O CÓDIGO DE ÉTICA E SEUS REFLEXOS NAS PEQUENAS EMPRESAS E NA SOCIEDADE BRASILEIRA

UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

O CÓDIGO DE ÉTICA E SEUS REFLEXOS NAS PEQUENAS EMPRESAS E NA SOCIEDADE BRASILEIRA

FERNANDA DE ANDRADE ROMÉROUNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

TeixeiraElis; BezerraTeresa; AlmeidaGustavo. O Código de Ética e seus reflexos nas pequenas empresas e na sociedade brasileira. Revista Foco, abril 2017.

Esse trabalho (ou artigo ???) visa mostrar a importância do Código de Ética para a gestão das micro e pequenas empresas brasileiras e sua influência no comportamento dos empregados. Para corroborar essa tese foi feita uma pesquisa ,qualitativa e quantitativa, com entrevistas e questionários, em uma empresa de pequeno porte.

Autores como COSTA (2003) e BISPO (2006) em seus artigos sobre clima organizacional afirmam que as organizações precisam enxergar o ser humano como a maior riqueza que existe e quando a organização não possui a preocupação com a satisfação de seus empregados, gera um clima desfavorável, gerando desmotivação, diminuição de rendimento, brigas internas, baixa qualidade no serviço, adoecimento entre outros.

A constatação de que pessoas que trabalham felizes produzem efeitos favoráveis à organização, a si mesmas e à sociedade enfatiza a importância e responsabilidade que as empresas têm perante os indivíduos.

Mas o que seria ética? Segundo FERREIRA (1999), a palavra ética significa "modo de ser" ou caráter, e está ligada aos princípios morais do que é certo e do que é errado para os indivíduos, tanto em coletividade quanto pessoa. De acordo com VAZQUEZ (1975, p.270) o homem não nasce com a ética como se fosse um instinto, mas é algo que, é "adquirido ou conquistado por hábitos", a ética aceita ou reprova e indica quais ações são moralmente válidas e quais não são.

A ética pode ser vista como forma de determinar as regras que devem governar a conduta humana, os valores que valem a pena seguir e os traços de caráter que merecem ser desenvolvidos ao longo da vida.

Para MOURA (2004), a ética é a reflexão de cada um sobre a própria conduta para saber como agir e o que deve ou não se fazer e que ela está presente na família, passando dos pais para filhos, na escola passando de professores a alunos e de alunos para outros alunos, Assim, a ética é adquirida conforme as relações e cada indivíduo ou grupo terá seus próprios princípios éticos de acordo com suas experiências vividas.

A ética empresarial é o estudo da forma como as normas morais pessoais pode se aplicar às atividades e aos objetivos da empresa. Para as empresas, a ética hoje não é somente uma opção, mas questão de sobrevivência (LOURENÇO, 2015).

As atitudes antiéticas são mais propensas a acorrer quando há má organização nas empresas, com práticas de gestão pouco claras e que fazem parecer que tudo é permitido, ocasionando com isso conflitos dentro da organização, como o assédio, discriminação, acidentes de trabalho, etc.

Um indivíduo assediado, por exemplo, pode sofrer muito, perdendo a autoestima, sentindo-se frustrado e sem disposição. Tais sintomas, além de refletirem no indivíduo como cidadão, refletem nele como trabalhador onde seu rendimento e produção cairão, impactando também no relacionamento com clientes e desempenho produtivo da empresa.

A saúde psicológica é mais um tema observado pelo autor; a saúde não é somente a ausência de doença, mas é o bem-estar biológico, psicológico e social.

O estresse é capaz de gerar diversos sintomas como depressão, desânimo, raiva, hipersensibilidade emotiva, ansiedade e até surtos psicóticos e crises neuróticas.

As empresas devem cuidar da saúde de seus empregados, prevenindo e tratando o estresse, fornecendo ambientes limpos, iluminados, seguros e confortáveis.

A preocupação com códigos de ética organizacionais foi intensificada nos anos 90.

De acordo com Adams, Tashchian e Shore (2001), alguns códigos são criados como mecanismos de defesa das empresas, pois quando ocorre algum ato indevido ou ilegal que pode causar multa, a empresa consegue uma penalidade menor quando prova que instruiu seus funcionários por meio de um código de ética empresarial; esse código portanto, diminui a ocorrência de multas por transgressões.

Segundo os autores, o código de ética é um manual criado contendo a filosofia da organização; deve ser a formalização dos objetivos, valores e missão da empresa. A empresa necessita desenvolver seu código de tal maneira que a conduta ética de seus empregados e os valores das crenças primordiais da organização, tornem-se parte de sua cultura. Assim, quanto mais empresas tenham preocupações éticas, mais a sociedade na qual essas empresas estejam inseridas tenderão a melhorar no sentido de constituir um espaço agradável onde as pessoas vivam realizadas , seguras e felizes.

Azevedo et al. (2014) sugere assuntos que podem constar em um código de ética de uma organização, entre eles: cumprimento das leis e pagamentos de tributos, uso de ativos da empresa, conflito de interesses, informações privilegiadas, processos judiciais e arbitragem, proteção e tratamento de fraudes, doações, recebimento de presentes e favorecimentos, atividades políticas, direito à privacidade, nepotismo, meio ambiente, discriminação, assédio moral ou sexual, segurança no trabalho, exploração infantil, relações com a comunidade e uso de drogas e álcool.

Segundo os autores, aplicar ações disciplinares às violações é importante para impedir que se repitam. A punição por meio de advertência verbal, por escrito, suspensões e até pela demissão por justa causa, dependendo da gravidade, é que irá garantir que não seja feito. Apesar de apenas o conhecimento do que é certo e errado já influenciar o comportamento, sem uma consequência, essas normas ficam somente no plano das ideias e não na prática. 

Qual o panorama das micro e pequenas empresas? Segundo o SEBRAE (Serviço brasileiro de apoio às micro e pequenas empresas), 99% dos estabelecimentos brasileiros são micro e pequenas empresas (MPEs), que respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado e um PIB de 27%. 

Coelho e at (2011) de pad algumas características dessas empresas, como a gestão informal, que não diferencia patrimônio pessoal e empresarial, possui alto grau de centralização e laços familiares que interferem na hierarquia e racionalização dos salários. Além disso, a baixa qualidade gerencial, com ausência de padronização nos processos e controle, desconhecimento de marcado, dificuldade de tomada de decisões com avaliação de riscos, contratação simplista de mão de obra e baixo desenvolvimento de inovações tecnológicas. Também há dificuldade em conseguir financiamentos públicos e privados, além do alto índice de sonegação de impostos e de tributos comerciais.

Segundo os autores, uma pesquisa sobre Ética Empresarial realizada pelo Comitê Temático da Fundação Nacional de Qualidade (FNQ), em 2011, verificou que das MPEs entrevistadas, 79% considera a ética como um tema relevante para os negócios. Aos poucos, as micro e pequenas empresas devem ir rompendo com a ética informal (só falada) e estabelecendo uma ética formal (por meio do Código de Ética), que servirá de parâmetro para o comportamento dos empregados, que saberão de suas responsabilidades, direitos e deveres com relação à empresa.

Arruda (2002) afirma que muitas empresas já possuem códigos e documentos que formalizam a hierarquia, regras, procedimentos e costumes, entretanto, no Brasil, existe muita dificuldade em comunicar e orientar os temas tratados nesse documento. O problema é que o foco de importância dado é geralmente a existência do código e não a comunicação dele, mas o que garante o sucesso do código é a capacidade de o profissional reconhecer as responsabilidades da empresa como suas.

Com relação a pesquisa feita pelos autores, foi feita numa empresa familiar, administrada pelos sócios, marido e mulher. Em sua equipe, 29 funcionários divididos entre fábrica e loja. A empresa sofria problemas com atritos entre colegas de equipe, dificuldade e resistência dos funcionários em aceitar mudanças, falta de compromisso com a empresa, entre outros. Percebia-se que a produção era afetada com tal comportamento, que o clima organizacional era pesado e que gerava estresse entre eles.

Por ser uma empresa de pequeno porte e sem muitos recursos financeiros, seus sócios alegavam que não tinham condições de buscar soluções muito complexas e que seria necessário encontrar soluções simples, práticas e econômicas.

Para a elaboração do Código de Ética, a empresa contou com contribuições dos sócios e de cada gerente das áreas da empresa (administração, loja, corte, produção e equipamento). Depois de pronto, foi feita uma comunicação e explicação sobre o motivo e a importância da aplicação do código e entregue a cada empregado, incluindo os gerentes. Após a leitura, cada funcionário assinou uma ata de ciência e responsabilidade sobre o recebimento.

Para avaliar os resultados da implantação do Código de Ética, foi elaborada, pelos autores, uma pesquisa qualitativa e quantitativa, três meses após a implantação. A pesquisa divide-se em duas partes: entrevistas com gerentes e questionários para funcionários.

Para a entrevista, as perguntas foram elaboradas de acordo com cinco categorias: aceitação do código, clima organizacional, influências na produção, segurança no trabalho e desperdícios e meio ambiente.

Da mesma forma que a entrevista para os gestores, o questionário foi feito com perguntas referentes às categorias: visão e conhecimento sobre a empresa, relacionamento e clima organizacional, segurança e comprometimento com a empresa; o preenchimento foi de forma voluntária e anônima, havendo uma comunicação sobre a importância da participação de cada um.

Através dos resultados obtidos da entrevista com os gerentes, pode-se perceber que a implantação do código teve um resultado positivo, mesmo as equipes apresentando dificuldade em entender as normas do código. Assim, chegou-se a conclusão que o código não foi escrito de forma simplificada e que o uso da linguagem simples e objetiva se faz necessário.

Em relação aos questionários, a aceitação do código foi o item que obteve menor pontuação; em contrapartida, o item sobre clima organizacional teve um resultado excelente.

Conclui-se portanto, com a implantação do Código de Ética desta empresa que o clima organizacional melhorou bastante, que os desentendimentos entre os funcionários são mais escassos e que os gerentes podem gerenciar suas equipes com mais facilidade. Os funcionários estão mais comprometidos com a empresa; o uso de celular que era constante, atrapalhando, a concentração da equipe agora fica guardado em casos especiais ou nos intervalos; os equipamentos de segurança que antes eram  esquecidos, são usados como se nunca tivessem problemas em usá-los; a consciência sobre economia de recursos como água, energia, papel, entre outros, bem como a redução na produção de lixo.

De modo geral, a implantação do Código de Ética foi uma ferramenta que, causou mudanças em todas as categorias problemáticas nas áreas da empresa. 

Segundo os autores, é verdadeira, portanto, a teoria de que o código traz resultados positivos e pode ser uma ferramenta útil, para as pequenas e médias empresas. Além disso, eles constataram que o código pode ser transformador da sociedade ao mesmo tempo que é positivo para a organização. Assim, as empresas estariam se beneficiando fazendo seu papel de cidadania. 

No meu ponto de vista, a questão da ética, extremamente importante, é uma questão que desde a filosofia clássica sempre preocupou os filósofos e foi tratada por dois filósofos muito importantes, Platão e Aristóteles.

A  filosofia clássica diz que a ética é um comportamento que as pessoas precisam ter; que a ética está ligada ao conceito de justiça; justiça individual, justiça coletiva e justiça dos governos.

Portanto, deve vir de dentro para fora; ela parte do indivíduo; é uma questão individual. Obedece aos seus próprios anseios e quando se tem ética, está se buscando o bem comum da comunidade, ou seja, ela é individual mas serve ao coletivo. Ela não pode ser maléfica porque aí não teríamos o bem da comunidade. 

Outro filósofo a tratar da ética foi Rousseau mas, com um pensamento diferente dos filósofos citados anteriormente. A tônica de seu pensamento é que, o homem nasce ético mas é a sociedade antiética que o corrompe, que o contamina.

Acredito que com esse trabalho os autores puderam, na prática, atestar os que filósofos opositores a Rousseau afirmaram; que o homem nasce completamente antiético e que são as regras da sociedade que o moldam, no caso o Código de Ética introduzido nessa empresa. O ser humano precisa aprender sobre ética; esse conceito tem que ser passado de geração a geração, de pais para filhos, dos governos para a população.

E pensando em ética pensamos no coletivo. Todos saem ganhando. 

 

Referências

AdamsJanet S; TashchianArmen; ShoreTed H. Codes of ethics and signals of ethic behavior. Journal of Business Ethics, v. 29, n. 3, p. 199-211, 2001.

AzevedoH et al. Código de Conduta: grau de adesão às recomendações do IBGC pelas empresas listadas na BM&F. Revista de Administração e Contabilidade da Unisinos, v. 11, n. 1, p. 2-13, março 2014.

BispoCarlos Alberto Ferreira. Um novo modelo de pesquisa de clima organizacional. Produção, v. 16, n. 2, p. 258-273, maio-agosto 2006.

CoelhoMaria Inês et al. Micros e Pequenas Empresas no Brasil: Um olhar para a situação em Osasco e uma contribuição para o processo de implantação do Código de ètica. Revista Científica Hermes, p. 11-22, 2011.

CostaWellington Soares da. Humanização, relacionamento interpessoal e ética. Caderno de Pesquisa em Administração, São Paulo, v. 11, n. 1, p. 17-21, 2003.

FerreiraAurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999, p. 848-849.

MouraRoldão Alves de . Ética no Ambiente de Trabalho. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2004.

VázquezAdolfo Sánches. Ética: Civilização Brasileira. 2. ed. Rio de Janeiro, 1975.

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