ENSINO DA LITERATURA:  NAS SERIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SÃO JUDAS TADEU COORDENAÇÃO CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

ENSINO DA LITERATURA NAS SERIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

ANDRÉIA JULIÃO DA SILVA

Resumo

O presente trabalho a qual está sendo apresentado, é uma pesquisa de carácter qualitativa, com abordagens referente ao objeto de estudo, que traz como tema: O ensino da literatura Infantil, e como subtema: Nas séries iniciais do ensino fundamental. Com objetivo claro, e com bastante firmeza, busquemos destacar com títulos e subtítulos, o tem a qual está em abordagem. Em primeiro momento, no titulo primeiro, contém a introdução da pesquisa, onde está a contextualização de forma resumida, sobre o tema da monografia. Ainda na introdução, encontra-se o o tipo de pesquisa, e a rede de ensino que nos levou e nos incentivou a pesquisa. Partindo para o ato da contextualização mais abrangente, no segundo titulo, procuremos abordar sobre, o que é literatura infantil? O ensino da literatura infantil, como surgiu a literatura brasileira, o surgimento de tudo. No terceiro titulo de forma sucinta abordamos sobre as inquietações: Conceito de literatura. O que é literatura no geral? A criança e o mundo da literatura. No quarto e último titulo desta pesquisa, está contextualizada, as considerações finais, onde contém a conclusão da presente pesquisa. Cominando-se de forma clara e objetiva, as expectativas, e resultados que se pode alcançar ao longo de todo processo de pesquisa. Sendo assim vale aqui ressaltar que esta é uma pesquisa qualitativa, onde procuremos mostrar teoricamente a realidade do ensino da literatura infantil nas séries iniciais, com conhecimentos de algumas escolas, que fazem parte da rede municipal de ensino do munícipio de Icó-Ceará.

Palavras-chave: Ensino. Literatura. Conceito. Criança.

Abstract

The present work, which is being presented, is a qualitative research, with approaches referring to the object of study, which has as its theme: The teaching of children’s literature, and as a motto: In the initial grades of elementary school. With clear objective, and with enough firmness, we seek to emphasize with titles and subtitles, the has which is in approach. First, in the first title, it contains the introduction of the research, where contextualization is summarized, on the theme of the monograph. Still in the introduction, there is the type of research, and the educational network that took us and encouraged the research. Starting with the most comprehensive contextualization act, in the second title, let us try to talk about what is children’s literature? The teaching of children’s literature, as it appeared in Brazilian literature, the emergence of everything. In the third title we have summarized the concerns: Literature concept. What is literature in general? The child and the world of literature. In the fourth and last title of this research, the final considerations are contextualized, where it contains the conclusion of the present research. Beginning in a clear and objective way, the expectations, and results that can be achieved throughout the research process. Thus, it is important to emphasize that this is a qualitative research, where we try to show theoretically the reality of the teaching of children’s literature in the initial series, with knowledge of some schools, which are part of the municipal education network of the municipality of Icó-Ceará.

Palavras-chave: Teaching. Literature. Concept. Child.

Introdução

     Atualmente, sabe-se que os anos iniciais não são apenas um espaço para ensinar ler e escrever, mas também para educar a outras áreas do conhecimento. E isto significa abrir novos horizontes onde a criança possa descobrir, criar e construir seu aprendizado. Nada melhor do que a leitura para proporcionar isso. Uma das formas mais prazerosas para realizar a leitura é por meio de histórias infantis. Através delas, pode-se entrar num mundo magnífico, onde tudo é possível, ao mesmo tempo em que se ensinam lições maravilhosas, aproximando assim os alunos das atividades lúdicas. Para isso, não se pode deixar de lado o prazer da descoberta, que não é possível tornando o hábito da leitura como algo obrigatório. Se isto ocorrer, a leitura torna-se um fardo, levando o educando não desfrutar do prazer que poderia resultar de seu ato.

      A literatura infantil proporciona às crianças diferentes experiências com a linguagem e com os sentidos, ou seja, possibilita o seu desenvolvimento linguístico e cognitivo. Permitindo assim, que elas possam ter acesso à leitura e a escrita de maneira divertida, pois quanto mais as crianças lerem, melhores desenvolvimentos na escrita obterão. Lendo constantemente, a criança escreverá melhor, pois há uma internalização das estruturas da língua. Por isso, é importante aproximar as crianças dos livros literários.

     O professor deve estimular seus alunos à leitura desde os anos iniciais, pois esse incentivo consequentemente irá refletir no futuro das crianças. Evidentemente existe uma enorme diferença entre uma criança que desde a infância se envolve no mundo da leitura e um adolescente ou adulto que o faz tardiamente.

     Diante disso, o professor encontra um grande dilema: Como fazer com que seus alunos despertem o gosto pela leitura? A literatura infantil é desta forma, uma ferramenta que poderá auxiliá-los nessa empreitada. Desta pesquisa emergiu o seguinte problema: Quais as contribuições da literatura infantil nos anos iniciais do Ensino Fundamental para a formação de leitores?

     Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa de caráter qualitativo, realizada com o objetivo de conhecer o ensino da literatura Infantil das escolas de séries iniciais, em particular na Escola Municipal Manoel Porfirio de Lima, Vila São José, Distrito de Pedrinhas, Icó-Ce.

     Traçamos como objetivo geral investigar a contribuição da literatura infantil para a formação de leitores. Os objetivos específicos são: identificar a importância da literatura infantil, verificar projetos desenvolvidos na escola acerca da leitura e observar a prática pedagógica dos professores para despertar o interesse pela literatura infantil.

    As inquietações levantadas nessa pesquisa foram: O que Literatura Infantil ? O ensino da Literatura nas Escolas. Conceito sobre literatura. Como surgiu a Literatura Infantil? Como começou tudo aqui no Brasil. O ensino da literatura na Escola Municipal Manoel Porfirio de Lima, Docente, Discentes, Escola. Optei pela literatura infantil, pois todas as crianças em geral gostam dos clássicos, do maravilhoso que as histórias contam. Podemos trabalhar a oralidade através de teatros, fantoches, contar e recontar histórias e a escrita, onde as crianças irão usar a imaginação e a criatividade para escrever suas próprias histórias, ilustrando-as, tornando as aulas mais atrativas, trabalhando assim a literatura infantil de maneira agradável e lúdica.

      A ideia é de mostrar a importância de se adquirir desde cedo o hábito da leitura. Os alunos devem estudar cada clássico em sua totalidade explorando-o ao máximo, interpretando-o, analisando-o com criticidade, passando para os colegas o seu entendimento e não apenas fazer uma leitura simples descontextualizada, sem reflexão como observamos muito ainda hoje em nossas escolas.

. A LITERATURA INFANTIL NA ESCOLA

2.1 O que é Literatura Infantil?

    A Literatura infantil é, antes de tudo, literatura, ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o Mundo, o Homem, a Vida, através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática; o imaginário e o real; os ideais e sua possível/impossível realização. (Cagneti,1996 p.7)

     A literatura infantil leva a criança à descoberta do mundo, onde sonhos e realidade se incorporam, onde a realidade e a fantasia estão intimamente ligadas, fazendo a criança viajar, descobrir e atuar num mundo mágico; podendo modificar a realidade seja ela boa ou ruim.

“A história da literatura infantil tem relativamente poucos capítulos. Começa a delinear-se no início do século XVIII, quando a criança pelo que deveria passa a ser considerada um ser diferente do adulto, com necessidades e características próprias, pelo que deveria distanciar-se da vida dos mais velhos e receber uma educação especial, que a preparasse para a vida adulta”(.Cunha,1999,p22)

Antes disso, a criança, acompanhando a vida social do adulto, participava também de sua literatura. Existiam no século XVIII, duas realidades. A criança da nobreza, orientada por preceptores, lia geralmente os grandes clássicos, enquanto a criança das classes desprivilegiadas lia ou ouvia as histórias de cavalaria, de aventuras. As lendas e contos folclóricos formavam uma literatura de cordel de grande interesse das classes populares.

     Devido à concepção de infância que estava se constituindo, fez-se necessário novos mecanismos para “equipar” e “preparar” a criança para enfrentar mais tarde o meio social. A escola tornou-se, então, uma instituição legalmente aberta, não só para a burguesia, mas para todos os segmentos da sociedade e a literatura infantil vem, então validar esse processo de escolarização; isto porque, como a escola “ trabalha sobre a língua escrita, ela depende da capacidade de leitura das crianças, ou seja, supõe terem esta passado pelo crivo da escola” (Apud, Lajolo e Zilberman, 1991, p. 18)

      No caminho percorrido, à procura de uma literatura adequada para a infância e juventude, pode-se observar duas tendências próximas daquelas que já influenciavam a leitura das crianças: dos clássicos, fizeram-se adaptações e do folclore, nasceu os contos de fada, até então quase nunca voltados especificamente para a criança.

     A literatura infantil desde a origem sempre foi ligada à diversão ou ao aprendizado das crianças, acreditava-se que seu conteúdo deveria ser adequado ao nível da compreensão e interesse desse peculiar destinatário. Como a criança era vista como um adulto em miniatura, os primeiros textos infantis resultaram de adaptações ou da minimização de textos escritos para os adultos. Expurgadas as dificuldades de linguagem, as digressões ou reflexões que estariam acima do que eles consideravam possível para a compreensão infantil; retiradas as situações de conflitos não exemplares e realçando principalmente as ações ou peripécias de caráter aventuroso ou exemplar, as obras literárias eram reduzidas em seu valor intrínseco, mas atingiam o novo objetivo; atrair o pequeno leitor/ouvinte e levá-lo a participar das diferentes experiências que a

vida pode proporcionar ao nível do real ou do maravilhoso.

   Apud, Coelho (1986) argumenta que literatura é arte, é um ato criativo que, por meio da palavra, cria um universo autônomo, realista ou fantástico, onde os seres, coisas, fatos, tempo e espaço, mesmo que se assemelhem ao que podemos reconhecer no mundo concreto que nos cerca, ali transformado em linguagem, assumem uma dimensão diferente: pertencem ao universo da ficção.

     A literatura infantil tem importância fundamental em vários aspectos da educação das crianças, principalmente em relação à formação de alunos que gostam de ler, pois ela estimula-os à leitura através do atrativo e do belo que compõe os textos literários. Apud Cunha (1974, p.45) afirma que:

A Literatura Infantil influi e quer influir em todos os aspectos da educação do aluno. Assim, nas três áreas vitais do homem (atividade, inteligência e afetividade) em que a educação deve promover mudanças de comportamento, a Literatura Infantil tem meios de atuar.

     Os irmãos Grimm, colecionadores de histórias folclóricas, estão assim ligados à gênese da literatura infantil. Tiveram seus contos republicados e adaptados uma infinidade de vezes, a tal ponto que hoje tais relatos se apresentam demasiadamente modificados.

      Em cada país, além dessa literatura tornada universal, vão aos poucos surgindo propostas diferentes de obras literárias infantis.

2.2 O Começo de tudo

“No Brasil, a literatura infantil tem início com obras pedagógicas e, sobretudo adaptações de obras de produções portuguesas, demonstrando a dependência típica das colônias”(Cunha, 1999,p.23) No final do século XIX estava sendo mudado o regime político no Brasil; a República adotada a partir de 1889 substituía a Monarquia, após o longo reinado de D. Pedro II, Imperador desde1840.

     Nas últimas décadas do século XIX, os países europeus no qual o Brasil se espelhava começavam a transitar para o regime republicano que, à primeira vista, parecia mais democrático. Por meio de eleições periódicas e livres, os dirigentes podiam ser trocados de modo que a Sociedade dispunha de ocasiões mais numerosas para manifestar insatisfação quando essa acontecia. Além disso, o regime republicano quando acompanhado de consultas aos votantes, oportunizava a um maior números de pessoas declarar sua opinião mostrando-se pois mais liberal e dinâmico. Nesse novo Brasil de transformações ao final do século XIX, se dá o aparecimento dos primeiros livros para crianças escritos e publicados por brasileiros; mas é com Monteiro Lobato que tem início a verdadeira literatura infantil brasileira.

2.3 O início da literatura infantil brasileira

     De acordo com Cademartori (2010), em meados dos anos de 1986, período em que escreveu a primeira edição de O que é literatura infantil, o gênero literário destinado às crianças começou a ser alvo de discussões e a ser valorizado pela comunidade acadêmica. Nesta época o Ministério da Educação distribuiu livros literários para as crianças nas escolas e bibliotecas do país. Essa iniciativa pioneira era denominada, Programa Salas de Leitura e era desenvolvido pela Fundação de Assistência ao Estudante.

     Conforme Frantz (2011), a história da literatura infantil brasileira começa com Monteiro Lobato. Ele foi o primeiro autor que escreveu para as crianças brasileiras, histórias com qualidade literária. Antes a literatura destinada às crianças, era a literatura europeia clássica, tradicional, traduzida ou adaptada para o idioma brasileiro. Em 1921 Monteiro Lobato publica a obra que inaugura a literatura infantil brasileira, intitulada A menina do narizinho arrebitado.

2.4 O ENSINO E A LITERATURA NA ESCOLA

     Hoje, nos deparamos com inúmeros educadores que enfatizam a importância da literatura a ser inserida em sala de aula. No entanto, não basta oferecer obras aos alunos para transformá-los em leitores. É preciso motivá-los, com textos que tenham um significado para sua realidade. Assim, podemos observar a afirmação de Lajolo (1994, p. 15): “Ou o texto dá um sentido ao mundo, ou ele não tem sentido nenhum. E o mesmo se pode dizer de nossas aulas”.

     A escola tem papel fundamental no processo de formação do leitor, onde o aluno adquire a habilitação inicial na prática da leitura. Nesse sentido, possui o compromisso de despertar o gosto de ler e o hábito da leitura.

     A leitura de história é um momento em que as crianças passam a viver, pensar, agir e interpretar o universo de valores e comportamentos com outras culturas. Neste sentido, exige-se dos profissionais que atuam no processo aprendizagem, criticidade, criatividade, reflexão com capacidade de pensar, de aprender a aprender, de trabalhar em equipe e de se conhecer como indivíduo.

     Entende-se que, a educação tem a responsabilidade de formar cidadãos na construção do conhecimento do aluno e no desenvolvimento de novas competências necessárias a sua atuação na sociedade de forma autônoma e participativa.

      Como se pode verificar, a leitura oral, a produção escrita e a contação de histórias não é valorizada pela maioria dos professores. E muitos profissionais da educação não se comprometem em buscar e trabalhar com uma nova postura em relação ao assunto. Poucos são os que aceitam este desafio e se esforçam em realizar com destreza no sentido de incutir em seus alunos o despertar pelo mundo da leitura.

     Observa-se, que as transformações são inúmeras no contexto social, cultural e educacional. A sociedade, os recursos tecnológicos avançam e se inovam a cada dia.

     Assim, a realidade educacional, também recebe influências desta nova estrutura vivenciada pelas famílias. Então, a leitura recebe a cada dia novos recursos e procedimentos para ser desenvolvida.

     Os meios de comunicação, como por exemplo, a televisão, o computador, a internet, os anúncios, são leituras que a criança tem acesso rápido, fácil e de forma interativa com inúmeras informações e conhecimentos interessantes. Então, os profissionais da educação devem estar atentos a essas transformações e procurar explorar esses meios para incentivar e motivar a leitura no processo educacional.

      De acordo com inúmeras formas de escrita. Abaurre (1989), citada por Teberosky e Cardoso (1989), apontam:

A escrita de ingredientes de receita e outras listas significativas, a escrita de canções, a produção escrita coletiva de cartões postais, a escrita individual, coletiva ou em duplas de narrativas, a elaboração de slogans e de noticias para o jornal da Escola, os relatos escritos em primeira pessoa, são algumas das atividades, descritas que permitem acompanhar o percurso das crianças desde suas preocupações iniciais com a base alfabética de a escrita até os questionamentos sobre a colocação dos espaços entre branco entre as palavras e sobre sua possível classificação. ( Apud,TEBEROSKY e CARDOSO, 1989, p.8).

      O ensino da leitura exige bastante cuidado; e, quanto mais desenvolta a criança estiver em leitura, mais fácil será para ela adquirir outros conhecimentos. Para motivar uma criança a ler é preciso dar-lhe uma série de motivos que a estimule e que a faça sentir uma necessidade crescente de ler. Sabe-se que esse é um objetivo difícil de atingir, mas, por outro lado, sabe-se também como é importante caminhar nessa direção.

     A criança procura o livro como uma forma de recreação, para se sentir e adquirir novas realidades que venham enriquecer seu mundo interior. Para despertar a atenção da criança e ser por ela assimilado, o livro deve estar ligado aos seus interesses e estar relacionado com o seu cotidiano, com sua experiência de mundo, pois só assim ele será atrativo e prazeroso para a criança.

     Assim, compreendemos que o primeiro passo é motivarmos nossos alunos para despertar o prazer pela leitura. Lajolo (1994, p. 105) afirma que:“A literatura constitui modalidade privilegiada de leitura, em que a liberdade e o prazer são virtualmente ilimitados”.

     Desta forma, compreendemos que o aluno deve ter sua criatividade aguçada, para que passe a gostar e ter o hábito de leitura. Sabemos das infinitas possibilidades de trabalho com a literatura infantil em sala de aula. Cabe agora o professor organizar esse trabalho.

     Sabemos que são inúmeros os objetivos da leitura e que esses podem variar bastante, servindo para resolver um problema prático, para comunicar, estudar, escrever ou revisar o próprio texto. Mas, qualquer que seja a sua finalidade, a leitura nos leva sempre a compreender, interpretar e a transformar informações em conhecimentos.

     Neste contexto, o objetivo da escola é formar leitores autônomos, que vejam no ato da leitura um modo útil para aprender significativamente, mesmo fora do cotidiano escolar, conhecimentos para a vida, como forma de mudança de realidade, de horizontes, saindo do conhecimento empírico para o conhecimento sistemático.

      É importante lembrarmos que a leitura deve ser uma atividade de interação: “No processo [de leitura] são cruciais a relação do locutor com o interlocutor através do texto e da determinação de ambos pelo contexto num processo que se institui na leitura”. (KLEIMAN, 2001, p.39)

     Assim, é preciso que o aluno veja no texto lido, aspectos interessantes, que consiga aproximar o que lê de seu cotidiano, conseguindo interagir com a leitura realizada. Ele deve encontrar sentido no que lê e, para isso, deve ter uma idéia do texto que lhe é apresentado, para que possa fazer inferências necessárias, visando relacionar o que lê com seu dia-a-dia.

     Além de motivar, a leitura tem a função de auxiliar o crescimento intelectual e psicológico da criança. Para isso, ela não pode ser encarada como obrigação, mas como algo agradável, conforme enfatiza Sordi (1991, p. 189): “(…) a literatura não pode ser imposta como uma tarefa, uma obrigação. Ela deve ser uma atividade prazerosa, que tem na escola um terreno fértil para se desenvolver”.

      A leitura constitui-se na melhor maneira para aprimorar vários aspectos na aprendizagem, como o sensorial (pelo manuseio do livro), o emocional (ao provocar sentimentos diversos no leitor) e o racional (ao produzir reflexão, que constrói o conhecimento e reordena a visão de mundo). Podemos, então, concluir que há um consenso sobre a importância da leitura. Tanto que Cadematori (1987, p. 80) coloca que: “O papel da literatura nos primeiros anos é fundamental para que se processe uma relação ativa entre falante e língua”.

     Através do texto podemos construir uma ligação com certos aspectos da realidade. A leitura proporciona o conhecimento das forças e relações que regem o mundo, possibilitando o exercício da crítica. A leitura proporciona também o prazer da liberdade, possibilita a mudança, o sonho, a fantasia. Tudo isto somente é possível se houver prazer na leitura e não uma obrigação chata e sem sentido.

     Dentre as questões mais polêmicas que pairam sobre nossas instituições de educação básica, a questão do trabalho com livros literários, desde a sua finalidade, bem como a metodologia a ser utilizada em sala de aula, tem despertado grande interesse, dentro e fora da escola. Várias discussões sobre o papel do texto literário dentro da formação dos educandos, sobre o assunto que deva ser abordado para que aja uma interação entre a criança ou o adolescente e o universo artístico da obra literária, sobre o tipo de leitura que o professor deve utilizar em sala de aula, todas essas preocupações tem-se tornado constante entre os membros da classe educacional.

     A importância e necessidade do livro literário em sala de aula é algo incontestável. Fonte inesgotável do saber, a literatura, sendo uma atividade cognitiva amplia o processo perceptivo do leitor. O profissional da educação nunca deve perder de vista o princípio artístico, pois a literatura é, antes de mais nada é arte, uma criatividade que representa o ser humano, o universo, a vida por meio da palavra, numa relação entre o sonhar e viver, prática, entre a utopia e a realidade. De acordo com Coelho (1991, p. 25):

     Na verdade, desde as origens, a Literatura aparece ligada a essa função essencial: atuar sobre as mentes, onde se decidem as vontades ou as ações; e sobre os espíritos, onde se expandem as emoções, paixões, desejos, sentimentos de toda ordem… No encontro com a Literatura (ou com a Arte em geral) os homens têm a oportunidade de ampliar, transformar ou enriquecer sua própria experiência de vida, em um grau de intensidade não igualada por nenhuma outra atividade.

 relações humanas, inserindo-o neste universo inesgotável que é a criação literária, sendo um dever capital dentro das instituições educacionais. Tarefa esta que vai muito além da simples transmissão de conceitos e regras.

3. CONCEITO DE LITERATURA

 3.1 O Que é Literatura?

    Justamente por ser a representação artística é tão vasto e multifacetado como a natureza humana, refletindo toda essa complexidade do ser humano, ao seu mundo e as suas relações existenciais, a literatura apresenta-se assim como algo misterioso, enigmático, fascinante e essencial. Diante disso, a arte literária torna-se uma necessidade vital para o homem, pois, através do trabalho com a linguagem, do prazer estético que o livro aborda, aguça a criatividade do ser humano, abrindo sua mente para a formação de uma nova mentalidade, com novos pensamentos, novas idéias, ensinando-o a lidar com seus medos, seus anseios, seus sonhos e frustrações enriquecendo sua própria experiência de vida.     Para que isso aconteça de maneira correta e vantajosa para o aluno recorremos a Pinheiro (2008):Para o êxito do trabalho com a literatura em sala de aula, é necessário que o professor tome consciência do seu papel, enquanto mediador entre a obra de arte e o aluno; para que este reorganize seu conhecimento e sua consciência-de-mundo, é imprescindível que, antes, o professor reorganize, também seus conhecimento e consciência-de-mundo. Sendo assim, o profissional da educação deve se orientar em três direções essenciais: a da literatura, como um leitor atento, crítico e constante; a da realidade social, como um cidadão consciente de seu papel transformador, de seu espírito crítico e criativo; e a da experiência docente, buscando, como profissional competente, novas formas de despertar em seus alunos o gosto pela leitura e a posição crítica frente à mesma, transformando-os em leitores autônomos. (In: Folha da Região Online)      Dentro do trabalho com literatura em sala de aula, devem-se ter uma atenção especial para a leitura dos clássicos da literatura Infantil, estudando-os em sua totalidade, interpretanto-o, analisando-o, com criticidade, passando para os colegas o seu entendimento sobre determinado livro, fazendo assim uma leitura contextualizada. Essas obras que demonstram a genialidade e a criatividade da mente do homem no decorrer da história da humanidade. Livros estes que resistiram ao tempo, pois trazem em seu interior a essência da verdade; não a simples verdade de uma época ou de uma sociedade, mas, sim, algo que é universal e atemporal: valores éticos, morais e filosóficos, medos e preocupações, questionamentos que povoam a mente do ser humano em qualquer período histórico. Tais livros, diante da sua essência perene, possuem a capacidade de satisfazer a inquietação humana por mais que os séculos passem. Entrar no universo de sonhos, mágico e fantasioso, de Lewis Carroll (1832 – 1898) e Carlo Collodi (1826-1890) confrontar-se com ao conflito existente nos personagens dramáticos de William Shakespeare; chocar-se com o ambiente melancólido das histórias Robert Louis Stevenson (1850-1894), viajar pelo planeta Terra, por dentro dele mesmo ou além dele com os personagens aventureiros de Júlio Verne (1828-1905); entrar nas fascinantes e maravilhosas aventuras com os heróis de Jonathan Swift (1667-1745), vislumbrar o ser humano em constante luta em busca de realizações materiais e espirituais,em Charles Dickens(1812-1870); emociona-se com as complicações sentimentais dos heróis e heroínas de Emily Brontë (1818-1848), enfim, trazer para o aluno uma infinidade de aspectos da natureza e também das relações humanas, inserindo-o neste universo inesgotável que é a criação literária, sendo um dever capital dentro das instituições educacionais. Tarefa esta que vai muito além da simples transmissão de conceitos e regras.3. CONCEITO DE LITERATURA

 3.1 O Que é Literatura?

 Literatura é uma palavra com origem no termo em latim littera, que significa letra. A literatura remete para um conjunto de habilidades de ler e escrever de forma correta. Existem diversas definições e tipos de literatura, pode ser uma arte, uma profissão, um conjunto de produções, e etc.

     Literatura é a arte de criar e compor textos, e existem diversos tipos de produções literárias, como poesia, prosa, literatura de ficção, literatura de romance, literatura médica, literatura técnica, literatura portuguesa, literatura popular, literatura de cordel e etc. A literatura também pode ser um conjunto de textos escritos, sejam eles de um país, de uma personalidade, de uma época, e etc.

     O conceito de literatura tem sido alterado com o passar dos tempos, havendo alterações semânticas bastante relevantes. Para alguns povos latinos, a literatura tinha um teor subjetivo, representando o conhecimento dos letrados. Neste caso, a literatura não era contemplada como objeto do conhecimento, que pode ser estudado. Os povos de língua românica, inglesa e alemã não lhe alteraram o sentido, alteração que só aconteceu na segunda metade do século XVIII, quando o termo passou a designar o objeto de estudo, a produção literária, a condição dos profissionais, etc.

A literatura apresenta diverso gêneros, que agradam vários gostos e que são direcionados públicos diferentes, como por exemplo, a literatura de cordel, literatura infantil, etc.

     Literatura também é uma disciplina no âmbito escolar, onde os indivíduos estudam diversos autores e suas obras, suas contribuições para a literatura brasileira, normalmente, e temas como a lieratura portuguesa e a literatura barroca também estão presentes, além do colégio, em provas de vestibular.

     Sabemos que o reino das palavras é farto. Elas brotam de nosso pensamento de maneira natural, não temos a preocupação de elaborar o que dizemos ou até mesmo escrevemos. As palavras, contudo, podem ultrapassar seus limites de significação. Podendo, assim, conquistar novos espaços e passar novas possibilidades de perceber a realidade.

     O caminho que a literatura percorre é este. O artista sente, escolhe e manipula as palavras, as organiza para que produzam um efeito que vá além da sua significação objetiva, procurando aproximá-las do imaginário. A obra do escritor é fruto de sua imaginação, embora seja baseado em elementos reais. Da concretização desse trabalho surge então a obra literária.

     Dotado de uma percepção aguçada, o escritor capta a realidade através de seus sentimentos. Explora as possibilidades linguísticas e as manipula no nível semântico, fonético e sintático.

      A literatura é uma manifestação artística. E difere das demais pela maneira como se expressa, sua matéria-prima é a palavra, a linguagem. O texto literário se caracteriza pelo predomínio da função poética.

     A literatura, como manifestação artística, tem por finalidade recriar a realidade a partir da visão de determinado autor (o artista), com base em seus sentimentos, seus pontos de vista e suas técnicas narrativas. O que difere a literatura das outras manifestações é a matéria-prima: a palavra que transforma a linguagem utilizada e seus meios de expressão. Porém, não se pode pensar ingenuamente que literatura é um “texto” publicado em um “livro”, porque sabemos que nem todo texto e nem todo livro publicado são de caráter literário.

     Logo, o que definiria um texto “literário” de outro que não possui essa característica? Essa é uma questão que ainda gera discussão em diversos meios, pois não há um critério formal para definir a literatura a não ser quando contrastada com as demais manifestações artísticas (evidenciando sua matéria-prima e o meio de divulgação) e textuais (evidenciando um texto literário de outro não literário). Segundo José de Nicola (1998:24), o que torna um texto literário é a função poética da linguagem que “ocorre quando a intenção do emissor está voltada para a própria mensagem, com as palavras carregadas de significado.” Além disso, Nicola enfatiza que não apenas o aspecto formal é significativo na composição de uma obra literária, como também o seu conteúdo.

     “O que é literatura?” é antes de tudo uma pergunta histórica. O que conhecemos por literatura não era o mesmo que se imaginava há, por exemplo, duzentos anos quando, na Europa, o gênero literário “romance” começou a se desenvolver graças ao desenvolvimento dos jornais, que possibilitou uma maior divulgação do gênero, mudando o que se entendia a respeito do assunto. Se antes as “belas letras” eram compostas por composições em verso que seguiam uma estrutura formal de acordo com critérios estabelecidos desde a antiguidade, agora, com o advento e a popularização do romance, a forma de se entender a literatura foi modificada e novos gêneros textuais foram ganhando espaço. Exemeplo disso, é que, no século XX houve a atribuição de alguns gêneros considerados “menores” como cartas, biografias e diários à categoria “literária”.

     Um dos registros mais antigos que se tem acerca do tema deve-se a Aristóteles, pensador grego que viveu entre 384 e 322 (A. C.). Aristóteles elaborou um conjunto de anotações em que busca analisar as formas da arte e da literatura de seu tempo. Para isso, o pensador elaborou a teoria de que a poesia (gênero literário por excelência da época) era “técnica” aliada à “mimese” (imitação), diferenciando os gêneros trágico e épico do cômico e satírico e, por fim, do lírico. Segundo o filósofo, o que difere a arte literária, representada pela poesia, dos textos investigativos em prosa é a qualidade universal que a imitação permite. Ao imitar o que é diferente (épico e tragédia), o que é inferior (comédia e sátira) e o que está próximo (lírico), o artista cria a “fictio”, isto é, “ficção”, inventando histórias genéricas, porém verossímeis.

     Os escritos de Aristóteles são questionados nos dias de hoje, uma vez que a literatura sofreu uma evolução sem precedentes nos últimos séculos, aceitando novos gêneros e presenciando a criação de novos meios de veiculação, como a internet. Todos esses fatores acabam “diluindo” a definição clássica de literatura e gerando novas atribuições ao longo de seu desenvolvimento e recepção.

3.2 A criança no mundo da leitura: a literatura infantil

       De acordo com Carvalho (1989) a literatura – mitos, estórias, contos, poesias, qualquer que seja a sua forma de expressão, é um das mais nobres conquistas da humanidade, a conquista do próprio homem. É conhecer, transmitir e comunicar a aventura do ser. Só esta realidade pode oferecer-lhe a sua verdadeira dimensão. Só esta aventura pode permitir-lhe a ventura da certeza de ser .Apud, Zilberman (1994, p.22) argumenta o que segue:

A literatura sintetiza, por meio dos recursos da ficção, uma realidade, que tem amplos pontos de contato com o que o leitor vive cotidianamente. Assim, por mais exacerbada que seja a fantasia do escritor ou mais distanciadas e diferentes as circunstâncias de espaço e tempo dentro das quais uma obra é concebida, o sintoma de sua sobrevivência é o fato de que ela continua a se comunicar com o destinatário atual, porque ainda fala de seu mundo, com suas dificuldades e soluções, ajudando- o, pois, a conhecê-lo melhor.

     É fundamental que cada criança tenha o gosto, o prazer pela leitura, pois essa é uma dimensão essencial na vida de qualquer ser humano. Quando lemos estamos exercitando a mente e aguçando nossa inteligência. De acordo com Moric (1974), a literatura constitui uma arte, mas também representa um meio de educar o jovem leitor, desenvolver sua percepção estética do mundo, refinar suas qualidades, revelar sua inteligência, sua concepção do mundo, suas ideias, seu gosto. Nas palavras de Apud, Góes (2010, p.47):

O desenvolvimento da leitura entre crianças resultará em um enriquecimento progressivo no campo dos valores morais, da cultura da linguagem e no campo racional. O hábito da leitura ajudará na formação da opinião e de um espírito crítico, principalmente a leitura de livros que formam o espírito crítico, enquanto a repetição de estereótipos empobrece.

     Os textos literários são fundamentais às crianças, pois mexem com suas fantasias, emoções e intelecto, sendo apresentados a elas com uma estética atrativa e também por envolverem o lúdico. Bordini (1985, p. 27-28) afirma o seguinte “os textos literários adquirem no cenário educacional, uma função única, singular: aliam à informação o prazer do jogo, envolvem razão e emoções numa atividade integrativa, conquistando o leitor por inteiro e não apenas na sua esfera cognitiva”.

     É através das emoções, ludismo, imaginação e fantasias que a criança apreende, ou seja, entende a realidade, dando-lhe um significado.

     Diante de um mundo globalizado em que o poder da mídia é massificador, é de extrema importância que pais e professores atuem em conjunto despertando nas crianças desde os anos inicias, o desejo pela leitura. Desta forma, no decorrer dos anos à medida que forem amadurecendo, poderão ser adultos capazes de fazer uma leitura além do que lhes está exposto, ou seja, o que mundo globalizado quer realmente expressar ou difundir nas entrelinhas.

     A literatura infantil é o caminho que leva as crianças ao mundo da leitura de maneira divertida, pois através de seu caráter mágico e lúdico faz com que a atenção das crianças se volte a ela. Entretanto, a escola muitas vezes não tem proporcionado aos seus alunos esse caráter mágico e lúdico da literatura infantil. A leitura não é apresentada à criança como algo belo e prazeroso, daí vem à má formação de nossos leitores. Desta forma, teremos adultos que não sentem prazer pela leitura e nem a adotam como uma prática social indispensável. Cabe assim, aos professores essa árdua tarefa. Eles precisam produzir atividades divertidas, desenvolver em suas aulas metodologias diversificadas, fugindo assim de atividades rotineiras que desligam os alunos do prazer pela leitura.

     A escola tem como um dos objetivos primordiais, preparar o educando para exercer a cidadania, em que se procura alcançar uma educação transformadora e libertadora, mas como ela alcançará esse objetivo se não formar leitores praticantes que sejam conscientes dos direitos e deveres que constituem a cidadania? Uma educação humanizante tem que obrigatoriamente focar a prática da leitura. Nas palavras de Maria (2002), a eficácia da escola pode ser medida no modo como conseguiu prover o aluno de competência linguística para o exercício consciente de sua cidadania.

     Como somos conhecedores, teoria e prática não devem andar separadas ou desvinculadas, por isso o professor que deseja despertar nos seus educandos o gosto pela leitura, deve ser antes de tudo um constante leitor, fazendo com que suas palavras tenham um real valor para as crianças e para si mesmo. E sendo um mediador do diálogo entre o texto e o leitor. De acordo com Maria (2002), para acompanhar o processo de formação do aluno-leitor é imprescindível que o professor tenha construído ou esteja construindo, para si próprio, uma história de leitor.

     Mas porque damos tanta ênfase à leitura? Através da leitura podemos ler o mundo que nos rodeia, fazendo indagações e passando a compreender a realidade. Segundo Manguel (1997), todos lemos a nós e ao mundo à nossa volta para vislumbrar o que somos e onde estamos. Lemos para compreender ou para começar a compreender. Não podemos deixar de ler. Ler, quase como respirar, é nossa função essencial.

     Afinal, quais as características que as obras literárias dadas às crianças devem possuir? Frantz (2011, p. 53-60) destaca algumas características que precisam ser evitadas para que a leitura não se torne desagradável para as crianças. São elas:

a) Didatismo e pedagogismo: a leitura tem sido utilizada apenas como fins didático-pedagógicos;

b) Moralismo: os livros infantis estão repletos de histórias que almejam unicamente a transmissão de normas de comportamento que levem a criança a ser da maneira como os adultos desejam.

c) Adultocentrismo e paternalismo: o mundo adulto com todos os seus preconceitos e valores sobrepõem-se aos valores do mundo infantil, sufocando-os.

d) Visão fechada de mundo: alguns autores apresentam a seus leitores infantis um mundo pronto, acabado, de valores absolutos e inquestionáveis.

e) Infantilismo: há textos que parecem se destinar a um leitor que só entende a linguagem do “inho” e da “inha”, subestimando a criança, entendendo o ser infantil como um ser menor, inferior, ao qual se deve oferecer uma literatura igualmente inferior e de menor qualidade.

     Torna-se evidente que as obras literárias devem possuir algumas dessas características, mas tudo de maneira equilibrada, sem inferiorizar a criança.

    A literatura infantil dada nos anos iniciais não pode deixar de privilegiar a poesia infantil, pois nos textos poéticos direcionados ao público infantil a valorização do lúdico está muito presente, o que atrai de maneira significativa as crianças. Segundo Frantz (2011, p.122):

     A poesia convida-nos a viver a fantasia a soltar a imaginação, a sentir a realidade de maneira especial, mágica, a ver e buscar sentidos em tudo que nos rodeia e a expressá-los de forma simbólica, lúdica, criativa, nova, prazerosa… poética. É quando o belo se sobrepõe ao útil.

     A criança é inserida no mundo da leitura mesmo antes de saber ler, pois o primeiro contato com a leitura se dá por meio da audição de histórias. Com tantos avanços tecnológicos, ouvir histórias contadas parece não despertar o interesse em ninguém, entretanto muitas crianças gostam da maneira com o professor se expressa corporalmente e verbalmente ao contar uma história.

     Ao ouvir histórias a criança não é envolvida apenas no aspecto emocional, mas também cognitivamente, pois seu pensamento é estimulado a buscar significação para o que ela está ouvindo e elabora internamente esse universo significado. De acordo com Barbosa (1999, p. 22):

Para a criança, ouvir histórias estimula a criatividade e formas de expressão corporal. Sendo um momento de aprendizagem rica em estímulos sensoriais,intelectuais, dá-lhe segurança emocional. Ouvir histórias também ajuda a criança a entrar em contato com suas emoções, supre dúvidas e angústias internas. Através da narrativa a criança começa a entender o mundo ao seu redor e estabelecer relações com o outro, a socialização. Consequentemente, são mais criativas, saem-se melhor no aprendizado e serão adultos mais felizes.

     Os contos de fadas também são essenciais. Nas palavras de Jesualdo (1993, p.136- 137), existem pessoas contrárias a se darem contos de fadas às crianças:

Os homens graves e, mais que graves dotados de um espírito que não vacilamos em qualificar de falsamente racionalista ou científico são contrários a que se narre contos de fadas às crianças. Dizem eles que “essas bobagens somente contribuem para falsear o espírito, gerar nas crianças o gosto pelo maravilhoso, incliná-las à credulidade e a afogar nelas o germe de todo sentido crítico”.

     Entretanto, isso não é cabível, pois à medida que a criança vai crescendo e amadurecendo ela toma consciência do que é real, na ficando presa ao mundo da fantasia. Os contos de fadas são carregados de significados e não podem ser esquecidos nas leituras que as crianças farão e as que lhes serão dadas. Bettelheim (1980, p.14) explica:

Esta é a mensagem que os contos de fadas transmitem às crianças de forma múltipla: uma luta contra as dificuldades graves na vida é inevitável, é parte intrínseca da existência humana; e se a pessoa não se intimida, mas se defronta de modo firme com as pressões inesperadas e muitas vezes injustas, ela dominará todos os obstáculos e, ao fim, emergirá vitoriosa.

     Também em relação à composição das bibliotecas infantis, elas devem ser repletas com bons e atrativos livros. Conforme Meireles (1984, p. 145-146):

As bibliotecas infantis […], têm a vantagem não só de permitirem à criança uma enorme variedade de leituras, mas de instruírem os adultos acerca de suas preferências. Pois, pela escolha feita, entre tantos livros postos à sua disposição, a criança revela o seu gosto, as suas tendências, os seus interesses.

     A biblioteca é um lugar de obtenção de informações, por isso o livro deve ser valorizado. Nas palavras de Góes (2010, p. 55):

No bombardeio visual dos dias que correm, a biblioteca tem um papel tão essencial quanto insubstituível […]. A biblioteca deveria, pois, ser um lugar de intercâmbio, troca, informação, integração na comunidade […]. É princípio das bibliotecas proporem atividades bem diversas. Porém essas atividades só devem existir se derivarem de uma relação com o livro.

     O livro infantil deve ter o objetivo de sempre chamar a atenção da criança logo que ela o vê. Alguns livros falham no que diz respeito ao aspecto ilustrativo. Entretanto, isso não pode ocorrer nos livros infantis, pois as ilustrações trazem informações significativas, mostrando como são os personagens. Dessa forma, dá-se uma maior veracidade à história.

     Palo e Oliveira (2006, p.15), dizem que nos livros o mais comum é o aparente diálogo que, no fundo, esconde um tom único, monológico, privilegiando a informação construída pelo texto verbal em detrimento daquela oriunda do visual.

4. A Literatura Infantil na Escola Manoel Porfirio de Lima

4.1 Literatura, Docente e Discentes.

     Na Escola Municipal Manoel Porfirio de Lima, a literatura está presente desde muito cedo na vida dos alunos, começando nas séries iniciais com o ensino da literatura infantil.

“ Aqui na escola Manoel Porfirio de Lima, nós docentes, que, trabalhamos com as séries iniciais, principalmente nas turmas, de Educação Infantil, Primeiro ano, segundo, e terceiro ano, procuramos trabalhar o hábito da leitura desde da alfabetização, pois as criancinhas se encantam com as histórias, presentes nos livros de Literatura Infantil, percebe-se que os discentes, sentem prazer pela leitura dessas histórias’’. (apud, Ferreira Josefa).

      Na fala da professora Josefa, percebemos que existe um trabalho bem presente na Escola Manoel Porfirio de Lima, onde desde muito cedo, começando na Educação Infantil onde os docentes tem por objetivos despertar, nas crianças o hábito pela leitura, haja visto que , os educandos gostam e sentem prazer ao lerem ou escutarem as historinhas presentes nos livros de literatura infantil.

     Em outro momento, conversando com a coordenadora pedagógica da instituição a mesma, ressaltou o seguinte:

“Nós procuramos sempre trabalhar a leitura, em 2010 procuramos um método, para que assim, os docentes se despertassem pelo gosto da leitura, então o núcleo gestor, com iniciativa do secretário escolar, criou o projeto, cantinho da leitura, onde estão em destaques no cantinho da leitura, vários livros que são obras literárias, de vários autores brasileiros, obras essas que se adequam aos públicos infantis, juvenis, e adultos’’. ( apud, Alvacy Rodrigues).

     Nesta citação da coordenadora pedagógica da instituição de ensino, Manoel Porfirio de Lima, Alvacy Rodrigues, a professora destaca o projeto cantinho da leitura, criado em 2010, com inciativa do secretário escolar, como apoio do núcleo gestor daquela entidade. Onde esse projeto teve como objetivo o incentivo ao hábito da leitura.

a. Literatura nas salas de aulas

    Nas salas de aula da instituição Manoel Porfirio de Lima, os professores de português sempre trabalham o ensino da literatura. Os docentes das turmas infantis, sempre trabalham os textos de literatura infantil, trabalham, com leituras individuais e coletivas, produção de textos no gênero literário, como passam filmes de temáticas literárias, e até produzem peças teatrais, com o intuito de despertar o gosto pela leitura, e o desenvolvimento da aprendizagem.

     Nas séries de sexto ao nono ano, os professores da área de português, também procuram trabalhar, de forma dinâmica, a produção de textos do gênero literário. Produção de músicas, peças de teatro, roda de leituras, rodas de conversas, como também a interpretação textual.

     Neste sentido quase que resumido, que procuramos expressar, neste capitulo, a Literatura, presente na escola Manoel Porfirio de Lima, como também, colocamos os métodos, que os docentes procuram trabalhar em sala de aula.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

     Ao final desse artigo, concluiu-se que a leitura é o caminho para a transformação, desde que trabalhada em todas as suas dimensões, pois só assim garantira aspectos positivos na formação do leitor, formando seres pensantes que questionam o mundo real em que vivem. A escola necessita cumprir esse ideal que tanto deixa a desejar. Portanto, como os professores estão sempre em formação, é necessário que estes façam uma reflexão sobre como vem sendo trabalhada a leitura em sala de aula. Com certeza essa reflexão irá contribuir para abrir caminho à conscientização do objetivo maior da literatura infantil, que é o de formar leitores autênticos, autônomos, críticos, dentre outros.

     Considerando que estamos em pleno auge das tecnologias, onde a televisão, vídeo, rádio e computador são elementos fortes e presentes na vida de todos nós, oferecendo facilidades e vantagens através de sons e imagens, podemos até pensar que o livro já perdeu seu espaço, mas isso é um engano. A aprendizagem ainda se dá pela escrita e pela leitura, e resgatar o valor da leitura é uma proposta desafiadora e ousada.

     Evidentemente, a tarefa de formar leitores torna-se mais complexa nesse contexto, onde a mídia tem uma influência muito grande na vida das pessoas. Por isso, é fundamental que a leitura na escola deixe de ser obrigatória, para tornar-se prazerosa. Acreditamos que o primeiro passo para isso é motivarmos nossos alunos, sendo preciso que o professor consiga passar-lhes o amor à leitura, sob pena de criar uma aversão aos livros. É isto que sustenta Kleiman (2001, p.16) quando afirma que há atitudes que devem ser evitadas, pois constituem:

      práticas desmotivadoras, perversas até, pelas conseqüências nefastas que trazem, basicamente, de concepções erradas sobre a natureza do texto e da leitura, e, portanto, da linguagem. Elas são práticas sustentadas por um entendimento limitado e incoerente do que seja ensinar português, entendimento este tradicionalmente legitimado tanto dentro como fora da escola.

     Neste contexto, o objetivo da escola deve estar voltado para formar leitores autônomos, que vejam no ato da leitura um modo útil para aprender significativamente, mesmo fora do cotidiano escolar. E para atingir esta meta, é preciso motivar, despertar interesse, pois “Formas de motivação verdadeira e um acompanhamento estimulante são sempre modos de ajudar o aluno a sentir-se em casa com o livro […]” (CUNHA, 1997, p. 54). Infelizmente a maior parte das escolas só trabalham com textos didáticos e muitas vezes de maneira burocrática, sem sentido para os alunos. Daí a importância de se trabalhar com os clássicos da literatura infantil, um mundo de fantasia e imaginação que com certeza toda criança gosta.

     A leitura é uma atividade essencial no mundo civilizado. Não chega saber ler, isto é, decodificar, por exemplo, alfabeto em palavras. É necessário gostar de ler. E o gostar de ler implica, ir além de obras técnicas e científicas, mas também, e principalmente, obras literárias. Quando uma criança, desde o berço, esta habituada a ouvir historietas lidas ou contadas pelos pais; se ela for bem estimulada na escola; se lhe derem tempo, dentre o oceano das atividades impostas, para então poder se encontrar consigo mesma num quarto à frente de um livro, talvez, quando crescer seja um adulto que ame a leitura. De outro modo, teremos cidadãos alfabetizados, no entanto extremamente incultos apresentando uma enorme pobreza de espírito.

     

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