MAPEAMENTO E DIAGNÓSTICO DE SUSCETIBILIDADE A MOVIMENTOS DE MASSA NAS SUÍTES GRANÍTICAS DO SEMIÁRIDO PARAIBANO.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

Departamento de Geografia do CERES/UFRN

Bacharelado em Geografia

MAPEAMENTO E DIAGNÓSTICO DE SUSCETIBILIDADE A MOVIMENTOS DE MASSA NAS SUÍTES GRANÍTICAS DO SEMIÁRIDO PARAIBANO.

RAQUEL CARDOSO DE ARAÚJO

Orientador: Dr. Saulo Roberto de Oliveira Vital.

Nas últimas décadas do presente século, as atividades humanas têm acarretado impactos que, para além do limiar, a natureza precisará levar décadas para restabelecer-se. (DREW, 2002) As ações humanas podem deflagrar eventos de desastres naturais, principalmente devido à rápida urbanização, à superexploração dos recursos naturais e à falta de gestão territorial, o que é comum em países em desenvolvimento. Os desastres naturais ocorrem em todo o mundo, mas seu impacto nos países subdesenvolvidos é maior, devido à sua capacidade limitada de enfrentamento e adaptação (Soriano et al. 2020 apud Alcántara-Ayala, 2002)

Desse modo, quando pretende-se atuar na perspectiva de mitigação dos riscos de desastres naturais, deve-se em primeiro lugar considerar a importância da prevenção e do diagnóstico, visto que esses eventos acarretam diversos problemas sociais, econômicos além de resultarem em acidentes que provocam diversas mortes, todos os anos no Brasil e no mundo. Por isso, é tão importante caracterizar e descrever a ocorrência de movimentos gravitacionais de massa, considerando que o diagnóstico e prevenção desses acidentes podem salvar diversas vidas, bem como resultar na tomada de decisões que podem mitigar os riscos e melhorar as condições de vida das populações que residem nessas áreas. Portanto, a prevenção de desastres naturais é um tema que não pode ser negligenciado e deve partir do trabalho de diagnóstico e classificação dos graus de riscos e suscetibilidade a estes processos. 

Alguns autores, como Saito (2004), Marimon (2009a), bem como o Ministério das Cidades e a CPRM classificam os riscos e a suscetibilidade natural de uma área a determinados processos em graus, que vão de baixo a muito alto grau de risco ou suscetibilidade aos processos, que também recebem a denominação de R1 até o R4 (muito alto grau de risco ou suscetibilidade). Autores estrangeiros, como Soriano et al (2020) classificam os graus de suscetibilidade da área de estudo como em mínima ocorrência, frequente ocorrência e máxima ocorrência, levando em consideração os impactos causados e a frequência com que ocorrem esses eventos. A análise geomorfológica da área de estudo pode permitir correlacionar os perigos associados com eventos de subsidência, inundações, rachaduras no solo, bem como quedas de blocos. 

Outro ponto que justifica os estudos de movimentos de massa em relevos de climas semiáridos ou "serras secas", que fazem parte da paisagem dos domínios interplanáuticos das Caatingas, como preconizava o Professor Ab'saber, é justamente porque esses estudos ainda são tímidos nessas áreas que predominam clima seco e quente das Caatingas. A maioria dos estudos que versam acerca dos movimentos de massa são realizados acerca da ocorrência desses processos em domínios morfoclimáticos úmidos ou sub-úmidos, como nos domínios de Mares de Morro ou das Araucárias, que encontra-se no planalto meridional brasileiro. Como nos domínios das Caatingas observa-se a predominância de clima semiárido, as maiores médias térmicas do país e o menor nível pluviométrico, alguns autores divergem acerca da ocorrência de movimentos de massa nesse domínio morfoclimático. Porém, ressalta-se que mesmo o presente estudo sendo pioneiro na identificação destes processos nas vertentes secas da Paraíba, os trabalhos realizados em campo, bem como as pesquisas feitas em jornais e Blogs locais possibilitaram diagnosticar a ocorrência de quedas de blocos, que é um tipo de movimento de massa bastante comum em relevos de clima semiárido. 

Destarte, a presente pesquisa objetiva elaborar mapeamento e diagnóstico de suscetibilidade aos movimentos de quedas de blocos nas vertentes dos maciços graníticos residuais no semiárido Paraibano. Para isto, considerou-se necessário realizar o diagnóstico da ocorrência e suscetibilidade natural da área aos referidos processos, bem como trabalhar a prevenção e mitigação dos impactos causados pela intervenção humana nas encostas e o avanço da urbanização nessas áreas que são protegidas pelo Código Florestal, como as apps de morros com declividades superiores aos 45°. 

Acerca do que foi observado e os resultados obtidos a partir do estudo de campo e pré-mapeamento, a referida área é classificada como alto grau de suscetibilidade aos movimentos de massa, visto que o percentual de declividade das vertentes propicia a instabilidade dos taludes, principalmente nas altitudes que superam os 400 - 500 metros, nas quais ocorrem percentuais entre 25 e 45% e algumas encostas apresentam declividades superiores aos 75%, que conjuntamente com as interferências antrópicas as tornam áreas de instabilidade e forte grau de suscetibilidade a risco geomorfológico. Entretanto, ressalta-se que outros fatores como o intemperismo físico ou químico nas rochas podem acelerar a ocorrência de quedas de blocos, principalmente associados à perda da vegetação nas encostas íngremes. Portanto, a análise destes fatores geológicos e estruturais corroboram as hipóteses preliminares de que ocorrem nessas áreas movimentos gravitacionais de blocos, sendo favorecidos principalmente pelas descontinuidades das rochas que provocam o desplacamento das mesmas nas zonas de contato litológico. 

No que diz respeito à realização da referida pesquisa, ressalta-se a importância da realização de estudos de Bibliografias que versem acerca dos referidos processos, como a autora Penteado (1980), no tocante à classificação dos movimentos de massa, e Marimom (2011) e Saito (2004) que versam acerca da caracterização dos movimentos de massa, bem como realizam um zoneamento das áreas mais suscetíveis à ocorrência dos processos gravitacionais de massa. O Manual de Geomorfologia (2009) também aborda e descreve os principais tipos de movimentos de massa, assim como o Dicionário Geológico-geomorfológico do Professor Guerra (1993) explanam acerca do referido tema. Também foam consultados outros artigos e teses que abordam essa temática e apresentam diversas metodologias de mapeamento, diagnóstico e zoneamento de áreas classificadas como suscetíveis e de risco de movimentação gravitacional de massa.

Palavras-chaves: Movimento gravitacional de massa; suscetibilidade; risco de desastres naturais.

Referências

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