EDUCAÇÃO E O USO DE TECNOLOGIAS DA INFORMÁTICA EM TEMPOS DE PANDEMIA DE COVID-19

CPET - Centro de Profissionalização e Educação Técnica

EDUCAÇÃO E O USO DE TECNOLOGIAS DA INFORMÁTICA EM TEMPOS DE PANDEMIA DE COVID-19

FÁBIO ANTUNES DE OLIVEIRA GAMA

Resumo

Nas últimas décadas do século XX, a sociedade experimentou profunda evolução tecnológica, através da utilização de diversas tecnologias digitais, o que provoca a disseminação de práticas educativas enriquecidas. A educação, em tempos de pandemia de Coronavírus, trouxe uma forma de instrução, através do EaD (Ensino a Distância), que visa auxiliar na transmissão de conhecimento por parte dos docentes, apresentar os problemas que as Secretarias de Educação vêm enfrentando, as vantagens e desvantagens desse modo de ensino e colaborar com a educação brasileira. Esta pesquisa, quantitativa e intervencionista, possibilitou o aprendizado dos discentes, através do uso de ferramentas atrativas, como a Plataforma de Jogos Matific, o YouTube, Google Classroom, Coalizão global de educação, Educação Conectada, as aulas domiciliares para adolescentes que se encontram em situação de quarentena.

Palavras-chave: Tecnologias digitais. Coronavírus. Ensino a Distância. Informática.

Abstract

In the last decades of the 20th century, society experienced a profound technological evolution, through the use of various digital technologies, which provoked the dissemination of enriched educational practices. Education, in times of Coronavirus pandemic, brought a form of instruction, through EaD (Distance Learning), which aims to assist in the transmission of knowledge by teachers, present the problems that the Departments of Education have been facing, the advantages and disadvantages of this way of teaching and collaborating with Brazilian education. This quantitative and interventionist research enabled students to learn through the use of attractive tools, such as the Matific Games Platform, YouTube, Google Classroom, Global Education Coalition, Connected Education, home classes for teenagers who are in quarantine situation.

Keywords: Digital technologies. Coronavirus. Distance learning. Computing.

INTRODUÇÃO

No final de 2019, o mundo teve conhecimento de um novo coronavírus (COVID-19). Os primeiros casos de COVID-19 foram identificados em Wuhan, na China, em dezembro, segundo o Ministério da Saúde do Brasil. Também chamado de 2019- nCoV, o vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. No mesmo mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tomou conhecimento dessa nova doença e, classificou-a como perigosa e letal e, mais tarde, em março de 2020, Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, declarou que a organização elevou o estado da contaminação à pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2).

No Brasil, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia 7 de fevereiro de 2020, a Lei 13.979/2020, chamada Lei de Quarentena, a norma prevê regras de isolamento, quarentena e fechamento de portos, rodovias e aeroportos para entrada e saída do País. A lei só terá eficácia enquanto perdurar a situação de emergência nacional, que não poderá ser superior ao declarado pela OMS. O primeiro caso registrado de contaminação pela doença no Brasil foi publicado no site de notícias Globo, no dia 27 de fevereiro de 2020, sendo em São Paulo, um homem de 61 anos, residente da capital paulista que havia viajado para a Itália.

O lockdown é a medida mais radical para se evitar a circulação de pessoas e a propagação do vírus, sendo uma providência decretada pelo Poder Público. Trata-se de um confinamento, onde os indivíduos vão à rua apenas para o essencial. Segundo o levantamento feito pelo portal de notícias G1, em maio, 83% dos principais países afetados pelo COVID-19, adotaram essa prática para conter o aumento do número de casos. No Brasil, essas medidas foram inicialmente implantadas em alguns locais, como São Luís e outras três cidades do Maranhão; em quatro cidades do interior do Amazonas; Belém e outras dezesseis cidades do Pará; e mais trinta cidades do Tocantins.

A pandemia da COVID-19 trouxe diversos desafios para todos os setores, no Brasil e no mundo. Na Educação, tais medidas significam, em linha geral, o fechamento de escolas públicas e particulares, com interrupção de aulas presenciais. De acordo com os dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em abril de 2020, mostram que 91% do total de alunos do mundo e mais de 95% da América Latina estão, temporariamente, fora da escola devido às atuais circunstâncias do mundo.

O Brasil seguiu a tendência mundial, em todo território nacional, segundo a ONG Todos Pela Educação (TPE), em abril de 2020, redes públicas e privadas interromperam o funcionamento das escolas e iniciaram a transferência de aulas e outras atividades pedagógicas para formatos a distância.

O Ensino a Distância (EaD) surgiu na cidade de Boston, nos Estados Unidos, no ano de 1728, e foi expandido logo depois de um anúncio no Jornal da cidade. Um curso de taquigrafia (técnica de escrever à mão de forma rápida), o material de estudo era enviado semanalmente pelo serviço postal. Foi o primeiro registro de um curso a distância.

De acordo com o site ead.com.br, a partir do século XIX, com os avanços da tecnologia, o EaD começou a ser utilizado em vários outros países como solução para que pessoas que vivem distantes de instituições de ensino pudessem aprender. Além de novos cursos nos Estados Unidos, Suécia e Alemanha, surgiram também iniciativas na França, na antiga União Soviética, Japão, Austrália, Noruega, África do Sul, Argentina, Espanha e muitos outros países.

Mediante a situação que o mundo vem enfrentando, faz-se necessária uma série de tomada de atitudes, a fim de que a segurança da população seja garantida, bem como o desenvolvimento do país. As tecnologias da informática tornam-se, então, uma ferramenta imprescindível para tal objetivo.

2 COVID X ENSINO REMOTO

A pandemia, decorrente do COVID-19, proporcionou desafios para a Educação, e trouxe uma necessidade emergente: a educação digital remota, feita através de aulas on-line, plataformas digitais, vídeos, animações e áudios, estimulando a autonomia e independência do aluno.

De acordo com a BBC News Brasil, além de professores exauridos, o fechamento das escolas provoca perdas consideráveis e afeta o desenvolvimento dos estudantes. Por isso, é necessário que haja o estabelecimento de estratégias e que as aulas sejam focadas no essencial, evitando excesso de conteúdos e pormenores e, consequentemente, a distração e a dificuldade de aprendizagem.

Uma pesquisa realizada em abril pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que apoia as redes públicas de ensino básico a realizar uma transformação sistêmica nos processos de aprendizagem, gerando mais qualidade para a educação, por meio do uso eficaz das tecnologias digitais, com o objetivo de apoio emergencial às Secretarias de Educação foi traçada, contemplando três etapas:

1. Escuta estruturada das Secretarias sobre situação atual;

2. Oferta de Modelos de Aula Remota e ferramenta de apoio à decisão;

3. Apoio à implementação das estratégias de aula remota nas redes de ensino.

Para essa pesquisa o CIEB usou o Google Forms pela sua facilidade de uso e responsividade tanto em celular quanto em desktop. O formulário ficou disponível para respostas das 16h50 do dia 24/03/20 até as 19h20 do dia 26/03/20 e foi encerrado com 3.423 respostas. Após análise do banco de dados, 3.032 respostas foram consideradas válidas para os fins desta pesquisa, sendo 3.011 Secretarias Municipais de Educação, correspondem a 54,4% do total nacional, 21 Secretarias Estaduais de Educação, correspondente a 77,8% do total nacional. Foram excluídas respostas incompletas e insignificantes.

O CIEB ressalta que os dados refletem apenas a realidade dos respondentes da pesquisa, e não podem ser extrapolados para além deste universo.

O formulário apresentou 15 perguntas divididas em 5 seções:

- Identificação da Secretaria;

- Normativa específica de suspensão de aulas presenciais frente à COVID -19;

- Estratégias de aprendizagem remota e estágio de implementação;

- Registro de presença e acompanhamento de aprendizagem dos estudantes;

- Tecnologias já utilizadas / em uso pelas Secretarias.

A pesquisa aponta que das 3.032 Secretarias de Educação, em abril, emitiram normativo legal (Decreto, Portaria, etc.) sobre o fechamento das escolas por conta do Coronavírus em total de 2.522 Secretarias Municipais e 20 Secretarias Estaduais. Sobre as ações para as continuações do ensino, o questionário tinha essas opções:

● Transmissão de conteúdos educacionais via TV local para que os estudantes assistam em casa;

● Disponibilização de videoaulas dos professores aos estudantes pelas redes sociais para que eles assistam de seus aparelhos em casa;

● Aulas on-line (transmitidas por redes sociais) ao vivo com professores de etapas de ensino específicas, para que os estudantes assistam de seus aparelhos em casa;

● Disponibilização de plataformas on-line, com conteúdos segmentados por etapa de ensino; 

● Envio de materiais digitais específicos pelo professor, via redes sociais a sua turma;

● Aulas on-line (transmitidas por redes sociais) ao vivo, com professores de diferentes áreas de conhecimento e que possam trabalhar com estudantes de diferentes etapas de ensino (multisseriada);

● Envio de orientações genéricas via redes sociais para que seus estudantes acessem em casa com apoio de livros didáticos;

● Disponibilização de tutoria/chat on-line com professores para dúvidas e/ou apoio na resolução de atividades;

● Nenhuma opção;

● Outros (campo aberto).

As redes de ensino municipais, ainda de acordo com a pesquisa realizada, até a data da pesquisa, a grande maioria não optou por nenhuma das estratégias digitais listadas. As principais estratégias das redes estaduais, segundo a pesquisa, foram as plataformas on-line, videoaulas gravadas, compartilhamento de materiais digitais.

Figura 1
FiguraCIEB, 2020.

Figura 2 — Estratégias das redes estaduais
Figura - Estratégias das redes estaduaisCIEB, 2020.

Das 489 Secretarias Municipais, que até a data da pesquisa não tinham publicado ato normativo, 143 declararam não utilizar nenhum recurso digital, como mostra o gráfico obtido na pesquisa:

Figura 3 — Recursos utilizados pelas redes municipais
Figura - Recursos utilizados pelas redes municipaisCIEB, 2020.

Com base na pesquisa realizada pela CIEB, podemos concluir que o EaD foi uma ferramenta muito importante no auxílio do ensino no Brasil. Os dados também apontam que, até o momento da pesquisa, muitas das Secretarias de Ensino não adotaram medidas de continuação de ensino, causando um grande impacto negativo intelectual nas vidas dos estudantes.

De acordo Evelyn Stam (2020), especialista em educação infantil e terapeuta familiar, “não estávamos preparados, sejam os pais ou os professores e a até mesmo os próprios alunos, para nada do que viria a acontecer”. A especialista ressalta que nem toda família possui computador e internet de qualidade, nem todas as pessoas estão acostumadas com sistemas de reunião on-line e que grande parte das pessoas está experimentando um aumento significativo de carga de trabalho. As vantagens, segundo ela, é a possibilidade de revisar o conteúdo, o aluno estudar no seu ritmo, os pais terem contato com o universo dos filhos, e as crianças aprenderem novas habilidades.

3 NOVAS FORMAS DE ENSINO

Diante da nova realidade trazida pela pandemia, novas formas de ensinar e aprender foram descobertas. Segundo Valdivino Sousa (2020), Professor, Contador, Bacharel em Direito, Matemático, Pedagogo e escritor, independente da pandemia o ensino da matemática já vinha sendo cobrado por mudanças, e agora chegou a hora dessa mudança, com o ensino salva o professor que buscar adaptar com as novas ferramentas e saber utilizar os métodos modernos de ensino. Ele ressalta que os docentes que ficarem no ensino tradicional, podem correr o risco de os alunos não se interessarem e não absorverem o conhecimento.

Ainda de acordo com Valdivino Sousa, há outras formas de mudar a maneira de ensinar em tempos de COVID-19, como o uso da plataforma de Jogos Matific, para auxiliar no EaD. Matific é uma startup e foi desenvolvida com o objetivo de facilitar o ensino da matemática na pandemia.

A startup é parceira do Governo de São Paulo em um programa de aulas a distância, segundo a Secretaria de Educação do Governo de São Paulo (SEGSP) foram cadastrados 1,5 milhão de usuários entre professores e alunos da rede estadual.

A Plataforma de Jogos Matific, de acordo com a SEGSP, os professores podem usar a plataforma de duas maneiras, sugerindo jogos para que os alunos realizem ou deixar que a própria plataforma escolha os jogos, e ainda é possível fazer a mescla das duas formas. O professor sempre receberá relatórios com o desempenho dos seus estudantes tanto nos exercícios sugeridos por ele ou pela plataforma.

Durante a pandemia, 91% dos dois mil brasileiros entrevistados em uma pesquisa solicitada pelo Google disseram que o Youtube ajudou a aperfeiçoar uma habilidade de interesse e 52% revelaram que aprenderam algo novo na plataforma.

Diante do resultado da pesquisa realizada pelo Google, concluímos que o uso do YouTube para estudo cresceu exponencialmente. Segundo Clarissa Orberg, Gerente de Parcerias Estratégicas para Conteúdos Infantis e Educacionais no YouTube Brasil, a média de visualizações diárias de vídeos com ‘ensino em casa’ no título aumentou mais de 120% globalmente desde março de 2020, em comparação ao resto do ano.

Nesse contexto, os EduTubers, assim são conhecidos os professores que se dedicam a dar aulas através do YouTube, atuam em diversas especialidades como: inglês, matemática, história, química e até áreas como edição de vídeo, música, marketing digital e stop motion.

Para ajudar os estudantes, YouTube lançou em 2013 o YouTube Edu, em parceria com a Fundação Lemann. O canal exclusivo de educação reúne conteúdos guiados pela Base Nacional Curricular que são destinados a alunos do Ensino Fundamental e Médio, incluindo aqueles que estudam para o ENEM. Cabe ressaltar a boa organização dos conteúdos, pois é separado por série, e está sendo um dos principais canais de estudo do Brasil.

A professora e pedagoga, Angela Pereira, 45, integrante do Youtube Edu e, ao mesmo tempo, lecionadora em uma escola pública em São Paulo. Criado em setembro de 2015, o canal, intitulado de Professora Angela Matemática, está prestes a completar 900 mil inscritos, considerado um dos maiores canais de matemática do país. Ela vem ajudando os estudantes em tempos de coronavirus. O foco de seu canal está voltando para os alunos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio.

De acordo com a reportagem do programa Pequenas Empresas e Grandes Negócios, um segmento alternativo que vem crescendo como é contratação de professores para aulas em domicílio, o que antes da pandemia era um serviço de ajuda apenas para alunos com dificuldades de aprendizagem, hoje se tornou uma solução para a educação de crianças e adolescentes isolados por causa do coronavírus. Algumas famílias até já tiraram as crianças pequenas da escola infantil, outras acreditam que os estudantes precisam de ajuda profissional para lidar com as aulas online.

O homeschooling, em concordância com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), é uma ferramenta plausível. Trata-se de educação domiciliar, onde os lecionandos, com o auxílio dos pais e/ou responsáveis legais, assumem a incumbência de estudar e absorver os conteúdos, não descartando a importância do ensino tradicional, mas ressaltando a relevância da continuidade do ensino.

Conforme cita o Ministério da Educação, um projeto chamado “O bicho papão da matemática virou um gatinho”, criado pelo professor de matemática Nelson Rodrigues de Barros, obteve resultados muito positivos em relação ao aprendizado de seus alunos. O projeto tem o objetivo de facilitar a realização de operações matemáticas por parte dos mesmos.

O educador desenvolveu um modo de divisão sem a utilização da multiplicação: as crianças iam decompondo os números como se estivessem em um restaurante. Elas ponderavam a quantidade de alimentos que seria oferecida à clientela e o resultado foi tão positivo que mais de duzentos alunos foram favorecidos e todos aprenderam essa técnica de divisão em apenas um dia.

4 A IMPORTÂNCIA DA INFORMÁTICA NO ENSINO HÍBRIDO

Moran (2015) diz que, graças a tecnologia, o ensino híbrido vem se tornando cada vez mais possível na vida dos alunos. Esse modelo pode ser adaptado a qualquer ambiente, não havendo a intenção de abolir a educação tradicional, feita por meio de aulas presenciais. O objetivo é que o estudante possa desenvolver atividades diversas, com ou sem tecnologias, proporcionando uma aprendizagem em grande escala.

Segundo Christensen, Horn e Stake (2013 s.p.), ensino híbrido é um “programa de educação formal no qual um estudante aprende, pelo menos em parte, por meio do modo on-line, com algum elemento de controle do estudante sobre o tempo, o lugar, o modo e o ritmo de estudo” e outra parte em âmbito escolar. Existe uma variedade de tipos de ensino híbrido, destacam-se três modelos, de acordo com Christensen, Horn e Stake (2013 s.p.), como demonstra a imagem a seguir:

Figura 4 — Ensino tradicional e on-line
Figura - Ensino tradicional e on-lineChristensen, Horn e Stake (2013)

Dos modelos existentes, foram selecionados: rotação por estações, sala invertida e laboratório rotacional, que são considerados modelos sustentados, pois não provocam uma ruptura brusca na forma tradicional de ensino (BACICH, TANZI NETO, TREVISANI, 2015).

• Laboratório rotacional: aqui, os alunos são divididos em apenas dois espaços de trabalho, sendo um deles on-line. Uma parcela de alunos realiza pesquisas em salas informatizadas, enquanto a outra parcela permanece em sala.

• Existem, também, os modelos Disruptivos, onde as atividades são realizadas de forma on-line, na maior parte do tempo. Os modelos designados foram: flex, à la carte e virtual enriquecido. (BACICH, TANZI NETO, TREVISANI, 2015);

• Rotação individual: o discente possui roteiros individuais a serem seguidos. As estações são organizadas dentro e fora da instituição de ensino;

• Modelo Flex: há ênfase no ensino online e cada aluno possui um ritmo personalizado. O professor deve estar disponível para sanar todas as dúvidas;

• À la carte: o aluno traça seus objetivos e, então, organiza seu estudo, que pode ser integralmente online;

• Virtual enriquecido: é dividido entre online e presencial, sendo este permitido apenas uma vez por semana. Cabe a escola personalizar esse modelo conforme sua viabilidade.

5 GOOGLE CLASSROOM

Em tempos de pandemia, os professores precisam apostar na diversidade de recursos, sendo o Google Classroom (ou Google Sala de Aula) uma ferramenta facilitadora e flexível para estudos, segundo SHIEHL e GASPARINI. Trata-se de aplicativo que possibilita a realização de videochamadas, envio de notas, atividades, vídeos e avisos online, acompanhamento dos pais ao rendimento escolar dos filhos e interação entre alunos.

O Google Classroom atende a pessoas com mais de 13 anos de idade, inclusive usuários portadores de necessidades especiais. Além disso, ele é inteiramente gratuito e encontra-se disponível para diversos navegadores (Google Chrome, Firefox e Safari) e dispositivos Android, IOS e Chrome. Entretanto, para utilizar o aplicativo, é necessário que a escola esteja inscrita em uma conta do Google Workspace for Education Fundamentals. Sendo assim, não é possível usar o dispositivo com alunos através de suas contas pessoais.

6 COALIZÃO GLOBAL DE EDUCAÇÃO

A quarentena, consequência da pandemia, trouxe muitos efeitos à realidade do brasileiro: incertezas e diversidade de opiniões. Na educação, cerca de 1,5 bilhão de estudantes não puderam dar continuidade ao sistema presencial de ensino, segundo a Unesco. Quanto à importância da continuidade do ensino, houve a necessidade de ajustes, onde o ensino remoto passou a ser muito necessário, afinal, mesmo após um ano de pandemia, “mais de 100 milhões de crianças ficarão abaixo do nível mínimo de proeficiência na leitura, como resultado da crise de saúde”, declarou a Unesco.

Em conformidade com um estudo do Datafolha, 51% dos alunos alegam estar desanimados com o modelo de ensino; 67% apresentam dificuldade para lidar com a rotina de estudo; 77% dos pais declaram que seus filhos se encontram ansiosos e sobrecarregados e 38% dos pais têm medo de que os alunos desistam dos estudos.

Entretanto, 76% dos pais e responsáveis posicionam-se a favor de que as aulas ocorram aos sábados, enquanto 74% apostam no ensino em dias alternados. Além disso, 92% dos pais mencionam que não contam com a possibilidade de haver perdas do ano escolar e que, por isso, o ensino híbrido é uma ferramenta plausível. “Nada substitui o professor e a interação em sala de aula, mas a pandemia nos mostrou que a tecnologia pode ser uma aliada na educação”, acrescentou Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann.

Com a pausa das aulas presenciais, desde 2020, alguns Estados decidiram retornar à normalidade, gradativamente, inserindo, novamente, o ensino presencial, enquanto outros permanecem com aulas remotas.

Estados como Rio de Janeiro e Paraíba optaram pelo fechamento parcial, onde as escolas podem continuar funcionando em capacidade reduzida. Já nos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Ceará, não houve fechamento. Em contrapartida, os Estados de Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins optaram por fechar as escolas. Todos possuem um plano de reabertura que será seguido conforme a diminuição da curva da pandemia (UNESCO, 2021).

Devido a interrupção súbita na educação, causada pelo COVID-19, a Organização das Nações Unidas para a Educação (UNESCO) definiu a “Coalizão Global de Educação”, cujo objetivo é garantir o acesso a diversas alternativas de aprendizado, tanto para crianças e jovens que possuem facilidade de acesso aos meios de comunicação quanto para áreas de baixa ou nenhuma tecnologia.

“Nunca antes assistimos a uma interrupção educacional nessa escala. A parceria é o único caminho a seguir. Esta coalizão é uma chamada para uma ação coordenada e inovadora para desbloquear soluções que não só apoiarão alunos e professores agora, mas também através do processo de recuperação e no processo de recuperação.” longo prazo, com foco principal na inclusão e na equidade” (AUZOULAY, 2021, online).

As realizações da Coalizão Global de Educação contam com a união entre a Agência das Nações Unidas, organizações internacionais, setor privado e representantes da sociedade civil, onde muitos países auxiliam discentes a terem acesso à educação da forma como sua localidade permite, pois, alguns locais não possuem acesso significativo à internet.

Para isso, a Huawei, uma empresa multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações, situada na China, distribuiu a aparelhagem necessária para professores que estão sendo capacitados com a colaboração da UNESCO.

Em países com baixa ou nenhuma cobertura de internet, como a República do Congo, localizado na África Central, as aulas serão ministradas através de transmissão de rádio. Já na França, Líbano, Libéria, Egito, Marrocos serão através de videoaulas, onde o acesso à internet será grátis na maioria dos países.

Em concordância com a UNESCO, outras empresas como Vodafone, Orange Digital, Uber e Microsoft estão empenhadas em proporcionar a continuidade da Coalizão, para que a educação possa alcançar a todos, inclusive regiões marginalizadas.

7 EDUCAÇÃO CONECTADA

Diante do que vem sendo enfrentado pelo Brasil, o Ministério da Educação (MEC) vem permitindo, desde março de 2020, que as aulas sejam on-line, incluindo cursos que são totalmente presenciais, com exceção do curso de Medicina. Trata-se de uma medida temporária cujo objetivo é evitar o cessamento das aulas.

O Programa de Inovação Educação Conectada, embora não tenha sido desenvolvido em prol da quarentena, é uma opção acreditável, pois, além de oferecer internet de alta velocidade, os professores obtêm uma educação continuada e materiais de apoio para auxiliar seus alunos, garantindo, assim a capacitação dos professores para o uso da tecnologia.

O Ministério da Educação, em parceria com algumas Universidades Federais e professores da Educação Básica, criou a Plataforma MEC de Recursos Educacionais Digitais, que visa agrupar, em um só local, todos os materiais referentes a Educação do Brasil. Nela, professores do Brasil inteiro podem divulgar conteúdos, bem como dispor de conteúdos disponíveis na plataforma. São mais de trinta mil recursos que englobam revistas digitais, jogos educativos, livros digitais, vídeos e animações.

Além da Plataforma MEC RED, há, também, a Plataforma Evidências, destinada a criadores de tecnologias educacionais, que podem ser criadas apenas por empresas. Essas tecnologias educacionais devem ser de fácil manuseio; proporcionar desenvolvimento intelectual e profissional dos professores da educação básica; contribuir para a melhoria da qualidade do ensino; atender a diversidade das diferentes realidades do sistema de ensino; possuir materiais complementares para entendimento efetivos de professores e alunos e promover interação e participação integral dos estudantes.

A redefinição no formato de ensino conta com a colaboração dos professores, onde os mesmos se reinventam, dia após dia, para garantir que os discentes possam, além de ter acesso aos conteúdos remotamente, tomar posse de um aprendizado plausível.

8 CONCLUSÃO

Conforme o exposto, sabendo que, a partir da descoberta da COVID-19, o mundo precisou lidar com um fator não tão conhecido, houve a necessidade de adaptação de um novo modo de vida, até que tudo volte aos parâmetros de normalidade. Esta nova realidade atingiu, inclusive, a Educação, que precisou passar por uma ressignificação através de instrumentos que garantirão a continuidade do ensino.

No presente estudo, cuja metodologia é quantitativa e intervencionista, dentre as ferramentas propostas, a plataforma de Jogos Matific, o YouTube e o projeto “O bicho papão da matemática virou um gatinho” foram as que apresentaram maior adesão por parte dos alunos.

Devido a recência do assunto e por se tratar de um trabalho de pesquisa ainda em andamento, as ferramentas como o Google Classroom e a Coalizão Global de Educação foram consideradas como propostas auxiliadoras no processo de aprendizagem durante a pandemia. Fica aqui o espaço para novas indagações e pesquisas na temática abordada neste trabalho.

9 REFERÊNCIAS

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