PROJETO DE INTERVENÇÃO EM SAÚDE MENTAL

UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU

Faculdade de Ciências Humanas

Psicologia

PROJETO DE INTERVENÇÃO EM SAÚDE MENTAL

GIOVANNA MARTELOZZO ARTERO 81815638

LUAN SILVA TEIXEIRA 81815648

LUISA KARAM VICENTIN 818229751

Orientadora:
Fernanda Maria Munhoz

Introdução

O trabalho realizado tem como ideia principal analisar os desafios do psicólogo no CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas). Como esse profissional exerce sua função, qual o impacto de seu trabalho na vida dos usuários, seus desafios, o que pode ser melhorado e também se já houve alguma evolução.

Para isso, foi estudado a origem do CAPS AD e como esse sistema de saúde auxilia na recuperação de seus pacientes, além de todo trabalho multidisciplinar para reinserir essas pessoas tanto familiarmente como socialmente.

Além disso, com o cenário atual do COVID-19, foi abordado as ações do psicólogo frente a esse novo desafio, já que surgiram novas regras de distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel.

Baseado nisso, o projeto de intervenção em saúde mental teve como objetivo conscientizar os usuários de álcool e drogas sobre a importância das políticas de prevenção durante a pandemia. Assim, com as medidas adequadas, a segurança dos pacientes e das outras pessoas em seu convívio estarão garantidas para que o vírus não se espalhe e possa piorar a situação atual.

No Brasil, desde 1853 existiam os hospitais psiquiátricos, conhecidos popularmente como manicômios que eram caracterizados por esconder o que não queria ser visto. Eram utilizados procedimentos agressivos e invasivos como a lobotomia, os tratamentos de choque e os banhos gelados, eram feitos experiências humanas e o tratamento com as pessoas era desumano, deixando os pacientes completamente nus, desnutridos e abatidos.

Para acabar com essa tortura, em meados de 1980 foram criados os CAPS – Centros de Atenção Psicossocial, com o objetivo de oferecer aos usuários um tratamento mais humanizado. Porém, apenas em 2001 com a Lei Paulo Delgado, é que se dá a desinstitucionalização e consolidação dos CAPS.

Somente em 2002 que foram criados os CAPS AD – Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, com o intuito de acolher pacientes com transtornos decorrentes do uso de álcool e drogas, estimulando a integração cultural, social e familiar, apoiando a busca de autonomia e oferecendo atendimento médico e psicológico.

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL 

Sabendo que essa população pode ter uma maior dificuldade sobre as informações referente a luta contra o COVID-19, nosso intuito é de conscientizar os usuários de álcool e drogas sobre a importância da prevenção em época de pandemia.

OBJETIVO ESPECÍFICO  

  • Proteger e ajudar os usuários, sabendo que de certa forma são pessoas de uma fragilidade maior e que necessitam de um tratamento mais específico, utilizando as políticas públicas e todos os esforços para reintegrar essas pessoas na sociedade.
  • Sabendo de todas as dificuldades que os usuários de álcool e drogas carregam consigo, nosso intuito é fazer o usuário entender sua importância na sociedade incentivando o cuidado com ele próprio e com o próximo nesse momento de pandemia.

JUSTIFICATIVA

Ao longo do estágio, foram utilizados artigos relacionados ao CAPS AD, como o “Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas e a Psicologia” de Chalana Piva Larentis e Alice Maggi, “A Atuação do Psicólogo no Centro de Atenção Psicossocial Voltado para o Álcool e Outras Drogas (CAPS AD): Os Desafios da Construção de uma Clínica Ampliada” de Daniela Ribeiro Schneider, Mônica Girardi Cerutti, Marina Teixeira Martins e Viviane Hultmann Niewegloski, “A Atuação do Psicólogo no Contexto do Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas da Prefeitura de Uberlândia” de Thalita Mara dos Santos e Marina Duarte e “Políticas Públicas e Psicologia” de Débora Stabile Gonçalves, Enzo Castrignano Villas Boas e Marciana Batista de Menezes junto com o livro “Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) em Políticas Públicas de Álcool e Outras Drogas” de Heloiza Helena Mendonça Almeida Massanaro, Isabela Saraiva de Queiroz, Maria Izabel Calil Stamato, Rafael Mendonça Dias e Paulo José Barroso de Aguiar Pessoa.

Além disso, a psicóloga Kátia Stocco, que trabalha no CAPS AD de São Carlos nos concedeu uma entrevista, respondendo as questões que ficaram após a leitura dos textos.

Com base na leitura e estudo de todos esses textos, é imprescindível a importância do psicólogo para a recuperação dos usuários, pois este tem um papel direto na saúde mental, criando diversos grupos terapêuticos, psicopedagógicos, recreativos, orientação em saúde, visitas familiares, jogos lúdicos e terapia individual. Ainda assim, seu papel é ainda mais necessário frente à pandemia atual, auxiliando os usuários em suas prevenções individuais e também trabalhar seu psicológico diante do distanciamento social e outras mudanças da sociedade.

O projeto de intervenção apresentado trará grandes benefícios para uma boa qualidade de vida dessas pessoas, que muitas vezes não são ouvidas ou não têm a capacidade de se protegerem sozinhas. A área da psicologia também ganhará vantagens para usar a melhor estratégia possível para estar próximo dos usuários e ao mesmo tempo em segurança, beneficiando assim, os dois lados.

Metas e Impactos Esperados

Ao final do projeto as metas e impactos esperados são:

  • É esperado que com as palestras os usuários fiquem atualizados sobre a situação do COVID-19 no Brasil;
  • É esperado que os usuários se sintam confortáveis no CAPS e não se sintam sozinhos, sendo assim, disponibilizando visitas familiares;
  • É esperado que com os exames de COVID-19 apresentados, não aconteça casos dentro do CAPS;
  • É esperado a prevenção contra o COVID-19 dentro do CAPS, como atos de lavar as mãos, usar álcool em gel e máscaras; 
  • Com os instrumentos apresentados, é esperado que os usuários continuem com o tratamento;
  • É esperado que os usuários se tornem conscientes do problema atual e tomem todas as medidas de segurança apresentadas;
  • É esperado que os usuários entendam que além de se protegerem, estão protegendo as outras pessoas ao seu redor, criando sentimento de empatia entre estes.

Metodologia

PARTE I – ELABORAÇÃO DO PROJETO DE INTERVENÇÃO

Devido a pandemia do COVID-19, este projeto foi realizado com recursos online, como chamadas de vídeo e troca de mensagens e áudios em grupo diariamente. Teve início em agosto junto com o começo do semestre e foi sendo realizado com o auxílio da professora Fernanda. O projeto foi dividido em três etapas:

  • Na primeira etapa o grupo criou uma base visando o projeto final. Foram feitas buscas na internet com o objetivo de localizar referências suficientes para a elaboração de uma síntese inicial sobre o projeto proposto e a elaboração do roteiro de entrevista. Para nortear a entrevista foi escolhida uma pergunta chave sobre o assunto “Pensando na situação que vivemos e estamos vivendo  referente a pandemia do COVID-19, como foi o atendimento de usuários do CAPS AD no contexto de pandemia?”, com essa pergunta e com a revisão de literatura foram desenvolvidos um resumo inicial sobre o projeto e o roteiro de entrevista anexado.
  • Na segunda etapa, foi feito a transcrição da entrevista com a psicóloga e também um relato contando como a entrevista ocorreu;

  • Na terceira etapa o trabalho foi dividido em duas partes: o trabalho escrito, com todas as informações reunidas e a apresentação oral, divulgada para todos os alunos presentes na aula.

Sabendo que essa população pode ter uma maior dificuldade sobre as informações referente a luta contra o COVID-19, nosso intuito é de conscientizar os usuários de álcool e drogas sobre a importância da prevenção em época de pandemia. Proteger e ajudar os usuários, sabendo que de certa forma são pessoas de uma fragilidade maior e que necessitam de um tratamento mais específico, utilizando as políticas públicas e todos os esforços para reintegrar essas pessoas na sociedade. Sabendo de todas as dificuldades que os usuários de álcool e drogas carregam consigo, nosso intuito é fazer o usuário entender sua importância na sociedade incentivando o cuidado com ele próprio e com o próximo nesse momento de pandemia.

PARTE II – MÉTODO DE EXECUÇÃO DO PROJETO DE INTERVEÇÃO

Este projeto de intervenção tem como público-alvo os usuários do CAPS AD e seus familiares.

  • Instrumentos:
    • Grupos terapêuticos;
    • Palestras;
    • Visitas familiares;
    • Rodas de conversas;
    • Terapia individual.
  • Duração, periocidade, local: CAPS AD São Carlos;
    • Grupos terapêuticos: ao total serão nove, acontecendo toda semana, normalmente dois a cada semana de intervenção;
    • Palestra: ao total serão quatro palestras, uma para abertura do projeto e uma para fechamento do projeto, duas para assuntos relacionados a intervenção;
    • Visitas familiares: apenas uma vez na segunda semana de intervenção;
    • Rodas de conversas: ao todo serão cinco, acontecendo no último dia de cada semana;
    • Terapia individual: ao total serão quatro sessões, duas por semana.
  • Procedimentos:
    • Apresentação: será feita uma palestra no primeiro dia da intervenção com o intuito de explicar a proposta do projeto e detalhar o cronograma desenvolvido; 
    • Integração: será feita distribuindo panfletos pelo CAPS com informações sobre as intervenções;
    • Desenvolvimento:
      • Cada grupo terapêutico terá seu tema. Os principais temas serão pré-contemplação, planejamento, ação, manutenção e recaída que são os estágios trabalhados nas fases de tratamento dos usuários. Os três grupos terapêuticos restantes serão para abordar assuntos gerais, que os próprios usuários gostariam de conversar;
      • A palestra “Álcool e Drogas: Efeitos e riscos do consumo exagerado” será feita por um médico, com o intuito de apresentar os mecanismos de ação e efeitos a curto e longo prazo dos mais diferentes tipos de substâncias psicoativas. Destacando a identificação do consumo abusivo e o desenvolvimento da dependência química. A palestra “Uma vida interferida pelo abuso” será feita por um ex usuário de álcool e drogas e um parente, com o intuito de contar sua história e sua superação e como isso interferiu não só em sua vida mas também na de sua família, contando de um ponto de vista de quem passou pela situação;
      • A visita familiar tem o intuito de mostrar ao usuário que ele será acolhido pela família em qualquer situação que ele se encontre, mostrando que ele não está sozinho;
      • As terapias individuais tem como objetivo a escuta ativa para entender cada usuário e seu caso.
    • Avaliação: será feita pelas rodas de conversas com a utilização do formulário. Elas servem para os usuários avaliarem as intervenções feitas naquela semana e opinarem sobre o projeto em geral. As conversas são informais, assim os usuários se sentem livres para serem verdadeiros sobre suas opiniões;
    • Finalização: acontecerá em forma de palestra, no último dia da intervenção, com agradecimentos aos funcionários e usuários do CAPS pela participação das intervenções.
  • Recursos Humanos:
    • Psicólogos do CAPS AD São Carlos;
    • Médico palestrante convidado;
    • Ex usuário e familiares palestrantes convidados.
  • Recursos Materiais:
    • Kits de segurança contendo máscaras, álcool em gel e viseira;
    • Projetor e microfone.

Cronograma de Atividades

Tabela 1 — Cronograma

      
 atividadessemana 1 (01/12-04/12) semana 2 (07/12-11/12)semana 3 (14/12-18/12)semana 4 (21/12-25/12)semana 5 (28/12-31/12)
 grupo terapêuticoXXXX
 palestraX  
 visitas familiares    
 rodas de conversa
 terapia individual  

Os autores (2020)

Considerações Finais

Após a realização deste trabalho, foi possível ter uma maior afinidade com usuários do CAPS AD e com isso percebemos que todo tipo de informação é útil, não apenas sobre o tema em questão.

Vimos que muitas pessoas que se encontram em vulnerabilidade social precisam ter acesso as informações do COVID-19 para se protegerem e aos demais.

Este trabalho nos proporcionou abrir os olhos para situações que não são do nosso dia-a-dia, nos fazendo entender os motivos pelos quais as pessoas se inserem nesse mundo e também a forma que a família do usuário lida com a situação.

Entendemos que uma parte dos usuários entram nesse mundo por causa do ambiente em que foi inserido; por se sentirem invisíveis na sociedade, pensando que estão sozinhos, sem a busca de ajuda.

O foco do projeto era fazer com que o usuário entendesse que ele é importante na sociedade e que a atitude dele interfere no meio em que ele vive. Além disso, percebemos que essa população de certa forma tende a ser mais frágil referente ao restante da sociedade (tanto de informação quanto de cuidado), sendo excluídos pela sociedade, não acham que podem buscar ajuda, se isolando dos demais, sentindo-se sozinhos.

Em relação a importância da prática profissional nos CAPS AD e levando em conta a situação mundial durante a pandemia do COVID-19, junto com as formas de prevenção questionando a saúde mental dos usuários, os atendimentos online não seriam tão efetivos quanto as intervenções projetadas neste trabalho. Por conta do vício os usuários poderiam desistir de seus tratamentos e precisariam recomeçar após a pandemia.

Devido ao contexto da pandemia, não foi possível visitar o lugar pessoalmente, entretanto isso não nos impediu de realizar os procedimentos necessários. A entrevista com a psicóloga Katia foi de grande importância e ajuda para realizarmos o projeto de intervenção.

Portanto, este trabalho teve vários desafios a medida que foi realizado. As dúvidas referente aos objetivos gerais e específicos foram sanadas e cumpriram o propósito do projeto de intervenção. Este, por sua vez, poderá ser usado de inspiração para projetos futuros dentro do CAPS AD e de outros Centros de Atenção.

Referências

dos SantosThalita Mara; DuarteMarina. A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NO CONTEXTO DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL DE ÁLCOOL E DROGAS DA PREFEITURA DE UBERLÂNDIA. Psicologia.pt. Minas Gerais, 2009. 13 p. Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0159.pdf. Acesso em: 11 nov. 2020.

Girardi CeruttiMônica et al. A Atuação do Psicólogo no Centro de Atenção Piscossocial Voltado para Álcool e Outras Drogas (Capsad): Os Desafios da Construção de uma Clínica Ampliada. Extensio: Revista Eletrônica de Extensão. Florianópolis, 2014. 15 p. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/extensio/article/view/1807-0221.2014v11n17p101. Acesso em: 11 nov. 2020.

Mendonça Almeida MassanaroHeloiza Helena et al. REFERÊNCIAS TÉCNICAS PARA ATUAÇÃO DE PSICÓLOGAS(OS) EM POLÍTICAS PÚBLICAS DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS. 2. ed. Brasília: CREPOP, v. 2, 2019. 103 p. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2019/09/AlcooleOutrasDrogas_web-FINAL.pdf. Acesso em: 11 nov. 2020.

Os primeiros hospitais psiquiátricos. Portal Educação. Disponível em: https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/enfermagem/os-primeiros-hospitais-psiquiatricos/32104. Acesso em: 24 nov. 2020.

Piva LarentisChalana; MaggiAlice. Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas e a Psicologia. Redalyc. Rio Grande do Sul, 2012. 12 p. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1150/115026222011.pdf. Acesso em: 11 nov. 2020.

Stabile GonçalvesDébora; CASTRIGNANO VILLAS BOASEnzo; Batista de MenezesMarciana. Políticas Públicas e Psicologia . São Paulo, 2019. 14 p. Tese (Psicologia)Universidade Paulista.

ANEXO A — Formulário de avaliação

Formulário de avaliação para feedback sobre o projeto de intervenção.

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ANEXO B — Panfleto de divulgação

Panfleto de divulgação do projeto de intervenção divulgado por todo CAPS AD.

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ANEXO C — Roteiro de entrevista

A entrevista com a psicóloga Katia Stocco foi feita por vídeo chamada com todos os integrantes do grupo. De começo foi explicado sobre o projeto, o propósito dele e as ideias que o grupo tinha para as intervenções. Logo em seguida, realizamos a entrevista de acordo com nosso roteiro de perguntas, Katia respondeu todas as questões e após isso conversamos um pouco sobre a profissão e sobre o CAPS AD. Ela também nos deu dicas sobre a intervenção e sobre os procedimentos.

Prática Profissional:


1. Qual a maior dificuldade que o psicólogo enfrenta dentro do CAPS AD no tratamento de seus pacientes?

Uma dificuldade do serviço, não especificamente do psicólogo, é a falta de materiais para trabalhar em oficinas e grupos realizados, a dificuldade de compartilhar o cuidado com a rede, a falta de outros equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Especificamente do psicólogo, há dificuldades para a realização de psicoterapia devido a não adesão ao tratamento ou frequência irregular com período extenso sem procura pelo atendimento. 

O trabalho contra o preconceito e estigma que existe em relação a pessoa que faz uso de substâncias psicoativas e a desconstrução de que a internação é a única solução para o cuidado. Trabalhamos não apenas com a abstinência, mas sim com a Política de Redução de Danos. A internação é prevista como última estratégia após esgotadas todas as outras possibilidades.

2. Como vocês trabalham com os usuários/família? É utilizada alguma abordagem específica (ex. psicanálise, TCC…)?

Não existe abordagem específica para a equipe, cada profissional tem a liberdade de trabalhar com a abordagem que escolheu. As discussões são realizadas em conjunto com a equipe e cabe a cada profissional compreender dentro da sua visão teórica o que tá sendo avaliado pelo outro. A equipe possui uma supervisora institucional e sua abordagem é psicanalítica, então quando realiza supervisão com a equipe é a partir deste olhar, mas qualquer profissional pode falar a partir da sua ótica.

3. Os psicólogos trabalham com outros profissionais? Como é feito esse trabalho multiprofissional?

Sim. Na equipe que trabalho possui terapeutas ocupacionais, assistente social, equipe de enfermagem, psiquiatra. E mantemos contatos com outras equipes de saúde e de outras políticas públicas como CRAS, CREAS, compartilhando e discutindo o cuidado que o caso demandar. Na unidade podemos realizar o atendimento em conjunto, acionar o profissional do núcleo específico para solicitar um atendimento de terapia ocupacional ou do serviço social, discussão dos casos com a equipe. O trabalho é enriquecedor tanto para o profissional quando para a pessoa acompanhada porque ela é inserida dentro de um contexto social, permitindo o trabalho profissional um olhar biopsicossocial, sem que o cuidado seja segmentado.

Sujeito:

1. Existem casos de recaída? Nesses casos, os usuários voltam para o tratamento desde o começo, como funciona?

Quando o paciente inicia no CAPS AD, a gente constrói com ele o Projeto Terapêutico Singular (PTS), a partir das suas necessidades e da avaliação enquanto profissional, mas dentro de suas possibilidades e motivação para o tratamento. Como eu disse, é construído com ele, não é um PTS pronto que é ofertado como algo linear. O paciente inicia em acolhimento (escuta qualificada da demanda) e após é acompanhado pelo profissional de referência (que acompanhará o caso, aqui nos dividimos por regiões territoriais para facilitar). No acolhimento já se inicia um PTS, mas que com o acompanhamento mais proximal identificará as necessidades, tipos de atendimentos no CAPS, na rede, projeto de vida, entre outras questões pertinentes. Sim, existem casos de recaídas e sempre trabalhamos com a possibilidade, por isso realizamos acompanhamento para prevenção de recaída. As recaídas não são iguais, por isso precisamos trabalhar com a demanda que o paciente traz, sempre pensando que o PTS é singular, mas que podem ser realizadas mudanças sempre quando há necessidade. O que tínhamos antes da pandemia eram atividades com permanência-dia. O paciente podia passar a manhã ou a tarde com a gente para realização de atividades ou ambiência, espaço ofertado inclusive como redução de uso. Então, o paciente com uso abusivo, com dificuldades de organização, poderia permanecer durante o dia em observação e avaliação durante as atividades. Com a pandemia tivemos que suspender a permanência-dia e atividades coletivas.

2. Quais são as características dos usuários?

É um serviço público de saúde, então qualquer pessoa pode acessar. Em geral, se encontram em grande vulnerabilidade social.

3. Existem diferenças de prognósticos entre homens e mulheres?

Não temos dados na unidade referente a este prognóstico. Na verdade, como trabalhamos com Redução de Danos também, com a possibilidade da abstinência, mas não ela como única, temos que entender o contexto que a pessoa está inserida. Não focamos o atendimento no uso, mas sim na relação que ela tem com este uso. Como por exemplo, sentir prazer para fugir de resolução de problemas, conflitos familiares, então temos que trabalhar o que identificamos como gatilho. O foco será trabalhar resolução de problemas, desenvolvimento de habilidades sociais, acesso às políticas públicas, assim como também entender as especificidades da população masculina, população feminina, entre outras.

4. Quais são as fases que o usuário passa durante seu tratamento?

Trabalhamos com os estágios de motivação em relação a mudança de comportamento do paciente que são: pré-contemplação, contemplação, planejamento, ação, manutenção e recaída.

5. Existem mais casos de tratamento forçado ou voluntariado? Como trabalhar com usuários que são forçados ao tratamento? Qual a solução quando o usuário não quer receber o tratamento?

Atendemos pessoas por busca espontânea ou que procuraram por determinação judicial, a pedido da família, de amigos, encaminhamento da rede. A ideia do trabalho no CAPS AD é ambulatorial, para isso, é muito importante que o paciente esteja disponível para o cuidado em saúde. Inclusive, trabalha-se com a autonomia do paciente em fazer suas escolhas em relação ao uso. A família é muito focada na abstinência, mas trabalhamos também com Redução de Danos. Quando o paciente não aceita realizar o acompanhamento pode se realizar a tentativa de trabalhar o vínculo com ele através de visitas domiciliares, contatos telefônicos ou o cuidado no próprio território. De toda forma, também podemos realizar o acompanhamento familiar para se trabalhar estratégias com a própria família.A pessoa tem liberdade de escolha de continuar o acompanhamento ou não. Intervenções são necessárias quando realizamos avaliação do estado de saúde mental e a pessoa tem prejuízos em relação ao juízo crítico e se coloca em situações de risco de vida.

6. Como é feito o trabalho com os usuários? Existem grupos ou são trabalhos individuais? Existem oficinas? É feito algum trabalho com a família também? 

Realizamos atendimentos individuais para acompanhamento, que todas os profissionais podem realizar, assim como atendimentos que podem ser específicos do núcleo de cada profissão, como a psicoterapia, no caso de psicólogos. Há a possibilidades de oficinas e grupos terapêuticos como Grupo de Mulheres, Grupo de Etilistas, Grupo de Prevenção a Recaída, Roda de Conversa, entre outros. Cada profissional realiza propostas a partir de necessidades identificadas no geral e com as atividades que se identifica. Os pacientes também solicitam determinados grupos ou oficinas. Temos o espaço da Assembleia para conversarmos sobre decisões coletivas junto com eles. Realizamos acompanhamento familiar individual e Grupo de Família. Lembrando que todas as atividades coletivas foram suspensas na pandemia e ainda não retornaram, sendo mantidas apenas as individuais.

7. Existe uma co-dependencia entre a família e o usuário? Como lidar com essa questão?

Sim. É um trabalho que exige muito através dos atendimentos familiares individuais ou de grupo. Quando é necessário trabalharmos questões que são próprias do familiar, também podemos solicitar acompanhamento em outros serviços, sem cessar o acompanhamento no CAPS AD. O atendimento possibilita entender a dinâmica familiar e trabalhar a autonomia do familiar, assim como suas expectativas em relação ao paciente.

Contexto:

1. Com a pandemia do COVID-19, houve algum agravamento nos índices de alcoolismo/drogas?

Sim, a mídia e algumas pesquisas científicas já descreveram o aumento do uso do álcool, por exemplo, substância lícita. Nos atendimentos realizados também encontramos relatos de aumento do uso por conta do isolamento, mas não temos dados estatísticos onde trabalho.

2. A pandemia influenciou na recuperação dos usuários?

O início da pandemia dificultou o acompanhamento dos pacientes por ser uma doença nova e sem informações, inclusive para os profissionais de saúde. No começo, os atendimentos foram suspensos e tivemos dificuldades de recursos para realização das atividades a distância. Aos poucos, fomos nos adequando dentro das possibilidades para manter este acompanhamento. A falta da permanência-dia também afeta a dificuldade de mantermos maior proximidade ao paciente, onde fornece a possibilidade de redução de uso e acompanhamento de pacientes em crise. A permanência-dia é uma rica possibilidade terapêutica e sentimos dificuldade após sua suspensão para acompanhamento de casos mais graves.

3. Houve alguma mudança de comportamento geral entre os usuários durante esse período?

No geral, quando a pandemia começou, os números de atendimentos caíram, primeiro porque as atividades coletivas foram suspensas, segundo porque a orientação era de isolamento social, então a busca pelo serviço diminuiu bastante, mas ao decorrer dos meses, a busca pelo atendimento foi aumentando. Temos relato de aumento de uso de substâncias, de situações de crise, de conflitos familiares.

4. Em relação a pandemia, como ficou o tratamento dos usuários? Teve mais procura com o CAPS AD ou menos? Em comparação a “época normal”, como ficaram os casos de recaída? 

O acompanhamento permaneceu de forma individual, com as restrições necessárias e os acompanhamentos presenciais conforme orientações do Conselho Federal de Psicologia. Em nenhum momento deixamos de ofertar atendimentos, o serviço se mantém aberto desde o início da pandemia, com orientações ou distanciamento social ou realização de tele atendimento.

5. Quais intervenções estão sendo feitas atualmente mesmo com a pandemia do COVID 19? Como está sendo para reunir a família do usuário com o distanciamento social?

Atendimentos individuais presenciais e telefônicos, fizemos WhatsApp institucional para manter contato proximal com as pessoas acompanhadas, educação permanente em saúde com elaboração de conteúdo e compartilhamento de informações através do WhatsApp e redes sociais como facebook e Instagram, atendimentos familiares. As famílias podem acessar através de redes sociais ou atendimento presencial, tomando todas as precauções confirme recomendadas pelo Conselho Federal de Psicologia e Ministério da Saúde.

ANEXO D — Termo de autorização

Termo de autorização assinado pela psicóloga entrevistada.

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feito

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