O NASCIMENTO DO SAMBA NA BELLE ÉPOQUE TROPICAL E O AFRO-SAMBA DE BADEN POWELL

CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA

Gastronomia

O NASCIMENTO DO SAMBA NA BELLE ÉPOQUE TROPICAL E O AFRO-SAMBA DE BADEN POWELL

Gabriella da Cruz Souza

Ingrid Louise bicudo Cruz

NATHALIA MACHADO MOUTINHO

RAMON ISIDORIO DA SILVA

Rayane Juliana dos Santos Teles

Resumo

O presente trabalho pretende abordar a gastronomia como um processo de expressão cultural, marcada como fator que ao mesmo tempo influencia e é influenciado por outras formas de expressão cultural, sobretudo a música, mais precisamente o samba, e a religião. Identifica-se como os fatos históricos e a arte influenciaram a dinâmica do samba, bem como seus aspectos politicoeconômicos e sociocultais. Baden Powell e Tia Ciata se destacam como figuras importantes no contexto nacional, tendo a gastronomia, religião e música como um ponto de convergência. No campo teórico são descritos os conceitos da Belle Époque francesa e brasileira, refletindo-se sobre a riqueza cultural de tal período histórico. Quanto aos procedimentos metodológicos, utilizou-se de pesquisa documental, bibliográfica e entrevista. Assim propõe-se a criação da Boulangerie Moinho, que surge como uma homenagem à integração cultural única e característica do Rio de Janeiro, inspirando-se na panificação francesa e no samba carioca.

Palavras-chave: Gastronomia, Belle Époque, Rio de Janeiro, Baden Powell, Samba, Tia Ciata

Abstract

This study aims to address gastronomy as a cultural expression process, which can be said as a factor that influences as much as is influenced by other cultural expression forms, such as music, mainly samba, and religion. It is possible to identify the way historical facts and art have impacted on the dynamics of samba, and its political, economical, social and cultural aspects. Baden Powell and Tia Ciata stand out as important characters within the Brazilian background, once both have gastronomy, religion and music as common ground. On the theoretical approach the concepts of French and Brazilian Belle Epoque are described, providing consideration upon how culturally rich this track record was. Regarding methodological procedures, documental analysis, associated with interview were used. It is proposed the establishment of Boulangerie Moinho, arising as tribute to the unique Rio de Janeiro’s melting pot characteristic, being inspired by French bakery and samba.

Palavras-chave: Gastronomy, Belle Époque, Rio de Janeiro, Baden Powell, Samba, Tia Ciata

Introdução

Os Cem Anos de Samba, em 2016, foi uma data muito importante para a história brasileira, musicistas, apreciadores e, também, para as pessoas que ajudaram a escrever a história de um dos gêneros musicais de maior importância para o Brasil, principalmente para o Rio de Janeiro.

Música, alimentação e religião sempre estiveram e sempre estarão em sintonia por conta do nascimento de uma ser confundido com o nascimento da outra. Alimentar-se é uma forma de socialização do homem, assim como festas com músicas e celebrações religiosas. 

Para a realização desta pesquisa, além do tema proposto, foram escolhidas duas personalidades de grande importância para o samba – Baden Powell e Tia Ciata – e um elemento primitivo do samba – o maxixe.

Esta pesquisa tem como objetivo apresentar interpretações gastronômicas a partir dos estudos acadêmicos sobre música, religião, cultura africana e cultura francesa. 

Foram recolhidos dados de livros, artigos, sites, documentários e entrevistas.

Belle Époque

Belle Èpoque Francesa 

A Belle Èpoque Francesa (Bela Época) foi a era das inovações e avanços tecnológicos como o telefone, o telegrafo sem fio, o cinema, o automóvel e o avião, dos avanços culturais (foi quando o movimento artístico Art Nouveau se tornou forte), sociais e políticos e algumas descobertas cientificas. É um período marcado pelo culto ao poder. Estimasse que sua duração fosse entre o final do Século XIX até o inicio da Primeira Guerra Mundial, em 1914, porém é difícil se abster a um determinado período ou data já que o movimento está ligado a um estado de espírito dos Franceses. 

A Belle Èpoque foi um período de cultura cosmopolita, ou seja, ocorria um intercâmbio de cultura entre a França e os demais países da Europa, e o centro distribuidor e consumidor de tal movimento foi Paris, este também foi o período em que a cidade ganhou o titulo de Cidade Luz por conta dos avanços tecnológicos com a chegada da eletricidade e troca das típicas lâmpadas a gás por as conduzidas à eletricidade. Considerada época de ouro, beleza e inovação. Os franceses viviam em um estado de espírito marcado pela euforia do progresso, um período de otimismo onde a população passou a ter fé em um futuro próspero.

Pode-se dizer que a Belle Èpoque foi um período único na história, nunca tanta gente de diferentes nacionalidades vestiram-se, comeram, beberam e conversaram sobre música, teatro, políticas e amenidades da sociedade. Cultuava-se o poder, o dinheiro, a beleza, a inteligência e o status ou anseio de ascensão social de uma família. Ascensão que foi sendo garantida pelos comerciantes, futuros burgueses, aos poucos graças a Revolução Industrial.

Aspectos Políticos, Econômicos e Tecnológicos  

A França possuía países inteiros como colônia que lhes produzia matéria-prima a baixos custos e de alta qualidade, permitindo assim que o governo Francês tivesse um elevado acúmulo de capital.

Com a invenção da máquina a vapor e combustão e a descoberta do aço como matéria-prima, facilitou a produção de bens de material numa velocidade nunca vista antes, com isso tornou-se necessário a busca por novos mercados consumidores. As colônias que sustentavam as extravagâncias dessa época, elas produziam matéria-prima de alta qualidade a baixos custos e por vezes serviam de depósito da sua produção excedente, ou como mercado consumidor, como acontecia no Brasil que vendia o cacau a preços baixíssimos e comprava de volta o chocolate a preços altíssimos.

A Revolução Industrial se deu os avanços nas fábricas com as descoberta do aço e a criação da máquina a vapor e combustão. Os salários nas fábricas aumentaram e com isso ocorreu um grande êxodo rural, inchando as cidades de camponeses em busca de trabalho e com isso agravando os problemas públicos já existentes na cidade.

O êxodo fez com que tivesse mais mão de obra disponível, porém não era qualificada, com isso a educação estava se tornando cada vez mais necessária. Todos deviam estudar pelo menos até os 12 anos de idade.

Já nas cidades os trabalhadores começam a perceber que as condições de trabalho são desumanas e começam a se rebelar exigindo mudanças, a partir desta indignação os trabalhadores começam a se sindicalizar e criam sindicatos para tentar garantir seus direitos. Com isso eles conseguem redução da jornada de trabalho, e com isso tem mais tempo de lazer como beneficio, o que contemplou todas as classes sociais, e juntamente com as melhorias nos transportes públicos e particulares (automóveis e a construção de trens) e a iluminação a gás sendo substituída pela iluminação elétrica tudo isso possibilitou o surgimento da cultura do divertimento.

Cultura do divertimento na Belle Èpoque 

Com os avanços tecnológicos na comunicação e também na eletricidade, juntamente com o crescimento urbano e a diminuição das horas de trabalho, surge a cultura do divertimento. É quando surgem os cabarés, o Cancan, casas de concertos, cinema, teatro, livrarias e cafés ambiente frequentado por intelectuais e pessoas de todas as classes sociais, já que os ingressos para cinema e teatro eram baratos, acessível a todos. As ruas parisienses se tornam um ambiente boêmio onde artistas, músicos e escritores buscam inspiração para construir suas obras e entreter as pessoas.

É neste momento que os comerciantes, agora conhecidos como burgueses, ostentam seu poder aquisitivo em restaurantes caros, usando roupas de grifes caras, consumindo tudo do mais alto padrão, o que até então só era digno à corte. Já o proletariado gastava seu tempo livre com álcool, prostitutas e esportes.

Arte, Arquitetura e Gastronomia 

A arquitetura da cidade na Belle Èpoque é transformada a partir da demanda de novos espaços como estações ferroviárias, pontes, locais de entretenimento, pavilhões de arte, túneis, museus, bibliotecas, auditórios e entradas de metrô. Tudo feito a partir de estruturas metálicas para demonstrar seus avanços tecnológicos.

A demonstração de tecnologia não foi bem vista por todos, sendo taxada como falta de originalidade e que todo esse ferro estava poluindo a visão de Paris. A necessidade de ostentar o poder e de fazer algo mais artístico e original deu poder a Art Nouveau.

 Art Nouveau (Arte Nova), que apesar de ter nascido na Bélgica ganhou grande visibilidade internacional na França através das Exposições Universais de Paris 1889 e 1900, marcou as mudanças estéticas nas artes. Deixa-se para trás as linhas do Renascimento, período de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, dando lugar ao novo estilo da Art Nouveau. O movimento tinha um discurso de originalidade, qualidade e volta ao artesanato, era valorizado curvas assimétricas, formas botânicas, angulares. O estilo foi muito utilizado na arquitetura de Paris em suas estações de metrô e prédios e se tornou o estilo internacional de arquitetura e artes decorativas. Nesta mesma época de mudanças visuais foi erguida a Torre Eiffel como entrada da Feira Mundial de Paris, em 1889. A Art Nouveau foi muito utilizada e aclamada na Europa, mas seu estilo foi usado globalmente influenciando a arquitetura de países que não pertencem ao bloco europeu como o Brasil.

A arquitetura das ruas parisienses estava mudada e cada vez mais surgiam restaurantes, bares e cafés de alto requinte e padrão. Foi quando as pessoas começaram a comer bem e apreciar o que lhes era servido, ao invés de apreciar a beleza do prato e deixar de lado o sabor, toda reunião seja ela para tratar de negócios ou por simples lazer era servido uma vasta variedade de comida de ótima qualidade. Os cozinheiros que alimentaram esse novo estilo de desfrutar a vida através da comida foram Auguste Escoffier, Prosper Montagné e Èdouard Nignon. Os três viajaram pela Europa disseminando a cultura de comer bem que invadiu a França por cada lugar que trabalhavam. O mais famoso dos três foi Auguste Escoffier (1846-1935) que trabalhou no restaurante de seu tio, em Nice, até que aos 34 anos foi descoberto pelo hoteleiro Cesar Ritz, para quem trabalhou por muito tempo. Escoffier esteve diante de um fogão por 74 anos e escreveu Le Guide Culinaire, livro de ouro da Belle Èpoque, de aproximadamente 950 páginas e cerca cinco mil receitas, que sintetizou e simplificou a cozinha francesa o que garantiu o seu sucesso internacional.

Moda  

As duas maiores lojas de departamentos de Paris surgiram no séc XIX, a Le Bon Marchér e Printemps, ainda hoje são grandes lojas de departamento. Essas lojas foram os novos palácios de compras que revolucionaram o sistema de comercial e da indústria da moda.

A Belle Èpoque foi marcada por grandes bailes, jantares em casas de campo e extravagantes festa, a capital Paris era o centro do luxo, e a moda refletia toda essa extravagância, afinal a moda é um reflexo do momento vivido pela sociedade.

Os espartilhos eram os responsáveis pela silhueta que marcou a época. A função desse torturante acessório era comprimir a cintura deixando o corpo rígido na frente, levantando o busto e jogando os quadris para trás, muitas mulheres passavam por uma cirurgia de retirada de partes da costela para alcançar os padrões de beleza da época. O diâmetro da cintura feminina podia chegar a 40 centímetros, de perfil o corpo se assemelhava a um “S”. O corpo feminino passou a ser muito valorizado.

Durante esse período o corpo feminino passou a ser coberto por cada vez mais tecido, mas só durante o dia. Tudo era escondido da orelha aos pés. Usavam-se luvas para cobrir as mãos, golas altas para cobrir o pescoço e botas para cobrir as canelas. Os cabelos deviam ser presos no topo da cabeça e utilizavam chapéus com enfeites de plumas. Sombrinhas, bolsas delicadas e leques eram acessórios freqüentes na vestimenta. As saias tinham um formato de sino que deslizava pelos quadris e se abriam na direção do chão. Tudo continha um romantismo exagerado e fluidez, contavam com detalhes como plissados, bordados e renda.

Já nos grandes eventos à noite, os decotes extravagantes surgiam acompanhados dos luxuosos vestidos de baile com luvas compridas que podiam cobrir os braços. Os cabelos continuavam presos só que agora adornados de pequenas jóias.

Gradualmente as mulheres começaram a conquistar seu espaço de direito na sociedade, as mais destemidas já trabalhavam fora e dirigiam, essa mudança permitiu a entrada de uma nova peça na vestimenta feminina, o “Paletó” feminino mais conhecido como Tailleur. Que no início era usado com uma saia longa e rodada.

Os homens eram mais simples, porém com requinte de sofisticação. As vestimentas masculinas para ocasiões formais eram compostas de sobrecasaca, terno e cartola. Informalmente os chapéus de palha eram populares, calças estreitas e curtas. Colarinho de linho branco, engomado e gola alta. Os jovens usavam calças com bainhas viradas. Barbas e bigode sempre impecáveis.

Publicidade 

A cultura do divertimento estava movimentando os meios de entretenimento e com isso a procura de artistas, dançarinas e cantores aumentaram assim os cartazes publicitários se popularizaram. Esse meio de comunicação também servia para anunciar shows nas casas de Cancan, filmes que estava em exibição nos cinemas, novidades da moda e saúde entre inúmeras coisas.

Os cartazes eram usados também para promover os progressos tecnológicos da época. O que reforçava o espírito de fé e anseio no que ainda estava por vir.

Surge a Cidade Luz 

Foi um período de graça e requinte proporcionado pelo progresso industrial, comercial, social, cultural e pelo culto aos prazeres mundanos. Com o progresso industrial houve uma grande migração de pessoas para a cidade e com isso agravando os problemas públicos de saneamento básico, locomoção e aumentou o número de epidemias.

O homem que foi o responsável pelas reformas na cidade Paris foi Haussmann (1809-1891), nomeado prefeito do departamento do Sena por Napoleão III, em 1853. Ele tornou-se um dos maiores nomes no modernismo urbano no mundo.

O sobrinho do Imperador, Charles-Louis Napoleão Bonaparte, desembarca em Paris em 1848, com o desejo de finalmente realizar umas das ambições de seu antepassado, Napoleão I, que devido às guerras e campanhas militares custosas não conseguiu transforma a metrópole francesa em uma nova Roma. Com um mapa em mãos e desejo de mudanças, por motivos políticos e sanitários, Napoleão III da carta branca a Haussmann começar a demolir tudo e reconstruir a nova Paris que o mundo admira até hoje. A Paris de Haussmann.

Para o prefeito Haussmann a reforma da metrópole francesa tinha um caráter político, ou seja, ruas largas para facilitar as manobras militares. O prefeito no comando de brigadas de operários treinados em demolição e com coragem para mudanças bruscas Ele começou a reforma com um plano de urbanismo totalmente racionalista e considerando apenas a técnica (arquitetura da Art Nouveau) e desconsiderando o aspecto histórico. Assim começa a extinção dos bairros degradados aonde quase não se chegava à luz do sol por conta dos cortiços apertados um do lado dos outros, não existia saneamento básico (o esgoto era a céu aberto) e muito menos iluminação adequada, as ruas eram estreitas o que facilitava os levantes revolucionários.

O foco principal é a melhoria da circulação com acesso rápido a toda cidade, então o prefeito reconstrói as ruas largas, arborizadas e geometricamente pensadas e com um novo sistema de iluminação elétrica e um sistema de esgoto que na época foi considerado o melhor do mundo. A partir dessas modernas mudanças surgem mais escolas, quartéis, prisões, hospitais e parques públicos (Bois de Boulonne e de Vencenes, além dos parques Monceau e Montsouris) que se tornaram ponto de lazer da massa, das cento e vinte mil habitações destruídas Haussmann construiu trezentos e vinte mil moradias modernas, cuja altura padrão não passava de seis andares todas iguais e simétricas. Os trens que vinham do interior agora desembarcavam dentro da cidade (Gare Lyon, Gare du Nord, erguidas entre 1855 e 1865). O toque final da nova Paris foi a construção da nova Opera por Charles Ganier, que inaugurou em 1875.

Os objetivos dessa mudança foram alcançados e só aumentou o estado de espírito de entusiasmo no futuro e prosperidade que havia contagiado os franceses e que começava a contagiar outros países como o Brasil, afinal a Europa, principalmente a França, não iriam ficar trancafiadas em suas próprias mudanças sem que houvesse um compartilhamento de ideias.

Belle Èpoque no Brasil 

A Belle Èpoque brasileira teve início em 1889, com a Proclamação da República, e se estende até 1922, quando é realizado a Semana da Arte Moderna em São Paulo. As capitais brasileiras que foram influenciadas por esse espírito, que foi a Belle Èpoque, foram Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus e Belém. 

Os aristocratas, intelectuais e a burguesia observavam de perto tudo o que acontecia na Europa, mas precisamente Paris. Por esse fato as relações Brasil e França se estreitaram. Essas pessoas viajavam pelo menos uma vez ao ano a Paris para se manter a par das inovações, moda e costumes dos parisienses.

A Belle Èpoque Tropical, como também ficou conhecida o movimento no Brasil, foi marcado por um forte senso moralista e repressor sexual, mudança políticas, culturais e artísticas.

Belle Èpoque Carioca 

O Rio de Janeiro, capital do Brasil, era a cidade mais desenvolvida do país e exemplo a ser seguido pelas demais. A capital crescia rapidamente, porém sem planejamento e nem estrutura, e todo esse crescimento desenfreado tinha conseqüências e a parte da população mais afetada era a pobre.

Para compreender o que de fato foi a Belle Èpoque Carioca e todas as mudanças ocorridas na capital Rio de Janeiro, é necessário voltar na historia e entender o contexto social, político e econômico da época.

O Positivismo e as Influencias Europeias

A cidade do Rio de Janeiro da época era uma cidade que recebia muitas influencias europeias devido à grande movimentação de pessoas em seu porto levando e deixando impressões da cidade. Algumas dessas impressões não eram as melhores possíveis:
 

“[…] poderia ser comparada às classes perigosas ou potencialmente perigosas
de que se falava na primeira metade do século XIX. Eram ladrões,
prostitutas, malandros, desertores do Exército, da Marinha e dos navios
estrangeiros, ciganos, ambulantes, trapeiros, criados, serventes de repartições
públicas, ratoeiros, recebedores de bondes, engraxates, carroceiros, floristas,
bicheiros, jogadores, receptores, pivetes (a palavra já existia)”
.

Essas influências chegavam ao Brasil através da Elite Brasileira, que eram divididas em duas frentes:

• A nova elite de fazendeiros Paulista que visavam lucrar com a nova republica;

• E um grupo urbano de homens movidos pela paixão de um novo Brasil, por um país oposto à realidade agrária que tanto satisfazia os fazendeiros paulistas.

“Está concepção de um novo Brasil, embora variasse segundo seus proponentes,apresentava um denominador comum: a reformulação do país conforme os modelos políticos apresentados pelos republicanos norte-americanos e franceses.” 

O Positivismo é uma corrente filosófica que surgiu no inicio do século XIX na França e seus principais idealizadores foram Auguste Comte e John Stuart Mil. O movimento ganhou força por toda a Europa e influenciou muitos países como, por exemplo, o Brasil. O conceito é distinto podendo englobar tanto perspectivas filosóficas como cientificas.

No Brasil o Positivismo chegou por volta de 1850, trazido por estudantes brasileiros que foram a França completar seus estudos, alguns dos mesmos foram alunos do próprio Comte. Essa corrente no Brasil defendia o fim da escravidão, do Império Feudal e a criação de reformas sociais para a classe mais pobre.

São notáveis as influências do Positivismo entre o fim do Império, a Abolição da Escravatura e a Proclamação da Republica, seus seguidores como o Coronel Benjamim Constant foram grandes destaques nessa luta.

Os positivistas continuaram disseminando sua ideologia através de escola técnicas e foi quando acontece a separação da Igreja e o Estado e as escolas deixam de ensinar religião e começam a ensinar matemática, sociologia, história, ciências e passam a formar profissionais para trabalhar nas fábricas. Em 1864 é inaugurado o principal instituto de difusão positivista, as escolas politécnicas. Tudo isso se deu graças a Benjamim Constant que implementou a reforma do ensino médio, os estudos agora era baseados em ideias científicas. Em 1890, Constant, Ministro da Instrução Pública, com suas idéias positivistas, promoveu mudanças mais fundamentais como aula de ginásticas, instruções militares, as escolas tinham seu próprio pelotão militar caso precisassem defender o país. O positivista também foi responsável pela expansão do ensino superior, os alunos se formavam no ensino secundário e já ingressavam na faculdade para continuar seus estudos.

Com isso o objetivo dessas escolas era formar uma elite técnica de engenheiros e bacharéis em Direito que pudesse administrar o estado em formação com a pretensão de seguir um modelo europeu de civilização.

Aspectos Políticos, Econômicos. 

O Rio de Janeiro do final do Século XIX passava por um momento de transformações extremamente importantes de cunho econômico, social e cultural, que foi marcado pela Primeira e Maior Reforma Urbana sofrida pela cidade, realizada pelo então prefeito Pereira Passos.

Durante o decorrer do Século XIX a capital viu crescer a sua atividade comercial e portuária, devido à abertura dos portos em 1808, consolidando-se como pólo econômico. Entretanto, a base de sua economia mantinha-se movida pela mão de obra escrava e a cidade preservava as características físicas e culturais do período colonial.

A expansão do capitalismo, na metade do século XIX, exigia uma modernização das economias periféricas, que necessitava da ampliação do mercado internacional e de novas fontes de matérias-primas. A burguesia brasileira ansiosa para ingressar no capitalismo internacional, passou a exigir dos à dissolução das relações escravistas e a modernização da economia, que acarretava uma série de mudanças no país e foi quando em 1889 foi declarada a Proclamação da República e paralelo inicia-se a Belle Èpoque no Rio que influenciou todos os outros estados do Brasil.

A Reforma, a Revolta e o Surgimento da Cidade Maravilhosa. 

O Rio de janeiro necessitava mudar para que pudesse atender as exigências que cabiam a um pólo econômico e ao frenesi europeu de mudanças trago pela elite burguesa brasileira. A capital já era considerada maravilhosa apesar de todos os problemas sanitários, urbanos e sociais.

As mudanças começaram gradualmente com abolição da escravatura e as consequências desse fato foram o aumento de mão de obra livre, êxodo rural, imigração; o desequilíbrio entre os sexos e por último o acúmulo de pessoas sem ocupação, conhecidos como desempregados, vadios ou ociosos. Devido o numero alto de ex-escravos à procura de emprego e moradia a população do Rio crescia desenfreada sem planejamento ou estrutura ao arredor da área portuária e nas redondezas do morro do Castelo. No centro o número de habitações populacionais multiplicou-se, os cortiços eram conhecidos por serem prédios de moradia pequena e próximas umas das outras, sem saneamento básico ou falta de água, o que resultava em um lugar insalubre e que propagava muitas doenças como a febre amarela, a varíola, malária e a tuberculose e outras epidemias que devastaram o Rio de Janeiro durante o século XIX.

A velha cidade colonial era constituída por ruelas estreitas e sujas, possuía inúmeras áreas pantanosas que eram foco constante de epidemias, além do mais as ruas estreitas dificultavam o escoamento de mercadoria prejudicando o comércio. A população só aumentava e com isso a pobreza e as condições inadequadas de moradia. O panorama sanitário era caótico, e a falta de políticas de higiene social e sanitização urbana agravavam ainda mais a transformação da cidade em foco disseminador de doenças e epidemias. Não havia coleta de lixo regular e o esgoto era a céu aberto, jornais denunciavam o descaso. Era evidente a necessidade de mudanças, os cariocas ansiavam ser como as civilizações europeias e queriam que a cidade tivesse os mesmos aspectos de modernidade que a capital francesa. Era preciso parecer uma cidade moderna e para isso fazia-se necessário acabar definitivamente com a herança portuguesa e se desvencilhar do passado. Assim com o aval do então presidente da república Rodrigues Alves, o prefeito Pereira Passos começou a Reforma Urbana do Rio de Janeiro, o famoso “Bota Abaixo”.

O prefeito ordenou a demolição dos cortiços, do Morro do Senado e de tudo o que representava o passado e atrapalhava o novo modelo de urbanização. Os ambulantes que sobreviviam da venda de miúdos e bugigangas foram expulsos das ruas e o Centro se tornou um grande canteiro de obras.

A reforma de Pereira Passos incluiu as ideias do plano criado em 1875 pela comissão de melhorias do Rio de Janeiro que não haviam sido executadas com a construção do novo Porto do Cais, a conclusão das obras do canal do mangue e a abertura de grandes avenidas como:

• Avenida Central, atual Rio Branco, que atravessaria a Cidade Velha até a parte norte das docas.

• Avenida Rodrigues Alves é resultante das obras do Cais do Porto com objetivo de aterrar, modernizar e costear a avenida que comunicava o centro e os bairros operários e industriais da zona norte.

• Avenida Passos com o prolongamento da Rua do Sacramento (Centro), trecho que vai da Praça Tiradentes até a Rua Senhor dos Passos.

• Construção da Avenida Beira-Mar indo do início da Avenida Rio Branco até a praia de Botafogo – foi executada em área aterrada.

• Avenida Mem de Sá uma via diagonal ligando a Lapa aos bairros da Tijuca e de São Cristóvão. Foram abaixo todos os prédios paralelos aos Arcos da Lapa e o Morro do Senado, a fim de liberar passagem para a Avenida.

• Construção da Avenida Francisco Bicalho resultante das obras de saneamento com o prolongamento do Canal do Mangue.

• Avenida Atlântica é toda executada sobre aterro. São construídas muralhas e passeios.

Além da ampliação e construir das avenidas, foram construídas praças e jardins para melhor circulação do ar. Dando um embelezamento à cidade. As antigas vielas são substituídas por ruas largas e arborizadas (os boulevards). Surgem prédios icônicos como a Biblioteca Nacional, O Teatro Municipal e a Escola de Belas Artes na Avenida Central. A fisionomia arquitetônica, os padrões tudo era seguido segundo modelo francês da Belle Èpoque.  

Inspiradas nos modelos e valores europeus, a reforma urbana sufocou as tradições e costumes populares, acabando com as brincadeiras de ruas, as vendas dos ambulantes, a solta de balões de fogo, o ato de dançar capoeira entre outros.

Durante a reforma, com a expulsão do povo dos cortiços, a população sem alternativas se viu obrigada a construir habitações improvisadas e sem condições adequadas de higiene nas encostas dos morros. Iniciando assim um processo de favelização que se espalhou por toda a cidade.

Coube a Oswald Cruz, chefe do Departamento Nacional de Saúde, o árduo trabalho de sanitizar a cidade e acabar com as epidemias e os surtos de doenças. Foram implantados leis de vacinação, o que gerou a Revolta da Vacina em 11 de Novembro de 1904. Os possíveis fatores para o acontecimento dessas revoltam foram: os negros acreditavam na cura por meio da religião de seus ancestrais, a elite duvidava da eficácia da vacina e o fato de a vacina ter sido aplicada de forma autoritária e violenta fez com que as pessoas se revoltassem e lutassem contra esse ato abusivo do governo de vacinar as pessoas a força.

Passado a revolta e as reformas o novo Boulevard ficou pronto e já não se via mais ambulantes ou barracas de miúdos nas ruas, invés disso as ruas foram tomadas por lojas luxuosas com artigos femininos e masculinos vindos da França, a moda era agir, se vestir, comer e ser como os franceses. Surge a tão conhecida Cidade Maravilhosa e com isso a chegada de novidades tecnológicas e no mundo do entretenimento carioca.

A vida no novo Boulevard

Os novos tempos chegaram e trouxeram consigo modernidades como a eletricidade, o automóvel, o telégrafo, a fotografia, o fonógrafo, o aeroplano, tecidos finos, o calçamento de ruas e os palacetes, o teatro e o cinema (em sua forma mais simples). A cultura do divertimento francês tomou conta da cidade. O cotidiano carioca mudou drasticamente, agora consistia em frequentar o novo Boulevard e se sucumbir à cultura do consumismo.

A Avenida Central transformou-se no espaço principal de consumação da cultura francesa. Por toda a extensão da avenida havia luxuosas e elegantes lojas de artigos de roupa feminina e masculina importados da França. Tudo o que era a última moda na França vinha para o Brasil perfumes, livros, jóias, sapatos, bolsas e entre muitos outros. Os cariocas estavam dispostos a serem cópias fies dos franceses. As diversas revistas que surgiram na época como a “Fon-Fon!” tinham o trabalho de difundir para a sociedade as últimas novidades do mundo da moda e o que era tendência na França, além de relatar o cotidiano carioca. Encontrava-se nessas revistas fotos do novo Rio de Janeiro, foi quando começou a ter uma maior propagação de fotografias através de cartões postais da cidade.

A vida boemia nascia nesta época. Cafés e confeitarias surgem como a Colombo e a Cave; bares e Restaurante com a culinária francesa sendo servida e aclamada na Central, enquanto nas periferias os “exilados” celebrar sua cultura e criam novos ritmos de música.

Com esse bombardeio de informação e novidades a cultura do divertimento propaga-se cada vez mais. Chegam ao Rio o Cinema, novos conceitos de Belas Artes e Cultura (importação do Carnaval de Viena). O cinema teve grande destaque nesta época, chegou em 1896 ao Brasil e teve sua primeira sala improvisada na Rua do Ouvidor. Consistia de curtas de 1 a 2 minutos e servia como complementação de outras atrações como Orquestras para atrair mais pagantes. Os cinemas eram ambulantes, ou seja, eram montados em salas improvisadas, barracões por uma curta temporada.

A primeira sala de cinema fixa ficava no Salão de Novidades Paris no Rio e foi graças a um espanhol Paschoal Segreto, empresário do entretenimento. Já o empresário do entretenimento Francisco Serrador juntou-se com outros empresários do mesmo ramo e do ramo hoteleiro e deram vida a Cinelândia. Juntos começaram a transformar o bairro. A partir de 1925 começaram a surgir grandes arranha-céus, cinemas, hotéis, riques de patinação tudo para um bom entretenimento. Cinelândia o bairro dos cinemas e do entretenimento, tudo de mais moderno estava disponível no bairro.

Como todos os itens culturais da época a música erudita foi importada da Europa. Orquestra e Óperas tocavam e reproduziam a musica clássica e erudita da cultura europeia para o desfrute da elite carioca, porém o estilo de música em questão nesse trabalho é a produzida de forma improvisada nas periferias da nova cidade. Que foi um misto da música africana com os ritmos europeus. Durante todo o período conhecido como Belle Époque no Rio, a cultura regional e das classes pobres foi sufocada e legalmente proibida, porém isso não impediu o surgimento do ritmo que posteriormente seria conhecido mundialmente, o Samba.



Samba

HISTÓRIA DO SAMBA

A história de como o samba surgiu é cheia de contratempos, lendas e discussões, porém para entender como esse ritmo se fez o que é hoje, necessita-se voltar um pouco na história e conhecer um pouco da polca, do maxixe, do choro, do lundu: a primeira um ritmo europeu famoso na nobreza francesa do século XIX, o segundo uma versão abrasileirada da polca e, por fim, o choro e o lundu que, junto com o maxixe fizeram o samba.

A polca era tocada em festas e eventos franceses na época da Belle Époque, sendo o atrativo um ritmo mais animado e uma dança mais colada, fazendo com o que o casal pudesse ter mais contato físico. Ficou famosa no Brasil quando, em 1845, foi tocada no Teatro São Pedro e, após isso, se dissipou pelos salões da corte carioca. A aceitação foi tamanha que em 1846 foi criada a Sociedade Constante Polca; e o ritmo gerou o choro, o maxixe e o tango brasileiro.

O lundu foi um ritmo musical brasileiro de criação luso-angolana, com batuques, badolim, dança sensual – a umbigada – e com estalar de dedos. De ritmo sincopado, com melodia e harmonia, foi o primeiro ritmo africano a ser aderido pelos brancos, porém apenas no final do século XVIII o ritmo ganha letras que eram, principalmente, de cunho humorístico. Um dado importante sobre o lundu é que seu ritmo foi o responsável pela primeira música gravada no Brasil, em 1902 por Xisto Bahia:

“O inverno é rigoroso / Bem dizia a minha vó / Que dorme junto tem frio / Quanto mais quem dorme só / Isto é bom, isto é bom/ Isto é bom que dói / Se eu brigar com meus amores / Não se intrometa ninguém / Que acabado os arrufos / Ou eu vou, ou ela vem / Quem ver mulata bonita / Bater no chão com o pezinho / No sapateado a meio / Mata o meu coraçãozinho / Minha mulata bonita / Vamos ao mundo girar / Vamos ver a nossa sorte / Que Deus tem para nos dar / Minha mulata bonita / Que te deu tamanha sorte / Foi o Estado de Minas / Ou Rio Grande do Norte / Minha viola de pinho / Que eu mesmo fui o pinheiro / Quem quiser ter coisa boa / Não tenha dó de dinheiro”

A reforma urbana e cultural que ocorreu na Belle Époque Carioca, os instrumentos que vieram com a corte real portuguesa, a polca e o lundu, o fim do tráfico negreiro e a criação de empregos públicos, podem ser considerados os desencadeadores do surgimento do Choro. Nascido da classe média baixa do bairro da Cidade Nova, os chorões se reuniam pra tocar ‘de ouvido’ músicas estrangeiras de um jeito abrasileirado, nos fundos dos quintas de suas casas. Dois dos maiores nomes do choro foram Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha, este último também se encontra na história do samba.

As histórias do choro e do maxixe se misturam já que ambos nasceram na mesma época e no mesmo bairro, porém o maxixe nasceu como uma dança que era uma mistura de polca com lundu e tango; caiu no gosto popular nas festas da Cidade Nova e nos cabarés da Lapa. De acordo com José Tinhorão:

“Transformada a polca em maxixe, via lundu dançado e cantado, através de uma estilização musical efetuada pelos músicos dos conjuntos de choro, para atender ao gosto bizarro dos dançarinos das camadas populares da Cidade Nova, ia chegar ao conhecimento das demais classes sociais do Rio de Janeiro (…)”.

Na Europa, mais especificamente em Paris, o maxixe fez muito sucesso graças aos bailarinos Antonio Lopes Amorin, Maria Lina, Gaby e Arlette Dorgère que dançaram o ritmo sob o nome de tango brasileiro. No Brasil, grandes nos do Maxixe foram Chiquinha Gonzaga, Sinhô e Pixinguinha, os dois últimos que também fizeram história no samba.

O que se percebe é que nenhum estilo ou gênero musical nasce do nada ou fica parado no tempo; tem pai, mãe, se casa, tem filhos e os filhos também fazem filhos. Foi o que aconteceu para o surgimento do samba e seus variantes, aqui destacando o afro samba e a bossa nova.

A Belle Epóque e o Samba no Rio de Janeiro

Na Belle Époque Tropical ou Belle Époque Carioca, o Rio de janeiro havia sido remodelado para circulação de automóveis, bondes, cortiços foram jogados abaixo, avenidas e boulevards foram construídos, tudo isso para mostrar que a capital brasileira e colônia portuguesa era um lugar habitável e moderno. Com essas mudanças fica evidente o que o governo da época queria: que o centro, com nova arquitetura e mobilidade, deveria ser utilizado apenas pela burguesia, enquanto o restante – negros – deveriam povoar as periferias, haja vista que o centro e a zona portuária eram tradicionalmente marcados pela circulação das camadas pobres da cidade.
As primeiras décadas do século XIX marcaram a entrada do Brasil na modernidade, não só com as reformas urbanísticas, mas também com a introdução do rádio, gramofone, telefone e gravação de discos. A música era o instrumento de inserção da população pobre na era moderna, como disse Cláudia Matos (apud GOMES, Tiago de Melo):
“as letras de samba por muito tempo constituíram o principal, senão único, documento verbal que as classes populares do Rio de Janeiro produziam autônoma e espontaneamente”

O samba – ligado à ideia de festa regada a música – começa a ser considerado gênero na primeira metade da década de 10. Após ter um aumento substancial de apreciadores nos anos 20, tanto sob rótulo de samba como de samba carnavalesco, torna-se popular na década de 30, em termos de produção musical brasileira.

Fazendo uma comparação, a Pequena África – hoje Praça Onze -, era o país e a casa de Tia Ciata – ou Hilária Batista de Almeida, era a capital. Desde 1914, vários compositores e apreciadores das rodas de samba, como Donga, Pixinguinha, João da Baiana e Sinhô, frequentavam as casas da Tia e esta já reclamava que os sambas fossem gravados.

“Samba” era utilizado inicialmente como festa, “vamos a um samba na casa de Tia Ciata”. Palavra de origem africana aparece pela primeira vez em 1838 numa revista pernambucana; porém os historiadores divergem sobre sua real origem, há quem diga que é uma palavra de etnia quioco, outros dizem ser da etnia banto.

 no Departamento de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. De acordo com o historiador Ricardo Cravo Albin (Dicionário da Música Popular Brasileira), desde o registro das músicas, inúmeros sambistas revindicaram a autoria – era comum que os participantes das rodas de samba fizessem improvisações, daí surgiu o samba partido-alto, um dos muitos tipos de samba.

O tema da canção é um assunto a ser discutido: é uma sátira sobre a cumplicidade de um delegado de polícia e a jogatina. É marcante que o tema do primeiro samba a entrar nas paradas de sucesso seja a revelação de uma aliança entre o lícito e o ilícito, ordem e desordem, já que a intenção do Governo e da Prefeitura era fazer com que o samba e a cultura africana não fossem legitimados.

De acordo com Nelson Caiado, em “Samba, música instrumental e o violão de Baden Powell”

“A obra “Pelo telefone”, registrada em 1916 por Donga (Ernesto dos Santos) e gravada em 1917 por Baiano (Manuel dos Santos), foi cercada de polêmicas. (…) Pesquisadores já encontraram obras anteriores que igualmente receberam essa classificação (MOURA, 1995). Quanto à autoria, a música não teria sido criação exclusiva de Donga, mas sim uma composição coletiva. Ele a teria registrado em seu nome, e preparado toda uma estratégia para lançá-la no carnaval de 1917 (SANDRONI, 1997). (…) Outro ponto de controvérsias é o fato de tratar-se ou não de um samba. (…) Ismael Silva (…) afirmou diante do próprio Donga, que “Pelo Telefone” tratava-se de um maxixe (CABRAL,1974)”

Ademais, o processo de legitimação do negro e das manifestações culturais negras, na sociedade brasileira, é confuso, hesitando entre a exaltação e o desprezo. Para Hermano Viana (O Mistério do Samba, 1995, apud REIS, Letícia) “a nacionalização do samba é a coração de um processo secular de interação das chamadas culturas popular e erudita”.

Ismael Silva atribuiu o surgimento do samba a uma necessidade de um ritmo que combinasse mais com os desfiles carnavalescos:

“Quando comecei, o samba não dava para os agrupamentos carnavalescos andarem nas ruas, conforme a gente vê hoje em dia [1974]. O estilo não dava para andar. Comecei a notar que havia esta coisa. O samba era assim: tan tantan tan tantan. Não dava. Como é que um bloco ia andar na rua assim? Aí, a gente começou a fazer um samba assim: bum bum paticubumprugurundum…”

Pedro Ernesto, em 1935, sendo prefeito do Rio de Janeiro e entendendo que o samba e toda cultura antes e nascida com ele são parte do estado e da cultura popular brasileira, legalizou as escolas de samba e oficializou os desfiles nas ruas. Antes desse veredito, os grupos passavam, obrigatoriamente, pelas casas das Tias, já que elas eram consideradas mães do samba e foi assim que elas são homenageadas e representadas – obrigatoriamente – com a ala das baianas.
“O chefe da folia / Pelo telefone manda me avisar / Que com alegria / Não se questione para se brincar / Ai, ai, ai / É deixar mágoas pra trás, ó rapaz” (Pelo telefone, Donga) 

Sub estilos de Samba

O samba passou por tantos estilos antes de ser considerado realmente samba e continua passando, é um organismo vivo; o que ocorre é que nenhum cantor(a) ou compositor(a) fica atrelado a apenas um estilo de samba, há o samba-choro, samba-canção, samba-enredo, partido-alto, samba-enredo, samba-de-breque, samba-jazz, saba-rock, samba-funk, pagode e o afro-samba.

De nome derivado de um baile de escravos no período colonial, por conta da maneira chorosa como era tocado, o choro, surgiu em 1870 e é um ritmo carioca e tocado por meio de violão, flauta e cavaquinho, primeiramente sem letras e depois com letras sentimentais e melancólicas. Grandes nomes tocaram esse estilo, como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga e até hoje aparecem músicas influenciadas pelo choro, como algumas do grupo Pitanga em Pé de Amora:

Mais é que aquela tal fulana me fez de bobo, eu vou contar / Como se já não bastasse tantas noites que eu sofria / E me perdia por ai / Ela agora também rouba os meus dias / Daqui a pouco a minha vida já é dela e eu nem vi. Foi dia desses ela ligou de noitinha / Já mudou minha rotina, eu nunca sei o que fazer”.

E Roberta Sá:

“Preciso de colo, amor / Estou em bagaços / Depois de uma ducha morna / Quero cair nos seus braços / Pra ficar aliviada desse meu cansaço / Após boa madorna, vou me enternecer / Pra ficar até domingo grudadinha em você/ Amor, amanhã é sábado / Mô, amanhã é sábado”.

Samba sentimental, com pouco batuque, melódico, lembrando o bolero e a seresta, o samba-canção começa a fazer sucesso em 1929 com Linda Flor de Vicente Celestino:

“Ai, Ioiô! / Eu nasci pra sofrê / Fui oiá pra você / Meus oinho fechou! / E quando os óio eu abri / Quis gritá, quis fugi / Mas você / Eu não sei por quê / Você me chamô! / Ai, Ioiô /
Tenha pena de mim / Meu Sinhô do Bonfim / Pode inté se zangá
/Se ele um dia soubé /Que você é que é / O Ioiô de Iaiá!”

De letras tão profundamente tristes e românticas, samba-canção recebeu fossa como apelido e foi palco de indiretas com o casal Dalva de Oliveira e Herivelto Martins e – acreditam algumas pessoas – do suicídio de Linda Batista por conta da música Vingança:

“E a vergonha/ É a herança maior que meu pai me deixou Mas enquanto houver força em meu peito / Eu não quero mais nada / Só vingança, vingança, vingança / Aos santos clamar /Você há de rolar como as pedras / Que rolam na estrada /Sem ter nunca um cantinho de seu / Pra poder descansar”.

Feito no improviso, divido entre duas a quatro estrofes e com o refrão sendo repetido com palmas e coro, o partido-alto é uma variação do samba carioca. Em 1977, Aniceto Menezes disse que “o partido tem hora pra começar, mas não para acabar, já que os versos são livres, feitos na hora. E precisa da presença do coro”, disso surgiu o pagode de fundo de quintal, feito na casa dos sambistas com muita cerveja e churrasco. Zeca Pagodinho e Almir Guineto são ícones do partido-alto:

 “Eu vou botar teu nome na macumba / Vou procurar uma feiticeira /
Fazer uma quizumba pra te derrubar / Oi, Iaiá / Você me jogou um feitiço quase que eu morri / Só eu sei o que eu sofri / Que Deus me perdoe, mas vou me vingar / Eu vou botar teu retrato num prato com pimenta 
/ Quero ver se você “guenta” ”. 

 “ Pra que se lamentar 
/ Se em sua vida pode encontrar / Quem te ame com toda força e ardor /Assim sucumbirá a dor/ Tem que lutar, não se abater / E só se entregar a quem te merecer / Não estou dando nem vendendo / Como o ditado diz / O meu conselho é pra te ver feliz”

Derivados das marchinhas de carnaval, no entanto com ritmo mais acelerado, o samba-enredo é utilizado pelas escolas de samba para contar a história do tema proposto no ano. A comunidade participa ativamente da escolha dos sambas do ano, mas nem sempre foi assim, antigamente os responsáveis pelos sambas eram compositores, um dos sambas mais famosos foi “Ô, abre alas”, que Chiquinha Gonzaga fez para a Rosas de Ouro em 1899:

 “Ó abre alas / Que eu quero passar / Ó abre alas / Que eu quero/ passar / Rosa de Ouro / É que vai ganhar / Rosa de Ouro / É que vai ganhar / Eu sou da Lira
/Não posso negar Eu sou da Lira
/ Não posso negar / Ó abre alas
/ Que eu quero passar / Rosa de Ouro / É que vai ganhar”

Os sambas-enredo têm como objetivo fazer história para as escolas e serem lembrados por uma eternidade, tanto que sambas de carnavais antigos são tocados até hoje, como o samba “É hoje” da União da Ilha do ano de 1982:

“Levei o meu samba / Pra mãe-de-santo rezar /Contra o mau olhado / Carrego o meu Patuá / Acredito ser o mais valente / Nesta luta do rochedo com o mar / É hoje o dia da alegria e a tristeza / Nem pode pensar em chegar / Diga espelho meu / Se há na avenida /Alguém mais feliz que eu”.

Sendo uma variação do samba-choro, o samba-breque foi popularizado por Moreira da Silva – ou Morengueira -, Tijucano nascido em 1902, é caracterizado por um samba com partes faladas entre os versos da música. Tais frases complementam o verso anterior e são marcadas pelo jeito malandro de se falar:

“Vou dar-lhe um castigo / Meto-lhe o aço no abdômen / E tiro fora o seu umbigo / Aí meti-lhe o aço, quando ele vinha caindo disse:- ‘Morengueira, você me feriu” / Eu então disse-lhe:- ‘É claro, você me desrespeitou, mexeu com a minha nega’./ Você sabe que em casa de vagabundo, malandro não pede emprego.”

Luís Barbosa, sambista que teve pouco tempo de vida pra mostrar seu talento, deu ao samba-breque outra cara: introduziu o batuque no chapéu de palha às pausas:

“ Ninguém sabe o que elas fazem / Porém todo mundo diz / Que Seu Líbório é quem manda / Ai, como o Libório é feliz/ Usam todas um V-8 / Que lhes deu um coronel / Tem vestidos de alto preço / E perfumes a granel / Vive assim feliz e contente / Com o que o destino lhe deu / Pois seu Libório é quem manda / Ah! … e o seu Libório sou eu!”.

Jazz tocado como samba ou samba tocado como jazz, apenas instrumental, não se sabe ao certo o que é o samba-jazz, porém foi um estilo que fez muito sucesso em algumas boates do Rio de Janeiro como a Little Club, Bottle’s Bar e Bom Gourmet. Pouco se sabe desse estilo, pois poucos músicos o aderiram – Aurino, Cipó, Bauru, Baden Powell, Edson Machado, Raulzinho – e por pouquíssimo tempo.

O samba-rock, antes de estilo musical, é um tipo de dança que surgiu nas casas de famílias paulistanas, no final da década de 1950, esta que deu os movimentos de rockabilly a dança. Nasceu nas festas de casamentos, batizados e noivados onde toda música era motivo de dançar. Foi confundido com estilo musical por culpa de Jorge Ben Jor e sua música com ritmo sincopado e swing, “não era samba, não era rock, não era bossa nova, e era tudo isso ao mesmo tempo”.

“A noite é linda e ela mais ainda / Todinha de rosa / Mais linda, mais meiga / Que uma rosa / Ôba, lá vem ela / Estou de olho nela / Não me importo que falem que pensem / Pois sem saber ela é minha alegria / Ela tem um perfume de uma flor que eu não sei o nome / Mas ela deve ter um nome bonito igual a ela”

Da fusão do funk americano com o samba brasileiro, nasceu, na década de 1960, o samba-funk, nas mãos do pianista Dom Salvador juntamente com o Grupo Abolição – que depois se tornou a Banda Black Rio. Apresenta ritmo e instrumentos do funk e soul (trompete, baixo, teclado) e letras típicas do samba – com temas sobre amor, felicidade, cotidiano: “Foi o seu olhar / O que me encantou / Quero um pouco mais / Desse seu amor / Foi o seu olhar / O que me encantou / Quero um pouco mais / Desse seu amor”

Dos churrascos nos fundos das casas das famílias suburbanas do Rio de Janeiro, nasceu, nos anos 70, o pagode, segundo Câmara Cascudo uma festa “com comida e bebida, de caráter íntimo”. Os fundadores do Pagode foram os integrantes do grupo Fundo de Quintal: Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz e sambistas como Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra e Luiz Carlos da Vila. Há três tipos de pagode, o partido alto ou clássico, o pagode romântico e o pagode universitário, que é o mais atual. O pagode partido alto retrata o cotidiano do morro e do subúrbio carioca:

“Mas é o Morro do Pau da Bandeira / De uma Vila Isabel verdadeira / E o Zé do Caroço trabalha / E o Zé do Caroço batalha / E que malha o preço da feira / E na hora que a televisão brasileira / Destrói toda gente com a sua novela / É que o Zé bota a boca no mundo / Ele faz um discurso profundo / Ele quer ver o bem da favela / Está nascendo um novo líder”

O pagode romântico ou pagode paulista, nasceu nos anos 90 com os grupos Art Popular, Raça Negra, Negritude Júnior, Só Pra Contrariar, Exaltasamba e Os Travessos, trazendo em suas letras o amor romântico, as desilusões amorosas e a devoção à mulher amada:

“Cheia de manias / Toda dengosa / Menina bonita / Sabe que é gostosa /Com esse seu jeito / Faz o que quer de mim / Domina o meu coração / Eu fico sem saber o que fazer / Quero te deixar / Você não quer, não quer / Então me ajude a segurar / Essa barra que é gostar de você”.

O pagode universitário surgiu nas rodas de pagode dos jovens universitários – principalmente os paulistanos – em churrascos e reuniões, com um cavaquinho, batucada nas mesas e palmas, tem por característica letras que ostentam a vida, utilização de gírias e versões de músicas pops em ritmo de pagode. Jeito Moleque e Inimigos da HP são grupos que marcaram essa moda:

“Adoro quando ela chega toda entusiasmada / Cheia de carisma junto da rapaziada/ Mulher sem frescura sempre toma uma gelada / O assunto é futebol e ela tá atualizada / Ela é diferente / Ela é engraçada / É inteligente / Também é bem humorada”


Baden Powell

Baden nasceu no dia 06 de Agosto de 1937 em uma cidadezinha no norte do estado Fluminense chamada “Varre-e-Sai”. Seu pai se chamava Lilo de Aquino, mas tinha o apelido de “Tic”, era sapateiro de profissão e chefe de escoteiro. Baden Powell ganhou esse nome em homenagem ao fundador do escotismo: o General britânico Robert Thompsom S. S. Baden Powell.

A música faz parte da história da família há algumas gerações, seu avô, Vicente Thomaz de Aquino, foi um fazendeiro negro que fundou talvez uma das primeiras e únicas bandas de escravos que tocavam e cantavam suas raízes. A família decidiu se mudar para o Rio de Janeiro e com apenas três meses Baden tornou-se carioca do bairro de São Cristóvão. Cresceu ouvindo música; contava as histórias de seu pai, violinista amador, que fazia reuniões musicais em casa com os amigos Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Jaime Florence (o “Meira”).

Com oito anos Baden se apaixonou por um violão que sua tia ganhara numa rifa. Quando “Seu Tic” chegou do trabalho, soube da história e entendeu que havia algum interesse se manifestando, ele decidiu iniciar o Baden nas primeiras posições de acordes do instrumento. Em poucas aulas Baden já havia esgotado o pouco conhecimento violonístico do pai e foi encaminhado aos cuidados do Meira.

Com Meira, ele passou a estudar violão clássico através das obras de Tárrega, Fernando Sor e Barrios e participava ainda iniciante das rodas de choro organizadas pelo professor: “O Meira colocava a gente sentado em volta da mesa e eu tinha que tocar tudo de ouvido, sem direito a erro, senão o pessoal brigava!”, relembrava Baden. Ele teceu um jeito de tocar singular, reproduzia instrumentos de percussão, como a caixa, o berimbau e o tamborim, no próprio violão.

Baden era um prodígio genial e seu talento se desenvolveu muito rápido. No ano em que completou nove anos participou do programa de calouros “Papel Carbono”, apresentado por Renato Murce na Rádio Nacional, e conquistou o primeiro lugar como calouro/solista de violão, interpretando o choro “Magoado” de Dilermando Reis. Concluiu o curso de violão em quatro anos, aos treze tinha no repertório uma transcrição própria do Muoto Perpetuo de Paganini*. Um dia seus pais foram chamados por Meira, que lhes disse não ter mais nada a ensinar ao jovem virtuose. A partir daí, começou a atuar profissionalmente recebendo seus primeiros cachês em bailes e festas no subúrbio e na boemia Lapa. Com o intuito de aprofundar seus conhecimentos musicais, ele ingressou na Escola Nacional de Música e o maior contato com o Samba foi visitando os sambas de roda nos morros da Mangueira, Tuiuti e Borel.

Em Velho Amigo – O Universo Musical de Baden Powell, documentário sobre o mesmo, de 2003, Herminho Bello diz que “o violão dele [Baden] traduz o Brasil, a sonoridade brasileira. Ele ao mesmo tempo é índio, ele é europeu, (…) ele é caboclo, é africano, o violão dele traduz toda essa coisa que é a nossa miscigenação, nossa cor de pele, de olho. A cor do som do Baden tem essa volúpia brasileira; essa coisa do mar, da terra, da Amazônia e do negro. (…) O Baden é uma escola, ele sozinho é uma grande universidade do violão brasileiro. Ele fundou uma escola que começa e que acaba nele mesmo” . 

Antes de gravar seu próprio disco “Apresentando Baden Powell e seu Violão”, do final da década de 50, Baden tocou na orquestra da Rádio Nacional e na noite carioca, integrando o Trio de Ed Lincoln e assim conheceu Antonio Carlos Jobim. Ele era chamado por cantoras como Alaíde Costa e Elizeth Cardoso para gravar em estúdio e na mesma época compôs com parceiros como Geraldo Vandré e Ruy Guerra. Com a chegada do modismo do rock no país, Baden grava discos com títulos em inglês e segundo o mesmo, eram discos para arrecadar dinheiro.

Durante a década de 60, Baden viaja para a França, convencido por Vinícius de Moraes que disse que a Europa tinha muito a dar ao compositor. Baden morou no bairro Quartier Latin, um lugar boêmio que acolhia os artistas e a efervescência cultural parisiense. Powell cantava e tocava em restaurantes e bares da capital francesa, músicas internacionais, francesas e fazia releituras de clássicos da música brasileira. Ele ficaria apenas três meses – visto de visitante concedido pela França -, no entanto, o compositor Pierre Barouh fez com que Baden fizesse uma apresentação para um público diferente dos bares e restaurantes. Na plateia estavam jornalistas, donos de gravadoras, agentes e empresários. Este foi o estopim de sua carreira internacional que consistiu em turnês pelo mundo, discos e parcerias com Stephane Grappelli e Liza Minelli.

Segundo Dreyfus:

“Na década de oitenta, a música brasileira na Europa estava colhendo os frutos das sementes plantadas por Baden desde 1963” (DREYFUS, 1999:286). Como o samba é a tônica predominante do seu trabalho, podemos afirmar que Baden foi um dos brasileiros que mais difundiram esse gênero no exterior, e na forma instrumental.

Parceria Baden e Vinícius e os afro-sambas

Baden e Vinícius se conheceram no início da década de 60, na época Baden tocava na boate Arpege, em Copacabana. Vinícius o convida para uma parceria e mostra a letra que fez para a Toccata 141 de Bach – “Jesus Alegra dos Homens”. Em “O Samba – Popular Music of Brazil”, documentário de Jean-Claude Guiter, Baden conta que

“Eu com Vinícius, nós conversávamos muito sobre assombração, alma doutro mundo, esse tipo de conversa, nós adorávamos conversar sobre isso. E daí nós falamos sobre a Bahia, que eu também já conhecia um pouco essa coisa de candomblés, Vinícius também. Eu, por outro lado, era mais… EU tinha mais acesso a isso porque eu era do subúrbio e tal. Vinícius era diplomata, eu sabia dos negócios do candomblé. E conversamos sobre isso e eu compus, junto com Vinícius, batendo um papo. Quando terminou a séries das nove músicas, Vinícius gritou e falou assim: “puxa, Baden! Isso aqui são os afro sambas!”.

Baden conta que ele e Vinícius se isolaram do mundo durante três meses – o que chamaram de “clausura musical”, junto com os violões, máquina de escrever, papel, lápis e Whisky. Durante a estadia de Baden na casa de Vinícius nasceram as músicas “Canção de Ninar meu bem”, Samba em prelúdio”, “Só por amor”, “ Bom dia amigo” e “O astronauta” e o todos “Os Afro-Sambas”, de 1966.

Os críticos musicais dizem que Os Afro-sambas é um dos discos mais originais da carreira de Baden, em razão do uso de ritmos e instrumentos das religiões de matriz africanas – candomblé. José Ramos Tinhorão, afirma, em As origens da canção urbana, que “afro-samba” é “uma coisa que não existe”, mas passou a existir logo após a parceria dos dois compositores.

O Canto de Iemanjá

 Em, É, NÃO SOU: ensaios sobre os afro-sambas no tempo e no espaço, dissertação de mestrado, Isabela Martins, analisa a música Canto de Iemanjá. Nesse estudo ela concluí que Baden e Vinícius trabalham com a polissemia, já que “canto” pode ser interpretado como um louvou ao orixá e como o próprio canto do orixá – já que no sincretismo religioso, Iemanjá é vista como sereia.

Na dissertação ela afirma que as mitologias atribuem ao canto da sereia uma qualidade mágica, hipnótica e perigosa. Iemanjá, na religião, é a orixá das cabeças, que pode curar ou enlouquecer. A possibilidade hipnótica do canto da sereia Iemanjá é desenrolada em toda a canção. O interlúdio, cantado pelas irmãs do Quarteto em Cy e Dulce Nunces, criam o cenário de mar, ondas e vozes de sereias. 

Reginaldo Prandi explica em Mitologia dos Orixás que há dois mitos sobre Iemanjá ser dona das cabeças, o primeiro deles é que Olodumare teria a nomeado senhora de todas as cabeças após receber dela uma cabeça de carneiro como oferenda. O segundo deles que cria o paradoxo de Iemanjá: ela pode curar e enlouquecer:

“Iemanjá cura Oxalá e ganha o poder sobre as cabeças”, nos interessa transcrever aqui por demonstrar o aspecto paradoxal da entidade; Olodumare havia dado a cada orixá um reino, um posto de trabalho: (…) Para Iemanjá, Olodumare destinou os cuidados de Oxalá. Para a casa de Oxalá, foi Iemanjá cuidar de tudo: da casa, dos filhos, da comida, do marido, enfim. Iemanjá nada mais fazia que trabalhar e reclamar. Se todos tinham algum poder no mundo, um posto pelo qual recebiam sacrifícios e homenagens, por que ela deveria ficar ali em casa feito escrava? Iemanjá não se conformou. Ela falou, falou e falou nos ouvidos de Oxalá. Falou tanto que Oxalá enlouqueceu. Seu ori, sua cabeça, não aguentou o falatório de Iemanjá. Iemanjá deu-se então conta do mal que provocara e tratou de Oxalá até restabelecê-lo. Cuidou de seu ori enlouquecido, oferecendo-lhe água fresca, obis deliciosos, apetitosos pombos brancos, frutas dulcíssimas. E Oxalá ficou curado. Então, com o consentimento de Olodumare, Oxalá encarregou Iemanjá de cuidar do ori de todos os mortais. Iemanjá ganhara enfim a missão tão desejada. Agora ela era a senhora das cabeças.

Entrevista com Marcel e Philippe Powell

Tivemos a oportunidade de entrevistar os filhos de Baden Powell e Silvia Eugênia, que nasceram em Paris e, um deles, Philippe, continua morando na capital francesa.

Por quanto tempo Baden morou em Paris e o que motivou sua ida?

Baden morou na Europa durante 25 anos, indo e vindo. A maior parte do tempo em Paris e durante quatro anos e meio em Baden Baden, na Alemanha.

Ele foi para Paris influenciado por um amigo, que dizia pra ele que Paris era a Cidade da Cultura.

Quais eram os lugares favoritos deles na Cidade Luz (cafés, bares, restaurantes)?

Cafés vários, normalmente no bairro em que morava, mas tem os clássicos: Café de Flore em Saint Germain, Café de La Paix na Opera. Restaurantes: Pied de Cochon, La Calavados, Chez Guy restaurante brasileiro, Petit Journal Montparnasse, La Coupole.

Quem estava em seu círculo social (no âmbito musical)?

Barbara, uma cantora francesa; Pierre Barouh; Maria Aparecida, cantora lírica Brasileira radicada em Paris, que resolveu parar o canto lírico e cantar música popular brasileira, ela gravou inclusive um disco com musicas do Baden; Sacha Distel, cantor; Claude Nougarou com quem fez show no Olympia e uma turnê de verão; Edye Barclay produtor de discos e dono da gravadora Barclay – Baden tem quatro discos gravados na gravadora Barclay. 

O que ele ouvia na época?

Ouvia de tudo, muita música brasileira e muita clássica (Chopin e Bach).

Para você e seu irmão, a estadia de Baden em Paris mudou seu jeito de tocar?

Não acho que o fato do meu pai ter morado na França tenho influenciado na sua maneira de tocar, até porque quando ele foi morar na Europa ela já era um músico com estilo já bem definido, e uma carreira já bem estável como compositor e instrumentista… 

No entanto eu acredito que a França possa ter trazido inspirações, pois ele conheceu a minha mãe lá em Paris, em seguida tanto meu irmão quanto eu nós nascemos lá em Paris. No caso o meu pai nutria um amor pela França que com certeza pode ter trazido inspiração para a sua música, mas a sua maneira de tocar permaneceu a mesma, e também nunca ouvimos falar sobre a França ou qualquer outro lugar ter influenciado a sua maneira de tocar.

TIA CIATA

Hilária Batista de Almeida, Tia Ciata, figura citada em todos os relatos sobre o surgimento do samba carioca e dos ranchos. Nascida em Salvador em 1854 no dia de Santo Hilário, é feita na religião ainda adolescente. Em 1876, chega ao Rio de Janeiro, indo morar na Rua General Câmara. Tempos depois, se muda por conveniência para as vizinhanças de um dos líderes da colônia baiana no Rio de Janeiro, Miguel Pequeno.

“Seu nome, afirmado por seus descendentes e que figura nos livros que se referem à baiana, quando escrito por extenso, é Hilária Batista de Almeida. Entretanto, no seu atestado de óbito, está como Hilária Pereira de Almeida, e numa petição para sócio do Clube Municipal encaminhada por seu filho João Paulo em 1949, este escreve o nome da mãe como Hilária Pereira Ernesto da Silva. Dúvidas documentais sem maior importância.”

Quituteira, começa a trabalhar em casa – primeiramente cozinhando para os orixás e, depois da oferenda feira, vendendo os doces – e depois vai para as ruas, como a Sete de Setembro a Carioca, sempre vestida com a roupa típica de baiana, que nunca mais abandonaria mesmo depois de mais velha. No Rio de Janeiro, Hilária se casa com João Batista da Silva, negro com uma situação de vida melhor – economicamente e politicamente falando -, também baiano, relação fundamental para sua afirmação no meio negro e do candomblé. João chega a estudar medicina na Bahia, interrompendo os estudos por razões que não claras, no entanto, pode-se dizer que por razões de cunho racista.

 Enérgica, Ciata faz sua vida de trabalho constante, e se torna, junto com outras Tias da mesma geração, parte do Rio de Janeiro, como as baianas quituteiras, atividade que tem importância no meio religioso, e que foi recebida com prestígio desde sua aparição no início do século XIX, quando foram documentadas no livro de Debret Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. Em Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro, Roberto Mauro diz:

Além de doceira, Tia Ciata era perita em toda a cozinha nagô, no xinxim de galinha de Oxum feito com azeite de dendê, cebola, coentro, tomate, leite de coco e azeite, no acarajé de feijão branco e camarão, no sarapatel de sangue de porco e miúdos, prato espantoso para o paladar ocidental, ou no tradicional vatapá baiano, ainda na receita tradicional, com caldo de cabeça de peixe, amendoim, dendê, creme de milho, creme de arroz ou fruta-pão, temperados com audácia e sabedoria. No dia dos orixás os pratos eram preparados no rigor dos preceitos, como na ocasião da festa de Ibejada feita para seu anjo de guarda. O caruru dos ibejes se inicia com o ritual da matança dos frangos, a carne separada para o orixá e o restante para a refeição comunal em enormes gamelas onde se adicionam os ingredientes, o quiabo pacientemente cortado em fatias, camarão seco, castanhas, ervas e o dendê. O ajeum, a comida da assistência, cuidadosamente servida com o oguedê frito no azeite, farofa, deboru, abará, acarajé e feijão preto, presidida a festa por Xangô, cujo quiabo de sua característica o situa nesse enredo da culinária mitológica.

Não só quituteira, Ciata também costurava roupas típicas de baiana para que a elite utilizasse em seus desfiles e para o teatro, este também foi um modo de espalhar a religião africana por entre a elite que visitava a casa de Tia Ciata para se consultar com os orixás.

A casa de Hilária se torna a capital da chamada Pequena África, em sua casa começa a ser traçada as novas possibilidades desse grupo excluído politicamente e economicamente das decisões sobre a modernização da cidade. Esse safe place se torna reduto da vida religiosa, da música, da arte, das tradições e solidariedade da cultura negra recentemente ‘liberta’.

A Boulangerie Moinho

A Belle Époque foi um momento de grande inovação, ideias positivistas e progressistas, luxo e arte.

Criada por pessoas encantadas pela história francesa dessa época, nasce a Boulangerie Moinho, situada na Rua Dona Mariana, em Botafogo, uma rua arborizada, tal qual os Boulevards franceses do final do século XIX.

Cercada por luxo tanto na moda, arte e arquitetura, quanto na gastronomia, a Moinho tem o objetivo de levar as pessoas até essa bela época sem que elas saiam do Rio de Janeiro, proporcionando sensações e sentimentos que apenas uma boa refeição pode oferecer.

Com pães feitos a partir de fermentação natural, utilizando apenas farinhas com certificação 00 – um tipo de farinha que absorve mais água e tem um menor teor de glúten, o que dá a massa maior leveza e areação ideal -, a fornada de pain de campagne é a mais aguardada e consumida na Boulangerie e, também, era um dos mais consumidos nos piqueniques feitos nos jardins parisienses da época.

Os Cem anos de Samba como Menu

A partir do tema proposto foi pensado e estudado como linkar o conceito do restaurante com o samba e, então, Baden Powell apareceu como objeto de estudo. Como esse compositor viveu e fez parte da fama do samba e da bossa nova na França, foi decidido homenageá-lo. 

O maxixe foi um dos gêneros musicais que antecederam e ajudaram na formação do samba como conhecido nos dias atuais, por isto foi utilizada esta hortaliça – que chegou ao Brasil junto com os escravos africanos – como um dos ingredientes da entrada. O maxixe foi apresentado em dois tipos de conserva: em picles e em escabeche. 

Este método de conserva remonta o ano 4500 A.C –  não há registro de onde surgiu ao certo – como uma conserva de pepinos em salmoura; os Romanos acreditavam no seu poder de cura; Cleópatra acreditava que esses pepinos auxiliavam no rejuvenescimento da pele. 

O método de conserva conhecido como escabeche tem três lendas sobre seu surgimento: uma que diz ser uma criação persa chamada sikbâg, o qual os principais elementos são as especiarias e o vinagre; outra que assinala um método de conserva do aliche unido ao prefixo latino esca que significa alimento e, a terceira, como uma marinada que os árabes ensinaram aos sicilianos. 

Com a escolha do polvo como proteína do prato principal, foi usada a canção Canto de Iemanjá como conteúdo para criação de um prato principal. Iemanjá (Dona Janaína, Yemanjá, YéYé Omó Ejá
, Yemojá) é a a rainha das águas, seu nome significa “mãe cujo filhos são peixes”. Ela é dona das cabeças, mãe de todo mundo, sustenta a humanidade, por isso é o orixá que se relaciona com a maternidade e a fertilidade. 

Tomando a fertilidade como premissa para a criação do prato principal, foram estudados alimentos como o milho (rico em ferro), o coco (rico em vitamina A e E), o azeite de dendê (rico em vitamina A), o camarão (rico em zinco), cebola (rica em vitamina C e vitaminas do complexo B), polvo (ajuda no desenvolvimento do cérebro das crianças) e o coentro (previne a anemia). Isto foi estudado para que o prato fosse desenvolvido.

A sobremesa – Bella Ciata – foi inspirada numa receita desenvolvida por Auguste Escoffier, homenageando uma ópera francesa de 1864 chamada La Belle Hélène, na receita original a pera é cozida em vinho tinto com especiarias, acompanhada com sorvete de creme e calda de chocolate; a pera também é utilizada na Bela Ciata – por ser uma fruta de Oxun – e cozida na cachaça com melaço e especiarias, é servida com um sorvete de tapioca e coulis de jabuticaba, ingredientes genuinamente brasileiros. 

Conclusão

O samba brasileiro possui destaque dentro e fora do país. A visibilidade obtida através do Carnaval alcança patamares internacionais, sendo muitas vezes responsável pela caracterização e identificação do povo e da cultura brasileira. A gastronomia francesa, igualmente, possui popularidade internacional e é sinônimo de requinte e sofisticação, A partir do resgate histórico buscou-se demonstrar como as relações sociais, diretamente e indiretamente, contribuíram para a caracterização que a música, religião, cultura africana e cultura francesa adquiriram.

 Tendo como ponto de partida o período conhecido como Belle Époque, foram descritos os aspectos políticos, econômicos, e tecnológicos advindos desta era, bem como a mesma influenciou a cultura e a arte. A Belle Époque Francesa foi demonstrada como de considerável relevância para transformações na gastronomia. A Belle Époque no Brasil, sofrendo influência europeia, sobretudo com o advento da corrente positivista, impactou em modificações conjunturais na sociedade brasileira, sobretudo na então capital no Brasil, a cidade do Rio de Janeiro.

 O mais caraterístico dos ritmos musicais brasileiros, o samba, da forma como atualmente é celebrado, também possui sua história atrelada à Belle Époque: deu-se a partir da mistura de diferentes ritmos africanos e europeus, cuja convergência se deu em face do processo de ocupação do Brasil Colônia. Neste período duas figuras se destacam: Hilária Batista de Almeida, conhecida popularmente como Tia Ciata, e Baden Powell. Em sua residência, Tia Ciata promoveu rodas de samba frequentadas por alguns dos mais famosos sambistas brasileiros, como Donga e Pixinguinha. Baden Powell foi um dos pioneiros na internacionalização do samba carioca, ainda na década de 1960. Antes das rodas de samba Tia Ciata já era conhecida por seus quitutes e pelos pratos preparados para os orixás. Assim, a gastronomia sempre se fez presente em meio às festividades promovidas pelo samba.

 Com todos estes elementos apresentamos a Boulangerie Moinho, visando proporcionar a seus clientes uma experiência de imersão cultural, caracterizada pela arquitetura e gastronomia que remontam a Belle Époque e os boulevards franceses, dentro do território do Rio de Janeiro. Os produtos utilizarão apenas farinhas com certificação “00”, tendo o pain de campagne como carro chefe.

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