FEBRE AMARELA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ESCOLA DE ENFERMAGEM

Gestão de Serviços de Saúde

FEBRE AMARELA

Juliana Araújo do Espírito Santo

Resumo

A febre amarela é uma doença infecciosa, podendo ser divida em dois ciclos: silvestre e urbano. Transmitida pelo mosquito aedes aegypti, a doença tem efeito tanto assintomático, quanto sintomático, podendo também levar o paciente ao óbito. Essa patologia acometeu a população logo após a proclamação da república devido ao ambiente propício para proliferação do mosquito e disseminação da doença. A partir das campanhas de vacinação há o controle da patologia, entretanto autores dissertam sobre a reurbanização devido às atuais condições para o aumento do número de casos. Esses casos trouxeram discussões sobre os métodos de prevenção e controle, promovendo que os municípios invistam em novos recursos que objetivem o controle da doença. A epidemia de febre amarela não é um cenário novo, sendo considerada um problema de saúde pública. Dessa forma existe a necessidade de verificar o alcance do principal meio de prevenção: a vacinação. O objetivo deste trabalho é descrever a cobertura vacinal de febre amarela em três municípios da região metropolitana de Belo Horizonte, podendo proporcionar aproveitamento dos resultados para gerar medidas de auxilio. Essa investigação foi feita a partir de dados secundários coletados no site da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e no banco de dados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS) no período de cinco anos (2013 a 2017) para que possa ser feito um levantamento do histórico de vacinação. Os resultados do estudo permitiram conhecer um padrão da atual cobertura vacinal, os picos de vacinações no referido período, além da comparação entre os municípios pré-determinados. Esse estudo fornece subsídio para o planejamento de ações de saúde que incentivem a promoção e prevenção da doença.

Palavras-chave: Febre amarela; Vacinação; Doença; Epidemia; Promoção à saúde.

Abstract

Yellow fever is an infectious disease, and can be divided into two cycles: wild and urban. Transmitted by the mosquito aedes aegypti, the disease has both asymptomatic and symptomatic effects, and may also lead to death. This pathology affected the population soon after the proclamation of the republic due to the environment conducive to mosquito proliferation and spread of the disease. From the vaccination campaigns there is control of the pathology, however authors talk about the redevelopment due to the current conditions for the increase of the number of cases. These cases have brought about discussions about prevention and control methods, encouraging municipalities to invest in new resources that aim to control the disease. The yellow fever epidemic is not a new setting and is considered a public health problem. In this way there is a need to verify the scope of the main means of prevention: vaccination. The objective of this study is to describe the coverage of yellow fever vaccination in three municipalities of the metropolitan area of ​​Belo Horizonte, which can provide the results to generate relief measures. This research was based on secondary data collected on the website of the Minas Gerais State Health Department (SES-MG) and the database of the Department of Information Technology of SUS (DATASUS) over a period of five years (2013 to 2017) for that a history of vaccination can be The results of the study allowed us to know a pattern of the current vaccination coverage, the peaks of vaccinations in that period, in addition to the comparison between the pre-determined municipalities. This study provides support for the planning of health actions that encourage the promotion and prevention of the disease.

Keywords: Yellow fever; Vaccination; Disease; Epidemic; Promotion of health.

Introdução

A febre amarela é uma doença infecciosa, causada por vírus e transmitida principalmente pelo mosquito aedes aegypti. É uma doença de dois ciclos, silvestre e urbano, podendo ser tanto assintomática, quanto sintomática de forma maligna (SES-SP, 2015). Atualmente, foram registrados pelo Ministério da Saúde (2018) mais de setecentos casos da doença no país, e sendo uma doença grave, que pode levar ao óbito, a principal forma de prevenção é a vacinação.

O histórico de combate a doenças que acometiam a população começa principalmente com a concepção da ideia de saúde pública no país, após a proclamação da república. Em meio a esse acontecimento a população começou a ser vista como fonte de recurso e necessitava de cuidados. Mas a grande migração da população rural para a parte urbana do país trouxe desorganização e doenças inexploradas, entre elas a febre amarela. Desse modo, a primeira campanha de vacinação contra essa doença foi determinada pela Lei da Vacina Obrigatória, a qual obteve muito resultado (VIANA; FONSECA, 2013).

Sendo uma doença até então controlada, Cavalcante e Tauil (2017) apontam que fatores como a alta infestação do vetor e a baixa imunização da população propiciam uma reurbanização da febre amarela. As ocorrências de novos casos nos estados brasileiros trouxeram novas discussões sobre a dinâmica dos métodos de prevenção e controle da doença. Por esse motivo, municípios têm se prevenido de outras formas, objetivando combater essa doença, como por exemplo, fazendo investimento em novas salas de vacinação, equipamentos que inibam o crescimento do mosquito ou levando a possibilidade de vacinação a pessoas com menos acesso.

 A epidemia de febre amarela não é um cenário novo em nosso país. Essa doença é considerada um problema de saúde pública, sendo necessário verificar o alcance da cobertura vacinal de febre amarela e se há homogeneidade, de forma a garantir a segurança da população.

A investigação produto deste trabalho contribuirá significativamente para o levantamento do comportamento epidemiológico e compreensão sobre a cobertura vacinal de febre amarela na região metropolitana de Belo Horizonte, proporcionando o aproveitamento dos resultados de forma a gerar medidas de auxilio.

Objetivo

Objetivo geral 

Descrever o percentual de cobertura vacinal de febre amarela nos últimos cinco anos (2013 a 2017) nos municípios de Belo Horizonte, Nova Lima e Ribeirão das Neves. 

Objetivos específicos 

– registrar os picos de vacinação no período analisado; 

– comparar os dados de vacinações contra febre amarela entre os municípios de Belo Horizonte, Nova Lima e Ribeirão das Neves.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A primeira epidemia da febre amarela no Brasil ocorreu em Pernambuco no ano de 1685, e sem registros urbanos desde 1942. A doença é endêmica em regiões da América e África, entretanto há surtos periódicos, e por não existir tratamento específico, a vacinação é considerada indispensável para prevenção (CAVALCANTE; TAUIL, 2017).

Os europeus, em meados do século XIX, discutiam sobre a forma de transmissão de diversas doenças através de duas teorias: contágio e miasmas. A primeira tratava de estabelecer uma relação entre o contato do doente com outras pessoas, já a segunda teoria relacionava a transmissão da doença com o ambiente em que as pessoas viviam (LODOLA; GOIS JUNIOR, 2015). Desse modo, após a proclamação da república, o Brasil teve em seu território condições propícias para evolução e contaminação das pessoas por febre amarela.

Saúde Pública

Com o fim da monarquia e início da república houve grande migração da população rural para a parte urbana do país, trazendo dessa forma desorganização e doenças inexploradas (VIANA; FONSECA, 2013). Considerando esse histórico, o modelo sanitarista no Brasil colocou em evidência a precariedade das condições de saúde da população, objetivando um grande obstáculo na civilização e inserindo o conceito de saúde pública (PONTE, LIMA e KROPF, 2010).

A saúde é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como estado de bem estar físico, mental e social, e a busca pela saúde é uma preocupação geral. Autores como Carvalho (2013), pontuam que a expressão “Saúde Pública” está ligada a várias interpretações, mas de forma geral, pode ser subentendida como o bem coletivo, consequentemente são as ações voltadas para a prevenção e promoção a saúde. Ações de vigilância e programas governamentais são atuações principais para intervir no encadeamento de determinantes de alteração do estado de saúde da população.

Vigilância Epidemiológica

Dentro das ações de vigilância, a vigilância epidemiológica (VE) é a principal. Ela é definida pela Lei n° 8.080/90 como “um conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”. Esse método de estudo alcançou reconhecimento no meio médico devido aos resultados proporcionados ao conhecimento do processo de saúde-doença (GOLDBAUM, 1996).

A VE tem como principal função fornecer informações e subsidio para tomada de decisão.

Para subsidiar esta atividade, deve tornar disponíveis informações atualizadas sobre a ocorrência dessas doenças ou agravos, bem como dos seus fatores condicionantes, em uma área geográfica ou população determinada. A vigilância epidemiológica constitui-se, ainda, em importante instrumento para o planejamento, a organização e a operacionalização dos serviços de saúde, como também para a normatização de atividades técnicas correlatas. Sua operacionalização compreende um ciclo completo de funções específicas e intercomplementares que devem ser, necessariamente, desenvolvidas de modo contínuo, de modo a possibilitar conhecer, a cada momento, o comportamento epidemiológico da doença ou agravo que se apresente como alvo das ações, para que as medidas de intervenção pertinentes possam ser desencadeadas com oportunidade e eficácia (BRASIL, 2002, p. 12 e 13).


Além disso, podem ser considerado como funções dessa vigilância: coleta de dados; processamento de dados coletados; análise e interpretação dos dados processados; recomendação das medidas de controle apropriadas; promoção das ações de controle indicadas; avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas; divulgação de informações pertinentes (BRASIL, 2002).

Febre Amarela

A febre amarela é cauda por vírus, sendo contraída através da picada do mosquito e classificada em dois ciclos: silvestre e urbano. O ciclo silvestre acontece em regiões de mata, onde os vetores infectam primatas, ou seja, o se humano participa sendo um hospedeiro acidental ao entrar nesse tipo de habitat. O segundo ciclo, por sua vez, tem apenas o homem como hospedeiro relevante, a transmissão ocorre a partir de pessoas que já se encontram infectadas (VASCONCELOS, 2003).

Ciclos de Febre Amarela
Ciclos de Febre AmarelaMinistério da Saúde (2018)

A doença tem período de incubação de três a seis dias e apresenta difícil diagnóstico pelos sintomas se confundirem com os de outras doenças infecciosas (VASCONCELOS, 2003). Quando acomete de forma grave, o paciente deve ser levado uma Unidade de Tratamento Intensivo para minimização das complicações (BRASIL, 2002). Por ser uma enfermidade que não tem tratamento específico, apenas amenização dos sintomas, o principal meio de controle é em forma de prevenção.

Vacinação

A vacinação é um produto biológico que detém maior segurança para os seres humanos para prevenção de doenças. A ideia da prevenção a partir da vacinação vai muito além do indivíduo, uma vez que a comunidade se protege maior é a chance do vírus não ser transmitido (BRASIL, 2014).

As campanhas sanitárias desenvolvidas por Oswaldo Cruz impulsionam até hoje as atividades que atingem a população, e foi o sucesso da campanha contra a rubéola, em 1959, que fortaleceu os investimentos no controle de doenças infecciosas, propiciando a criação do Programa Nacional de Imunização (PNI) (TEMPORÃO, 2003). O Brasil é detentor do PNI mais completo dentre os países em desenvolvimento (HOMMA et al, 2011).

Programa Nacional de Imunização

O Brasil é detentor do PNI mais completo dentre os países em desenvolvimento (HOMMA et al, 2011). Criado em 1973, o PNI foi idealizado por pesquisadores da época para auxiliar e superar novos desafios. A partir de então, as esferas de governos discutem normas, metas e resultados do programa para garantir o acesso à vacinação em uma rede descentralizada, hierarquizada e integrada (DOMINGUES et al, 2015).

Desde sua criação o programa é uma prioridade do Governo Federal e contou, em 2015, com um orçamento de três bilhões de reais. E atualmente:

O Brasil conta com mais de 36 mil salas de vacinação espalhadas por todo território nacional, que aplicam por ano 300 mil imunobiológicos. Entre eles estão 27 vacinas, 13 soros e 4 imunoglobulinas, todos distribuídos gratuitamente com materiais seguros e de qualidade. Há ainda vacinas especiais para grupos em condições clínicas específicas, como portadores de HIV, disponíveis nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) (SES-MG, 2015).


Em conjunto com o PNI, houve a criação da Central de Medicamentos (CEME), a qual é responsável pela organização centralizada de um sistema de produção e suprimentos de medicamentos e vacinas, que deu condições para ampliação do fornecimento desses produtos, fortalecendo as ações de imunização nos municípios do país (DOMINGUES et al, 2015). Considerando essas informações, o PNI define o Calendário Básico de Vacinação brasileiro (Anexo I), bem como o calendário indígena, que consiste no conjunto de vacinas consideradas prioritárias para a saúde pública. É composto por 12 produtos, desde o nascimento até a terceira idade, e são disponibilizadas gratuitamente na rede pública (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018).

Outros métodos de prevenção

Outro meio de controle da doença, é o combate ao vetor. O mosquito Aedes Aegypti transmite, além da febre amarela, doenças como a Dengue, Zika e Chikungunya. Bertolli (2017) disserta que as campanhas de controle ao vetor nos Estados Unidos foram precárias e sem resultado, ao contrário de Costa et. all. (2011) que aponta eficiência nas campanhas de combate ao mosquito tanto no período em que Oswaldo Cruz iniciou as buscas aos focos, quanto na era Rockefeller que atuou no território brasileiro trazendo novas informações sobre a doença e pesquisas de campo.

O governo de Minas Gerais acompanha os agravos de saúde no estado através do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância a Saúde (CIEVS). O CIEVS atua como uma rede, integrando três grandes áreas para: identificação, monitoramento e controle, trabalhando diretamente com os municípios para auxiliar nas situações de crise que ocorrem no estado (SES-MG, 2017).

Em Belo Horizonte, foi criado, dentro da Secretaria Municipal de Saúde, a Subsecretaria de Promoção e Vigilância a Saúde, a qual é responsável pelo monitoramento das ações de controle e vigilância dento do município. Além disso, é possível verificar no Relatório Anual de Gestão (RAG) (2016) ações feitas pelo município para auxílio às ações de combate e prevenção da doença, como a criação de salas específicas para a aplicação da vacina.

No município de Ribeirão das Neves, a prefeitura disponibilizou um posto volante composto por enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes de combate a endemias para percorrerem a cidade de modo a vacinar a população que ainda não tenha se imunizada. Os profissionais disponibilizados para essa campanha tiveram acesso aos bairros que não tem cobertura pelo Programa Saúde da Família (PSF) (RIBEIRÃO DAS NEVES, 2018).

Já em Nova Lima, a administração pública se dispôs a inibir a proliferação do mosquito por meio de armadilhas denominadas ovitrampas. A referida técnica simula o clima para procriação do mosquito, entretanto esse ambiente é desfeito antes da evolução das larvas. Com esse método a Secretaria Municipal de Saúde poderá estimar a quantidade de vetores e definir espacialmente a presença deles no território em curto prazo, podendo levar a ações eficazes para impedir o crescimento dos vetores (NOVA LIMA, 2018).

Cenário Epidemiológico Atual

Uma série endêmica da doença acomete o país desde dezembro de 2016, e dentro período monitorado pelo Ministério da Saúde, julho/2017 a fevereiro/2018, foram registrados 723 caso. Esse novo aparecimento da doença, com grande número de doentes e mortes de primatas, trouxe incerteza e preocupação às pessoas. Além disso há urgência nas ações por parte do governo e grande visibilidade na mídia (ROCHA, 2018).

O Ministério da Saúde (2018), devido ao recente aumento do número de casos, orienta que a população faça a vacinação preventiva.

Cenário em Minas Gerais

Foram registrados no estado mais de 400 casos da doença, sendo que 33% evoluíram para óbitos. 

Casos notificados de febre amarela silvestre, segundo classificação, Minas Gerais, 2017/2018

Classificação Internação/AltaÓbitoÓbito
Confirmado351177528
Descartado87475949
Em investigação59564
Inclassificável38341
Total13222601582

Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (2018)

Dentre os pacientes em investigação, 11 tem histórico de vacinação contra a doença, estando em observação para levantamento de informações que concluam os casos. Em Minas Gerais há uma cobertura vacinal de 94,93%, existindo uma população de mais de um milhão de pessoas sem imunidade contra a febre amarela, permanecendo entre a faixa etária de 15 a 59 anos. Dentro do Estado, 147 municípios não obtiveram sucesso na imunização de 80% de sua população, sendo necessária a continuidade nas ações de vacinação para garantir a homogeneidade da cobertura de acordo com a meta do PNI (SES-MG, 2018). 

Metodologia

Estudo descritivo de cunho transversal utilizando-se dados secundários, coletados no site da Secretaria de Estado de Minas Gerais (SES-MG) e no banco de dados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). A análise do percentual de cobertura vacinal de febre amarela englobou os últimos cinco anos (2013 a 2017), período que abrange os anos antes da epidemia instalada no país e atual situação, considerando os municípios de Belo Horizonte, Nova Lima e Ribeirão das Neves.

A escolha dos municípios para esta pesquisa baseou-se na divisão espacial em relação à região metropolitana da capital e no número de casos silvestres registrados no boletim epidemiológico liberado pela SES-MG em 17 de abril de 2018. Considerando esses quesitos, foram escolhidos os municípios de Belo Horizonte, pela representatividade de incentivos em manter a qualidade de vida de sua população; Nova Lima, por apresentar o maior número de óbitos pela doença; e Ribeirão das Neves, por estar inserido na região metropolitana e não haver nenhum caso da doença contabilizado.

O Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) disponibiliza os dados para o DATASUS. O DATASUS permite elaborar planilhas com informações previamente determinadas, liberando, dessa forma, dados para cada ano da análise. O levantamento dessas planilhas foi feita em três etapas: primeira etapa destinada à obtenção da cobertura vacinal nos municípios; segunda etapa foi emitida planilha com a quantidade de doses aplicadas; a terceira planilha apresenta as doses aplicadas por faixas etárias estratificadas por município; e a quarta, também por idade, mas dividida por ano analisado.

Resultados

Perfis semelhantes e homogêneos em relação à cobertura vacinal foram observados entre os três municípios analisados. A capital mineira apresentou média percentual nos cinco anos (2013 a 2017) de 70,47%, sendo 308.436 doses aplicadas. No ano de 2014, o município de Belo Horizonte apresentou um decréscimo significativo das informações coletadas, caindo de 91,48% no ano anterior, para 0,09%. Os outros dois municípios analisados tiveram médias superiores a 80%. Nova lima teve menor número de vacinações em cada ano, entretanto, com a epidemia instalada no país no final do ano de 2016, as vacinas aplicadas no ano seguinte subiram para a faixa de 20.000 doses. O município de Ribeirão das Neves teve, segundo os dados coletados, média superior a 100% nos dois primeiros anos analisados, com um decréscimo, a partir de 2015, atingindo 54,7% no ano de 2017. Dentro do período analisado, o ano de 2013 é detentor do maior número de vacinações realizadas nas três cidades antes da epidemia que se instalou no país no ano de 2016 (tabela 1).

A evolução percentual da cobertura vacinal de febre amarela na capital mineira e nos outros dois municípios evidencia uma menor oscilação na cobertura vacinal no município de Nova Lima quando comparado aos demais municípios. Belo Horizonte apresentou uma queda significativa na cobertura vacinal no ano de 2014 seguindo um perfil semelhante ao município de Nova Lima para os demais anos. Ribeirão das Neves apresenta uma tendência de redução na cobertura vacinal no período analisado (gráfico 1).

Em números absolutos os três municípios tiveram um total de 1.688.432 doses de vacina contra a febre amarela aplicadas no período de cinco anos. Sendo 136.289 aplicadas em menores de um ano e 79.160 aplicadas em idosos acima de 60 anos. A soma desses dois grupos etários corresponde a menos de 1% da população total dos três municípios. As regiões administrativas analisadas tem maior concentração de doses aplicadas na faixa etária de 15 a 59 anos. Nova Lima é a região administrativa com menor número de habitantes, logo, detém menor numero de vacinas aplicadas (tabela 2).

Existe um decréscimo no número de vacinas aplicadas do ano de 2013 para o ano de 2014, se mantendo em todos os grupos etários. O ano seguinte há uma ascensão da imunização, mas não supera o primeiro ano da análise (tabela 3).

A vacinação aumentou consideravelmente após o inicio da epidemia em 2016. Na faixa etária da população com 65 anos e mais também é possível observar aumento significativo, considerando que é uma população que pode apresentar maior dificuldade em frequentar os centros de saúde devido à locomoção e doenças crônicas. O grupo das crianças e adolescentes (1 a 14 anos) é o segundo em número de doses aplicadas (tabela 3).

Discussão

O ano de início do período do estudo (2013) coincidiu com o anúncio da Organização Mundial da Saúde (OMS) a qual determinou que uma única dose da vacina contra a febre amarela garante imunidade por toda a vida e que não é necessário se vacinar a cada dez anos quando se mora ou viaja para áreas de risco, como já era feito. Os dados do ano de 2014 são parciais, referentes ao recebimento de informações do SIPNI até a data de 23/03/2015, desse modo evidenciando que em Belo Horizonte, apenas 150 doses da vacina foram aplicadas.

Os resultados indicam tendência de diminuição na vacinação de febre amarela nas três divisões administrativas. Essa crescente diminuição relaciona-se acentuadamente na faixa etária de 15 a 59 anos entre os anos de 2014 e 2015, podendo subentender que há falta na presença dessa população às unidades de saúde. Chaves e Ross (2014) apontam que há carência de informações nos centros de saúde e por isso há dificuldade em identificar usuários com vacinas em atrasos ou aqueles não imunizados e que muitos adultos não procuram atualizações e não tem conhecimento sobre o calendário vacinal.

Outro questionamento que pode ser feito a partir dos dados obtidos, é referente à veracidade e continuidade da inclusão de dados no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações, visto que Belo Horizonte teve um resultado parcial de informações muito abaixo dos outros municípios no ano de 2014. As informações em 2013 e 2014 para o município de Ribeirão das Neves mostram altos níveis de cobertura vacinal, podendo subentender que há estimativas populacionais incorretas sendo usadas nos cálculos, gerando resultados mais elevados que os verdadeiros valores.

Considerações finais

É importante destacar que a ideia de prevenção vai muito além do indivíduo, ou seja, uma vez que a comunidade se protege, maior é a chance do vírus não ser transmitido.

Considerando os anos analisados, os três municípios mantiveram a cobertura vacinal nesse período acima da meta determinada pelo Programa Nacional de Imunização. Análises mais aprofundadas são requeridas no sentido de esclarecer possibilidades de subalimentação do sistema gerando um cenário diverso da realidade. A vacinação, sendo a principal forma de prevenção contra a febre amarela, como também é de outras doenças, deve ter maior visibilidade dentro de todas as esferas de governo. A divulgação de informações mais específicas para a população auxilia na abertura e receptividade das pessoas em ir à unidade de saúde se prevenir. A instrução sobre o assunto permite com que as pessoas reflitam sobre o todo e sobre o individual.

Referências

BERTOLLIClaudio. A Erradicação do Aedes Aegypti:: Febre Amarela, Fred Soper e Saúde Pública Nas Américas (1918-1968). Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 33, n. 11, 2017.

Brasil. Presidência da República. Lei n. 8.080 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União. Brasília19 de setembro de 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8080.htm>. Acesso em: 12 mai. 2018.

Brasil. Vacinas são armas eficazes para prevenir doenças. Governo do Brasil. 2014. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/noticias/saude/2014/10/vacinas-sao-armas-eficazes-para-prevenir-doencas>. Acesso em: 22 abr. 2018.

CARVALHOGilson. A saúde pública no Brasil. Estudos Avançados. São Palo, v. 27, n. 78, p. 7 -26, 2013.

CAVALCANTEKarina Ribeiro Leite Jardim ; TAUILPedro Luiz. Risco de reintrodução da febre amarela urbana no Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde . Brasília, v. 26, n. 3, p. 617-620, jul-set 2017.

CHAVESLusia Helena Silva; ROSSJosé de Ribamar. Perfil Vacinal de Adultos Cadastrados em uma Microárea da Estratégia Saúde da Família. Revista de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí. Piauí, v. 3, n. 4, p. 4-9, oct-dec 2014.

COSTAZouraide Guerra Antunes et al. Evolução histórica da vigilância epidemiológica e do controle da febre amarela no Brasil. Revista Pan-Amazônica de Saúde. Pará, v. 2, n. 1, p. 11-26, 2011.

DOMINGUESCarla Magda Allan Santos et al. Programa nacional de imunização: a política de introdução de novas vacinas. Revista Eletrônica Gestão & Saúde. Brasília, v. 6, n. 4, p. 3250-3274, out 2015.

DrumondEliane de Freitas et al. Utilização de dados secundários do SIM, Sinasc e SIH na produção científica brasileira de 1990 a 2006. Revista Brasileira de Estudos Populacionais. Rio de Janeiro, v. 26, n. 1, p. 7-19, jan-jun 2009.

Fundação Nacional de Saúde. Guia de vigilância epidemiológica. Ministério da Saúde. Brasília, 2002. Disponível em: <>. Acesso em: 7 out. 2018.

GOLDBAUMMoisés. Epidemiologia e serviços de saúde. Caderno de Saúde Pública . Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, p. 95-98, 1996.

HommaAkira et al. Atualização em vacinas, imunizações e inovação tecnológica. Ciência Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 445-458, fev 2011.

LODOLASoraya; GOIS JUNIOREdivaldo. Teorias sobre a propagação da febre amarela: um debate científico na imprensa paulista. História, Ciências, Saúde-Manguinhos. Rio de Janeiro, v. 22, n. 3, p. 687-704, set 2015.

Ministério da Saúde. Assistência à Saúde: Imunizações desde 1994. Departamento de Informática do SUS. 2018. Disponível em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=0202&id=11637>. Acesso em: 29 ago. 2018.

______. Febre Amarela: causas, sintomas, diagnóstico, prevenção e tratamento. Portal Ministério da Saúde. 2018. Disponível em: <http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-amarela-sintomas-transmissao-e-prevencao>. Acesso em: 12 mai. 2018.

______. Programa Nacional de Imunização (PNI). Blog da Saúde Ministério da Saúde. Brasília, 2015. Disponível em: <http://www.blog.saude.gov.br/index.php/entenda-o-sus/50027-programa-nacional-de-imunizacoes-pni>. Acesso em: 14 mai. 2018.

______. Vacinação Febre Amarela. Portal Ministério da Saúde. Brasília, 2018. Disponível em: <http://portalms.saude.gov.br/artigos/920-saude-de-a-a-z/febre-amarela/10771-vacinacao-febre-amarela>. Acesso em: 22 abr. 2018.

PONTECarlos Fidelis; LimaNísia Trindade; KropfSimone Petraglia. O sanitarismo (re)descobre o Brasil. In: fidelesCarlos; FalleirosIalê. Na corda bamba de sombrinha: a saúde no fio da história. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2010. cap. 3, p. 72-106.

Prefeitura de Belo Horizonte. Relatório Anual de Gestão – 2016 . Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Minas Gerais, 2016. Disponível em: <https://prefeitura.pbh.gov.br/sites/default/files/estrutura-de-governo/saude/2018/documentos/planejamento/RAG-2016.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2018.

Prefeitura de Nova Lima. Prefeitura instala armadilhas para identificar quantidades de focos do aedes. Prefeitura de Nova Lima. Minas Gerais, 2018. Disponível em: <http://www.novalima.mg.gov.br/noticias/prefeitura-instala-armadilhas-para-identificar-quantidades-de-focos-do-aedes/>. Acesso em: 18 jun. 2018.

Prefeitura de Ribeirão das Neves. A Prefeitura intensifica Campanha de Vacinação Contra a Febre Amarela. Prefeitura de Ribeirão das Neves. Minas Gerais, 2018. Disponível em: <http://www.ribeiraodasneves.mg.gov.br/detalhe-da-materia/info/a-prefeitura–intensifica-campanha-de-vacinacao-contra-a-febre-amarela/6699>. Acesso em: 18 jun. 2018.

RochaHeloísa Helena. Os mosquitos e o Estado no relatório do chefe do Serviço de Saneamento e Profilaxia Rural da Bahia, 1922. História, Ciências, Saúde-Manguinhos. Rio de Janeiro, v. 25, n. 1, p. 261-279, 2018.

Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais. 10 coisas que você talvez não soubesse sore Oswaldo Cruz. Portal Saúde SES-MG. Minas Gerais, 2017. Disponível em: <http://blog.saude.mg.gov.br/2017/08/05/curiosidade-10-coisas-que-voce-talvez-nao-soubesse-sobre-oswaldo-cruz>. Acesso em: 14 mai. 2018.

______. Informe epidemiológico da Febre Amarela (21/06). Portal Saúde SES-MG. Minas Gerais, 2018. Disponível em: <http://www.saude.mg.gov.br/component/gmg/story/10625-informe-epidemiologico-da-febre-amarela-21-06>. Acesso em: 7 out. 2018.

Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Boletim Epidemiológico FEBRE AMARELA. Governo do Estado de São Paulo. São Paulo, 2018. Disponível em: <http://www.saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandre-vranjac/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-por-vetores-e-zoonoses/agravos/febre-amarela/boletim-epidemiologico>. Acesso em: 7 out. 2018.

______. Informe Técnico: Vacina de febre amarela. Centro de Vigilância Epidemiológica. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://cveantigo.saude.sp.gov.br/>. Acesso em: 18 jun. 2018.

Secretaria de Estado da Saúde do Rio de Janeiro. Informe Epidemiológico – Febre Amarela – 24/08. Conexão Saúde RJ. Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: <https://www.saude.rj.gov.br/noticias/2018/08/informe-epidemiologico-febre-amarela-2408>. Acesso em: 7 out. 2018.

TemporãoJosé Gomes. O Programa Nacional de Imunização (PNI): origens e desenvolvimento. História, Ciências, Saúde-Manguinhos. Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, p. 601-617, 2003.

VasconcelosPedro Fernando da Costa. Febre Amarela. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Minas Gerais, v. 36, n. 2, p. 275-293, mar-abr 2003.

VIANADaiana de Faria; FONSECARafael Maia Carlos. O Sanitarismo Brasileiro: Contextualização do conto Urupês de Monteiro Lobato com a realidade histórica da República Brasileira no início do século XX. Goiás, 2013 Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária)Pontifícia Universidade Católica de Goiás, 2013.

feito

Use agora o Mettzer em todos
os seus trabalhos acadêmicos

Economize 40% do seu tempo de produção científica