O PERIFANÁLISE E A CONSICIÊNCIA RACIAL EM SÃO MATHEUS, SÃO PAULO

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

O PERIFANÁLISE E A CONSICIÊNCIA RACIAL EM SÃO MATHEUS, SÃO PAULO

MARIA ESTER DOS Santos SILVA

Introdução

O Brasil é um país de graves desigualdades raciais e isso resulta em sérias consequências para a sáude mental da população negra e a necessidade de se viabilizar alternativas. A apesar de a população negra representar 55, 8% da população brasileira, seus indicadores sociais são piores. Segundo IBGE (2019), no o Boletim das Desigualdades Raciais por Cor ou Raça do Brasil, IBGE, apenas 29,9% dos cargos gerenciais são ocupados por negros, de 2019; 98,5% dos jovens entre 15 e 29 anos pessoas que sofrem homícidio são negros; e apenas 24,4% dos deputados federais são pretos ou pardos, segundo o mesmo boletim. O racismo também tem graves consequências na saúde mental. De acordo com Silva, a precariedade vivida pela população preta, assim como a inviabilidade de um cenário mais otimista, leva esses indivíduos a um sofrimento mental constante (Damasco e Zanello, 2018, apud Silva, 2005). Nesse sentido, em meio ao contexto de crise política no país, foi criado o coletivo PerifAnálise, grupo de psicanalistas que busca atender a população na periferia de São Matheus, em São Paulo e também tem como uma das suas metas trabalhar a questão da igualdade racial na periferia.   (Carrança, 2021) (Guimarães, 2020). Colocar entrevista minha. Nesse momento de ruptura política no país, em que o governo  nega o racismo e até a existência de raças no sentido político no Brasil (GonzagaCunha, 2020), procurar propostas que ajudem na consciência política e racial da população negra são muito importantes.

Segundo (Gonzales, 1988Gonzales, 2011).o Brasil possui o mito da democracia racial, que afirma não existir racismo ou raças no Brasil) e e mito do embranquecimento, que faz com que as populações preta e parda busquem embraquecer-se. Além disso, o racismo brasileiro é disfarçado. Isso, segundo a autora, gera a desunião do grupo negro e que os casos de ascensão social desse último sejam visto como sucesso único e pessoal, não com uma virtuosidade do grupo. Silva (2016) fez um estudo sobre a saúde mental da população negra na agenda pública brasileira. Segundo entrevistas realizadas pela autora com especialistas, militantes na temática e técnicos do ministério da Sáude, infelizmente, ainda há uma dificuldade de profissionais  da área de saúde de atenderem demandas de pessoas negras, inclusive, por causa do mito da democracia racial. Esse mito, impede, por exemplo, que os profissionais deem crédito a queixas de episódios racismo vindas do pacientes. Nos últimos anos, surgiu na psicologia um movimento de "empretecer a psicologia" (Khouri, 2019), aumentando o número de psicólogos negros e o debate em relações raciais. A pergunta da pesquisa deste projeto está relacionada com o impacto dessa politização dos terapeutas na identidade política positiva dos usuários dos serviços do PerifÁlise. 


Metodologia

A pergunta de pesquisa  a ser feita é: o Perifanálise tem impacto na construção de identidade negra positiva nos seus usuários da comunidade de São Matheus?

A variável independente é a variável que pretende explicar, explanar a variável dependente, que é manipulada (CERVI2017). A teoria causal supõe, como variável independente, que o coletivo Perifanálise contribui na construção da identidade racial positiva dos pacientes atendidos pelo grupo na comunidade de São Matheus. A teoria causal é que, em um país marcado pelo mito da democracia racial e o mito do branqueamento, a terapia com terapeutas comprometidos, politicamente, com o antirracismo contribui positivamente para a construção da identidade racial positiva dos usuários do serviço. 

O grau de politização dos terapeutas em relação ao antirracismo será medido por um survey que entrevistará, ao menos, 95% deles (são em torno de 25, atualmente), e a partir daí, se construirá uma unidade de medida própria que trate do assunto. Um segundo survey será aplicado para os usuários negros  do serviço do PerifAnálise, o objetivo é alcançar ao menos 80% dos maiores de 18 anos (universo estimado em  300 pessoas). Esse será o grupo controle e o survey envolverá perguntas sobre a identidade racial antes e depois do tratamento no PerifAnálise. Também será construída uma unidade de medida para avaliar a transformação ou não da identidade racial, para positiva ou negativa. Todos esses dados serão primários. A correlação não, necessariamente, significa causalidade na Ciencia Política (Montenegro, 2016KingKeohaneVerba, 1994), por isso se buscará relacionar, na medida, melhora na identidade racial dos usuários com as atividades do grupo. Obviamente que, por mais que as perguntas sejam cuidadosas, o questionário ainda ficará preso em alguns vieses, como de pessoas negras que se consideram inquestionalmente branca.

Hipótese

Segundo (KingKeohaneVerba, 1994), deve-se fazer teorias que são falsificáveis. Então, a 

Hipótese nula (Ho) = Politização dos teraperautas em relação ao antirracismo não contribui para a construção da identidade racial positiva dos usuários do serviço.

Hipótese alternativa (H1) = Politização dos terapeutas em relação ao antirracismo contribui para a construção da identidade racial positiva dos usuários dos serviços de saúde. 



Conclusão

Esse projeto trata da relação entre politização antirracista dos terapeutas e o impacto na construção da indentidade negra positiva dos serviços do grupo PerifÁnalise. Espera-se contribuir para a literatura sobre saúde mental da população negra e de racismo. 

Referências

CarrançaThaís. PerifAnálise: psicanalistas periféricos querem que profissão deixe de ser coisa de elite. BBC NEWS BRASIL. São Paulo, janeiro, ano 2021, 1 jan. 2021. Brasil. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55502884. Acesso em: 16 jun. 2021.

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GonzagaPaula Rita Bacellar ; CunhaVivane Martins. Uma Pandemia Viral em Contexto de Racismo Estrutural: Desvelando a Generificação do Genocídio Negro. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 40, n. n.spe, p. 1-17, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pcp/a/bgPCS9rTtKx4yTPZmnLsvtp/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 16 jun. 2021.

GonzalesLélia. . A categoria política cultural de amerifricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, p. 69-82, janeiro/junho 1988.

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KhouriJamille Borges Reis. Formando psicólogos/as para as relações raciais . São Paulo , 2019. 121 p. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Educação: Mestrado em Educação ) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Disponível em: https://tede2.pucsp.br/bitstream/handle/22102/2/Jamille%20Georges%20Reis%20Khouri.pdf. Acesso em: 16 jun. 2021.

KingGary; KeohaneRobert O.; VerbaSidney. Designing Social Inquiry: Scientific Inference in Qualitative Research. Princeton University Press, f. 123, 1994. 245 p.

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