O PAPEL DA ARTE NA EDUCAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DOS POTENCIAIS CRIATIVOS E AS TRANSPOSIÇÕES DE HABILIDADES E COMPETÊNCIAS IMPORTANTES NO DESENVOLVIMENTO DO INDIVÍDUO DO SÉCULO XXI.

Grupo Educamais

O PAPEL DA ARTE NA EDUCAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DOS POTENCIAIS CRIATIVOS E AS TRANSPOSIÇÕES DE HABILIDADES E COMPETÊNCIAS IMPORTANTES NO DESENVOLVIMENTO DO INDIVÍDUO DO SÉCULO XXI.

BIANCA leite RICARDO

Resumo

Este estudo objetivou analisar alguns aspectos do papel da arte na educação com ênfase no ensino fundamental para o desenvolvimento dos potenciais criativos e as transposições de habilidades e competências importantes no desenvolvimento do indivíduo do século XXI. Como a arte ajuda ao aluno a descobrir o próprio potencial criativo e explorá-lo, contribuindo com importantes competências não só para as atividades profissionais bem como para a própria existência em um século com tantos avanços tecnológicos. O objetivo principal desse estudo esta em analisar o papel da Arte na educação do ensino fundamental para o desenvolvimento criativo e sua importância para o momento atual. Com os objetivos específicos: Apontar os principais conceitos de arte, descrever aspectos de seu ensino no Brasil e sua notoriedade no desenvolvimento humano; Refletir sobre a criatividade e sua importância no desenvolvimento da sociedade no século XXI; Verificar a relação entre arte, educação e criatividade. Em busca de confrontar ideias e teorias, foi concluído sobre as necessidades e competências para os dias atuais partindo de ideias contidas nas obras consultadas de diversos autores e instituições, para compreender a real importância da Arte como mediadora no desenvolvimentos de potenciais criativos e o desenvolvimento do individuo e a sociedade.
educação.

Palavras-chave: Arte-educação. Criatividade. Competências.

Abstract

This study aimed to analyze some aspects of the role of art in education with an emphasis on fundamental education for the development of creative potentials and the transposition of skills and competences important in the development of the individual of the 21st century. How art helps students to discover their own creative potential and explore it, contributing with important skills not only for professional activities but also for their own existence in a century with so many technological advances. The main objective of this study is to analyze the role of Art in the education of elementary education for creative development and its importance for the present moment. With the specific objectives: Point out the main concepts of art, describe aspects of its teaching in Brazil and its notoriety in human development; Reflect on creativity and its importance in the development of society in the 21st century; Check the relationship between art, education and creativity. In order to confront ideas and theories, it was concluded on the needs and competences for the present day, starting from ideas contained in the consulted works of several authors and institutions, to understand the real importance of Art as a mediator in the development of creative potentials and the development of the individual and society.

Keywords: Mettzer. Formatting. Academic work.

Introdução

O objetivo deste estudo descritivo de fontes secundárias é o de analisar alguns aspectos do papel da arte na educação do ensino fundamental para o desenvolvimento dos potenciais criativos e as transposições de habilidades e competências importantes no desenvolvimento do indivíduo do século XXI. Para tanto, tem se buscado na educação, alguns subsídios decisivos para que este processo se consolide. Não é fácil definir arte e a sua notabilidade na criatividade vem sendo discutida ao longo de alguns anos, averiguando mudanças na forma de abordar esta área do conhecimento. Quando se pensa no estudo da arte durante o ensino fundamental, parece expressivo refletir sobre valores, emoções, sentimentos e significações levantadas por meio desta forma de expressão e considerar sobre suas contribuições ao futuro do aluno. 

Desse modo, implicado a esta premissa de produção humana, a arte tem sido cada vez mais estudada e analisada em diversos contextos educacionais. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino fundamental propõe que a abordagem do componente curricular Artes, articule seis dimensões do conhecimento (criação, critica ,estesia, expressão, fruição e reflexão) que, de forma indissociável e simultânea, caracterizam a singularidade da pratica artística. 

A criatividade por sua vez, aflora como uma necessidade de sobrevivência em uma realidade de variáveis tão rápidas quanto incisivas. Assim, a criatividade assume diante da sociedade contemporânea um novo conceito, deixando de ser vista como um luxo e incorporando-se como uma necessidade atual.  Assim, a problemática a ser discutida neste estudo é: De que forma a Arte Educação no ensino fundamental pode colaborar com o desenvolvimento da criatividade e sua importância no mundo atual?  

Descobrir o distintivo potencial criativo e explorá-lo é uma vivencia de notória importância, contribuindo não só para a vida profissional bem como para a própria existência. Entretanto, o exercício de descoberta e a utilização da criatividade, constituem-se numa tarefa que parece extremamente penosa para alguns educadores. Isto, porque talvez desconheçam as capacidades de exploração desta área do conhecimento. 

O objetivo principal desse estudo esta em analisar o papel da Arte na educação do ensino fundamental para o desenvolvimento criativo e sua importância para o momento atual. Se a Arte é uma necessidade humana, e se a criatividade estabelece-se como uma necessidade no amadurecimento, então arte e criatividade são fundamentais para o desenvolvimento do ser e suas aptidões para os desafio no século XXI.

Com os objetivos específicos: Apontar os principais conceitos de arte, descrever aspectos de seu ensino no Brasil e sua notoriedade no desenvolvimento humano; Refletir sobre a criatividade e sua importância no desenvolvimento da sociedade no século XXI;  Verificar a relação entre arte, educação e criatividade. 

A investigação sobre o papel da arte na educação do ensino fundamental contribui para o entendimento do homem em suas três dimensões: ética, estética e epistêmica. Dando ao ser humano um sentido mais pleno em sua existência, desenvolvendo seu potencial criativo e assim ampliando seu potencial para os desafios de uma nova era.

 arte

 A palavra arte deriva da palavra latina "ars" que quer dizer habilidade, técnica. Cria-se assim uma quase impossível significação para uma atividade que reúne uma produção tão vasta e diversificada. Desde as primeiras manifestações artísticas conhecidas a arte relaciona-se a visão pessoal e cultural de determinado povo, com enfoque em valores vigentes da época.

 Segundo os estudos de Tolstoi (1898) se descartamos o confuso conceito de beleza:

A arte é uma manifestação exterior, por meios de linhas, cores, gestos, sons ou palavras, de emoções vivenciadas pelo homem (Veron);...segundo a mais recente definição de (Sully), a arte é a produção de um objeto permanente ou ação passageira, que se presta não somente a proporcionar desfrute ativo ao seu produtor, mas a comunicar impressão  prazerosa a um certo numero de espectadores.... A imprecisão de todas essas definições resulta do fato de que todas elas, o objetivo da arte esta colocado no prazer que extraímos dela, e não no seu proposito na vida do homem e da humanidade.



Segundo Coli (1998), arte é a atividade ligada a manifestações de ordem estética, feita por artistas a partir de percepção, emoções e ideias, com objetivo de estimular esse interesse de consciência em um ou mais espectadores, e ressaltar que cada obra de arte possui um significado único e diferente.  

Torna-se muito difícil obter um consenso sobre uma definição de arte, e várias discursos foram e são constantemente criadas acompanhando as mudanças da sociedade e suas novas concepções acerca de homem e de mundo. Esse é outro elemento importante: a arte deve ser entendida como arte do seu tempo, ou seja, dentro de determinado contexto e fazendo parte de possibilidades e situações tornadas reais devido aos elementos que se integram em dado momento.

 A arte deve ser entendida de acordo com seu tempo, ou seja, dentro de um contexto e fazendo parte de possibilidades e situações relativas aos elementos que se integram em dado momento. Por exemplo, a descoberta da fixação de registros luminosos através da queima de sais de prata, chamada fotografia (escrita com a luz) causou uma verdadeira revolução no campo da arte, nos seus sentidos e arquétipos. Para exprimir o real em desenhos, esculturas e pinturas, deixando as pessoas posando horas a fio, se em instantes têm uma fotografia, retrato fiel da realidade. Dessa forma, podemos então dizer que o conceito de arte e seus sentidos se modificam ao longo do tempo. 

O fazer arte sempre envolve o novo, o inusitado, experimentações e possibilidades criativas. Por isso, ao mesmo tempo em que o campo da arte se auto referência interruptamente (um artista influenciando o outro), ele se atualiza a cada novo trabalho. Então, a arte não é só expressão, mas também pode ser expressiva. A arte está relacionada com conhecimentos específicos, singulares às diferentes linguagens artísticas. A música utiliza elementos sonoros para manifestar os diversos afetos da nossa alma através do som; as artes visuais empregam elementos visuais como cores, linhas e formas que representam o mundo real ou imaginário e que tem a visão como principal forma de avaliação e apreensão; o teatro utiliza o corpo e a interpretação e representação que desperta na plateia sentimentos variados; a dança, as pessoas realizam movimentos ritmados, seguindo uma cadência própria ou coreografada, originando harmonias corporais.

Independentemente da linguagem, a arte constitui uma possibilidade de significação aberta, praticamente sem limites. Devemos entender que toda arte contém suas fissuras e marcas históricas, pois pertence ao seu contexto. Entretanto, podemos lê-la fora do tempo. De um lado os artistas ou o artista, representando, agindo, pintando, de acordo com seus objetivos estéticos, sentidos e expressões, e do outro lado, quem observa ou assiste a obra, ouve a música, e encontra diferentes mensagens e sentidos que têm relação com sua história e suas experiências culturais.

ENSINO DA ARTE NO BRASIL

A Arte foi introduzida no currículo escolar em 1971 pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que regia todo sistema educacional brasileiro. Embora tenha sido reconhecida a atividade da Arte para formação do aluno na sustentação legal, na realidade a sua construção foi bem aquém do esperado. A educação do Brasil ainda estava submetida ao ensino tecnicista, com a LDB 5692/71, houve uma grande reviravolta do ensino nas escolas, o ensino do desenho, da musica, canto orfeônico, trabalho manuais, canto coral e artes aplicadas foram extinguidas e perderam  espaços das escolas, com a promulgação da lei essas disciplinas passaram a ser substituídas pela atividade Educação Artística. Sendo notório a expressão utilizada pela lei a disciplina substituída pela atividade, negando a condição de disciplina. Ainda assim, segundo Barbosa (1989), no currículo estabelecido em 1971, as artes eram aparentemente a única  matéria que poderia mostrar alguma abertura em relação às humanidades e ao trabalho criativo, porque mesmo filosofia e história haviam sido eliminadas do  currículo. 

A Lei Federal que tornou obrigatório a educação artística nas escolas, entretanto, não  pôde assimilar, como professores de arte, os artistas que tinham sido preparados, porque para lecionar a partir da 5ª série exigia-se o grau universitário que a maioria deles não tinha. Assim, o potencial de desenvolvimento de habilidades ligadas a sensibilidade e linguagem corporal se perdeu, com o desenvolvimento apenas com técnicas motoras. Para tentar cumprir a lei e capacitar os professores, o governo ofereceu o curso de Licenciatura em Educação Artística na universidade, porem se mostrou eficaz para preparar um professor de arte em apenas dois anos, que seja capaz de lecionar música, teatro, artes visuais, desenho, dança e desenho geométrico. Como resultado a educação artística é ministrada de forma pouco eficaz e a qualidade do ensino é empobrecida.

Na década de 1980, formam-se movimentos contra ditadura militar, e tais movimentos sociais contribuíram para que os educadores conscientizassem de suas ações políticas. Foi o inicio de uma nova visão pedagógica onde em sala de aula se pudesse trabalhar mais dentro de um contexto sociocultural, despertando no aluno habilidades que desenvolva seu lado crítico social e sua capacidade de interpretação de informações. Constatou Barbosa (1989):

No Brasil ainda não temos programas de mestrado e doutorado em Arte Educação. Na Universidade de São Paulo nós temos o único programa de mestrado e doutorado em Artes do País. Este programa é constituído por oito linhas de pesquisas. A partir de 1982, Arte-Educação foi aceita como uma destas linhas de pesquisa, e arte-educadores dos Estados Unidos e Inglaterra têm sido convidados para ministrar cursos de pós-graduação na linha de pesquisa de Arte Educação. A única oportunidade para um professor de arte no Brasil obter um diploma de mestrado ou doutorado em Arte-Educação é conseguir uma vaga no Programa de Artes da Criando Universidade de São Paulo que tem somente 13 vagas para Arte Educação.



 Em 1988, com a promulgação da Constituição, iniciam-se as discussões sobre a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Novas tendências curriculares em Arte, novo  marco curricular as reivindicações de identificar a área por Arte e não por Educação Artística. Estudar a história da arte não significa apenas estudar períodos, fatos, estilos. É necessário refletir sobre os problemas e soluções artísticos e estéticos nela envolvidos segundo Ferraz e Fussari (1993). 

Com a LDB 9394/96, revogam-se as disposições anteriores e arte é considerada obrigatória na educação: “O ensino da arte, ..., constituirá componente curricular obrigatório da educação infantil e do ensino fundamental, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.” (Brasil, 1996). 

O governo brasileiro através do Art. 9º, da LDB 9394/96 se compromete em  criar um Plano Nacional de Educação, para cumprir com a legalidade foi elaborado o Plano Decenal de Educação para Todos , este em concordância com a lei 1988, afirma: 



Nesse processo de construção de um currículo que abrigasse a heterogeneidade da escola, foram publicados os Parâmetros Curriculares  Nacionais - PCNs, que organizaram para cada disciplina, as habilidades, os objetivos e os conteúdos que deveriam ser abordados. 



No ano 1997 foram publicados os Parâmetros Curriculares Nacional de Arte pela Secretaria de Ensino Fundamental do Ministério da Educação. Este é um documento que contribui de maneira importante para o ensino da Arte. Não se trata de uma proposta metodológica, mas um conjunto de orientações para o trabalho pedagógico nas escolas públicas, visando tornar não só o aluno autônomo, mas também o professor. 

Em 2015 aconteceu o I Seminário Interinstitucional para elaboração da BNCC. Este Seminário foi um marco importante no processo de elaboração da base curricular, pois reuniu diversos assessores e especialistas para sua elaboração. A partir da homologação da BNCC em 2017 começou o processo de formação e capacitação dos professores e o apoio aos sistemas de educação estaduais e municipais para a elaboração e adequação dos currículos escolares. Neste, no Ensino Fundamental, o componente continua centrado nas linguagens das Artes Visuais, da Dança, da Música e do Teatro. Além dessas, uma última unidade temática, chamada de Artes integradas, foi incorporada à BNCC.

 Concluiu-se que os conteúdos de Artes ministrados na escola devem, possibilitar a sensibilidade, as dimensões cognitivas do aprender. Ensinar artes no ensino Fundamental necessita que o docente se organize para seguir as necessidades naturais do aluno, alinhado no contexto escolar visando atingir os objetivos escolares. Através das artes o individuo exterioriza suas emoções e sentimentos, representando-os de diversas maneiras: pintura, desenhos, dramatização, música e outras formas de expressão. O BNCC afirma:



No Ensino Fundamental, o componente curricular Arte está centrado nas seguintes linguagens: as Artes visuais, a Dança, a Música  e o Teatro. Essas linguagens articulam saberes referentes a produtos e fenômenos artísticos e envolvem as práticas de criar, ler, produzir, construir, exteriorizar e refletir sobre formas artísticas. A sensibilidade, a intuição, o pensamento, as emoções e as subjetividades se manifestam como formas de expressão no processo de aprendizagem em Arte. 



A inclusão e definição de dimensões para o conhecimento têm como um dos  objetivos facilitar a ação do professor no processo de ensino e aprendizagem.  A ênfase apresentada no fazer e no protagonismo dos alunos por meio do estímulo as experimentações e reflexões sobre as mesmas, consiste em um dos pontos mais significativos dessa etapa do documento (BNCC). 

As compreensões e interpretações de um documento curricular podem ser diversas; porém, artes integradas não deve ser confundida com a ideia de um professor de artes polivalente, aquele que teria como obrigação trabalhar superficialmente com todas as quatro linguagens. No contexto da BNCC visando o ensino fundamental, é uma unidade temática suplementar, que vem revelar as complexidades do campo.

 A ideia de integração pode se estender para o entendimento de um currículo integrado, que possibilite integrar a Arte aos demais componentes curriculares. Por exemplo, uma proposta curricular que se paute em questões contemporâneas que atravessem as disciplinas, que ativem diversos conhecimentos e mobilizem o interesse dos estudantes pela pesquisa. A pesquisa como modo de conhecer, de viver experiências e de as tornar significativas de forma individual e coletiva. A Arte pode ser vista como um campo de conhecimento integrado e por esta via se destacar no currículo escolar.


A ARTE EDUCACAO COMO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO

Vivemos em um mundo com muitas informações, onde é possível manter contato com outras culturas, conhecer os seus aspectos, além de sermos por elas influenciados, com a tecnologia altamente desenvolvida toda essa troca se torna ainda mais veloz. Não diferente das outras instituições sociais, a família e a escola passam por mudanças que definem sua estrutura, seu significado e seu papel na sociedade. Nessa visão, o importante seria proporcionar ao aluno uma aprendizagem como algo relevante que o capacite a contribuir significativamente em relação à melhoria da sociedade. Mas para que isso ocorra, é preciso estar atento às mudanças que estão ocorrendo em todos os níveis e de todas as formas no espaço escolar. Não basta ensinar o aluno a ler e escrever, é preciso prepará-lo de modo que ele possa interagir e modificar a sociedade em que vive.

Desta forma, de acordo com Ferraz e Fussari (1993) por meio da arte o professor do ensino fundamental pode trabalhar com a sensibilidade, a possibilidade de relação criativa com o mundo, estimulando a expressão e reforçando o Eu de cada indivíduo, ampliando a consciência de suas potencialidades, a consciência do meio e a das possibilidades de atuar sobre ele. 

A arte tem como propósito proporcionar aos estudantes ferramentas para uma compreensão crítica do papel que cumprem em cada sociedade e a posição que ocupam no jogo das relações de poder. Seu principal objetivo para os alunos é criar os fundamentos para compreender e criticar as vidas sociais e culturais em que estão inseridos e produzem suas relações de significados. Vale ressaltar que neste sentido, o homem também tende a estimular o pensamento divergente, procurando sempre vários caminhos para solucionar problemas e adquire a possibilidade de se expressar em mais de uma linguagem. 

Todo humano é artista, está sempre criando novas maneiras para expressar o mundo e trilhar novas possibilidades. Para esse artista a solução nem sempre obvia satisfaz. Ele vai usar sua capacidade natural de explorar e ser divergente. Ele está sempre pronto e atento às possibilidades de melhoria, renovando-se a todo momento. É sua forma de participar do movimento do universo, movendo-se ele próprio e, muitas vezes, contribuindo para o movimento.  Assim, pode-se entender que a arte é a forma ideal para aquisição de conhecimento emocional e cultural de todo ser humano. A arte, na educação pretende valorizar as formas de ser inatas ao homem.

Arte também é uma forma de linguagem e, como tal, tem uma simbologia própria. Esta linguagem e seus símbolos, transmitem significados sobre o mundo. São essas expressões materiais, intelectuais e emocionais que caracterizam um grupo social. Ao entender e decodificar esta linguagem pode-se compreender  o complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade.

De acordo com Amaral (1997), trabalhar com artes na escola não significa apenas  desenvolver atividades que liberam as emoções, mas também enfocar a arte como construção do conhecimento, propiciando ao aluno os meios para a realização de experiências do fazer artístico, na apreciação da obra de arte e na reflexão sobre o seu produto. Para que atinja o que se espera desta disciplina ela necessita desenvolver meios de despertar nos educandos os instrumentos necessários para entender e explorar o crescente volume de informações disponíveis, transmutando em conhecimento significativo para a vida.



















criatividade

Assim com a Arte a Criatividade é um conceito que foi evoluindo com o tempo e pode ser vista de diversas maneiras. A palavra criatividade vem do latim creatus, que significa criar, do verbo infinitivo creare. E, de acordo com o dicionário Houaiss, criatividade pode ser definida como "a qualidade ou característica de quem [...] é criativo; inventividade; inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar". O dicionário Aurélio define criatividade como "capacidade criadora, engenho, inventividade; capacidade que tem um falante nativo de criar e compreender um número ilimitado de sentenças em sua língua."

Diversos pesquisadores vêm analisando e propondo conceituações diferentes para o  termo criatividade ao longo dos tempos. Contudo, não existe uma definição consensual. Alencar (1996) define criatividade como um fenômeno complexo e multifacetado que  envolve uma interação dinâmica entre elementos relativos à pessoa, como características de personalidade e habilidades de pensamento, e ao ambiente, como o clima psicológico, os valores e normas da cultura e as oportunidades para expressão de novas ideias. A autora defende que são os processos de aprendizado relativos à imaginação, invenção e intuição que a caracterizam, mas que se deve considerar a compatibilidade destes elementos com características pessoais de personalidade e habilidade de pensar.

Já Barbosa (2000), traz um conceito mais modernista de criatividade,  que preconiza a originalidade e a fluência, dando ênfase mais ao objeto que ao sujeito: o significado do ato criativo estaria na relação sujeito/objeto, pela relação entre quem olha e aquilo que é visto. Emerge da criatividade a questão das experiências anteriores e oportunidades que  possibilitam as pessoas de expressar seu potencial criativo, frente ao que é considerado  desconhecido, criativo e original. Entretanto, o que é conhecido para uns, muitas vezes, não o é para outro. 

Para Gil da Costa (2000) a criatividade é uma revolução mental, uma nova forma de  conhecer e pensar, que põe a ênfase, não na reprodução do sabido, mas na construção de novos conhecimentos e na dimensão inventiva da mente humana que é aproveitada de uma forma limitada. A criatividade não se ensina nem se aprende nos livros, pois ela é fruto da prática diária e da reflexão sobre todas as formas de expressão, unidas a uma imaginação transformadora e transgressora, que converte o ser humano num crítico, transformador do seu contexto.  Gil da Costa (2000), que analisou diversos autores, concluiu que na síntese desta revisão bibliográfica, a maioria adota as quatro grandes dimensões: pessoa, processo, ambiente e produto.

O estudo de Alencar (1996) afirma que o clima  psicológico predominante é um fator de fundamental importância para a promoção da criatividade e a geração de propostas inovadoras. Existem fatores favoráveis à expressão da criatividade: a motivação para a produção de ideias; a  tolerância ao fracasso e o encorajamento da experimentação e o risco; não impedir e até facilitar a realização de um segundo trabalho; a criação de espaço (lugar e oportunidade).

No ato de criação estão presentes habilidades cognitivas, formas de perceber e de organizar o conhecimento somado a habilidade, motivação e o valor. Sob o ponto de vista humano, a criatividade é a produção de arranjos mentais ou corporais novos, inéditos, a partir dos já existentes. Os produtos da criatividade contêm valor científico, técnico, artístico, literário por apresentarem uma ruptura com as convenções na medida em que propõem combinações novas de informações existentes ou o domínio de uma situação nova.

Diante de um problema em que não se encontra de imediato uma solução  apropriada, a resolução de problemas é a elaboração cognitiva dirigida a encontrar uma resposta. Resolver problemas é um processo cognitivo e ocorre na mente do indivíduo. A criatividade envolve uma gama de processos que buscam o enriquecimento de conceitos e ideias a fim de alcançar resultados inéditos.

EDUCACAO, ARTE E CRIATIVIDADE 

A criatividade é capaz de transformar a relação do sujeito com o seu conhecimento, despertando a capacidade de criar dentro dele, estimula a construção de aprendizados através do pensar, apreciar e fazer. O Ato de criar pronuncia a significação que alguém tem do mundo, de uma ideia ou situação. As atitudes e as ações criativas correspondem a meios para a compreensão e alteração da realidade. O indivíduo necessariamente usa o seu entendimento da dimensão real para criar algo novo para Heating (2005). 

Com o estimulo e colaboração do ensino da arte do ambiente escolar, o aluno desenvolve durante o ensino fundamental como assumir uma postura ativa diante das situações, criando atitudes para modificar situações e desenvolvendo um plano de ação perante dificuldades, construindo novos conhecimentos. A capacidade de criar é indispensável para a formação de adultos com senso críticos e que tenham a discernimento para modificar e adaptar questões da vida.  Assim, se o homem não fosse capaz de inventar e inovar, nunca as tecnologias seriam desenvolvidas, ou novos tratamentos para as doenças seriam descobertos, ou novas visões de vida seriam desenvolvidos, enfim, a vida da sociedade seria uma constante sem lugar para evoluções. 

A Arte contribui de forma efetiva para a compreensão sobre como o homem tem necessidade de se organizar em sociedade. Porém a organização em sociedade somente é harmônica a partir do momento em que os homens reconhecem a pluralidade de ideias que os permeiam e também aprendem a respeitar as ideias divergentes. Conforme enfatizado por Freire (1996): 

Mulheres e homens somos os únicos seres que social e  historicamente, nos tornamos capazes de apreender. Por isso somos os únicos em quem aprender é uma aventura criadora, algo por isso mesmo muito mais rico que meramente repetir a lição dada. Aprender  para nós é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito. 



Diante da importância da criatividade para o aluno em toda sua vida, o ensino de artes no ensino fundamental ganha destaque, colabora para que os alunos com liberdade criem, recriem e se encantem busquem respostas para suas criações. Este estímulo imaginativo, de acordo com as concepções de Haentiger (2005) é essencial para o desenvolvimento dos alunos desde pequenos e as competências consolidadas irão acompanhá-los por toda a vida. Como destaca o BNCC sobre as competências do aluno:

Ao longo do Ensino Fundamental, os alunos devem expandir seu  repertório e ampliar sua autonomia nas práticas artísticas, por meio da reflexão sensível, imaginativa e crítica sobre os conteúdos artísticos e seus elementos constitutivos e também sobre as experiências de pesquisa, invenção e criação.



Freire (1996) descreve como acredita que deva ser a relação pedagógica e a maneira pela qual a aprendizagem acontece. Ele acredita que aprender vem antes do ensinar, que ensinar não existe sem o aprender e que o ser humano vai socialmente assimilando com suas vivencias. A aprendizagem acontece quando o ser humano internaliza o fato ou a informação e a transforma em conhecimento. a arte da a chance que as crianças libertarem sua criatividade, utilizando-se de cores, formas, imagens que expandem sua cognição pelo processo de criação. Com a ajuda e incentivo durante o ensino fundamental a criança tem a possibilidade de se envolver com a arte, despertar sua curiosidade, assim adquirir um olhar artístico que amplie sua concepção do mundo que a rodeia.

 Arte, criatividade e as competencias do seculo xxi

O contexto educacional sempre esta se modificando como os conceitos de artes e criatividade, se transforma à medida em que o mundo se altera. O papel da escola se amplia para além do conhecimento e das aptidões cognitivas dentro das novas demandas. As relações e o mundo estão cada vez mais interdependentes e interconectados, torna-se necessário a existência de uma pedagogia transformadora, cooperando para promover uma transformação social de maneira inovadora. Uma educação que contemple a construção de valores, desenvolvimento de atitudes e comportamentos almejados para a realidade contemporânea.  Na busca por um mundo mais justo, inclusivo, pacífico, sustentável e flexível, são criadas discursões para uma educação adequada para os alunos do século XXI.

Publicado em 2013 o livro digital “Educação para a Vida e para o Trabalho: Desenvolvendo Transferência de Conhecimento e Habilidades do Século 21“, encomendado por um grupo de fundações para ajudar governos a desenharem políticas públicas, um comitê formado por educadores, psicólogos e economistas fez pesquisas, durante um ano, sobre o que se espera que os estudantes alcancem nos seus ciclos escolares, nos seus futuros trabalhos e em outros aspectos da vida.

O estudo dividiu as competências em três grandes domínios. O primeiro deles é o cognitivo, que é aquele que envolve o processo de aprendizagem, suas estratégias, criatividade, memória, pensamento crítico; é o que está relacionado à aprendizagem mais tradicional. Os outros dois domínios, muito menos estudados, são o intrapessoal e o interpessoal. O intrapessoal tem relação com a aptidão de lidar com emoções e moldar comportamentos para atingir objetivos. Já o interpessoal envolve a habilidade de expressar ideias, interpretar e responder as   outras pessoas.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foi criada após a Segunda Guerra Mundial com objetivo era garantir a paz por meio da cooperação e colaboração intelectual entre as nações, ao auxiliar os Estados-Membros e acompanhar o desenvolvimento mundial. Além dos conhecimentos cognitivos e habilidades, a UNESCO busca que que a educação contribua para a resolução de conflitos e desafios globais existentes e futuros. Nesse contexto, a proposta Educação para a Cidadania Global (ECG) representa uma mudança no propósito e no papel da educação, representa uma mudança conceitual, pois reconhece a relevância da educação para a compreensão e a resolução de questões globais em suas dimensões sociais, políticas, culturais, econômicas e ambientais.

Segundo a Unesco, mais do que nunca, a educação artística está sendo reconhecida como uma parte essencial de uma educação abrangente. A educação artística ajuda no avanço dos resultados da aprendizagem e no desenvolvimento de novas habilidades dos estudantes. Também traz benefícios profundos e de longo prazo para os estudantes. Ajuda a alcançar as diversas necessidades de aprendizagem das crianças, abre caminho para a aprendizagem ao longo da vida e promove a diversidade cultural, que inclui resultados avançados da aprendizagem e a aquisição de novas habilidades, musica, teatro, dança, artes visuais e educação em outras disciplinas artísticas criam resiliência, autoconfiança e bem-estar, além de estimularem a curiosidade, a inspiração, a criatividade e o respeito pela diversidade. 

Conclusão

Vivemos em um mundo onde vigora as mudanças que ocorrem com as transformações tecnológicas, neste contexto vemos a educação se expandir de um modo significativo, esta que transforma e gera mudanças tem sido debates em muitas discussões. É fundamental entender que a educação deve acontecer de um modo amplo e sem restrições abrangendo toda a sociedade. Criar

No Fórum Econômico Mundial em Davos (2020), se enfatizou a mesma pergunta: “Como vamos preparar nossa força de trabalho?”. A resposta de muitas organizações foi começar a colocar em prática iniciativas para ajudar a ensinar novas habilidades para a era digital. Obter essas habilidades não é apenas uma questão de ensinar como usar um novo dispositivo, que pode estar obsoleta no próximo ano. A experiência de qualificação requer a consciência de aprender a pensar, agir e sentir em um mundo online. Trata-se mais de ter uma configuração de mente digital, observando sua expansão e deixando de lado a linearidade com a qual fomos ensinados no passado. É o eterno aprender a desaprender, mentalidade do desenvolvimento continuo.

Sabe-se também que os seres humanos necessitam interagir e conviver com outras pessoas, esta convivência deve ser harmoniosa para tanto, se faz necessário nos apropriarmos de conhecimento para que possamos nos construir como sujeitos conscientes e tal processo só se realizará por meio de uma educação com qualidade, assim, cabe ao educador do ensino fundamental enquanto transmissores do saber, de estar preparados para levar este conhecimento partindo de metodologias diversificadas e estratégias adequadas.

Ao educador de arte no ensino fundamental cabe considerar os atributos pessoais do aluno, pois estes são cruciais para a expressão da criatividade, podendo ser instigadores da manifestação criativa ou impeditivos. Confiança no próprio potencial, disposição ao risco, independência no pensar e agir, persistência, empatia,  são atributos pessoais importantes.  Já que arte e criatividade implica em inovar, superar, tentar algo ainda não experimentado com resultados imprevistos. A aulas de arte educação no ensino fundamental devem colaborar com a iniciativa e a autoconfiança, bem como o raciocínio crítico e analítico que caracterizam do pensamento divergente, competências fundamentais do século XXI. 

Referências

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