O INTERESSE CHINÊS EM MATÉRIA-PRIMA AFRICANA:  NIGÉRIA E SEU PETRÓLEO

CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS

O INTERESSE CHINÊS EM MATÉRIA-PRIMA AFRICANA NIGÉRIA E SEU PETRÓLEO

Vinicius Vieira

Resumo

Com o grande crescimento da economia chinesa, existe uma preocupação com relação às fontes de matéria-prima, principalmente o petróleo. Por mais que o país possua reservas de petróleo, a demanda é maior que a oferta, por isso a necessidade de encontrar novos mercados a fim de suprir sua demanda, a China vê então no continente africano a oportunidade de continuar atingindo seus objetivos por meios de investimento estrangeiro, acordos bilaterais dentre outros. Será analisada então no período de 1999 até os dias atuais, essa relação entre esses dois países e será feita por meios de dados da balança comercial de ambos e esperamos concluir que essa relação sino-nigeriana traga bons frutos aos dois países, e que a Nigéria saiba aproveitar esses investimentos estrangeiros, e consolidar seu Estado no cenário internacional.

Palavras-chave: Petróleo; China; Nigéria; Comércio Internacional; África.

Abstract

The chinese economy has been increasing considerably during the years, as a matter of fact, there’s a big worry among these increases, these worries are related to sources of feedstocks, mainly oil. Although China has lots of oil reserves, the demand is higher than the offering, that is why the country ought to find new markets, in order to supply the demand, China finds in African continent, to be especif in Nigeria, the opportunity to keep reaching it goals through foreigners investiments, by bilateral agreements and so on. It will be analysed since 1999 until nowadays the relation between each other, and it will be done by trade balance databases and we expect to conclude that this sino-nigerian relation brings good results for both of them, and Nigeria knows how to avail these foreigners investiments, and build up it State in the international scenario.

Palavras-chave: Oil; China; Nigeria; International Trade; Africa.

Efeitos de uma relação bilateral forte e bem definida

China e Nigéria uma grande parceria

Conseguimos entender no segundo capítulo como ocorreu o início das relações entre Nigéria e China, por quais fases econômicas e políticas passaram cada um deles e o panorama atual dessa relação. Foi possível perceber também o período de intensificação comercial entre os dois países,  como também alguns momentos de tensões como na Guerra Civil Nigeriana, dentre outros momentos.

Nesse terceiro e último capítulo vamos fazer um balanço dessa relação e analisar o porquê a China tem o país africano como um dos principais parceiros no cenário internacional que diz respeito ao petróleo, e qual o comportamento da Nigéria como potência regional.

Antes de começarmos de fato esse capítulo, devemos relembrar que a China passou por momentos difíceis em sua construção como Estado, isso por conta de várias guerras, guerras essas que prejudicaram até um determinado momento seu desenvolvimento econômico e político.

Com o passar dos anos, o país asiático foi adotando formas de se reerguer, por meio de políticas econômicas, sociais e a construção de um governo forte e bem definido, essas ações depois de muito tempo surtiram efeito, pois, levaram a China num crescimento acelerado de tal maneira jamais presenciado no cenário internacional, com números de PIB surpreendente a partir dos anos 1990.

Situação bem diferente do país africano, que foi colônia inglesa até 1960 e a partir daí conseguiu dar os primeiros passos “sozinhos” no âmbito internacional. Infelizmente esses primeiros passos possuíam ainda muita influência da antiga metrópole, como por exemplo as ideias econômicas, políticas e socioculturais,  mas conseguiu por meio de várias constituições a transferência da unidade política à elite do país.

Com uma população estrondosa, no sentido quantitativo, a Nigéria na década de 1980 já independente, disputava com a África do Sul o posto de potência regional, por dispor de recursos naturais muito valiosos, como o petróleo.

De acordo com Visentini (2012), a China tem desenvolvido não só o estabelecimento com os países africanos, especialmente a partir da década de 1990, mas também criação de projetos e investimentos nas mais diversas áreas.

Segundo Sautman e Hairong (2006), outro ponto muito importante nas relações de investimento chinês, é o fato da China não impor aos países africanos condicionalidades políticas.

De acordo com Ribeiro (2014), em 2006 foi criado um acordo entre China e Nigéria, assinado então pelo presidente chinês Hun Jin Tao e Olusegun Obasanjo até então presidente nigeriano, nesse acordo foram firmados parcerias políticas e cooperação na defesa do país africano. Ribeiro (2014) ainda coloca que essa cooperação está sendo cada vez mais benéfica em termos de defesa de ambos os países.

Nesse gráfico abaixo podemos ter uma noção em milhões de dólares o começo desse estreitamento bilateral.

Gráfico 3 – Faturamento total do Comércio Bilateral entre China e Nigéria em 1994-2001 (incluindo Exportações e Importações)Gráfico 3 – Faturamento total do Comércio Bilateral entre China e Nigéria em 1994-2001 (incluindo Exportações e Importações)UNCTADSTAT

A partir deste gráfico podemos ter uma noção da intensificação da balanço comercial sino-nigeriano, justamente no período de 1999-2000.

Num primeiro momento podemos de fato perceber uma preocupação gigantesca por parte do país asiático em conseguir fornecedores de matéria-prima de boa qualidade, pois foram criados vários acordos bilaterais, fóruns de discussão tendo os países africanos como enfoque.

Isso nos faz refletir que já naquele momento a China vinha se preocupando com seu crescimento acelerado no que diz respeito aos recursos naturais que utilizará para tal crescimento, como o petróleo. 

Partindo agora do ponto de vista do país africano, a Nigéria teve como principal país exportador a China, isso desde o ano de 2005 até os dias atuais com números muito superiores aos de outros países como, Reino Unido, França, EUA, e Países Baixos. No gráfico 4 podemos ilustrar de forma clara a porcentagem dos países nas exportações nigerianas. 

Gráfico 4 – Principais países que a Nigéria exportou e a participação de cada país no faturamento total de exportação em 2005-2010 (em %)Gráfico 4 – Principais países que a Nigéria exportou e a participação de cada país no faturamento total de exportação em 2005-2010 (em %)UNComtrade/ Guia de Negócios da Nigéria – MRE

De acordo com Ribeiro (2014), os altos índices de exportação da Nigéria são de recursos primários, como petróleo e alimentos, e fosse possível suprir a demanda interna do país com essas vendas. 

Com essa parceria, Ribeiro (2014) afirma que só no ano de 2006 os Chineses enviaram um valor de mais de US$ 4 bilhões, para que fossem investidos em infraestrutura no país africano. Ribeiro (2014) ainda coloca que em troca de todo esse dinheiro os chineses começaram explorar sozinhos quase 1/4 do petróleo nigeriano.

A Nigéria importa muitos produtos que consome, pois sua indústria é precária e não atende com eficiência às necessidades de sua população. Essa carência industrial não se reflete no setor petroquímico, que, por ser uma das fontes de renda do país, necessita de alta tecnologia para exportação e para atrair maiores investimentos. Além
disso, o petróleo é o produto que mais se exporta pela Nigéria, com 95,5% em 2010, segundo dados do UNComtrade (RIBEIRO, 2010: 15). 

Ribeiro (2014) afirma que muitos setores nigerianos se beneficiaram com essa relação bilateral, como por exemplo, o setor de transporte que vem recebendo uma quantia grande de investimentos por parte dos chineses. Do ponto de vista de Ribeiro (2014), é muito perceptível o avanço na modernização dos transportes nigerianos, com a construção de portos e ferrovias, que dinamizam o recebimento de produtos manufaturados importados.

Outro setor que retêm boa parte dos investimentos estrangeiros chineses é a construção civil e infraestrutura. Segundo Ribeiro (2014), a Nigéria recebeu a maior estatal de construção civil da China (CCECC) que possui filiais na Nigéria, juntamente com CGC também ligada à construção civil.

O Setor de Energia nigeriano também passa por consideráveis dificuldades em se manter. Para tal, o governo nigeriano pediu ajuda da China para a construção de uma usina hidrelétrica na Nigéria, a fim de desenvolver o Programa Energético Nigeriano, iniciado no governo de Yar’Adua sem sucesso. Vale lembrar que a pouca energia gerada pela Nigéria provém única e exclusivamente de usinas termelétricas, totalmente poluentes para o meio ambiente. Por isso, vê-se na geração de biocombustíveis, uma alternativa para sanar este problema (RIBEIRO, 2014: 17). 

De acordo com Visentini (2013), essa interação entre China e África, mudou muito o panorama do continente. Essas interações, que vão além dos investimentos, dos projetos de auxílio e infraestrutura, pois, a grande demanda chinesa por commodities acaba de certo modo favorecendo enormemente as economias africanas, não só em possibilidades de crescimento, mas em crescimento real.

O estabelecimento da China como polo comercial mundial vem fazendo
com que o país amplie estas relações com os países da África, a partir de um
imperativo relacionado à necessidade de acesso aos recursos primários. Tanto
os fluxos comerciais como os investimentos na região estão ligados ao acesso
a recursos primários, ainda que a busca por mercados de consumo também
venha determinando o perfil dos investimentos chineses no continente (RIBEIRO, 2014: 13)

Segundo Ribeiro (2014), a Nigéria importa a maior parte dos produtos que consome, pois existe uma debilidade no setor industrial muito grande. Dificuldade essa que não se reflete no setor petroquímico, isso por conta da alta demanda estrangeira de recursos naturais e também a busca do país africano por capitalização de novos investimentos estrangeiros. Ribeiro (2014) ainda afirma que o produto mais exportado na Nigéria é o petróleo, que segundo os dados do UNComtrade somou em 2010 mais de 95,5% em transações. 

Ribeiro (2014) coloca que a balança comercial nigeriana durante o período de 2007 a 2011 fechou de forma superavitária, ou seja, isso demonstra o crescimento do Estado nigeriano e sua inserção no cenário internacional como grande exportador de petróleo, alimentos e outros tipos de recursos naturais.

Do ponto de vista de Ribeiro (2014), é possível constatar que o comércio sino-nigeriano é de cunho significativo e vantajoso para ambos, isso por conta do grande fluxo de dinheiro entre os dois. Essas importações e exportações fazem com que o PIB dos dois países cresça juntamente, porém não proporcionalmente, pois, no sistema internacional a cooperação é assimétrica. Ainda assim a Nigéria se torna cada vez mais um Estado confiável no sistema internacional.

Com todas essa  discussão podemos concluir nesse terceiro e último capítulo que por mais que a China possua grandes reservas de petróleo, o mesmo não é suficiente para suprir a demanda interna. Dessa maneira, se faz essencial para a China a procura de novos mercados, que consigam oferecer aquilo que realmente seu Estado precisa. Nesse contexto a Nigéria aparece como uma grande produtora petrolífera o que faz aumentar ainda mais os interesses chineses. 


Considerações finais

Nos dias de hoje por conta da interdependência complexa, é fundamental para os Estados adquirirem parcerias econômicas consolidadas com outros Estados, a fim de alcançar seus objetivos no sistema internacional.

Nesse projeto pudemos analisar historicamente a construção de ambos Estados, quais medidas levaram a construção dos mesmos e de que maneira houve uma cooperação entre China e Nigéria dentre outros elementos já citados no projeto.

Foi percebido também que a China buscou de várias maneiras, e por vários momentos a aproximação com a Nigéria, oferecendo sempre formas de cooperação, cooperações essas que vinham por meio de investimento estrangeiro direto.

Esse projeto é de muito valor para o estudo das relações internacionais, pois, consegue ilustrar de forma clara e objetiva a falta de recursos naturais por parte das potências econômicas,no caso da China, fazendo com que elas busquem novas maneiras, novos mercados ou até mesmo construindo novas parcerias com o intuito de continuar atingindo seus objetivos econômicos.

As hipóteses antes levantadas foram confirmadas através de vários meios de pesquisa, que nos trouxeram a reposta de que a China possui uma preocupação com relação ao seu não crescimento, isso por conta da alta demanda de petróleo e a falta de oferta. Por mais que a China possua muitas bacias de petróleo, seu total ainda não é suficiente para suprir toda essa demanda. As importações de petróleo por parte dos chineses estão em primeiro na lista, isso evidencia então essa falta. 

Por isso o país asiático tem de sempre procurar novos mercados, para que consiga suprir a alta demanda de petróleo, como no caso da Nigéria, que se caracterizou como um grande parceiro comercial. 

O grande objetivo desse projeto foi identificar os fatores que levaram China e Nigéria a criar essa relação bilateral de forte cooperação, e quais os interesses pertinentes à cada Estado. 

Com o passar dos anos, a continuação dessa pesquisa seria de extrema valia, pois teríamos resultados ainda mais concretos da relação sino-nigeriana, e se realmente com o passar do tempo continuaria existindo uma cooperação assídua dos dois Estados. 

feito

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