ÉMILE DURKHEIM

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

Pedagogia

ÉMILE DURKHEIM

REBECA TAVARES

Sonia sousa soares

Introdução

Neste trabalho falamos sobre a educação, sua natureza e seu papel, através do pensamento de Émile Durkheim. Vemos como a sociedade interfere na educação e na formação do ser social dos indivíduos, mudando e moldando seus costumes desde pequenos. O objetivo da educação é guiar, ajudar o aluno a tornar-se um ser social, alguém além do seu ser individual. Um ser que segue as normas, os costumes da sociedade em que está inserido, que não vive apenas dos seus próprios desejos e vontades, mas que interage com a sua sociedade; formar seres intelectuais e aptos para viver socialmente. A formação depende do sistema de ensino da sociedade, que pode permanecer imutável por décadas. Vimos um pouco também sobre o sistema de ensino brasileiro (atual), que além de outras coisas garante uma educação laica. 

O PENSAMENTO DE ÉMILE DURKHEIM E A FORMAÇÃO HUMANa

indivíduo quando nasce já é automaticamente inserido na sociedade, e a primeira organização social na qual se encontra é a família. A partir daí, o indivíduo já começa a ter certas “normas” impostas sobre si. Se é menino ou menina, já há roupas, cores, brinquedos que são específicos para um e outro. Isso faz parte do fato social, que “é tudo aquilo que é construído pela sociedade (não é natural). São formas de agir, pensar e sentir que se impõem aos homens como algo exterior (não nasce com eles), e têm um certo sentido de obrigação. Ou seja, não dependem da escolha, o indivíduo sente que precisa agir daquela maneira. Na maior parte das vezes isso se impõe de forma inconsciente e, por isso, acabam sendo naturalizados.” (Na Íntegra...) E é assim que o ser humano é constituído. Conforme vai crescendo, outras organizações sociais e outras “normas” são inseridas em sua vida.

Outro exemplo que podemos analisar a partir disso é a escola. Nela muitos comportamentos são aprendidos e adquiridos, e não só os ensinos curriculares. Há também as questões de gênero, por exemplo, nas aulas de educação física, quando automaticamente a quadra de futebol é tomada pelos meninos e, para as meninas, resta o vôlei, o handebol, pular corda etc.

Em cada ser humano existem dois seres, o ser individual e o ser social. O ser individual é o que somos, sem a intervenção da sociedade, toma suas próprias decisões, tem suas próprias vontades, seus próprios objetivos, é a nossa vida pessoal. O ser social é o indivíduo vivendo, criando novos hábitos e aprendendo o costume da sociedade em que vive. Como exemplo temos a religião e tradições que cada sociedade possui. O objetivo da educação é formar um ser social em cada indivíduo, fazer com que ele aprenda a viver em sociedade.

“Não há povo em que não exista certo número de ideias, sentimentos e práticas que a educação deve inculcar em todas as crianças sem distinção, seja qual for a categoria social à qual elas pertencem.” (Durkheim, 2011, p. 51). Considerando isso, podemos entender o que é e qual a necessidade da homogeneização do corpo social. É o conjunto de ideias sobre a natureza humana, que diz respeito aos direitos e deveres, à sociedade, aos indivíduos, ao progresso, à ciência etc. Durkheim diz “que cada sociedade elabora um certo ideal do homem, ou seja, daquilo que ele deve ser tanto do ponto de vista intelectual quanto físico e moral; que este ideal é, em certa medida, o mesmo para todos os cidadãos [...]” (Durkheim, 2011, p. 52) , e essa é a parte da educação que é comum a todos que pertencem àquela sociedade, a parte homogênea, ensinada pelos pais e nas escolas. Todas as crianças ao adentrarem no sistema de ensino, por exemplo, recebem determinados ensinamentos que são comuns a todas as outras crianças que fazem igualmente parte do mesmo sistema de ensino, e pode durar por décadas ou mais.

“A sociedade só pode viver se existir uma homogeneidade suficiente entre seus membros; a educação perpetua e fortalece esta homogeneidade gravando previamente na alma da criança as semelhanças essenciais exigidas pela vida coletiva. No entanto, por outro lado, qualquer cooperação seria impossível sem uma certa diversidade; a educação assegura a persistência desta necessária diversidade diversificando-se e especializando-se a si mesma.” (Durkheim, 2011, p. 53)

Émile Durkheim acredita que é vital para a sociedade manter certos padrões comuns a todos os seus membros. Entretanto, também é muito importante e necessário que, a partir de certo ponto, haja uma diversificação e uma especialização, visto que, se todos desempenhassem os mesmo papéis na sociedade, não teríamos uma sociedade tão desenvolvida quanto tem-se hoje. Essa é uma forma de divisão do trabalho que nos garante uma melhor qualidade e variedade nas coisas que consumimos. Um professor, por exemplo, se preocupa com sua própria formação em sua área, e em levar seu conhecimento para seus alunos. Enquanto isso, há alguém produzindo o alimento que esse professor irá comprar e ingerir; há alguém fabricando as roupas e calçados que ele irá comprar e utilizar, e assim por diante. E é assim que cada pessoa tem sua função na sociedade. Enquanto uma pessoa está produzindo alimentos, roupas, calçados para comercializar, seus filhos estão em uma escola sendo cuidados e educados por um/a professor/a. Essa dependência é fundamental para o bom funcionamento e desenvolvimento da sociedade. “Não podemos nem devemos todos nos devotar ao mesmo gênero de vida; dependendo das nossas aptidões, temos funções diferentes a desempenhar, e é preciso estar em harmonia com aquela que nos incumbe.” (Durkheim, 2011, p. 44).

O sistema de ensino em que estamos inseridos hoje propõe uma educação laica, onde princípios teológicos não influenciam mais a educação das crianças, jovens e adolescentes. O sistema de ensino é baseado em leis, deveres e direitos. Antigamente o ensino era pela igreja, através da moral religiosa, pela catequese. Agora, a escola ensina conhecimentos científicos, que não influenciam na religião de cada um. Por exemplo, numa mesma sala pode ter crianças que tenham religiões diferentes, mas têm o mesmo ensino.

É importante garantir a laicidade da escola, mas isso não significa proibir o ensino religioso. Existem duas formas de ensino religioso: confessional e multiconfessional. O confessional é aquele em que se aprende sobre uma religião apenas. Podemos dizer que na época que a igreja católica tinha influência no ensino da escola, havia um ensino religioso confessional. O multiconfessional garante que todas as religiões devem ter as mesmas oportunidades de estudo. Sendo assim, é importante que a escola ensine às crianças todas as religiões que existem, principalmente na sociedade que estão inseridas, para que assim elas possam conhecer a diversidade, o pluralismo religioso, e com isso promover o respeito a cada uma dessas religiões e seus adeptos/fiéis.

Conclusão

O papel da escola é formar cidadãos e especializar indivíduos para atuar em sua sociedade. A escola serve para mostrar para o/a estudante sua inteligência, sua capacidade, o ser que estava dentro dele esperando para se revelar, e isso ocorrerá a depender do ensino que cada sociedade tem. O sistema de ensino atual do Brasil permite que a criança escolha qual será sua formação, qual religião optará por seguir etc.; permite que esse/a estudante tenha certa autonomia, liberdade, que são fundamentais na vida de qualquer cidadã/o.

Referências

AssunçãoAlex Sander. Ensino religioso. Portal Educação. Disponível em: https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/ensino-religioso/59021#. Acesso em: 5 abr. 2021.

DurkheimÉmile. Educação e Sociologia. Tradução Stephania Matousek. Petrópolis: Vozes, 2011. 120 p. (Coleção Textos Fundantes de Educação). Tradução de: Éducation et sociologie. Disponível em: https://moodle.ufsc.br/pluginfile.php/3934580/mod_resource/content/1/durkheim_2011_educacao-e-sociologia_book.pdf. Acesso em: 5 abr. 2021.

Na Íntegra - Raquel Weiss - Émile Durkheim (46:17s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=BeK3FDE_Iy0. Acesso em: 5 abr. 2021.

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