O LUGAR DAS ARTES VISUAIS NA EDUCAÇÃO

Instituto Cidade

ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA

O LUGAR DAS ARTES VISUAIS NA EDUCAÇÃO

Célia Gomes de freitas

Resumo

O objetivo desta pesquisa é analisar qual o lugar das artes visuais na educação infantil enquanto um instrumento de reflexão para o professor. Para tanto, demonstrar como os educadores estão buscando nas artes visuais métodos educacionais que desenvolvam nas crianças a maneira de expressar suas emoções, seus sentimentos, suas experiências e sua visão do mundo, e mostrar algumas técnicas que poderão ser usadas nas aulas. Falar sobre o desenho infantil e como podemos buscar diferentes estratégias de ensino. A arte é uma descoberta de conhecimento, trabalho e expressão e por meio dela podemos interagir com o mundo exterior, despertando a integração com vários aspectos afetivos , estéticos, motores e cognitivos. As artes plásticas na educação infantil auxiliam o processo do auto conhecimento e desenvolvimento motor da criança, e possibilitam a ela a vivência e reflexão de questões relacionadas as condições de ensino e aprendizagem dentro do ambiente escolar.

Palavras-chave: : Artes Visuais, infância, grafismo Infantil.

Introdução

A presente pesquisa tem como objetivo analisar qual é o lugar das artes visuais na educação infantil: para o professor refletir, pois esta linguagem é uma forma de expressão autêntica utilizada pelas crianças e até mesmo pelos adultos, já que a mesma transmite sentimentos, pensamentos e realidades por meio de linhas, formas ou rabiscos. A arte está presente na vida das crianças desde muito pequenas, pois é uma forma de linguagem importante para se comunicarem. Portanto, é fundamental sua presença no contexto da educação escolar, principalmente na educação infantil.

Nesse sentido, a escola necessita proporcionar às crianças a educação em arte para que as mesmas possam desenvolver sua criatividade, psicomotricidade e todos os aspectos abrangentes que conferem um caráter significativo para o ensino de arte. A educação por intermédio da arte é na verdade um movimento educativo e cultural que busca valorizar no ser humano os aspectos intelectuais, morais e estéticos.

 A aprendizagem e o desenvolvimento são processos relacionados, embora distintos.

Considerando desse ponto de vista, a aprendizagem não é, em si mesma, desenvolvimento, mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento, e esta ativação não poderia produzir-se sem aprendizagem. Por isso, a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais, mas formadas historicamente. (Vigotsky, 1998, p. 115).


O que se percebe é que a arte transmite a cultura, ideias, sentimentos, despertando a curiosidade e influenciando o indivíduo a ter atitude, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de Arte:

desde o início da história da humanidade a arte sempre esteve presente em praticamente todas as formações culturais. O homem que desenhava nas cavernas teve que aprender de algum modo o seu ofício, e da mesma maneira ensinou para alguém o que aprendeu. (Brasil. , 2001, p. 21).


Dessa forma o trabalho com a arte, o ensino e a aprendizagem auxiliam na evolução do conhecimento, mediante o qual articulamos uma experiência anterior com interações com o mundo exterior que envolve a produção todo tempo.

É importante lembrar que a arte nem sempre é uma cópia da realidade que está a nossa volta. São representados por outros que viam e veem o mundo da forma como eles imaginam para idealizar as coisas que envolvem sentimentos e criatividade, sendo assim a arte pode ser uma forma de se expressar, agir e olhar, criar para encontrar prazer, desejo e conhecer a si mesmo, despertando o sentido da vida.

Assim, criar arte é perceber expressões visuais na educação oferecendo aos alunos uma forma de si manifestar e comunicar entre as diferentes atividades lúdicas, criando um universo de incentivo e curiosidade pelas expressões e manifestações artísticas, promovendo o respeito das diferentes culturas.

A presente pesquisa tenta colaborar com os educadores para viabilizar o ensino da Arte, mais precisamente na aplicabilidade das Artes Visuais e sua metodologia em sala de aula, como ferramenta para acompanhar, instruir, desenvolver métodos e avaliar os trabalhos artísticos de seus alunos.

Também se baseia na preocupação com os métodos de ensino de Artes Visuais, principalmente em escolas públicas, tendo em vista que alguns educadores dão ênfase aos conteúdos e materiais sem a primordial preocupação com o conhecimento e a importância da arte e o que ela representa para seu aluno.


O que se tem constatado é uma prática diluída, pouco ou nada fundamentada, na qual métodos e conteúdos de tendência tradicional e novista se misturam, sem grandes preocupações, com o que seria melhor para o ensino da Arte. (FusariFerraz, 2010, p. 41).


Como proposta metodológica, neste estudo foi realizada a pesquisa bibliográfica, a fim de se buscar informações, ideias e comprovações a respeito do tema proposto.

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. (Gil, 2002, p. 44)


Esta pesquisa foi fundamenta baseando-se nas ideias, visões e definições de diversos conceituados autores, estudiosos do comportamento humano e da criança, como Piaget, Luquet e Vygotsky, e outros mestres pedagogos e especialistas em Artes. Dentre estes deve ser destacada a importância da leitura de dois livros: As Inquietações e Mundanças no Ensino da Arte, de Ana Mae Barbosa (2011), por compartilhar com esta autora, entre outros assuntos, a preocupação com os rumos do ensino de Arte nas escolas, e Arte na Educação Escolar, de Maria Heloísa C. de T. Ferraz e Maria F. de Resende e Fusari (2010), pois esta obra apresenta caminhos e sugestões para se repensar sobre educação escolar em Arte.

A presente pesquisa foi estruturada em três capítulos: No primeiro, com o título Contexto Histórico da Arte, é apresentado uma breve história da arte no mundo e no Brasil, e a importância da linguagem visual nas aulas de Arte,

No segundo, são discutidos métodos sobre como analisar o significado do desenho da criança, para complementar este tópico são apresentas as etapas do desenvolvimento do desenho da criança na visão de Piaget e Vygotsky, por fim, são expressas opiniões sobre como o desenho evolui paralelamente com o desenvolvimento da criança.

O terceiro capítulo procura contextualizar o trabalho do professor no sentindo de saber analisar e avaliar os trabalhos de Arte desenvolvidos pelas crianças, utilizando os diferentes recursos metodológicos disponibilizados para a área de Arte.

Sendo assim, conforme os textos descritos, espera-se que os educadores sejam despertados a estimular nas crianças a expressão criadora, não apenas como uma tarefa e sim que sejam momentos lúdicos de interação, para que estimulem nos pequenos artistas a construção do pensamento, e que, por meio destes trabalhos, consigam expressar suas ideias e suas emoções.

Como objetivos específicos, houve o intuito de analisar o processo de desenvolvimento da criança, para isso recorreu-se aos estudos de dois filósofos do comportamento da criança, Piaget e Vygotsky, ao qual foi dado destaque no capítulo dois. Outro objetivo foi o de interpretar as diferentes técnicas das Artes Visuais. No capítulo três, é exposta a visão de como se dá a leitura do desenho e é destacado também as novas tendências tecnológicas que facilitam o uso destas técnicas.




CONTEXTO HISTÓRICO DA ARTE

 O mundo está em constante transformação, em tempos em que a tecnologia facilita a comunicação entre os povos, o conhecimento de cada cultura é rapidamente e amplamente divulgado, a mistura de culturas está presente nos novos tempos.

 Estes progressos divulgaram técnicas e teorias que se espalharam, por meio de vários meios, como fotografia, rádio e televisão. Os estilos de arte podem ser discutidos e observados e as técnicas compartilhadas, pela imprensa, pela internet e outros meios.

 Para entender melhor a Arte e sua concepção é preciso estudar sua história, desta forma, procuramos entender como se deu a evolução do homem não apenas como indivíduo, mas também sua participação na sociedade e a evolução de sua cultura.

é importante saber como a arte vem sendo ensinada, suas relações com a educação escolar e com o processo histórico-social. A partir dessas noções poderemos nos reconhecer na construção histórica, esclarecendo como estamos atuando e como queremos construir essa história. (FusariFerraz, 2010, p. 22).


 Ainda citando as autoras e complementando o que foi dito a respeito da Arte, “o principal sentido da obra de arte é, pois, a sua capacidade de intervir no processo histórico da sociedade e da própria arte, […] explicitando, assim, a dialética de sua relação com o mundo”
, (FusariFerraz, 2010, p. 107).

Partindo desse conceito, cabe ao professor durante as aulas de Artes, incentivar seu aluno na produção de trabalhos artísticos, para que se expresse individualmente ou coletivamente, no sentido de analisar de que forma sua obra conta sua própria história e convive na sociedade.


Arte: contando uma história

A palavra Arte teve muitos significados durante a história, está relacionada à cultura dos mais variados povos existentes. Ela atravessa os tempos, criando e contando o passado e recriando o presente. A arte está presente a nossa volta e com ela compomos a história de uma sociedade. Cada objeto artístico apresenta uma finalidade. Desde a pré-história, o homem sempre criou elementos que o ajudassem a superar as suas necessidades e a vencer desafios.

A arte existe desde a pré-história quando os homens eram obrigados a construir utensílios para a sua sobrevivência e conforto, no período Paleolítico (Idade da Pedra Lascada), deu-se a descoberta do fogo e começaram a desenhar cenas nas cavernas, representando suas caças com figuras de animais. Como eram nômades, não se encontra obras de arquiteturas neste período, as primeiras manifestações ocorrem apenas no Paleolítico Superior, com utensílios construídos com osso e pedra.

No período Neolítico (Idade da Pedra Polida) já se encontra habitações feitas de madeira e de pedra, como os menires (um bloco de pedra disposto verticalmente) e o dolmens (dois blocos dispostos verticalmente e um horizontalmente), já se percebe uma evolução artística na pintura, com formas mais bem definidas.

 Evoluindo um pouco mais na história, chega-se a Arte Egípcia, influenciada pela religião (crença nos deuses), ela nos impressiona, com sua arquitetura, com monumentos de dimensões grandiosas, como as pirâmides e os templos de Lúxor e Carnac. A escultura, também merece destaque, com os colossos de Ramsés II, na pintura gostavam de representar o espaço.

(…) os egípcios foram os maiores estatuários, primando na técnica, no domínio do material e no poder expressivo. Eles não usavam a perspectiva científica para representar o espaço, mas apenas para sugeri-lo.  (Filho, 1989, p. 29).


Há que se destacar também na história da arte a cultura grega, com seus templos construídos com pedra e madeira geralmente horizontais como o Pártenon, em Atenas.

 A Arte na Idade Média, após a queda do império romano e as invasões bárbaras, sofreu influência do cristianismo, cuja instituição mais rica era a igreja católica, surgiu a Patrística, que era a filosofia dos padres da igreja católica daquela época:

A Patrística foi um movimento que propagava uma teoria do conhecimento que unisse a fé a razão, e neste sentido, […] a razão é considerada auxiliar da fé e a ela subordinada. (AranhaMartins, 2003, p. 101).


Com o surgimento da Renascença, o homem passou a se preocupar mais com a sua história e com a natureza, neste período, que se passou na Europa entre os séculos XIV e XVI, têm-se que o homem descobriu o mundo e a si mesmo, é o período que marca o início da Idade Moderna. De acordo com  Filho (1989, p. 65) , o movimento renascentista “procura reviver os modelos clássicos greco-romanos”.

Grandes artistas se destacam nesta época, como Leonardo da Vinci e Michelangelo na pintura e Shakespeare na literatura.

A chegada na Idade Contemporânea, do final do século XIX até os dias atuais, se caracteriza pelo grande número de tendências e questionamentos das bases da arte e a incorporação de uma variedade de temas que antes eram desconhecidos e até excluídos.

No Brasil, relacionamos as artes com descobertas pré-históricas e antigas imagens relacionadas aos nossos índios, que trabalhavam com cerâmicas e expressavam sua arte por meio da arte corporal, com a chegada dos portugueses houve um choque cultural, pois os índios absorviam a cultura do homem branco e se distanciava de sua cultura.

No período colonial como representação de arte foram desenvolvidas construções simples que formavam as vilas, neste período os jesuítas tiveram influenciaram os nativos com seus conhecimentos em arte e os transmitiram para todos. Para  Cotrin (1996, p. 101), os jesuítas tinham a função “de divulgar a religião católica em nossa terra. Consideravam-se “soldados da religião”, com a missão de conquistar as almas dos índios e dos colonos para o cristianismo católico”

Com a vinda dos portugueses trazendo com eles os escravos que foram importantes para a cultura popular brasileira. A chegada dos povos da Europa, sobretudo a pessoa de Maurício de Nassau, trouxeram a arte que estava em voga na Europa na época, a Arte Barroca que se caracteriza pela arquitetura religiosa, as artes em madeira, sempre com cores fortes e vibrantes, foi uma tendência artística que se desenvolveu primeiro nas artes plásticas e depois na literatura, permaneceu vivo no mundo das artes até o século XVIII.

Das manifestações artísticas no Brasil destacam-se o expressionismo, o primeiro movimento artístico do século XX, que é a deformação e o exagero da realidade, de acordo com a visão do artista. O modernismo, marcado principalmente pela Semana de Arte Moderna, que ocorreu na semana de 11 a 18 de fevereiro de 1922, em que seus realizadores propõem novas tendências para a arte no país, rejeitando as influências estrangeiras, este evento não agradou a todos os expectadores pela quantidade de ideias inovadoras que eram apresentadas. Artistas importantes surgiram durante o modernismo como: Di Cavalcanti e Cândido Portinari na Pintura e Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nas artes plásticas.

A Arte contemporânea é Arte dos dias atuais, em que se dá o uso das novas tecnologias, as obras desenvolvidas neste período mostra muita valor à vida, à visão pessoal do artista, ao momento e a passagem no tempo. Neste período, os artistas não se atêm a um único estilo para suas obras.


A arte contemporânea é avessa à ideia de uniformidade. Mas essa não é uma particularidade da produção artística. A multiplicidade é marca dos tempos atuais, seja na ciência, na filosofia, na gastronomia, na televisão (Albuquerque, 2005, p. 12).


 Em nosso país e no mundo tem ocorreram importantes impactos nas produções artísticas, motivadas pelo crescente desenvolvimento tecnológico, como a internet e outros meios de comunicação.

Em síntese, em cada época e em cada cultura a arte se desenvolve à sua maneira, os artistas desenvolvem seus trabalhos de acordo com a sua posição e visão do mundo onde vive.


A linha do tempo da educação infantil no Brasil

A história da educação infantil no Brasil se inicia logo após sua descoberta, começou a receber os jesuítas, os primeiros alfabetizadores. Foi fundada a Companhia de Jesus, cuja missão era catequizar os índios que eram vistos pelos como selvagens.

Em 1759, com o intuito de que a escola fosse útil para os fins do Estado, Marquês de Pombal expulsa os jesuítas do Brasil. Este sistema de ensino então, é extinto.

A expulsão da Companhia de Jesus dos domínios portugueses, após séculos de predominância na nossa educação, faz com que se inicie nesta colônia, um processo de laização da instrução com o envio de professores régios. (Villela, 2007, p. 97).


Após chegada da família real e a proclamação da Independência, deu-se mais atenção à educação infantil a fim de mostrar que era um lugar com visão do futuro.

Havia muita dificuldade de se atender as crianças até o fim do século XIX, porque as famílias eram tradicionais, os pais tinham que buscar recursos para sustentar seus rebentos e cabia as mães a tarefa de educar seus filhos, já os filhos de escravos com os coronéis, em alguns casos com sorte eram adotados por homens branco. Somente a partir do século XIX começam a discutir sobre educação infantil baseados em modelos que vinham da Europa, então começaram a atender as crianças pobres, segundo KRAMER:


Eram as creches que surgiam, com caráter assistencialista, visando afastar as crianças pobres do trabalho servil que o sistema capitalista em expansão lhes impunha, além de servirem como guardiãs de crianças órfãs e filhas de trabalhadores. Nesse sentido, a pré-escola tinha como função precípua a guarda de crianças. (Kramer, 1995, p. 23)


Depois que a população iniciou a migração para as cidades, após a proclamação da república, surgiram os primeiros investimentos em educação básica. As mulheres começaram a trabalhar em fábricas e seus filhos ficavam com cuidadoras que não trabalhavam, surgiram então as primeiras creches e pré-escolas, cujos objetivos principais era evitar que as crianças fossem abandonadas por seus responsáveis

As primeiras normas relacionadas ao atendimento a criança surgiram em 1922 , o Escolanovismo, Pedagogia Nova ou Escola Nova, um movimento de renovação do ensino, que surgiu na época, era o primeiro a discutir a educação pré-escolar. Segundo FERRAZ,FUSARI (2010, p. 19): “A Pedagogia Nova, tem suas origens no final do século XIX na Europa e Estados Unidos, sendo que no Brasil seus reflexos começam a chegar por volta de 1930”.

Somente na década de 60 o governo passou a intervir e em 1961 foi criada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 4024/61 (BRASIL, 1961), que deixou clara a obrigatoriedade da criação de creches e pré-escolas e as mesmas a fazerem parte dos sistemas educacionais. No ser artigo 1º diz “Esta lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.” (BRASIL,1961, p. 2)

A partir de novas pesquisas com referência ao desenvolvimento da criança as mães de classe média também começaram a se preocupar e nesta fase já se vê o atendimento as crianças como uma obrigação do estado e não somente como assistência social.

 Nos anos 80 e 90 os programas de televisão passaram a apresentar conteúdos pedagógicos e em 1990, a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº 8069/90 garantia os direitos da criança com respeito a educação, Art. 53º ”A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho” (BRASIL, 2010, p. 40).

Na década de 90 inicia-se uma nova etapa, marcada pela política de educação infantil difundida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), quando se incorpora a educação infantil no primeiro nível da educação básica e se adota um regime de colaboração entre a União, Estados, Distrito Federal e Municípios. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394/96 (BRASIL, 1996), define em seu Art. 8º. “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino. (BRASIL, 1996, p. 4).

Aos municípios, competem além de oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas e manter o ensino fundamental, baixar normas complementares às leis maiores, bem como autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos de seus sistemas de ensino, e aqueles mantidos por particulares. O município, portanto, carrega a responsabilidade para com a Educação Infantil.

A Educação Infantil passa a fazer parte do sistema educacional brasileiro a partir da LDB, Lei nº 9394/96 (BRASIL, 1996), é um avanço significativo, pois essa lei divide a educação em níveis e garante a todos o direito a educação e os deveres dos órgãos Federais, Estaduais e Municipais.


Art. 1º. “Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias (Brasil. , 2010, p. 2).


Segundo informa os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de Arte (2001, v. 6, p. 28), “Em 1971, pela lei de Diretrizes e Bases na Educação Nacional, a arte é incluída no currículo escolar com o título de Educação Artística, mas é considerada atividade educativa e não disciplina”. 

É necessário mudar o conceito que a educação infantil é apenas assistencialista como algumas escola enfatizam, têm de se partir do princípio que a escola é um lugar para se aprender, local que as crianças constroem seus conhecimentos para encarar o problemas, adquirem novas habilidades para sua vida acadêmica e sua relação com a sociedade
.


A importância da linguagem visual nas aulas de Arte 

 Nos dias de hoje os professores estão buscando nas Artes Visuais métodos educacionais que desenvolvam nas crianças a maneira de expressar suas dificuldades. Podendo estimular e considerar possibilidades de alfabetização.

Entendendo a Arte como linguagens pode-se entender que cada atividade realizada nesse meio expressa sentimentos, ideias e saberes do indivíduo ao realizá-lo. A arte na educação infantil auxilia o processo do autoconhecimento e desenvolvimento motor da criança, que possibilita a criança vivência e reflete a questão de conceitos permitindo condições para o desenvolvimento no ensino e aprendizagem.

A Arte Visual é muito importante na vida da criança por que pode proporcionar o desenvolvimento da expressão corporal, coordenação motora, criatividade cognitiva, socialização e alfabetização.

 A escola deve incentivar o fazer artístico de seus alunos, a usar em seus trabalhos a criatividade, a imaginação, tanto em uma atividade individual ou coletivo. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de Arte:

A educação visual deve considerar a complexidade de uma proposta educacional que leve em conta as possibilidades e os modos de os alunos transformarem seus conhecimentos em arte, ou seja, o modo como aprendem, criam e se desenvolvem. (Brasil. , 2001, p. 21).


Dessa forma o trabalho com a arte, o ensino e a aprendizagem auxiliam na evolução do conhecimento, mediante o qual articulamos uma experiência anterior com interações com o mundo exterior que envolve a produção todo tempo.

É importante lembrar que a arte nem sempre é uma cópia da realidade que está a nossa volta. São representados por outros que viam e veem o mundo da forma como eles imaginam para idealizar as coisas que envolvem sentimentos e criatividade, sendo assim a arte pode ser uma forma de se expressar, agir e olhar, criar para encontrar prazer, desejo e conhecer a si mesmo, despertando o sentido da vida.

Assim, criar arte é perceber expressões visuais na educação oferecendo aos alunos uma forma de si manifestar e comunicar entre as diferentes atividades lúdicas, criando um universo de incentivo e curiosidade pelas expressões e manifestações artísticas, promovendo o respeito das diferentes culturas.

A presente pesquisa tenta colaborar com os educadores para viabilizar o ensino da Arte, mais precisamente na aplicabilidade das Artes Visuais e sua metodologia em sala de aula, como ferramenta para acompanhar, instruir, desenvolver métodos e avaliar os trabalhos artísticos de seus alunos.

Também se baseia na preocupação com os métodos de ensino de Artes Visuais, principalmente em escolas públicas, tendo em vista que alguns educadores dão ênfase aos conteúdos e materiais sem a primordial preocupação com o conhecimento e a importância da arte e o que ela representa para seu aluno.


O que se tem constatado é uma prática diluída, pouco ou nada fundamentada, na qual métodos e conteúdos de tendência tradicional e novista se misturam, sem grandes preocupações, com o que seria melhor para o ensino da Arte (FusariFerraz, 2010, p. 41).


Como proposta metodológica, neste estudo foi realizada a pesquisa bibliográfica, a fim de se buscar informações, ideias e comprovações a respeito do tema proposto.


A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas (Gil, 2002, p. 44)


.Esta pesquisa foi fundamenta baseando-se nas ideias, visões e definições de diversos conceituados autores, estudiosos do comportamento humano e da criança, como Piaget, Luquet e Vygotsky, e outros mestres pedagogos e especialistas em Artes. Dentre estes deve ser destacada a importância da leitura de dois livros: As Inquietações e Mundanças no Ensino da Arte, de Ana Mae Barbosa (2011), por compartilhar com esta autora, entre outros assuntos, a preocupação com os rumos do ensino de Arte nas escolas, e Arte na Educação Escolar, de Maria Heloísa C. de T. Ferraz e Maria F. de Resende e Fusari (2010), pois esta obra apresenta caminhos e sugestões para se repensar sobre educação escolar em Arte. 

A presente pesquisa foi estruturada em três capítulos: No primeiro, com o título Contexto Histórico da Arte, é apresentado uma breve história da arte no mundo e no Brasil, e a importância da linguagem visual nas aulas de Arte,

No segundo, são discutidos métodos sobre como analisar o significado do desenho da criança, para complementar este tópico são apresentas as etapas do desenvolvimento do desenho da criança na visão de Piaget e Vygotsky, por fim, são expressas opiniões sobre como o desenho evolui paralelamente com o desenvolvimento da criança.

O terceiro capítulo procura contextualizar o trabalho do professor no sentindo de saber analisar e avaliar os trabalhos de Arte desenvolvidos pelas crianças, utilizando os diferentes recursos metodológicos disponibilizados para a área de Arte.

Sendo assim, conforme os textos descritos, espera-se que os educadores sejam despertados a estimular nas crianças a expressão criadora, não apenas como uma tarefa e sim que sejam momentos lúdicos de interação, para que estimulem nos pequenos artistas a construção do pensamento, e que, por meio destes trabalhos, consigam expressar suas ideias e suas emoções.

Como objetivos específicos, houve o intuito de analisar o processo de desenvolvimento da criança, para isso recorreu-se aos estudos de dois filósofos do comportamento da criança, Piaget e Vygotsky, ao qual foi dado destaque no capítulo dois. Outro objetivo foi o de interpretar as diferentes técnicas das Artes Visuais. No capítulo três, é exposta a visão de como se dá a leitura do desenho e é destacado também as novas tendências tecnológicas que facilitam o uso destas técnicas.



O DESENHO E O DESENVOLVIMENTO INFANTIL 

Quando se fala em desenho, claramente se vê a imagem de um objeto, lugar ou pessoa simbolicamente feito com lápis, papel e tinta. Mas para a criança a representação do desenho é diferente da forma que os adultos o veem, para elas é uma forma de comunicação, é uma forma de linguagem, uma representação gráfica do que ela tem em mente, os seus sentimentos, as pessoas próximas e o ambiente em que vivem. Na visão de Florence de Meredieu, O desenho é o “modo de expressão próprio da criança e constitui uma língua que possui seu vocabulário e sua síntese”  (Meredieu, 2006, p. 14).  Ele também fala da influência dos novos fatores que têm influenciado no desenho das crianças, como os novos meios de comunicação e mídias, como televisão, cinema e revistas.

Para Luquet, o desenho para a criança é uma forma de diversão, um jogo como qualquer outro: “é um jogo tranquilo que não exige companheiro e ao qual se pode dedicar em casa tão comodamente quanto ao ar livre”.  (Luquet, 1969, p. 15).

 A evolução do desenho se dá conjuntamente com o desenvolvimento motor e a idade. Começam a desenhar desde muito pequenas, iniciando apenas com alguns rabiscos e evoluem até o momento de figuras mais precisas, em que conseguem distinguir o sexo.

 Alguns filósofos e estudiosos definem teorias sobre a evolução do comportamento da criança e a evolução do desenho, embora suas teorias sejam parecidas, cada um deles definem algumas etapas.

 É Importante destacar que estas etapas do desenvolvimento infantil pois elas forjam a identidade do ser humano, a partir da brincadeiras, dos rabiscos e desenhos. Neste capítulo destacamos as teorias de Piaget e Vygotsky, dois filósofos contemporâneos importantes e referências em estudos do comportamento infantil.

O significado do desenho infantil

O desenho para a criança é mais do que apenas uma atividade divertida, e ela não se preocupa em deixar seu desenho bem feito, apenas em demonstrar o que ela sente. Por meio do desenho ela pode expressar seus sentimentos, seu caráter, seus medos, suas opiniões e seu comportamento, durante sua fase de desenvolvimento ela vai se aprimorando, mas desde o início os desenhos tem significado para elas, tanto que ao se perguntar sobre o desenho, a criança sempre consegue explicá-lo, mesmo que sejam, durante a fase inicial, apenas rabiscos.

O ato de desenhar envolve a atividade criadora; é através de atividade criadora que a criança desenvolve sua própria liberdade e iniciativa, e, expressando-se como indivíduo reconhecerá esse mesmo direito nos outros o que lhe permitirá apreciar e reconhecer as diferenças individuais. (Lowenfeld, 1970, p. 16)

Ao se analisar o desenho da criança é necessário identificar o seu significado, embora não se tenha treino ou não seja um profissional do campo da psicologia, o educador pode identificar alguns traços que podem definir sua personalidade, por isso, deve-se dar oportunidade às crianças de se expressarem, pois o desenho é uma ferramenta a mais para o educador em sua prática pedagógica.

 MEREDIEU analisa todo o processo do desenvolvimento do grafismo infantil, mostra trabalhos desenvolvidos por educadores no sentindo de direcionar os ensinos com relação ao desenho da criança e fala sobre o desenho como instrumento para análise na área da psicologia. Ela fala sobre o caráter informal dos primeiros desenhos que a criança realiza e fala sobre o caráter lúdico destes primeiros trabalhos artísticos, considera pela autora como fantasias.

Encenação do trauma, o desenho provoca a revivescência dos velhos afetos: a criança pode deste modo exprimir suas fantasias, jogando com elas gráfica e picturalmente, tendo a cor muitas vezes uma função importante, pois ela vivifica personagens e objetivos. (Meredieu, 2006, p. 78).


Já uma boa pressão do desenho demonstra entusiasmo e vontade. Quanto mais forte seja o traço, mais agressividade existirá, enquanto as mais superficiais demonstram falta de vontade ou fadiga física.

 Ao analisar as cores do desenho, pode-se dizer que o vermelho representa a vida, o ardor, o ativo; o amarelo, a curiosidade e alegria de viver; o laranja, necessidade de contato social e público, impaciência; o azul, a paz e a tranquilidade; o verde, certa maturidade, sensibilidade e intuição; o negro representa o inconsciente; o marrom, a segurança e planejamento. É necessário acrescentar que o desenho de uma só cor, pode denotar preguiça ou falta de motivação.

 É importante que seja dito que quaisquer análises com relação ao desenho infantil, embora, de forma genérica estudos, devem ser feitas de forma individual, posto que cada criança vive em seu mundo, representa de forma diferente a sociedade, as coisas e pessoas com quem convivem, a felicidade e as frustrações, se de alguma forma existir alguma preocupação é importante que esta análise seja feita por especialistas.


A evolução do desenho segundo Piaget e Vygotsky 

Desde os anos iniciais as crianças começam a expressar por meio de desenhos sua visão sobre pessoas ou coisas e desta forma se comunica com o mundo, começam a desenhar na terra, nas paredes ou utiliza lápis e papel. Para as crianças estes rabiscos tem significados, tanto que quando perguntadas sobre sua significação elas sempre conseguem descrevê-lo. Em geral, os desenhos das crianças seguem o mesmo padrão de acordo com sua faixa etária, como demonstram estudo de alguns filósofos e pensadores, Piaget e Vygotsky, dois autores influentes na área da psicologia e estudiosos da inteligência infantil.

Jean Piaget (1896 – 1980) e Lev Semenovich Vygotsky (1896 – 1934) expressaram suas teorias sobre a evolução do desenho da criança e definiram suas fases. Para Piaget (1973), a criança compartilha mais intimamente, por um lado, as fases da evolução da percepção e da imagem mental, subordinando-se às leis da conceituação e da percepção.

 Piaget baseou sua pesquisa observando seus filhos e crianças de sua comunidade e definiu as fases do desenvolvimento em quatro etapas ou quatro períodos (Sensório motor, Pré-Operatório, Operatório Concreto e Operatória Formal.), esta teoria é conhecida como teoria cognitiva. Durante estes períodos, Piaget se referiu ao desenho infantil e definiu algumas fases:

 A Garatuja, forma de expressão de crianças até os 3 anos de idade, quando começa a fazer rabiscos e não conseguem ainda desenhar figuras humanas, são traços que representam a forma dela se comunicar, traços fortes indicam que a criança está feliz, ou pode representar instabilidade caso não consigam segurar o lápis ou o soltem com frequência. Inicialmente a criança desenha traços desordenados definidos por Piaget como garatujas descontroladas
, , conforme mostra a Figura 1.

Garatuja descontrolada
Garatuja descontroladaVigotsky (1998, p. 25)

Logo estes desenhos passam a representar para eles o universo, o meio em que vivem e as pessoas próximas, também podem representar suas emoções, seu comportamento e sua personalidade. Numa segunda fase as garatujas passam a adquirir formas mais significativas, com movimentos circulares no desenho, definidas como garatujas elaboradas ou controladas, veja figura 2. 

Garatuja controlada
Garatuja controladaVigotsky (1998, p. 30)

A partir dos 3 anos de idade a criança já consegue definir o significado do seu desenho, e já aparecem formas como riscos horizontais, verticais, espirais e círculos, e ela já começa a representar a figura humana e a usar as cores, embora desordenadamente e sem relação com a realidade, mais parecidos com “girinos” ou “sapinhos”, esta fase é definida por Piaget como Pré-Esquematismo ou fase Pré-Operacional. A figura 3 representa o desenho da criança durante esta fase.

Desenho da criança durante a fase do Pré-Esquematismo
Desenho da criança durante a fase do Pré-EsquematismoVigotsky (1998, p. 34)

O Esquematismo, ou Operações Concretas, a partir dos sete anos de idade, Segundo Piaget, é a fase em que a criança representa a figura humana em seus desenhos, mesmo que de forma exagerada, com figuras disformes ou desvios, e começa a ter noções de espaço, localização, direção e tamanho, como mostra a figura 4.

Desenho da criança durante a fase do Esquematismo
Desenho da criança durante a fase do EsquematismoVigotsky (1998, p. 40)

No final da fase do Esquematismo, surge o Realismo, quando a criança consegue, desenhando roupas, distinguir o sexo. Conforme mostra a figura 5.

Desenho da criança durante a fase do Realismo
Desenho da criança durante a fase do RealismoVigotsky (1998, p. 46)

O Pseudo-Naturalismo ou Operações Formais e/ou Abstratas, a partir dos doze anos de idade, quando a criança utiliza a cor conscientemente e demonstra seus desenhos com personalidade, a figura humana é detalhada inclusive as características sexuais, é importante nesta fase o incentivo de educadores pois começam a se desinteressar por desenho e substituí-lo pela escrita. A Figura 6 mostra o desenho da criança durante a fase do Pseudo-Naturalismo.

Desenho da criança durante a fase do Pseudo-Naturalismo.
Desenho da criança durante a fase do Pseudo-Naturalismo.Vigotsky (1998, p. 62)

Vygotsky, por sua vez, considerou que o desenho infantil evolui baseado em dois aspectos: que o desenho da criança se inicia com os gestos, depois a linguagem e considera que a importância da linguagem como base para o desenho, pois, segundo sua teoria, a criança faz a relação do objeto desenhado de acordo com sua fala sobre o que ele representa. Ele afirmou que “o desenho é uma linguagem gráfica que surge tendo por base a linguagem verbal” e pode ser considerado “um estágio preliminar no desenvolvimento da linguagem escrita. (Vigotsky, 1998, p. 127).

 Vygotsky define em sua teoria as seguintes etapas: A Etapa Sólica, quando as crianças representam seus desenhos a figura humana em forma de bonecos, com pouca ou nenhuma fidelidade, por meio de símbolos. A Etapa Simbólico-Formalista, quando a criança começa a desenhar formas mais elaboradas mais próximas da realidade, embora os desenhos ainda mantem características da fase anterior.

Na Etapa Formalista Veraz, embora a criança ainda não use técnicas, a representação dos desenhos estão mais próximas do real, ao invés de símbolos ela representa os fielmente objetos. Na Etapa Formalista Plástica os desenhos se tornam mais realistas e nítidos e a criança passa a utilizar técnicas, nesta fase, elas já não desenham com a mesma frequência, pois deixam de desenhar para si mesmas e o fazem como um trabalho de criação.

 As teorias realizadas pelos estudiosos do comportamento humano e a inteligência da criança, como os citados neste capítulo e outros importantes nomes como Luquet e Lowenfeld, contribuem para que educadores avaliem e interpretem as etapas do desenvolvimento da criança, o ensino, a aprendizagem e seu comportamento, embora devam refletir e avaliar estas teorias e construir a sua própria.

O desenho evolui paralelamente ao crescimento da criança? 

A evolução do desenho da criança depende de alguns fatores, não somente da idade, a quantidade de horas dedicadas e a prática, assim como os adultos devem se considerar o talento ou dons e o ambiente em que vive, por este motivo, nos anos iniciais, não é possível ensinar a criança a desenhar, deve-se estimular para que elas representem o que elas sentem, como um exemplo, uma criança que vive junto à natureza, livre para correr e brincar pode desenhar seus pais andando junto no mato, o mesmo raramente é feito por crianças que moram em apartamentos.

 Os padrões de desenhos das crianças durante sua fase de desenvolvimento geralmente revelam que, à medida que desenvolvem sua coordenação motora se tornam mais significativos, numa primeira fase iniciam com rabiscos, passam pela fase em que mesmo com formas parecidas com “girinos” ou “sapinhos” começam a desenhar a figura humana, até a fase em que os desenhos começam a definir formas mais artísticas, é quando também começam a substituir a linguagem dos desenhos pela linguagem escrita.

 Para Vygotsky(1998) a criança se comunica por meio da fala ela se expressa utilizando o desenho, o que ele considera como signos, ele também considera o desenho como precursor para a linguagem escrita. Ele define que também é importante a presença do outro, ou seja, as pessoas do convívio da criança pois o desenvolvimento e a aprendizagem, embora relacionados, são processos distintos.

 Segundo Luquet, a criança desenha não apenas baseada no que os seus olhos veem mas na imagem mental que ela tem, ele afirma:

O desenho infantil, enquanto manifestação da atividade da criança permite penetrar na sua psicologia e, portanto, determinar em que ponto ela se parece ou não com a do adulto.  (Luquet, 1969, p. 213-214).

 Para finalizar este capítulo é importante ressaltar que o resultado da observação do desenvolvimento do desenho da criança é similar entre os principais filósofos, no entanto, o estudo de cada uma de suas teorias é importante para auxiliar os educadores e profissionais da psicologia a investigar o comportamento da criança analisando seus desenhos.

AS ARTES VISUAIS E A PRÁTICA DOCENTE

A Arte Visual está presente em várias manifestações artísticas, como no teatro, cinema, na fotografia, na música, na escultura, na pintura, e mesmo as empresas para sua representação visual, ou seja, toda a arte que pode ser admirada com os olhos, sempre baseado na imaginação do seu criador.

Este capítulo destaca como o docente deve usar as Artes Visuais para que seja um mediador no processo de reflexão, crítica e desenvolvimento a respeito das imagens. Ele deve ser sensível no sentido de criar situações para que possa ampliar a visão do seu aluno a respeito do mundo, da sociedade onde vive e sua cultura.

Como mediador, é importante que o professor consiga identificar e entender o trabalho do artista, desta forma conseguirá contribuir para que ele consiga expressar em seus trabalhos os seus sentimentos, suas alegrias e frustrações. Para FERRAZ, FUSARI (2010, p.84) “quando o educador sabe intermediar os conhecimentos, ele é capaz de incentivar a construção e habilidades: do ver, do observar, do ouvir, do sentir, do imaginar e do fazer da criança”.

É função do professor de Artes também fornecer meios e materiais que facilitem o trabalho do artista, para isso deve dispor de meios tradicionais ou contemporâneos, incluindo os novos recursos tecnológicos, embora a ênfase do trabalho do artista e o que este representa para o si e para os outros.

é importante desenvolver-se a competência de saber ver e analisar a imagem, para que se possa, ao produzir imagens, fazer com que ela tenha significação tanto para o autor quanto para quem vai vê-la. Assim é preciso conhecer a produção artística visual contemporânea, valorizar nossa herança cultural e ter consciência da nossa participação enquanto fruidores e construtores da cultura do nosso tempo. (Barbosa, 1989, p. 113).

 Martins também descreve a função do educador nas aulas de Artes: “Sua intervenção já ocorre antes, no sentido de organizar a ação, na escolha de materiais adequados para a sondagem e na preparação do espaço externo, do ambiente”.(MARTINS; GUERRA;  TELLES, 1998, p. 167). 

Por fim, tratamos sobre a influência da avaliação do trabalho artístico feita pelo professor de Artes, citando a complexidade deste procedimento, uma vez que o professor deve ter o cuidado e a sensibilidade de, durante este processo, analisar conjuntamente a evolução artística e pessoal, assim como os matérias usados na produção, tanto de forma individual quanto coletiva.

A leitura do desenho feita pelo professor

O professor tem um papel importante junto ao desenvolvimento da criança, é necessário acompanhar e entender o significado das etapas de evolução desenho infantil, também é preciso questionar e incentivar. Desta forma será possível ao educador definir sua personalidade, identificar e entender seus anseios, dúvidas e até algum tipo de dificuldade motora. Para este processo, é necessário que a criança o faça sem que haja algum tipo de influência, deve acontecer naturalmente, principalmente durante os momentos que estejam brincando, nestes momentos elas se expressam com mais espontaneidade. 

Uma importante implicação pedagógica dessa compreensão do brincar é a necessidade de a escola favorecer a ampliação das experiências das crianças, pois “quanto mais a criança veja, ouça, experimente, quanto mais aprenda e assimile, quanto mais elementos reais ela disponha em sua experiência, tanto mais considerável e produtiva será a atividade de sua imaginação. (Vigotsky, 1998, p. 18).


Piaget afirma que a inteligência é um fenômeno biológico, com base no cérebro e corpo inteiro e que ela é dinâmica, ou seja, está em constante evolução, de acordo com o envolvimento do indivíduo com o seu meio ambiente, em que ele procura se adaptar e sobreviver. 

 Entende-se que a aprendizagem é um conjunto de reações que o indivíduo executa para adaptar-se a seu meio, explorando o ambiente e fazendo parte dele, desta forma vão se assimilando novos conceitos.

 Outra forma da adaptação ao meio ambiente, segundo Piaget, é pela acomodação, quando o indivíduo transforma sua estrutura para se adequar ao que está sendo aprendido.

 Pode-se afirmar que por meio do desenho a criança representa esta adaptação ao meio ambiente e a transformação descrita na teoria de Piaget.

 Sendo assim, cabe ao professor acompanhar a criança durante o desenvolvimento da sua inteligência e adaptação ao meio onde vive e interação dela com os objetos do desenho
.

Tendências metodológicas para o ensino das artes visuais na educação infantil

Iniciamos nossa reflexão sobre as novas tendências na metodologia de ensino de artes visuais no ensino infantil partindo da ideia de que para se iniciar uma nova tendência é necessário entender e analisar a forma que este processo ocorreu ao longo da história, isto permitirá refletir sobre a atual situação da arte-educação, e de acordo com estes estudos idealizar os recursos a serem usados no futuro. Concordando com BARBOSA (1989, p. 14): “[…] um dos instrumentos de conscientização dos educadores poderá se constituir na análise do sistema educacional”.

 Segundo FERRAZ, FUSARI:

As novas descobertas científicas e o enriquecimento de novos meios de comunicação trazem novas oportunidades no campo de imagens, o que complementa as experiências no campo do desenho, da pintura, da gravura, escultura, arquitetura que passam a ser produzidas também através de tecnologias eletrônicas. (FERRAZ; FUSARI, 2010, p. 94)


 Neste conceito, pode-se dizer que a internet e programas de computador com finalidades educativas podem ser usados como recursos da era moderna para fins educacionais, podem ser uma ponte entre as descobertas, as produções e inovações de produções artísticas, bem como também podem ser usados como um objeto de interação do indivíduo com a sociedade, inclusive o compartilhamento de conhecimento com culturas de outros países, Barbosa diz (2011, p. 124) “A internet é um instrumento poderoso de ação artístico-cultural, por sua inédita capacidade de levar imagens, textos, e documentos hipermídia, possibilitando assim gerar novos paradigmas no âmbito das proposta do ensino da Arte”.

 É necessário rever conceitos sobre como as artes visuais são mostradas e ensinadas na escola, algumas utilizam métodos ineficazes e elas, bem como seus professores que não estão preparados para usar metodologias que desafiem as crianças e colaborem para o desenvolvimento integral das mesmas, ainda que tenham os materiais adequados.

 É primordial que os educadores estejam ambientados aos novos recursos tecnológicos e se adaptem aos recentes meios de se pensar e fazer arte, que os utilizem em suas aulas, mas essencialmente valorizem a produção artística em detrimento da tecnologia. Sempre considerem a obra de acordo com e o resultado final da criação e não somente o conhecimento do autor como ferramenta tecnológica usada.

 Em síntese, pode-se supor que estas novas tecnologias podem ser aplicadas também para o ensino de artes visuais na educação infantil, algumas dessas inovações já são usadas por educadores, e a cada dia as crianças estão se ambientando a elas.

A avaliação na aplicação da linguagem visual

 A avaliação está presente em nossas vidas em todos os momentos, no nosso dia a dia sempre estamos avaliando algo. Esta ação está presente também na educação, se avalia os educandos em todos os períodos escolares. Quando o educador avalia um aluno ele está também se avaliando, refletindo sobre sua prática docente como mediador de conhecimentos e coletando dados para aprimorar suas aulas, a si mesmo como educador.  

A avaliação não é um instrumento de controle do professor, de constatação pura e simples das aprendizagens, mas um instrumento de aprendizagem e reorientação do planejamento das situações de ensino” (ArslanIavelberg, 2006, p. 81).


 Assim como a teoria e a prática, o ensino e a avaliação são dois processos que caminham juntos, para Libâneo (1990. p. 195) a avaliação “deve acompanhar passo a passo o processo de ensino e aprendizagem. Através dela, os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do professor e alunos são comparados com os objetivos propostos.”.

 A avaliação em artes se torna mais complexa pois não se avalia apenas o resultado final de um trabalho, mas também procura entender o sujeito, sua cultura e a subjetividade. Arslan, Iavelberg exemplificam esta complexidade:

Dar nota ao desenho de um aluno que tem medo de desenhar é delicado. Com que critérios o professor faria isso? Uma nota inesperada pode criar ou aumentar seu bloqueio expressivo pelo resto da vida. (ARSLAN; IAVELBERG, 2006, p. 79).

 Em experiência adquirida junto a professores de ensino de arte podemos perceber que alguns optam avaliar preferindo não dar nota ao aluno em disciplina de Arte, deixam que eles fiquem à vontade para expressar-se de maneira espontânea, e buscam incentivá-los a aprimorar seus trabalhos.

 Outro fator da dificuldade em se avaliar trabalhos de artes visuais se refere à forma como os trabalhos são desenvolvidos e ao acesso do aluno aos materiais para se realizar suas atividades plásticas.

Nas Artes Visuais o processo de desenvolvimento do aluno e os trabalhos realizados, para Arslan, Iavelberg, podem ser mais importantes que o resultado, segundo a autora: “Acompanhar o processo de criação dos alunos é mais importante que exigir resultados em produções isoladas”. Arslan e Iavelberg (2006, p. 88).

 Sendo assim, é importante destacar que em aulas de Artes Visuais a maior preocupação do educador em sua prática pedagógica deve ser a evolução dos alunos e sua humanização, tanto na melhoramento da qualidade dos seus trabalhos quanto a progressão como indivíduo na sociedade, que estes percebam que o conteúdo que desenvolvem é importante para suas vidas, desta forma darão mais sentido a aprendizagem.

Considerações finais

Buscou-se por meio desta pesquisa oferecer informações, despertar reflexões e análises, com a expectativa de que os educadores reflitam as diferentes metodologias de análise do uso das Artes Visuais na educação infantil de forma que não seja simplesmente um trabalho artístico a ser desenvolvido como uma tarefa, mas que estabeleça uma prática pedagógica que valorize a linguagem artística para desenvolvimento da criatividade da criança, bem como analisar seus trabalhos para identificar sua personalidade e avaliar como poderá estar colaborando para sua evolução pessoal e seu convívio na sociedade.

 Propõe-se que os pais e educadores estimulem as crianças lhes oferecendo, por meio das Artes Visuais, momentos em que possam interagir com o mundo, a sociedade, e o ambiente que lhes cerca, para que possam construir, de forma lúdica, seu pensamento.

 Outro aspecto importante enfatizado nesta pesquisa foi o questionamento de como estes trabalhos podem ser realizados, foram propostos métodos tradicionais e contemporâneos sempre destacando que quaisquer desses métodos, auxiliam, mas não são a maior relevância, considerando que, o principal é o processo de produção artística e o resultado do benefício concedido ao aluno.

Espera-se que esta pesquisa alcance resultados, para que possa ser uma ferramenta de consulta para trabalhos futuros que enfoquem o mesmo tema, e que sirva de alerta a educadores no sentido de enriquecer o ensino de Artes Visuais.

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