Guerra do contestado

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO,CIÊNCIA E TECNOLOGIA CÁMPUS FLORIANÓPOLIS – CONTINENTE

Guerra do contestado

marinês becker nilles

Introdução   

Hiedy de Assis Correa -era um pesquisador nato e um dos maiores nomes das artes em Santa Catarina. Transitava no modernismo, retratava a cidade e o folclore catarinense . Toda a evolução plástica de Hassis aborda seus registros de infância, situações do cotidiano, as marinhas, os temas sociais e sempre o folclore ilhéu, os lugares e personagens da terra catarinense, onde viveu desde os dois anos de idade, e também onde tornou-se marco importante no contexto da arte. 

– Desenvolvimento 

Hiedy de Assis Corrêa – o Hassis – é filho de Orlando de Assis Corrêa, natural de Curitiba, Paraná, e de Laura Rodrigues Corrêa, nascida em Santo Amaro da Imperatriz, Santa Catarina. Hiedy não nascera em Florianópolis em virtude do malfado de seu pai. Sargento do Exército brasileiro, servindo desde 1923 em Florianópolis, Orlando casara-se com Laura em 15 de dezembro de 1924. Residiria na rua Visconde de Ouro Preto (atual rua dos Ilhéus), número 10, até 14 de julho de 1924, quando Orlando é preso e enviado para o Rio de Janeiro. Durante um ano permanecera em diversos quartéis como detento político. Posto em liberdade no dia 3 de julho do ano seguinte, transfere-se para o 3º Regimento Militar do Rio Grande do Sul já tendo Laura novamente ao seu lado.

Em 1º de dezembro de 1925, embarca com destino a Curitiba para onde fora transferido, lá chegando a 8 de dezembro. Em 27 de julho de 1926, no prédio de número 159, na Avenida Dr. Vicente Machado, em Curitiba, nasce Hiedy de Assis Corrêa. Com a nova transferência de Orlando, a família Corrêa muda-se para Santa Catarina via estrada de ferro Paranaguá – Santa Catarina.

Com dois anos e três meses de idade, Hiedy chega a Florianópolis em 18 de outubro de 1928. Após sucessivas mudanças, a família Corrêa finalmente estabelece residência definitiva em Florianópolis. O pequeno Hiedy passa a morar com sua avó materna, na rua Visconde de Ouro Preto, 19. Seus pais moram próximos, na rua General Bittencourt, 55. Em 3 de outubro de 1936, aos dez anos de idade, Hiedy muda-se para a Trindade, junto à família, após seu pai arrendar uma chácara pertencente à família Ramagem. O local era situado nas proximidades do atual Hospital Universitário. A residência fixa no sítio da Trindade parece finalmente contentar ao espírito de Orlando Corrêa, já esgotado pela disciplina militar. Ele viveria seus últimos anos de vida na chácara da Trindade, entre trabalhos agrícolas e de pecuária, onde faleceria em 1949. Em 1950, a família retorna ao Centro da cidade, já com Hassis tendo que sustentar a casa e os irmãos menores, indo residir na rua Anita Garibaldi. Neste período, conheceria aquela que seria sua companheira ao longo de toda a vida, a jovem dois anos mais nova que ele, de nome Nazle Paulo. O casamento seria uma questão de tempo.

Iniciou sua carreira como desenhista em uma empresa de tipografia e na madeireira Santo Amaro. E, em 1948, o artista ilustra os contos “Noturno” e “Flores”, além da capa do livro “Terra Fraca”, tornando-se ilustrador da Revista Sul e contribuinte do movimento artístico e literário conhecido por “Grupo Sul”, na década de 40 a 50. Na mesma época, torna-se membro fundador do Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis – GAPF, e participa do primeiro Salão desse mesmo grupo, obtendo o 1º lugar com a tela “Vento Sul com Chuva”.

VENTO SUL COM CHUVA
VENTO SUL COM CHUVAO autor (2017)

1957

37CM X 50CM – GUACHE SOBRE PAPEL

Um dos quadros mais emblemáticos, considerado um dos mais importantes do artista tendo conquistado o primeiro lugar no Iº salão de artes do GAPF – Grupo de artistas Plásticos de Florianópolis, do qual o Hassis foi sócio-fundador

Em 1962, Hassis apresenta uma das suas principais obras, no qual foram pintados sobre tela os 14 passos de sua Via Crusis, expressando toda serenidade de Cristo no sofrimento do Calvário.

VIA CRUSIS
VIA CRUSISO autor (2017)

Já em 1972 é apresentada a exposição “O Circo”, que mostra o universo do espetáculo, povoado de sonhos e fantasias. Estes mesmos desenhos foram reunidos e transformados em um álbum, contendo 19 pranchas e intitulado de “Respeitável Público”, sendo publicado em 1982. 

o circo
o circoO autor (2017)

Toda a evolução plástica de Hassis mostram seus registros de infância, situações do cotidiano, temas sociais e principalmente sobre o folclore ilhéu, os lugares e personagens da terra catarinense.

Hassis sempre foi interessado pela Guerra do Contestado, principalmente por intermédio de seu avô, que teve participação direta no conflito. E, com base nos desdobramentos deste conflito, o artista inicia em 1984 a pintura do painel “Contestado – Terra Contestada”, com 36 metros de comprimento, divididos entre seus sete módulos. Os desenhos retratados no painel fazem um relato cronológico da Guerra do Contestado.

GUERRA DO CONTESTADO
GUERRA DO CONTESTADOO autor (2017)

                                     ACERVOS


Acervo pictórico: composto por aproximadamente seiscentas obras, essa coleção apresenta a mais reconhecida face de Hassis, a de pintor. As obras utilizam tinta acrílica sobre tela, eucatex, papelão ou madeira e foram conservadas por Hassis em seu próprio acervo. O acervo pictórico do museu abriga desde a primeira pintura de Hassis, em 1957, até seu último quadro, em 2001, que não foi finalizado em virtude de seu falecimento.

Acervo escultórico: na década de 70, Hassis inova e começa a produzir esculturas, utilizando restos de materiais. Em suas obras, o artista cria formas a partir do recolhimento de lixos da construção civil. Essas obras ainda podem ser vistas no arquivo fotográfico, que contém imagens da época em que foram criadas. Outro trabalho que se destaca é uma gaivota de grande dimensão, concebida por Hassis em ferro.

Acervo de obras sobre papel: Hassis estudou por mais de meio século o desenho e também a pintura. Talvez seja a porção mais desconhecida e rica de sua obra. Depositadas em 25 caixas de papelão de filme fotográfico, as 1.500 obras apresentam todo um caminho percorrido por Hassis nas artes plásticas. Na primeira pasta, pode-se ver seu primeiro desenho, feito aos 11 anos de idade, em 1937. O acervo também possui os cartazes criados pelo artista desde a década de 60, quando passou a trabalhar como desenhista da Universidade Federal de Santa Catarina.

Acervo documental: desde a década de 40, Hassis reuniu mais de sete mil documentos e recortes de jornais que relatavam sua obra e dos demais artistas que tinha contato. Já na década de 60, o artista passou a reunir catálogos e convites de exposições de artistas catarinenses, que revelam os ambientes e modos de veiculação da arte no estado. Este acervo se encontra devidamente restaurado e acondicionado.

Acervo Fotográfico: desde jovem, Hassis não saía de casa sem sua câmera a tiracolo. E o resultado deu certo. O artista conseguiu reunir um grande acervo fotográfico, que abriga mais de oito mil fotografias e cerca de mil dispositivos. As fotos retratam Florianópolis da década de 50, 60, passando pelas exposições de artistas, até fotos familiares.

Acervo audiovisual: Hassis foi um dos pioneiros do cinema 8mm e Super 8 em Florianópolis. Não se contendo a meros registros familiares, o artista partiu para uma experimentação visual. Desses trabalhos, destacam-se: Ano 66 (8mm, 1966, 26´), Batucada (Super 8, 1970, 4´30´´), Ontemanhã (Super 8, 1972, 15´), Fpolis Era (Super 8, 1978, 8´40´´), Mãos (Super 8, 1979, 4´), Itaguaçu (Super 8, 1979, 3´50´´) e Dança Boi (Super 8, 1979, 6´30´´). Com a introdução das câmeras VHS, Hassis passou a filmar no formato de vídeo, gravando mais de 500 fitas.

PRINCIPAIS OBRAS: Destacam-se as obras: Vento Sul com Chuva (1957), Via-Crucis (1961), O Circo(1972), BR (1977), Artepoema (1982), Contestado – Terra Contestada (1984), Farra do Boi (1989), Os Sete Pecados Capitais (1996), HQ (1999) e Brasil 500 anos (2000).

hassis
hassisO autor (2017)

Conclusão

Falar brevemente de Hassis é um enorme desafio. Ele mesmo levarIa  anos para se explicar e mesmo assim não se deu por satisfeito, com toda certeza. O melhor é retornar mais uma vez em sua frase mais conhecida: “Eu, graças a Deus, nunca encontrei o que busco”. Esse era Hassis, um artista inquieto em intensa e profunda busca visual que lhe ocupara toda a existência.

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