INTRODUÇÃO À ERGONOMIA

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

INTRODUÇÃO À ERGONOMIA

EVITA SAMPAIO

Isabela catini

helena sbeghen

Resumo

A ergonomia é o estudo científico das relações entre homem e máquina, visando a uma segurança e eficiência ideais no modo como um e outra interagem.

Palavras-chave: Ergonomia

Introdução

Desde os tempos do Homem das Cavernas, a Ergonomia já existia e era aplicada. Quando descobriu-se que uma pedra poderia ser afiada até ficar pontiaguda e transformar-se numa lança ou num machado, ali estava se aplicando a Ergonomia. Quando posicionavam-se galhos ou troncos de árvores sob rochas ou outros obstáculos, como alavancas, ali estava a Ergonomia.

Possivelmente o primeiro estudo realizado sobre o assunto foi o do general e filósofo ateniense Xenofonte, por volta de 427 a 355 a.C., que preconizou a divisão do trabalho de maneira que cada operário efetuasse sempre em uma só operação, durante a fabricação de coturnos da armada grega.

O estudo do trabalho continuou com Leonardo da Vinci (entre 1452 e 1519), que se destacou por suas ideias nesse campo. Suas anotações continham ideias de organização racional de trabalho, em que indicam a divisão das atividades profissionais, a mensuração do tempo e o uso de quadros visuais de ordenação e de lançamento, semelhantes aos atuais quadros de planejamento.

     A ergonomia desenvolve-se fortemente durante a segunda guerra mundial, pela primeira vez houve uma interação entre varias áreas para resolver problemas de projeto, no caso, na operação de equipamentos militares complexos. Os resultados foram tão bons que foram aproveitados nas industrias no pós guerra.

Fases da ergonomia

A ergonomia se desesnvolveu durante varios anos, passando por três diferentes fases:

primeira fase

Rere-se às dimensões de objetos, ferramentas, painéis de controle dos postos de trabalho usados por operários. O objetivo dos cientistas, nesta fase, concetrava-se mais ao redimensionamento dos postos de trabalho, possibilitando um melhor alcance motor e visual aos trabalhadores. 

SEGUNDA FASE

A ergonomia passa a ampliar sua área de atuação, confundindo-se com outras ciências, eis que fazendo uso destas. Assim, passa o Ergonomista a projetar postos de trabalho que isolam os trabalhadores do ambiente industrial agressivo, seja por agentes físicos ( calor, frio, ruído, etc.), seja pela intoxicação por agentes químicos (vapores, gases, particulado sólido, etc.). O que se percebe é uma abrangência maior do Ergonomista nesta fase, adequando o ambiente e as dimensões do trabalho ao homem.  

Terceira Fase

Época da década de 80, a Ergonomia passa a atuar em outro ramo científico, mais relacionado com o processo COGNITIVO do ser humano, ou seja, estudando e elaborando sistemas de transmissão de informações mais adequadas às capacidades mentais do homem, muito comuns junto à informática e ao controle automático de processos industriais, através de SDCD’s (Sistema Digital de Controle de Dados) . Tal fase intensificou sua atuação mais na região da Europa, disseminando-se a seguir pelo resto do mundo 



O que é Ergonomia?

É a ciência aplicada ao projeto de maquinas, equipamentos, sistemas e tarefas com o objetivo de melhorar a segurança, saúde conforto e eficiência do trabalho.

Deseja eliminar condições de insegurança, insalubridade desconforto e ineficiência adaptando as capacidades e limitações físicas e psicológicas do homem. Estuda postura, movimentos corporais, fatores ambientais…
É uma área interdisciplinar, ou seja, apoia-se em diversas áreas do conhecimento humano, com isso é possível adaptar postos de trabalho e o ambiente às necessidades do trabalhador 

Quem é o Ergonomista?

Hoje em dia em alguns países há o curso de graduação em ergonomia, mas o mais normal sao engenheiros, desenhistas industriais, medicos e psicólogos trabalhares na area, se profissionalizando melhor por meio de cursos.  

Eles atuam no ensino, instituição de pesquisa, órgãos normativos, consultorias e no setor produtivo 

Significado social da ergonomia

Os acidentes de trabalho sao causados normalmente por erros humanos, uma vez que se tem um ambiente que se adequa às capacidades e limitações humanas a redução desses acidentes é notória, o que faz com que o numero de absenteísmo e incapacitações do trabalho

     Muitos dos conhecimentos ergonômicos foram sistematizados nas normas da Internacional Sandardization Organization -ISO e da Comité Européen de Normalizarion – CEN, bem como normas nacionais em diversos países, como a NR-17, no brasil, alem disso as empresas podem elaborar suas próprias normas.

     Ou seja, a ergonomia contribui para a prevenção de erros melhorando o desempenho.

Valor econômico da ergonomia

Pela definição, ergonomia deve atender aos objetivos sociais e econômicos. No nível social, ela contribui para a redução de custos, prevenindo problemas de saúde. Os custos sociais incluem tratamento de doenças, a perda de produtividade e o absenteísmo.

A ergonomia é um importante fator na competitividade da empresa, pois ai melhorar o desempenho, aumenta-se a qualidade e a produtividade.

 

Aplicações coletivas e individuais

Os equipamentos, sistemas e tarefas sao desenvolvidos para um uso coletivo e deve atender 95% dessa populaçao, os outros 5% (pessoas muito gordas, muito altas, muito baixas, gravidas…) devem ser realizados projetos especificos.   

Estudo de caso

O objetivo do estudo consiste em realizar a AET aplicada ao posto de trabalho de feirantes na cidade do Rio de Janeiro. A feira analisada acontece às quintas-feiras, localizada próxima ao Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), na Rua Morais e Silva, Bairro Tijuca, de 6h às 14h. Neste contexto, emerge a importância de verificar como os trabalhadores e vendedores da feira conseguem suportar condições extremas, seja no carregamento de suas mercadorias, seja em suportar as condições ambientais do dia (ruídos e temperatura elevada, principalmente), assim como a própria QVT. Portanto, o estudo propicia, não só oportunidade de investigar tais aspectos, como uma análise mais profunda, através dos preceitos de Ergonomia, para o estudo de tal posto de trabalho.

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, exploratória, com o escopo de um estudo de casos múltiplos.

Procurou-se analisar as barracas onde fossem vendidas as mercadorias mais pesadas da feira. Logo, entrevistou-se: a barraca do Sr. Thiago, que vende cocos; a barraca do Sr. Rodrigo, que vende carnes em geral; a barraca do Sr. Osio, que vende melancias; e a barraca do Sr. Thiago, que vende bananas. Por conseguinte, verificou-se que todos estão sujeitos aos mesmos problemas ergonômicos, em função do trabalho e atividades que realizam, diferindo apenas na quantidade de carga que levantam todos os dias. Logo, em cada seção deste estudo se apresentará uma análise geral dos quatro postos de trabalho estudados.

Em toda a atividade produtiva da feira observa-se um descuido com princípios básicos da ergonomia. Destaca-se que a falta de informação afeta os feirantes, que com atividades rotineiras prejudicam cada vez mais seu organismo, principalmente sua coluna. Não há um cuidado no transporte de cargas. O carregamento é feito nos ombros e em caixas de madeira

inúmeras vezes ao dia. O simples ato de abaixar e se levantar causam dores que, com o passar do tempo, se tornam insuportáveis, e a posição errônea de segurar as ferramentas, tais como facões, serras, enxadas, arados, ancinhos, sem o respaldo da NR 17, onde os trabalhadores as seguram com os pulsos tortos ou precisa ficar muito tempo curvado para cuidar da terra, da plantação, assim como do manuseio de cachos de bananas, acaba causando danos físicos graves, seja na musculatura ou na pele do trabalhador.

Além dos fatos já citados, observou-se que todos os entrevistados trabalham durante horas, ininterruptamente, na posição em pé e sem um auxílio de um sistema de manuseio, como um carrinho, o que lhes causa dores nas pernas e piora nos quadros já citados. Alguns dos entrevistados relataram que já operaram hérnias de disco, e que muitos companheiros de trabalho sofrem desse mal, além de outros, tais como tendinite, bursite, entre outros. Entretanto, foi relatado, que apenas alguns trabalhadores procuram atendimento médico, pois temem não conseguirem mais cumprir com seus deveres no trabalho.

 

Fatores internos:

todos os trabalhadores entrevistados eram do sexo masculino;

todos os entrevistados tinham experiência como vendedores e produtores de suas mercadorias desde muito jovens, onde o grupo pode notar que sua atual profissão

vem de um histórico familiar;

três feirantes regulam com uma idade na faixa dos 30 anos, com exceção do Sr. Osio de 81 anos;

em relação ao sono, todos os feirantes dormem poucas horas durante a noite (uma

média de 5 horas por noite), e, muitas vezes, tal fato atrapalha o rendimento destes em suas atividades;

em relação à fadiga, como o trabalho exige muito que os feirantes se mantenham em pé por muito tempo, não tendo um local para sentar; exige um grande esforço físico para levantamento das mercadorias; exige a necessidade de realizar movimentos, muitas vezes repetitivos (como por exemplo: cortar o coco, melancia e carnes) e considerando as condições ambientais as quais se submetem – todos os feirantes se queixaram de cansaço extremo ao final de um dia de trabalho.

 

A principal causa que provoca o problema descrito na demanda é a baixa qualidade, tanto no dimensionamento do posto de trabalho dos feirantes, quanto na forma como os feirantes manipulam suas mercadorias antes mesmo de chegarem na feira. Coerentemente, a Lista de Verificação das Bases Biomecânicas, Fisiológicas e Antropométricas, proposto por Dul e Weerdmeester (2004), foi usada para a formulação do diagnóstico.

Em relação ao dimensionamento do posto de trabalho, os feirantes ficam em pé durante o expediente por horas e andam em distâncias muito pequenas (a medida entre suas barracas e seus carros, geralmente). Além disso, não há como não evitar a postura inclinada para frente, pois precisam mostrar os produtos aos clientes, receber o dinheiro e repor os produtos na barraca. A altura da superfície de trabalho não é regulável e nota-se que algumas superfícies estavam abaixo da altura recomendada (que é a altura da virilha). As superfícies de todas as barracas entrevistadas não são inclinadas de modo a facilitar tarefas visuais.

Em relação a manipulação de mercadorias foi observado que nem todos os feirantes transportam as mercadorias de um local para o outro da forma ideal. O Senhor Osio, por exemplo, carrega melancias em seus ombros sem a ajuda de um carrinho, ou seja, as condições para o levantamento de cargas não estão adequadas. Além disso, não há um limite de peso para levantamentos manuais de carga, visto que os feirantes desejam vender o máximo possível.

Considerando tais fatores mencionados e todas as observações feitas ao longo deste estudo sobre os quatro postos de trabalho analisados, elenca-se as seguintes recomendações mencionadas na seção a seguir.

Recomendações Ergonômicas:

Para o problema de carregamento de pesos: que o peso seja mantido próximo ao corpo, para evitar a tensão nos braços, costas e articulações. Além disso, curvar-se para frente, inclinar a cabeça e realizar movimentos bruscos, devem ser evitados.

Para tornar menos fatigante o trabalho diário dos feirantes: no caso do Sr. Thiago, Osio e Rodrigo que fazem a preparação do coco, corte da melancia e fatiamento das carnes respectivamente, é indicada a alternância das posturas e revezamento das funções. Visto que todos os feirantes entrevistados tinham ao menos um ajudante trabalhando na mesma barraca.

Para real eficácia de todos os feirantes: poderiam ser realizadas ações de conscientização por parte do governo, a partir de folhetos e agentes explicando e exemplificando os meios corretos e errados de execução das tarefas individuais na feira, ensinando também a estes trabalhadores exercícios de alongamento.

  

feito

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