EDIFÍCIO DE USO MISTO EM PASSO FUNDO - RS

FACULDADE MERIDIONAL

Arquitetura e Urbanismo

EDIFÍCIO DE USO MISTO EM PASSO FUNDO - RS

joão HENRIQUE SBABO

Orientador: Dra. Me. Grace Cardoso

Resumo

O objetivo deste trabalho é apresentar a discussão acerca da temática de sustentabilidade na construção civil, para proposição de uma edificação mista na cidade de Passo Fundo/RS. O terreno escolhido para o projeto permitirá integração da edificação ao Parque da Gare, localizado no centro da cidade de Passo Fundo. Atualmente, as cidades têm se destacado por seus efeitos mais nocivos do que benéficos à população, como poluição do ar e da água, zonas com temperaturas mais altas e redução da umidade do ar, entre outros aspectos relacionados à urbanização intensa e impermeabilização do solo. Desta forma, as edificações devem seguir não só as normativas de desempenho para o conforto interno dos usuários, como proporcionar ambientes que melhorem também a qualidade de vida urbana. O trabalho inicia-se com a apresentação do referencial teórico sobre sustentabilidade e edificações verdes, levando também em consideração os sistemas construtivos mais coerentes com estes conceitos. Na sequência são apresentados os estudos de caso que auxiliaram na formulação das diretrizes arquitetônicas, conceito e programa de necessidades, seguidos da análise do terreno e entorno para posterior proposição do projeto. Espera-se com este trabalho elaborar uma proposta de projeto de edificação mista (residencial e comercial), que colabore com a qualidade de vida das pessoas tanto internamente, quanto externamente.

Palavras-chave: Edificação de uso misto. Arquitetura sustentável. Sistemas construtivos sustentáveis. Inovação. Uso de vegetação. Integração com a natureza.

Abstract

The objective of this work is to present the discussion about the theme of sustainability in civil construction, to propose a mixed building in the city of Passo Fundo/RS. The land chosen for the project will allow integration of the building to the Gare Park, located in the city center of Passo Fundo. Currently, cities have stood out for their effects more harmful than beneficial to the population, such as air and water pollution, areas with higher temperatures and reduction of air humidity, among other aspects related to intense urbanization and soil waterproofing. In this way, buildings must follow not only performance regulations for the internal comfort of users, but also provide environments that also improve the quality of urban life. The work begins with the presentation of the theoretical framework on sustainability and green buildings, also taking into account the construction systems more coherent with these concepts. Next, the case studies that assisted in the formulation of architectural guidelines, concept and needs program are presented, followed by the analysis of the land and surroundings for later proposition of the project. It is expected with this work to prepare a proposal for a mixed building project (residential and commercial), which collaborates with the quality of life of people both internally and externally.

Keywords: Mixed-use building. Sustainable architecture. Sustainable building systems. Innovation. Use of vegetation. Integration with nature.

Introdução

Desde o aumento da migração rural para a área urbana, as cidades vem se desenvolvendo e expandindo rápido. Segundo a ODS e Agenda 2030, em "Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", mais da metade da população do planeta vive em áreas urbanas. A pobreza extrema é frequentemente concentrada em espaços urbanos e governos nacionais e locais sofrem para acomodar a população crescente nessas áreas. Tornar as cidades mais seguras e sustentáveis significa garantir o acesso à moradias adequadas e a preços acessíveis e melhorar a qualidade de áreas degradadas, principalmente das favelas. Também envolve investimento em transporte público, criação de espaços verdes e melhoria no planejamento urbano e no gerenciamento de forma participativa e inclusiva." (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Cidades e Comunidades Sustentáveis. AGENDA 2030. Objetivo 11). 

O objetivo do projeto é proporcionar usos residencial e comercial no mesmo local, baseado nos conceitos de arquitetura sustentável e psicologia ambiental, de forma a trazer  qualidade de vida melhor para quem irá morar, trabalhar e frequentar o local, e, consequentemente, contribuir com o aumento da segurança no parque, trazendo desenvolvimento e diversidade para a cidade de Passo Fundo/RS. A inclusão de residências em empreendimentos de uso misto é bastante utilizada e defendida como benéfica por diversos autores por garantir a circulação de pedestres, renda estável para o conjunto, promover a diminuição do uso do automóvel (considerando-se a possibilidade de moradia próximo ao local de trabalho) e consequentemente sustentabilidade (JACOBS, 2011; ROSSI, 2011; AZEREDO, 2016;).

Desenvolvimento

A importância desse tema é trazer para a cidade de Passo Fundo duas torres de edifícios comercial e residencial, com ambientes de trabalho integrados ao entorno (Parque da Gare), exercendo um papel na psicologia do ambiente. De acordo com Farah (2010), é comprovado, segundo pesquisas e teoria, que o contato do homem com a natureza é capaz de proporcionar benefícios psicológicos aos seres humanos.

De acordo com Gelpi e Rossetto (1999, p.20 e 21), não é mais questionável que as árvores e áreas verdes do ambiente urbano proporcionam uma melhoria de qualidade ambiental ao atuar como elementos corretores de certas fontes consideradas nocivas, “conseguindo que as condições do meio aproximem-se daquelas consideradas como satisfatórias ou normais”.

Nossa casa é onde o nosso corpo recarregamos as energias. Um artigo publicado pela revista Scientific Reports, em junho de 2019 examinou dados de quase 20.000 pessoas que participaram do Monitor de Envolvimento com a Pesquisa sobre o Ambiente Natural de 2014 a 2016. Os participantes reportaram suas atividades durante a semana. Descobriu-se que as pessoas que passavam duas horas por semana ou mais ao ar livre relatavam estar em melhor estado de saúde e tinham uma maior sensação de bem-estar do que as pessoas que não saíam para ambientes verdes, "viver em áreas urbanas mais verdes está associado a menores probabilidades de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, hospitalização por asma, sofrimento mental e, em última análise, mortalidade." (White, MP, Alcock, I., Grellier, J. et al. Passar pelo menos 120 minutos por semana na natureza está associado a boa saúde e bem-estar. Sci Rep 9, 7730 (2019).

Stefano Boeri: "As cidades têm o potencial de se tornarem protagonistas de uma mudança radical" usou seu discurso no New York Times Cities of Tomorrow forum para focar no papel que as florestas verdes e urbanas podem ter na melhoria da qualidade de vida e do ar em cidades ao redor do mundo. Destacando o impacto das emissões de carbono produzidas pelos edifícios, ao mesmo tempo em que ressaltou o potencial dos arquitetos de usar o ambiente construído como veículo para mudanças sociais e ambientais positivas. (WALSH, Niall Patrick. 2019)

"Uma árvore na cidade, uma árvore madura, sozinha, produz 110 quilos de oxigênio a cada ano; e absorve centenas de gramas desse veneno invisível produzido sobretudo pelo tráfego e que entra nos nossos pulmões todos os dias. Mas acima de tudo, uma árvore na cidade absorve cerca de 400 quilos de dióxido de carbono a cada ano. Multiplique o número de árvores e outras plantas nas cidades do mundo, traga a natureza viva não apenas nos pátios e avenidas, mas também nas fachadas e nas coberturas de casas, escolas, museus, shopping centers. São escolhas necessárias se quisermos que nossas cidades se tornem protagonistas de um desafio que a cada dia se torna mais difícil, mas que ainda está em aberto: tentar, se não parar, pelo menos retardar o aquecimento global." Stefano Boeri .

O crescimento das áreas verdes deve ser proporcional ao crescimento das cidades, para que estas permitam condições ideais de vida aos seus habitantes.  O modo de produção capitalista da maioria das cidades brasileiras, mudaram o modo de produção da cidade, causando impactos sobre a natureza, as cidades crescem de forma desmesurada e assim acabam com as áreas verdes. Grande parte dos espaços livres saem para a implantação de bairros. A cidade de Passo Fundo é considerada um polo médico e educacional de referência regional. Essa situação gera um crescimento econômico no município e faz com que a paisagem urbana seja modificada constantemente, para que consiga atender às necessidades da população transitória e daqueles que fixam residência no município. Nesse sentido, as demandas por moradia e trabalho trazem às áreas centrais novos empreendimentos, regidos sob um conjunto de fatores que englobam as relações sociais, a legislação e os planos de ordenamento vigentes, a dinâmica do mercado e, também, os avanços tecnológicos (VARGAS, 2014, p.127).

problema

Na cidade de Passo Fundo faltam ambientes de trabalho e moradia em contato com a natureza. Embora Passo Fundo tenha várias edificações mistas, principalmente no centro, algumas até com galerias, a maioria ocupa todo o terreno, com pouco ou sem nenhum recuo, impossibilitando a criação de espaços públicos arborizados que permitiriam maior qualidade de vida urbana. O local de implantação do projeto, é um terreno em desuso, no centro da cidade, integrado ao Parque da Gare, único parque da cidade.

OBJETIVO

Projetar uma edificação mista residencial e comercial, com diversos usos que trazem uma qualidade de vida melhor para quem mora, trabalha e frequenta o local, aumentando a segurança no parque e trazendo desenvolvimento e diversidade para a cidade.

Objetivos gerais

Refletir com a arquitetura no trabalho e moradia das pessoas, trazendo com o uso de vegetações e integração com o parque melhoria na qualidade de vida de quem mora e trabalha na edificação. A arquitetura paisagística teve seu princípio, segundo Barsa (1980), por meio da necessidade de os indivíduos conciliarem a natureza com seus espaços. Essa mudança vai desde as melhorias do bem-estar do homem até as vantagens que a natureza proporciona. 

 Esse uso reflete também em mais segurança e contribuição para o desenvolvimento de uma área central.   A preferência de moradia é para as pessoas que trabalham no comercial, evitando assim o uso de carro, o que diminui o tráfego na cidade, que tem poucas áreas de estacionamento, economia pra pessoa que mora e trabalha.

EDIFICAÇÕES DE USO MISTO

Tradicionalmente, os seres humanos se estabeleceram em padrões de uso misto, agrupando todos os recursos em uma área central. Exemplos históricos podem ser encontrados em antigas praças comerciais da Roma antiga, onde lojas, apartamentos, escritórios administrativos e, frequentemente, uma biblioteca eram misturados. A era industrial, entretanto, trouxe novas leis de zoneamento e uma divisão mais rígida entre os espaços residenciais e de convivência e os espaços de trabalho. O surgimento do carro reforçou essa tendência, trazendo com ela uma aceitação para percorrer longas distâncias entre casa, trabalho e comércio. Um êxodo da vida na cidade para uma vida suburbana. (Urban Hub. Edifícios de uso misto, 2018)

A partir da Revolução Industrial, a mobilidade tornou-se cada vez maior e com ela veio o pensamento moderno de planejamento, que promovia a segregação das funções de vida, trabalho, compras e fabricação – não só em edifícios individuais, mas também em zonas exclusivas nas cidades. (MUSIATOWICZ, 2008) 

No início do século XX, Le Corbusier, junto a outros pensadores do Movimento Moderno, desenvolvem o ‘novo modo de morar’, que consistia num espaço privado de moradia mínimo, servindo à coletividade, prolongamentos da habitação, como serviços e atividades comerciais. Surgia então “a unidade de habitação como concepção de vida de uma comunidade”. (SAMPAIO, 2002, p.30). Para Le Corbusier, que se preocupava com a relação distância-tempo de deslocamento dos moradores, a cidade ideal seria composta por grandes edifícios verticais dotados de serviços em sua estrutura, “verdadeiras ‘cidades-jardins’ verticais em vez das horizontais”. (SAMPAIO, 2002, p.33)

No Brasil, a maioria dos arranha-céus produzidos a partir da década de 1930 apresentavam setores residencial agregados ao comercial e serviços. Esta combinação não descaracterizava o edifício residencial, pois este continuava tendo como atividade predominante a habitação. Em geral dispunham “o térreo para salas comerciais” e algumas vezes em edifícios de maior porte “os primeiros andares apresentavam usos não-residenciais”. Na maioria dos casos “multiplicidade de usos fica claramente demarcada e identificada” pelo uso de diferente elementos e modulação das fachadas. (SAMPAIO, 2002, p.107) 

Além dos conceitos modernos de propor moradia para todos, e facilitar o acesso às necessidades da vida moderna, a edificação de uso misto “era um investimento que apostava na diversificação como uma forma de garantir aos incorporadores maior margem de lucro”. (SAMPAIO, 2002, p.32) 

Em 2001, em Cidades para um pequeno planeta”, o arquiteto Richard Rogers já apresentava a situação das cidades nos últimos 20 anos. Analisa a geração e consumo de energia e seu impacto no meio ambiente. No livro, cita a dependência de automóveis privados, e a ineficácia do transporte coletivo. A partir desse estudo embasado por dados estatísticos, propõe uma alternativa para reverter este quadro: a cidade sustentável.

“A proposta de Richard Rogers para um ambiente urbano sustentável reinterpreta e reinventa o modelo de "cidade densa" que se impôs desde as primeiras urbes industriais do século XIX. [...] As edificações deveriam retomar o conceito de uso misto, resgataria a vida nas ruas e se reduziria a necessidade de as pessoas se deslocarem de carro para o trabalho todos os dias.” (MORENO, 2002, p.88) 

Numa entrevista para a revista Design Boost durante a Copenhagen Design Week, em Agosto de 2009; o arquiteto Bjarke Ingels declarou sua opinião sobre como retomar a ideia de humanizar as cidades sem segregar o trabalho, lazer, entretenimento; da vida: “Tem sido provado, estatisticamente, que densidade e compacidade reduzem a quantidade de recursos que é gasto por pessoa nas cidades. Então quanto mais densa, mais eficiente energeticamente é a cidade. O uso misto é o caminho ideal de alcançar densidade, pois diferentes funções têm demandas diferentes. As lojas querem estar próximo às ruas; escritórios gostam da luz do sol, mas não a incidência direta de luz solar; e finalmente, as casas, gostam de vistas e sol na sacada. Portanto, misturando as diferentes funções, você pode aumentar significadamente a densidade, e como resultado não apenas melhora o consumo de energia da cidade, mas também melhora a vida social, pois terá uma cidade que é povoada por diferentes pessoas em diferentes momentos, 24 horas por dia. Desta forma, não terá bairros suburbanos mortos ou parques empresarias mortos. Você terá uma cidade vibrante 24 horas.” (INGELS, 2009)

USO DE VEGETAÇÃO EM AMBIENTES DE TRABALHO E MORADIA

O homem está diretamente ligado com a natureza, segundo Abbud (2016), das atividades que a arquitetura oferece, o paisagismo é a única permite a participam dos cinco sentidos do usuário: o olfato, a audição, o paladar, e o tato, fornecendo uma rica experiência sensorial visto que, quanto mais um jardim despertar esses sentidos, melhor cumpre seu papel. Relata também que essas vertentes somadas, a luminosidade, escalas, extensões, aspectos, contrastes e percepções o paisagismo é capaz de interferir de modo profundo na qualidade de vida do ser humano, ofertando “aconchego, bem-estar, paz, surpresa, grandiosidade, beleza e muito mais”.

A radiação solar causa muitos efeitos nos centros urbanos e a vegetação é um dos elementos que pode ser utilizado para bloquear sua incidência e contribuir para o equilíbrio do balanço da energia nas cidades. A Influência da Vegetação no Conforto Térmico do Ambiente Construído - 16 - Rivero (1986) afirma que a vegetação absorve 90% da radiação visível e 60% da infravermelha, sendo o restante transmitido entre as folhas ou refletido.

Figura 1 — VANTAGENS DA VEGETAÇÃO EM ESPAÇOS
VANTAGENS DA VEGETAÇÃO EM ESPAÇOSUGREEN

Como à vida em sociedade pressupõe uma multiplicidade de funções, usos e atitudes, a paisagem altera seu significado: do relacionamento social com os objetos naturais e artificiais tem-se o espaço, organizando-se aios lugares de vida da população (Santos, 1986).

As palavras planejamento, uso, desenho e função, surgem para o homem (ser social) numa organização de objetos capazes de satisfazer suas necessidades biológicas e sociais, pela criação de espaços (Santos, 1986); da adequação do suporte físico ambiental às necessidades humanas tem-se a arquitetura da paisagem. Se paisagem é espaço, quando ocorre o relacionamento social com os elementos que a compõem, também é ecossistema quando acrescida à vida, transformando-se então numa situação que se apresenta em constante processo de recriação, evolução e transformação (Lyle, 1987; Odum, s.d.). Ao avaliar-se a qualidade ambiental está-se discutindo diretamente a qualidade das intervenções humanas sobre um suporte físico, relacionando-se os impactos criados aos graus de inadequação das atitudes e concretizações humanas sobre um ecossistema.

Um novo estudo da Universidade de Hyogo, no Japão, aponta que o simples contato visual com plantas pode reduzir o stress no ambiente de trabalho. “Na sociedade moderna, a redução do stress no local de trabalho é um assunto urgente” escreveram os autores Masahiro Toyoda, Yuko Yokota, Marni Barnes, e Midori Kaneko. (Olsen. 2020; Revista CicloVivo)

De acordo Macedo e Robba (2013), são indispensáveis nas cidades os espaços verdes livres públicos, pois estes são considerados polos de lazer e centralização da circulação do cidadão e estes surgem como alternativas naturalistas, somado ao conforto em relação às condições climáticas como na qualidade do ar e insolação.

Figura — Croquis do arquiteto chileno Enrique Browne com estudos de aplicação da vegetação como elemento de sombreamento para edificações [BROWNE, Enrique. El Edificio “Consorcio-Santiago” 14 Años Después, Santiago, 2007, ]
Croquis do arquiteto chileno Enrique Browne com estudos de aplicação da vegetação como elemento de sombreamento para edificações [BROWNE, Enrique. El Edificio “Consorcio-Santiago” 14 Años Después, Santiago, 2007, ]Vitruvius,2016

Para Farah (2010), o paisagismo vem sendo uma ferramenta muito importante e, cada vez, adquire espaços no mercado de trabalho visto que, atualmente, é utilizado não apenas na arquitetura, para a caracterização da marca de uma empresa, como também fornece um espaço que valorize o sítio, associando-o a sua imagem institucional. 

estratégias bioclimáticas

fachada verde

A fachada verde é um tipo de jardim vertical constituído por espécies de trepadeiras ou  pendentes e podem ser de dois modelos: diretas, quando a 'vegetação usa a própria fachada da edificação como suporte, ou indiretas, nas quais estruturas especialmente projetadas darão suporte à vegetação e guiarão seu crescimento e desenvolvimento (PERINI et al., 2013; HUNTER et al., 2014; SAFIKHANI et al., 2014b; SCHERER, 2014; MANSO; CASTRO-GOMES, 2015; BESIR; CUCE, 2018). 

Figura 3 — Exemplo de fachada verde
Exemplo de fachada verdeRevista AU

 Como alternativa bioclimática, revestem as fachadas e paredes das construções e evitam a incidência direta da radiação solar, o que pode aumentar o desempenho térmico do edifício através de quatro mecanismos: sombreamento, isolamento térmico, barreira ao vento e resfriamento evaporativo (PEREZ et al., 2011; HUNTER et al., 2014; SUSOROVA, 2015; WONG; BALDWIN, 2016; BESIR; CUCE, 2018). 

Pelo sombreamento e isolamento térmico, a vegetação e a camada de ar existente entre a parede e a folhagem bloqueiam a radiação solar direta e reduzem a entrada de calor na edificação (WONG et al., 2010; PÉREZ et al., 2011; HUNTER et al, 2014; WONG; BALDWIN, 2016); como barreira ao vento, a fachada verde diminui a troca térmica por convecção (SUSOROVA; AZIMI; STEPHENS, 2014); a evapotranspiração consome calor sensível para evaporação da água do solo e da superfície das folhas e aumenta a umidade no entorno (WONG et al, 2010; SUNAKORN; YIMPRAYOON, 2011). 

Para Rodrigues (2017), utilizar fachadas verdes é uma estratégia que diminui o consumo de energia e o conforto térmico dentro dos ambientes internos. Além disso, aumenta a qualidade do ar e reduz os ruídos externos, permitindo uma variedade biológica.

Figura 4 — Exemplo de fachada verde
Exemplo de fachada verdeRevista AU

Espécies: trepadeira, samambaias, orquídeas, bromélia,  unha-de-gato e hera são bastante utilizadas, pois são de fácil manutenção, só precisando de podas periódicas, irrigação por gotejamento e sol.

fachada ventilada

Fachada ventilada Hunter Douglas, formada por painéis compostos por tiras de alumínio no exterior e um miolo de honey comb de alumínio em seu interior. Reduz o consumo de energia e colabora com o conforto térmico, unindo estética e qualidade.

painel solar

Telha termoacústica

Alta resistência térmica e grande isolamento a ruídos externos, composta por duas telhas trapezoidais formando um "sanduíche" com o núcleo de poliuretano. Tem como característica ser auto extinguível em caso de incêndio e a não absorção da água. 

Sistema de esgoto - fossa séptica

Tratamento de fossa séptica com bactérias. O sistema ECOFOSSA é um tratamento biológico e funciona de forma a melhorar a eficácia dos processos que ocorrem naturalmente em uma fossa séptica ao introduzir no sistema bactérias e enzimas mais poderosas.

técnicas construtivas

Técnicas construtivas utilizadas para a construção do projeto, de forma que não agrida o meio ambiente, traga conforto termoacústico para a edificação.

sistema construtivo

Estrutura em concreto armado convencional; Laje nervurada com utilização de cubetas; Vigas planas para facilitar a passagem de instalações elétricas e hidráulicas; Fundação estacas e bloco de coroamento.

 argamassa industrializada

Oferece menor impacto ambiental quando comparada a alternativa virada em obra. As emissões de gases de efeito estufa para a argamassa industrializada são 68% menores para o mesmo m³ aplicado em relação à argamassa virada em obra. O consumo de água para a argamassa industrializada é 30% menor para o mesmo m³ aplicado, diferença que em termos absolutos representa 128 litros por m³.

telha termoacústica

Alta resistência térmica e grande isolamento a ruídos externos, composta por duas telhas trapezoidais formando um "sanduíche" com o núcleo de poliuretano. Tem como característica ser auto extinguível em caso de incêndio e a não absorção da água. 

 Vidro habitat 

Vidros com proteção solar que reduz o calor interno dos ambientes em até 70% e bloqueia quase 100% dos raios UV. Reduzindo o uso do ar-condicionado e luz artificial.

Tijolo ecológico ecocreto

O pavimento ECOCRETO  é 100% permeável e resistente à compressão, ao desgaste e à flexão. Usado em áreas externas.

Reaproveitamento de água

Reaproveitamento da água da chuva que será coletada do terraço e do  telhado, essa água passará por um tratamento de filtragem para ser reaproveitada. Ainda haverá o first flush, onde a primeira lâmina de água será descartada, e o restante será utilizado. 

ESTUDOS DE CASO 

ESTUDO DE CASO 01

Ficha técnica

Nome: Edifício MicroCity Het Platform.

Arquiteto: VenhoevenCS

Ano: 2020

Cidade: Utrecht, Holanda.

Área construída: 18.000 m²

Figura 3 — FACHADA EDIFICAÇÃO
FACHADA EDIFICAÇÃOArchDaily Brasil 2020

 O conceito de MicroCity procura promover a microeconomia local, ao integrar-se aos principais modais de transporte público,  redes de mobilidade urbana, construído sobre o novo terminal de ônibus e bondes elétricos. Os volumes que compõe o Het Platform foram sobrepostos para gerar uma série de espaços externos e áreas de convívio. Nele é possível encontrar um pequeno pomar, um pátio semiaberto além de uma grande área pública com um jardim urbano aberto à cidade e seus habitantes, minimizando o efeito de ilha de calor. Os vários terraços e jardins abertos ao público são facilmente acessíveis através de corredores, escadas e passarelas. 

Fachada composta por portas-janelas de correr, varandas, terraços e uma camada de vegetação. Dispões de um total de mais de 18 mil m²,  com estrutura de aço leve criada exclusivamente para encaixar o edifício sobre a estrutura do novo terminal baixo do solo. Conta também com 200 unidades de apartamento, um restaurante, espaços comerciais e estacionamento de bicicletas.

Figura 3 — Setorização
SetorizaçãoArchDaily Brasil 2020

Figura 4 — Fluxos
FluxosO autor (2020)

Figura 5 — Setorização
SetorizaçãoO autor (2020)

Figura 6 — Entorno
EntornoArchDaily Brasil 2020

ESTUDO DE CASO 02

Ficha técnica  

Nome: Edifício Residencial Treehouse

Arquitetos: Bo-DAA

Área: 4810 m²

Ano: 2018

Local: Dogok-dong, Gangnam-gu, Seul, Coreia do Sul

É um complexo de 7 pavimentos com co-habitação, sendo 72 unidades para profissionais solteiros e seus pets, composto por pequenos estúdios e lofts. No seu interior há um jardim interno, repleto de áreas de trabalho colaborativas, áreas de descanso relaxantes, cozinha comunitária, lavanderia.

Os 6 pavimentos residências que ficam acima dos jardins internos são compostas de unidades de diferentes estilos, os dormitórios são nos altos sobre uma banheira de imersão aberta; uma escada para oferecer poleiros para os felinos, cada unidade é projetada para uma única pessoa com banheiro privativo e cozinha compacta, mas na cobertura há espaçosa para casais.

As principais estratégias arquitetônicas são janelas inclinadas, com persianas que se erguem de baixo para cima para garantir privacidade, os lofts possuem ainda janelas no átrio para ventilação cruzada. O átrio é formado pelo empilhamento das unidades particulares que cria o espaço.

Figura 8 — Corte esquemático
Corte esquemáticoAECweb

Figura 9 — Planta baixa
Planta baixaAECweb

Figura 8 — Fluxos
FluxosO autor (2020)

Figura 8 — Setorização
SetorizaçãoO autor (2020)

Figura 11 — Fachada principal
Fachada principalAECweb

ESTUDO DE CASO 03

Ficha técnica  

Nome: Empreendimento MEET

Arquitetos: Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados

Área: 3.979 m2

Ano: 2018

Local: Pinheiros, São Paulo – SP

O MEET é composto por duas torres, uma residencial de 8 pavimentos e uma comercial de 6 pavimentos, com opção de estilos de moradias com estúdios, 1 e 2 dormitórios e a torre comercial escritórios de 68 a 130m², alguns com pé-direito duplo e com possibilidades de junção de duas ou mais unidades circundado por uma praça cujo objetivo é se tornar o ponto de encontro e local de convivência.

Para a concepção da fachada foram escolhidos materiais que remetem a cores orgânicas como terra, corten e marrom. Para a torre comercial foram definidos caixilhos piso teto com vidros refletivos, abas e brises para melhorar eficiência energética do empreendimento. 

Figura 10 — Planta baixa
Planta baixaArchDaily Brasil 2020

Figura 11 — Corte esquemático
Corte esquemáticoArchDaily Brasil 2020

Figura — Setorização
SetorizaçãoO autor (2020)

Figura 11 — Fluxos
FluxosO autor (2020)

Figura 13 — Fachada
FachadaArchDaily Brasil 2020

LEVANTAMENTO DE DADOS DO PROJETO

O terreno fica localizado na cidade de Passo Fundo, norte do Rio Grande do Sul, entre as coordenadas geográficas 28º07’ e 28º41’ de latitude Sul e 52º17’ e 52º41’ de longitude Oeste. Tem população estimada em 204 722  habitantes e área de 783,421km² (IBGE, 2016). A atividade econômica predominante é voltada à prestação e serviços, que representa a maior fatia, 62,16%, do Produto Interno Bruto (PIB) do município.

Figura — Localização Passo Fundo/RS
Localização Passo Fundo/RSO autor (2020)

 Os principais acessos da cidade são através das seguintes rodovias;

BR 285 - Lagoa Vermelha/Carazinho 

RS 135 - Erechim

RS 153 - Ernestina/Soledade/Porto Alegre

RS 324 - Marau/Bento Gonçalves

BR 153 - Erechim (estrada de chão) 

BR 386 - Porto Alegre Radiais Sul, Leste, Oeste

Contextualização Regional  

O terreno fica inserido junto ao Parque da Gare, único parque da cidade, no início do século XX, foi construída no local uma estação férrea, espaço considerado de maior relevância dentre o patrimônio histórico de Passo Fundo. A Estação Férrea da Gare foi apelidada pelo termo francês Gare, que significa estação de estrada de ferro. (FONTE)

  Em 1986, após a desativação da linha férrea que impulsionou a economia de Passo Fundo (RS), o Parque da Gare passou ocupar a antiga estação de trem do município. O local, porém, nunca havia sido finalizado e se encontrava praticamente em estado de abandono. Através do Programa de Desenvolvimento Integrado de Passo Fundo (PRODIN), foi desenvolvido, em 2013, o projeto de revitalização do espaço, cuja autoria é da IDOM (empresa espanhola de arquitetura com escritório no Brasil). A proposta abrange a parte paisagística e urbanística, com a inclusão de diversos equipamentos de usos esportivos e de lazer. (ArchDaily)

Figura — Maquete e vista aérea Parque da Gare
Maquete e vista aérea Parque da GareArchDaily, adaptado pelo aiutor.

Figura 13 — Implantação Parque da Gare
Implantação Parque da GareArchDaily, adaptado pelo autor.

MAPAS

Para analisar o entorno da região, foi analisado um raio de 500m partindo do centro do terreno, com isso foram elaborados mapas para a melhor compreensão do seu entorno. Existem 8 pontos de ônibus e um ponto de táxi no entorno do terreno. Na avenida 7 de setembro, possui 5 cruzamentos conflitantes e o sentido predominante das vias é de mão dupla. A infraestrutura urbana no local é composta por rede de água, rede coletora de esgoto local, rede coletora de esgoto pluvial e rede de energia elétrica aérea.

Figura 23
O autor (2020)

noli

Na figura: Observa se que mesmo que o terreno está em uma zona central, ainda há muitos espaços vazios que poderiam ser bem mais aproveitados, trazendo mais desenvolvimento a região.

Uso do solo

Na figura: apresenta o uso do solo ao redor, mostrando claramente uma divisão entre a região central na qual possui diversos usos e os bairros residenciais onde claramente se nota mais uso residencial.

Mapa altura

Na figura: apresenta a altura das edificações ao redor, demonstrando claramente que a região do centro ainda é a mais verticalizada com a maior quantidade de edifícios com mais de 4 pavimentos. Por outro lado, a região dos bairros ainda predomina a permanência de 1 pavimento.

Entretanto ao redor do terreno não possui nenhuma edificação que provocaria sombreamento ao terreno

Mapa Viário

Na figura: é observada a densidade e o fluxo de veículos nas vias ao redor do terreno.

A maior densidade se divide entre a Av 7 de setembro e a Av Presidente Vargas, por serem vias Arteriais e com maior fluxo, distribuindo pela cidade,

 Às vias estruturais são vias onde o fluxo é constantemente intenso, a rua do acesso principal do lote possui fluxo baixo.

Sistema construtivo

Na figura: Observa se que praticamente toda a área possui edificação em alvenaria, apenas a metade inferior que corresponde aos bairros residenciais.

Áreas Verdes

Na figura: pode se observar que há muitas áreas verdes, mas ainda com maior abundância nos bairros residenciais do que na região central contribuindo para a melhor qualidade do ar.

CARACTERÍSTICAS DO TERRENO

O terreno fica localizado no centro de Passo Fundo/RS, entre as ruas Capitão Bernardo e  João Lamachia Godinho. Tem uma área total de  9.574,89 m² e 7 metros de desnível, tem sua cota inicial de 674 e estende-se até a cota 667. 

Figura 23 — Topografia
TopografiaO autor (2020)

Figura 21 — Vista do observador - Fachada Rua Capitão Bernardo
Vista do observador - Fachada Rua Capitão BernardoO autor (2020)

Figura 22 — Fachada Rua Capitão Bernardo
Fachada Rua Capitão BernardoO autor (2020)

Figura 23 — Vista do observador - Fachada Rua João Lamachia Godinho
Vista do observador - Fachada Rua João Lamachia GodinhoO autor (2020)

Figura — Fachada rua João Lamachia Godinho
Fachada rua João Lamachia GodinhoO autor (2020)

Figura 25 — Vista do observador - fundos do terreno
Vista do observador - fundos do terrenoO autor (2020)

Figura — Fundos do terreno
Fundos do terrenoO autor (2020)

CORTE IMPLANTAÇÃO

A fachada Leste na rua João L. Godinho recebe a incidência do sol nascente, a fachada oeste recebe a incidência do sol poente. O vento predominante é noroeste. Clima temperado, característica subtropical úmido, com chuvas bem distribuídas durante o ano. Temperatura média anual: 17,5ºC. Umidade relativa do ar: 72% (média anual). (Clima tipo Cfal na classificação de Koeppen.) 

Figura 30 — Posição solar e ventos dominantes
Posição solar e ventos dominantesO autor (2020)


SÍNTESE DE LEGISLAÇÃO E NORMATIVAS

Neste tópico veremos as normas e legislações da cidade de Passo Fundo/RS, para a implantação do projeto na área escolhida.

PLANO DIRETOR

O terreno fica localizado na Zona de Transição (ZT), as edificações obedecerão aos seguintes índices urbanísticos máximos:

TO = 60% = 5.744,93 m²

CA = 2,8 =  26.809,69 m²

CID = 15m² 

LM = 300m² 

 Os lotes que tiverem testada para praças e parques, inclusive os lotes de esquina, deverão respeitar recuo frontal mínimo de 8 m. (Art. 108 C)

Os recuos laterais e de fundos serão obrigatórios e serão calculados pela fórmula:

R = N x 0,15 + 2 

Sendo: 

N = H/2,8, onde:

H = altura total da edificação 

2,8 = Pé-direito de referência (constante) (Redação dada pela Lei Complementar nº 289/2011).

Para o cálculo do número de vagas para estacionamento em lotes ou edificações, onde existam dois ou mais usos, o número de vagas deverá ser proporcional a área efetiva de objeto destinada a cada atividade/uso. 

R.3 Residencial Tipo III: Residência multifamiliar vertical; Edificação ou conjunto de edificações verticais que agrupam várias economias residenciais em um mesmo lote ou gleba, submetidas às exigências quanto a Cota Ideal por Dormitório (CID).

 2º Para o uso R.3:

I - uma vaga por unidade com área privativa de construção menor que 120 m²;

II - duas vaga por unidade com área privativa de construção maior que 120 m² e menor que 240 m²;

III - três vaga por unidade com área privativa de construção maior que 240 m²;

CS.2 - Comércio Varejista e Serviços Tipo II: estabelecimentos de venda direta ao consumidor e de prestação de serviços domiciliares e de reparação, de produtos de demanda periódica e de bens duráveis.

 Uma vaga a cada 80m² de área construída, com no mínimo uma vaga por unidade. (Redação dada pela Lei Complementar nº 287/2011)

Taxa de Permeabilidade (TP) é a percentagem correspondente a porção mínima do lote correspondente a área permeável do solo.(Art. 80)

TP = (1-TO).0,5 = 2 871,96

CÓDIGO DE OBRAS

 Os edifícios mistos, quando obrigatória a instalação de elevador, deverão ser servidos por elevador exclusivo para atividade residencial e exclusivo para comercial e serviços, devendo o cálculo de tráfego ser feito separadamente.(Art. 124)

O hall para acesso aos elevadores, em qualquer pavimento deverá ser dimensionado de forma a inscrever um círculo com largura não inferior a:

I - 1,50m para usos residenciais;

II - 2,00m para demais usos.

 As edificações multifamiliares verticais, em suas áreas de uso comum, deverão obedecer, além das demais disposições deste código no que couber, às seguintes condições:

II - hall de acesso à edificação que permita inscrição de um círculo com diâmetro mínimo de 2,00m, sendo que este não poderá se sobrepor ao hall de acesso aos elevadores ou circulações.

III - depósito de material de limpeza com previsão de tanque de lavagem;

IV - instalações para armazenagem de resíduos sólidos;

V - sanitário com vestiário para funcionários;

VI - copa para funcionários;

VII - caixa receptora de correspondência;

VIII - quando possuir área de lazer, esta deverá ter sanitário para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

As edificações multifamiliares com 15 unidades ou mais deverão ter previsão de espaço para serviço de portaria.

Art. 179 As edificações residenciais multifamiliares terão em cada unidade residencial: ambientes para estar, repouso, preparo de alimentos e higiene; pé-direito mínimo de 2,60m; pé-direito mínimo de 2,40m para área de serviço, sanitários, banheiros e cozinhas.

Cada unidade residencial terá pelo menos um banheiro, vedada sua abertura para o ambiente de preparo de alimentos.

Art. 183 As lojas deverão obedecer ás seguintes condições:

I - pé direito mínimo de 3,00m;

II - largura mínima de 3,00m;

III - 01 (um) sanitário em lojas até 75m²;

IV - 02 (dois) sanitários em lojas até 150m²;

V - sanitários calculados conforme a demanda e separados por gênero, em lojas acima de 150m²;

 Será exigido, no mínimo, um sanitário dotado de condições de acessibilidade para uso de pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida, de acordo com as exigências da NBR 9050, em sanitários coletivos ou lojas acima de 150m². Quando houver sanitários coletivos, as unidades autônomas serão dispensadas da previsão de sanitários privativos.

NBR 9050

11.3.1 Módulo de referência

Considera-se o módulo de referência a projeção de 0,80 m por 1,20 m no piso, ocupada por uma pessoa utilizando cadeira de rodas, conforme figura ....

Figura
O autor (2020)

11.3.2 Área de circulação

Largura para deslocamento em linha reta de pessoas em cadeira de rodas 

Figura
O autor (2020)

11.3.3 Área para manobra de cadeiras de rodas sem deslocamento

As medidas necessárias para a manobra de cadeira de rodas sem deslocamento, conforme a figura ...., são:

a) para rotação de 90° = 1,20 m x 1,20 m;

b) para rotação de 180° = 1,50 m x 1,20 m;

c) para rotação de 360° = diâmetro de 1,50 m.

Figura
O autor (2020)

11.3.4 Manobra de cadeiras de rodas com deslocamento

A figura .... exemplifica condições para manobra de cadeiras de rodas com deslocamento.

Figura
O autor (2020)

11.3.5 Corrimãos

Os corrimãos devem ser instalados em ambos os lados dos degraus das escadas fixas e das rampas. Devem ter largura entre 3,0 cm e 4,5 cm, sem arestas vivas. Deve ser deixado um espaço livre de no mínimo 4,0 cm entre a parede e o corrimão. Devem permitir boa empunhadura e deslizamento, sendo preferencialmente de seção circular.

Figura
O autor (2020)

11.3.6 Sinalização visual de degraus

A sinalização tátil no piso pode ser do tipo de alerta ou direcional. Ambas devem ter cor contrastante com a do piso adjacente, e podem ser sobrepostas ou integradas ao piso existente, atendendo às seguintes condições: 

Figura
O autor (2020)

 Sinalização tátil de alerta junto à porta de elevador 

Figura 32
O autor (2020)

 Composição de sinalização tátil de alerta e direcional junto às portas de elevadores -

Figura 33
O autor (2020)

O dimensionamento da faixa elevada é feito da mesma forma que a faixa de travessia de pedestres, acrescida dos espaços necessários para a rampa de transposição para veículos conforme figura 99. A faixa elevada pode estar localizada nas esquinas ou no meio de quadras.

Figura 31
NBR 9050


Rampas

As rampas devem ter inclinação de acordo com os limites estabelecidos. Para inclinação entre 6,25% e 8,33% devem ser previstas áreas de descanso nos patamares, a cada 50 m de percurso. 

Figura
O autor (2020)


A largura das rampas (L) deve ser estabelecida de acordo com o fluxo de pessoas. A largura  livre mínima recomendável para as rampas em rotas acessíveis é de 1,50 m, sendo o mínimo admissível  1,20 m, conforme figura .... 

Figura
O autor (2020)

Patamares das rampas

No início e no término da rampa devem ser previstos patamares com dimensão longitudinal  mínima recomendável de 1,50 m, sendo o mínimo admissível 1,20 m, além da área de circulação adjacente, conforme figura 82. 

Figura
O autor (2020)




NBR 9077

Tabela 1 - Classificação das edificações quanto à sua ocupação.

Residencial grupo A descrição A-2 Habitações multifamiliares

Serviços profissionais, grupo D, descrição D-1 pessoais e técnicos Locais para prestação de serviços profissionais ou condução de negócios

Tabela 2 - Classificação das edificações quanto à altura.

Grupo O Edificações altas12,00 m < H - 30,00 m 0 – 2 Edificações dotadas de pavimentos recuados em relação aos

Tabela 3 - Classificação das edificações quanto às suas dimensões em planta.

γ quanto à área total S (soma das áreas de todos os pavimentos da edificação)

Codigo W Edificações muito grandes At > 5000 m

Tabela 4 - Classificação das edificações quanto às suas características construtivas.

Z Edificações em que a propagação do fogo é difícil.

Prédios com estrutura resistente ao fogo e isolamento entre pavimentos

Prédios com concreto armado calculado para resistir ao fogo, com divisórias incombustíveis, sem divisórias leves, com parapeitos de alvenaria sob as janelas ou com abas prolongando os entrepisos e outros

Tabela 5 - Dados para o dimensionamento das saídas.

Residencial A-2 Duas pessoas por dormitório(C)

Capacidade da U. de passagem, Acesso e descarga 60 / Escadas e rampas 45 / Portas 100

Comercial D - Uma pessoa por 7,00 m2 de área

Capacidade da U. de passagem, Acesso e descarga 100 / Escadas e rampas 60/ Portas 100

Tabela 6 - Distâncias máximas a serem percorridas.

Figura 32 — NBR 9077
NBR 9077NBR 9077

Tabela 7 - Número de saídas e tipos de escadas.

Figura 33 — Tabela 7 - Número de saídas e tipos de escadas.
Tabela 7 - Número de saídas e tipos de escadas.NBR 9077

Tabela 8 - Exigência de alarme.

* = Locais onde é exigido alarme.

Figura 34 — NBR 9077
NBR 9077NBR 9077

CONCEITO

O termo Biofilia vem do grego bios, vida e philia, amor, que significa “amor pela vida”. É a necessidade que sentimos de estar em contato com a natureza, através de vegetação, iluminação natural, ventilação natural, vistas para o exterior, uso de materiais naturais, água. A experiência direta com a natureza se refere ao contato direto com elementos, tais como luz e ar natural, plantas, animais, água, fogo, áreas abertas (clima) e paisagens naturais. 

"Na biofilia inata, ou seja, a afinidade inerente dos seres humanos com a natureza, há um laço especial com o mundo natural como parte da herança  biológica. Este sentimento que nutre o amor pela natureza sobressai quando  percebemos que, onde ela existe, o ambiente desperta o interesse. Ela não é imutável; as estações do ano, as fases de crescimento, o vicejar de plantas, flores e frutos e a sombras que ela nos proporciona criam ambientes convidativos onde temos, sem saber a razão, sensações positivas. A vida equilibrada e saudável depende da energia das plantas, do verde e da água." (Prochnow, Simone Back. Quarta natureza: curando lugares . )

Figura 28 — Exemplo de biofilia aplicado em ambientes
Exemplo de biofilia aplicado em ambientesGardenista. 2013. Adaptado pelo autor

DIRETRIZES ARQUITETÔNICAS

As diretrizes arquitetônicas vão explorar a topografia, posição solar e as visuais. Os ambientes internos e externos serão em contato com a natureza, trazendo uma experiência sensorial e sensações positivas, promovendo perspectivas agradáveis para a edificação.

Em relação aos materiais, será proposto uso de materiais leves, uso de vidro para integrar o interno e externo, tirando proveito da integração com o Parque da Gare. Uso de madeira e formas orgânicas, que trazem sensação de conforto. 

DIRETRIZES URBANÍSTICAS

As diretrizes urbanísticas serão pensadas de forma que aumente a segurança da área de intervenção, e traga acessibilidade. Será proposto a manutenção do passeio público, tornando acessível, instalação de piso podotátil, iluminação pública adequada e faixas de segurança nas ruas do entorno. Para a melhoria do fluxo de veículos e acesso ao terreno, será proposto o asfaltamendo das ruas Capitão Bernardo e João Lamachia Godinho.

PRÉ-DIMENSIONAMENTO

Programa de necessidades

A tabela a seguir apresenta o programa de necessidades dividido nos setores residencial, comercial e de serviço  interligados ao pré- dimensionamento. 

proposta 1

Estudo de mancha

Fluxograma

Organograma

Proposta 2

Estudo de mancha

Fluxograma

Organograma

Proposta 3 

Estudo de mancha

Fluxograma

Organograma

Referências

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BeneditoABBUD. Criando paisagens : Guia de trabalho em arquitetura paisagística. 4. ed. São Paulo: Senac, 2006.

Brasil. Prefeitura. Lei Municipal n. 170. Trabalhos Acadêmicos. Plano Diretor de Passo Fundo - RS. Passo Fundo, 09 de outubro de 2006. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/plano-diretor-passo-fundo-rs. Acesso em: 3 set. 2020.

Brasil. Prefeitura. Lei Municipal n. 399, de 07 de novembro de 2016. Trabalhos Acadêmicos. Código de Obras de Passo Fundo - RS. Passo Fundo. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/codigo-de-obras-passo-fundo-rs. Acesso em: 3 set. 2020.

Cruciol VecchiattiANA CAROLINA. A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS EDIFICAÇÕES DE USO MISTO. Doc Player. Tradução Ana Carolina. Filadélfia. 9 p. Tradução de: THE HISTORICAL EVOLUTION OF MIXED-USE BUILDINGS. Disponível em: https://docplayer.com.br/3327580-A-evolucao-historica-das-edificacoes-de-uso-misto.html. Acesso em: 3 set. 2020.

DunnettKingsbury. Planting Green Roofsand Living Walls.. Portland: Timber Press, 2004.

Edifícios de uso misto: aproveite seu prédio ao máximo. Urban Hub. 2018. Disponível em: https://www.urban-hub.com/pt-br/buildings/edificios-de-uso-misto-diversidade-e-sustentabilidade/. Acesso em: 3 set. 2020.

Enciclópedia BARSA. Encyclopaedia Britânia Editores Ltda, v. 2. 1980.

FerrazRegina. Por que decorar com plantas os ambientes de trabalho?. Por Inteiro Arquitetura e Marketing, 21 06 2016. Disponível em: https://www.porinteiro.com.br/por-que-decorar-com-plantas-os-ambientes-de-trabalhao/. Acesso em: 20 ago. 2020.

MacedoSoares S; RobbaFabio. Praças brasileiras. 2. ed. São Paulo: Ed. São Paulo, 2003.

MORENOJÚLIO. O futuro das cidades. 2. ed. São Paulo: SENAC, 2002. 150 p.

MusiatowiczMartin. Vigor híbrido e a arte de misturar. Disponível em: . Acesso em: 13 set. 2020.

MuñozLuiza. DESEMPENHO TÉRMICO DE JARDINS VERTICAIS DE TIPOLOGIA FACHADA VERDE. Campinas - SP, v. 10, 2019. 20 p. Dissertação (Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Campinas - SP, 2019.

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). OBJETIVO 11: CIDADES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS. UNDP. BAHIA, 2020. 1 p. Disponível em: https://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/sustainable-development-goals/goal-11-sustainable-cities-and-communities.html. Acesso em: 28 set. 2020.

RodriguesLuciana Arantes. Técnicas e Tecnologias para implementar paredes verdes em Edifícios Residenciais e Comerciais na cidade de São Paulo: Mestrado em Habitação: Planejamento e Tecnologia. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. São Paulo, 2017. Disponível em: . Acesso em: 5 out. 2020.

ROGERSRICHARD. Cidades para um pequeno planeta. Tradução Anita Regina Di Marco. Barcelona: Editorial Gustavo Gilli, v. 1, 1997. 99 p. Tradução de: Cities for small planet .

ROSSETOGELPI. Planejamento e Educação Ambiental. In apostila de aula.. Passo Fundo: Curso de Arquitetura e Urbanismo. Universidade de Passo Fundo, 1999.

SAMPAIOMARIA RUTH AMARAL. Promocao Privada De Habitacao Economica E A Arquitetura Moderna 1930-1964. São Paulo: RIMA, 2002. 320 p.

SchererMinéia Johann ; FedrizziBeatriz. Jardins verticais: potencialidades para o ambiente urbano. Encontro latinoamericano de edificações e comunidades sustentáveis, 2013. Disponível em: . Acesso em: 5 out. 2020.

VenhoevenCS. "Edifício MicroCity Het Platform / VenhoevenCS" : [MicroCity Het Platform. ArchDaily Brasil. 2020. 1 p. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/945262/edificio-microcity-het-platform-venhoevencs. Acesso em: 5 set. 2020.

WalshNiall Patrick . Stefano Boeri: "As cidades têm o potencial de se tornarem protagonistas de uma mudança radical". ArchDaily. Tradução Eduardo Souza. 2019. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/908879/stefano-boeri-as-cidades-tem-o-potencial-de-se-tornarem-protagonistas-de-uma-mudanca-radical. Acesso em: 5 set. 2020.

WhiteAlcock. Gastar pelo menos 120 minutos por semana na natureza está associado a boa saúde e bem-estar. Nature/Scientific Reports. Londres, 2019. Tradução de: Spending at least 120 minutes a week in nature is associated with good health and wellbeing. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-019-44097-3. Acesso em: 28 set. 2020.

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