LESÃO POR PRESSÃO RELACIONADA A DISPOSITIVO MÉDICO:  O papel do enfermeiro na prevenção, avaliação e tratamento.

UNIVERSIDADE PAULISTA

LESÃO POR PRESSÃO RELACIONADA A DISPOSITIVO MÉDICO O papel do enfermeiro na prevenção, avaliação e tratamento.

fernanda thais de souza braga

GRAZIELA SILVEIRA DE ARRUDA

MARLEIDE XAVIER DA SILVA

MARIELE MOREIRA SANTOS

ROBERTA GARCIA LEAL SANTOS

RAFAEL TRINDADE GASPAR

Orientador: Prof.ª Nathalia Peres

Coorentador: Prof.ª Márcia

Introdução

Segundo a atualização realizada pela National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP, 2016) define lesão por pressão (LPP) como um dano localizado na pele ou tecidos moles subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea. O aparecimento da lesão se dá ao resultado de intensa pressão ou prolongada em uma determinada região da pele combinada com o cisalhamento, atrito, microclima, perfusão tissular, dispositivo medico, estado nutricional, comorbidades e as condições da pele relacionada a idade entre outros. (NPUAP, 2016).

     No Brasil, foi criado o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) pelo Ministério da Saúde (MS), por meio da publicação da Portaria GM 529, de 1° de abril de 2013 (BRASIL, 2013). O objetivo geral do PNSP é contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos do território nacional (BRASIL, 2013). Para facilitar a implantação, a implementação e a sustentação das ações de segurança do paciente, a Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária) publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 36, de 25 de julho de 2013 (BRASIL, 2013), estabelece a obrigatoriedade de implantação nos serviços de saúde o Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), como instância promotora de prevenção, controle e mitigação de incidentes, em especial de EA (Eventos Adversos) danosos ao paciente nos serviços de saúde. Umas das principais atribuições do NSP são: Implantar os Protocolos de Segurança do Paciente e realizar o monitoramento dos seus indicadores e notificar ao SNVS (Sistema Nacional de Vigilância Sanitária) os EA decorrentes da prestação do serviço de saúde. O registro das notificações e feito por meio do Sistema Nacional de Notificações para a Vigilância Sanitária (Notivisa). (BRASIL,2013)

   Desde 2014 a Anvisa publica anualmente um relatório nacional de notificações de incidentes relacionados a assistência de saúde, com os resultados das notificações feitas no sistema Notivisa pelos NSPs. (ANVISA,2014). Foram notificados segundo os dados coletados nos boletins informativos de incidentes relacionados a assistência de saúde publicado pela Anvisa, do ano de 2014 a 2020 foram notificados pelos núcleos de segurança do paciente cadastrados, cerca de 78.848 notificações referente a lesão por pressão.

 Os dados referentes as notificações realizadas desde 2014 a 2020 serão apresentados numa tabela abaixo com o total de notificações que foram realizadas com os números de lesão por pressão que foram notificadas segundo os boletins informativos publicados no site da Anvisa referentes aos anos citados acima, período, números de notificações e NPS notificantes.

Tabela 1- Notificações de incidentes relacionados à assistência de saúde, categoria lesão por pressão. (Anvisa, 2014 a 2020)

Ano Período Números de notificações Números de NSP notificantes Notificações de lesão por pressão

2014 Março a dezembro 8.435 784 1.319

2015 Janeiro a dezembro 31.774 1.372 4.832

2016 Janeiro a dezembro 53.997 2.286 10.210

2017 Janeiro a dezembro 75.296 2.960 13.834

2018 Janeiro a dezembro 103.275 4.049 19.297

2019|2020 Abril 2019 a maio 2020 153.126 _ 29.356

             Fonte: Sistema Nacional de Notificações para a Vigilância Sanitária (NOTIVISA).

 A lesão por pressão caracteriza um indicador de qualidade de assistência dos serviços de saúde, o uso de protocolos de segurança do paciente como a prevenção de lesão por pressão torna -se de grande importância a sua implantação nas unidades de saúde para evitar a ocorrências eventos adversos. (ANVISA, 2016).

   O aparecimento de lesão por pressão em região incomum geralmente está relacionado a dispositivo médico, sendo então denominada lesão por pressão relacionada a dispositivo medico (LPP RDM) adicionada no sistema de classificação National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) em 2016, essa classificação define a etiologia, portanto deve utilizar o sistema de classificação para realizar o estadiamento. Esses dispositivos são usados para fins terapêuticos e diagnósticos, podendo permanecer por longo período e o indivíduo portar mais de um em uso. (NPUAP, 2016).

Devido ao grande número de equipamentos usados, torna -se o paciente mais vulnerável ao desenvolvimento de uma LP relacionada a dispositivos médicos, principalmente aqueles que estão sob cuidados intensivos. Os equipamentos com mais utilizados em unidades de saúde são: cânulas orotraqueal e nasotraqueal, drenos, máscara de ventilação não invasiva, sonda foley, sonda duboff, dispositivos de fixação, cateter venoso, dispositivos ortopédicos, bomba de balão intra - aórtico, meias de compressão, dispositivos de contenção física, placas frontais da cânula de traqueostomia, cateter nasal de oxigênio, sensor de oxímetro de pulso. (BERNARDES, Rodrigo Magri. 2018).

 Um dos desafios da enfermagem em relação ao cuidado do paciente hospitalizado refere-se à prevenção das lesões por pressão (LPP). As LPP demandam preocupação aos serviços de saúde, pela elevada incidência e prevalência, necessidade de diversas medidas profiláticas e terapêuticas, pelo aumento da morbidade e custos provenientes (SANTOS, et al. 2005).

 O cuidado com o paciente internado destina-se ao atendimento de suas necessidades humanas básicas e a prevenção de eventos adversos. Sendo evento adverso, um incidente que resulta em danos à saúde (SANTOS, et al. 2005 e BRASIL, 2013).

    O reconhecimento dos pacientes vulneráveis ao desenvolvimento de LPP depende do julgamento clínico profissional e de instrumentos norteadores na identificação dos riscos, como aplicação de escalas e protocolos. O enfermeiro como parte integrante da equipe multiprofissional, líder da equipe de enfermagem, responsável pele gestão do cuidado e tomada de decisão que visa a qualidade da assistência prestada ao paciente, torna -se evidente a responsabilidade e a importância do enfermeiro frente a avaliação, classificação e escolha da terapia adequada na prevenção e tratamento de lesão por pressão. (SOBENDE, 2017).

 A relevância da revisão de estudos com foco nas LPP RDM está relacionada à possibilidade de se conhecer as lacunas do conhecimento sobre a temática, mas, sobretudo, ao desenvolvimento de novas pesquisas que visem à prevenção dessas lesões, contribuindo desse modo para a segurança do paciente. Considerando a necessidade de uso do dispositivo médico em unidades de saúde e os riscos para o desenvolvimento de lesão por pressão, busca -se através deste estudo de revisão bibliográfica um entendimento maior acerca das ações do enfermeiro durante a implementação do plano de cuidados para paciente com risco de desenvolver lesão por pressão relacionada a dispositivo médico.

OBJETIVO

 OBJETIVO GERAL    

O objetivo geral deste projeto é buscar conhecimento em relação ao papel do enfermeiro (a) frente dos cuidados, na prevenção, avaliação e tratamento de lesão por pressão relacionada a dispositivo médico (LPP RDM).

OBJETIVO ESPECÍFICO

. levantar dados sobre segurança do paciente.

. Identificar paciente de risco e fatores relacionados.

. Avaliar e enfatizar a atuação do enfermeiro e equipe e sua importância.

. Verificar e avaliar melhores métodos de prevenção e tratamento de acordo com cada caso.

. Identificar e classificar dispositivos médicos relacionados.

METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, o que permite realizar análises que extrapolam a síntese dos resultados de estudos primários, com potencialidade para desenvolver novas teorias e problemas de pesquisa.

Para alcance dos objetivos citados, será realizado busca na Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), na base de dados Scientific Electronic Library online (SCIELO).

Os descritores que serão utilizados para a busca são: lesão por pressão, dispositivos médicos, segurança do paciente, cuidados de enfermagem.

A partir dessa averiguação será realizado a leitura de todos os conteúdos das referências encontradas nas bases de dados, sendo selecionados apenas estudos pertinentes.

Serão adotados estudos encontrados na íntegra e no idioma português para o critério de inclusão, acerca da temática, no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2020. Serão excluídos artigos que não atendem os critérios do presente estudo.

CRONOGRAMA

Cronograma de execução- PERÍODO DE 01/03/2021 a 10/12/2021

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS

SOBENDE- Associação Brasileira de Enfermagem em Dermatologia., SOBEST-Associação Brasileira de Estomaterapia.; Consenso NPUAP 2016: classificação das lesões por pressão adaptado culturalmente no Brasil. Setembro 2020. Disponível em:https//sobest.com.br/wpcontent/uploads/2020/10/CONSENSONPUAP2016_tradução-SOBEST-SOBENDE.PDF. Acesso em: 20 março 2021.

VASCONCELOS, J.M. B., CALIRI, M. H.L.; Ações de enfermagem antes e após um protocolo de prevenção de lesões por pressão em terapia intensiva. Escola Anna Nery, online, v:21, n:01. e:20170001, Jan 2017. Acesso em: 20 março 2021.

CAVALCANTI, E, O., KAMANDA, I.; Lesão por pressão relacionada a dispositivo medico em adulto: revisão integrativa. Texto e contexto enfermagem. Florianópolis, v:29, e:20180371, fev. 2020. Acesso em: 23 março 2021.

GALLETO, E, P, L, et al.; Lesão por pressão relacionada a dispositivos médicos: revisão integrativa da literatura. Rev. Bras. Enferm, Brasilia, v:72, n:2, março-abril, 2019. Acesso em: 25 março 2021.

CARVALHO, M, B, S, L, E, et al.; Prevalência de lesão por pressão em pacientes internados em hospital privado do estado de Minas Gerais. Revista oficial do Conselho de Enfermagem, v:10, n:4,159-164, 2019. Acesso em: 25 março 2021

ANVISA- Agencia Nacional de Vigilância sanitária.; Boletim segurança do paciente e qualidade de assistência em saúde: incidentes relacionados a assistência de saúde-2014, Brasília, n:10, dez. 2015. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/comunicados-de-risco-1/comunicado-de-risco-no-01-2017-gvims-ggtes-anvisa. Acesso em: 29 março 2021

ANVISA- Agencia Nacional de Vigilância sanitária.; Boletim segurança do paciente e qualidade de assistência em saúde: incidentes relacionados a assistência de saúde-2015, Brasília, n:13, nov. 2016. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/comunicados-de-risco-1/comunicado-de-risco-no-01-2017-gvims-ggtes-anvisa. Acesso em: 29 março 2021

ANVISA- Agencia Nacional de Vigilância sanitária.; Boletim segurança do paciente e qualidade de assistência em saúde: incidentes relacionados a assistência de saúde-2016, Brasília, n:15, dez. 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/comunicados-de-risco-1/comunicado-de-risco-no-01-2017-gvims-ggtes-anvisa. Acesso em: 29 março 2021

ANVISA- Agencia Nacional de Vigilância sanitária.; Boletim segurança do paciente e qualidade de assistência em saúde: incidentes relacionados a assistência de saúde-2017, Brasília, n:18, jan. 2018. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/comunicados-de-risco-1/comunicado-de-risco-no-01-2017-gvims-ggtes-anvisa. Acesso em: 29 março 2021

ANVISA- Agencia Nacional de Vigilância sanitária.; Boletim segurança do paciente e qualidade de assistência em saúde: incidentes relacionados a assistência de saúde-2018, Brasília, n:20, jan.2019. Disponível em https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/comunicados-de-risco-1/comunicado-de-risco-no-01-2017-gvims-ggtes-anvisa. Acesso em: 29 março 2021

ANVISA- Agencia Nacional de Vigilância sanitária., Comunicado de risco: necessidade de reforço nas ações de prevenção de eventos adversos e infecções relacionadas a saúde durante a pandemia de covid-19. GVIMS, GGTES, DIRE1, ANVISA., Brasília, n:01, 2 jun. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/comunicados-de-risco-1/comunicado-de-risco-no-01-2017-gvims-ggtes-anvisa. Acesso em: 30 março 2021.

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