PRECIFICAÇÃO DE UM PACOTE TURÍSTICO DE UMA EXCURSÃO BATE E VOLTA: estudo de caso

Centro de Profissionalização e Educação Técnica

PRECIFICAÇÃO DE UM PACOTE TURÍSTICO DE UMA EXCURSÃO BATE E VOLTA: estudo de caso

clovis cruz de sousa

Resumo

A Precificação de um pacote turístico de uma excursão tipo "bate e volta": estudo de caso tem por objetivo identificar a causa principal que impacta na precificação de excursão tipo bate e volta. A sustentação teórica é baseada na filosofia do pragmatismo e a estratégia de desenvolvimento deste trabalho é a aplicação de métodos misto para a pesquisa, desde a bibliográfica, coleta de dados e as devidas análise, onde para captar os entes que elucidarão a problemática na qual o tema está envolvido foi utilizado email e o aplicativo whatssap. A análise foi realizada por meio da utilização da tabulação de dados que foram quantificados, em valores que configuraram em custos e lucros brutos, permitindo, assim, uma análise Custo-Volume-Lucro que possibilitaram a concluir que o serviço de transporte é um insumo que interfere em demasia no valor do pacote turístico da excursão estudada. Assim, foi quantificada a precificação de quatro tipos de excursões, utilizando orçamento de fretamento de veículos de três empresas da cidade de Santa Maria-RS. Foi dado destaque, também, à subjetividade dos agentes que compõem o Turismo de uma localidade: o povo e toda a infraestrutura que dá o devido suporte à indústria sem chaminé, como é conhecido o Turismo. Finalizamos, então informando que estas excursões são realizadas em Santa Maria-RS, por Micro Empreendedores Individuais (MEI), onde os mesmos se dedicam e trabalham com muito amor na busca de servir ou ofertar um serviço com qualidade, segurança e a um preço acessível.

Palavras-chave: Turismo. Excursões. Precificação.

Abstract

Pricing of a tour package for a "round trip" excursion: case study aims to identify the main cause that impacts the round trip excursion pricing. The theoretical support is based on the philosophy of pragmatism and the development strategy of this work is the application of mixed methods for research, from the bibliographic, data collection and due analysis, where to capture the entities that will elucidate the problem in which the theme is involved email and whatssap application were used. The analysis was carried out using the tabulation of data that were quantified, in values ​​that were configured in costs and gross profits, thus allowing a cost-volume-profit analysis that made it possible to conclude that the transport service is an input that interferes too much in the value of the tour package of the studied excursion. Thus, the pricing of four types of excursions was quantified, using a vehicle charter budget from three companies in the city of Santa Maria-RS. Emphasis was also placed on the subjectivity of the agents that make up Tourism in a locality: the people and all the infrastructure that gives due support to the industry without a chimney, as Tourism is known. We conclude by informing that these excursions are carried out in Santa Maria-RS, by Individual Micro Entrepreneurs (MEI), where they dedicate themselves and work with great love in the search to serve or offer a service with quality, safety and at an affordable price.

Keywords: Tourism. Excursions. Pricing.

Introdução

Muitos brasileiros trabalham no turismo, vivem do turismo, amam o turismo, adoram os potenciais turísticos do lugar onde mora ou de outra localidade e, motivado por esta paixão, terminam, muitos deles, organizando excursões para cidades turísticas que incrementam o turismo receptivo. 

Estes entusiastas acabam se tornando Guias Turísticos locais, quando não, se formam como Técnico em Guia de Turismo e/ou Turismólogo e, às vezes, se desafiam no empreendedorismo, abrindo agências de viagens ou planejando, organizando e executando excursões de forma voluntária, porém legalizadas, conforme a legislação em vigor, no país. Podemos afirmar, também, que outros seguem carreira no mundo acadêmico com a responsabilidade de formar recursos humanos para a "Indústria sem chaminés", como é conhecido o turismo.

Dito isto, este estudo aborda, especificadamente, alguns aspectos que influenciam na tomada de decisão para a elaboração dos preços nos pacotes de excursão tipo "bate e volta". 

Assim, apresentaremos as variáveis que impactam, não somente na vida operacional do empreendedor, na maioria dos casos um Micro Empreendedor Individual (MEI), mas que, também, irá influenciar, indiretamente, o consumidor, no caso o cliente ou o turista que espera ser surpreendido com o produto no qual está investindo um determinado recurso ou disponibilidade financeira, pois os preços elaborados pelos empreendedores irão seduzir ou não, o seu futuro cliente.

Há na cidade de Santa Maria-RS uma boa demanda para o turismo emissivo, como consequência, existe uma boa quantidade de iniciativas autônomas para suprir essa procura, logo este trabalho realizará uma pesquisa qualitativa e quantitativa (mista) sobre os fatores que impactam na precificação dos pacotes turísticos das excursões de ida e volta no mesmo dia, ou seja, passeios cuja estada dure um dia ou menos para uma ou, no máximo, duas cidades. Podemos citar, como exemplo, uma excursão tipo "bate e volta" para Gramado e Canela, no estado do Rio Grande do Sul.

Pelo exposto, temos a intenção de mostrar que este trabalho se faz necessário, pois o turismo é uma prestação de serviço cujo o produto é intangível, ou seja, não dá para tocar ou ver no ato do pagamento e que pessoas investem o seu tempo e um determinado capital na realização das excursões tipo "bate e volta", em Santa Maria e, diminuir custos, é imprescindível ao MEI. No caso, o turista paga por algo que irá sentir, somente, após o seu consumo, ou seja, ele só terá a possibilidade de avaliar a qualidade do produto depois de consumi-lo ou vivenciá-lo. Logo, realizar um bom planejamento, uma eficaz e eficiente pesquisa de preço dos serviços que farão parte do pacote turístico, como transporte, alimentação, confecção de brindes, entre outros e na qualidade das atrações turísticas é de suma importância para que se possa aliar custos e benefícios que atrairá e ajuda na criação e manutenção de uma boa carteira de clientes.

Veremos, também, quais os insumos cujos custos têm maior impacto no preço da excursão, se os custos fixos ou os variáveis. Lembrando, ainda, que o organizador (responsável) pelo planejamento estratégico terá que estudar os famosos quatro "Ps" (Produto; Praça; Preço; e Promoção), conhecido como "composto de marketing ou Mix de Marketing", como orienta Garcia:


As empresas, para estabelecerem seus preços, levam em conta basicamente quatro fatores de influência, que são: os custos com o produto ou serviço, a demanda de mercado, os preços praticados pela concorrência e o valor atribuído pelo consumidor aos produtos da empresa. Cada um desses fatores pode ter um peso maior ou menor dependendo da estratégia estabelecida pela empresa e seus objetivos de mercado (GARCIA, 2010, p. 209)


Então, estar de olho e entender o comportamento da população local, ou seja, saber das suas necessidades, prioridades, gostos, poder econômico; conhecer o ramo em que está atuando e ser um especialista; elaborar um bom roteiro; buscar parcerias confiáveis, principalmente, um transporte que tenha segurança e confiança; e criar um canal de comunicação eficaz e eficiente é um bom começo na direção de bons resultados nas vendas das excursões.

Salientamos que não iremos empregar, nessa pesquisa científica, conceituações ou terminologias técnicas-científicas - do Turismo; da Contabilidade ou da Administração - mais complexas ou elaboradas. Todavia usaremos alguns termos básicos que são usados nos processos das atividades de planejamento e execução das excursões tipo "bate e volta" que são utilizados pelos organizadores desses roteiros turísticos na região de Santa Maria-RS. Lembrando, ainda, que muitas dessas iniciativas são sazonais, pois há uma forte incidência em datas festivas ou comemorativas, durante o verão e realização de eventos tipo feiras, shows, congressos, concursos, entre outros.

A seguir, abordaremos sobre: os conceitos básicos utilizados na elaboração do planejamento estratégico que envolve toda a logística relacionada aos roteiros turísticos e que impacta na precificação do serviço turístico; os objetivos traçados no planejamento deste estudo e a metodologia utilizada para a realização da pesquisa; a coleta e a análise de dados; e, por fim, a conclusão deste estudo.

Desenvolvimento

A elaboração de um roteiro turístico, por mais simples que ele seja, demanda um planejamento minucioso, onde tudo tem que ser pensado, medido, avaliado, conectado e integrado, pois o produto ou serviço turístico tem como uma das suas características a interdependência ou a complementaridade, pois ele é composto por um conjunto de outros serviços, como o transporte, a alimentação, as atrações do local visitado, entre outros, que se integram e se complementam, formatando enfim, o produto turístico desejado. Assim, é muito importante que o responsável pela excursão tenha o pleno domínio sobre os processos que envolvem a o planejamento e a operacionalização dessa atividade turística. Assim, ter, saber coordenar e controlar os contatos de fornecedores (transporte, alimentação, ingressos para as atrações, entre outros), locais de parada para o consumo da alimentação e compras de lembranças, até a chamada de transporte para os clientes, quando de retorno ao local de início da excursão, no seu término. Logicamente, que estamos nos referindo ao processo de planejamento e elaboração de uma excursão do tipo "bate e volta", onde a coordenação e o controle são cruciais, devido o fator tempo que deve ser bem cronometrado e coordenado, junto aos fornecedores para que se possa atender e satisfazer os clientes, pois a cada dia, estão mais exigentes e conhecedores dos seus direitos, sem deixarmos de lado a concorrência que é outro fator que o micro empreendedor tem que estar atento.

Diante deste cenário, traçamos os nossos objetivos e, de uma forma geral, pretendemos identificar os fatores que impactam na precificação de uma excursão, do tipo "bate e volta" que é ofertada por profissionais do turismo  formalmente na cidade de Santa Maria-RS. Assim, especificadamente, iremos apresentar alguns conceitos básicos que são empregados no processo de precificação daquelas excursões. Apresentaremos, também, a metodologia aplicada para a realização dessa pesquisa científica. Continuando, faremos uma análise dos dados coletados, através das ferramentas de pesquisa utilizadas, no caso: a bibliográfica que dá a sustentação teórica ao trabalho proposto; a navegação na internet que serve de busca e contato com os fornecedores, a comunicação, via celular (whatssap) e email com os prestadores de serviço que fazem a rede turística se materializar. Por fim, apresentaremos os resultados alcançados na pesquisa. Salvo outro juízo, achamos por bem realizar a coleta de dados via emails e mensagens whatssap, junto aos fornecedores, pois estamos vivenciando uma pandemia e a prevenção é uma forte medida cautelar para se evitar o contágio do vírus. Outra medida adotada, porém de cunho ético, é a não identificação dos nossos fornecedores no corpo desta pesquisa.

Abordaremos a seguir, os conceitos mais utilizados, no dia a dia, pelos profissionais do turismo que se dedicam a realizar os desejos e sonhos de uma boa parte da população santamariense e circunvizinha, quando no planejamento e execução dos processos, referentes as atividades que envolvem a realização de uma excursão tipo "bate e volta". 

conceitos básicos 

O Turismo, por ser uma atividade econômica que aglutina vários outros serviços, se apropria de um vasto vocabulário que envolve muitas áreas do conhecimento. Assim, vamos colacionar a seguir alguns dos conceitos e suas respectivas definições.   

Conceitos extraídos da publicação "Marketing e Serviços", de Alexandre Luzzi Las Casas e Maria Tereza Garcia, Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2010

  • Planejamento estratégico: é um instrumento que permite aos gestores ter maior controle gerencial da organização. Em um primeiro momento serve como uma bússola, direcionando as ações que devem ser implantadas. Em um segundo momento, transforma-se em uma ferramenta de controle para conferir o que vem sendo realizado, o que ainda deve ser implantado e em que etapa de produção se encontram as ações já iniciadas;
  • Serviços: é uma transação realizada por uma empresa ou por um indivíduo, cujo objetivo não está associado à transferência de um bem. O objeto da transação é uma parte intangível. Os serviços são atos, ações e desempenho;
  • Retenção: envolve a manutenção dos clientes de interesse da empresa, por meio de um trabalho diferenciado que consiga exceder as expectativas do público. Um fator a ser considerado é que a retenção custa bem menos que a aquisição de novos clientes;
  • Referência: engloba o efeito de propagação de uma satisfação que é o resultado de um trabalho bem feito com determinado cliente. Um cliente satisfeito, ao propagar essa sua impressão de satisfação, acabará levando outras pessoas a se tornarem clientes;
  • Nichos: são pequenos grupos de consumidores formados a partir de segmentos, caracterizados por grupos maiores;
  • Aquisição: são as atividades diretamente relacionadas com a compra de matérias-primas e outros insumos e recursos;
  • Composição de preço: basicamente, quatro fatores influenciam na composição do preço de um produto ou serviço - os custos, a demanda de mercado, os preços praticados pela concorrência e o valor atribuído pelo consumidor aos produtos da empresa;
  • Preço de retorno-alvo: é basicamente a técnica de adotar como preço uma taxa de margem que propicie retorno sobre os investimentos. Normalmente não leva em conta os preços do concorrente ou a questão da elasticidade de preços, portanto não leva em conta as variações sobre o lucro nos diversos volumes de venda;
  • Preço de valor: técnica usada para atrair consumidores em grande escala. O preço fixado é baixo, sendo que o produto ou serviço oferecido é de alta qualidade. Para a implementação dessa técnica, a empresa precisa baixar seus custos, sem com isso prejudicar a qualidade;
  • Preço de mercado: basicamente se pauta nos preços dos concorrentes. É uma técnica empregada quando há grande dificuldade em mensurar todos os custos;
  • Preço de licitação: nessa técnica levam-se em conta apenas os preços da concorrência, tentando oferecer o menor valor, não levando em conta a demanda e nem sequer os custos, de forma a ganhar a concorrência;
  • Preço psicológico: é aquele formado por valores fragmentados, ou não inteiros, que tem como objetivo transmitir a ideia de preços mais baixos. Tipo R$ 9,99; R$ 99,99; 999,99. Pois, dá a impressão de ser menos que R$ 10,00; R$ 100,00; ou R$ 1.000,00. Mas, que na realidade é o mesmo valor, respectivamente;
  • Características dos serviços turísticos: intangibilidade (não há a questão de comparação para o cliente, antes do consumo e nem atração pela embalagem); perecibilidade (não há como preparar o serviço antes e deixá-lo estocado ou exposto, já que o serviço deve ser prestado na hora para o cliente, ou seja, a produção e o consumo ocorrem no mesmo momento); inseparabilidade (o serviço não pode ser separado do seu prestador, pois o consumo e a produção correm no mesmo local e ao mesmo tempo); e variabilidade ou heterogeneidade (um serviço pode apresentar variação de qualidade dependendo do seu fornecedor;
  • Características que os clientes buscam nos serviços: confiabilidade (um dos principais atributos em serviços, já que o consumidor pode contar apenas com a promessa do serviço. A capacidade de prestar o serviço prometido de forma confiável e correta pode garantir a satisfação e o retorno do cliente); responsabilidade (a disposição em fornecer o serviço acordado, com rapidez e sem negligenciar nenhum detalhe pode ser um dos itens da conquista do cliente); segurança (a equipe prestadora do serviço é composta por profissionais qualificados e que a empresa contratada é idônea); empatia (ser tratado com interesse, atenção e simpatia pode ser decisivo no encantamento de um cliente); 
  • Pontualidade: é um traço que revela respeito ao cliente. Um atraso deve ser comunicado com antecedência; e
  • Ética: é o conjunto de princípios e disposições voltado para a ação e que tem por objetivo balizar a ação humana.

 Conceitos extraídos da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor).

  • Consumidor: é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo;
  • Fornecedor: é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços;
  • Produto: é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial; e
  • Serviço: é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

Conceitos extraídos da Lei nº 27, de 30 de janeiro de 2014, que estabelece requisitos e critérios para o exercício da atividade de Guia de Turismo e dá outras providências.

  • Guia de Turismo: é o o profissional que exerça as atividades de acompanhamento, orientação e transmissão de informações a pessoas ou grupos, em visitas, excursões urbanas, municipais, estaduais, interestaduais, internacionais ou especializadas;
  • Guia Regional: quando suas atividades compreenderem a recepção, o traslado, o acompanhamento, a prestação de informações e assistência a turistas, em itinerários ou roteiros locais ou intermunicipais de uma determinada unidade da federação, para visita a seus atrativos turísticos;
  • Guia de Excursão Nacional: quando suas atividades compreenderem o acompanhamento e a assistência a grupos de turistas, durante todo o percurso da excursão de âmbito nacional ou realizada nos países da América do Sul, adotando, em nome da agência e turismo responsável pelo roteiro, todas as atribuições de natureza técnica e administrativa necessárias à fiel execução do programa;
  • Guia de Excursão Internacional – quando realizarem as atividades de Excursão Nacional, para os demais países do mundo; e
  • Guia Especializado em Atrativo Turístico – quando suas atividades compreenderem a prestação de informações técnico-especializadas sobre determinado tipo de atrativo natural ou cultural de interesse turístico, na unidade da federação para qual o profissional se submeteu à formação profissional específica.

Conceitos extraídos da publicação "Agências de Viagens e Turismo", de Daniel Bernardes Rabelo da Silva, Manaus, Centro de Educação Tecnológica, 2011.

  • Viagem: implica apenas o deslocamento de pessoas para fora do seu local habitual de residência, sem o uso de serviços e equipamentos turísticos;
  • Turismo: é o deslocamento para fora do seu local de residência permanente, utilizando-se de serviços e equipamentos turísticos, estabelecendo-se tempos mínimos e máximos de permanência no(s) destino(s);
  • Agências de turismo: pessoas jurídicas que trabalham com o serviço de agenciamento de viagens, não importando a categoria ou classificação;
  • Agência de viagens: são de pequeno porte, conhecidas como varejistas no mercado turístico;
  • Agências de viagens e turismo: são operadoras de turismo que, no mercado turístico, têm a posição de atacadistas.  

Conceitos extraídos da publicação "Elaboração de Roteiros e Pacotes", de Alessandro Almeida, Andréa Kogan e Rinaldo Zaina Junior, Curitiba, PR, IESDE Brasil, 2012.

  • Itinerário turístico: é uma sequência lógica de todos os elementos de uma viagem, todas as partes juntas farão uma viagem completa - do momento que o passageiro sai da sua casa, ao momento que ele retorna, seja algumas horas depois, ou meses depois: meios de hospedagens, acomodações, passeios, visitas a atrações turísticas, locais para alimentação, entre outros detalhes;
  • Rota: não confundir com itinerário, pois esta é uso numa sequência lógica e prioritária das vias de acesso aos pontos turísticos, ou seja, está dá suporte de infraestrutura aos itinerários turísticos, logo devem ser de grande importância o uso e o emprego de mecanismos de coordenação e controle;
  • Ritmo: é a velocidade que tudo deve acontecer dentro de um itinerário, respeitando as condições do turista, para que não  ocorra esperas em demasia (com grande perda de tempo) ou que faça o cliente ficar correndo durante as visitas aos atrativos;
  • Detalhes: é tudo aquilo que exige atenção e certeza do que foi planejado e será exigido na execução do passeio;
  • Itinerário com uma cidade base: é o itinerário que permite que o passageiro eleja uma cidade como base por um período de tempo, enquanto faz pequenos passeios a locais próximos;

Conceitos extraídos da publicação "Roteiro Turístico", de Glaubécia Teixeira da Silva e Cristiane Barroncas Maciel Costa Novo, Manaus, Centro de Educação Tecnológica do Amazonas, 2010.

  • Roteiro turístico: concernente ou relativo a caminhos; descrição de viagem, roteiro; caminho que se vai percorrer, ou se percorreu; caminho, trajeto, percurso; documento que contém a descrição detalhada de um caminho a percorrer em viagem, podendo conter informações diversas de interesse turístico; itinerários, rotas, pacotes, excursões, circuitos turísticos, programas; conjunto de informações que orientam os turistas e o guia durante a viagem e que contém as atividades que serão desenvolvidas pela empresa de turismo durante a viagem;
  • Roteiros: são itinerários de visitação organizados nos quais se encontram as informações detalhadas de uma programação de atividades turísticas, mediante um planejamento prévio;
  • Atrativos turísticos: são locais, objetos, equipamentos, pessoas, fenômenos, eventos ou manifestações capazes de motivar o deslocamento de pessoas para conhecê-los. Podendo ser naturais, culturais, atividades econômicas, eventos programados e realizações técnicas, científicas e artísticas;
  • Região turística: é o espaço geográfico que apresenta características e potenciais similares e complementares, capazes de serem articuladas e que definem um território, delimitado para fins de planejamento e gestão. Assim, a integração de municípios de um ou mais estados ou de um ou mais países pode constituir uma região turística;
  • Serviços e equipamentos turísticos: são formados pelos conjuntos de serviços, edificações e instalações indispensáveis ao desenvolvimento da atividade turística, que existem em função desta. Compreendem os serviços e os equipamentos de hospedagem, alimentação, agenciamento, transporte, eventos, lazer, etc.;
  • Roteiros emissivos: são elaborados por operadoras, agências ou publicações do polo emissor, atendem às expectativas individuais ou gerais dos turistas e utilizam-se de atrativos importantes como força suficiente para motivar as viagens;
  • Roteiros receptivos: são elaborados por operadoras ou agências do polo receptor. São pensados em relação à adaptação entre as expectativas individuais ou gerais dos turistas a às possibilidades da oferta existente;
  • Roteiros comercializados: são os roteiros que consideram aspectos operacionais na sua elaboração e para sua comercialização. São mais rígidos quanto a programação a ser seguida, pois leva-se em conta os profissionais envolvidos que precisam conhecer antes a escala e os locais a serem visitados;
  • Roteiro Forfait: elaborado de acordo com as expectativas e interesse do consumidor final. É elaborado para cada cliente, cada destino e época. Por ser personalizado não permite a comercialização generalizada;
  • Excursão bate e volta: passeios curtos de ida e volta no mesmo dia, com permanência média de um dia ou menos para uma única localidade, realizado em ônibus fretado para grupos que possuam contato entre si: amigos, grupos de escolas, empresas, etc,;
  • Pacotes: são roteiros de organização similar às excursões, mas menos complexos. Sua programação não permite alteração e raramente ultrapassa duas localidades, o que permite a redução de custo do produto final e torna o pacote mais acessível ao consumo. São direcionados para grupos que não se conhecem e que visam permanecer por mais tempo em uma localidade. Geralmente são realizados em cidades que possuem forte atratividade;
  • Produto turístico: é o conjunto de atrativos, equipamentos e serviços turísticos acrescidos de facilidades, ofertado de forma organizada por um determinado preço. Rotas, roteiros e destinos turísticos podem se constituir em produtos turísticos, por exemplo;
  • Oferta turística: é a oferta de produtos e serviços turísticos que estão disponíveis para o consumo na cidade ou localidade turística;
  • Demanda efetiva: quantidade de bens e serviços efetivamente consumida pelos turistas;
  • Demanda potencial: é a quantidade de bens e serviços que pode vir a ser consumida em face de um determinado nível de oferta e levando-se em consideração a existência de fatores facilitadores;
  • Segmentos turísticos: são frutos da segmentação de forma a organizar o turismo para fins de planejamento, gestão e mercado. Os diferentes segmentos são estabelecidos a partir dos elementos de identidade da oferta de serviços e atrativos turísticos e da variação da demanda por esses elementos;
  • Mercado turístico: é onde se dá o encontro e a relação entre a oferta e a demanda, individual ou coletiva, interessada e motivada pelo consumo e o uso destes produtos e serviços;
  • Trade turístico: é o conjunto de agentes, operadores, hoteleiros e demais prestadores de serviços turísticos;
  • Margem de contribuição: é a parcela do preço de venda que ultrapassa os custos e despesas variáveis e que contribuirá (daí seu nome) para a absorção dos custos fixos e, ainda, para formar o lucro; e
  • Ponto de equilíbrio: é o valor ou a quantidade que a empresa precisa vender para cobrir o custo dos produtos/serviços vendidos, as despesas variáveis e as despesas fixas.     


Fizemos, anteriormente, uma relação de conceitos e definições que são inerentes ao mundo do turismo, onde o profissional, desse ramo econômico, tem que ser possuidor do conhecimento técnico para poder atuar com sucesso nessa atividade. Vimos que ela engloba e integra diversas outras profissões, trabalhos, serviços e ramos de atuações, desde individuais às coletivas, levando em conta, ainda, a existência de todo o aparelho de infraestrutura que dá o devido suporte á existência do Turismo numa localidade, região, estado ou país. Como afirmam Silva e Novo (2010, p. 30):


"[...] Na elaboração de roteiro turístico, propõe-se aos atores envolvidos (governos, sociedade civil e iniciativa privada) as orientações necessárias que irão auxiliá-los na integração e na organização de atrativos, equipamentos, serviços turísticos e infraestrutura de apoio ao turismo, resultando na consolidação dos produtos de uma determinada localidade turística.

São justamente os produtos, serviços e equipamentos turísticos, além das atividades complementares relacionadas ao turismo, que compõem essa oferta e que serão objeto do processo de elaboração do roteiro turístico (SILVA E NOVO, 2010, p. 30).



Então, enfatizando a importância dos serviços e equipamentos envolvidos na infraestrutura que dá suporte à economia gerada pelo turismo, finalizamos esta primeira parte da exposição de conceitos e suas definições. Agora, iremos comentar sobre conceituações da contabilidade que estão inseridos no cotidiano dos MEIs que atuam na execução de excursões, em Santa Maria-RS:


  • O empreendedorismo por necessidade: é aquele no qual as pessoas acabam sendo levadas a empreender para a sua sobrevivência e de sua família. Essa necessidade ocorre, por exemplo, pela falta de emprego formal, seja por falta de preparo, de formação ou de capacitação do indivíduo; seja por um momento desfavorável na economia de um país, gerando um cenário de desemprego, ou ainda, pela perda do emprego formal;
  • O empreendedorismo por oportunidade: pode ser motivado por diversos fatores. Alguns desses motivos podem ser o desejo ou sonho de ter um negócio próprio e perceber as vantagens para a sua realização; um convite recebido de amigos para formar uma sociedade; uma sucessão familiar; a disponibilidade de recursos para aplicação, proveniente de demissão, aposentadoria, loteria ou herança; a vontade de oferecer soluções para os problemas das pessoas ou para seus próprios problemas, criando um produto ou serviço inovador; a vontade de alcançar independência financeira, autonomia e realização profissional; entre outros;
  • Oportunidades empreendedoras: são aquelas pelas quais produtos, serviços, recursos materiais e métodos organizacionais podem ser inseridos no mercado e gerar valor  financeiro para o empreendedor;
  • Mentalidade empreendedora: capacidade que o empreendedor possui para detectar e agir rapidamente, principalmente em condições incertas;
  • Pensamento empreendedor: processo mental que ajuda o empreendedor a superar sua ignorância para decidir sobre uma oportunidade para alguém e/ou para reduzir suas dúvidas quanto a essa oportunidade;
  • Intenções empreendedoras: fatores motivadores que influenciam as pessoas a buscar resultados empreendedores;
  • Rede de apoio moral: inclui amigos e familiares (filhos, tios, sogros, etc.) que podem apoiar o empreendedor com sua torcida pelo sucesso do negócio ou em momentos difíceis e solitários pelos quais o empreendedor passa ao longo do processo de empreender;
  • Rede de apoio profissional: esse apoio também é fundamental, uma vez que o empreendedor necessita de várias orientações no processo de criação e implementação do novo empreendimento. Mentores, sócios, associações comerciais, afiliações pessoais, entre outros, podem ser fontes de aconselhamento;
  •  Empreendedorismo sustentável: se refere à adoção de práticas que visem a reduzir os danos causados ao meio ambiente;
  •  Qualidade: habilidade de um conjunto de características de um produto, processo ou sistema em atender aos requisitos dos clientes e outras partes interessadas;
  • Gestão da qualidade: atividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização com relação à qualidade;
  • Custos da qualidade: são aqueles custos que não existiriam se o produto fosse fabricado perfeito da primeira vez, estando associados com as falhas na produção, que levam a retrabalho, desperdício e perda da produtividade;
  • Custos inevitáveis: relacionados à prevenção, como inspeção, amostragem, classificação e outras iniciativas de controle da qualidade;
  • Custos evitáveis: relacionados a defeitos e falhas de produtos, como material sucateado, horas de retrabalho, processamento de reclamações e prejuízos financeiros ;
  • Processo: é o conjunto de atividades colaborativas e transacionais coordenadas dinamicamente e completamente para entregar valor ao consumidor;
  • Método: maneira pela qual se realiza uma atividade seguindo normas pré-estabelecidas;
  • Tomada de decisão: o gestor decide pelas informações dos custos sobre a população, envolvendo o quê, quanto, como e quando produzir, tomando decisões sobre a formação de preços e sobre a escolha entre produção própria ou terceirização;
  • O custo incremental: corresponde ao adicional que uma organização incorre para prestar um serviço específico ou o custo que a organização não incorreria se optasse por não prestá-lo;
  • Gasto: é o valor que a empresa contrai, a fim de adquirir bens ou serviços, correspondendo à entrega ou ao compromisso de entrega de ativos (geralmente em dinheiro);
  • Desembolso: corresponde ao valor que deve ser pago em decorrência da compra de um bem ou serviço. O desembolso pode ocorrer em momentos diferentes, ou seja, antes, durante ou depois da entrada do objeto adquirido;
  • Investimento: corresponde ao gasto estimulado em virtude da sua vida útil ou de seus benefícios atribuíveis a um período futuro, que, em consequência do seu uso, consumo ou venda, poderá se transformar em custo, despesa ou ainda em perda;
  • Despesa: são todos os gastos que a entidade possui com bens e serviços e que não são usados nas atividades de produção. São bens e serviços consumidos, de forma direta ou indireta, a fim de obter receitas;
  • Perda: representa um gasto proposital oriundo de elementos externos acidentais. Considera-se a perda como sendo da mesma natureza das despesas, sendo contabilizada de forma direta contra o resultado do período;
  • Rateio: é o processo de transferir os custos indiretos aos produtos;
  • Custo direto: é aquele que é facilmente atribuído ou associado a um determinado objeto de custo. Esse conceito engloba a mão de obra direta e os materiais diretos, podendo ser considerados os materiais que foram utilizados na produção. Esse tipo de custo não necessita de critérios para rateio e mantém uma correspondência proporcional ao volume de produção ou serviço;
  •  Custo indireto: é quando não se pode atribuir tão facilmente o custo especificado. Também pode ser encontrado com o nome de “custo comum”, podendo ser fixo ou variável. O custo indireto necessita de critérios de rateio. Todo setor dentro de uma empresa gera custos de uma forma geral. O rateio é uma forma de levantamento desses dados. Com ele, a empresa pode mensurar, avaliar e ponderar o quanto cada setor está gerando de custo;
  • Custos fixos: é uma parcela dos gastos que é fixa. No entanto, não se deve pensar nesses gastos como sendo algo impossível de ser modificado, pois todos são passíveis de mudanças. Ou seja, não é por ser fixo que o custo que não pode aumentar ou diminuir — ele é fixo com relação ao volume de atividade operacional. De forma abrangente, esse tipo de custo é voltado para a manutenção, sendo também conhecido como “custo de capacidade”. Os valores fixos podem sofrer alterações quando sofrem aumento ou diminuição em função da capacidade ou em relação ao intervalo da produção. Desse modo, entende-se que um custo é fixo considerando o intervalo de produção ou de venda;
  • Custos variáveis: considera-se variável o custo e a despesa que variam de acordo com o volume e a atividade da empresa, como as produções e as vendas. A variação do custo vai depender de forma direta de um denominador específico. O custo só vai ser variável quando acompanhar de forma proporcional a variação nas atividades às quais ele está relacionado;
  • Custo de oportunidade: tem-se o custo de oportunidade quando, diante de uma escolha entre algumas possibilidades, abdica-se do benefício potencial que uma alternativa representa, ao escolher outra que não traz o mesmo benefício; 
  • Custos perdidos: chama-se de custo perdido aquele que foi incluído sem haver possibilidade de mudança. Nenhuma decisão tomada, no tempo presente ou no futuro, vai fazer com que um custo perdido seja modificado. Naturalmente, sendo custos não passíveis de alteração, não se pode pensar sobre eles como custos diferenciais;
  • Custos diferenciais:  são as diferenças que há nas relações entre os custos e os benefícios;
  • Despesas: são gastos;
  • Receitas: são os recursos da venda de uma mercadoria ou da prestação se serviços;
  • Lucro: é quando temos receitas maiores que despesas; e
  • Prejuízo: é quando temos as despesas maiores que a soma de receitas.

      

Finalizando esta seção, informamos que esta segunda parte que envolve os conceitos e suas respectivas definições, foi retirada das apostilas/livros do Curso de Técnico em Contabilidade, ofertado pelo Centro de Profissionalização e Educação Técnica Ltda (CPET), onde aquelas concepções estão presentes no cotidiano dos profissionais do turismo que atuam de forma autônoma na organização das excursões do tipo "bate e volta"´. Como exemplo, podemos citar o "Custo de Oportunidade", quando se realiza um contrato de apoio logístico, pode ser um fretamento de transporte, por um determinado valor e com certas qualidades do veículo. Todavia, depois descobrimos que existe um outro prestador que faz o mesmo serviço em condições de pagamento e qualidades melhores ou quando optamos por um, que não é o mais rentável, quando se tem um leque de escolhas e, assim, acabamos decidindo pela menos apropriada. Esse fato é frequente neste ramo.

metodologia empregada nessa pesquisa científica

 O tema desta pesquisa nasceu do envolvimento que temos com esta atividade econômica e o gosto de viajar para conhecer lugares, culturas, patrimônios históricos, tradições, gastronomias locais, viniculturas e tudo o mais que um lugar turístico pode nos proporcionar, sem mencionarmos a integração com outras pessoas e a natureza. Somasse, a estes aspectos pessoais e de aventura turística, a experiência que adquirimos em realizar excursões "bate e volta", pois temos a formação profissional de Técnico em Guia de Turismo, com registro no Cadastur - Ministério do Turismo, na categoria Excursão Nacional Brasil/América do Sul/ Guia Regional - RS, que nos credencia a desenvolver esta atividade, tudo conforme a legislação em vigor.

Fotografia 1 — Crachá CADASTUR (verso)
Crachá CADASTUR (verso)O autor (2020)

A vivência, em realizar este tipo de excursão, nos fez observar e atentar para o insumo que impacta fortemente no processo de precificação deste pacote turístico. Logo, o envolvimento com esta pesquisa científica é enorme. Então, lembramos de Creswell (2010) quando diz que a seleção de um projeto de pesquisa é também baseada na natureza do problema ou na questão de pesquisa que está sendo tratada, nas experiências pessoais dos pesquisadores e no público ao qual o estudo se dirige.

Assim, sabendo que a atividade turística tem na sua essência a integração de vários agentes - que movem a economia de um determinado local - e as relações sociais são imprescindíveis, logo realizar uma pesquisa qualitativa e quantitativa, pois, como se diz na gestão "não se conhece o que não se mede", se torna necessário para atingirmos o objetivo geral proposto neste trabalho. E, assim, nos referimos a Goldemberg (2004, p. 62):


 "A maior parte dos pesquisadores em ciências sociais admite, atualmente, que não há uma única técnica, um único meio válido de coletar os dados em todas as pesquisas. Acreditam que há uma interdependência entre os aspectos quantificáveis e a vivência da realidade objetiva no cotidiano (GOLDEMBERG, 2004, p. 62)


         

Logo, mergulhar na subjetividade proporcionada por esta atividade e quantificar os custos diretos e indiretos, os custos fixos e variáveis que interferem no preço daquela tipologia de excursão é necessário para se chegar aos resultados pretendidos com esta pesquisa.


O planejamento, desta pesquisa, sofreu a influência de Creswell (2010), pois como concepção filosófica foi pensado e aplicado o pragmatismo; o emprego da estratégia de procedimentos de métodos mistos concomitantes; e, completando a estrutura do trabalho, como dito anteriormente, foi usado o método misto de pesquisa. Cresswell (2010, p. 34, 39 e 43) define esses três elementos que dão estrutura à pesquisa científica, da seguinte forma:


"Usando as concepções de Cherryholmes (1992), Morgan (2007), e as minhas próprias, o pragmatismo proporciona uma base filosófica para a pesquisa:

´.........................................................................................................................

* A verdade é o que funciona no momento. Não se baseia em uma dualidade entre a realidade independente da mente ou inserida na mente. Assim, a pesquisa de métodos mistos, os investigadores usam tanto dados quantitativos, quanto qualitativos, porque eles intentam proporcionar o melhor entendimento de um problema de pesquisa.

..........................................................................................................................* Os pragmáticos concordam que a pesquisa sempre ocorre em contextos sociais, históricos e políticos, entre outros. Dessa maneira, os estudos de métodos mistos podem incluir uma feição pós-moderna, um enfoque teórico o qual reflita objetivos de justiça social e objetivos políticos.

..........................................................................................................................* procedimentos de métodos mistos concomitantes são aqueles em que o pesquisador converge ou mistura dados quantitativos ou qualitativos para realizar uma análise abrangente do problema de pesquisa. Nesse modelo, o investigador coleta as duas formas de dados ao mesmo tempo e depois integra as informações na interpretação dos resultados gerais. Além disso, nesse modelo, o pesquisador pode incorporar uma forma menor de dados com outra coleta de dados maior para analisar diferentes tipos de questões (o qualitativo é responsável pelo processo enquanto o quantitativo é responsável pelo resultado).

..........................................................................................................................* Abordagem de métodos mistos - Concepção pragmática, coleta sequencial de dados quantitativos e qualitativos." (CRESWELL, 2010, p. 34, 39 e 40) 

       

Após dissertarmos sobre como foi estruturado esta pesquisa científica e qual a referência teórica na qual nos amparamos, podemos dizer que iniciamos os trabalhos com uma busca na internet e, principalmente, no Google Acadêmico sobre temas de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), relacionados com a Contabilidade, no que achamos uma vasta bibliografia.

Todavia, buscávamos algo pragmático e que tivesse relação com o nosso dia a dia. Escolhido o tema partimos para a pesquisa bibliográfica referente ao tipo de pesquisa, estratégia, o método - como constam acima - e o planejamento dos trabalhos de busca de dados e a forma de comunicação mais apropriada e ágil com os fornecedores de insumos logísticos.

Em seguida, realizamos uma pesquisa na internet e via telefone/celular, no sentido de captar prestadores de serviços de transportes, no caso, fretamento de veículos, locais para a realização de refeições (café da manhã e almoço), lojas de artesanatos, Guias Turísticos Receptivos credenciados, valores dos ingressos de atrações turísticas, entre outros detalhes, pois todos esses custos podem impactar o valor do produto ou pacote turístico de uma excursão tipo "bate e volta", vai depender do que o organizador deseja ofertar aos seus clientes. Lembrando, ainda, que foi perguntado aos fornecedores, dependendo do serviço, o valor coletivo e o investimento por pessoa, respectivamente, como exemplo: fretamento de ônibus e café da manhã. Assim, com esta caracterização dada ao trabalho, nos inspiramos em Creswell (2010) quando declara que o pragmatismo abre a porta para múltiplos métodos, diferentes concepções e diferentes suposições, assim como para diferentes formas de coleta e análise de dados.

Considerando o que foi explicado nesta seção, finalizamos, assim, a caracterização metodológica deste trabalho. 

Vamos, agora, caracterizar/personalizar uma excursão tipo "bate e volta", dentro de uma perspectiva realista, onde ela pode ser um produto turístico realizável de várias formas, onde tudo vai depender das intenções do responsável perante a sua clientela.


carActerizando uma excursão tipo "bate e volta"

O termo ou nome, até soa estranho, mas é esse mesmo. Como vimos, anteriormente, uma excursão "bate e volta" é aquela onde o tempo é que dita a regra. Assim, ao se planejar o roteiro, deste tipo de excursão, os horários devem ser seguidos à risca, pois é um dos motivos de sucesso deste serviço. Podemos ser complementados, ainda, por Silva e Novo (2010) quando falam que:


 "O tempo de permanência está ligado aos atrativos que o local ou região oferece. Os itens a serem observados no cálculo da quantidade de tempo necessário para a visita são: condições dos ambientes natural e cultural, eventos, opções de entretenimento, distância entre os atrativos, condições de tráfego nas áreas urbanas, etc."(SILVA E NOVO, 2010, p. 47)


Deve  ser considerado, também, a duração das visitas aos pontos de atrações turísticas, nas lojas e locais de consumo refeições, tudo para evitar atrasos e correrias. Realizar um minucioso estudo, nas distâncias entre as cidades de domicílio dos clientes e o local a ser visitado, é primordial, para se ter a noção do tempo de deslocamento e cravar o horário de saída e chegada da excursão, em relação à origem e o destino e vice-versa. Manter o cliente informado sobre tudo é primordial, seja sobre roupas (pode estar frio ou com temperatura elevada o local), horários, lojas, documentos pessoais, existência de banheiros, etc. Adotar medidas de coordenação e controle é crucial, pode-se empregar, por exemplo, o uso de pulseiras que identificam o cliente e a empresa de turismo, com número de celular de contato da empresa na pulseira, caso alguém se distancie do grupo. 

Lembrar, ainda, que existe um item que o cliente observa em demasia: o conforto (descanso)/recursos que o transporte possibilita, tipo tomada para carregar celular e internet wifi, pois o celular à mão é uma poderosa ferramenta de inclusão e acessibilidade. Salientamos que existem diferentes tipos de ônibus, tais como o convencional, executivo, semi leito, leito, leito cama, 1ª classe, leito turismo, etc. Tudo vai depender da empresa que presta o serviço de transporte. O que, basicamente, diferencia estes tipos de veículos são as poltronas e a quantidade das mesmas no veículo, logicamente que outros itens que os veículos oferecem complementam essa diferenciação. Não de pode deixar de lado a segurança, logo realizar a excursão com 01 (um) motorista, somente conforme o que a legislação prevê. O profissional dever ser tratado com respeito, empatia e consideração. O motorista é um grande colaborar para o sucesso da excursão. 

São muitos os detalhes que devem ser observados, pois tudo interfere na realização da excursão. Não é só montar o pacote turístico e começar a vender. Existem providências a serem realizadas antes, durante e depois da excursão, onde todas ações devem ser planejadas e executadas da forma prevista e conforme o serviço comprado pelo cliente. 

Não se pode esquecer as normas implementadas a partir de março de 2019, pela Lei nº 13.812, que trata das novas regras para a viagem menores de 16 anos e adolescentes maiores de 16 anos, lei que alterou a Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA), que garantem uma viagem de ônibus mais segura e correta. Vejamos abaixo, algumas destas alterações:


  •  Autorização para Viagem de Ônibus Nacionais 

- As crianças menores de 12 anos só poderão viajar com parentes de até 3º grau, desde que o parente seja maior de idade, para viajar com outras pessoas é preciso de autorização judicial feita pelos pais da criança com a firma reconhecida. Essas regras são válidas apenas para viagens dentro do país;

- Caso a criança ou adolescente, menor de 16 anos, tenha que viajar sozinha é necessário comparecer até o Posto de Juizado de Menores para emitir a autorização aceita. O formulário para viagens dentro do território nacional se encontra no site do Tribunal de Justiça; e

- Em viagens para cidades vizinhas, contanto que sejam do mesmo estado ou região metropolitana, não é necessário nenhum tipo de autorização, desde que estejam acompanhados com algum parente maior de idade, até o 3º grau.


  • Autorização para Viagem de Ônibus Internacional 

- Quando se tratar de viagem ao exterior, conforme artigo 84, a autorização é dispensável se a criança ou adolescente, menor de 16 anos, estiver acompanhado de ambos os pais;

- Caso viaje acompanhado (a) de apenas um dos pais, é indispensável apresentar autorização pelo outro responsável. Para viajar com parente ou terceiros é necessário apresentar autorização emitida judicialmente por ambos genitores; e

- O formulário de autorização encontra-se no site da Polícia Federal.


  • Descontos para Crianças e Adolescentes 

- Conforme Lei n° 14.834/2016, inciso XVI, do art. 22, o transporte de crianças sem pagamento de passagem é autorizado até os 05 (cinco) anos de idade, desde que não ocupem assentos. A resolução Normativa Nº 5.421 do Conselho de Tráfego do DAER dispõe a isenção de bilhete de passagem para crianças;

- O limite desta isenção, restringe-se a um beneficiário por portador de passagem e é concedido nas linhas direta e semidireta;

- Assim, ressaltamos que poderão viajar sem pagamento de passagem e desde que não ocupem assentos todas as crianças MENORES DE 06 (seis) ANOS, ou seja, crianças com até 5 (cinco) anos, 11 meses e 29 dias. Confira o Ofício Circular STR n° 134/2016 – Limite para crianças gratuidade ; e

- Além disso, estudantes possuem 30% de desconto na compra das suas passagens de ida, sendo não cumulativa para as passagens de volta. É necessário apresentar na hora da compra no guichê um dos documentos oficiais que comprovem o benefício (Carteira de Estudantes da Empresa Planalto Transportes, Carteira da UNE, Carteira de Identificação da Instituição onde estuda ou Comprovante de matrícula do estudante com data válida).

Feita essa introdução sobre os aspecto de envolvem uma excursão bate e volta. Afirmamos que, na realidade, o produto a ser oferecido vai depender muito do tipo de excursão que o MEI quer vender. Existem diferentes produtos ofertados durante o ano todo, em Santa Maria-RS.

Vamos tipificar, genericamente, quatro pacotes que são comercializados, sazonalmente. O transporte, nos quatro roteiros, será realizado por um ônibus tipo leito turismo (44 poltronas) ou semi-leito (48 poltronas) e oferece alguns recursos de conforto ou opcionais. Vamos, usar didaticamente, u roteiro turístico comercializado para Gramado-RS e Canela-RS. Colocaremos o que está incluso no preço do pacote turístico e que causa custos na precificação:


  • Roteiro Tipo "A"
    • Transporte;
    • Café da manhã buffet;
    • 01 (um) ingresso na Cascata do Caracol (Canela-RS);
    • Sorteio de brindes;
    • Lanche (biscoito + refrigerante ou suco + doces);
    • Água (copinho); e
    • Guia Turístico Local.
  • Roteiro Tipo "B"
    • Transporte;
    • Café da manhã buffet;
    • Sorteio de brindes;
    • Lanche (biscoito + refrigerante ou suco + doces);
    • Água (copinho); e
    • Guia Turístico Local.

3. Roteiro Tipo "C"

           a. Transporte;

           b. Sorteio de brindes;

           c. Água (copinho);

           d. Lanche (biscoito + refrigerante ou suco + doces); e

           e. Guia Turístico Local.

4. Roteiro Tipo "D"

           a. Transporte;

           b. Água (copinho);

           c. Lanche (biscoito + refrigerante ou suco + doces);; e

           d. Guia Turístico Local. 


   Observando os tipos de excursões colocadas acima, percebe-se que entre os custos, temos os fixos (transporte e o guia) e os variáveis (alimentação, brindes, lanche, água, ingressos). O transporte e o guia são itens obrigatórios e os demais são "PLUS" , ou seja, é uma diferença no serviço, podendo ser incluído ou não, assim, ocorre um acréscimo ou não no valor final do roteiro. Este "algo a mais" gera um determinado conforto ao cliente, pois evita pegar fila, perder tempo na aquisição de ingressos ou pagar o consumo do café da manhã e, ainda, evita-se parar em beira de estrada. 

Realizada a caracterização da nossa excursão e feito a tipologia dos roteiros. Vamos, então precificar cada um deles. É importante salientar que cada MEI desenvolve o seu empreendimento a sua maneira e que alguns têm esta atividade como a sua função principal, outros por necessidade ou oportunidade e que muitos a usam, também, como uma forma de complementar a renda familiar.

Sabe-se, ainda, que a maioria das iniciativas usam como estratégia de preço, o método de determinação de preço retorno-alvo, preço de markup, preço de valor ou de mercado. Essa estratégia vai depender diretamente da intenção do empreendedor, mas geralmente utilizam preço de mercado. Todavia, Silva e Novo (2010) orientam que:


 "[...] Dependendo do volume de vendas dos roteiros, você poderá negociar tarifas e descontos contratando antecipadamente grande volume de serviços dos fornecedores parceiros. Assim, você garante uma receita adicional resultante das comissões pagas pelos fornecedores dos serviços e, ao mesmo tempo, ganha competitividade de preço no mercado (quando você compra em grandes quantidades, os preços tendem a ser menores, então, você poderá comercializar o seu roteiro com os preços mais baixos)" (SILVA E NOVO, 2010, p. 48). 

               

  Pode ocorrer que algum MEI negocie tarifas diretamente com determinados prestadores de serviço, pois muitos já estão nesta prática há um bom tempo. Assim, findamos a caracterização das excursões bate e volta e iremos agora contabilizar os custos de cada uma das quatro excursões propostas.


quantificando os custos dos roteiros propostos

A quantificação dos custos foi baseada nas respostas, aos nossos emails e mensagens whatssap, realizadas pelos fornecedores de cada serviço que compõe o tipo de roteiro trabalhado. Foram realizados contatos com prestadores de serviço de transportes, alimentação, venda de ingressos de pontos turístico, Guia Turístico local e dos demais itens que compõem cada tipo de roteiro. Lembramos que não identificaremos os fornecedores de serviço, mas colocaremos uma ilustração da mensagem enviada e a sua respectiva resposta. Os levantamos dos custos estão nos quadros abaixo, sendo considerados valores para uma pessoa adulta, por empresa que trabalha com fretamento de ônibus e, conforme, a tipologia dos roteiros:

Custos dos roteiros - transporte da Empresa "A" 

Quadro 1 — Valores dos roteiros com transporte da Empresa A
Serviço\RoteiroValor do serviçoValor por pessoaRoteiro ARoteiro BRoteiro CRoteiro D
1. TransporteR$ 3.500,00R$ 109,375 (R$ 3500,00/32)R$ 109,375 (R$ 3500,00/32)R$ 109,375 (R$ 3500,00/32)R$ 109,375 (R$ 3500,00/32)R$ 109,375 (R$ 3500,00/32)
2. Café da manhã R$ 15,00 x 44  = R$ 660,00 R$ 15,00R$ 15,00R$ 15,00          -         -
3. Ingresso da Cascata do Caracol (Canela)R$ 20,00 x 44 = R$ 880,00R$ 20,00R$ 20,00        -         -          -
4. BrindesR$ 150,00R$ 4,6875 (R$ 150,00/32)R$ 4,6875 (R$ 150,00/32)R$ 4,6875 (R$ 150,00/32)R$ 4,6875 (R$ 150,00/32)          -
5. LancheR$ 5,00 x 44 = R$ 220,00R$ 5,00R$ 5,00R$ 5,00R$ 5,00R$ 5,00
6. Água (copinho)R$ 150,00R$ 4,6875 (R$ 150,00/32)R$ 4,6875 (R$ 150,00/32)R$ 4,6875 (R$ 150,00/32)R$ 4,6875 (R$ 150,00/32)R$ 4,6875 (R$ 150,00/32)
7. Guia TurísticoR$ 200,00R$ 6,25 (R$ 200,00/32)R$ 6,25 (R$ 200,00/32)R$ 6,25 (R$ 200,00/32)R$ 6,25 (R$ 200,00/32)R$ 6,25 (R$ 200,00/32)
8. Valor do roteiro p/ pessoa         -R$ 165,00R$ 165,00 R$ 145,00 R$ 130,00 R$ 125,3125
Custo total do RoteiroR$ 5.760,00        -          R$ 5.760,00       R$ 4.880,00    R$ 4.220,00       R$ 4.070,00
O autor (2020)

 Analisando o quadro 1, percebe-se que houve uma variação no valor do pacote da excursão, ou seja, variou de, aproximadamente, R$ 126,00 a R$ 165,00. A diferença está relacionada às melhorias da prestação do serviço e isso significa: qualidade. O cliente interessado em participar da excursão analisará com muita atenção as quatro opções e como se diz na venda de serviços "existem coisas que são compradas e outras que são vendidas". Percebe-se, ainda, que dois insumos são imprescindíveis. No caso, o transporte e o Guia Turístico, pois um é essencial para se chegar ao destino e o outro é um quesito obrigatório, imposto por lei. Os demais, embora sejam importantes, atuam como complemento e são um diferencial do produto.

Fotografia 2 — Orçamento do serviço de transporte - Empresa "A"
Orçamento do serviço de transporte - Empresa "A"O autor (2020)


Lembremos o que nos diz Las Casas e Garcia (2010), quando tratam sobre fatores que modificam o valor percebido pelo consumidor quando no estabelecimento de preço de um produto:


"atrativos do produto - algumas características do produto podem servir para dar uma "aparência de produto caro, como a embalagem (levando-se em conta aqui o seu formato, material, cores, etc), a marca ou algum outro valor agregado que o torne atraente o suficiente (na visão do consumidor) para justificar o preço."(LAS CASAS E GARCIA (2010, p.225)



 Assim, vimos que nesta primeira precificação estão presentes as técnicas de orientação pelo lucro e o seu oposto que é a orientação pelo volume. Onde a primeira se leva em consideração o valor percebido pelo cliente e na segunda o  objetivo é a produção, ou seja, mais quantidade que qualidade.

Observe que os insumos geradores de lucro foram: o transporte, o serviço de bordo (sorteios de brindes e fornecimento de água) e a contratação do Guia de Turismo local. A análise marginal empregada, no sentido de atingir a maior lucratividade possível, foi realizar a divisão do custo de cada um daqueles serviços por trinta e dois (quantidade de passageiros) e depois multiplicar o resultado, desta relação, por doze (quantidade de passageiros), pois a capacidade do ônibus é de 44 assentos. 

Mostraremos, abaixo, a composição do lucro bruto do Roteiro A:


1º Passo: Serviço Transporte (ônibus leito turismo - 44 passageiros)

a) Valor de custo dividido por trinta e dois passageiros = custo por passageiro;

b) R$ 3.500,00/32 = R$ 109,375; e

c) Lucro nesse insumo: 12 x R$ 109,375 = R$ 1.312,50 (Lucro A).


2º Passo: Serviço de bordo (Brindes e água) 

- Seguindo o mesmo algoritmo do 1º passo.

a) R$ 150,00/32 = R$ 4,6875;

b) Lucro nesse insumo: 12 x R$ 4,6875 = R$ 56,25; e

c) Lucro nesse insumo x 2 = R$ 56,25 x 2 = R$ 112,50 (Lucro B).


3º Passo: Serviço do Guia de Turismo.

- Seguindo o mesmo algoritmo do 1º passo.

a) R$ 200,00/32 = R$ 6,25; e

b) Lucro nesse insumo = 12 x R$ 6,25 = R$ 75,00 (Lucro C).


4º Passo: Lucro bruto

a) Lucro bruto = Lucro A + Lucro B + Lucro C; e

b) Lucro bruto = R$ 1.312,50 + R$ 112,50 + R$ 75,00 =  R$ 1.500,00.


Perceba que R$ 165,00 x 44 passageiros = R$ 7.260,00 (receita bruta) - R$ 5.760,00 (custos) = R$ 1.500,00 (lucro bruto). 


Então, realizando as mesmas operações para os demais roteiros, temos:


a) roteiro B: R$ 145,00 x 44 passageiros = R$ 6.380,00 (receita bruta) - R$ 4.880,00 (custos) = R$ 1.500,00 (lucro bruto);

b) roteiro C: R$ 130,00 x 44 passageiros = R$ 5.720,00 (receita bruta) - R$ 4.220,00 (custos) = R$ 1.500,00 (lucro bruto); e

c) roteiro D: R$ 125,3125 x 44 passageiros = R$ 5.513,75 (receita bruta) - R$ 4.070,00 (custos) = R$ 1.443,75 (lucro bruto). Este lucro ficou a menor, pois não foi incluído o serviço de bordo: sorteio de brindes.

Seguem duas ilustrações sobre tomadas de preço, junto aos prestadores de serviço. Foi utilizada a ferramenta tecnológica whatsssap, pois agiliza a pesquisa do orçamento e propicia ganho de tempo no planejamento e na tomada de decisão.

Fotografia 3 — Orçamento do café da manhã (individual)
Orçamento do café da manhã (individual)O autor (2020)


Fotografia 4 — Orçamento de ingresso (individual)
Orçamento de ingresso (individual)O autor (2020)

Na sequência, veremos como ficarão os valores dos mesmos roteiros, mas utilizando outra prestadora de serviço de transporte. Neste caso, teremos o apoio logístico de um ônibus com 48 poltronas, semi leito, espaçamento executivo e demais características da Empresa "A". 

Custos dos roteiros - transporte da Empresa "B" 

Quadro 2 — Valores dos roteiros com transporte da Empresa B
Serviço\RoteiroValor do serviçoValor por pessoaRoteiro ARoteiro BRoteiro CRoteiro D
1. TransporteR$ 4.350,00R$ 127,942 (R$ 4350,00/34)R$ 127,942 (R$ 4350,00/34)R$ 127,942 (R$ 4350,00/34)R$ 127,942 (R$ 4350,00/34)R$ 127,942 (R$ 4350,00/34)
2. Café da manhãR$ 15,00 x 46 = R$ 690,00R$ 15,00R$ 15,00R$ 15,00     -      -
3. Ingresso da Cascata do Caracol (Canela)R$ 20,00 x 46 = R$ 920,00R$ 20,00R$ 20,00     -       -             -
4. BrindesR$ 150,00R$ 4,4118 (R$ 150,00/34)R$ 4,4118 (R$ 150,00/34)R$ 4,4118 (R$ 150,00/34)R$ 4,4118 (R$ 150,00/34)       -
5. LancheR$ 5,00 x 46 = R$ 230,00R$ 5,00R$ 5,00R$ 5,00R$ 5,00R$ 5,00
6. Água (copinho)R$ 150,00R$ 4,4118 (R$ 150,00/34)R$ 4,4118 (R$ 150,00/34)R$ 4,4118 (R$ 150,00/34)R$ 4,4118 (R$ 150,00/34)R$ 4,4118 (R$ 150,00/34)
7. Guia TurísticoR$ 200,00R$ 5,8824 (R$ 200,00/34)R$ 5,8824 (R$ 200,00/34)R$ 5,8824 (R$ 200,00/34)R$ 5,8824 (R$ 200,00/34)R$ 5,8824 (R$ 200,00/34)
8. Valor do roteiro p/ pessoa           -R$ 182,648R$ 182,648R$ 162,648R$ 147,648R$ 143,2362
Custo total do RoteiroR$ 6.690,00           -R$ 6.690,00R$ 5.770,00R$ 5.080,00R$ 4.930,00
O autor (2020)

Percebe-se, neste segundo quadro, que o insumo transporte gera um impacto, para maior, no valor do roteiro (pacote de turístico), mesmo havendo uma queda no valor de custo por pessoa, no serviço de bordo e na contratação do Guia Turístico, pois o rateio foi feito entre trinta e quatro pessoas. Observe que os valores dos pacotes variaram de, aproximadamente, R$ 143,00 a R$ 182,00. Essa variação é, praticamente, a mesma da empresa "A" que foi de R$ 39,00. Todavia, é bom salientar que, no caso da empresa "B", o fretamento do ônibus é mais caro, pois há duas poltronas a mais que podem ser comercializadas (vendidas) e que essas irão interferir no valor do lucro bruto. Enfim, seguiremos as mesmas considerações e o referencial teórico colocado na situação do fretamento da empresa "A". 

Fotografia 5 — Orçamento do serviço de transporte - Empresa "B"
Orçamento do serviço de transporte - Empresa "B"O autor (2020)

Neste segundo caso, o cálculo do lucro bruto seguirá os mesmos passos da situação anterior.

Composição do lucro bruto do Roteiro A - Fretamento de veículo com a empresa "B":


1º Passo: Serviço Transporte (ônibus semi-leito - 48 passageiros)

a) Valor de custo dividido por trinta e quatro passageiros = custo por passageiro;

b) R$ 4.350,00/34 = R$ 127,94; e

c) Lucro nesse insumo: 12 x R$ 127,94 = R$ 1.535,28 (Lucro A).


2º Passo: Serviço de bordo (Brindes e água) 

- Seguindo o mesmo algoritmo do 1º passo.

a) R$ 150,00/34 = R$ 4,4118;

b) Lucro nesse insumo: 12 x R$ 4,4118 = R$ 52,94; e

c) Lucro nesse insumo x 2 = R$ 52,94 x 2 = R$ 105,88 (Lucro B).


3º Passo: Serviço do Guia de Turismo.

- Seguindo o mesmo algoritmo do 1º passo.

a) R$ 200,00/34 = R$ 5,88; e

b) Lucro nesse insumo = 12 x R$ 5.88 = R$ 70,56 (Lucro C).


4º Passo: Lucro bruto

a) Lucro bruto = Lucro A + Lucro B + Lucro C; e

b) Lucro bruto = R$ R$ 1.535,28 + R$ 105,88 + R$ 70,56 =  R$ 1.711,72.


Veja que R$ 182,648 x 46 passageiros = R$ 8.401,808 (receita bruta) - R$ 6.690,00 (custos) = R$ 1.711,808 (lucro bruto), aproximadamente igual ao lucro bruto do 4º passo, a diferença é causada pelo arredondamento dos custos dos outros insumos. 


Logo, fazendo as mesmas operações pros demais roteiros, encontramos:


a) roteiro B: R$ 162,648 x 46 passageiros = R$ 7.481,81 (receita bruta) - R$ 5.770,00 (custos) = R$ 1.711,808 (lucro bruto);

b) roteiro C: R$ 147,648 x 46 passageiros = R$ 6.791,808 (receita bruta) - R$ 5.080,00 (custos) = R$ 1.711,808 (lucro bruto); e

c) roteiro D: R$ 143,2362 x 46 passageiros = R$ 6.588,87 (receita bruta) - R$ 4.930,00 (custos) = R$ 1.658,87 (lucro bruto). Este lucro ficou a menor, pois não foi incluído o serviço de bordo: sorteio de brindes.


Podemos perceber que, inconscientemente, o planejador, o organizador ou  o responsável, por este tipo de excursão, faz o uso de conceitos técnicos da contabilidade, tais como: Ponto de Equilíbrio, Margem de Contribuição e Margem de Segurança, entre outros que presentes na análise custo-volume-lucro (C-V-L).

Finalizando a precificação dos pacotes turísticos, segue a quantificação dos custos dos roteiros, usando o transporte do fornecedor "C".     

Custos dos roteiros - transporte na empresa "C"  

Quadro 3 — Valores dos roteiros com transporte da Empresa C
Serviço\RoteiroValor do serviço Valor por pessoaRoteiro ARoteiro BRoteiro CRoteiro D
1. TransporteR$ 3.300,00R$ 110,00 (R$ 3300,00/30)R$ 110,00 (R$ 3300,00/30)R$ 110,00 (R$ 3300,00/30)R$ 110,00 (R$ 3300,00/30)R$ 110,00 (R$ 3300,00/30)
2. Café da manhãR$ 15,00 x 42 = R$ 630,00R$ 15,00R$ 15,00R$ 15,00         -         -
3. Ingresso da Cascata do Caracol (Canela)R$ 20,00 x 42 = R$ 840,00R$ 20,00R$ 20,00        -                 -           - 
4. BrindesR$ 150,00R$ 5,00 (R$ 150,00/30)R$ 5,00 (R$ 150,00/30)R$ 5,00 (R$ 150,00/30)R$ 5,00 (R$ 150,00/30)         -
5. LancheR$ 5,00 x 42 = R$ 210,00R$ 5,00R$ 5,00R$ 5,00R$ 5,00R$ 5,00
6. Água (copinho)R$ 150,00R$ 5,00 (R$ 150,00/30)R$ 5,00 (R$ 150,00/30)R$ 5,00 (R$ 150,00/30)R$ 5,00 (R$ 150,00/30)R$ 5,00 (R$ 150,00/30)
7. Guia TurísticoR$ 200,00R$ 6,67 (R$ 200,00/30)R$ 6,67 (R$ 200,00/30)R$ 6,67 (R$ 200,00/30)R$ 6,67 (R$ 200,00/30)R$ 6,67 (R$ 200,00/30)
8. Valor do roteiro p/ pessoa       -R$ 166,67R$ 166,67R$ 146,67R$ 131,67R$ 126,67
Custo total do RoteiroR$ 5.480,00          -R$ 5.480,00R$ 4.640,10R$ 4.010,10R$ 3.860,10
O autor (2020)

Este último veículo tem capacidade de transportar quarenta e quatro passageiros, logo teremos como base para cálculo do ponto de equilíbrio contábil (PEC) a venda de trinta pacotes, pois duas poltronas são para os organizadores e a venda de doze pacotes irá compor o lucro bruto, a mesma forma como contabilizamos junto às empresas "A" e "B". O serviço de transporte gera um impacto, para menor, se comparado ao da Empresa "B", no valor do roteiro (pacote de turístico). Ocorre uma subida no valor dos custos por pessoa, no serviço de bordo e na contratação do Guia Turístico, pois o rateio foi feito entre trinta pessoas. Observe que os valores dos pacotes variaram de, aproximadamente, R$ 126,67 a R$ 166,67, no caso R$ 40,00. Essa variação é, praticamente, a mesma da empresa "A" e "B" que foi de R$ 39,00. Todavia, o intervalo de valores dos pacotes é praticamente o mesmo da empresa "A". Outro aspecto que deve ser observado é o valor do fretamento do ônibus da empresa "C", que no caso é o mais em conta, entre as três prestadoras de serviço de transporte. Esta diferença é motivada pelo veículo ter duas poltronas a menos que o veículo da em presa "A" e quatro da empresa "B" e este detalhe impacta no lucro bruto a ser arrecadado.                     

Fotografia 6 — Orçamento do serviço de transporte - Empresa ""
Orçamento do serviço de transporte - Empresa ""O autor (2020)

Assim, seguiremos o mesmo método de cálculo do lucro bruto e apuração dos custos com a finalidade de precificar os roteiros propostos .

Composição do lucro bruto do Roteiro A - Fretamento de veículo com a empresa "C":


1º Passo: Serviço Transporte (ônibus leito turismo - 48 passageiros)

a) Valor de custo dividido por trinta e quatro passageiros = custo por passageiro;

b) R$ 3.300,00/30 = R$ 110,00; e

c) Lucro nesse insumo: 12 x R$ 110,00 = R$ 1.320,00 (Lucro A).


2º Passo: Serviço de bordo (Brindes e água) 

- Seguindo o mesmo algoritmo do 1º passo.

a) R$ 150,00/30 = R$ 5,00;

b) Lucro nesse insumo: 12 x R$ 5,00 = R$ 60,00; e

c) Lucro nesse insumo x 2  = R$ 60,00 x 2 = R$ 120,00 (Lucro B).


3º Passo: Serviço do Guia de Turismo.

- Seguindo o mesmo algoritmo do 1º passo.

a) R$ 200,00/30 = R$ 6,67 e

b) Lucro nesse insumo = 12 x R$ 6,67 = R$ 80,04 (Lucro C).


4º Passo: Lucro bruto

a) Lucro bruto = Lucro A + Lucro B + Lucro C; e

b) Lucro bruto = R$ R$ R$ 1.320,00 + R$ 120,00 + R$ 80,04 =  R$ 1.520,04


Se fizermos R$ 166,67 x 42 passageiros = R$ 7.000,14 (receita bruta) - R$ 5.480,00 (custos) = R$ 1.520,14 (lucro bruto), aproximadamente igual ao lucro bruto do 4º passo, a diferença é gerada por alguns arredondamentos. Essa questão pode ser considerada trivial. 


Logo, fazendo as mesmas operações pros demais roteiros, encontramos:


a) roteiro B: R$ 146,67 x 42 passageiros = R$ 6.160,14 (receita bruta) - R$ 4.640,10 (custos) = R$ 1.520,04 (lucro bruto);

b) roteiro C: R$ 131,67 x 42 passageiros = R$ 5.530,14 (receita bruta) - R$ 4.010,10 (custos) = R$ 1.520,04 (lucro bruto); e

c) roteiro D: R$ 126,67 x 42 passageiros = R$ 5.320,14 (receita bruta) - R$ 3.860,10 (custos) = R$ 1.460,04 (lucro bruto). Este lucro ficou a menor, pois não foi incluído o serviço de bordo: sorteio de brindes.


Após realizarmos esses levantamentos de custos e contabilizá-los, verificamos que o lucro bruto é o mesmo para o roteiro "A", "B" ou "C", diferenciando no roteiro "D", logicamente considerando o valor do lucro bruto, em relação a cada empresa contratada.

A seguir, tabularemos os valores dos insumos, dentro dos roteiros, para se ter uma visão do 

Tabulação dos lucros brutos - 

 Nos quadros 4, 5 e 6, estão expostos os lucros brutos proporcionados por cada insumo nos diferentes roteiros, em relação à empresa de transporte.


Quadro 4 — Tabulação dos lucros brutos - Empresa de transporte "A"
Insumo\RoteiroRoteiro ARoteiro BRoteiro CRoteiro D
1. TransporteR$ 1.312,50R$ 1.312,50R$ 1.312,50R$ 1.312,50
2. BrindeR$ 56,25R$ 56,25R$ 56,25            -
3. Água (copinho)R$ 56,25R$ 56,25R$ 56,25R$ 56,25
4. Guia TurísticoR$ 75,00R$ 75,00R$ 75,00R$ 75,00
5. Lucro brutoR$ 1.500,00R$ 1.500,00R$ 1.500,00R$ 1.442,75
6. CustosR$ 5.760,00R$ 4.880,00R$ 4.220,00R$ 4.070,00
O autor (2020)


Quadro 5 — Tabulação dos lucros brutos - Empresa de transporte "B"
Insumo\RoteiroRoteiro ARoteiro BRoteiro CRoteiro D
1. TransporteR$ 1.535,28R$ 1.535,28R$ 1.535,28R$ 1.535,28
2. BrindeR$ 52,94R$ 52,94R$ 52,94            -
3. Água (copinho)R$ 52,94R$ 52,94R$ 52,94R$ 52,94
4. Guia TurísticoR$ 70,56 R$ 70,56 R$ 70,56 R$ 70,56 
5. Lucro brutoR$ 1.711,71R$ 1.711,71R$ 1.711,71R$ 1.658,87
6. CustosR$ 6.690,005.770,00R$ 5.080,00R$ 4.930,00
O autor (2020)


Quadro 6 — Tabulação dos lucros brutos - Empresa de transporte "C"
Insumo\RoteiroRoteiro ARoteiro BRoteiro CRoteiro D
1. TransporteR$ 1.320,00R$ 1.320,00R$ 1.320,00R$ 1.320,00
2. BrindeR$ 60,00R$ 60,00R$ 60,00           -
3. Água (copinho)R$ 60,00R$ 60,00R$ 60,00R$ 60,00
4. Guia TurísticoR$ 80,04R$ 80,04R$ 80,04R$ 80,04
5. Lucro brutoR$ 1.520,04R$ 1.520,04R$ 1.520,04R$ 1.460,04
6. CustosR$ 5.480,00R$ 4.640,00R$ 4.010,00R$ 3.860,10
O autor (2020)

Analisando os três quadros anteriores, é fácil constatar que o lucro bruto, na sua quase totalidade, é proporcionado pelo insumo transporte e que a locação junto a empresa "B" é a mais lucrativa, porém, como vimos anteriormente (Quadro 2) é o colaborador cujo fretamento é o mais caro e que torna o preço do pacote turístico por pessoa o menos atraente (Quadro 2) e as poltronas, do seu veículo, são semi-leito, no que é uma desvantagem, pois numa viagem bate e volta o conforto/descanso é fundamental.

O menor lucro bruto é proporcionado pela empresa "A", no caso R$ 1.500, 00. Porém, tem como aspecto positivo o de proporcionar os preços mais atrativos para o cliente (Quadro 1), oferecendo, ainda, a qualidade no transporte, pois suas poltronas são "leito turismo" e outros opcionais. O custo do fretamento dessa empresa é intermediário, ficando um pouco acima do valor do cobrado pela empresa "C" e bem aquém do preço da prestadora "B". 

A empresa "C" oferece o menor custo para a precificação da excursão (Quadro 3), porém esse aspecto não torna o valor do pacote o mais em conta para o cliente. 

Informamos que usamos para o cálculo da margem de lucro/receita de vendas a quantidade de doze poltronas.

Feitas estas observações sobre qual empresa gera a melhor opção ou a lucratividade bruta em relação ao custo do transporte, em termos de valores remuneratórios. Veremos, a seguir, a relação lucro bruto x custos, ou seja, qual a prestadora 

Relação custo x lucro bruto

Quadro 7 — Tabulação relação custo x lucro bruto
Empresa\Roteiro Roteiro ARoteiro BRoteiro CRoteiro D
1. Prestadora transporte AR$ 1.500,00/R$ 5.760,00 = 26,04%R$ 1.500,00/R$ 4.880,00 = 30,73%R$ 1.500,00/R$ 4.220,00 = 35,54%R$ 1.442,75/R$ 4.070,00 = 35,44%
2. Prestadora transporte BR$ 1.711,71/R$ 6.690,00 = 25,58%R$ 1.711,71/R$ 5.770,00 = 29,66%R$ 1.711,71/R$ 5.080,00 = 33,69%R$ 1.658,87/R$ 4.930,00 = 33,64%
3. Prestadora transporte CR$ 1.520,04/R$ 5.480,00 = 27,73%R$ 1.520,04/R$ 4.640,00 = 32,75%R$ 1.520,04/R$ 4.010,00 = 37,90%R$ 1.460,04/R$ 3.860,10 = 37,82%
O autor (2020)

É notório que o serviço de transporte causa um forte impacto na precificação dos pacotes de excursão do tipo "bate e volta", sendo o insumo essencial para a realização dessa atividade turística. Assim, cresce de importância a necessidade do organizador ou profissional do turismo, que for executar ou planejar a excursão, ter excelentes prestadores de serviço de transporte, pois este insumo possibilita fortemente o sucesso da sua empreitada.

Concluímos, do quadro 7, que, dentro de uma perspectiva percentual, o roteiro "C" é o mais rentável e a locação do veículo da empresa "C" é a mais indicada.

Neste segundo momento da pesquisa, foram expostos conceitos empregados no turismo, mostrada a metodologia empregada nessa pesquisa científica, foram coletados e analisados os dados e apresentados os resultados alcançados. Todavia, o poder de precificar e decidir por qual valor será o pacote turístico é uma tomada de decisão do empreendedor baseado nos: custos com o serviço, a demanda de mercado, os preços praticados pela concorrência e o valor atribuído pelo consumidor aos produtos da empresa, como afirmam Las Casas e Garcia (2010, p.209).                        Podemos nos amparar, ainda, naqueles autores, em relação a uma entrevista que publicaram, feita pela HSM Management com Dan Ariely, especialista em economia comportamental e na irracionalidade humana:



 [...]"O preço ´como um atributo do produto, então?

Essa é uma boa maneira de pensar sobre isso. E, por ser o preço um atributo do produto, todos nós fazemos inferências sobre um produto a partir de seu preço. Se lago é barato, esperamos que seja de qualidade inferior e, o que é curioso, podemos, inclusive, vivenciá-los como inferior. Devo mencionar que fizemos alguns experimentos nos quais demos às pessoas, analgésicos mais baratos, e veja só: em relação às pessoas que tomaram os medicamentos mais caros, as que tomaram os mais baratos sentiram mais dor. A questão-chave aqui é que há muitas experiências em nossa vida que são ambíguas, e nenhum produto é perfeito. Se você conseguiu um desconto por algo, cada vez que algo imperfeito acontecer, você pensará "É porque o produto foi barato". E você presta mais atenção a essas coisas imperfeitas, tornando toda experiência uma profecia autorrealizável"[...]    

      

Por fim, concluímos que no processo de precificação, também, se faz presente o estado psicológico de todos os envolvidos, desde o prestador de serviço (colaborador), passando pelo empreendedor, chegando no consumidor final, no caso o turista. A busca pela lucratividade está, intimamente, relacionada à baixa dos custos e custos baixos, dificilmente, representa boa qualidade.


Conclusão

No decorrer do ano, ocorrem muitas excursões tipo "bate e volta", em Santa Maria-RS, por ser um polo do turismo emissivo. Essas excursões ocorrem em grande número nos meses de outubro, novembro e dezembro, do ano A, e em, janeiro  a fevereiro, do ano A + 1. Os destinos são, em grande número, o Natal Luz de Gramado-RS e Canela-RS e as praia, durante o verão, em Torres-RS, Capão da Canoa, Tramandaí-RS, Imbé-RS, Xangri-lá, entre outras. Como se trata de excursões que voltam no mesmo dia e o tempo é o fator principal que interfere nessa atividade turística, logo o serviço de transporte é o insumo mais essencial que irá interferir na precificação desta atividade econômica. 

Os dados coletados, analisados e expostos, nesta pesquisa científica, confirmaram o que acabamos de afirmar, ou seja, que o transporte é o fator principal e que impacta diretamente no valor das excursões "bate e volta".

Outro elemento revelado pela pesquisa é que a agilidade, na obtenção das informações, para concretizar o planejamento é essencial e, para isso, o empreendedor tem a sua disposição ferramentas tecnológicas, como o email e o whatssap, que permitem, sem perda de tempo, o contato com os fornecedores dos serviços que lhes passam as informações necessárias que influenciarão na tomada de decisão. 

Poderíamos, ter utilizado, ainda, as mídias sociais, todavia para não tornar a coleta e a análise dos dados mais complexa, nos limitamos somente as duas ferramentas mencionadas anteriormente.

Este trabalho se limitou a fazer a precificação de um tipo de excursão, envolvendo 03 (três) empresas de ônibus conhecidas na cidade, 01 (um) empresa de alimentação (café) e o prestador de serviço de atração turística. Assim, seria de grande importância se houvesse outras iniciativas com as mesmas intenções, no intuito de maximizar conhecimentos, formar uma massa crítica sobre o tema e potencializar essa atividade turística junto à população santamariense, pois os profissionais que atuam no exercício, deste tipo de excursão, trabalham com muita dedicação e da melhor forma para oferecer um produto de qualidade a um preço exequível.

Por fim, esta pesquisa tem o seu valor, pois está baseada no que reza a catequese epistêmica administrativa, contábil e turística, seguindo o eixo tecnológico do Turismo. Essa importância, ainda, se dá pelo sentido das informações que estão contidas neste estudo científico, tal como: como obter lucro, captar insumos de fornecedores, realizar precificação de serviço turístico, onde as mesmas se integram e dão vida a uma excursão do tipo "bate e volta". Entre outras orientações que são essenciais para o planejamento, organização e a operacionalidade da execução deste tipo de atividade turística.

Referências

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Brasil. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Defesa do Consumidor. Diário Oficial da União. Código de Defesa do Consumidor.

CreswellJonh w.. Projeto de pesquisa: Método qualitativo, quantitativo e misto. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

Da Silva e NovoGlaubécia Teixeira e Cristiane Barroncas Maciel Costa. Roteiro turístico: Curso Técnico de Hospedagem. Manaus: e-Tec Brasil, 2010.

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DMITRUKHilda Beatriz (Org.). Cadernos metodológicos: diretrizes da metodologia científica. 5. ed. Chapecó: Argos, 2001. 123 p.

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Las casas e GarciaAlexandre Luzzi e Maria Tereza. Marketing de serviços. Curitiba: IESDE Brasil S.A, 2010.

Mettzer. O melhor editor para trabalhos acadêmicos já feito no mundo. Mettzer. Florianópolis, 2016. Disponível em: http://www.mettzer.com/. Acesso em: 21 ago. 2016.

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