ESTUDO DE CASO BERÇÁRIO

ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO OTÁVIO CARUSO B. DA ROCHA RUA JOAQUIM BATISTA DOS SANTOS, 80, BAIRRO MUNDSTOCK - IJUÍ – RS

ESTUDO DE CASO BERÇÁRIO

PRISCILA TRINDADE

Orientador: Magali Menegassi

Introdução

Este trata-se de um estudo de caso e está baseado em dados fornecido reais e fictícios, solicitado em período de pandemia, para aprimorarmos conhecimentos na área do berçário com objetivo de dar embasamento teórico e prático para melhor desenvolver procedimentos em período de estagio, e como escolha uma das patologias com frequência encontrada neste campo, e que merece nossa atenção e preparação a sífilis congênita. 

A sífilis congênita é decorrente da disseminação hematogênica do Treponema pallidum da gestante não tratada ou inadequadamente tratada para o seu concepto, por via transplacentária. A transmissão pode ocorrer em qualquer fase da gestação e em qualquer estágio da doença, com probabilidades de 50% a 100% na sífilis primária e secundária, 40% na sífilis latente precoce e 10% na sífilis latente tardia. É possível transmissão direta no canal do parto. Ocorrendo a transmissão da sífilis congênita, cerca de 40 % dos casos podem evoluir para aborto espontâneo, natimorto e óbito perinatal.


Ainda que o controle da sífilis adquirida seja complexo e que impacte gestantes também infectadas, uma gestante diagnosticada e adequadamente tratada é capaz de reduzir drasticamente os casos de sífilis congênita! Se implementarmos adequadamente o cuidado pré-natal às gestantes e crianças expostas ao nascimento, podemos eliminar a sífilis congênita.


A sífilis congênita é dividida em dois períodos: a precoce (até o segundo ano de vida) e a tardia (surge após segundo ano de vida). A maior parte dos casos de sífilis congênita precoce é assintomática (cerca de 70%), porém o recém-nascido pode apresentar prematuridade, baixo peso, hepatomegalia, esplenomegalia, lesões cutâneas (pênfigo sifilítico, condiloma plano, petéquias, púrpura, fissura peribucal), periostite, osteocondrite, pseudoparalisia dos membros, sofrimento respiratório com ou sem pneumonia, rinite sero-sanguinolenta, icterícia, anemia, linfadenopatia generalizada, síndrome nefrótica, convulsão e meningite, trombocitopenia, leucocitose ou leucopenia. Na sífilis congênita tardia, as manifestações clínicas são raras e resultantes da cicatrização da doença sistêmica precoce, podendo envolver vários órgãos. 


A maioria dos casos acontece porque a mãe não foi testada para sífilis durante o planejamento reprodutivo, no pré-natal ou porque recebeu tratamento não adequado para sífilis antes ou durante a gestação.

Histórico do paciente

M.S. ,IG 37+5 semanas, nasceu ás 08 horas no dia 08/07/2020, sexo masculino, nascido de parto normal, pesando 3,100kg, medindo 49cm, PC 34cm,PT 33cm,sem malformação, mãe VDRL + 1/1. Teste do olhinho reflexo vermelho bilateral presente, teste do coraçãozinho com 24 horas de vida,(SPO2 MSD 98% e MID 99%). Acomodação em alojamento conjunto, aceitando seio materno, com boa pega, corado, ativo e reativo ao manuseio, apresenta Pulso apical 140 BPM, Frequência respiratória 52 movimento por minuto, temperatura 36,5ºc, SPO2 98% , realizando ANTIBIOTICOTERAPIA. Mantendo solução EV em BI a 5ml/hora via cateter sobre agulha nº24 na região do pé esquerdo. Tem bomba de seringa instalada para medicação. O VDRL do RN positivo.

Exame físico

09/07/2020 08h 15min: RN, M.S. sexo masculino, com 24 horas de vida, peso: 2,990kg,PC=34cm,PT=33cm,P.Abdominal=35cm, medindo 50cm, teste do olhinho reflexo vermelho bilateral presente, realizo teste do coraçãozinho que tem resultado dentro dos padrões normais =SPO2 MSD 98% e MID 99%. R.N , aceitando seio materno, com boa pega, corado, ativo e reativo ao manuseio, apresenta irritabilidade, pulso apical 140 BPM, frequência respiratória 52 movimentos por minuto, temperatura 36,5ºC, SPO2 98%.Coto umbilical com aspecto gelatinoso. Exame VDRL positivo, membros superiores e inferiores sem anormalidades, reflexos presentes, mantendo solução EV em BI a 5ml/hora via cateter sobre agulha nº24 na região do pé esquerdo. Eliminações vesicais presente em pouca quantidade e intestinais mecônio presentes em fralda em grande quantidade.  


Estudo da patologia

SÍFILIS CONGÊNITA

É consequência à infecção do feto pelo Treponema pallidum, por via placentária em qualquer momento da gestação, ou mais raramente pelo contato do concepto com uma lesão genital no trabalho de parto.


A infecção é grave e pode causar má formação do feto, aborto ou morte do bebê, quando este nasce gravemente doente. Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado é positivo, tratar corretamente a mulher e seu parceiro. Só assim se consegue evitar a transmissão.


As conseqüências da sífilis materna sem tratamento incluem abortamento,  natimortalidade, nascimento prematuro, recém-nascido com sinais clínicos de Sífilis Congênita ou, mais freqüentemente, bebê aparentemente saudável que desenvolve sinais clínicos posteriormente. 


  • A sífilis é causada por bactérias.
  • Pode haver o desenvolvimento de complicações sérias durante a gravidez.
  • Recém-nascidos podem não ter sintomas ou podem desenvolver sintomas e complicações sérias. 
  • O diagnóstico costuma se basear em exames de sangue do recém-nascido e da mãe.
  • Penicilina é usada para tratar a infecção

 Sinais e sintomas

A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança. Na maioria dos casos, os sinais e sintomas estão presentes já nos primeiros meses de vida. Ao nascer, a criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos, a sífilis pode ser fatal.


O diagnóstico se dá por meio do exame de sangue e deve ser pedido no primeiro trimestre da gravidez. O recomendado é refazer o teste no 3º trimestre da gestação e repeti-lo logo antes do parto, já na maternidade. Quem não fez pré-natal, deve realizar o teste antes do parto. O maior problema da sífilis é que, na maioria das vezes, as mulheres não sentem nada e só vão descobrir a doença após o exame.


Os recém-nascidos podem não apresentar sintomas de sífilis, e alguns recém-nascidos infectados nunca desenvolvem quaisquer problemas durante toda a sua vida. No caso de recém-nascidos sintomáticos, manifestações de sífilis congênita são classificadas como de início precoce ou tardio.


É considerado Natimorto por Sífilis todo caso de óbito fetal com mais de 22 semanas de gestação ou peso maior que 500g, de mãe não tratada ou inadequadamente tratada para sífilis. O Aborto por sífilis é todo caso de morte fetal com menos de 22 semanas de mãe não tratada ou inadequadamente tratada para sífilis, afastadas causas de aborto não espontâneo. 


É importante descartar a sífilis adquirida em crianças maiores (com  testes para sífilis reagentes) principalmente pela possibilidade de abuso sexual.

Sífilis congênita precoce

Começa durante os primeiros 3 meses de vida. Grandes bolhas ou uma erupção cutânea plana de cor de cobre pode se desenvolver nas palmas das mãos e solas dos pés. É possível que nódulos salientes surjam ao redor do nariz e boca na região da fralda. É possível que o recém-nascido não tenha um bom crescimento. Ele pode ter rachaduras ao redor da boca ou secreção de muco, pus ou sangue pelo nariz. Em geral, os linfonodos, fígado e baço ficam aumentados. Raramente, ocorre a inflamação dos olhos ou cérebro, convulsões, meningite ou incapacidade intelectual. Nos primeiros 8 meses de vida, inflamação dos ossos e cartilagens, especialmente de ossos longos e costelas, podem dificultar a movimentação dos bebês o que pode levar os ossos a se desenvolvem de forma incorreta.

Sífilis congênita tardia

Começa após 2 anos de vida. Feridas podem se formar no nariz e boca e os ossos podem crescer de modo anormal. Problemas oculares podem causar cegueira e a formação de cicatrizes na córnea (a camada transparente na frente da íris e da pupila). Também pode haver problemas com o desenvolvimento de dentes e ossos da face. Surdez pode ocorrer em qualquer idade.

Diagnóstico

O ideal, em termos de diagnóstico de sífilis congênita, seria identificar cinco grupos de pacientes: 

  • Mães infectadas e recém-nascidos infectados, com sinais clínicos da infecção;
  • Mães infectadas e recém-nascidos infectados sem sinais clínicos da infecção; 
  • Mães infectadas e recém-nascidos não infectados;
  • Mães soronegativas infectadas e recém-nascidos infectados, mas sem sinais clínicos da infecção;
  • Mães não infectadas. 


O reconhecimento dos quatro últimos grupos tem sido objeto de debate contínuo na literatura sobre o tema. Dada a dificuldade do diagnóstico da infecção em crianças assintomáticas, a orientação que vem sendo adotada no Brasil e em vários países desenvolvidos, como os Estados Unidos, é a de empregar critérios diagnósticos de alta sensibilidade, mas de baixa especificidade, no sentido de que qualquer recém-nascido potencialmente infectado e sua mãe sejam abordados durante a época em que ambos tem acesso ao serviço de saúde, ou seja, o período peri-partal e o período neonatal imediato. Essa conduta, que inclui o tratamento de casos presuntivos, nos quais o diagnóstico é baseado em critérios epidemiológicos e clínico-laboratoriais, deve persistir até que novas tecnologias permitam traçar uma linha divisória mais firme entre pacientes infectados e não infectados


Neste contexto, os critérios diagnósticos para a sífilis congênita podem ser sumarizados, segundo a orientação dada em 1988 pelo Centers for Disease Control e adotada pelo Ministério da Saúde do Brasil em 1990 e ratificadas em 2004, de acordo com os seguintes parâmetros: 

A. Sífilis Congênita Confirmada: isolamento do Treponema pallidum em material de lesão, placenta, cordão umbilical ou material de necropsia através de exame em microscópio de campo escuro, histologia ou por teste de infectividade em coelhos.  

B. Sífilis Congênita Provável:

B1 Recém-nascido, independentemente das manifestações clínicas e laboratoriais, cuja mãe é soropositiva para sífilis (teste não treponêmico positivo em qualquer titulação) e: 

• Não recebeu tratamento para sífilis durante a gestação;

• Recebeu tratamento incompleto com penicilina durante a gestação;

• Recebeu tratamento para sífilis com penicilina nos últimos 30 dias antes do parto .

• Foi tratada com outras drogas que não a penicilina, durante a gestação;

• Foi adequadamente tratada para sífilis, mas o parceiro não foi tratado ou foi tratado de forma inadequada ou a informação não está disponível. 

• Foi adequadamente tratada para sífilis durante a gestação, mas não apresentou uma resposta sorológica documentada (queda no título do teste não treponêmico - VDRL/RPR); 

• Foi adequadamente tratada antes da gestação, mas não teve um acompanhamento sorológico suficiente para descartar a presença de infecção ativa durante a gestação (queda de 4 vezes nos títulos do VDRL/RPR para mulheres portadoras de sífilis primária e secundária e títulos estáveis ou decrescentes, inferiores ou iguais a 1:4, para as outras fases da sífilis). 

B.2 Recém-nascido com teste não treponêmico sérico positivo e uma ou mais alterações:

• Qualquer evidência clínica de sífilis congênita;

• Qualquer manifestação radiológica de sífilis congênita;

• VDRL positivo no líquor;

• Liquor com aumento de celularidade ou de proteínas, sem outra causa aparente;

• Título do teste não treponêmico (VDRL/RPR) no recém-nascido quatro vezes superior ao  materno; 

• Sorologia para lues ainda positiva após o 6º mês de vida pós-natal ou VDRL que se mantém  ou aumenta nos 3 primeiros meses de vida; 

• Teste treponêmicos para a detecção de IgM (FTA-Abs IgM 19S ou ELISA IgM ou  Imunoblot IgM) positivos no soro do recém-nascido; 

• Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) para o antígeno 47 kDa positivo em soro/sangue  e/ou LCR do neonato.





fisiopatologia

  Ainda existem controvérsias a este respeito.

  • Lipoproteínas induzem os macrófagos a secretarem TNF, ativando o endotélio vascular.
  • As citocinas são os mediadores imunológicos. 
  • Há infiltração perivascular de linfócitos, células plasmáticas e histiócitos nos órgãos atingidos, levando a uma extensa fibrose. 


  • PLACENTA: histologicamente há vilosites focais com proliferação endo e perivascular, com imaturidade das mesmas, que se tornam alargadas e com projeções bolhosas. Pode-se visualizar um processo inflamatório na matriz do cordão umbilical. Treponemas podem ser visualizados com coloração de prata, embora artefatos de tecido possam dificultar esta visualização. 
  • FÍGADO: há divergências a respeito da natureza e da extensão do envolvimento hepático nesta doença. Há uma inflamação intersticial, levando a um processo cicatricial que altera a arquitetura hepática. Suas variadas lesões implicam em severidade do acometimento (inflamação perivascular, tríade portal, hematopoiese extramedular...). 
  • BAÇO: está aumentado devido uma extensiva reação inflamatória não específica, assim como hematopoiese extramedular.
  • PULMÃO: há aumento do tecido conectivo no espaço interalveolar e intersticial, associado a colapso alveolar, explicando o aumento da densidade pulmonar.
  • ESTÔMAGO E INTESTINO: há infiltração por células mononucleares na mucosa e submucosa, associada proliferação fibroblástica, aumentando notadamente a largura submucosa.
  • PÂNCREAS: intensa pancreatite, com infiltrado perivascular, congestão dos ductos e ácinos, redução do nº de ilhotas e extensiva fibrose.
  • RINS: a glomerulonefrite se dá pela deposição de imunocomplexos (IgA, IgM e IgG, entre outros) na membrana basal.Há infiltrado perivascular, constituído por células plasmáticas e linfócitos.
  • SNC: é aparente o envolvimento meníngeo, estando descolorada e espessada, especialmente em volta do cérebro e quiasma ótico.   Coma resolução do processo inflamatório, podem ocorrer fibroses causando aderências no espaço subaracnoideo, levando a uma hidrocefalia ou paralisia de alguns pares cranianos. 
  • SISTEMA ESQUELÉTICO: seu envolvimento generalizado é característica desta doença.  Osteocondrite, osteomielite e periostite estão presentes especialmente em ossos longos e costelas. Osteocondrite: acomete grosseiramente a zona de calcificação provisória.As trabéculas são irregulares, descontinuas, e variam de tamanho e forma. O excesso de fibrose acomete as junções cartilaginosas com tecido de granulação sifilítica e grande quantidade de vasos sanguíneos ao redor do infiltrado inflamatório. Resultando em mudanças não específicas na formação do osso endocondral. Estas alterações são curáveis sem tto antibiótico específico. 




Tratamento

Quando a sífilis é detectada, o tratamento deve ser indicado por um profissional da saúde e iniciado o mais rápido possível. Os parceiros também precisam fazer o teste e ser tratados, para evitar uma nova infecção da mulher. No caso das gestantes, é muito importante que o tratamento seja feito com a penicilina, pois é o único medicamento capaz de tratar a mãe e o bebê. Com qualquer outro remédio, o bebê não estará sendo tratado. Se ele tiver sífilis congênita, necessita ficar internado para tratamento por 10 dias. O parceiro também deverá receber tratamento para evitar a reinfecção da gestante e a internação do bebê.


O tratamento para sífilis congênita é realizado com  penicilina conforme os critérios determinados pelo Ministério da Saúde.


  • Penicilina

Todas as pessoas que têm sífilis são tratadas com o antibiótico penicilina. Enquanto estiver grávida, mulheres infectadas recebem uma injeção (ou de uma série de injeções) do medicamento em um músculo (via intramuscular) ou, raramente, em uma veia (via intravenosa). Recém-nascidos, bebês e crianças infectadas recebem o medicamento por via intravenosa ou intramuscular.

Colírio de corticosteroide e atropina pode ser administrado para inflamação ocular. As crianças que apresentam perda de audição podem se beneficiar com a penicilina e um corticosteroide administrado por via oral.

Esquema de tratamento no período neonatal

A1- penicilina G cristalina 50.000 UI/kg/dose, EV, de 12 em 12 horas ( nos primeiros 7 dias de vida) e de 8 em 8 horas ( após 7 dias de vida), durante 10 dias. Ou penicilina G procaína 50.000UI/kg/dose, IM, 1 vez por dia, durante 10 dias.

A2- penicilina G cristalina 50.000 UI/kg/dose, EV, de 12 em 12 horas ( nos primeiros 7 dias), e de 8 em 8 horas (após 7 dias de vida), durante 10 dias.

A3- penicilina G benzatina, IM, dose única de 50.000 UI/kg, sendo obrigatório o seguimento ambulatorial. Sendo impossível garantir o acompanhamento, o RN deverá ser tratado seguindo o esquema A1.

C1- seguimento clínico-laboratorial. Na impossibilidade de seguimento, tratar com penicilina G benzatina, IM, dose única de 50.000 UI/kg.



Seguimento do caso

Deverá ser garantido o acompanhamento clínico e laboratorial de todas  as crianças nascidas de mães com sífilis, a fim de ofertar cuidados necessários, bem como realizar a confirmação diagnóstica, que ocorre por volta dos 18º mês de vida. O seguimento compreende: 

  • Consultas ambulatoriais mensais até 6º mês e bimensais do 6º ao 12º mês; 
  • VDRL com 1, 3, 6, 12 e 18 meses, interrompendo o seguimento com 

dois exames consecutivos de VDRL negativos;

  • Teste treponêmico para sífilis após 18 meses para confirmação do caso; 
  • Reinvestigação e retratamento, nos casos de elevação da titulação no  VDRL ou não negativação até 18 meses,
  • Acompanhamento oftalmológico, neurológico e audiológico semestral por dois anos; 
  • Nos casos de liquor alterado, deve ser realizada reavaliação liquórica 

a cada 6 meses até a normalização; alterações persistentes indicam

avaliação e retratamento;

  • Crianças tratadas de forma inadequada, seja em função da dosagem 

seja de tempo de tratamento, devem ser convocadas para reavaliação e

reinício do tratamento, conforme cenários estabelecidos.

  • Caso sejam observados sinais clínicos compatíveis com a infecção 

treponêmica congênita, deve-se proceder à repetição dos exames

sorológicos. 



Prevenção

As mulheres grávidas devem ser rotineiramente testadas para sífilis durante o primeiro trimestre e novamente testadas quando necessário. Em 99% dos casos, o tratamento com penicilina durante a gravidez cura tanto a mãe quanto o feto. No entanto, o tratamento da mãe menos de quatro semanas antes do parto pode não erradicar a infecção do feto.

O uso correto de preservativos é uma das principais formas de prevenção da transmissão da sífilis. No caso de gestantes, para o controle da sífilis congênita, é primordial o acompanhamento pré-natal correto e de qualidade. 

EXAMES COMPLEMENTARES

Sorologia não-Treponêmica (VDRL e RPR) é indicada para o diagnóstico e seguimento terapêutico. O teste pode permanecer reagente por longos períodos, mesmo após a cura da infecção, mas apresenta tendência a queda progressiva nas titulações, até sua negativação. O recém-nascido não infectado pode apresentar anticorpos maternos transferidos através da placenta, e neste caso, o teste será reagente até o sexto mês de vida aproximadamente.


VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) é um exame de sangue, que tem como objetivo diagnosticar a sífilis e fazer o acompanhamento de pacientes que sofrem com esse problema.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível, em que os sinais e sintomas variam de acordo com os estados da doença: primário, secundário, latente e terciário, que é o mais grave.

Para a realização do exame o processo é muito simples: coleta-se apenas uma pequena amostra de sangue do paciente, que posteriormente será encaminhada para análise em laboratório.

Feito isso, é só aguardar alguns dias, que o resultado estará pronto para ser encaminhado para um médico de sua confiança.


Sorologia treponêmica (FTA-Abs, TPHA, ELISA) são testes úteis na exclusão de resultados de VDRL falsos-positivos. O FTA-Abs/IgG, quando reagente em material do recém-nascido, não significa infecção pré-natal, pois os anticorpos IgG maternos ultrapassam a barreira placentária. O FTA-Abs/IgM por sua vez não ultrapassa a barreira placentária, significando, quando reagente no material do recém-nascido, infecção fetal. Porém, tem baixa sensibilidade, podendo resultar em exames falsos negativos. Em geral, os testes treponêmicos permanecem reagentes por toda a vida, mesmo após a cura da infecção, contra-indicando seu uso para acompanhamento. Testes treponêmicos reagentes em crianças maiores de 18 meses confirmam a infecção.


Raio-X de Ossos Longos demonstra alterações ósseas compatíveis com periostite, osteíte e osteocondrite


Exame do líquido céfalo-raquidiano (LCR) é necessário para detectar ou afastar a neurossífilis. Alterações na contagem de linfócitos (>25 leucócitos/mm3); e na dosagem de proteínas (>100 mg/dl) do recém-nascido (após o período neonatal, os valores são > 5 leucócitos e > 40 MG/D1, respectivamente) associados ou não com VDRL reagente, definem o quadro.




prescrição médica

  • Dieta seio materno - MANTENDO
  • Complemento 3/3 horas após as mamadas SN - SN
  • Controle sinais vitais 6/6 horas- 14 20 02 08 
  • Paracetamol 200mg FR/GTS 10 ml 3 gts VO 6/6 horas SN- SN
  • Dipirona 1g/2ml ampola 0,2 ml EV 6/6 horas SN- SN
  • Benzilpenicilina potássica 5.000.000 UI FR/AMP 250.000 UI EV 8/8 h- 06 14h 22h
  • Soro fisiológico 0,9% 250 ml 5ml/h BI- MANTENDO
  • Manter cabeceira elevada- ATENÇÃO
  • Rotinas do berçário- ROTINA
  • Monitorar peso diário- ATENÇÃO
  • Realizar curativo umbilical- ROTINA
  • Alojamento conjunto- ATENÇÃO
  • Realizar teste do coraçãozinho ao completar 24 horas do nascimento- ATENÇÃO

Estudo dos fármacos

Penicilina

As penicilinas são os fármacos de escolha para a maioria das infecções, sua farmacologia é ampla e diversa, mas seu mecanismo de ação e função podem ser resumidos facilmente.

 CLASSIFICAÇÃO E PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS DAS PENICILINAS

De acordo com seu espectro de ação as penicilinas são classificadas em:

  • Penicilina G e penicilina V: ativas contra cepas sensíveis de cocos gram positivos, porém facilmente hidrolisadas pela penicilinase.
  • Penicilinas resistentes ás penicilinases: utilizadas para tratar infecções causadas por S. aureus e Staphylococcusepidermidis produtores de penicilinase. Os principais fármacos são a meticilina, nafcilina, oxacilina e cloxacilina.
  • Penicilinas com atividade antimicrobiana ampliada para incluir microrganismos gram-negativos: a ampicilina e amoxicilina estão entre as constituintes deste grupo, elas podem ser usadas para tratar infecções causadas por Haemophilusinfluenzae, E.coli e Proteusmirabilis.
  • Penicilinas com atividade antimicrobiana ampliada:incluem espécies de Pseudomonas, Enterobacter e Proteus, Carbenicilina, Indanil-carbenicilina e Ticarcilina são os fármacos deste grupo. São menos ativos que a piperacilina contra Pseudomonas. 
  • Mezlocilina, azlocilina e piperacilina: altamente ativos contra Pseudomonas e Klebsiella, além de alguns outros microrganismos gram-negativos.]


As penicilinas também podem ser classificadas em:


  • Penicilinas naturais ou benzilpenicilinas: penicilina cristalina, penicilina G procaína, penicilina G benzatina e penicilina V;
  • Aminopenicilinas: ampicilina e amoxacilina;
  • Penicilinas resistentes ás penicilinases: oxacilina; 
  • Penicilinas de amplo espectro: ampicilina–sulbactam, ticarcilina-ácido clavulânico, piperacilina–tazobactam e amoxicilina-ácido clavulânico.


FARMACOCINÉTICA

  • Absorção: após a administração oral das penicilinas, a absorção varia muito entre estes fármacos, alterando de acordo com a estabilidade em ácido e a ligação às proteínas. A nafcilina é inapropriada para uso oral pois sofre absorção errática. Já a ampicilina, amoxicilina e dicloxacilina são relativamente bem absorvidas e estáveis em ácido.
  • Distribuição: a nafcilina se liga fortemente às proteínas e conseqüentemente atinge concentrações menores no soro do que as penicilinas que não se ligam tão fortemente às proteínas (penicilina G ou ampicilina). A benzatina e a procaína foram desenvolvidas para retardar a absorção, levando a concentrações prolongadas no sangue e nos tecidos.
  • Excreção: a excreção renal ocorre rapidamente, porém, outras vias também participam, dentre elas a excreção no escarro e no leite. A ampicilina e as penicilinas de espectro ampliada sofrem secreção mais lenta do que a penicilina G. A oxacilina é excretada tanto por via renal como biliar, portanto não é necessário fazer ajuste da dose em casos de insuficiência renal. Já depuração da nafcilina ocorre principalmente por excreção biliar.


EFEITOS ADVERSOS

A classe das penicilinas é extremamente diversificada, o que provoca gama variada de potenciais efeitos adversos.

Os efeitos adversos das penicilinas que você precisa obrigatoriamente saber são:


  • Toxicidade renal: a manifestação mais frequente é a nefrite intersticial alérgica, e é mais comum com oxacilina. Além de febre o paciente apresenta “rash”, hematúria e eosinofilia. Este quadro é revertido com a suspensão imediata do medicamento, porém se o uso for mantido pode ocorrer insuficiência renal irreversível.
  • Neurotoxicidade: quando o paciente utiliza doses elevadas de penicilinas e possui insuficiência renal podem ocorrer convulsões e problemas musculares. É importante salientar que as convulsões cessam apenas com a retirada do antimicrobiano, pois são refratárias aos anticonvulsivantes. 
  • Reações de hipersensibilidade: as reações de hipersensibilidade (alergia) com as penicilinas, especialmente com as benzilpenicilinas, ocorrem com aproximadamente 8% dos pacientes, apesar de estes fármacos apresentarem pouca toxicidade. Essas reações podem variar desde uma reação urticariforme até choque anafilático. É importante lembrar que a penicilina deve ser administrada apenas em instituições de saúde, pois existe a possibilidade de ocorrer reação grave, portanto não deve ser administrada em farmácias já que o teste cutâneo não impede a ocorrência de choque anafilático. 
  • Toxicidade hematológica: ocorrem raramente porém é importante citar a trombocitopenia e a anemia hemolítica. Pode ocorrer leucopenia dose e tempo-dependente e desordens hemorrágicas, devido a alterações na agregação plaquetária, do mesmo modo que ocorre com a aspirina.  
  • Manifestações cutâneas: ocorrem mais frequentemente com as aminopenicilinas, geralmente de forma tardia e entre 1 a 10% dos pacientes. Podem variar desde rubor (eritema), rash cutâneo (erupções vermelhas), placas urticariformes, até síndrome de Stevens-Johnson em casos mais raros.






prescrição de enfermagem

  • Manter alojamento conjunto- MANTENDO
  • Complemento 3/3horas após as mamadas SN- SN
  • Controle sinais vitais 6/6 h-  14 20 02 08 
  • Realizar punção venosa SN- SN
  • Controlar gotejo em BI- ATENÇÃO
  • Observar e anotar diurese e evacuações- nas 24 horas
  • Realizar apoio psicológico- CONTÍNUO
  • Observar acesso venoso- ATENÇÃO
  • Encaminhar e a/ou auxiliar no banho- ATENÇÃO
  • Trocar equipo e bureta-  ROTINA
  • Observar eliminações em fraldas- ATENÇÃO
  • Manter cabeceira elevada- ATENÇÃO

EVOLUÇÃO DE ENFERMAGEM

09/07/2020 08h 15min: Recebo R.N. sexo masculino, com 24 horas de vida, em alojamento conjunto, berço comum, choroso, ativo e reativo ao manuseio, sugando bem seio materno, com boa pega. Realizado teste do olhinho pelo pediatra, reflexo vermelho bilateral presente, realizo teste do coraçãozinho que tem resultado dentro dos padrões normais =SPO2 MSD 98% e MID 99%, peso=3,00mg, aferido sinais vitais, pulso apical 140 BPM, frequência respiratória 52 movimentos por minuto, temperatura 36,5ºC, SPO2 98%. Coto umbilical com aspecto gelatinoso, l realizado curativo com álcool 70% e gaze após banho. Exame VDRL positivo, iniciado antibioticoterapia conforme prescrição médica. Mantendo solução EV em BI a 5ml/hora via cateter sobre agulha nº24 na região do pé esquerdo. Mantem bomba de seringa instalada para medicação. Eliminações vesicais e intestinais presentes em fralda, realizada a troca, presença de diurese em média quantidade, mecônio em grande quantidade. Orientado para cuidados gerais a puérpera e quanto à amamentação do R.N. Est..tec..enf. Priscila  

Conclusão

Hoje em dia o caso de sífilis é muito comum, pois as mulheres não se cuidam, muitas vezes não fazem nenhum exame para confirmar se tem a doença, outras vezes acabam peando de seus parceiro e em decorrência disso acaba passando pro bebe via cordão umbilical; a maioria ficam com vergonha de ir atrás de tratamento, prejudicando assim o seu filho.


A sífilis congênita pode matar o feto, ou vindo com má formação ou até mesmo a puérpera ter um aborto, a criança pode ter sinais logo que nasce ou até 2 anos após o parto.


Minha opinião que existe muita irresponsabilidade das gestantes, pois algumas nem sequer fazem o tratamento necessário para sífilis, afetando assim seu próprio filho, onde muitas vezes a criança nasce com má formação, ou muitas vezes nem chega a nascer.

Referências

. Disponível em: http://bioemfoco.com.br/noticia/sifilis-congenita-como-evitar/. Acesso em: 14 set. 2020.

. Disponível em: https://www.gndi.com.br/saude/blog-da-saude/sifilis-o-que-e-e-como-evitar. Acesso em: 8 set. 2020.

. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-infantil/infec%C3%A7%C3%B5es-em-rec%C3%A9m-nascidos/s%C3%ADfilis-em-rec%C3%A9m-nascidos. Acesso em: 10 set. 2020.

. Disponível em: https://www.sanarsaude.com/portal/concursos/artigos-noticias/penicilinas-artigo-farmacia-tudo-que-voce-precisa-saber. Acesso em: 15 set. 2020.

. Disponível em: https://www.spsp.org.br/2016/09/22/sifilis-congenita-prevencao-tratamento-e-seguimento/. Acesso em: 9 set. 2020.

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