FITOTERAPIA E NUTRIÇÃO – FATORES ESSENCIAIS AO REEQUILÍBRIO ORGÂNICO –

FACULDADE HUMANÍSTICA | INSTITUTO ERASMO DE ROTTERDAM | INSTITUTO EUROPEU DE NATUROLOGIA

FITOTERAPIA E NUTRIÇÃO
– FATORES ESSENCIAIS AO REEQUILÍBRIO ORGÂNICO –

Valter aparecido pegorer

Resumo

O presente trabalho não tem a pretensão de esgotar a questão que envolve seu tema: “Fitoterapia e Nutrição – Fatores Essenciais ao Reequilíbrio Orgânico”. Antes de mais nada, quer fazer uma provocação em torno da tentativa de reflexão sobre a injustiça provocada pela discriminação, fruto da ausência de interesse quanto à adoção de alimentação adequada e plantas medicinais, como prioridades terapêuticas, visando a promoção da saúde, a prevenção e o tratamento de enfermidades, junto a pessoas, sobretudo as mais pobres, que têm se submetido ao risco de gravíssimas “sequelas sociais”, que comprometem sua vida presente e podem comprometer, ainda mais, o seu futuro, devido à insensibilidade das autoridades sanitárias que, acabam por impedir ou esconder a possibilidade de um nível de equilíbrio orgânico, fundamentalmente, proporcionado por uma alimentação equilibrada, consorciada com o uso de remédios caseiros, a partir das plantas medicinais disponíveis pela natureza.
As visitas a escritos de um significativo número de autores, pesquisadores e estudiosos do assunto, permitem constatar e entender que, entre os inúmeros fatores de adoecimento, estão a pobreza, a fome e a desnutrição que, por sua vez, agravam-se com o despreparo e o desinteresse de autoridades, profissionais da área e gestores públicos, responsáveis pelos sistemas de saúde, sobretudo nos municípios, não isentando as universidades, que colocam no mercado profissionais, salvo exceção, voltados para o lucro, sem atentarem para a visão holística e sistêmica da saúde que, por sua vez, induzem a tratar da pessoa enferma e não da enfermidade em si.
A pesquisa qualitativa realizada permitiu perceber que se o problema existe, e isto é um fato, existe, também, a solução. E hoje, mais do que nunca, há um desafio crescente, no sentido de se construir políticas públicas de saúde libertadoras e emancipadoras das pessoas, das famílias e das comunidades, enquanto busca permanente do desenvolvimento pessoal, social e econômico.

Palavras-chave: Alimentos. Alimentação. Plantas Medicinais. Visão holística. Saúde.

Abstract

The present paper does not pretend to exhaust the question that surrounds its theme: “Phytotherapy and Nutrition – Essential Factors for Organic Rebalancing”. First of all, it wants to make a provocation around the attempt to reflect on the injustice provoked by the discrimination, fruit of the lack of interest in the adoption of adequate food and medicinal plants, as therapeutic priorities, aiming at health promotion, prevention and The treatment of diseases, with people, especially the poorest ones, who have been subjected to the risk of very serious “social sequelae”, which jeopardize their present life and can further compromise their future, due to the insensitivity of the health authorities who , End up preventing or hiding the possibility of a level of organic balance, fundamentally provided by a balanced diet, consorted with the use of home remedies, from the medicinal plants available by nature.
The visits to writings of a significant number of authors, researchers and scholars of the subject, allow to verify and to understand that, among the numerous factors of illness, are the poverty, the hunger and the malnutrition that, in turn, aggravate with the Lack of preparation and the lack of interest of authorities, professionals of the area and public managers, responsible for health systems, especially in the municipalities, not exempting the universities, who put on the market professionals, with exception, profit oriented, without paying attention to the holistic and Systemic health that, in turn, induce to treat the sick person and not the disease itself.
The qualitative research carried out showed that if the problem exists, and this is a fact, there is also the solution. And today, more than ever, there is a growing challenge to build public health policies that liberate and emancipate people, families and communities, as a permanent search for personal, social and economic development.

Palavras-chave: Foods. Feeding. Medicinal plants. Holistic vision. Health.

Introdução

O presente trabalho consiste em buscar respostas à angustiante situação de saúde das pessoas de todas as classes sociais ou culturais, sobretudo, das camadas mais empobrecidas da população.

Em 2000, a Organização Mundial da saúde fez
o mais completo estudo sobre os sistemas de
saúde ao redor do mundo e estabeleceu um
ranking entre eles. Dos 191 participantes o
Brasil ficou na 125ª posição, atrás de diversos
países pobres da África e da Ásia. (VILLENUEVE, 2015)

Atualmente, todos os dias, têm-se notícias e são veiculados documentários, dando conta de que a alimentação adequada, que não precisa e nem deve ser sofisticada, é essencial para a preservação da saúde humana e garantia da qualidade de vida das pessoas.No momento em que, no mundo, as respostas, quanto ao adoecimento da humanidade, começam a encontrar guarida na possibilidade de um retorno aos costumes e hábitos do passado, na perspectiva de uma vida mais saudável, compatível com a dignidade humana, é de indagar-se porque os sistemas de saúde, em geral, mas, particularmente, os públicos ainda insistem em fazer de conta que os recursos naturais, tanto do ponto de vista preventivo, quanto curativo, não devam ser utilizados de forma intensiva e decisiva.

Algumas vezes não é o excesso de
alimentação que causa danos, e sim
deficiência de nutrientes. Denomina-se
desnutrição a condição clínica caracterizada
pela deficiência de algum nutriente, seja
pela má alimentação, seja pela ingestão
insuficiente. Esse problema de saúde gera
perda muscular, emagrecimento,
alterações na pele e no cabelo, anemia,
alterações ósseas e no sistema nervoso,
entre outros danos. (SANTOS, )

Sabe-se que toda doença é uma desordem, um desequilíbrio orgânico. E, salvo exceções, sua origem está na forma de viver das pessoas, na alimentação, nos vícios, nos relacionamentos, nas emoções e no meio ambiente em que se vive.

Os desequilíbrios mais frequentes, quando se
consome alimentos que não são próprios
para cada pessoa são: enxaquecas, intestino
preso ou solto demais, dores musculares ou
articulares de repetição, falta de energia,
rinite, sinusite, gastrite, otite, baixa
imunidade, redução da memória e da
concentração e compulsão alimentar. (UOL
CIÊNCIA E SAÚDE, 2009)

Ninguém nasceu para estar doente e viver infeliz, com dores e seqüelas. Nasce-se para o bem estar, para a felicidade e para a longevidade. Na natureza há recursos suficientes para evitar o desequilíbrio orgânico e, quando for o caso, para promover o reequilíbrio, ressaltando-se os alimentos do quotidiano e as plantas medicinais.Tudo na vida é uma questão de escolha. E a cada escolha, uma renúncia, ou seja, ao escolher vida com qualidade, renunciam-se a hábitos, simplesmente, prazerosos. É conhecida a frase do Pai da Medicina: “Que teu alimento seja o teu remédio e que
teu remédio seja teu alimento”
( HIPÓCRATES, 460 – 377, a.C )

Através de uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo, pretende-se obter um diagnóstico que possibilite uma visão clara acerca da importância da alimentação adequada e do uso orientado de plantas medicinais, como fatores essenciais ao equilíbrio e re-equilíbrio orgânicos, do ponto de vista da prevenção, promoção, manutenção e recuperação da saúde.

Partindo dessas premissas, há uma indagação que não quer calar: Porquê as pessoas, numa grande maioria, vivem doentes e com dificuldade de recuperação, se podem ter uma vida saudável e equilibrada, organicamente, a partir da grande disponibilidade de recursos naturais ? Estaria faltando consciência profissional ? Seria omissão por parte daqueles que detêm o poder de proporcionar saúde ás pessoas ?

É sabido que, salvo exceções, a medicina moderna preocupa-se com a doença, ignorando a pessoa acometida pela doença e as causas que a levaram à enfermidade, dando-se a impressão de que finge não saber da importância de atender o indivíduo na sua integralidade, num flagrante contraste com a visão sistêmica e holística de saúde.

A ideia não é excluir nada, mas juntar tudo e
mostrar que a pessoa é detentora da
capacidade de cura da própria doença. O que
buscamos é oferecer uma assistência com
informação e terapias que vão além da
medicina convencional para ajuda-la a se
conectar com a promoção de saúde. Eu não
tenho dúvida de que a medicina convencional
é, extremamente, efetiva em se tratando de
doença, mas saúde não é apenas ausência de
doença. (LIMA, )

Esta visão é corroborada pela própria Organização Mundial da saúde-OMS, ao afirmar que´
“A Saúde é o Completo bem estar físico,
mental e social e não, somente, ausência
de afecções e enfermidades”. (CZRESNIA, 2003)

A problematização pauta-se em buscar saber porque, especialmente no Brasil, mesmo diante de farta legislação, quanto à Fitoterapia e sua estreita ligação com a Nutrição, os sistemas de saúde pública não avançam no sentido de atuar na linha da promoção da saúde e prevenção de doenças, utilizando-se de tais recursos que, obviamente, carecem de orientação e conscientização. A legislação é clara, neste sentido e o Conselho Federal de Nutrição, posiciona-se, neste sentido.

Regulamenta a prática da fitoterapia pelo
nutricionista, atribuindo-lhe competência
para, nas modalidades que especifica,
prescrever plantas medicinais, drogas
vegetais e fitoterápicos como complemento
da prescrição dietética e, dá outras
providências. (Brasil, 2013)

Ainda saliente-se que o objetivo geral desse trabalho é investigar, mediante pesquisa bibliográfica de caráter teórico qualitativo, tanto os resultados de pesquisas de campo relatando a situação de morbidade e mortalidade, entre crianças e adultos, em função da má alimentação e sua respectiva deficiência nutricional, quanto à não adoção do uso, reconhecidamente eficaz, de plantas medicinais na forma de remédios caseiros e, mesmo, fitoterápicos em geral.

Quer, por outro lado, este trabalho, buscar demonstrar que os recursos naturais consistentes, basicamente, nos alimentos integrais e balanceados, aliados às plantas medicinais ( mais do que nos fitoterápicos, propriamente ditos ), mediante um programa de educação em saúde, podem contribuir, de maneira significativa, para manter a saúde ou devolvê-la a quem a tenha perdido, evitando-se a complexidade e inacessibilidade da medicina convencional que, mesmo com os avanços científicos, tem demonstrado sua ineficácia, além do alto custo e dos inúmeros efeitos colaterais, bem como excessivos abusos do ponto de vista ético e moral.

A desinformação abre espaço para duas
formas de conduta médica, ambas errôneas.
A primeira destinada aos que possuem mais
recursos, leva à adoção de procedimentos
desnecessários. A segunda, atrelada aos
menos favorecidos , financeiramente, é a de
sonegação dos cuidados disponíveis. (
FERRAZ NETO, 2016)

Tem por objetivo, ainda, tentar entender as razões pelas quais, nas Unidades Básicas de Saúde, não há a prática da utilização de Plantas Medicinais, consorciadas com alimentos balanceados, como forma de tratamento.

A escolha desse tema deve-se à constatação angustiante do quadro de saúde da população, de todas as classes sociais e culturas, sobretudo, os mais pobres que, além de não terem acesso aos tratamentos chamados modernos, devido a seus altos custos, são privados da adoção de práticas naturais, especialmente, fitoterápicos e alimentos baratos que podem estar ao alcance de suas mãos, bastando que se realizem trabalhos de orientação e conscientização, para mudanças de hábitos, a partir da implantação de um processo de educação e re-educação comunitária, considerando-se a necessidade de uma visão sistêmica e holística da saúde.

É muito comum vermos pessoas preocupadas
em contar calorias ou em saber qual é a nova
dieta restritiva da moda. Poucas vezes existe
a preocupação dessas mudanças. Cortes
podem fazer efeito imediato, mas não são
sustentáveis a longo prazo. É precisa investir
em reeducação alimentar. (BARAKAT)

Alimentos básicos e plantas medicinais comuns e conhecidas podem proporcionar aos indivíduos e à coletividade o que se convenciona chamar de saúde ao alcance do povo, na mão do povo.

Por outro lado, ao concluir este estudo, o mesmo poderá se constituir num instrumento orientador para a adoção de práticas simples a serem utilizadas, permanentemente, nas áreas da assistência social, da educação e da saúde pública, especialmente nas escolas e nas Unidades Básicas de saúde, sobretudo, enquanto medidas preventivas, proporcionando economia e melhor qualidade de vida às populações. Nas atividades profissionais e voluntárias, mormente, através de instituições sociais e unidades básicas de saúde, convive-se com as camadas mais pobres da população, nas periferias das cidades. E a percepção não é outra, se não, a de que a pobreza, em si, é fruto de injustiça social, sob todos os aspectos, o que gera desigualdades gritantes, dificultando o desenvolvimento pessoal, social e econômico, o que desencadeia um verdadeiro círculo vicioso: A falta de educação e informação provoca dificuldade de acesso aos próprios bens naturais, que leva à alimentação inadequada, que leva a doenças, que provocam debilidade física…E a falta de recursos impede o acesso a tratamentos dignos, mormente, quanto à utilização das plantas medicinais e orientação quanto à preparação de receitas simples, com a utilização de alimentos básicos e de baixo custo, porém, ricos em nutrientes necessários e indispensáveis, tanto à preservação da saúde, quanto à recuperação da mesma, quando perdida, fatores essenciais à obtenção de qualidade de vida, no presente e no futuro.

A nutrição correta durante a vida é fator
essencial para determinar a qualidade de
vida que uma pessoa pode esperar nos anos
mais avançados. (JILL SHUMAN)

Objetivo Geral

Investigar, mediante pesquisa bibliográfica, bem como vivência e experiências no trato com as pessoas, para buscar respostas, minimamente coerentes, à questão de saúde das pessoas, bem como as razões da não utilização sistemática de plantas medicinais aliadas à correta nutrição, por parte do Sistema Público de saúde vigente.

Objetivos específicos

  • Trazer à baila o entendimento sobre a visão sistêmica e holística da saúde, no contexto da integralidade do ser humano, considerando-se responsabilidades individuais, coletivas e do poder público;
  • Analisar a importância da nutrição, como base para manutenção e/ou recuperação da saúde e sua interação com as plantas medicinais;
  • Demonstrar a ausência de interesse, por parte de profissionais e instituições de saúde, quanto à educação em saúde na visão de integralidade;
  • Avaliar a sensibilidade das autoridades sanitárias e dos profissionais de saúde, quanto ao hábito de lançar mão da alimentação adequada e do uso de plantas medicinais, tanto na prevenção, quanto no tratamento de enfermidades, tanto a nível ambulatorial, quanto nas internações hospitalares.

metodologia

A metodologia a ser aplicada no presente trabalho/pesquisa não será a da “abordagem quantitativa”, mas sim, a da “abordagem qualitativa” que, segundo DIHEL ( 2004 ), “apresenta maior liberdade teórico-metodológica para realizar o estudo pretendido. Os limites de sua iniciativa são fixados pelas condições exigidas a um trabalho científico, mas ela deve apresentar estrutura coerente, consciente, originalidade e nível de objetivação, capaz de merecer a aprovação de cientistas, num processo intersubjetivo de apreciação”.

Os autores, em geral, afirmam que o relacionamento entre essas duas abordagens se dá por meio da “visão purista” e da “visão dialógica”, sendo que a segunda pode-se aplicar em ambas as abordagens, dependendo do problema a ser investigado.

O método “qualitativo”, devido à sua importância, é muito utilizado no meio acadêmico.

A análise “qualitativa” dos dados pesquisados, que ocorre, basicamente, em um processo indutivo, ou seja, partindo-se das situações particulares para se chegar à generalização, será feita com base nos seguintes autores: PATTON (1980 ) e GLAZIER (1992)




A SAÚDE SOB O PRISMA DA VISÃO SISTÊMICA E HOLÍSTICA

Não há como entender o ser humano de forma compartimentada, uma vez que o mesmo é um todo indivisível. E é assim que deve ser visto e percebido em toda e qualquer atividade da vida humana: Na família, na religião, na escola, no trabalho, na sociedade, e nos sistemas de saúde, de modo particular…

O filósofo Platão, já na Grécia antiga, se expressa, ao situar o homem na sociedade, na “Res-Pública”, como uma totalidade, corpo-espírito. É a visão holística ou “guestáltica” da pessoa humana, que abarca questões físicas, emocionais, espirituais, psicológicas e circunstanciais.

A própria Organização Mundial da Saúde-OMS prega a visão sistêmica e holística, ao afirmar que “saúde é um estado de completo bem estar
físico, mental, e social e não, somente,
ausência de afecções e enfermidades”
(CZERESNIA, 2003).

Não há como pensar diferente. Somos seres integrados à natureza e inseridos no meio ambiente. E é esta dimensão cósmica do homem que lhe garante sua auto construção permanente, todos os dias. Isto é bem evidenciado em um livro de Michel Quoist, sob o título “Construir o Homem e o Mundo” e ratificado pelo educador Paulo Freire ao afirmar que: “somos seres inconclusos, inacabados” (
FREIRE, Paulo)

Mas, pode se perguntar: O que esta reflexão preliminar tem a ver com as questões de saúde ? Tudo.

No mundo, historicamente, devido à forma de viver dos indivíduos, cada um a seu tempo, os desequilíbrios orgânicos tem sido inevitáveis, provocando o que chamamos de enfermidade, doença, deterioração da vida, comprometimento da existência.

Mas a natureza é sábia e, permito-me dizer, Deus é previdente e providente.

Então, a mãe natureza foi dotada, além do ar, da água e de tantos elementos essenciais à preservação da existência e da vida.

Porém, há dois elementos indispensáveis à manutenção da vida, e que se completam entre si: Alimentos e Plantas Medicinais que, devido aos nutrientes e princípios ativos encontrados nos dois, ambos podem ser caracterizados como um elemento só, fazendo com que a afirmação de Hipócrates, Pai da Medicina, se transforme numa máxima, que o foi ontem e que o será sempre: “Que teu alimento seja teu remédio e que
teu remédio seja teu alimento”
(HIPÓCRATES)

Obviamente que Hipócrates não se referia ao remédio químico ou sintético e, nem tampouco, aos alimentos industrializados, refinados e “ricos” em componentes nocivos à saúde, até porque, à sua época, a natureza era percebida com o respeito que sempre mereceu, e que deveria ter continuado a merecer e com todas as condições de uma vida saudável, desde que não tivesse sido aviltada e poluída, devido ao descuido e desrespeito do próprio ser humano. hÁ uma frase que dizia: “O homem é como peixe, ou seja, morre pela boca”. Isto tem alguma lógica se pensarmos que as grandes causas de enfermidades estão relacionadas ou à falta de alimentos ou à má alimentação e nisso incluem-se as plantas medicinais.

Neste contexto, concebe-se a visão
sistêmica de saúde como uma abordagem
da compreensão do ser humano, na sua
integralidade (Capra, 2006).

Assim, é possível sair-se de uma visão simplista e, portanto, caolha ou equivocada, da saúde e, conseqüentemente, da doença, que, via de regra, foca no diagnóstico e no “tratamento” dos sintomas, através da administração de medicamentos químicos ou da prática de terapias invasivas, ignorando-se a dimensão humana do “paciente”, inserido no mundo natural do meio ambiente em que vive.

Não se pode negar a importância das conquistas e das descobertas científicas no cuidado com a vida e no tratamento das doenças. No entanto, há que se refletir sobre as bases naturais da existência humana, desde que o mundo é mundo e o ser vivo é ser vivo.

Para muitos, a visão sistêmica, holística ou “guestáltica” do ser humano, da vida e da saúde pode dar a impressão de retrocesso, de simples volta ao passado. Porém, a sabedoria está em saber que, não há futuro sem presente e que o presente se constrói com base no passado, na origem de tudo.

A percepção distorcida da realidade e o “fanatismo” científico vão deixando de lado o essencial.

Parece que as modernas tecnologias têm evidenciado um verdadeiro paradoxo, no que diz respeito aos cuidados da saúde. Vejamos: A indústria farmacêutica transforma os princípios ativos das plantas medicinais em remédios sintéticos, dando-lhes o rótulo de fitoterápicos, à medida que incorporam, no seu fabrico, sais químicos, corantes e outros componentes; A indústria alimentícia transforma os alimentos tradicionais em alimentos industrializados, “enriquecidos” com conservantes, acidulantes, edulcorantes, etc, sem contar o uso abusivo de agrotóxicos, durante o processo de cultivo, além de retirar-lhes importantes componentes ao refiná-los. Tudo isso em nome do lucro.

À medida que os sistemas de saúde forçam os cidadãos, individual ou coletivamente, ao consumo, mediante prescrição ou não, de produtos “envenenados”, disponibilizados pelo mercado, perde-se a essência da vida, que se deteriora e se torna escrava de uma visão equivocada da própria existência.

À medida que abandonamos ou somos impelidos a abandonar os bens oferecidos graciosamente pela natureza, essenciais ao equilíbrio orgânico, estamos fadados, sim, ao retrocesso e perdendo o “fio da meada”.

Fomos dotados pela natureza e, de novo, me permito dizer, por Deus, por um verdadeiro tripé de sustentação: “Inteligência/Plantas Medicinais/Alimentos”. A inteligência nos faz discernir e entender que o binômio “Planta Medicinal/Alimento é um componente único da natureza, devido, como veremos à frente, ao fato de ambos possuírem nutrientes e princípios ativos, proporcionando efeitos terapêuticos, tanto do ponto de vista preventivo, quanto curativo.

É bem verdade que a visão sistêmica da saúde parte de uma dimensão ampla do ser humano, na perspectiva de sua integralidade. Ao longo do tempo, a ciência buscou e ainda busca desvendar o conhecimento sobre o homem e seu estar no mundo. Só que, infelizmente, foram surgindo disciplinas estanques. E esta mesma ciência arvorou-se em compartimentar a vida humana, surgindo assim a biologia, a psicologia, a sociologia, a antropologia, entre outras, e as ciências da saúde que, por sua vez, geraram as especialidades. O mais interessante, porém, é que as tais disciplinas ou especialidades não falam entre si e cada profissional quer cuidar da sua “trincheira”.

Não há que se negar, em hipótese alguma, a validade dos saberes fragmentados sobre a pessoa humana. No entanto, seus limites, seus desequilíbrios, seus hábitos errados , inevitavelmente, conduzem a um certo grau de adoecimento. Há, isto sim, a necessidade de se integrar os conhecimentos em torno do processo de restabelecimento da saúde ou da sua prevenção, para que as pessoas não adoeçam. E isto só se dá mediante um processo de educação ou reeducação, tanto de profissionais da área, quanto da própria população.

A visão sistêmica e holística da saúde exige consciência e altruísmo por parte de quem lida com ela, partindo-se do princípio de que é preciso “recomeçar” a tarefa de cuidar-se e cuidar das outras pessoas. E as bases prá isso estão estabelecidas na própria natureza, como um todo e, especificamente, na natureza humana, uma vez que o homem é dotado de inteligência e o “alimento/remédio” e o “remédio/alimento” sempre estiveram disponíveis e em abundância.

Partindo-se desse trinômio e utilizando-se de todos os conhecimentos adquiridos, através da tradição e das pesquisas científicas, certamente, voltaremos a ter o “novo céu e a nova terra”, numa analogia ao bem estar das pessoas.

Nessa perspectiva, não é possível e nem apropriado olhar o surgimento de doenças, sem analisar seus “porquês” e buscando-se, atabalhoadamente, novas tecnologias para combatê-las. Nesse sentido, frente à facilidade de medicalização de quase todo problema humano, enfatizado por Moreira e Callou ( 2006 ), percebe-se a necessidade de se compreender a saúde como um fenômeno integral, multidimencional e multifatorial, o que implica um novo paradigma científico, que possibilite uma prática transdiciplinar e holística da saúde, sem esquivar-se de atentar para as efetivas causas das enfermidades.

ALIMENTOS QUE PROMOVEM A SAÚDE, PREVINEM E CURAM
DOENÇAS

É evidente que uma das principais formas de manter a saúde física é a ingestão de nutrientes, contidos em abundância na alimentação do dia a dia. E alimentar-se bem é uma questão de educação e justiça social.

Sabe-se que os nutrientes são necessários para o desenvolvimento e crescimento normais dos indivíduos. Os bons e corretos hábitos alimentares protegem as pessoas contra os riscos por agressões genéticas e do meio ambiente, reduzindo riscos que poderiam ser minimizados ou protelados, através de uma nutrição preventiva, a partir do desmame e continuada ao longo de toda a vida.

A humanidade, em geral, salvo muitas exceções, alimenta-se incorretamente. Os que têm maiores recursos financeiros ingerem alimentos, muitas vezes, de forma exagerada e sem a mínima preocupação com os nutrientes em si. Ao passo que os muito pobres o fazem, “comendo o que têm e quando têm”. Comprova-se, aí, que há dois vértices a considerar: Aquele associado à alimentação inadequada por parte de quem não vive em condições sub-humanas e aquele associado à negação do direito humano à alimentação adequada, por parte dos mais pobres.

Há uma expressão conhecidíssima que diz: “Saco vazio não para em pé”. Porém, não basta “parar em pé”, é preciso que os produtos contidos no saco sejam de qualidade, para não comprometerem sua durabilidade e sua vida útil.

A natureza é pródiga em termos de riqueza de nutrientes nos grãos, sementes, hortaliças, frutas, animais ( peixes, aves, suínos, bovinos ). O problema está em saber como aproveitar de toda essa riqueza em benefício da própria saúde. E isto é uma questão de educação, de orientação…

Há, logicamente, um conjunto de ações, além da alimentação correta, que proporcionam vida saudável: Meio ambiente livre de poluição e contaminação, exercícios físicos, ingestão de água, paz interior e com os outros, religiosidade, entre outros. No entanto, falando-se, especificamente, em saúde física, os nutrientes constituem-se no “carro chefe”.

Infelizmente, há um fator que transforma os alimentos medicinais, com seus nutrientes, em potenciais “venenos”: A produção agrícola com fertilizantes químicos e agrotóxicos e a industrialização alimentícia, com todos seus aditivos químicos ( corantes, edulcorantes, conservantes, etc ), além do refino de grãos, que retira-lhes sua essência, sua alma.

As doenças acometem as pessoas, sobretudo, porque o elo alimento/saúde, está enfraquecido e, muitas vezes, passa desapercebido, mesmo pelos responsáveis pela saúde do povo. Além do conhecimento popular e do sentir-se bem, quando a alimentação é correta e balanceada, sob orientação ou não de profissional nutricionista, há estudos científicos que comprovam a eficácia de inúmeros alimentos, cujos nutrientes exercem papel importante, enquanto “remédios”, especialmente, do ponto de vista preventivo, mas também curativo em muitos casos.

“A respeito do elo dieta/saúde, discutem-se
os efeitos fisiológicos de alguns alimentos na
redução de riscos de doenças degenerativas,
como enfermidades cardiovasculares e certos
tipos de câncer. O novo conceito de alimento
funcional com efeitos protetores e
preventivos é apresentado com alguns
exemplos estudados cientificamente. Entre
estes, a proteção de osteoporose, através de
fitoestrógenos da soja… (De Angelis, 2001)

Ninguém tem dúvidas de que a alimentação é promotora e garantia de saúde. Quem se alimenta, corretamente, tem menor probabilidade de ser acometido por enfermidades e, pelo contrário, consegue melhor qualidade de vida, justificando sua própria existência.

“A alimentação e a nutrição constituem
requisitos básicos para a promoção e a
proteção da saúde, possibilitando a
afirmação plena do potencial de
crescimento e desenvolvimento humano,
com qualidade de vida e cidadania.” (
Brasil, 1999)

Por mais que haja diferenças sociais, é possível estabelecerem-se políticas públicas norteadoras do uso de alimentos/remédios ou, o que poderíamos chamar de “alimentos medicinais”. Um exemplo clássico disso é a formulação da “farinha multi-mistura”, pela Dra, Clara Brandão, para a prevenção e o combate à desnutrição, contendo folhas de batata doce, de abóbora e de mandioca, farelos de trigo e arroz, sementes de abóbora e, até, cascas de ovos.

Esta “farinha multi-mistura” tem sido, largamente, utilizada por agentes da Pastoral da Criança, no Brasil e em outros países, operando verdadeiros “milagres”.

Evidencie-se, porém, que não há alimentos para pobres ou para ricos. Há sim, alimentos ao alcance de todos.

É imprescindível considerar princípios básicos que devem nortear a relação entre as práticas alimentares e a promoção da saúde e prevenção de doenças, respeitando-se as disponibilidades sazonais dos alimentos e o poder de compra das famílias.

“Uma alimentação saudável deve ser
baseada em práticas alimentares com
significação social e cultural. A alimentação
se dá em função do consumo de alimentos
(e não exclusivamente de nutrientes).Os
alimentos têm gosto, cor, forma, aroma e
textura e todos estes componentes
precisam se constituir na abordagem
nutricional. Os nutrientes são importantes.
Contudo, os alimentos não podem ser
resumidos a veículos destes. Os alimentos
trazem significações antropológicas, sócio-
culturais, comportamentais e afetivas
singulares, portanto o alimento, enquanto
fonte de prazer e identidade, também
compõe esta abordagem” (Pinheiro et al,
2005)

Nota-se, então, que o conceito de alimentação saudável vai além do aspecto, puramente, biológico, para estender-se a outras dimensões, como as sociais, econômicas, afetivas, comportamentais, antropológicas e ambientais.

Saliente-se, portanto, que a nutrição/remédio é o principal ingrediente da construção de uma vida saudável para todas as populações, independentemente de suas situações sociais. Por outro lado, há que se entender que é nas faixas sociais menos privilegiadas que há a necessidade de uma atenção especial, quanto ao “malabarismo” a ser realizado, diante do pouco ou quase nenhum acesso à alimentação convencional. Todavia, é possível um processo de verdadeira “mágica” com a pouca diversidade de alimentos disponíveis, trabalhando-se a identificação de seus nutrientes e ou princípios ativos, para balanceá-los, adequadamente, com o propósito de abastecer a mesa dos mais pobres.

A questão está, então, na proporção dos nutrientes a serem absorvidos pelo organismo das pessoas.

Pode-se afirmar que uma alimentação saudável é pressuposto do que convencionou-se chamar de “segurança alimentar”, que é muito mais do que aspectos ligados a contaminações ou degradação alimentar, desde a produção, até o consumo final, abrangendo, de modo especial, o direito que as pessoas têm ao acesso e consumo dessa alimentação, o que lhes proporcionará evitarem doenças ou terem mais facilidade de recuperação, quando acometidas pelas mesmas.

Neste contexto, a “Política nacional de Alimentação e Nutrição” ( BRASIL, 1999 ), tem como fundamento a segurança alimentar e nutricional e o direito humano a uma alimentação adequada. Assim, também, entende o Conselho Nacional de Segurança Alimentar-CONSEA, cuja Secretaria Executiva é operada pelo Ministério de Desenvolvimento Social e combate à Fome, através do qual, desde 2005 seu principal foco está voltado para a realização de políticas visando levar a população brasileira à concretização de seu “direito humano a alimentação adequada” (CONSEA, 2005).

Um fato que evidencia o elo nutrição/saúde, consolidando assim a ideia de que o alimento pode e deve ser considerado “medicinal”, são os dois extremos tidos como enfermidades graves, em conseqüência de uma alimentação equivocada: A desnutrição e a obesidade, ambas consideradas risco iminente de comprometimento da própria vida. Aliás, esta foi a constatação, já em 2004, dos delegados do CONSEA, ao final da segunda Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional ( II CNSAN –CONSEA 2004 ).

 A desnutrição, no Brasil e nos países subdesenvolvidos, ou em desenvolvimento, tem feito elevar-se o índice de mortalidade infantil. E a obesidade, por seu turno, tem trazido constantes preocupações devido suas conseqüências, ligadas à hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, entre outras.

“A alimentação pouco saudável e a falta
de atividade física são, pois, as
principais causas das doenças crônicas
não transmissíveis mais importantes,
como as cardiovasculares, o diabetes
tipo 2 e determinados tipos de câncer, e
contribuem substancialmente para a
carga mundial de morbidade,
mortalidade e incapacidade” (WHO,
2002).

A alimentação saudável, considerando-se seus nutrientes essenciais tem que ser considerada base imprescindível no processo de promoção da saúde, diferente de simples prevenção de doenças. Este é um conceito amplo e abrangente que traz no seu bojo a necessidade imperiosa de disponibilização, acesso e uso correto e adequado de alimentos essenciais á vida humana, considerando-se que tem aumentado, assustadoramente, a incidência de doenças crônicas não transmissíveis, com a consequente elevação das taxas de morbidade e mortalidade, justamente, devido à má alimentação. E isto é uma questão de justiça social. Dom Helder Câmara, num de seus escritos disse: “Quando alimentei os pobres chamaram-me santo, mas quando perguntei porque há tanta gente pobre, chamaram-me comunista”

“No setor saúde, as doenças crônicas
não transmissíveis respondem pela maior
parcela de óbitos no país e despesas com
assistência hospitalar no SUS, totalizando
cerca de 70% dos gastos com a atenção à
saúde em 2002” (POF, 2002/2003)

Diante desse quadro alarmante e levando-se em conta a desigualdade social, pensando em Brasil, evidencia-se que a garantia da segurança alimentar e nutricional pressupõe a necessidade urgente de um modelo de atenção à saúde que integre as duas vertentes da injusta insegurança alimentar e nutricional da população, sobretudo, a mais pobre: A desnutrição e outras carências nutricionais de um lado e, de outro, o sobrepeso/obesidade e as doenças crônicas não transmissíveis, decorrentes.

A dimensão dessa idéia é corroborada pela carta de OTTAWA ( 1986 ) ao declarar que a promoção da saúde consiste”…em proporcionar aos povos os meios necessários para melhorar sua saúde e exercer um maior controle sobre a mesma”. E, portanto, nessa concepção holística, para que se obtenha o completo bem estar físico, mental e social, preconizado pela Organização Mundial da Saúde, conclui-se que as pessoas devem “ser capazes de identificar e realizar suas aspirações, satisfazer suas necessidades e mudar ou adaptar-se ao meio ambiente” ( Brasil, 2001 ).

Neste contexto, há duas questões relevantes a considerar: A prevenção de doenças e a promoção da saúde. Para a prevenção, evitar a doença é um
fim em si mesmo, enquanto que para a
promoção o objetivo contínuo e
permanente é alcançar um adequado nível
de vida, em toda a sua complexidade. (CZERESNIA 2003)

Os sistemas de saúde atuais vivem um verdadeiro círculo vicioso, ou seja, “corre-se atrás do rabo”. Cientificamente, todo mundo sabe que o melhor remédio para alcançar um adequado nível de vida, em toda a sua complexidade, passa por uma alimentação adequada, dando-se ênfase aos nutrientes contidos nos alimentos, em geral. Porém, insiste-se em ignorar este fato, praticando-se uma “medicina”, meramente, medicamentosa, sem a menor responsabilidade ou
espírito de solidariedade. Então, os pacientes vão às unidades de saúde, não se leva em consideração sua história e sua realidade de vida, prescrevem-se medicamentos alopáticos, aleatoriamente, e continuam doentes, correndo o risco de abreviarem sua própria existência.

São feitas pesquisas para constatar esta realidade e, no entanto, o quadro não muda. Pelo contrário, agrava-se, cada vez mais.
Um estudo sobre as condições da saúde de crianças no município de são Paulo, nos idos de 1984 revelava uma situação alarmante, ao considerar o paralelo consumo de alimento/saúde, específicamente quanto aos efeitos da alimentação inadequada, especialmente: Anemia; Deficit Nutricional e Adequação Nutricional de Dietas E certamente, hoje, tendo se passado mais de três décadas, continua-se “correndo atrás do rabo”.

“A freqüência de crianças anêmicas
(concentração de hemoglobina < 11g/dl)
foi de 35,6%, sendo de 14,7% a freqüência
de casos severos (hemoglobina < 9,5g/dl).
As maiores prevalências de anemia
concentraram na faixa etária de 6 a 24
meses de idade, onde mais da metade das
crianças se mostraram anêmicas e cerca de
metade dos casos corresponderam a
formas severas da deficiência. Embora a

prevalência da anemia tenda a diminuir
com a melhoria do nível socioeconômico
da população, não se detectaram estratos
da população imunes à deficiência. E nesta
situação observada no Município há cerca
de dez anos verifica-se elevação
expressiva da prevalência da anemia:
mais de 50% para o total de casos e mais
de 100% para as formas severas da
deficiência. O conjunto das informações
geradas pelo estudo epidemiológico
realizado em 1984/85 sugere que a
anemia na infância no Município de São
Paulo esteja relacionada basicamente a
características desfavoráveis da
da
alimentação” ( SCARFARK, S. C.,
1984/1985)

“Como parte de amplo estudo epidemiológico sobre
condições de saúde na infância, avaliou-se através de
exame antropométrico o estado nutricional de uma

amostra representativa das crianças menores de
cinco anos residentes no Município de São Paulo, SP,
Brasil (n = 1.013). Utilizando os critérios diagnósticos
da classificação de Gomez, a prevalência da
desnutrição no Município foi estimada em 25,9%,
sendo de 2,9% a prevalência formas moderadas e
nula a de formas severas. Através da comparação
com estudo realizado há cerca de 10 anos, não
se evidencia atenuação nos índices de desnutrição no
Município, o que contrasta com a pronunciada queda
observada nos coeficientes de mortalidade infantil e
pré-escolar. A distribuição etária da desnutrição
denota clara proteção do primeiro ano e concentração
de casos na faixa etária subseqüente, fatos
importantes que devem ser levados em conta tanto
na investigação dos determinantes da desnutrição
quanto na formulação de programas de controle.
A distribuição do estado nutricional pelos diferentes
estratos populacionais, além de confirmar a
inconteste determinação sócio-econômica da
desnutrição, evidencia que, no Município de São

Paulo, a clientela potencial para os programas de
prevenção e controle da desnutrição somaria pelo
menos 400.000 crianças”. ( MONTEIRO, C.A. et al,
1984/1985 )


“Como parte de amplo estudo epidemiológico sobre
condições de saúde na infância, uma amostra
probabilística de menores de cinco anos residentes
no Município de São Paulo (n = 305) foi estudada
com relação à adequaçãnutricional de suas dietas.
Através do inquérito recordatorio do consumo
alimentar nas últimas 24 horas evidenciou-sque: a)
a partir de um ano de idade, as dietas tornam-se
insuficientes para cobrir as necessidades energéticas
grande parte da população; b) em todas as idades,
mais particularmente nos primeiros dois anos de
vida, o aporte dietético de ferro está muito abaixo
das quantidades recomendadas para o
consumo/nutriente; c) em todas as idades, o aporte
de proteína e de vitamina A alcança valores
satisfatórios. Tais achados mostraram-se
compatíveis com a avaliação clínico-laboratorial do
estado nutricional realizada simultaneamente ao
inquérito alimentar. A estratificação social da

amostra que revelou o nível sócio-econômico
familiar influencia fortemente o consumo energético
e, de forma menos intensa, o consumo de ferro. Na
discussão dos prováveis fatores responsáveis pelos
déficits dietéticos encontrados, hipóteses distintas
são aventadas para o déficit energético e para o
déficit de ferro. No caso do déficit energético, a
origem básica do problema pareceria residir no baixo
poder aquisitivo da população que condiciona
insuficiente disponibilidade de alimentos e ingestão
quantitativamente deficiente. No caso do déficit de
ferro, a mesma hipótese valeria inteiramente apenas
a partir da idade de dois anos. Antes desta idade,
fatores relacionados ao desmame precoce e ao
atraso na introdução de alimentos ricos em ferro,
aparentemente, seriam mais importantes”.
(SCARFARC, S. C. et al, 1984/1985)


Um outro estudo, mais recente, realizado em 2005, demonstrou que entre adultos e idosos a situação não é diferente. Assim, explica-se a alta incidência de doenças crônicas não transmissíveis, entre a população, como um todo. Naturalmente, a maior prevalência se dá entre as famílias de baixa renda. Esta é mais uma evidência de que a alimentação pode e deve ser vista como medicinal, no sentido mais amplo da palavra.

Um Inquérito alimentar populacional em amostra
aleatória de 550 indivíduos >= 18 anos, realizado
em Bambuí, Minas Gerais, Brasil, utilizando o
Questionário Semiquantitativo de Freqüência
Alimentar e recordatório 24 horacalibrados pela
técnica de regressão linear. A análise constou de
comparação de médidas, teste de quilo-quadrado e
razão de adequação do nutriente (RAN-adequada:
90,0-110,0%). Foi baixo o percentual da
população que apresentou RAN de acordo com o
recomendado para consumo de carboidratos
(2,4%), proteínas (17,6%), vitaminas (0,0-5,1%) e
minerais (0- 21,1%). Diferenças de acordo com
sexo e idade foram encontradas: 90,2% e 91,8%
de mulheres apresentaram baixo consumo de ferro
e vitamina B6, respectivamente. Ao contrário,
87,7% dos homens relataram consumo excessivo
de ferro, 80,3% de fósforo e 11,9% de colesterol.
Quanto à idade, 64,3% de idosos (> 60 anos)
relataram baixa ingestão protéica e 39,3%
apresentavam inadequação das frações lipídicas;
sendo que 35,7% informaram consumo excessivo
de ácidos graxos saturados. Dos adultos (18-59
anos), 67,8% relataram excessivo consumo
protéico e 53,4% ingestão insuficiente de ferro.
Alto e inadequado consumo de lipídios e baixa
ingestão de fibras, vitaminas e minerais,
constituem problema importante de saúde pública
por possivelmente contribuir para o aumento das
doenças crônicas não transmissíveis”. ( LOPES, A.
C. S., 2005 )



PLANTAS MEDICINAIS QUE SÃO ALIMENTOS

Nosso país, o Brasil, é campeão na produção de plantas medicinais, sobretudo, do ponto de vista extrativista, uma vez que investe-se muito pouco no cultivo sistemático, considerando-se o não despertar para o seu valor, do ponto de vista terapêutico e, também alimentício.

“Diante do número de espécies conhecidas
no país, o número de espécies domesticadas
e com tecnologia de cultivo definida, ainda é
relativamente pequeno. Similarmente, ainda
são poucos os estudos sobre as condições
adequadas de colheita e pós colheita dessas
plantas. Dessa forma deve-se incentivar a
realização de estudos sobre condições de
cultivo e de pós colheita em todas as regiões
e biomas brasileiros” (Carvalho,L.M. et al,
2010 )

Por incrível que pareça o cultivo sistemático ocorre em pequenas propriedades agrícolas, em nível de hortas domiciliares, para o consumo das próprias famílias e da vizinhança. Muito embora existam pequenos ensaios de cultivo em escala maior, sobretudo em algumas Universidades e, com objetivo comercial, relativamente a algumas variedades pontuais.

Deixando um pouco de lado o aspecto científico da fitoterapia, propriamente dito é importante atentar para as práticas populares, que passam de geração em geração ou como, no dizer popular, de pai para filho. Aliás, são estas práticas e estes conhecimentos empíricos que embasam toda e qualquer pesquisa ou estudo científico.

O uso das plantas medicinais é, deveras diversificado e, via de regra, é difícil diferenciar o remédio do alimento, uma vez que há uma infinidade de conhecidas plantas medicinais utilizadas nas receitas de pratos culinários e, vice-versa, inúmeros alimentos, sobretudo os de origem vegetal, utilizados com fins terapêuticos.

Com base nos usos e costumes populares e nos seus resultados positivos:

“Mundialmente têm sido pesquisadas as
espécies das plantas para fins alimentícios,
medicinais e cosméticos. Apesar do nosso
país apresentar reconhecida biodiversidade
e de nossa herança indígena, quanto à
utilização da flora nacional
apenas uma fração diminuta de nossas
plantas nativas foi devidamente estudada.
Entretanto, na década passada, vários
grupos de pesquisa têm demonstrado um
interesse crescente quanto à determinação
de minerais em espécies vegetais, há visto o
aumento significativo de trabalhos na
literatura nos últimos anos.”
( Magalhães, C. E. M., 2001 )

A associação de muitas plantas medicinais tidas, também, como alimentícias e que, de fato, o são, tem origem na observação dos primitivos e, sobretudo, indígenas, quanto ao comportamento dos animais das mais variadas espécies que, ao pastejarem, têm a percepção, pelo paladar ou odor, do que alimenta e do que alivia dores e mal estares, possibilitando, assim, o experimento humano, com resultados, altamente, positivos. E o mesmo ocorre quanto às frutas e os conhecidos vegetais alimentícios que, embora tendo seu efeitos nutricionais conhecidos, são largamente utilizados por seus efeitos terapêuticos.

Na verdade, a expressão utilizada para produtos de origem natural, especificamente, frutas e vegetais, em geral, como “terapêuticos”, pode-se, perfeitamente, aplicar tanto para as plantas medicinais, propriamente ditas, quanto para os alimentos, isto porque ambos possuem efeitos de prevenção, proteção, promoção e reequilíbrio orgânico no ser humano.

No entanto, muito embora, na prática popular e tradicional, uma gama extraordinária de plantas medicinais façam parte da culinária brasileira e, até, internacional, quer como ingredientes, essencialmente, nutritivos, quer como condimentos, quer para melhorar o sabor, há poucos estudos científicos determinando esses nutrientes. “Poucos são os registros na literatura,
relativos à análise de constituintes minerais
em espécies vegetais” ( JAIN et al, 1992 ). “Embora já se tenha identificado alguns
constituintes orgânicos desses vegetais” (SOUSA et al, 1991).

Sabe-se que alguns dos elementos minerais encontram-se em quantidades bem pequenas no organismo humano e se chamam “oligoelementos”, havendo a necessidade de complementação.

Assim como os estudos científicos de plantas medicinais, para apurar seus princípios ativos, sempre a partir do conhecimento popular, os mesmos procedimentos devem ser adotados para apurar os nutrientes das mesmas plantas, disponibilizando-se assim uma quantidade ainda maior de suplemento alimentar ao alcance de todos, uma vez que um número significativo de plantas medicinais podem ser cultivadas nos próprios quintais das famílias, independentemente de sua classe social.

Se, hoje, apesar da resistência, ou acomodamento, de muitos profissionais da saúde, a utilização de plantas medicinais tem se constituído numa forma muito útil de alternativa terapêutica por sua eficácia, aliada ao baixo custo e compatibilidade cultural, obviamente, haverá um enriquecimento nutricional consciente, melhorando, substancialmente, a qualidade de vida da população.

Decididamente, é preciso indagar o povo quanto à utilidade nutricional de plantas medicinais de uso regionalizado e avançar nas pesquisas científicas, sempre tomando o cuidado para que tais recursos naturais não fujam do alcance do povo, porque, infelizmente, à medida que as descobertas científicas se aclaram, surgem as indústrias, quer do setor farmacêutico, quer do setor
alimentício, para fazer de cada descoberta uma oportunidade de mero lucro e, o pior, agregando elementos sintéticos que podem diminuir o valor terapêutico e nutritivo dos produtos ou, mesmo, sendo nocivos à saúde.

As pesquisas científicas, com objetivos sociais e humanitários, são um contributo fundamental para a identificação de elementos minerais que se constituirão em alternativas nutricionais, proporcionando significativos ganhos no metabolismo humano, tais como zinco, ferro, cobalto, manganês, etc.

“Outro constituinte de grande importância
na dieta alimentar é a fibra bruta” (Silva,
1981).

Sabe-se, pela lógica, que muitas plantas medicinais são ricas em fibra bruta, que embora não tenha valor nutritivo ou energético, é imprescindível na alimentação, ajudando a prevenir doenças cardíacas e câncer nos intestinos.

Recentemente, pesquisadores do departamento de química analítica e físico química da universidade federal do Ceará, realizaram estudos para realizar estudos com o fito de determinar constituintes minerais em algumas plantas medicinais, com resultados surpreendentes.

“Sabendo-se da importância da
determinação de constituintes e
considerando-se a identificação qualitativa
de íons metálicos, foram realizadas as
seguintes análises: umidade, sílica, cinzas
totais, fibra bruta, gordura e os minerais
sódio e potássio na folhas dos seguintes
vegetais: Alfavaca (Ocimum Gratissimum L.), Quebra Pedra (Phylanthus Amarus),
Sabugueiro (Sambucus Australis), Eucalípto
(Eucalyptus Tereticomis) Umbu (Spondias
Aff. Tuberosa). Este trabalho teve como
objetivo conhecer a composição dos
vegetais, tanto nas folhas como em seus
chás…Com o intuito de dar suporte à
realização de estudos para uma futura
produção de encapsulados á base de folhas
de vegetais ricos em nutrientes, bem como
orientar o uso adequado de chás”, (
LOPES, M.F.G. et al, 2001).

Enquanto as pesquisas científicas para identificar nutrientes nas plantas medicinais não avançam, é imprescindível que não se ignorem os hábitos e costumes culinários da população que, sabiamente, vem se utilizando de tais recursos. No entanto, há que se pensar, urgentemente, em programas públicos ou, mesmo, de iniciativa comunitária, que visem organizar essa cadeia produtiva dos alimentos/medicinais e das plantas medicinais/alimentícias, na perspectiva de arranjos produtivos e educativos locais, conforme as regiões de suas respectivas produções.


INTEGRAÇÃO PLANTAS MEDICINAIS ALIMENTÍCIAS/ALIMENTOS
NUTRITIVOS MEDICINAIS = EQUILÍBRIO ORGÂNICO

Como vimos acima, há uma linha tênue entre as plantas medicinais e os alimentos nutritivos, o que podemos chamar de “plantas medicinais alimentícias” e “alimentos nutritivos medicinais”.

Fica evidente que, sem menosprezar os tratamentos com medicamentos sintéticos e com internações hospitalares, com suas respectivas intervenções invasivas, é possível manter em equilíbrio a vida das pessoas, mediante a utilização de recursos, eminentemente, naturais, que vão, obviamente, deste o respeito ao meio ambiente, condições de trabalho, exercícios físicos, paz interior, até, o que é essencial, alimentação correta e balanceada, com o uso de alimentos integrais e o menos possível industrializados, adotando-se a prática do consumo de plantas medicinais, quanto à prevenção de enfermidades e reequilíbrio orgânico, quando se fizer necessário.

A sabedoria popular é generosa em conhecimentos e experimentos empíricos, quanto aos efeitos alimentícios de plantas medicinais e efeitos terapêuticos de alimentos. E, este “casamento” ou consórcio é fundamental para se obter uma vida saudável, sem se perder o prazer da boa alimentação. Mas é fundamental, também, para o empreendimento de novas pesquisas científicas, visando tornar estes recursos, oficialmente, recomendados, evitando-se lendas, tanto para sua indicação, quanto contra-indicação.

Por outro lado, embora sejam importantes as pesquisas científicas, para dar credibilidade à sabedoria popular, há a preocupação com o risco destes recursos naturais fugirem do alcance do povo, particularmente, dos mais pobres.

Enquanto ensaiam-se estudos aprofundados e pesquisas científicas, é indispensável que se aproveitem os conhecimentos empíricos e

descobertas do povo, fruto de suas vivências, muitas vezes lançando mão de tais recursos, até por dificuldade em adquirir alimentos disponíveis no mercado. Isto, numa perspectiva de organizar e ordenar tais conhecimentos, visando colocá-los à disposição das comunidades, através de programas específicos do próprio sistema de saúde pública e, por que não dizer, através de iniciativas comunitárias, como AA Pastorais da Saúde e da Criança, já instaladas junto ás comunidades paroquiais, espalhadas por todos os cantos.

É certo que os membros das famílias, socialmente, marginalizadas, devido a seu histórico de vida e que, via de regra, são os mais atingidos por enfermidades, em função de suas debilidades físicas, acabam não tendo acesso nem aos alimentos mais simples e nem às plantas medicinais, passando a viver o verdadeiro círculo vicioso da miséria, o que rouba-lhes o direito à felicidade, encurtando-lhes a própria existência.

É evidente que a vida saudável está, intimamente, ligada às questões sociais e culturais. Daí a importância de estruturarem-se ações integradas entre os vários setores da vida humana.

Apenas para exemplificar, segue, abaixo, uma amostra de vegetais (frutos, sementes, folhas), dentre tantos existentes, que são considerados alimentícios e medicinais, ao mesmo tempo, pelo menos, do ponto de vista da percepção e do uso populares e tradicionais.

  • Abacate (Persea Americana

Principais Nutrientes: Carboidratos, Gorduras, Proteinas, além de Fibras alimentares; 

Uso medicinal: Antireumático, Digestivo, Laxativo, Diurético ( folhas )

e para combater Infecção Urinária ( caroço );

  • Abacaxi (Ananas Camosus

Principais nutrientes: Manganês, Vitamina A, Potássio, Cálcio, Fósforo, Sódio, ferro…

Uso medicinal: É indicado para problemas do sistema cardiovascular e circulatório e, ainda, no preparo de xaropes para tosse e bronquite;

  • Abóbora (Cucurbina Maschata)

Principais nutrientes: Vitamina A, Vitaminas do Complexo B, Niacina, Vitamina C, Fósforo, Cálcio, além de Fibras alimentares…

Uso medicinal: Funciona como laxante leve, digestiva, diurética, além de ser considerada anticancerígena;

  • Açafrão (Curcuma Longa)

Principais nutrientes: Carboidratos, cálcio, Magnésio, Manganês, fósforo, Potássio, Cobre, Zinco, Selênio, Vitaminas em geral, além de Fibras alimentares…

Uso medicinal: É indicado para problemas de memória, prevenção de Alzheimer e Parkson e é considerado como anticancerígeno;

  • Agrião (Nostartium Officinalis)

Principais nutrientes: Vitaminas C e E, Iodo, ferro, Potássio…

Uso medicinal: É indicado para tratamento de diabetes, dermatoses, atonia intestinal, problemas no fígado, tosse…;

  • Alcachofra (Cynara Cardunculus)

Principais nutrientes: Vitamina C, Ácido Fólico, Magnésio, potássio…

Uso medicinal: É usado como tônico digestivo, Diurético, laxativo, para tratamento de diabetes ( hipoglicemiante ) e como redutor do colesterol ruim;

  • Alface (Lactuga Sativa)

Principais nutrientes: Vitaminas ( Folato, Betacaroteno, Vitamina C ), Potássio, magnésio…

Uso medicinal: Indicado para deficiência de memória, esgotamento mental, depressão e funciona, ainda, como digestivo

  • Alecrim (Rosmarinus Officinalis)

Principais nutrientes: Carboidratos, Proteínas, Gorduras, além de fibras alimentares…

Uso medicinal: É indicado para prevenção de doenças cardiovasculares e de alguns tipos de câncer, ales de ser calmante;

  • Alfavaca (Ocimum Gratissimum)

Principais nutrientes: Carboidratos, Proteínas,, Gorduras, cálcio,, Fósforo, Manganês, Magnésio, além de Fibras alimentares…

Uso medicinal: é indicado como anti-térmico, antitussígeno, para amenizar dores de cabeça, bronquite e reumatismo;

  • Alho (Allium Sativum)

Principais nutrientes: Proteínas, Carboidratos, Cinzas,, Cálcio, Magnésio, Manganês, Fósforo, Potássio, Ferro, Cobre, Zinco, Vitamina C, Riboflavina, além de Fibras alimentares…

Uso medicinal: É indicado para o tratamentos de doenças cardíacas, circulação do sangue, hipertensão, resfriados…;

  • Arroz Integral (Orysa Sativa)

Principais nutrientes: Magnésio, selênio, triptofanos, Vitaminas do Complexo B, além de Fibras Alimentares…

Uso medicinal: Ajuda no bom funcionamento do intestino, é indicado para prevenir o câncer do colo-retal e outros tipos de cânceres, prevenção de doenças cardiovasculares e cerebrais, tratamento da asma brônquica e, também, obesidade e diabetes tipo 2;

  • Aveia (Avena sativa L.)

Principais nutrientes: Cálcio, Ferro, carboidratos, Vitaminas, Manganês, Fósforo, Magnésio,aCobre, Cromo, Zinco, Proteínas, além de Fibras Alimentares…

Uso medicinal: É indicada para regular o intestino, ajudando na obstipação intestinal e ainda na redução de peso e prevenção do diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares;

  • Azeitona (Olea Europea)

Principais nutrientes: Vitaminas A, C, E e B2, Fósforo, Potássio, Sódio,, Silício, Ácidos graxos…

Uso medicinal: Atua como anti-envelhecimento, proteção cardiovascular, prevenção de colesterol ruim, doenças da vista, além de ajudar no bom funcionamento do e intestino e perda de peso; 

  • Babosa (Aloe Vera)

Principais nutrientes: Vitaminas C e E, Cobre, Ferro, Potássio, Cálcio, Manganês, Ferro, Zinco…

Uso medicinal: Prevenção e tratamento de feridas, regeneração de tecidos e é indicada, ainda, para o tratamento de diabetes, depressão e com ação anti-inflamatória;

  • Banana (Musa SSP)

Principais nutrientes: Vitamina A e C, Potássio, além de Fibras alimentares…

Uso medicinal: É indicada para a prevenção e controle da hipertensão,, fortalecimento dos ossos, sendo também digestiva;

  • Batata doce (Ipomea Batatas)

Principais nutrientes: Ômega 3, Ácidos Graxos,Magnésio, Fósforo, Potássio, Sódio, Zinco, Vitaminas A, B, C, E, K…

Uso medicinal: Redução do risco de cânceres e doenças cardiovasculares, prevenção e tratamento de diabetes tipo 2, ajuda na perda de peso e redução de massa muscular;

  • Cebola (Allium Cepa)

Principais nutrientes: Flavonóides, Sódio, Cálcio, Potássio, ferro, Fósforo, Vitamina C e do Complexo B

Uso medicinal: É indicada para redução dos riscos de cânceres de intestino, estômago e próstata;

  • Cebolinha de Cheiro (Allium Fistulosum)

Principais nutrientes: Vitaminas A, B3 e C, cálcio, Fósforo

Uso medicinal: É considerada antioxidante, combatendo os radicais livres e fortalecendo o sistema imunológico;

  • Chá Preto (Camellia Sinensis)

Principais nutrientes: Flavonóides, L-teatina, Polifenóis, Magnésio, potássio, Sódio, Carboidratos…

Uso medicinal: É usado como anti-inflamatório, anti-alérgico, anti-cancerígeno e, ainda, ajuda na prevenção de úlceras, doenças cardíacas e perda de peso;

  • Chia (Salvia Hispânica)

Principais nutrientes: Ácidos graxos essenciais (Ômega 3 e Ômega 6), carboidratos, proteínas, além de Fibras alimentares…

Uso medicinal: É indicado para prevenção e controle do diabetes tipo 2, prevenção de doenças cardiovasculares e neurológicas, além de ajudar na redução de triglicerídeos e colesterol ruim;

  • Coco (Cocos)

Principais nutrientes: Potássio, Sódio, Fósforo, Cloro, Proteínas, Vitaminas A, C, D e Riboflavina, além de fibras alimentares…

Uso medicinal: Combate radicais livres, ajuda na prevenção e tratamento do diabetes tipo 2, bronquite, irritações gastrointestinais, bronquite e, ainda, ajuda no tratamen de doenças cardíacas e respiratórias;

  • Gengibre (Zingiber Officinale)

Principais nutrientes: Vitamina B6, Cobre, magnésio, Potássio

Uso medicinal: É indicado para o tratamento de gripes, resfriados, tosse, rouquidão, asma, artrite, gota, faz aumentar a vitalidade e a imunidade, além de atuar como inflamatório e fortalecer o sistema nervoso;

  • Inhame (Discorea SPP)

Principais nutrientes: Vitamina C e B6, Potássio, Manganês


Uso medicinal
: é considerado como depurativo do sangue, anti-inflamatório, auxiliar no tratamento de artrite e reumatismo, além de aumentar a fertilidade nas mulheres e amenizar os sintomas da TPM;

  • Jambolão (Syzygium Jambolanum)

Principais nutrientes: Carboidratos, proteínas, Vitaminas c e B6, cálcio, fósforo, magnésio, ferro, Potássio, Cobre, Zinco, Tiamina B1


Uso medicinal
: Indicado para tratamento do diabetes tipo 2, sangue na urina, problemas vasculares, além de ser considerado como anticancerígeno;

  • Limão (Citrus Limoneum)

Principais nutrientes: Vitamina C, Vitaminas do Complexo B, Cálcio, ferro, Fósforo, Magnésio, Manganês, potássio, Sódio carboidratos

Uso medicinal: É indicado para o tratamento de gripes, tosse, resfriado, problema respiratórios em geral, diabetes tipo 2, anemia, problemas hepáticos, gastrite, hipertensão, azia, além de atuar na prevenção de cânceres;

  • Linhaça (Linum Usitatatissimum)

Principais nutrientes: Proteínas, carboidratos, Açúcar, ômega 3, Vitaminas A, C, D, E, B1 e B2 ( Riboflavina ), B3, B5, B6, B12, além de fibras alimentares…

Uso medicinal: É indicada para a redução de riscos de doenças cardíacas, diabetes tipo2 e cânceres;

  • Maracujá (Passiflora Edulis

Principais nutrientes: Sódio, Potássio, Magnésio, Ferro, Carboidratos,
Açúcar, Proteínas, Vitaminas A, C, D, B2 e B6


Uso medicinal
: É indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, hipertensão, ansiedade, insônia, estresse, além de atuar como laxante leve, ajudar nos problemas digestivos e na perda de peso;

  • Trigo integral (Triticum Vulgare)

Principais nutrientes: Proteínas, carboidratos, Cinza, Cálcio, Fósforo, Ferro, retinol, Vitamina B12, além de Fibras Alimentares…

Uso medicinal: É antioxidante, calmante e reconstituinte, além de ajudar no tratamento de diabetes tipo 2,, hipertensão, obstipação intestinal e na prevenção de arterosclerose e doenças cardiovasculares;

  • Soja (Glycine Max L.)

Principais nutrientes: Gorduras, Sódio, Potássio, Cálcio, Ferro, Magnésio, Carboidratos, Proteínas, Vitaminas A, B6, B12, e D, além de Fibras Alimentares


Uso medicinal
: É utilizado no combate ao colesterol ruim,, problemas de menopausa, anemia, desnutrição, além de prevenir a osteoporose;

  • Uva (Vitis, SP.)

Principais nutrientes: Carboidratos, Vitamina C, Vitaminas do Complexo B, ferro, Cálcio, Potássio

Uso medicinal: Combate os radicais livres, controla o colesterol, diminui a formação de coágulos sanguíneos, evita trombose, controla doenças cardiovasculares e é anti-cancerígena.

As informações acima, quanto aos nutrientes e uso medicinal dos respectivos vegetais, são resultado de uma busca na memória e nos conhecimentos populares, além de uma consulta junto a sites que versam sobre tratamentos alternativos.

Por estes dados pode-se concluir que é possível proporcionar saúde e vida compatível com a dignidade humana às pessoas, a partir da mudança de postura dos responsáveis por políticas públicas nas áreas da saúde,, assistência social e educação.

Por outro turno é importante frisar que as Universidades e Academias responsáveis pela formação de novos profissionais necessitam de mudanças radicais em suas disciplinas curriculares, visando atender essa demanda, sem deixar de lado, é claro, a proposta moderna de avanços tecnológicos e científicos em torno das questões de saúde.

Conclusão

Não é possível conformar-se com as condutas adotadas na rede pública de assistência à saúde, com as constantes reconsultas e a ineficácia dos tratamentos prescritos, via de regra, sem a mínima consideração para com a “clientela”, deixando-se de lado a essência do equilíbrio orgânico, que são os alimentos, uma vez que, nem ao menos, indaga-se o “paciente” sobre seus hábitos alimentares.

E, salvo raríssimas exceções, ignora-se, também, a tradição popular da utilização de “remédios caseiros”, como terapia complementar, mesmo com a farta legislação atinente em vigor.

E isto não é diferente na rede privada, com a única diferença de que as pessoas de maior poder aquisitivo, podem arcar com os desnecessários e elevados custos dos tratamentos.

Todavia, alimentos e plantas medicinais são fundamentais para manter a saúde, independentemente, das classes sociais das pessoas.

As pesquisas realizadas, as buscas que empreendidas e as reflexões e ponderações que envolveram a construção desse Trabalho de Conclusão de Curso, permitiram traçar um paralelo entre os escritos acadêmicos e pesquisas científicas, certamente, fruto de exaustivos estudos de especialistas, com a realidade do dia a dia, no que diz respeito à saúde da população brasileira, uma vez que, não obstante a farta legislação existente quanto à possibilidade da utilização das plantas medicinais, de forma efetiva, num verdadeiro consórcio com a alimentação adequada, a saúde da população continua cada vez pior, tirando pessoas do convívio familiar, social e do mundo do trabalho, quando não, ceifando vidas, precocemente. Permitiram, ainda, confirmar a absoluta insensibilidade ou desinteresse dos responsáveis pela saúde pública, tanto na esfera Federal, quanto Estadual e Municipal, pela situação cruel e de flagrante injustiça social que atinge, sobretudo, as populações mais pobres, que arrastam-se,de forma humilhante, nas portas das unidades básicas de saúde, prontos socorros e hospitais públicos ou conveniados do SUS, sem atentarem para a necessidade de colocar em prática, urgentemente, programas específicos de formação dos profissionais da saúde , nesta área, além de políticas claras e conseqüentes, visando, definitivamente, promover a saúde, prevenir e tratar doenças, a partir dos recursos naturais disponíveis, particularmente, as plantas medicinais consorciadas com alimentação adequada, partindo-se do princípio de que as experiências e os estudos têm demonstrado que há uma infinidade de plantas medicinais que são alimentos e de alimentos que são remédios.

Assim, constata-se em todas as regiões do país, em grandes e pequenas cidades, um verdadeiro círculo vicioso, instigado pela discriminação, pelo despreparo e falta de sensibilidade de profissionais e pela não consciência quanto a uma visão sistêmica e holística da saúde, deixando-se de considerar o ser humano acometido por qualquer enfermidade, na sua integralidade e ministrando-lhe, pura e simplesmente, medicamentos sintéticos que, muitas vezes, além de ineficazes, proporcionam efeitos colaterais irreparáveis e, o que é pior, sem que se faça uma consulta médica, com a devida responsabilidade : As pessoas adoecem e morrem, antes da hora, não apenas do ponto de vista físico, mas também, do ponto de vista social, moral, profissional, ético, cultural, etc; e isto ocorre porque não se alimentam adequadamente; e quando adoecem pelas mesmas razões, não são percebidos como seres humanos, roubando-se-lhes a oportunidade de retomarem o equilíbrio orgânico, perdido pelas razões acima.

Enquanto prevalecer este círculo vicioso, continuar-se-á a admitir, acomodadamente, a manutenção do estado deplorável de saúde, de modo especial, junto às classes mais pobres e marginalizadas, sendo que os recursos naturais podem estar ao seu alcance, dependendo apenas de informação e orientação, o que supõe um certo nível de conscientização das autoridades do setor, bem como dos agentes de saúde, a começar pelos profissionais médicos que, infelizmente, na sua maioria, apenas “cumprem tabela”, durante o horário de seus expedientes ou plantões.

A ausência de saúde física, via de regra, é conseqüência de um desequilíbrio emocional, psicológico e social e, por esta razão, todo profissional da área da saúde precisa se transformar num educador em saúde, por excelência, imbuído da missão de orientar, conscientizar e despertar para a essencialidade da natureza que disponibiliza de maneira universal, a água, o sol, o ar, o alimento saudável e as plantas medicinais, cujo uso regrado, adequado e controlado, produzem equilíbrio orgânico, evitando-se o acometimento de enfermidades que seriam, perfeitamente, evitáveis, desde que as pessoas fossem orientadas para tal.

A visão holística da saúde deveria impulsionar seus agentes, a começar pelas universidades, a uma visão também social e de resgate da verdadeira cidadania, que consiste em devolver ao cidadão o direito de andar com as próprias pernas e de cabeça levantada e não, ao contrário, humilhar-se nos ambulatórios médicos, sendo forçados a consumir remédios sintéticos que, além de não fazerem os efeitos esperados, obrigam-no a arcar com elevados custos, inclusive, onerando o já combalido sistema de saúde pública. E, o pior, sem a recuperação da saúde e fazendo aumentar os níveis de pobreza, o que sufoca sonhos, deteriora o presente e compromete o futuro, usurpando das pessoas, já marginalizadas, mormente as crianças, a possibilidade de escreverem o próprio futuro e, mesmo que a médio e longo prazos, transformarem-se em atores de desenvolvimento pessoal e social, valores essenciais para a redenção das famílias e das comunidades, sob todos os aspectos.

A receita é então, substituir o círculo vicioso do sofrimento pelo círculo virtuoso da vida.

Indaga-se, com inconformismo, porque os sistemas públicos de saúde não se propõem a fazer, com afinco, uma análise profunda da legislação pertinente, fazendo surgir, aqui e acolá, ações concretas que podem espelhar-se nas experiências pontuais existentes em vários cantos do pais, relativamente às terapias complementares, focando-se as múltiplas formas de tratamentos alternativos, com ênfase para a trofoterapia e para a fitoterapia, salientando-se que esta interação “plantas medicinais/alimentos” e “alimentos/medicinais” são a essência do equilíbrio orgânico, se este é o seu papel, se esta é a sua missão, razão pela qual se justificariam a implantação, a presença e as atividades de uma unidade básica de saúde numa determinada comunidade.

Se o ser humano é um todo indivisível, não há como atendê-lo, na perspectiva da integralidade, ignorando-se suas origens, seus hábitos alimentares, sua vivência familiar, bem como, muito particularmente, sua história, desde o nascimento. É evidente, logicamente, que, embora seja muito mais difícil pensar e agir dessa forma do que, ao “atendê-lo”, nem olhar para o mesmo e, apenas, perguntando-lhe o que ele tem e, em seguida, prescrever-lhe umas “pílulas” ou xarope sem saber, exatamente, que efeitos produzirão. No entanto, os resultados sob o olhar holístico ou “guestáltico” são, infinitamente mais conseqüentes e resolutivos.

Definitivamente, não é possível promover a saúde das pessoas, mantendo-se o “staus quo” de um sistema de saúde pública voltado, apenas, para a alopatia ou com tratamentos invasivos, ignorando-se os recursos naturais disponíveis, especificamente, alimentos integrais e orgânicos e plantas medicinais (repita-se, mais que fitoterápicos industrializados), abundantes na flora brasileira e fácil de serem cultivados, até mesmo, em hortas de fundo de quintal.

De repente, para os governos e para aqueles que auferem lucros aviltantes com a indústria da doença, é mais prático e conveniente manter a situação de saúde da população, como está, totalmente deteriorada. Porém, pode ser conveniente e fruto de conivência, mas é, particularmente, injusto e, portanto, perverso, merecendo repulsa e indignação.

É evidente que não se colocam em dúvida ou em cheque o valor dos tratamentos convencionais modernos, com seus recursos, altamente tecnológicos e suas múltiplas formas de intervenção, a partir de internamentos, terapias intensivas, cirurgias, implantes, etc. O que se discute é que, dia a dia, os cidadãos pobres que dependem, exclusivamente, dos sistemas públicos de saúde e que, portanto não podem ter acesso a tais tratamentos, estão morrendo à“míngua”, devido, justamente, a este sistema injusto e discriminatório. Por outro lado, saliente-se que, mesmo cidadãos com melhor poder aquisitivo, se recorressem a alimentação correta e ao uso de plantas medicinais, certamente, teriam melhor qualidade de vida e equilíbrio orgânico.

Ora ! O mecanismo e funcionamento do corpo humano, os aspectos metabólicos e endocrinológicos, que dependem da alimentação correta, dos nutrientes e dos princípios ativos de alimentos em geral e de plantas medicinais, salvo alguma variação, não são diferentes no organismo de uma pessoa pobre ou rica.

Portanto, a preocupação com a alimentação correta e a adoção de “chazinhos” naturais, (conforme a receita da vovó) deve ocorrer desde a infância, pois sabe-se que uma criança desnutrida, por exemplo, terá seqüelas comprometedoras, tais como falta de atenção, agitação, pouca memória, quase nenhuma motivação, instabilidade emocional, dificuldade de relacionamento e de aprendizagem, além de estar sujeita inúmeras doenças infecto- contagiosas, que podem levá-la a óbito, precocemente, fazendo crescer as estatísticas negativas, quanto ao índice de mortalidade infantil.

Por fim, são inevitáveis manifestações de inquietude, relativamente aos inúmeros estudos e pesquisas que revelam a importância da alimentação correta e adequada como fator determinante para a prevenção de doenças cardiovasculares, de cânceres e de tantas outras, excluindo-se as hereditárias, acidentais e contagiosas e, no entanto, parece que os responsáveis pela saúde da população ignoram os resultados de tais estudos e pesquisas. Tem-se a impressão, até, que há um desejo que as pessoas adoeçam para aumentar o lucro da indústria farmacêutica, laboratorial e hospitalar. É evidente que isto não pode estar acontecendo, mas diante da triste situação em que se encontram milhares de brasileiros, esta é a percepção que fica.

Decididamente, a correta alimentação, consorciada com as plantas medicinais, constitui-se na base tanto para a promoção da saúde, quanto para a prevenção e tratamento de enfermidades e, obviamente, à medida que o uso habitual de uma e de outra, associado a outras práticas, como exercícios físicos, busca de paz interior, entre outras, proporciona o que, comumente, chama-se vida saudável. E vida saudável é vida compatível com a dignidade humana. A alimentação correta, balanceada e rica em nutrientes essenciais é mais que uma necessidade. É um direito legítimo de todo e qualquer cidadão, desde a sua infância até o seu desenlace, que deve caracterizar-se pela longevidade, fazendo valer o princípio evangélico, “para que todos tenham vida e vida em abundância”.

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