PRINCIPAIS DOENÇAS DE OVINOS E CAPRINOS

CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM

PRINCIPAIS DOENÇAS DE OVINOS E CAPRINOS

Vitoria Batichote RA: 212223

VITORIA BETIO RA: 212253

MARIANA PEREZ RA: 212320

JOÃO GABRIEL SIQUINELLI RA: 212220

TALITA ESTEFANI RA: 213018

CARLOS EDUARDO VASQUES RA:214361

Professor: Carlos Eduardo Cunha Belluzzo

Coorientador: Carlos Eduardo Cunha Belluzzo

Resumo

Para garantir uma maior rentabilidade na produção de ovinos e caprinos há alguns cuidados que devem ser tomados a fim de minimizar algumas doenças e infestações no rebanho. Nesta pesquisa iremos falar das principais enfermidades que podem acometer o rebanho, quais os sintomas presentes em cada uma, qual a origem e disseminação, os métodos de prevenção e qual o melhor tratamento.

Palavras-chave: Ovinos. Caprinos. Sintomas. Tratamento.

Artrite Encefalite Caprina

Agente casual e principais sintomas:

A Artrite Encefalite Caprina (CAE) é uma enfermidade de curso progressivo causada por um lentivírus e caracterizada pelo período longo de latência. Os principais sintomas da CAE são artrite, pneumonia, mastite, emagrecimento progressivo e, nos animais jovens, a encefalomielite. Essa infecção consta da lista de doenças que requerem notificação mensal de qualquer caso confirmado.

Formas de transmissão:

A CAE encontra-se difundida nos rebanhos de caprinos leiteiros de diferentes regiões do Brasil. A transmissão viral ocorre por meio de secreções ou excreções ricas em células do sistema monocítico-fagocitário, principalmente macrófagos. A principal via de transmissão é a digestiva, por meio da ingestão do leite e/ou colostro infectados. Pode ocorrer ainda por contato direto; pelo refluxo de leite contaminado em máquinas de ordenha desreguladas; por mãos, toalhas, agulhas, tatuadores, equipamento de descorna contaminados e pela inseminação artificial. A transmissão intrauterina também é uma possibilidade. Inclui-se, ainda, a transmissão por aerossóis de secreções respiratórias ou células do trato respiratório.

Manejo preventivo e controle:

Não existe uma terapêutica eficaz que consiga eliminar o vírus em rebanhos ou o uso de vacinas, a melhor maneira de controlar a doença é detectando precocemente os animais infectados para que sejam adotadas medidas de controle. No entanto, os programas de controle dessa enfermidade são complexos e laboriosos em decorrência de vários fatores a serem avaliados na propriedade como: a presença de animais portadores assintomáticos; a soro conversão lenta dos animais; algumas vezes, a baixa produção de anticorpos; e a disseminação ampla e rápida em rebanhos leiteiros.

Conforme as vias de transmissão da CAE, recomendam-se as seguintes estratégias de prevenção para as propriedades e rebanhos: não introduzir animais sem a devida sorologia; não comprar animais de propriedades e áreas infectadas; e realizar avaliação clínica e sorológica do rebanho anualmente. No caso de rebanhos e propriedades com problemas, deve-se organizar um plano de controle da doença conforme sua estrutura e apoio de técnicos e produtores.

Vacina: não existe

Linfadenite Caseosa (mal-do-caroço)

Agente causal e principais sintomas:

A Linfadenite Caseosa é uma doença contagiosa, crônica e debilitante de ovinos e caprinos causada por uma bactéria denominada Corynebacterium pseudotuberculosis. A bactéria tem a característica de formar abscessos nos linfonodos superficiais, internos e em órgãos. A forma disseminada visceral é uma das causas da síndrome da ovelha magra, levando a prejuízos pela intensa redução da produção e morte do animal.

Formas de disseminação:

O material purulento, oriundo do abscesso, é o principal fator de disseminação do microrganismo no ambiente. A difusão da infecção nas propriedades ocorre principalmente pela importação, comércio e compartilhamento de animais sem exame clínico e/ou sorológico. Vale informar, um único animal infectado pode contaminar o ambiente com secreções do abscesso rompido e espalhar a doença no rebanho.

Manejo preventivo e controle:

O isolamento e tratamento dos animais doentes, a descontaminação ambiental e a profilaxia nos animais saudáveis são pontos fundamentais para o controle da enfermidade. O uso de antimicrobianos é de alto custo e moderada eficácia. A drenagem do abscesso é necessária para tornar mais eficiente o tratamento, estando associada ou não ao uso de antimicrobianos intralesionais ou subcutâneos, pois tratamentos ineficazes acabam por manter bactérias viáveis no local do abscesso, desencadeando sua multiplicação e recidiva. Entre as estratégias indicadas para um programa de controle estão: o diagnóstico sorológico precoce e seriado (a cada 6 meses em rebanhos soropositivos e a cada 12 ou 24 meses em rebanhos soronegativos), isolamento dos animais suspeitos e, de forma temporal, o descarte dos animais confirmados com sinais clínicos. É recomendada também a drenagem precoce e cauterização química dos abscessos maduros, isolamento dos animais até a completa cicatrização da ferida, descarte adequado do material contaminado oriundo do tratamento, limpeza e desinfecção das instalações e, em alguns casos, vacinação (conforme orientação do fabricante). Aconselha-se ainda o acompanhamento rigoroso da saúde dos reprodutores introduzidos no rebanho, devendo permanecer em quarentena com testes clínicos e sorológicos negativos no início e final do período de isolamento.

Vacinas: só existem três vacinas licenciadas, que ainda não são usadas amplamente nos rebanhos.

Broncopneumonia

É a inflamação dos pulmões que pode começar com um simples resfriado que se não tratado evolui para estágios mais críticos, sendo causados por vários agentes microbianos entre eles a Mannheimia (M.) haemolytica. Normalmente ocorre durante quedas de temperatura, vento intenso e frio e umidade. Podendo acometer animais de todas as idades, porém, com mais frequência em animais malnutridos e mal abrigados.

Sinais clínicos

Figura 1 — Secreção nasal
Secreção nasalSilva

Diminuição do apetite, pelos arrepiados e sem brilho, febre, dificuldade respiratória, cansaço, tosse, corrimento nasal.

Prevenção

Manter os animais em locais secos bem protegidos de vento, chuva e confortáveis, alimentação abundante e apetecível, evitar a compra de animais adoentados, fazer o isolamento dos animais recém-adquiridos e evitar su-perlotação.

Tratamento

Os ovinos acometidos deverão ser isolados e tratados a base de antibióticos de largo espectro, associados ou não a broncodilatadores e mucolíticos.

Pododermatite

As bactérias mais causadoras da podridão nos cascos são as Fusobacterium necrophorum e a Dichelobacter nodosus, entretanto a umidade e a temperatura excessivas, pastos encharcados, instalações úmidas e áreas superlotadas e até o crescimento exagerado dos cascos são fatores que influenciam para o aparecimento da doença. Pequenos ruminantes podem apresentar outros tipos de pododermatites como a pododermatite traumática causada pela penetração de um corpo estranho na sola do casco.

Sinais clínicos

claudicação é um sinal bem característico, em casos de pododermatite contagiosa observa-se entre os cascos o aumento da temperatura local, rubor e edema, quando nesse estágio não se é tratado pode aparecer um material purulento e fétido entre os cascos e febre. Nos casos com perfuração com objetos estranhos observa-se o aparecimento se secreção purulenta na retirada do objeto, claudicação, vermelhidão e dor à palpação. Geralmente em casos de claudicação há uma diminuição na ingestão de alimentos, e com isso perda de peso.

Figura 2 — Pododermatite
PododermatiteEMBRAPA

Prevenção

Manter os animais em solos secos, fazer o casqueamento adequado, fazer o pedilúvio (podendo ser utilizados Formaldeído a 2-5%, Sulfato de cobre a 10%, Sulfato de zinco a 10%, Amônia quaternária a 1:1000 e Cal virgem), evitar comprar animais com lesões nos cascos, fazer isolamento de animais recém-adquiridos em ambientes secos e limpos.

Tratamento

Todo o material necrótico, purulento e corpos estranhos devem ser removidos, higienizar diariamente as feridas com água e sabão, mergulhar os cascos em solução desinfetante ou aplicar solução antibiótica no local, e se necessário o uso de bandagens. Em casos mais graves poderá ser feita a aplicação sistêmica de antibióticos como penicilina ou oxitetraciclina. Os animais devem ser isolados em ambientes secos e limpos.

Mastite

É a inflamação da glândula mamária causada por bactérias (estreptococos, estafilococos ou micrococos), acomete principalmente fêmeas leiteiras ruminantes. Essa inflamação pode ser causada pela entrada de bactérias por meio de ferimentos no úbere, pelas mãos do ordenhador, pelas ordenhadeiras mecânicas quando não higienizadas corretamente, alta atividade do úbere e retenção de leite.

Sinais clínicos

Podem aparecer como febre, perda de apetite, úbere inchado, duro e dolorido, por esses motivos as fêmeas podem andar com as pernas mais afastadas.

  • Mastite clínica: o úbere se encontra inchado, de cor avermelhada, quente e dolorido, e o leite tem uma coloração alterada (amarela, lembrando um pus ou avermelhado).
  • Mastite subclínica: não há sinais visíveis, o diagnóstico tem de ser feito por meio de testes específicos, como o California Mastitis Test (CMT) e a contagem de células somáticas (CCS).
  • Mastite crônica: o úbere contém áreas endurecidas ou até mesmo ele inteiro, o leite apresenta-se aquoso ou de coloração amarelada.

Prevenção

Manejo e alimentação corretos, sem excesso de concentrados e manter o úbere bem limpo e lavar com água corrente ou com solução antisséptica o enxugue com toalhas individuais (papel toalha ou de tecido volta-ao-mundo e lave bem as mãos antes da ordenha.

Tratamento

O tratamento das mastites é realizado normalmente a base de antibióticos de amplo espectro ou sulfamidas, imediatamente após a observação dos sinais clínicos.

Figura 3 — Mastite
MastiteEMBRAPA

CERATOCONJUNTIVITE INFECCIOSA (OFTALMIA CONTAGIOSA)

É uma inflamação que afeta a córnea e a conjuntiva dos olhos dos animais, pode acometer caprinos e ovinos de todas as idades, mas é mais frequente em borregos e animais mais velhos. É vista com maior incidência no verão e em épocas de maior proliferação de moscas, pois são elas os principais vetores da doença. O agente causador dessa doença é a bactéria Moraxella spp, sendo que esta pode estar presente na secreção ocular de animais sadios. Ela produz necrose epitelial, quando a Moraxellase prolifera no globo ocular, libera enzimas, que irão lesionar células epiteliais da conjuntiva e córnea, penetrando no estroma, causando úlcera. É utilizado um colírio de fluoresceína que cora de verde os locais onde há úlcera.

Sinais clínicos

Anorexia, febre, dor, lacrimejamento, opacidade, sensibilidade à luz, caso não tratado pode-se perfurar o olho, e mesmo se tratado pode deixar cicatrizes.

Prevenção

Fazer a limpeza diária e desinfecção das instalações para o controle dos vetores da doença, ficar em observação dos animais, os recém-adquiridos ficar isolados por um tempo para verificar se não tem a doença e evitar ferimentos ou traumas nos olhos.

Tratamento

Utilizam-se antibióticos, e pode-se fazer a limpeza dos olhos com solução fisiológica e pomadas.

Figura 4 — Oftalmia contagiosa
Oftalmia contagiosaEMBRAPA

MIÍASE

A miíase é um tipo de ectoparasita que acomete caprinos e ovinos, nas mais variadas regiões do país. De acordo com a região, essa doença pode ocorrer pela ação de diferentes tipos de parasitas.

Na região Sul e Sudeste verificou-se uma alta ocorrência de Oestrus Ovis, uma mosca que causa miíase nasal, causando perdas significativas nessas regiões. No Nordeste as maiores incidências foram de miíase cutânea, causada pela P. cuniculi e Cochliomyi hominivorax, na época das chuvas. Em um estudo realizado nesta região, as miíases registradas ocorreram em lesões de úbere de matrizes lactentes, vulva de matriz recém parida, otoacaríase, umbigo de recém-nascido.

Figura 5 — Miíase
MiíaseDuarte

Figura 6 — Miíase
MiíaseDuarte

Infestação

A infestação geralmente se inicia com a prática de manejo mal executada como castração, cura de umbigo, ocorre em feridas abertas, sangramentos e mucosas. São nessas regiões que as moscas depositam seus ovos dando origem às larvas, que num pequeno período irão causar a doença conhecida como miíase ou popularmente “bicheira”.

Tratamento

O tratamento consiste na retirada das larvas visíveis, limpeza do local e aplicação de sprays a base de organofos-forados, iodo a 5 -10%. Em alguns casos são utilizados larvicidas em spray, sendo estes considerados bons repelentes.

Prevenção

Devido à alta susceptibilidade dos ovinos e caprinos a essas infestações, é necessário a adoção de programas de prevenção baseados nos fatores predisponentes identificados e, quando instalada, deve-se realizar o tratamento precocemente.

Instalações com entulhos, cercas de arame farpado, cães e outros animais ferozes devem ser evitados. As pastagens devem estar sempre limpas e ter lotação de animais adequada, evitando brigas e predisposições a ferimentos.

Brucelose

A brucelose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Brucella. É uma doença venérea crônica nos carneiros, também conhecida como epididimite ovina. A enfermidade é causada pela brucella ovis, caracterizada pelo aumento de volume e consistência do epidídimo e atrofia dos testículos.

Transmissão

A transmissão pode ocorrer de várias maneiras, como através do sêmen, leite e colostro contaminados, materiais oriundos de abortos, contato direto com tecidos de animais contaminados; e de maneira indireta pela ingestão de alimentos e água contaminada.

Diagnóstico clínico

O diagnóstico clínico é feito pela palpação dos testículos, que apresentam consistência macia e atrofia. Verifica-se também aumento do volume da cauda e cabeça do epidídimo. O diagnóstico sorológico demonstra a presença de anticorpos contra Brucella ovis e na cultura do sêmen, a presença do microrganismo.

Tratamento e diagnóstico

De acordo com estudos (ESTEIN, 1999), a brucelose em animais de produção não possui um tratamento específico, por isso o diagnóstico preciso e seguro se torna necessário para implantação de um controle racional e erradicação da doença (MÓLNAR et al., 2002). O diagnóstico mais confiável da doença é obtido por meio do isolamento e identificação do micro-organismo em animais suspeitos (PINHEIRO JUNIOR et al., 2008). Entretanto, essa técnica possui sensibilidade limitada, alto custo e execução demorada. Diante disso, os métodos indiretos baseados em testes sorológicos são amplamente utilizados em programas de controle e erradicação da doença.

Manejo preventivo e controle

O controle da B. ovis é baseado na identificação, isolamento e eliminação de animais soropositivos. Recomenda-se como prevenção e controle a criação isolada de carneiros jovens e adultos, os exames clínico e sorológico periódicos, antes do período de monta, e a entrada no rebanho de carneiros com exames clínico e sorológico negativos.

Figura 7 — Brucelose
BruceloseEMBRAPA

Febre Aftosa

A doença

A febra aftosa e uma doença provocada por um vírus de RNA da família Picornaviridae e gênero Aphthovirus, sabe se que existem em média cerca de sete sorotipos, mas só são encontrados apenas três nacionalmente.

O vírus pode ser espalhado de várias formas: pelo ar expirado, secreções nasais, sangue, leite, sêmen, fezes, urina e líquido presente nas lesões, o que facilita a sua transmissão. Normalmente a transmissão ocorre pelo contato de um animal saudável com outro animal contaminado, mas também pode ocorrer por intermédio de materiais contaminados e ao alimentar-se de restos de animais doentes. Também é importante ressaltar que as pessoas que fazem o cuidado dos animais podem ser uma fonte de contaminação por meio de suas roupas e luvas.

Sinais Clínicos

Essa zoonose provoca principalmente febres e feridas na boca, gengiva, língua e mucosa nasal do animal (aftas). Além disso ela pode causar a perca de peso no animal em virtude das lesões e uma propensão maior do animal desenvolver outras doenças. Pode se observar também a inflamação dos tetos, miocardite em animais jovens, lesões nas patas, manqueira e casos de aborto.

Prevenção

Atualmente a campanha de vacinação contra a febre aftosa e muito forte, acontece anualmente com o objetivo de deixar todo o país livre da doença. Além da vacina o pecuarista deve ficar atento ao rebanho, informando o serviço de Defesa Sanitária Animal de qualquer suspeita da doença.

Tratamento

A febre aftosa é uma doença que não tem tratamento, sendo observada a recuperação natural do animal entre duas e três semanas. Entretanto, todos os animais com aftosa devem ser sacrificados a fim de evitar a disseminação da doença. Sendo assim, a partir do momento que o proprietário do animal suspeite de um caso de aftosa, ele deve comunicá-lo rapidamente ao serviço veterinário para confirmação do diagnóstico e para que as medidas sanitárias adequadas sejam tomadas.

Papilomatose

A doença

A papilomatose, conhecida normalmente como verruga ou figueira, e uma doença contagiosa e crônica causada pelo vírus da família Papovavirus.

Sinais Clínicos

Lesões proliferativas crostosas com superfície cornificada, semelhantes a verrugas, na região nasal, palpebral e orelha. Essas “verrugas” podem se disseminarem por todo o corpo do animal.

Prevenção

Para evitar a disseminação da papilomatose é importante utilizar material descartável ou esterilizar bem o material empregado na vacinação (agulhas e seringas), na tuberculinização, descorna ou castração e as instalações.

Tratamento

De imediato, isole os animais acometidos. Medicamentos à base de clorobutanol ou diaceturato de diaminazina podem ajudar no combate, dependendo do número de verrugas. Alguns médicos veterinários associam o trata-mento com o uso de vermífugo, devido ao efeito estimulante ao sistema imunológico. Uma opção também é a auto-hemoterapia, processo no qual retira-se 5 mililitros de sangue venoso do ovino e no próprio animal faz uma aplicação intramuscular profunda. Repita o procedimento cinco vezes em intervalos entre 7 e 10 dias.

Ectima contagioso em ovinos

Figura 8 — Ectima contagioso
Ectima contagiosoSantos

Agente etiológico

O ectima acontece em ovinos e caprinos, geralmente do terceiro ao sexto mês de vida. É uma lesão cosmopolita provocada pelo vírus da família Roxviridae do gênero Parapoxvírus.

Esta enfermidade pode ser transmitida ao homem por meio de contato direto com animais infectados, apresenta-se como uma erupção grave da pele, extremamente irritante podendo se tornar a hiperplasia.

Contaminação

A principal forma de contaminação é por contado direto com os animais, pastagens contaminadas e grande concentração de animais em uma área.

As feridas na pele podem transmitir infecção por meses ou até mesmo por anos. O vírus pode continuar infeccioso na pastagem de um ano para outro, em utensílios, cochos. As lesões aparecem com maior frequência nas comissuras labiais podendo se estender para as gengivas, narinas, língua, região perianal, coroas dos cascos e outros locais em casos mais graves.

Prevenções

Para prevenção deve-se isolar os animais por um período de 2 a 3 semanas, deixar que eles mamem o colostro da mãe, manter tudo limpo e desinfetado, separar os animais doentes, vacinar o rebanho, em especial as fêmeas prenhas antes do parto e duas semanas após o mesmo.

Vacinação

A melhor maneira de prevenir é através da vacinação, que confere imunidade por toda a vida. Esta vacina é pre-parada com vírus cultivados das crostas dissecadas (suspensão das crostas dissolvidas em 10% a 20% em gliceri-na). Ela é aplicada em cabritos de um a dois meses de idade na face interna da coxa. A associação de antibióticos (cloranfenicol ou oxitetraciclina) e violeta de genciana também é eficaz.

RAIVA

Sintomas

Animais mudam o comportamento, ansiedade, pupila dilatada, podem estar arrepiados, sialorreia, deglutição dificultada, morte em 5 a 10 dias. Apesar da forma paralítica ser a mais frequente, pode-se observar excitação e agressividade.

Tratamento

Não existe tratamento, mas medidas paliativas exclusivamente imunoterapias como a aplicação de três doses de vacina até 24 horas após a infecção. Mas é difícil, pois deve ser executado antes do aparecimento dos sintomas.

Profilaxia

Vacinação periódica (anualmente em todos os animais a partir dos 4 meses de idade) em regiões onde há diagnóstico da doença e morcegos hematófagos.

Combater a proliferação dos morcegos; Vacinar cães e gatos da propriedade.

Verminoses

A verminose é uma doença causada por helmintos, vermes, que vivem, principalmente, no abomaso (coalho) e intestinos dos animais, podendo atacar todo o rebanho. De todas as doenças de caprinos e ovinos a verminose é a que causa mais prejuízo aos criadores. Afeta praticamente todos os animais de campo, reduz o consumo de alimentos, afeta a digestão e a absorção de nutrientes; reduz a eficiência reprodutiva e consequentemente a produtividade do rebanho. Os animais ficam com as mucosas pálidas, como se estivessem sem sangue. As hemácias, que dão a cor vermelha ao sangue, são as células responsáveis por carrear o oxigênio e o gás carbônico por todo o organismo, e a falta dessas células leva o animal à morte rapidamente, devido à falência de vários órgãos vitais. Outro sintoma que aparece em consequência das parasitoses é o edema submandibular, um inchaço que aparece na mandíbula inferior, vulgarmente conhecido como “papeira”.

Sinais clínicos:

• Anemia (olho branco);

• Apatia e perda de peso;

• Pelos ásperos, arrepiados e sem brilho;

• Claudicação;

• Dificuldades reprodutivas;

• Edema mandibular (papo inchado);

• Queda na produção.

Agente etiológico: 

Helmintos, mais comumente dos gêneros Haemonchus e Trichostrongylus.

Medidas Profiláticas: 

É recomendado vermifugar periodicamente todos os caprinos e ovinos da propriedade, a fim de evitar que animais não medicados venham a contaminar os pastos com os ovos dos vermes presentes nas suas fezes. Devem ser realizadas cinco vermifugações por ano, sendo três no período seco e duas no período chuvoso. Na época seca há poucas condições de sobrevivência das larvas dos vermes nas pastagens. A vermifugação nesse período reduz a infecção no animal e evita que o mesmo fique com uma carga muito grande de vermes na época das chuvas. Deve-se ter o cuidado em calcular a dose do medicamento, já que uma dose abaixo das necessidades do animal, além de não controlar os vermes, causa também a resistência destes aos produtos antihelminticos

Ainda como medidas profiláticas para o controle da verminose gastrintestinal, devem ser adotadas práticas de manejo, tais como:

• Limpeza e desinfecção das instalações (formol comercial a 5%, soda cáustica a 2% e fenol a 5%);

• Manter as fezes acumuladas em locais distantes dos animais e, se possível, usar esterqueiras;

• Evitar superlotação das pastagens;

• Separar os animais por categoria animal;

• Vermifugar o rebanho ao trocar de área;

• Animais adquiridos recentemente devem ser colocados em quarentena;

• Realizar a troca do princípio ativo anualmente

Tratamento: 

O tratamento destes animais também é por meio de vermífugos, indicando-se os de aplicação oral, de largo espectro de ação à base de oxfendazole, fenbendazole, albendazole, levamisole e avermectinas. Deve-se observar as instruções quanto às dosagens e período de carência do anti-helmíntico a ser utilizado. Também, deve-se evitar a aplicação de anti-helminticos no primeiro mês de prenhez, fase de desenvolvimento embrionário.

Figura 9 — Exemplo de “papeira” em ovinos
Exemplo de “papeira” em ovinos AGED

Figura 10 — Ovelha sendo vermifugada
Ovelha sendo vermifugada BARROS

Sarna Psoróptica

Os Psoroptes spp. são os agentes biológicos responsáveis por causar a sarna psoróptica em caprinos e ovinos, dentre vários outros animais, trazendo perdas e prejuízos aos criadores em geral. A doença é transmitida no contato com estruturas que se localizam no meio ambiente em que os animais se encontram e é altamente infecciosa. Estes ácaros têm aparelho bucal que não perfuram a pele, mas são especializados para se alimentar na superfície, onde raspam o estrato córneo dos animais. Os ácaros, do gênero Psoroptes são ectoparasitas da ordem Astigmata e Família Psoroptidae. Os Psoroptes foram tradicionalmente separados em espécies considerando-se as preferências do hospedeiro, local do corpo onde se manifestam e morfologia dos ácaros machos. Os ácaros nas orelhas de ovelhas e em coelhos foram chamados Psoroptes cuniculi, os ácaros em cavalos Psoroptes equi e mais recentemente com base em análises genéticas, todos os Psoroptes spp. foram reclassificados em uma única espécie, os Psoroptes ovis. Psoroptes ovis parasitam ovelhas, caprinos, bovinos e outros ungulados além de outras espécies tanto domésticas quanto silvestres

Aspectos Clínicos: 

A sarna psoróptica é uma doença contagiosa e altamente pruriginosa, os animais afetados desenvolvem lesões grandes, amareladas, escamosas e crostas, seguidas de danos na derme. Emaciação e infecções bacterianas secundárias podem ocorrer em animais não tratados, animais prenhes dão à luz filhotes menores, que se forem infestados podem perder a condição saudável rapidamente e morrer. A doença é uma preocupação de bem-estar animal devido à dor e irritação causada pelos ácaros. Em vários casos, no estágio inicial da infestação mais intensa, apresentam exsudatos serosos e máculas eritematosas, de coloração amarelo/alaranjada na lã perto da pele, sendo que as máculas ocorrem, em regra geral, primariamente nos ombros e pescoço. Com a progressão da doença é possível observar grandes lesões de cor amarelada, com desenvolvimento de escamas e crostas, principalmente nas áreas lanosas do corpo. Possuindo um fluido viscoso, as crostas são levemente aderidas à pele e a lã fica solta e cai em tufos, favorecendo ao desenvolvimento da alopecia extensa. Estas lesões podem se espalhar rapidamente e vir a afetar grandes áreas do corpo do animal. Uma vez afetados, os animais que não recebem atenção adequada podem ter o apetite afetado, e com este, perdem peso, tornam-se anêmicos e o rendimento de produção de leite é afetado. Ovelhas gestantes apresentam forte possibilidade de parir cordeiros pequenos, aumentando a probabilidade de mortalidade perinatal. Infecções bacterianas secundárias também ocorrem. Em casos graves, os animais podem morrer de desidratação e pneumonia bacteriana secundária ou septicemia causada por debilitação geral.

Diagnóstico Clínico: 

Nos animais que apresentam lesões amareladas e intensamente pruriginosas, alopécicas e crostosas, o profissional deve suspeitar do agente patogênico Psoroptes spp. Em estágios iniciais podem-se observar máculas eritematosas bem como manchas na lã. Inicialmente as lesões, em regra geral, desenvolvem-se na parte dorsal (ombros, costas e pescoço), podendo progredir para outras partes do animal. As infestações de Psoroptes spp. são confirmadas por meio de raspagens superficiais da pele afetada e examinadas sob as lentes de um microscópio. Esta raspagem deve ser realizada de mais de um ponto afetado do animal. Os fragmentos são feitos com uma cureta ou bisturi, e devem ser retirados das bordas das lesões ativas. Os espécimes são colocados em tubos de vidro fechados. Ácaros podem ser visíveis com uma lupa ou a olho nu quando o tubo é aquecido entre as mãos. A parafina líquida também pode ser aplicada na pele e nas raspagens coletadas diretamente nas lâminas de microscópio. O diagnóstico é mais difícil quando os ácaros estão em baixo número.

Tratamento e Prevenção: 

As infestações de Psoroptes spp. podem ser controladas e erradicadas por meio de farmacologia injetável, como injeções de ivermectina, doramectina ou moxidectina, bem como através de acaricidas administrados em mergulhos ou sprays. A quarentena destes animais é indicada para evitar a propagação destes ácaros no rebanho e no meio ambiente. A prevenção dá-se por meio da limpeza periódica das instalações, seja com vassoura de fogo ou produtos desinfetantes.

Referências

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