O PENTATEUCO

FACULDADE BATISTA MACAENSE

O PENTATEUCO

felipe canuto

Introdução


Deve se , examinar todo o contexto histórico, tomar todo o cuidado com os detalhes para se fazer uma teologia Bíblica.
A organização do Pentateuco, sendo os 5 primeiros livros da Biblia já mostra sua grande importância teológica.
Numa teologia do Pentateuco é preciso analisar cuidadosamente todos os detalhes históricos, que levaram a acontecer tudo o que está escrito teologicamente falando.
O Pentateuco é uma coletânea de escritos diversos, mas isto não enfraquece a compreensão tradicional da coletânea como Torá ou instrução.
Embora não se afirme no próprio Pentateuco que este haja sido escrito por Moisés em sua totalidade, outros livros do Antigo Testamento citam-no como obra dele (Josué 1:7-8; 23:6; I Reis 2:3; II Reis 14:6; Esdras 3:2; 6:18; Neemias 8:1; Daniel 9:11-13.) .
.O escritores do Novo Testamento estão de pleno acordo com os do Antigo. Falam dos cinco livros em geral como “a lei de Moisés” (Atos 13:39; 15:5; Hebreus 10:28).
Moisés, mais do que qualquer outro homem, tinha preparo, experiência e gênio que o capacitavam para escrever o Pentateuco. Considerando-se que foi criado no palácio dos faraós, “foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras” (Atos 7:22). Foi testemunha ocular dos acontecimentos do êxodo e da peregrinação no deserto.

Pressupostos em uma Teologia do Pentateuco

Pressupostos sobre Deus. Deus existe e é unnificado, auto-consistente e ordenado. E claramente impossível fazer qualquer coisa que não seja uma “história da religião de Israel”ou “teologia descritiva”, a menos que admitamos a existência de Deus . Temos também de admitir que os propósitos de Deus  são não contraditórios e compreensíveis a certo nível da compreensão humana.

Deus se revelou na Bíblia. Esta revelação é unificada, consistente com ele e sistemática. Para fazermos teologia, temos de fazê-la com dados revelados por Deus a fim de reivindicarmos autenticidade e autoridade. A auto revelação de Deus foi apresentada em termos humanos, quer dizer, foi comunicada de tal modo a conformar-se com processos de pensamento e formulações verbais humanas.

Pressupostos sobre a revelação. A finalidade da revelação é apresentar Deus e os seus propósitos. A necessidade ou desejo de comunicar, obviamente pressupõe o mecanismo para comunicar o que for pertinente aos objetivos  de Deus. E inconcebível que Deus tenha exigências para a criação sem revelá-las em termos significativos.

Pressupostos sobre o propósito. Desde o início temos de admitir a criação como integral aos propósitos de Deus , pois ainda que Ele pudesse ter existido independentemente e com propósito, a criação aconteceu e, junto com ela , veio um propósito  incluso. Se o propósito está associado a criação , a declaração de propósito da criação tem de estar em proximidade cronológica e canônica ao próprio  evento da criação.Isto nos leva naturalmente ao Pentateuco e especificamente à porção mais antiga de Gênesis.

Pressupostos sobre o método teológico. Dentro do atual Canon, cujo arranjo reflete métodos e interesses teológicos amplos, temos de descobrir a ordem cronológica de modo a percebermos o progresso da revelação e a colocarmos a serviço de interesses teológicos mais estreitos. No caso do Pentateuco, esta é uma questão fácil, porque a tradição universal atesta a prioridade do Pentateuco e a forma canônica coloca Gênesis em primeiro lugar.

GENESIS

O livro do Gênesis é a introdução à Bíblia toda. É o livro dos princípios, pois narra os
começos da criação, do homem, do pecado, da redenção e da raça eleita. Tem sido chamado de “viveiro ou sementeiro da Bíblia” porque nele estão as sementes de todas as grandes doutrinas. Na opinião de Gillis, sem o Gênesis a Bíblia “é não só incompleta, mas incompreensível”.
O Gênesis narra como Deus estabeleceu para si um povo. Relata a infância da humanidade, porém o autor não pretende apresentar a história da raça toda; destaca apenas os Personagens e sucessos que se relacionam com o plano de redenção através da história.
A história da humanidade vai-se restringindo, cada vez mais, até que o interesse se concentra em Abraão, pai do povo escolhido. A partir daí, toda a história do Antigo Testamento trata, em grande parte, da história de Israel. Fala de outras nações, porém o faz incidentalmente e apenas no que se refere a suas relações com Israel. Podemos dizer, em síntese, que o Gênesis foi escrito principalmente para relatar como o Senhor escolheu um povo que levaria a cabo os propósitos divinos. Não obstante, este Deus não o é somente de Israel, mas do mundo inteiro. Chamou a Abraão, estabeleceu uma aliança com ele e prometeu-lhe multiplicar sua descendência até convertê-la em uma nação, a qual seria inst
alada em Canaã. Qual era o motivo divino ao fazer tudo isto? Que Israel se constituísse em uma fonte de bênção para “todas as famílias da terra” (12:3). Isto é, Deus abençoa um povo para que, depois, este seja o veículo de bênção universal.

O assunto geral é “o princípio de todas as coisas”. Porém à luz do tema da Bíblia toda, seu tema é: DEUS COMEÇA A REDENÇÃO ESCOLHENDO UM POVO.
O livro do Gênesis abrange uma época muito longa; desde as primeiras origens das coisas até ao estabelecimento de Israel no Egito. Divide-se em duas seções
claramente distintas: a história primitiva (1-11), que é como um “pátio anterior” para a história da redenção, e a história patriarcal (12-50), que evoca a figura dos grandes antepassados de Israel.

O capítulo 2 do Gênesis apresenta-nos um belo quadro da vida do homem no Éden. Tudo era bom; não obstante, a cena se altera radicalmente no capítulo 4, pois agora os homens conhecem a inveja, o ódio e a violência. Como começou a maldade e todo o sofrimento no mundo? A única resposta satisfatória da origem do mal encontra-se
no capítulo 3 do Gênesis. Relata como o pecado entrou no mundo e como tem produzido conseqüências trágicas e universais.
Capítulo 3:7-24. Seguiram–se ao pecado resultados desastrosos, como um rio impetuoso. Não foram desproporcionalmente severos em comparação com o delito? Evidentemente, Deus havia provido tudo para o bem do homem e havia proibido uma única coisa. Ao ceder à voz de Satanás, o homem escolhia agradar-se a si mesmo, desobedecendo deliberadamente a Deus. Era um ato de egoísmo e rebelião inescusável. Em realidade, era atribuir a si o lugar de Deus



CONTEXTO TELÓGICO DE GENESIS

O ANTIGO PACTO E A ESCATOLOGIA

Se os propósitos de Deus estão associados ao seu ato da criação e domínio, esperaríamos que estes temas duplos prevalecessem ao longo da revelação bíblica. E realmente prevalecem. A interdição devastadora do pecado obrigou ajustes na implementação desses propósitos, de forma que a capacidade de o homem cumprir as condições do mandato ficou seriamente prejudicada e exigiu modificação. Mas o que submergiu no transcurso da história humana voltará a emergir no ultimo dia , quando a plena capacidade de o homem cumprir o concerto será restabelecida.Isto está perfeitamente claro de um exame de várias passagens nos profetas.

O ANTIGO PACTO E A VIDA DE JESUS

O Apóstolo Paulo descreve Jesus como o último Adão” Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo”(1Co 15.22: 15.45: Rm 5.12-17)Não há como diminuir a importância deste aspecto redentor de Jesus como o último Adão.Entretanto , também é instrutivo ver a vida de Jesus como a vida do último Adão, e observar que Jesus veio não só para morrer, mas também para viver.E a vida que Eele viveu demosntrou, por seu poder e perfeição, tudo o que Deus criou para que Adão e todos os homens fossem. em outras palavras , Jesus cumpriu, em vida as potencialidades do Adão não-Caído, da mesma maneira que pela morte Ele restabeleceu todo o gênero humano a essas potencialidades.

EXODO



Êxodo é o elo indispensável que une de forma inseparável o Pentateuco. Continua a história dos hebreus iniciada no Gênesis no mesmo estilo inigualável deste e acentuando o
elemento pessoal. É a figura de Moisés que domina quase todo o relato de Êxodo
. Os assuntos do sistema sacerdotal e da lei de santidade iniciados em Êxodo, por sua vez, se desenvolvem em Levítico. Também a história da caminhada de Israel para a terra prometida, a qual constitui a maior parte de Números, encontra seu princípio em Êxodo. Finalmente, acha-se em Deutero-nômio um eco tanto de Números como de Êxodo. Por isso
ao livro de Êxodo se chama “O coração do Pentateuco”.
Não há dúvida alguma de que os israelitas saíram do Egito no lapso compreendido entre
1450 e 1220 a. C. Israel já estava radicado em Canaã no ano de 1220 a. C, pois um monumento levantado pelo Faraó Mereptá faz alusão ao combate entre egípcios e israelitas na Palestina, naquela data. Não obstante, faltam evidências conclusivas quanto à data recisa do êxodo.
O livro de Êxodo relata como a família escolhida no Gênesis
veio a ser uma nação. Registra os dois acontecimentos
transcendentes da história de Israel: o livramento do
Egito e a entrega do pacto da lei no Sinai. O livra
mento do Egito possibilitava o nascimento da nação; o
pacto da lei modelava o caráter da nação a fim de que fosse um povo santo.
O livro descreve, em parte, o desenvolvimento do antigo concerto com Abraão. As promessas que este recebeu de Deus incluíam um território próprio, uma descendência numerosa que chegaria a ser uma nação e bênção para todos os povos por meio de Abraão e sua descendência. Primeiro Deus multiplica seu povo no Egito, depois o livra da escravidão e a seguir o constitui uma nação.
Êxodo é um livro de redenção. O redentor Jeová não somente livra a seu povo da servidão egípcia mediante seu poder manifesto nas pragas, mas também o redime por sangue, simbolizado no cordeiro pascoal. A páscoa ocupa lugar central na revelação de Deus a seu povo, tanto no Antigo Pacto como no Novo, pois o cordeiro pascoal é símbolo profético do sacrifício de Cristo. Por isso a festa da páscoa
converteu-se na comemoração de nossa redenção (Lucas 22:7-20).O Senhor prove para seu povo redimido tudo o de que ele necessita espiritualmente: os israelitas
precisam de uma revelação do caráter de Deus e da norma de conduta que ele exige; ele lhes dá a lei mas também faz aliança com eles estabelecendo uma relação
incomparável e fazendo-os seu especial tesouro. Os hebreus, redargüidos de pecado pela lei, necessitam de purificação, e o Senhor lhes proporciona um sistema
de sacrifícios. Necessitam aproximar-se de Deus e prestar-lhe culto, e Deus lhes dá o tabernáculo e ordena um sacerdócio. Tudo isto tem a finalidade divina de que sejam uma nação santa e um reino de sacerdotes. Êxodo jorra luz sobre o caráter de Deus. No livramento de seu povo vê-se que é misericordioso e poderoso. A lei revela que ele é santo; o tabernáculo revela que ele é acessível mediante sacrifício aceitável.
É evidente o paralelo entre o livramento dos escravos israelitas em maior êxodo espiritual efetuado pela obra e pessoa de Jesus Cristo. O Egito vem a ser um símbolo do mundo pecaminoso; os gípcios, símbolo de pecadores escravizados; Moisés simboliza o redentor divino que livra a seu povo mediante poder e sangue e o conduz à terra prometida.
O conteúdo do livro de Êxodo é representado por meio de três montanhas altas e um vale. Na história hebraica as montanhas são: o livramento do Egito, a outorga da lei e a revelação do plano do tabernáculo.

Moisés figura junto a Abraão e Davi como um dos três maiores
personagens do Antigo Testamento. Libertador, dirigente, mediador, legislador, profeta, foi sobretudo um grande homem de Deus. Diz Gillis:Quase se pode dizer que o livro de Êxodo é a história de um homem, do homem Moisés que representa o ponto
central em torno do qual gira a crise do plano da redenção. No coração dele verifica-se o conflito. Ele recebe a comunicação de Deus para o povo e sobre ele pesa toda a carga das peregrinações. E ele quem recebe o golpe da crítica do povo, pois se acha como mediador entre o povo e Deus e intercede perante Deus a favor deles.
Moisés narra o começo de sua história com tanta simplicidade e modéstia que nem mesmo menciona o nome de seus pais. Contudo, encontram-se entre os grandes heróis
da fé enumerados no capítulo 11 da epístola aos Hebreus.
Pela fé interpretaram a formosura do menino como sinal do favor divino e do seu destino extraordinário (Hebreus 11:23).





CONTEXTO TELÓGICO DE EXODO




A escolha de Israel como povo-servo já estava implícita nas declarações do concerto patriarcal, mas foi somente com a libertação ocasionada pelo êxodo que a nação como tal entrou em existência histórica. O êxodo é de extrema importância teológica como ato de Deus que destaca um momento decisivo na história de Israel, um evento que marca a transição de povo para nação.Mas transcende isso em significação, pois corretamente compreendido, o êxodo também precisamente o evento e o momento que coincide com a expressão histórica da eleição de Israel feita por Deus. A escolha de Israel como povo especial do Senhor não aconteceu no monte Sinai mas na terra de Gósen. O êxodo foi o evento eletivo; o Sinai foi a formalização do concerto.

LEVITICO

Na versão grega este livro recebeu o nome de Levítico porque ele trata das leis
relacionadas com os ritos, sacrifícios e serviço do sacerdócio levítico. Nem todos os homens da tribo de Levi eram sacerdotes; o termo “levita” referia-se aos leigos que faziam
o trabalho manual do tabernáculo. O livro não trata destes “levitas”, porém o título não é completamente inadequado porque todos os sacerdotes eram efetivamente da tribo de
Levi.
Embora o livro de Levítico tenha sido escrito principalmente como manual dos sacerdotes, encontra-se muitas vezes a ordenança de Deus: “Fala aos filhos de Israel”, de modo que contém muitos ensinamentos para toda a nação. As leis que se encontram em Levítico foram dadas pelo próprio Deus (ver 1:1; Números 7:89; Êxodo 25:1), de modo que têm um caráter elevado.
Assim como Êxodo tem por tema a comunhão que Deus oferece a seu povo mediante sua presença no tabernáculo, Levítico apresenta as leis pelas quais Israel haveria de manter essa comunhão. O Senhor queria ensinar a seu povo, os hebreus, a santificar-se. A palavra santificação significa apartar-se do mal e dedicar-se ao serviço de Deus. É condição
necessária para desfrutar-se da comunhão com Deus. As leis e as instituições de Levítico faziam os israelitas tomar consciência de sua pecaminosidade de sua necessidade de receber a misericórdia divina; ao mesmo tempo, o sistema de sacrifícios ensinava-lhes que o próprio Deus Provia o meio de expiar seus pecados e de santificar sua vida.
Deus é santo e seu povo há de ser santo também. Israeldeve ser diferente das outras nações e deve separar-sede seus costumes.
Embora Levítico pareça árido e pouco interessante a muitos leitores, o livro tem grande significado e valor quando bem compreendido.

CONTEXTO TELÓGICO DE LEVITICO


Ainda que o arranjo do concerto até este ponto especificasse claramente a necessidade de Israel, o vassalo, comparecer diante do Senhor em ocasiões declaradas e escolheu primeiro Moisés e depois o sacerdócio como mediadores neste encontro.Por esse motivo, havia a necessidade de descrever a natureza do tributo a ser apresentado, o significado preciso e a função do sacerdócio, definição de santidade e profanação, e um esclarecimento mais rigido dos lugares e épocas de peregrinação ao lugar da habitação di grande Rei. Este é o propósito do Livro de Levítico.

NUMEROS

Números é uma miscelânea de três espécies: acontecimentos históricos da peregrinação
de Israel no deserto; leis para Israel, de caráter permanente; e regras trans
itórias válidas para os hebreus até que chegassem a Canaã. A história e as leis vão misturadas em partes aproximadamente iguais em extensão. As exigências
das situações vividas davam origem a novas leis. Considera-se que Números está enfocado para os aspectos de serviço e conduta. Myer Pearlman observa: “Em Êxodo vimos Israel redimido; em Levítico vimos Israel em adoração; e agora em Números vemos Israel servindo.”

Em outras palavras, nos livros de Êxodo e Levítico vemos os ensinos de Deus e em Números vemos Israel aprendendo-os.

Números é um dos livros mais humanos e mais tristes da Bíblia. Mostra como os hebreus fracassaram em cumprir os ideais que Deus lhes havia proposto. Chegaram aos limites da terra prometida mas tinham a personalidade de um escravo covarde,dependente e incapaz de enfrentar a perspectiva da luta. Perderam a pequena fé que haviam tido e quiseram voltar
ao Egito. Daí começaram suas peregrinações que duraram trinta e oito anos. Não obstante, Números relata detalhadamente só a história do primeiro e a do último, pois nos anos
intermediários de apostasia nada aconteceu de valor religioso permanente. É uma história trágica de falta de fé, de queixas, murmurações, deslealdade e rebelião. Como conse
qüência, quase toda a geração que havia Presenciado as maravilhas do livramento do Egito pereceu no deserto em entrar na terra prometida.Somente três homens, Moisés, Josué e Calebe, sobreviveram até ao fim do relato do livro. E somente dois dos três, Josué e Calebe, entraram em Canaã.Por outro lado, Deus levantou uma nova geração de hebreus, istruídos nas leis divinas e preparados para a conquista de Canaã. Os problemas que a viagem de uma numerosíssima multidão acarreta em seu percurso através do deserto são maiores do que se possa imaginar. Era preciso organizar bem as tribos e estabelecer a lei e a ordem, tanto no acampamento como durante a caminhada.
O primeiro passo para organizar Israel era levantar um recenseamento. Por que se realizou o censo? Os israelitas iam conquistar Canaã e era necessário arrolá-los e prepará-los para a guerra. O serviço militar era obrigatório em Israel, quase sem exceções, a partir dos vinte anos e para cima. O censo das doze tribos apresentou a cifra de 603.550 homens de guerra, sem incluir os levitas. Por suas funções sagradas no santuário, os levitas estavam isentos do serviço militar. Constituíam uma guarda especial do tabernáculo. Eram contados não a partir dos vinte anos de idade, mas de um mês para cima. O segundo censo, feito ao terminar a peregrinação no deserto, dá-nos uma cifra um pouco menor que aquela do primeiro censo (26:51), o que indica que os rigores da viagem no deserto e a disciplina divina impediam Israel de continuar crescendo numericamente como havia crescido no Egito.
O Senhor mandou organizar Israel em quatro acampamentos com três tribos em cada um. Os quatro acampamentos estavam organizados em esquadra retangular, com o tabernáculo no centro e os israelitas ao redor dele. Moisés e os sacerdotes ficavam diante da porta do átrio do tabernáculo, ao leste das tribos de Judá, Issacar e Zebulom; ao sul, Rúben, Simeão e Gade; ao ocidente, Efraim, Manasses e Benjamim; ao norte, Dã, Aser e Naftali. As tribos de Judá, Rúben, Efraim e Dã eram líderes; cada uma delas encabeçava seu grupo de tribos, e portava bandeiras. Segundo a tradição judaica, a bandeira da tribo de Judá tinha a figura de um leão; a de Rúben, uma cabeça humana; a de Efraim, um boi, e a de Dã, uma águia.

. Embora a tribo de Levi tenha sido designada para o serviço divino, o fato de ser levita não era a única condição para entrar no ofício sagrado. Os levitas deviam ser apartados para a
obra do tabernáculo mediante uma cerimônia especial. A consagração dos levitas era muito mais simples do que a dos sacerdotes. Não eram necessárias as lavagens, nem as unções, nem a investidura com roupa oficial. Efetuava-se a purificação dos levitas oferecendo sacrifícios, sendo espargidos com água misturada com cinzas de bezerra ruiva,
barbeando-se e lavando seus vestidos. A água pura e a navalha afiada representam o afastamento de tudo quanto impede a dedicação espiritual e assinalam a purif
icação de tudo quanto mancha o corpo e o espírito. Os sacerdotes impunham as
mãos sobre os levitas na cerimônia de consagração.
Os levitas entravam na profissão aos vinte e cinco anosde idade, provavelmente
como aprendizes em prova sob a vigilância de levitas mais velhos, e aos trinta anos eram admitidos no pleno exercício de seus deveres (ver 4:3 e 8:24). Ao atingir os cinqüenta anos, o levita era eximido dos trabalhos rigorosos, mas podia continuar servindo nos deveres mais fáceis do tabernáculo.





CONTEXTO TEOLÓGICO DE NÚMEROS



A teologia da peregrinação  e conquista se expressa nas narrativas de números.Em termos claramente militares, Moises registrou o censo das tribos (Nm1) e a organização posicional das tribos no acampamento (Nm2) na expectativa de partirem do Sinai em direção a Canaã. Os levitas, os guardiões da habitação do senhor, tinham de estar em volta do tabernáculo cercando-o.Estavam particularmente pertos, tanto geográfica quanto funcionalmente, porque representam os primogênitos de Israel que o Senhor poupou no êxodo.A sua responsabilidade era cuidar do santuário, pois o ministério do primogênito sempre é servir o pai e proteger-lhe os interesses. As suas necessidades, como também as necessidades dos sacerdotes, seriam atendidas pelas ofertas da comunidade a cujo favor eles empreendiam o papel de mediação .

A própria viagem é de significado teológico, pois serve de forma paradigmática como a experiência de todo peregrino que abre o seu caminho da promessa para possessão.Na vespera de iniciar a viagem – logo depois depois que o tabernaculo fora montado e investido com a plenitude da glória de Deus – os líderes das tribos de Israel apresentaram enormes cargas de tributo para ser usado no serviço do tabernáculo(Nm 7.1,2,5). Desta maneira eles ratificaram o compromisso, como lideres das suas respectivas tribos, de apoiar o ministério contínuo dos sacerdotes e levitas. A viagem estava a ponto de começar, um movimento sancionado e atestado pela resposta generosa do povo do concerto.Foram dirigidos à terra da promessa onde experimentariam as coisas boas das quais o Senhor  falara(10.29).

DEUTERONOMIO

A palavra deuteronômio provém da Versão Grega que significa “segunda lei” ou
“repetição da lei”. O livro consiste em sua maior parte nos discursos de Moisés, dirigidos ao povo na fértil planície de Moabe; Israel estava prestes a cruzar o rio Jordão e iniciar a conquista de Canaã e Moisés estava por terminar sua carreira.
Visto que a primeira geração que saiu do Egito havia morrido e a segunda não havia presenciado as obras maravilhosas de Deus realizadas nos primeiros anos, nem
as entendia, Moisés trouxe-as à memória do povo. Também lhes recordou os preceitos da lei do Sinai para que os gravassem em seus corações, pois esses preceitos os guardariam
da iniqüidade dos cananeus. Depois Moisés escreveu os discursos em um livro. Portanto, distingue-se dos outros livros do Pentateuco por seu estilo oratório e seu fervor exortativo
Deuteronômio é muito mais que a mera repetição da lei. Explicam-se os privilégios e as
responsabilidades do povo escolhido e sua relação com o Senhor. O Senhor é o único Deus
(4:35; 6:4), o “Deus fiel, que guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que
o amam” (7:9). Israel é o povo escolhido de Deus em virtude da aliança que fez com eles no Sinai. Israel é um reino de sacerdotes e nação santa (Êxodo 19:6). Os israelitas herdarão todas as promessas feitas a seus pais.
Considerando que Israel é o único povo com quem o Senhor estabeleceu concerto, deviam reverenciá-lo e amá-lo (4:10; 5:29; 6:5; 10:12; 11:1, 13, 22). Por meio do pacto Israel gozava dos privilégios mais sublimes.
Chama-se Deuteronômio “O livro das recapitulações”, pois Moisés recapitula
a história de Israel no deserto, acentuando que o Senhor sempre foi fiel à sua aliança, embor
a Israel tenha sido infiel. Encontra–se repetida muitas vezes, no livro, a ordem “lembra-te
“, ou seu equivalente. O lembrar-se da bondade de Deus no passado deve estimular a
gratidão de seu povo. Assim se expressou o apóstolo: “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (I João 4:19).

Ademais, Moisés exorta Israel a que observe estritamente os mandamentos do Senhor para que se cumpra seu futuro glorioso prometido na lei. Se Israel desse atenção a Deus, o mesmo poder que os havia livrado do Egito e os havia sustentado durante quarenta anos no deserto guardá-los-ia na terra prometida. Por outro lado, se Israel descuidasse sua relação com Deus e seguisse a deuses falsos, seria castigado até ao ponto de ser espalhado nas terras de seus inimigos. Por isso Deuteronômio é o livro da piedade, uma exortação viva e opressiva recordando as graves conseqüências de esquecer os benefícios do Senhor e apartar-se de seu culto e de sua lei.
Este livro desempenhou um papel importante na história e na religião de Israel.
O deuteronômico foi a norma para julgar as ações dos reis de Israel- A descobri-lo no templo, sua leitura despertou um grande avivarnen no ano 621 a. C. (II
Reis 22). Foi a base das exortações de Jeremias e Ezequiel.
Os judeus escolheram a grande passagem de 6:4, 5 co seu credo ou declaração de fé.
O Novo Testamento refere-se a Deuteronômio e cita-o mais de oitenta vezes. Parece que era um dos livros prediletos de Jesus, pois ele o citava amiúde. Por exemplo, citou versículos de Deuteronômio para resistir ao diabo em sua tentação. Também a profecia acerca do profeta que seria como Moisés (18:15-19) preparou o caminho para a vinda de Jesus Cristo.

Capítulos 29 e 30. Moisés apela pessoalmente para essa geração a fim de que reassumam o pacto e jurem ser leais. Prediz a apostasia de Israel e seu castigo; experimentarão a bênção e a maldição; finalmente, a graça de Deus abriria a porta para o arrependimento e para o
perdão. Deus circuncidará o coração de seu povo a fim de que o amem e obedeçam a ele. A circuncisão de coração refere-se à transformação da vontade de modo que sirvam ao Senhor com sinceridade.Não devem pensar que a lei seja demasiado difícil de cumprir. Não está no céu nem além do mar, não é inatingível, “está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a fazeres” (30:11-14). O que importa é o coração.
Se este está em harmonia com Deus, é fácil obedecer ao Senhor. Paulo parafraseou esta passagem substituindo a palavra escrita pela Palavra encarnada (Romanos 10:6-8).
Moisés apresenta a Israel duas alternativas: servir ao Senhor ou servir aos seus inimigos. Ao deixar o Senhor, Israel será então sempre presa dos invasores. Unicamente o braço invisível de Deus pode protegê-lo se o povo apoiar-se nele. Também sucede assim na vida de todo cristão: Deus é a única defesa contra as paixões, contra os vícios contra os maus costumes.

Ao completar cento e vinte anos, o grande dirigente sabia que lhe restava pouco tempo antes de morrer. Animou os israelitas a esforçar-se por tomar posse de Canaã, colocou Josué em seu posto de sucessor, e entregou o livro da lei aos levitas para ser guardado junto da arca no lugar santíssimo. Moisés deu instruções aos levitas para que congregassem o povo nos anos sabáticos a fim de ler-lhes a lei. Desse modo os levitas receberam o cargo docente em Israel.



CONTEXTO TEOLOGICO DE DEUTERONOMIO

Fundamental a qualquer estudo sério de Deuteronomio nos dias de hoje é reconhecimento de que está na forma de documento do concerto, um ponto firmado acima da discussão por diversos estudiosos em todo o aspecto religioso.Levando em conta esta forma –  especificamente a forma de tratado entre suserano e vassalo, exaustivamente comprovada por fontes hititas – o conteudo, de acordo com a expectativa, reflete a linguagem e interesses do concerto. Na realidade não é exagero propor que o concerto é o centro teológico de Deuteronomio.


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