GERAÇÕES DE 1940 E 1950

COLÉGIO ESTADUAL HERBERT DE SOUZA

GERAÇÕES DE 1940 E 1950

Lanna luiza de sousa gomes e lucas de sousa gomes

Introdução

Neste trabalho será apresentado o tema GERAÇÕES DE 1940 E 1950: A QUESTÃO RACIAL E A REVOLUÇÃO BURGUESA NO BRASIL Durante esse período ocorreu uma expansão nos estudos sobre a questão racial no país, onde a sociologia foi muito importante para o entendimento desse campo.

GERAÇÕES DE 1940 E 1950: A QUESTÃO RACIAL E A REVOLUÇÃO BURGUESA NO BRASIL

Durante esse período ocorreu uma expansão nos estudos sobre a questão racial no país, onde a sociologia foi muito importante para o entendimento desse campo. Além disso, nessa fase, no início da década de 1950, a Organização das Nações Unidas para a Educação, patrocinou um conjunto de pesquisas sobre as relações raciais no Brasil. 

No início da década de 1950, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) patrocinou um conjunto de pesquisas sobre as relações raciais no Brasil. A origem deste projeto estava associada à agenda anti-racista formulada pela Unesco no final dos anos 1940 sob o impacto do racismo e da Segunda Guerra Mundial. O Brasil – considerado uma espécie de “laboratório” – desfrutava àquela época de uma imagem positiva em termos de relações inter-raciais, se comparado com os Estados Unidos e com a África do Sul. O objetivo do projeto era “determinar os fatores econômicos, sociais, políticos, culturais e psicológicos favoráveis ou desfavoráveis à existência de relações harmoniosas entre raças e grupos étnicos”. Entre os diversos locais de pesquisa estava obviamente a Bahia, onde existia uma longa tradição de estudos sobre o negro, e a cidade de Salvador, que apresentava forte presença e influência da cultura africana. Ali, desde os anos 1930 já tinham feito suas pesquisas diversos norte-americanos, como Ruth Landes, Franklin Frazier, Donald Pierson, entre outros. Estiveram envolvidos no projeto Unesco Florestan Fernandes, Roger Bastide, Luiz de Aguiar Costa Pinto, Oracy Nogueira, Thales de Azevedo, Charles Wagley, René Ribeiro, Marvin Harris, entre outros. O projeto Unesco produziu um amplo inventário sobre o preconceito e a discriminação racial no Brasil que evidenciou uma forte correlação entre cor ou raça e status socioeconômico.

A questão racial esteve presente na década de 1950 não só como tema de investigação patrocinada pelas Nações Unidas. Era uma questão política e existencial para intelectuais negros que se organizavam no período. Uma das mais significativas experiências de mobilização da época foi a revista Quilombo, que trazia como subtítulo “Vida, problema e aspirações do negro”. Sob a direção do intelectual negro Abdias Nascimento, Quilombo foi publicada de dezembro de 1948 a julho de 1950 no Rio de Janeiro. A revista mereceu em 2003 uma edição fac-similar publicada pela Editora 34, financiada pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo e pela Fundação Ford. 

Um importante intelectual negro, o sociólogo Guerreiro Ramos, participou da discussão e analisou a questão racial no artigo “Contatos raciais no Brasil”, publicado em 1948 no número 1 da revista Quilombo. Para Guerreiro Ramos, a questão do negro não é uniforme no Brasil, há diferenças regionais e de classe; o preconceito de cor não equivale ao preconceito racial; o homem de cor assimila os padrões da cultura dominante e se vê segundo os padrões dos brancos; há ressentimento do homem de cor de posições mais baixas contra homens de cor de posição mais elevada; o Brasil não tem um sistema de castas (ou seja, é possível a mobilidade social); o mestiço se vê do ponto de vista do branco, tende a camuflar suas marcas; os traços culturais africanos são tratados como pitorescos, o que propicia a indústria turística do pitoresco; o padrão estético da população brasileira é o branco. 

Nessa primeira abordagem sobre o tema, Guerreiro Ramos defende a integração do negro. Discute os mecanismos de integração e defende técnicas – como o processo catártico do teatro – capazes de libertar os negros dos ressentimentos e das ansiedades. O Teatro Experimental do Negro (TEN), criado em 1944 sob a direção de Abdias Nascimento, é expressão de uma elite de homens de cor e seria o melhor exemplo de experimento psicossociológico destinado a treinar os participantes nos estilos de comportamento das classes médias e superiores. Guerreiro fazia grupos de terapia como caminho para solucionar a ambivalência da subjetividade do homem de cor. Sua questão fundamental era a promoção social do negro, era prepará-lo para a vida social eliminando o ressentimento. 

Em seus trabalhos posteriores, Guerreiro Ramos vai apresentar uma outra perspectiva sobre o tema das relações raciais. Em capítulo do seu livro Cartilha brasileira para aprendiz de sociólogo (1954), ele defende a necessidade de elaboração de uma consciência sociológica da situação do homem de cor. As relações raciais devem ser tratadas como um aspecto da sociologia nacional. Os problemas do negro, como do índio, são aspectos particulares do problema nacional e dependem da fase de desenvolvimento econômico do Brasil. 

O problema do negro, diz ele, só existe se pensarmos que a sociedade deveria ser de brancos. O negro é ingrediente normal da população brasileira. O negro é povo e não é componente estranho de nossa demografia. Ao contrário, é a sua mais importante matriz demográfica. Guerreiro faz a denúncia do caráter patológico das atitudes do branco e da alienação do próprio negro ao assumir as mesmas atitudes. O negro é povo, e o povo irrompe nos anos 1950 na história do Brasil a partir da formação do mercado interno, da industrialização e do desenvolvimento. 

O projeto Unesco, a revista Quilombo e a produção de Guerreiro Ramos são importantes momentos da luta anti-racista na história política e cultural do Brasil dos anos 1950.

REVOLUÇÃO BURGUESA NO BRASIL

Em 1974, em meio à ditadura e dez anos após o golpe militar, Florestan Fernandes publicou A revolução burguesa no Brasil. Recebido à época como uma tentativa de explicação das origens e fundamentos do Estado autoritário, o livro tornou-se, com o decorrer do tempo, um dos clássicos da sociologia histórica brasileira, uma linhagem que possui seus momentos altos em Casa-grande & senzala (1933), de Gilberto Freyre; Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda e Os donos do poder (1958), de Raymundo Faoro.

Florestan emprega o conceito de “revolução burguesa” como “tipo ideal”, isto é, como princípio heurístico e fio investigativo da origem, natureza e desdobramentos do capitalismo no Brasil. Não se trata de um estudo empírico ou mesmo de comparar as vicissitudes do processo brasileiro com os modelos de revolução francês, inglês ou norte-americano. 

A ausência de uma sucessão de acontecimentos de impacto, de uma revolução propriamente dita, não impediu o desenvolvimento do capitalismo no Brasil, mas ditou-lhe um ritmo próprio e uma condição particular. A idéia de revolução burguesa presta-se assim como uma luva para determinar as etapas do processo e, sobretudo, para compreender a modalidade de capitalismo predominante no país. 

O livro foi redigido em momentos distintos: as duas partes iniciais (“As Origens da Revolução Burguesa” e “A Formação da Ordem Social Competitiva”) em 1966, e, a terceira parte (“Revolução Burguesa e Capitalismo Dependente”), em 1974. Esse último ensaio complementa os demais blocos, avançando o acompanhamento histórico anterior – que se detinha na época da abolição da escravatura – até o presente. Mas traz também alterações relevantes no que tange à atribuição de sentido ao processo histórico. 

Os ensaios de 1966 seguem a periodização tradicional. A Independência abre caminho para a emergência da sociabilidade burguesa – seja como tipo de personalidade ou como formação social –, bloqueada até então pela conjugação de estatuto colonial, escravismo e grande lavoura exportadora. O simples rompimento com a condição colonial, a autonomia política engendra uma “situação nacional” que desenvolve o comércio e a vida urbana, alicerça o Estado e prepara a modernização.

A manutenção do sistema escravista, no entanto, polariza o país entre uma estrutura heteronômica (cujo protótipo é a grande lavoura de exportação) e uma dinâmica autonomizante (centrada no mercado interno). Socialmente, os agentes burgueses, em simbiose com o quadro vigente, organizam-se antes como estamento do que como classe, uma situação que só será rompida com o surgimento do imigrante e do fazendeiro do café na fronteira agrícola. 

A introdução do trabalho assalariado e a consolidação da “ordem econômica competitiva”, no final do século XIX, não liberaram completamente as potencialidades da racionalidade burguesa. Antes promoveram a acomodação de formas econômicas opostas, gerando uma sociedade híbrida e uma formação social, o “capitalismo dependente”, marcada pela coexistência e interconexão do arcaico e do moderno. 

No último ensaio, redigido em 1974, o conceito de “capitalismo dependente” passa a ser determinado pela associação da burguesia com o capital internacional. Com isso, altera-se o peso da dinâmica do sistema capitalista mundial e a própria periodização, marcada pela emergência e expansão de três tipos de capitalismo: o moderno (1808-1860), o competitivo (1860-1950) e o monopolista (1950-…). 

A revolução burguesa teria conduzido o Brasil, portanto, à transformação capitalista, mas não à esperada revolução nacional e democrática. Na ausência de uma ruptura enfática com o passado, este cobra seu preço a cada momento do processo, em geral na chave de uma conciliação que se apresenta como negação ou neutralização da reforma. A monopolização do Estado pela burguesia – tanto econômica, como social e política – estaria na raiz do modelo autocrático, da “democracia restrita” que marca o século XX brasileiro. 

Seria um erro grave, no entanto, atribuir a esse diagnóstico alguma forma de determinismo. O duplo caráter dos conceitos, as contradições que Florestan detecta a cada passo, em suma, a dialética como método deixa o campo livre para a ação histórica dos agentes e das classes sociais. 

O livro A revolução burguesa no Brasil encerra o ciclo de interpretações gerais do país. Mas, forneceu, ao mesmo tempo, as balizas para uma série de estudos pontuais posteriores que abordaram tópicos decisivos como a resistência dos “de baixo” antes e durante a emergência das classes, as alterações do estatuto das nações no sistema-mundo ou as rupturas no padrão de acumulação no capitalismo.

Conclusão

No início da década de 1950, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) patrocinou um conjunto de pesquisas sobre as relações raciais no Brasil. Um importante intelectual negro, o sociólogo Guerreiro Ramos, participou da discussão e analisou a questão racial no artigo “Contatos raciais no Brasil”, publicado em 1948 no número 1 da revista Quilombo. Em 1974, em meio à ditadura e dez anos após o golpe militar, Florestan Fernandes publicou A revolução burguesa no Brasil.

Referências

. Disponível em: https://blogdaboitempo.com.br/2014/03/28/a-revolucao-burguesa-no-brasil/. Acesso em: 29 Mar. 2020.

. Disponível em: https://brainly.com.br/tarefa/14432815. Acesso em: 29 Mar. 2020.

. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/SegundoGoverno/QuestaoRacial. Acesso em: 29 Mar. 2020.

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