ESTEREÓTIPOS SOCIAIS NOS CONTOS ” A SOLUÇÃO”, “UMA AMIZADE SINCERA” E ” OS DESASTRES DE SOFIA” DO LIVRO “A LEGIÃO ESTRANGEIRA” (1999) DE CLARICE LISPECTOR

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS

ESTEREÓTIPOS SOCIAIS NOS CONTOS ” A SOLUÇÃO”, “UMA AMIZADE SINCERA” E ” OS DESASTRES DE SOFIA” DO LIVRO
“A LEGIÃO ESTRANGEIRA” (1999) DE CLARICE LISPECTOR

ANNA ELIZA ANANIAS REIS

Resumo

O presente trabalho, tem como proposta a análise social e psicológica dos personagens de Clarice Lispector, nos contos “Os desastres de Sofia”, “A solução” e “Uma amizade sincera”, do livro Legião Estrangeira (1999), baseando-se em uma visão de estereótipos sociais.

Palavras-chave: Psicologia social. Esteriótipos. Contos.

Introdução

Nas pesquisas mais recentes, nas obras da Clarice Lispector,em sua maioria, os estudos partem para uma análise do subconsciente, ou sobre a definição da mulher. Mas a partir da Leitura de “Métodos críticos para a análise literária”(2006), “Psicologia social : o homem em movimento”(2012), “Subliminar: como o inconsciente influencia nossas vidas”(2013), e outras teorias, que abordem o tema de psicologia social, é possível traçar uma análise social e psicológica dos personagens de Clarice Lispector, nos contos “Os desastres de Sofia”, “A solução” e “Uma amizade sincera”, do livro “Legião Estrangeira” (1999), baseando-se na perspectiva de estereótipos sociais.

O livro “A legião estrangeira” (1999) traz consigo histórias tão comumente abordadas, e um final tão abstratamente impensável, que nos leva à reflexão sobre as absolvições individuais, situações, e vivências sociais como preconceitos, marginalização e a solidão. Por se tratarem de contos, algumas deduções são preenchidas automaticamente no decorrer da leitura, embora não haja uma explicação completa. Os nomes e as imagens montadas dos personagens, por exemplo, podem ser atribuídas com representações estereotipadas. Seguindo a deixa, Clarice parece envolver o leitor em algum tipo de preconceito de origem social. O pré-conceito que a maioria monta em suas cabeças a partir da aparência, personalidade e estilo, induzindo o leitor a se aproximar da sua referencia estética, para compreender as atitudes dos personagens, mesmo que os paradigmas inferidos de quem lê, seja desmontado no decorrer da leitura.

Sendo que, nos textos de Clarice, é possível observar como seus personagens mesmo em ações simples e cotidianas têm razões poeticamente conflituosas dentro de seu consciente. Cada desencadear de suas elaborações práticas da vida são levadas ao declínio, mudanças ou dissociações a ordem e construções de seus pensamentos ou sentimentos. O que é atribuído no conto “A solução”, que coloca dois extremos de pessoas com físicos diferentes, e, portanto também comportamentos diferentes. No “Uma amizade sincera”, em uma aproximação de dois jovens, que acreditam serem pertencentes a um mesmo idealismo. Já em “Os desastres de Sofia”, com uma quebra de paradigmas por estereótipos, em uma relação estranha e singular de professor e aluna.

Ainda que sutilmente, a autora leva aos questionamentos fundamentais sobre os teares da vida, e que rodeiam as bases das personificações dos sujeitos centrais. Desta maneira, Clarice parece guiar o leitor não só na introspectiva inconsciente dos seus protagonistas até sua explosão repentina. Ela submerge quem está lendo na sua própria montagem de fluxo narrativo, com personagens de atitudes que fogem de um padrão que seus estereótipos intitulam ter.

Isto posto, os objetivos da pesquisa será retratar os contos “A solução”, “Os desastres de Sofia” e “Uma amizade sincera” de Clarice Lispector, com uma visão social sobre definição interpessoal, sobre qualificações e desapropriamento, visando os personagens principais de cada conto. Tentar compreender como os estereótipos estabelecidos pelo o autor na obra podem influenciar, na hora da leitura, o desencadear narrativo. Tendo que destacar as características e personalidades de cada personagem, contextualizados em sua narrativa, e estabelecer uma exploração de seus comportamentos da forma em que foram expostos, e o porquê.

Revisão de literatura

   A maior parte dos leitores das obras de Clarice faz exaltação sobre a característica única da autora em escrever o subconsciente e sentimentos de seus personagens. Com detalhes envolventes e uma escrita convidativa, leva o leitor a questionamentos sobre atitudes de vida e conflitos sentimentais. Delicadamente, ou bruscamente, como é o caso de G.H. no livro “A paixão segundo G.H.” e sua reflexão a partir de uma barata, formando um questionamento sobre o nosso controle dos pensamentos. Ou, até onde nosso subconsciente nos controla?

   Clarice, com seus entraves psicológicos, monta personalidades marcantes e transitórias, de pensamentos conflituosos e dominadores. E até onde isso impacta nas ações dos personagens, é delimitado de forma esmiuçada. Mas é interessante levar em consideração, não somente o interno de seus personagens, mas também o externo. Apontando que, a construção do indivíduo, seja o reflexo, o espelhamento que ele tem de alguém, a sociedade. E, portanto, os personagens de Lispector, com suas indagações sobre eles próprios, espelham-se e comparam-se, com um todo ou nas suas múltiplas faces. Julgam-se, e se permitem serem julgados. Porque e para quê? Autoavaliação em unicidade substancial, ou enquadramento social?

Para que se possa falar das indagações, e saciar dúvidas do subconsciente, que se mostra em peso nas obras de Lispector, o livro “Métodos críticos para a análise literária” (2006), traz um suporte teórico de crítica psicanalítica recorrente de Freud, o pai do inconsciente. Sem deixar de apurar que, para se falar de individuo e social, é necessário ir além do subconsciente, e apreender sobre um todo maior, partir para estudos de indivíduos e fatores externos, a sociedade. E para isso, “Psicologia social: o homem em movimento” (2012), com a visão de diferentes autores, coloca em pauta estas tópico, a dimensão das representações sociais, a identidade, o fazer e o inconsciente.


Refletir sobre estas contradições e suas consequências fará com que a ação decorrente seja um avanço no processo de conscientização. Se esta reflexão não ocorre, o pensar a ação se caracterizará por um resposta pronta, tida como “verdadeira”, já elaborada pelo grupo, reproduzindo a ideologia e mantendo o indivíduo alienado. (LANE,2012,p.43)

    

Não deixando de fora também, o leitor, que submerso nas obras, ainda possuem suas próprias visões sobre o mundo. As avaliações dele acima do personagem, também são necessárias para que haja o fluxo narrativo da história. No caso de Clarice, para a captação dos encaminhamentos psicológicos dos personagens. Contudo, já que:


 “O autor, se pensarmos a partir das ideias de Eco, encaminha seu texto de forma a construir um leitor que será capaz de formular significações. É preciso prever o leitor a quem se se dirigir, a fim de se propor elementos que possam ser possivelmente atualizados” (ASSIS BRASIL, 2012, p.50)

  

 As inferências em Clarice nos levam a ponderação sobre os papéis de cada um na sociedade. Dos desdobramentos externos somados com os internos. Pois então, a categorização dos acontecimentos e personagens. E como não se utilizar de estereótipos sociais, que determinam que certas características são para determinada “x” pessoa? E sendo uma ferramenta de vários utilizadores, constantemente mais padronizado e de conhecimento geral, não seria ela utilizada também pela autora? Questões estas que podem ser respondidas com “Subliminar: Como o inconsciente influencia nossas vidas” (2013), que traz uma definição mais apurada sobre estereótipos e a suas redefinições ao longo do tempo, trazendo observações do uso constante de categorização de analises estereotipadas, em diferentes situações. Assim como representado em :


Embora classificações por raça, religião, gênero e nacionalidade ganhem mais páginas na imprensa, nós classificamos pessoas de muitas outras maneiras também. É provável que todos possamos nos lembrar de casos em que juntamos atletas com atletas ou banqueiros com banqueiros, quando nós e outros classificamos pessoas que conhecemos de acordo com profissão, aparência, etnia, educação, idade, cor do cabelo e até pelos automóveis que dirigem. (MLODINOW,2013,p.131)

Metodologia

Como o estudo será nas obras de Clarice Lispector e necessitará de pesquisas na área de psicologia social, as análises e apontamentos será de caráter qualitativo, já que, propõe analisar os dados , de forma não a obter um resultado de enumeração e medidas, e sim para avaliar e compreender os eventos aqui expostos.

Serão utilizadas diversas abordagens, para encontrar diferentes e vários autores que tratam ou se aproximem do tema do trabalho. Então, os estudos serão desenvolvidos com pesquisa bibliográfica ao utilizar artigos, livros e teorias, para conceituar “Estereótipos sociais” e avaliar as obras de Clarice Lispector, que se encontram no livro já mencionado, “Legião Estrangeira” (1999).

Para a avaliação, e uma conclusão do pressuposto, será utilizado o método do fichamento, para abranger e centralizar as idéias principais. Assim, fazendo apontamentos sobre os contos, e das obras que foram propostas analisar. Para, finalizar com um embasamento teórico bem trabalhado que avaliem bem a cerca do tema.

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