distância transacional.

Da mesma maneira Holmberg (1995) aponta que o mais importante na educação a distância é a aprendizagem individualizada que cada aluno realiza. E assim, os alunos podem progredir no seu próprio ritmo com auxílio de tutores e com interação entre professores e colegas. Desse modo os alunos conseguem ter sentimento de pretenciosismo e cooperação.

A concepção de internacionalismo é baseada na ideias de Kant, que propôs o conceito de “interação”, justificando que conhecimento é fruto da interação sujeito-objeto, não procedendo da experiência, mas iniciando a partir dela. Piaget seguindo nos mesmos estudos, identificou três tipos de conhecimentos que um indivíduo constrói: conhecimento físico, pela ação direta do sujeito sobre o objeto; conhecimento logico-matemático, através das informações coletadas que geram a conceituação e conhecimento social-arbitrário, formado a partir da interação com outras pessoas na sociedade (MUTAI, 1995).

Guarezi e Matos (2012) comentam que Piaget nega qualquer possibilidade de aquisição de conhecimento por associação, quando afirma que a construção do conhecimento leva em conta a experiência do indivíduo reguladas juntamente com seus mecanismos internos, dando o nome de equilibração. Esse conceito pode ser visualizado no ensino a distância quando os alunos se deparam com vários desafios durante o processo de estudo e aprendizagem. Nessa modalidade de ensino o aluno é sempre questionado mesmo que subjetivamente para descobrir a solução dos problemas e atividades, ao ser lançado a um novo desafio o aluno entra em desequilíbrio e somente conseguirá o equilíbrio quando alcançar essa nova aprendizagem. Esse processo é uma constante sempre em construção.

Na teoria de Vigotski, a aprendizagem passa por dois momentos, primeiro se dá através das relações externas e em seguida através da internalização. Pozo (1998) diz que o desenvolvimento e aprendizagem são direcionadas desde do exterior do indivíduo até seu interior, nota-se que a visão de Vigotski segue a mesma linha de pensamento de Nonaka e Takeuchi quando afirma que a aprendizagem seria um processo de internalização ou transformação das ações externas para as internas. Nessa visão, o processo de aprendizagem não se constrói, conforme a teoria de Piaget, mas se reconstrói, segundo Vigotski, com base nas ações de interações sociais. Assim o desenvolvimento sempre se inicia no exterior e depois se transforma em desenvolvimento interno (GUAREZI; MATOS, 2012).

Vygotsky (1986) difere os conceitos de desenvolvimento entre espontâneo e científico. O espontâneo se desenvolve a partir da experiência de cada indivíduo com o mundo em que vive e é adquirido sem a necessidade de instrução. O científico é desenvolvido a partir da espontaneidade que depende fundamentalmente da interação social e da instituição de ensino. Assim também, o conhecimento é construído de forma espontânea e tem relação com o desenvolvimento de funções mentais e aprendizagem.

Nas teorias de Piaget e Vygotsky, a aprendizagem diferencia-se do desenvolvimento, pois a aprendizagem é provocada por situações criadas por especialistas, como educadores ou ambientes preparados para auxiliar o aluno a construir determinados conhecimentos. O aluno sozinho somente consegue aprender nessas situações criadas a partir do seu desenvolvimento mental. Logo, a construção do conhecimento pode ser aprimorada por professores preparados para ajudar os alunos e que auxiliem na criação dos conceitos. Sem a presença do educador, seria preciso que o aluno recriasse essas convenções (VALENTE, 2011).

Vygotsky propicia os meios para a construção do conhecimento fazendo distinção entre o desenvolvimento efetivo ou real e potencial. O desenvolvimento efetivo ou real é todo o conhecimento construído e que serve de base para a aprendizagem, é o desenvolvimento no qual o indivíduo consegue fazer de forma autônoma, sem ajuda de outros. O desenvolvimento potencial é o conhecimento que o indivíduo pode alcançar, que representa aquilo que o indivíduo conseguiria fazer com a ajuda de outros. Portanto, é a aprendizagem que permite a passagem do desenvolvimento real para o potencial e os cursos e professores tem papel de auxiliares nessa passagem (VALENTE, 2011; GUAREZI; MATOS, 2012).

Assim, a construção do conhecimento deve ser aprimorada por professores preparados ou por intermédio de pessoas com mais experiência para auxiliar a formação de conceitos e convenções (VYGOTSKY, 1986). Sem a presença de outra pessoa seria preciso que o estudante recriasse essas convenções. A interação para Piaget, deve envolve dois polos, o professor e aluno, se um dos dois não corresponder não ocorre a interação. Interação essa que tem como objetivo desafiar, modificar e de coordenar os conhecimentos existentes para construir novos conhecimentos (BECKER, 2009).

No ensino a distância a interação entre as pessoas tem sido substituída pelo acesso as informações via tecnologias que possibilitam interação com informações que auxiliam no processo da criação do conhecimento. Assim como as tecnologias da informação e comunicação tem possibilitado a interação entre aluno e professor como também entre outros alunos através de redes de aprendizagem. Redes essas em que todos, tanto professores e alunos, interagem, cooperam e aprendem juntos (VALENTE, 2011).

Na educação presencial o professor é o detentor da informação que é passada aos alunos, os alunos recebem essas informações e podem armazená-las ou processá-las, convertendo-as em conhecimento. Para verificar se os alunos processaram as informações o professor pode apresentar situações e problemas que fazem os alunos utilizarem as informações fornecidas como modo de interioriza-las nos alunos, no entanto, a relação entre alunos e professor decore da verificação se os alunos entenderam e conseguem usar as informações fornecidas através de testes, provas ou resoluções de problemas. Nessa modalidade de ensino se tem diariamente diálogo, discussões e troca de experiências que auxiliam na criação do conhecimento dos alunos, pois a interação é constante (VALENTE, 2011).

Já na educação a distância o professor elabora e disponibiliza os materiais para as aulas e atividades, assim como os vídeos explicativos. Os alunos enviam as atividades e recebem o feedback em forma de nota. Portanto a relação se dá quando o professor verifica se as atividades foram realizadas pelos alunos, mas muitas vezes essas tarefas não são suficientes para auxiliar os alunos no processo de criação do conhecimento. Para que isso aconteça é preciso que o professor interaja com os alunos, assumindo um papel mais ativo que propicie o auxílio no processo de construção do conhecimento através de diálogos e debates sobre os assuntos que promovam a colaboração e trocas de experiências. Por se ter um grande número de alunos, muitas vezes a interação não ocorre e o professor não tem o controle para saber se todos os alunos estão ou não conseguindo construir o conhecimento. Sem a interação os alunos não tem estímulos para criar situações e atribuir significado a elas (VALENTE, 2011).

Penta (2008) observa que os cursos online são implementados por meio de materiais de apoio elaborados por especialistas e as ações acontecem por sistemas computacionais que procuram integrar recursos como fóruns de discussões, murais eletrônicos, vídeos e diversos outros recursos criando ambientes educacionais a distância. Os ambientes vão ficando cada vez mais sofisticados conforme o desenvolvimento e evolução das tecnologias. Essas tecnologias possibilitam que os alunos tenham acesso a bibliotecas virtuais, conteúdos complementares, chats para a troca de informações entre alunos. Esses recursos esses facilitam a interação entre alunos e professores, porém todo esse aparato tecnológico serve como transmissor de informações e poucos auxiliam na criação do conhecimento. Para existir essa criação do conhecimento é preciso que haja muita intervenção do professor e muita interação entre as partes (VALENTE, 2011).

Nos cursos presenciais é possível utilizar a realidade dos alunos para se obter um objeto de reflexão em sala de aula, que possibilita novas aprendizagens a partir de discussões, reflexões e trocas de experiências. A interação entre alunos e professor é mediada pela escrita que exige reflexões que contribuem para o aprofundamento dos ensinamentos. O professor compartilha seu conhecimento adequando-o ao contexto da sala de aula e cria oportunidade de interação entre os alunos, permitindo que exponham pontos de vistas e exemplos vivenciados ou imaginados criando outros questionamentos e reflexões, possibilitando que as experiências e trocas dentro da sala de aula contribuam para o processo de criação do conhecimento dos alunos (VALENTE, 2011).

Na visão de Moran (2011) é muito importante para os alunos o contato com os professores, ao vivo, a distância, por tele aula ou por videoconferência. Contudo, na modalidade presencial esse vínculo é mais forte, utilizando os professores como referências concretas. A sala de aula propicia o contato direto com outros alunos o que contribui para a criação de vínculos sociais, afetivos e intelectuais. Nessa modalidade também há uma maior valorização da participação do aluno durante as aulas, da mesma forma que é possível observar que os alunos gostam de ter o contato do professor ao vivo, o que facilita a troca de ideias, perguntas e até mesmo para melhorar o entendimento dos conteúdos.

Moran (2011) afirma que independe da modalidade, seja presencial ou a distância, o que faz um curso ser bom são os fatores de motivação, que empolgue, surpreenda, que faça pensar e que envolva os alunos ativamente trazendo contribuições significativas para sua aprendizagem e desenvolvimento através do contato com diferente pessoas, experiências e ideias. Um bom curso presencial ou a distância possui os mesmos ingredientes, dependem dos professores capacitados que saibam motivar, dialogar e interagir e de alunos curiosos e motivados que estimulem as melhores qualidades dos professores e que contribuam para um ambiente inovador, de intercambio e comunicação. Assim como depende que seus administradores, diretores, coordenadores estejam envolvidos com os processos pedagógicos, como também de sua infraestrutura e ambientes que auxiliem na aprendizagem.

4.3 COMPARATIVO DA CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO NA EDUCAÇÃO PRESENCIAL E A DISTÂNCIA

Conclusão

Diante das mudanças frequentes, a sociedade do conhecimento encontra-se em uma fase de repensar a educação. O formato da presencial é quase o mesmo desde sua criação, o que muda são as tecnologias, mas o formato de dar aula ainda é o mesmo. Em contra partida a educação mediada por tecnologias suprir a demanda da sociedade atual, porém a questão humana ainda é um desafio que as tecnologias não conseguem dar conta. 

O artigo teve como objetivo específico definir os principais conceitos sobre gestão do conhecimento, educação presencial e educação a distância encontra-se no desenvolvimento do artigo quando a autora aborda as principais definições sobre os temas nas visões dos autores citados, ao descrever como ocorre o processo de criação do conhecimento a autora desenvolve esse tema na análise dos dados quando conceitua dado, informação e conhecimento para se chegar a espiral do conhecimento e demonstra como ocorre a criação do conhecimento tanto na educação presencial quanto na educação a distância quando utiliza autores conceituados sobre o tema para abordar como ocorre em cada modalidade. Assim chega-se ao objetivo principal do artigo que é comparar como ocorre o processo de criação do conhecimento na educação presencial e na educação a distância, a autora utiliza tabelas para comparar os principais aspectos de cada modalidade e o processo de criação do conhecimento.

O ensino presencial deve se adequar aos avanços tecnológicos e usá-los como aliados de integração e motivação. Com a evolução das tecnologias de comunicação podem ocorrer aulas com professor atendendo várias turmas ao mesmo tempo, interagindo com elas ao vivo e organizando atividades e projetos a distância, podendo haver uma integração com outras localidades através de teleconferência possibilitando uma interação digital, tornando o ensino mais flexível, inovando e integrando as atividades presenciais e as realizadas a distância.

Nesse sentido a educação se faz imprescindível na quebra de barreiras entre pessoas e lugares. O ensino a distância tem papel importante na sociedade no que diz respeito à democratização do saber que possibilita amplo acesso a população tanto em localidades remotas e afastadas dos grandes centros, quanto em lugares com poucas instituições de ensino, uma educação de qualidade. A educação a distância passou de uma modalidade complementar a eixo norteador de mudanças, impulsionando a educação continuada para formação de indivíduos atuantes na sociedade do conhecimento.

No futuro a integração entre as diferentes modalidade de ensino será cada vez maior. As instituições perceberam a importância de flexibilização ao proporem cursos que podem ser feitos presencialmente ou a distância com maior integração, assim como os cursos presenciais terão cada vez mais atividades a distância de modo que os cursos semipresenciais serão o modelo mais viável para a maioria dos cursos. Em todos os níveis de ensino ocorrerá a maior integração digital o que possibilitara tanto momentos juntos quanto separados e com atividades que proporcionem integração e colaboração. O semipresencial avançará porque se adapta muito bem a sociedade atual, em que os indivíduos já estão conectados em rede e se adequam facilmente as evoluções das tecnologias de informação e comunicação e principalmente por conseguir se encaixar na vida agitada dessa sociedade.

Além dos principais pontos abordados em cada uma das modalidades de ensino chega-se a conclusão que é o aluno que faz um curso ser bom, se o aluno realmente quiser ele aprende e consegue tirar proveito de ambas as modalidades, porém existem tipos diferentes de alunos que se enquadram melhor em uma modalidade ou em outra, o que também depende de suas preferências. O aluno bom sempre consegue tirar o máximo de proveito em qualquer situação, já o aluno desinteressado nunca vai conseguir prestar atenção numa sala presencial e muito menos conseguir seguir a responsabilidade e autonomia da presencial.

Ao final do artigo o leitor também pode tirar suas próprias considerações sobre cada modalidade de ensino assim como as principais vantagens e desvantagens em se optar por uma ou outra modalidade. Nota-se a na elaboração do artigo um gama de produções sobre o tema a distância comparado com a presencial, houve dificuldades em achar publicações sobre educação presencial, assim como para elaborar os comparativos. A autora gostaria de ter feito um comparativo sobre o perfil dos alunos de ambas as modalidades, porém teve dificuldades em encontrar publicações que auxiliassem na criação, deixando como proposta para pesquisas futuras. O artigo ainda deixa subsídios para trabalhos que possam explorar essas características e até mesmo a possibilidade de aplicação de questionário para se chegar aos pontos e contrapontos a partir de uma pesquisa com diferentes alunos de ambas as modalidades de educação.

APÊNDICE A — Subtitítulo do apêndice

Apêndices tem objetivo de melhorar a compreensão textual, ou seja, completar ideias desenvolvidas no decorrer do trabalho.

ANEXO A — Subtitítulo do anexo

Anexos são elementos que dão suporte ao texto, mas que não foram elaborados pelo autor.

feito

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