METÓDO AVALIATIVO: UMA ANALISE REFLEXIVA SOBRE A PRÁTICA DOCENTE NAS AVALIAÇÕES INSTITUCIONAIS

FACULDADE DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - FAETERJ

METÓDO AVALIATIVO: UMA ANALISE REFLEXIVA SOBRE A PRÁTICA DOCENTE NAS AVALIAÇÕES INSTITUCIONAIS

Maria carla vitipó da silva

Orientador: Profª. Maria Cecilia Daher Rocha

Resumo

O presente trabalho é de revisão bibliográfica, baseada na leitura, análise e interpretação de livros que tratam sobre o assunto em questão, por sua vez procura investigar a avaliação como técnica de aprendizagem no procedimento de ensino e formação do indivíduo.
Explorar métodos avaliativos no cenário escolar é um dos pontos mais significativos para que haja resultado no processo ensino/aprendizagem, pois é uma das formas fundamentais para a construção de uma aprendizagem significativa, aprendizagem esta que ocorre de maneira criativa e duradoura.
É notório por parte de algumas instituições escolares a conservação do método tradicional avaliativo, consequentemente o sistema de provas e testes, ignorando então outros modos de obtenção do resultado esperado nesta ou naquela matéria.
Entendendo a diversidade e a amplitude do processo avaliativo, compete enfatizar que não convém mais pensar que o único avaliado é o discente, porque as práticas de ensino do docente acabam estando também em constante observação para ser alcançada a aprendizagem afetiva. Portanto o sistema de avaliação deve ser contínua e processual o mesmo não pode meramente ser determinada pela aprovação ou pela reprovação. Mas deve evidenciar um diagnóstico do processo de aprendizagem vivido, a qual auxiliará no planejamento e sistematização do ato pedagógico pelo professor.
Posto isto limitar a avaliação da aprendizagem como correto ou incorreto, representa desconsiderar os meios individuais dos alunos, deixando-os unânimes. Os indivíduos são singulares portanto, é necessário desenvolver formas para que não os deixem homogêneos.

Palavras-chave: Ensino/Aprendizagem, Aprendizagem significativa, Avaliação continua, Aprendizagem afetiva

Abstract

The present work is a bibliographic review, based on the reading, analysis and interpretation of books that deal with the subject in question, in turn seeks to investigate the evaluation as a learning technique in the teaching and training procedure of the individual.
Exploring evaluative methods in the school scenario is one of the most significant points for there to be a result in the teaching / learning process, as it is one of the fundamental ways to build meaningful learning, learning that takes place in a creative and lasting way.
It is notorious on the part of some school institutions to preserve the traditional evaluation method, consequently the system of tests and tests, ignoring then other ways of obtaining the expected result in this or that matter.
Understanding the diversity and breadth of the evaluation process, it is worth emphasizing that it is no longer appropriate to think that the only evaluated is the student, because the teaching practices of the teacher end up being also in constant observation to achieve affective learning.
Therefore, the evaluation system must be continuous and procedural, it cannot be merely determined by approval or disapproval. But it must show a diagnosis of the learning process experienced, which will assist in the planning and systematization of the pedagogical act by the teacher. Since this limits the assessment of learning as correct or incorrect, it represents disregarding the individual means of the students, leaving them unanimous. Individuals are unique so it is necessary to develop forms so that they do not become homogeneous.

Keywords: Teaching / Learning, Sustainable learning, Continuous assessment, Affective learning

Introdução

A avaliação é um procedimento complexo não se resume apenas a aplicação de provas, e a função de dar notas. O uso dos meios avaliativos vão além de uma única metodologia estabelecida, já que, no momento em que se avalia está sendo analisado não só as tarefas, e sim o aluno como um todo, em seus aspectos cognitivos, psicológicos e sociais.

Os estabelecimentos de ensino não devem-se abster da comunidade ao seu entorno. É necessário estabelecerem simultaneidade com o mundo ao seu redor e com o atual momento em que se vive, já que informações e métodos mudam o tempo todo. Prontamente, a escola responsável tem a incumbência de não ensinar o processo de memorização, mas sim a reflexão, aprender a pesquisar, saber aceitar diferentes ideias, ou melhor, instigar os estudantes a aprender aprendendo.

Embora o tema levantado nesta pesquisa seja o foco de vários estudos, é observado em muitas práticas educativas a perseverança dos modelos de avaliação tradicionais, a premissa pela atribuição de notas, assim como a rotulação dos alunos “bons” e “maus”. Compreende-se que a técnica de aplicação de prova, assegura o professor uma provável resposta sobre o desempenho do aprendiz, no entanto, essa estratégia seria plenamente eficiente? Isto é seria a melhor maneira para que o docente trabalhe com igualdade numa sala de aula com diferentes indivíduos e dessa maneira, com distintas formas de aprendizado? Para que a avaliação não assuma então um caráter seletivo e competitivo.

Por essas observações, o presente artigo procura simbolizar a avaliação como um método continuo de ensino focada nas das informações que os discentes trazem com si, habilidades e atitudes, nessa concepção, a avaliação auxilia o discente a evoluir sua aprendizagem, auxilia o docente a aprimorar suas práticas de ensino pedagógicos e a escola a reestruturar seu projeto político pedagógico. A avaliação passar ter uma função orientadora cooperativa e interativa.

Cabe salientar que a avaliação deve ser encarada como uma ponderação transformada em execução. Execução essa que nos conduza a novas reflexões. Avaliar não é reprovar, mas é, entender e proporcionar, a todo instante, a evolução integral de quem vivência o processo de aprendizagem

“A avaliação escolar é parte fundamental do processo de ensino e aprendizagem sendo considerados os conhecimentos, habilidades e atitudes, assimilação e aplicação por meio de métodos adequados. Devem manifestar-se em resultados obtidos nos exercícios, provas, conversação, didática, trabalho independente.” (LIBÂNEO, 1999, p. 200, 2001).


 AVALIAÇÃO: DISTINTAS PERSPECTIVAS DO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM


Ao longo do tempo a palavra avaliação dispôs a ideia de medir. Nessa perspectiva, Silva assinala que: “Avaliar deriva de valia, que significa valor. Portanto, avaliação corresponde ao ato de determinar o valor de alguma coisa.” (SILVA, 1992, p. 11).

O conceito de avaliação como mecanismo de classificação perdurou por muito tempo no meio educativo. Então o aluno comparecia a escola e obtinha informações prontas e acabadas, sua responsabilidade era apenas absorver o ensinamento, na maioria das vezes através da técnica de memorização. Sendo assim o trabalho do educador tornava-se meramente da aula, já a do educando de usufruir a mesma. O êxito ou a falha do estudante era incumbido a si mesmo, posto que este permanecia num estado passivo. Segundo Garcia (2003 apud DILIGENTI, 1998, p. 21), o

[...] termo avaliação é de utilização recente, já que a palavra “exame” era mais frequentemente utilizada para designar provas de conhecimento. Datam aos remotos 1200 a.C. as primeiras práticas de avaliação/exame de que temos notícia. Esses exames eram realizados ela burocracia chinesa com intuito de selecionar (somente junto aos homens) aqueles que deveriam ocupar cargos públicos. Desde seus primórdios, portanto, verificamos na avaliação a predominância de um componente seletivo em detrimento a qualquer aspecto educativo.


Devemos possuir o entendimento que o termo avaliação é capaz de atribuir vários sentidos de acordo com a circunstância em que se adentra. Mas nesse caso, permanecemos apenas concentrados em defini-lo no âmbito escolar.

Cabe salientar que outras concepções e pontos de vista foram sendo transmitidos de maneira mais idealizada de acordo as atuais circunstâncias, na qual a avaliação deixa de ser concentrada somente no aluno, conduzindo especificidade dialógica, abrangendo então docentes e também discentes.

Partindo do gênese da palavra, Diligenti (2003, p. 7), concebe a avaliação tal como “[...] processo interativo entre professor e aluno [...], enfatizando uma visão pedagógica contemporânea a pedagogia se dá através da vivência de experiências de experiências abundantes e heterogêneas, dando importância ao desenvolvimento cognitivo, afetivo e social do discente. No seguimento de experiências vivenciadas as temáticas são as ferramentas usadas para estimular e motivar os mecanismos mentais operatórios de apropriação. Nesse caso, o aluno se torna atuante e ativo, que coadjuva na construção de seu próprio conhecimento. Hoffmann (2007) apresenta seguir a mesma linha de raciocínio quando se trata de avaliação. Na sua obra ela propõe a reflexão do leitor a respeito da grandeza do conteúdo em tese. “Ao avaliar efetiva-se um conjunto de procedimentos didáticos que se estendem sempre por um longo tempo e se dão em vários espaços escolares, procedimentos de caráter múltiplo e complexo tal como se delineia um processo”.

A avaliação como metodologia de ensino/aprendizagem e fundamental tanto para o educando, assim como para o educador. No caso do educando é indispensável saber o fruto do seu empenho e persistência, não somente pelo contentamento da aprendizagem mas com destino ao âmbito de suas aptidões sendo estas essenciais em aprendizagens futuras. Já para o educador a avaliação é imprescindível, pois o rendimento do aluno dá suporte para um analise de seus métodos pedagógicos. Nesse sentido Libâneo (1999) ressalta que a “avaliação é uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente”.

Sendo assim a ação de avaliar é um procedimento continuo que necessita ocorrer nos divergentes instantes de trabalho e não obstante apenas em datas marcadas, como no conhecido período de provas e testes, porque a função fundamental desse recurso é estabelecer o quanto e em qual grau de aptidão os objetivos tem sido obtidos. As concepções simples da avaliação referem-se a um procedimento continuo, sistemático e funcional possuindo o propósito de conduzir para descobrir as imprecisões e ajudar a suprimi-las. HOFFMANN (2007, p. 13) diz que

[...] não se deve denominar por testes, provas ou exercícios (instrumentos de avaliação). Muito menos se deve nomear por avaliação boletins, fichas, relatórios, dossiês dos alunos (registros de avaliação). Métodos e instrumentos de avaliação estão fundamentados em valores morais, concepções de educação, de sociedade e de sujeito. São essas as concepções que regem o fazer avaliativo e que lhe dão sentido. [...] A avaliação da aprendizagem, mais especificamente, envolve e diz respeito diretamente a dois elementos do processo: educador/avaliador e educando/avaliando. (HOFFMANN, 2007, p.13)


Os procedimentos utilizados no decorrer do método avaliativo atribui-se ao nível em que os estudantes se deparam ou no qual eles se desenvolvem e por essa razão apresentam três finalidades diagnostica, pois discerne os saberes e entendimentos, formativa, porque é exercida há todo tempo, corroborando assim com o compreender do aluno, e a somativa por examinar o aluno, disposto a promovê-los a outra série. Vale ressaltar que atualmente muitos docentes ainda fazem utilidade da avalição como instrumento de supressão.

Porque motivo um educador utiliza um mecanismo de avaliação como modo de “doutrinar” seus alunos?

O professor adentra há sala e diz: - Hoje teremos prova. Logo se pode observar as expressões de inquietação por parte dos alunos. Alguns reflexivos, outros buscando entusiasmo. Mas, todos pensamentos estão sempre voltados para uma questão: a nota.

É notável que esse comportamento do educador acaba implicando com o emocional do aluno. Desse modo, ele pode se sentir afligido e por fim pensar que é incapaz. A trajetória feita para alcançar esse momento apresenta não ter relevância. O que de fato tem valia é o valor em si. Não se dá destaque a perspectiva de que essas informações podem ter aproveitamentos futuramente.

Nesse momento o desafio não se dá através dos métodos de avaliação, mas em como o professor conceberá o uso deles. Conquanto notasse a necessidade de modificações porém elas circundam um cenário muito mais amplo, segundo Melchior (2003, p. 15):

Quando o assunto é avaliação na escola, na maioria das vezes, se diz que a “avaliação tem que mudar”. Parece fácil mudar a avaliação, mas a questão é mudar o quê? Todas as mudanças são válidas e importantes? Facilmente, podemos mudar a forma de expressar os resultados, os critérios ou os instrumentos utilizados na avaliação. Tudo isso, no entanto, não afeta de modo significativo, o processo didático e o sistema de ensino porque a avaliação faz parte de um todo, não é possível mudar apenas uma parte; fazendo isso se pode criar um monstro e os problemas se tornarem mais diversificados e resistentes. É necessário fazer as mudanças, envolvendo o todo e de forma integrada.


A avaliação é um procedimento complexo não se resume apenas a aplicação de provas, e a função de dar notas. O uso dos meios avaliativos vão além de uma única metodologia estabelecida, já que, no momento em que se avalia está sendo analisado não só as tarefas, e sim o aluno como um todo, em seus aspectos cognitivos, psicológicos e sociais.

O procedimento de avaliar é coisa séria e precisa ser elaborado com cuidado e precaução, posto que seus resultados conseguem ser aproveitados pelo professor para uma melhor qualidade de ensino e da aprendizagem dos seus alunos.


A ATUAÇÃO DO EDUCADOR FRENTE AS METODOLOGIAS AVALIATIVAS

Refletindo sobre o momento avaliativo cabe destacar o ponto cardial na ocasião da avaliação: a postura do educando, que por vezes contém domínio teórico e prático de determinada área, mas em algumas circunstâncias, no período de avaliação todo seus conhecimentos aparentam ser anulados. De forma que naquele instante o ato de avaliar concentre-se somente a nota que deve ser aplicada. Então o professor passa a se igualar a um juiz pronto para dar uma sentença dividindo os ruins dos bons, qualificando e desqualificando seus alunos.

Há possibilidade do momento da avaliação ser mais flexível? Já que os alunos são seres singulares, com características e graus de conhecimentos distintos e encerrar os procedimentos avaliativos com um único método de avaliação, a prova, acabam não sendo eficaz para mesurar todo processo de ensino.

Os discentes precisam modificar os métodos tradicionais de averiguação de erros e acertos em métodos investigativos, para analisarem as possibilidades de soluções para os alunos em distintos meios de aprendizagem. O engajamento do professor com o seguimento das técnicas de construção do conhecimento do aluno posto numa conduta crítica para privilegiar a cognição e não há memorização.

A avaliação deve ser organizada como instrumento integrador entre a aprendizagem do discente e o comportamento do docente em meio aos recursos de construção do conhecimento e abrangendo inúmeras questões. Isto precisa ser entendido como um agrupamento de elementos, atuações e ações, tendo com atribuição o sustento, adequação e intervenção pedagógica. Visto que a avaliação se torna o momento mais favorável para detectar um problema em potencial no processo de ensino/aprendizagem, assegurando assim a afetividade e particularidade da aprendizagem.

E para corroborar essa ideia Melchior (2004, p. 33) nos diz que a


[...] avaliação deve ser realizada mediante a obtenção de informações precisas, em etapas sistemáticas, sobre os conhecimentos do indivíduo e de sua formação. O conhecimento é expresso pelos seus desempenhos frente às tarefas propostas. As atitudes expressam a formação e os valores do indivíduo. As aprendizagens estão relacionadas e condicionadas tanta pelo ambiente de aprendizagem vivenciado na escola como pelas propostas de atividades. A avaliação deve ser um mecanismo regulador da prática educativa, através da compreensão de si mesma e da tomada de decisões a partir dos seus resultados. (MELCHIOR, 2004, p.33).


A autora motiva o pensamento da avaliação continua, onde o educador tem de se encontrar frente a existência real da aprendizagem do educando, para que caso não atinja seus fins, passe a ponderar as suas estratégias e apresentar outros meios há serem adotados. O autor Turra et al. (1979, p.185) destaca:


Valerem-se o professor e o aluno de feedback frequente, isto é, utilizarem a informação para corrigir erros, insuficiências, ou para reforçar comportamentos bem sucedidos. [...] Selecionar alternativas corretivas (terapêuticas) de ensino-aprendizagem. As alternativas terapêuticas são procedimentos variados de ensino que se destinam a sanar de modo especifico a insuficiência constatada. Por exemplo, se um aluno (ou mais alunos) não aprendeu a solucionar uma equação de primeiro grau, com a explicação do professor, embora atendendo este à organização lógica e sequencial do conteúdo, outros procedimentos de ensino-aprendizagem podem ser utilizados, como um estudo dirigido (que propicie a revisão de pré-requisitos), ou auxílio de um colega que já desenvolveu essa habilidade, ou até mesmo uma nova explicação do professor, em que variem seu modo de ensinar, recursos utilizados, etc. (TURRA et al., 1979, p 185)


Um indagação que consideramos que a maior parte dos professores teriam de fazer a si próprio é: - O que almejo gerar aos meus alunos? Sim, pois é de suma importância planejar um objetivo claro a fim de que o processo de ensino/aprendizagem supra os resultados desejados adepto para que os fins justifiquem os meios. A “[...] interação entre professor e aluno, na sala de aula, se dá exatamente como uma consequência dos procedimentos planejados pelo professor e que proporcionam a realização das modificações pretendidas no comportamento do aluno”. (TURRA et al., 1979, p. 127).

Incentivo e organização precisam ser o ponto de partida do sistema de ensino/aprendizagem efetivo. Antes de tudo, os professores necessitam estar instigados para formularem um bom planejamento do ensino. Se isso acontece, os alunos se sentem estimulados e se abrem para aprender. Para um planejamento persuasivo é indispensável sabedoria para discernir que o momento avaliativo provoca a tomada de decisões para o futuro, a partir desses resultados o educador tem de agir como mediador do conhecimento e não como formador de reprodutores.

Segundo Carrion e Nogaro (2006, p.16) o


[...] processo avaliativo destina-se a observar, refletir e favorecer melhores oportunidades aos alunos na sucessão de etapas que constituem a dinâmica de sua aprendizagem. A visão integral da aprendizagem exige respeito e consideração pela história do aluno, uma análise multidimensional, interdisciplinar, gradativa, dos percursos individuais de conhecimento, na qual cada informação e muito importante e pode enriquecer, complementar, negar ou confirmar considerações anteriores. Dessa interpretação decorre a variabilidade didática, exigência primeira de um processo mediador. (CARRION E NOGARO, 2006, p.16)


No momento de planejamento o educador pode utilizar-se de perguntas norteadoras para a averiguação da aprendizagem dos alunos. Citaremos algumas: Que iniciativas o estudante tomou para a elaboração da atividade? Quais dificuldades apresentou? Como interatuou com os demais colegas de classe? Manifestou alguma acomodação? Ocorreu algum progresso em relação ao lugar que se encontrava? Esse balanço continuo que assegura um diagnóstico avaliativo mais completo e com menores chances de erros. Se um obstáculo for descoberto no início, maiores são as chances de melhorar e evitar que esta paralise todo um percurso.

Não estamos declarando que os alunos tem necessidade de serem geniais, que nunca deveram errar, pois o erro é uma parte necessária do processo de aprendizagem. O que deve ser feito é modificar essa metodologia numa ferramenta geradora de conhecimento. “A avaliação tem estreita relação com a interpretação que o/a professor/ a faz das respostas dadas [...]”. (ESTEBAN, 2001, p. 99). Dessa forma, se o orientador conseguir utilizar-se desses feedbacks, será capaz de arrancar informações vigorosas a respeito do que realmente os alunos estão sendo capaz de absorver.

Perguntada em uma entrevista sobre qual teria de ser o objetivo da avaliação atualmente Jussara Hoffmann responde precisamente:


Aprendizagem. Aprendizagem. Aprendizagem. [...] Avaliar não é observar se o aluno aprende. Esta resposta já se tem: todos aprendem sempre, senão não estariam sequer vivos, pois enquanto se respira, se aprende. Entretanto, ninguém aprende sozinho, aprende-se muito melhor com o outro, com o diferente ou na interação com os pares, mas sobretudo com apoio, com desafios intelectuais significativos. O melhor ambiente de aprendizagem, portanto, é rico em oportunidades de convivência, de diálogo, de desafios, de recursos de todas as ordens. Para cada aluno, entretanto, nem sempre poderão ser feitas as mesmas provocações, ao mesmo tempo ou do mesmo jeito. E ai entra o professor, avaliador, olhando cada um, investigando e refletindo sobre jeitos diferentes de aprender, conversando, convivendo, organizando o cenário dessa interação, oferecendo o melhor apoio possível, executando o silêncio dos alunos em muitos casos. Cuidar que o aluno aprenda mais e melhor, todos os dias: isto é avaliar. (HOFFMANN, 2008, p.148)


No conceito de Vasconcellos (1998), o procedimento de modificação das práticas educacionais circundam as dificuldades de alterar a prática, o papel da reflexão e a perspectiva de construção de uma práxis transformadora, destacando a questão da participação do professor como sujeito.

É importante considerar, primeiramente, que a análise se encontra na área da parcialidade posto que as modificações estão relacionadas tanto no campo subjetivo como no objetivo. O estudo não é um procedimento automático e meticuloso. O estudo é, consequentemente uma intervenção no processo de transformação, em outras palavras, ele consegue operar através do sujeito, tendo em vista oportunizar o despertar desse sujeito, em frente um entendimento da realidade, uma contemporânea intencionalidade e um novo ideal de ação.

Para essa finalidade, o professor precisa vincular duas extensões: o convencimento que condiz, a uma concentração inicial, à constituição do docente como sujeito – reestruturação do sujeito mediador e – intervenção que, instrui para a práxis transformadora, indicadora de direções – Erguer um caminho acessível de mediação. Para a renovação da prática educacional, é necessário o discente utilizar o seu comprometimento a seu estoque ético, para envolver-se a buscar alternativas. Se o professor não iniciar a tentativa de dar o seu melhor acabam perdendo o amor e a euforia pelo ensino.

É plausível vivenciar o novo, a partir de já, só que de modo circunscrito. O que demanda não é criar um trabalho pedagógico perfeito, o que é irrefutável e de fato inovador é fazer o melhor papel possível, porque dessa maneira o mediador estará agregando valor a efetiva formação da cidadania de seus discentes.

Todavia para que o professor avance em direção ao êxito de seus alunos é indispensável romper a hostilidade, o prejulgamento e a utopia que é culturalmente enraizada no âmbito escolar tais como Penna Firme (1996) destaca:

• Professor bom é aquele que reprova.

• Repetir é bom para o aluno pegar base.

• Esse menino não tem jeito para o estudo.

• As famílias pobres não dão valor ao estudo.

Perante inúmeros pontos citados, é notório que nem todos educadores são capazes de distinguir as ferramentas avaliativas, misturando-as. Desta forma observa-se que ainda há um desconhecimento do corpo docente sobre as práticas e instrumentos avaliativos.

As instituições de ensino não podem estar desprendida da vida, do mundo a sua volta, há necessidade de estarem em sincronia com a comunidade e com o período no qual estamos. Prontamente, a escola responsável tem a incumbência de não ensinar o processo de memorização, mas sim a reflexão, aprender a pesquisar, saber aceitar diferentes ideias, ou melhor, instigar os estudantes a aprender aprendendo.

Não se pode neste interim culpar este despreparo exclusivamente ao pedagogo, nesse caso também ao sistema, que incessantemente já determinam métodos avaliativos terminados que não abrangem as dificuldades dos educadores, sequer dos alunos, que acabam sofrendo com uma avaliação quantitativa excludente propensa a condenação e seleção dos alunos aptos e não aptos. Dessarte, o ciclo de avaliar deveria se tornar um momento que favorecesse as singularidades de todos alunos, já que, nas classes situam-se discentes que no decorrer do processo de ensino e aprendizagem obtêm conhecimentos de diferentes formas. A estima a essa individualidade deveria ser reconsiderado e todas condições de eliminação no período de avaliar. Cessando refletir nos momentos em que houveram bloqueios e proporcionando as situações favoráveis para o mesmo repensar acima das questões mais complicadas que atrapalham o seu processo de adquirir conhecimento.

Embora o tema levantado nesta pesquisa seja o foco de vários estudos, é observado em muitas práticas educativas a perseverança dos modelos de avaliação tradicionais, a premissa pela atribuição de notas, assim como a rotulação dos alunos “bons” e “maus”. Compreende-se que a técnica de aplicação de prova, assegura o professor uma provável resposta sobre o desempenho do aprendiz, no entanto, essa estratégia seria plenamente eficiente? Isto é seria a melhor maneira para que o docente trabalhe com igualdade numa sala de aula com diferentes indivíduos e dessa maneira, com distintas formas de aprendizado? Para que a avaliação não assuma então um caráter seletivo e competitivo.

Finalmente, na metodologia de ensino-aprendizagem, e na interação entre professor-aluno leva a concluir que juntos, acertamos, assumimos riscos, alcançamos objetivos. A avaliação não dever ser maldada para selecionar e excluir o aluno desse processo, visto que tal prática é uma violação do direito à educação. A avaliação tem de servir para redirecionar o planejamento do pedagogo e amparar o fazer pedagógico. Assim sendo inclinada para a renovação o processo avaliativo vai além da entonação de definir concepções para os alunos, ela exprime o comportamento educador responsável, ético-político, competente e comprometido com a criação do saber e do progresso de capacidades, habilidades, competências e atitudes numa escola democrática e cidadã.


COMO PAULO FREIRE ANALISA A AVALIAÇÃO?

Por essas indagações, o presente trabalho procura retratar a avaliação como um processo continuo de pesquisa que foca na interpretação das informações que os alunos trazem com si, habilidades e atitudes, nessa concepção, a avaliação auxilia o discente a evoluir sua aprendizagem, auxilia o docente a aprimorar suas práticas de ensino pedagógicos e a escola a reestruturar seu projeto político pedagógico. A avaliação passar ter uma função orientadora cooperativa e interativa.

O objetivo do processo avaliativo em larga escala, institui atualmente a uma temática que transcorre a política pública educacional. Posto isso destacamos o Autor Paulo Freire, questionador da pedagogia por fins (mediação, aferição, condenação, repreensão das diferenças) na opinião dele os controles limitam a divergência entre os sujeitos (as diferenças estabelecem circunstâncias para um progresso aos pensamentos críticos, inovadores e emancipados e favorece a evolução do sistema educativo). Assim sendo ele dispões de um posicionamento drasticamente distinta no que se diz respeito na forma em que a política pública de avaliação dos resultados, o literato salienta que “programar e avaliar não são, contudo, momentos separados um à espera do outro. São momentos em permanentes relações. A programação inicial de uma prática, às vezes, é refeita à luz das primeiras avaliações que a prática sofre” (FREIRE, 2001, p.11).

O hábito cultural que já é implementado as escolas de uma tradição autoritária, fez se tornar conveniente o hábito e rejeição perante os momentos/ferramentas de avaliação corriqueiramente usados como recursos punitivos e de domínio. Todavia, na perspectiva freireana a avaliação é tida como componente importante no progresso da aprendizagem tanto dos discentes como também dos docentes.


A segunda razão por que a avaliação se impõe está exatamente na necessidade que têm os seus sujeitos de, acompanhando passo a passo a ação dando-se, observar se seus objetivos estão por ser alcançados. Afinal, verificar se a prática está levando à concretização do sonho por causo do qual estamos praticando. Neste sentido, a avaliação da prática é fator importante e indispensável à formação da educadora. Quase sempre, lamentavelmente avaliamos a pessoa da professora e não sua prática. Avaliamos para punir e não para melhorar a ação dos sujeitos e não para formar (FREIRE, 2001, p.11, grifos nossos).


Dessa maneira vê-se a necessidade de transcrição das práticas avaliativas. Dessa forma fundamentados na ótica de Freire, reconhecemos que a avaliação deve ser constituída na parte interna das escolas, juntamente com os indivíduos que estão inclusos no enredo educativo, e que o proposito seja unicamente reprogramar suas práticas pessoais. Nas suas obras destaca-se a função a ser oferecida em qualquer avaliação, assegurando que a mesma não carece ser empregada visando exprimir ou castigar os docentes. Segundo o autor:


[...] Pensar a prática enquanto a melhor maneira de aperfeiçoar a prática. Pensar a prática através de que se vai reconhecendo a teoria nela embutida. A avaliação da prática como caminho de formação teórica e não como instrumento de mera recriminação da professora (FREIRE, 2001, p.11, grifos nossos).


Na visão de Freire, a avaliação da aprendizagem possui a finalidade de emancipação dos indivíduos envoltos.

A função da avaliação de ensino/aprendizagem, no olhar de Freire, precisa proporcionar pensamentos críticos mediante a interlocução livre, duradoura e democrática (sem o uso de despotismo ou de excesso de poder) entre educador e educando. O processo avaliativo tem de ser ativo e deve pertencer a todos de forma comunitária, para se tornar um momento de partilha e coparticipação entre os sujeitos – a realização da aprendizagem não funciona por transferência de informações mas pela união permanente dos indivíduos (professores e alunos) compartilhando conhecimentos distintos de cada um.

Conforme as circunstância a avaliação da aprendizagem averigua os indivíduos envolvidos como inconclusos (docentes e discentes, ao entenderem que estão em continua construção se tornam seres mais flexíveis e corteses; o período de aprendizagem vem a ser mais arqueável, fugindo dos modelos padrões, uma vez que passam a refletir sobre a heterogeneidade a singularidade de cada interventor.

Esse processo de aprendizagem rejeita a exclusão social, contudo aceita as diferenças culturais, já que o ponto de importância entre os aprendizes dão vínculo as suas carências socioculturais. Simultaneamente as falhas possuem uma importância avantajada no processo de aprendizagem, observado com um grande escalão na técnica de construção do conhecimento, posto que quando o sujeito se depara a observar o seu erro, ele passa a procurar o motivo que levou ao resultado e aprende com sua descoberta.

E procedendo dessa conjectura que a avaliação deve ser entendida. Apesar da gênese da palavra transmita o sentido de valor, é necessário que seja apropriado observar incumbência que ela executa no processo de ensino/aprendizagem. É então que notasse todo um discernimento racional do indivíduo (professor). Mas se o mesmo não entender com nitidez o real encargo da avaliação, realizara esse processo de maneira corriqueira e mecânica. Freire afirma que:


[...] “O que importa, na formação docente, não é a repetição mecânica do gesto, este ou aquele, mas a compreensão do valor dos sentimentos, das emoções, do desejo, da insegurança a ser superada pela segurança, do medo que, ao ser educado, vai gerando a coragem”. (FREIRE, 1996, p.45).



Conclusão

Para a avaliação continua do processo de aprimorar a aprendizagem dos discentes não deve ser planejada em si mesma, deve ser executada juntamente com o PPP (Projeto Político Pedagógico Escolar) pensado coletivamente para que conduza o delineamento e a metodologia da classe.


Na avaliação inclusiva, democrática e amorosa não há exclusão, mas sim diagnostico e construção. Não há submissão, mas sim liberdade. Não há medo, mas sim espontaneidade e busca. Não há chegada definitiva, mas sim travessia permanente em busca do melhor. Sempre!

Luckesi


Compreendida dessa forma, a avaliação da aprendizagem é modelo norteador e mútuo traçando uma instigação para o educador, e deixa de ser um momento isolado do professor: ela passa ser distribuída com a gestão escolar, professores, alunos e pais. “A avaliação deve ser necessariamente qualitativa, fugindo às burocráticas pontuações e aos injustificáveis e odiosos rankings” (PARO, 2012, p. 597).

Cabe salientar que o processo avaliativo deve ser visto como a reflexão transformada em ação. Ação essa que nos conduza a novas reflexões. Avaliar não é reprovar, mas é, entender e proporcionar, a todo instante, a evolução integral de quem vivência o processo de aprendizagem.


“A avaliação escolar é parte fundamental do processo de ensino e aprendizagem sendo considerados os conhecimentos, habilidades e atitudes, assimilação e aplicação por meio de métodos adequados. Devem manifestar-se em resultados obtidos nos exercícios, provas, conversação, didática, trabalho independente.” (LIBÂNEO, 1999, p. 200, 2001).


Em síntese utilizamos os ideais de Paulo Freire com o propósito de adquiri aporte teórico, e principalmente, por compreendermos que seus pensamentos reforçam a proposta de seres que buscam uma educação atrativa, cidadã e inovadora da atualidade, em refutação ao real método implantado, fundamentado a ideias de competição entre os alunos e também escolas medido pelo domínio iniquo do Estado e incorporado nas avaliações.


Referências

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