DETERMINANTES AMBIENTAIS NA CONSTITUIÇÃO QUÍMICA E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE ÓLEOS ESSENCIAIS DE XYLOPIA AROMATICA (ANNONACEAE) DA SAVANA DE RORAIMA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM RECURSOS NATURAIS

DETERMINANTES AMBIENTAIS NA CONSTITUIÇÃO QUÍMICA E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DE ÓLEOS ESSENCIAIS DE XYLOPIA AROMATICA (ANNONACEAE) DA SAVANA DE RORAIMA

SEBASTIAO SALAZAR JANSEM FILHO

Orientador: Profª Dra. Adriana Flach

Coorientador: Profº Dr. Reinaldo Imbrózio Barbosa

Resumo

Foi realizada a avaliação do efeito das determinates ambientais na constituição química e atividade de óleos essencias de folhas de Xylopia aromatica (Annonaceae) da savana de Roraima utilizando 9 exemplares da espécie dispostos em três áreas distintas durante 12 meses. Os óleos essenciais foram obtidos por hidrodestilação de 100g de folhas por três horas e obtidos os respectivos rendimentos. A caracterização química foi determinada por cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (CG-EM) e cromatografia gasosa com detector de ionização por chama (CG-DIC). A precipitação de chuva foi obtida pelos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de meteorologia – INMET, os dados de temperatura e insolação foram obtidos em cada coleta. As análises de textura e fertilidade do solo foram realizadas em parceria com Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel da Universidade Federal de Pelotas. Os maiores rendimentos de óleo essencial foram encontrados nos indivíduos nomeados como CCA-4 (0,84 %) e CCA-5 (0,81 %) e os menores foram encontrados nos indivíduos nomeados como Norte-08 (0,11%) e Norte-09 (0,14%). Os compostos majoritários foram: β-felandreno (37,5% +/- 26,5) para todos indivíduos exceto para Sul-1, CCA-4 e CCA-5, biciclogermacreno (15,9% +/- 11,0), viridiflorol (5,16% +/-4,68) sendo este exclusivo dos indivíduos Sul-3, CCA-5, Norte-7, Norte-8 e Norte-9. O composto não identificado ni-39 (13,47% +/-20,58) apresentou-se majoritariamente nos indivíduos Sul-1, Sul-2 (CCA-4, CCA-5). O composto não identificado ni-43 (4,40% +/-7,39) apresentou-se exclusivamente nos indivíduos CCA-4 e CCA-5. Foi possível então, identificar 27 compostos inéditos. A atividade antioxidante foi determinada pela média das três análises realizadas porém apresneteou baixa eficiência mesmo quando utilizada a concentração de 40 µg/mL. Pelo método DPPH· o menor IC50 foi observado em CCA-6 (0,511 µg/mL). Pelo método β-caroteno/ácido linoléico as amostras foram indutoras da oxidação. Utilizando análises multivariadas (ACP) foi possível estabelecer correlações entre o rendimento, maior em períodos secos, e composição dos óleos com os fatores ambientais, desta forma os dois agrupamentos de dados da composição não são justificados pela variação espacial nem temporal, porém em nível individual indica forte tendência de separação entre indivíduos aonde os resultados das amostras Sul-1, CCA-4 e CCA-5 se distinguem em função da variabilidade dos teores de α- muurolol e ni-32. O pH mais ácido do solo, associado a maior concentração de alumínio e maior capacidade de troca catiônica (CTC-efetiva) apresentaram maiores correlações com os maiores rendimentos de óleos essencial.

Palavras-chave: Xylopia aromatica – óleo essencial – fatores ambientais

Abstract

An evaluation of the effect of environmental determinants on the chemical constitution and activity of essential oils from leaves of Xylopia aromatica (Annonaceae) from the savannah of Roraima was carried out using 9 specimens of the species arranged in three different areas for 12 months. The essential oils were obtained by hydrodistillation of 100g of leaves for three hours and the respective yields were obtained. The chemical characterization was determined by gas chromatography coupled to mass spectrometry (CG-EM) and gas chromatography with flame ionization detector (CG-DIC). Rainfall was obtained from data provided by the National Meteorological Institute - INMET, temperature and sunshine data were obtained from each collection. Soil texture and fertility analyzes were carried out in partnership with the Faculty of Agronomy Eliseu Maciel of the Federal University of Pelotas. The highest yields of essential oil were found in individuals named CCA-4 (0.84%) and CCA-5 (0.81%) and the lowest were found in individuals named North-08 (0.11%) and North-09 (0.14%). The major compounds were: β-felandrene (37.5% +/- 26.5) for all individuals except for Sul-1, CCA-4 and CCA-5, bicyclogermacrene (15.9% +/- 11.0) , viridiflorol (5.16% +/- 4.68) being exclusive to individuals Sul-3, CCA-5, Norte-7, Norte-8 and Norte-9. The unidentified compound ni-39 (13.47% +/- 20.58) was found mainly in individuals Sul-1, Sul-2 (CCA-4, CCA-5). The unidentified compound ni-43 (4.40% +/- 7.39) presented exclusively in individuals CCA-4 and CCA-5. It was then possible to identify 27 new compounds. The antioxidant activity was determined by the average of the three analyzes performed, but it showed low efficiency even when the concentration of 40 µg / mL was used. By the DPPH · method, the lowest IC50 was observed in CCA-6 (0.511 µg / mL). By the β-carotene / linoleic acid method the samples were inducing oxidation. Using multivariate analyzes (PCA) it was possible to establish correlations between yield, higher in dry periods, and oil composition with environmental factors, so the two groups of composition data are not justified by spatial or temporal variation, but at the individual level indicates a strong tendency of separation between individuals where the results of the samples Sul-1, CCA-4 and CCA-5 are distinguished due to the variability of the levels of α-muurolol and ni-32. The more acidic pH of the soil, associated with a higher concentration of aluminum and a greater cation exchange capacity (CTC-effective) showed greater correlations with higher yields of essential oils.

Keywords: Xylopia aromatica - essential oil - environmental factors

Introdução

O Brasil, possui biodiversidade com grande potencial para pesquisas, principalmente de atividades terapêuticas. As plantas da família Annonaceae, detém muitas espécies distribuídas na região amazônica usadas na medicina popular e para fins alimentícios.

As áreas de savana da Amazônia apresentam características ambientais muito próprias representadas por extensos períodos secos intensos associados a fortes períodos chuvosos, o que pode determinar a adaptação das plantas e contribuir para sua resistência, associação com outras espécies e até um mecanismo de competição entre elas.

Xylopia aromatica (Lamarck) Martius (Annonaceae) é uma espécie comum na grande área de savana do Estado de Roraima apresentando composição e atividades biológicas que podem variar em função do tipo de adaptação ao ambiente de seu metabolismo. A literatura contém diversos estudos químicos e de atividades com esta espécie identificando a presença de metabólitos importantes, esclarecendo algumas de suas aplicações e potencial farmacológico, porém a interferência do ambiente, principalmente dos fatores edáficos, tipo de fitofisionomia e sazonalidade climática sobre suas propriedades ainda é pouco abordada.

Estudos com outras espécies mostram que há interferência de fatores ambientais em diversas características das plantas, desde funções ecológicas até de atividades biológicas importantes, podendo até justificar a sua utilização empírica. A identificação destes fatores auxilia na compreensão da diversidade da composição química além do comportamento das variações de teores dos compostos nos óleos essenciais. Desta forma, este trabalho visa identificar se existem e quais são as influências ambientais que podem ser correlacionadas com a composição do óleo essencial da espécie proposta neste estudo.

família Annonaceae

A família Annonaceae é uma das maiores famílias das Magnoliales e detém aproximadamente 128 gêneros e 2.300 espécies  (Maas, P.; Lobão, A.; Rainer, H, 2015).

Ocorrem em regiões tropicais, subtropicais e crescem, principalmente, em planícies abertas LEBOEUF, M. et al (1980). É uma família pantropical de árvores, arbustos e lianas que desempenham um papel ecológico importante em termos de diversidade de espécies, especialmente em ecossistemas de floresta tropical. Annonoideae é a maior subfamília que ocorre no Brasil.  (COUVREUR et al., 2012, p. 76)

A família Annonaceae está distribuída na região amazônica e guianas (RIBEIRO, 1999), (HOPKINS, 2005). Entre os gêneros conhecidos de Annonaceae, Annona é o de maior importância como fonte de frutos comestíveis  (FERREIRA et al., 2019, p. 3). Além deste, Duguetia, Guatteria e Xylopia são os gêneros mais representativos da família na flora brasileira. No Brasil ocorrem 29 gêneros e 386 espécies de Annonaceae distribuídas, principalmente, na Amazônia, mata atlântica e cerrado, alem disso a Amazônia B rasileira abriga três quartos da diversidade de Annonaceae (LOPESMELLO-SILVA, 2014, p. 126).

ocorrência de annonaceae no brasil

Muitas espécies da família Annonaceae são usadas na medicina popular mundial e também no Brasil com finalidades como: antiplasmódica, antibacteriana, antifúngica, antioxidante, anticancerígena, antidepressiva e até como vasorrelaxante e hipotensivo (FRAUSIN et al., 2014, p. 317)(Li et al., 2013, p. 8259).

Analisando a composição mais recorrente é possível identificar que os constituintes mais frequentemente identificados em Annonaceae são: acetogeninas, terpenos e alcaloides. ZENG et al. (1996) publicaram uma revisão reportando extração, atividade biológica e estrutura de mais de 230 acetogeninas isoladas de Annonaceae, enquanto GONZÁLEZ-ESQUINCA et al. (2014) citam 593 acetogeninas identificadas até 2004. Já LUCIO et al. (2015) citam o isolamento de mais de 800 alcaloides para esta família e ainda os terpenos, sejam eles voláteis ou fixos, também apresentam um número significativo de constituintes identificados nesta família de plantas.

gênero Xylopia

O gênero Xylopia é constituído por cerca de 150 espécies, sendo conhecidas por seus usos etnomedicinais e atividade farmacológica, e um exemplo é o gênero Xylopia, da tribo Xylopieae, possui distribuição pantropical, sendo a mais ampla dentre as Annonaceae  (DIASKINOSHITA, 1998). No Brasil, é frequente em matas do litoral e no cerrado, sendo as espécies conhecidas e mais comuns aXylopia aromatica (Annonaceae) e a Xylopia brasiliensis (Annonaceae) (STASI; HIRUMA- LIMA, 2002). O gênero Xylopia possui 160 espécies distribuídas na savana e áreas tropicais (Maas, Lobão, & Rainer, 2014).

Há 70 espécies na África, 40 na Ásia e Oceania e 50 nas Américas, das quais 32 ocorrem no Brasil (DIAS; KINOSHITA, 1998). Em Roraima estão catalogadas mais de 15 espécies de Xylopia (RORAIMA, 2015) mas nenhum estudo de sua composição ou atividade biológica foi realizado com plantas coletadas em sua savana 

O gênero Xylopia é reconhecido por apresentar uma diversidade de propriedades medicinais. Duas revisões sobre a composição química e atividade biológica foram publicadas recentemente (Silva et al., 2015) e registram a identificação de terpenos (monoterpenos, sesquiterpenos e diterpenos), esteroides, alcaloides, acetogeninas, amidas, flavonoides, xantenos, ligninas, derivados de ácidos benzoicos, hidrocarbonetos e cetonas alifáticas.

A Xylopia aromatica (Annonaceae) é uma espécie abundante nas savanas amazônicas e no cerrado do Brasil Central (MAAS, 2013; BARBOSA et al., 2007). No Brasil, segundo Stasi e Hiruma-Lima (2002), a espécie é frequente em matas do litoral e no cerrado, e ocorre desde o Sudeste até a região norte do país.

A Xylopia aromatica

Xylopia aromatica (Annonaceae) é uma das arvores arbustivas mais representativas   apresentadas na fitofisionomia da savana de Roraima (BARBOSA, R. I BACELAR-LIMA, C. G, 2008). Esta arvore é facilmente reconhecida pela copa piramidal com ramos e folhas pendentes simples, além de ser de pequeno a médio porte, medindo entre 5 a 10 metros de altura, frutos em pequenos cachos com 2,0 cm por 0,5 cm cada, sendo verde à amarelo avermelhado por fora que se abre expondo o interior de um vermelho intenso com sementes pretas recobertas de uma película cinza, conforme pode ser observado na figura 2.

Figura 1 — Exemplar de Xylopia aromatica (Annonaceae)
Exemplar de Xylopia aromatica (Annonaceae)O autor (2021)

Possui nomes populares, entre os quais açoita-cavalo, bananinha, begerecum, cedro-do-campo, envireira, imbiriba, pimenta-de-macaco, pimenteira, pindaíba, pindaíba-de-macaco e pindaíba-do-campo (MELO; BARBOSA, 2007; LOPES; MELLO-SILVA, 2014).

Xylopia aromatica (Annonaceae) é uma espécie conhecida pelos seus frutos comestíveis (MAAS; LOBÃO; RAINER, 2013), sendo utilizada popularmente como condimento em substituição à pimenta-do-reino (Piper nigrum). Na região amazônica da Colômbia, os índios witoto utilizam, com cautela, o chá das folhas como diurético e antiedematogênico (STASI; HIRUMA-LIMA, 2002).

Conhecida também pelo uso para tratamento de febres e gripes, principalmente para o tratamento de doenças parasitárias (WANNES et al., 2010), esta espécie apresenta atividade biológica bastante ativa contra Plasmodium falciparum in vitro demonstrada por Frausin et al. (2014).

No Brasil, esta planta tem incidência em todas as regiões (imagem-1).

Imagem 1 — Ocorência de Xylopia aromatica (Annonaceae) no Brasil
Ocorência de Xylopia aromatica (Annonaceae) no BrasilMaas, P.; Lobão, A.; Rainer, H (2015)

Em Roraima foi relatada sua ocorrência em todos os municípios e, segundo os dados do Museu Integrado de Roraima (MIRR), há exsicatas desta espécie, depositadas oriundas de estudos da identificação botânica e outros. Estão catalogadas mais de 70 exsicatas registradas de Xylopia aromatica (Annonaceae) coletadas em Roraima (RORAIMA, 2015). Esta espécie é umas das mais representativas da família Annonaceae presentes na savana de Roraima (barbosa, 2008).

Em sua constituição química, os óleos essenciais de Xylopia aromatica (Annonaceae) detém alcaloides, amidas, lignoides, acetogeninas e terpenos, no extrato etanólico da casca foram isoladas acetogeninas, do extrato hexânico dos frutos foram isolados diterpenos além de um sesquiterpeno (espatulenol) e um esteroide (estigmasterol). Do extrato diclorometânico da casca do caule foram isolados dímeros labdânicos, segundo o trabalho de Martins et al. (1995) que também isolaram alcaloides da casca do caule.

O extrato metanólico das sementes apresentou atividade citotóxica e antiparasitária para Tripanosoma cruzi (VERGARA et al., 2006). O extrato hexânico das sementes também apresentou atividade antiparasitária contra Tripanossoma cruzi e atividade contra promastigotas de Leishimania chagasi.

Em relação à composição de voláteis, o estudo de Lago et al. (2003) verificou que o óleo essencial obtido por hidrodestilação de folhas de Xylopia aromatica (Annonaceae), coletado no estado de São Paulo, apresentou composição, principalmente, de monoterpenos. Já os estudos de Maia et al. (2005) com folhas coletadas no estado do Pará, que também utilizaram a extração por hidrodestilação, mostraram as composições dos óleos de Xylopia aromatica (Annonaceae) com predominância de sesquiterpenos. Os dados comparativos são apresentados a seguir (Quadro 1).

Quadro 1 — Composição química de óleos essenciais de Xylopia aromatica (Annonaceae) descrita na literatura.
    Compostos% determinado por Lago et al.( 2003)%     determinado     por Maia et al.(2005)
Monoterpenos
α-pineno26,13,4
sabineno0,90,1
β-pineno19,02,3
Mirceno1,40,2
Limoneno22,34,6
Linalol-0,3
(Z) β-ocimeno1,72,8
(E) β-ocimeno0,70,2
a-terpineol-0,2
Geraniol-0,3
 Sesquiterpenos 
d-elemeno-0,4
a-copaeno-1,1
b-elemeno-0,6
b-cariofileno-0,9
Aromadendreno-0,9
a-humuleno-1,0
Allo-aromadendreno-1,2
Germacreno-D1,32,0
Biciclogermacreno20,436,5
trans-b-guaieno-0,3
d-cadineno-0,5
Selina-3,7-dieno 0,8
Germacreno-B2,52,2
Espatulenol3,120,5
Globulol0,62,3
(E)-14-hidroxi-9-epi-(E)-cariofileno-3,1
Sesquiterpenos não identificados-11,1
TOTAL100,0100,0
 -= composto ausente  
O autor (2021)

óleo essencial

O termo óleo essencial foi definido no século XVI por Paracelso, médico e alquimista suíço que denominava o princípio ativo de uma droga como “quinta essência” (BANDONI, 2000). A ISO (International Standard Organization) define óleos voláteis ou essenciais como sendo produtos obtidos de partes de plantas por meio da destilação por arraste de vapor de água ou por prensagem dos pericarpos de frutos. Os óleos essenciais constituem matérias-primas de importância para as indústrias cosmética, farmacêutica e alimentícia pois são misturas de compostos caracterizados pela sua capacidade de gerar sabor ou aroma (KOHLERT et al., 2000). Essas substâncias orgânicas são os principais componentes bioquímicos de ação terapêutica das plantas medicinais e aromáticas (SIMÕES; SPITZER, 2007). O óleo essencial obtido de folhas e constituído de odor forte e sabor aromático (CRAVEIRO,1981).

O aroma intenso da maioria dos óleos voláteis é uma característica importante, pois os óleos são utilizados há séculos como flavorizantes na fabricação de cosméticos e perfumarias. Como são solúveis em solventes orgânicos apolares possuem solubilidade limitada em água.

A maioria dos óleos essenciais é constituída de derivados fenilpropanóides ou de terpenóides (BRAZ-FILHO, 2010), além de álcoois simples, aldeídos, cetonas, fenóis, ésteres, éteres, óxidos, peróxidos, furanos, ácidos orgânicos, lactonas, cumarinas e compostos com enxofre, geralmente em quantidades variadas (SIMÕES; SPITZER, 2007).

A síntese e a composição dos óleos essenciais em plantas aromáticas são influenciadas pelo genótipo, o estádio de desenvolvimento da planta e as condições ambientais (MAROTTI et al., 1994), e pode variar com os seguintes fatores: origem botânica, ciclo vegetativo, fatores climáticos, tipo de solo e procedimentos de obtenção do óleo. Nas plantas, os compostos voláteis, atuam principalmente como atrativos para agentes polinizadores, inseticidas e fungicidas (CHENG et al., 2004).

Um óleo essencial é um produto volátil de composição química extremamente complexa e com enorme variabilidade e estabilidade (BANDONI, 2000). A extração de óleo essencial conforme a Farmacopeia Brasileira (BRASIL, 2010) podendo ser por arraste de vapor ou hidrodestilação e as análises de composição química de óleo essencial podem ser realizadas por cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas.

Extração de óleo essencial por hidrodestilação

O processo de hidrodestilação utiliza o princípio de evaporar uma mistura de vapor de água e componentes voláteis presentes no material vegetal, por meio do aparelho de Clevenger (LORENZO et al., 2000), que é acoplado a um condensador de vidro refrigerado por água. O aparelho de Clevenger deve ser, também, acoplado a um balão de fundo redondo que, por sua vez, deve ser colocado em fonte de calor para promover a ebulição da água com o material vegetal, promovendo, desta maneira, o arraste dos compostos voláteis que em seguida condensam, formando uma mistura heterogênea, com duas fases devido à diferença de polaridade e densidade entre a água e o óleo.

Após separar-se da água, o óleo deve ser seco com sulfato de sódio anidro. Este é o método mais comum de extração de óleos essenciais. A seguir são apresentados o equipamento de extração e a separação do óleo (Figura 2).

Figura 2 — (A) Clevenger modificado e (B) separação do óleo.
(A) Clevenger modificado e (B) separação do óleo.O autor (2021)

O óleo extraído pode então ser submetido aos estes de atividades e ser caracterizado pelos métodos de identificação de sua composição.

RADICAIS LIVRES E AGENTES ANTIOXIDANTES

Propriedades biológicas como a atividade antioxidante dependem da estrutura química enquanto agente redutor, inativação de radicais e reatividade com outros elementos antioxidantes. A oxidação é parte fundamental do metabolismo humano, assim, os radicais livres são produzidos naturalmente ou por alguma disfunção biológica.

Devido ao número de espécies de plantas com atividades biológicas existentes e o potencial farmacológico que possam apresentar, há um vasto campo para a bioprospecção de substâncias com atividades. Os antioxidantes de melhor eficiência têm como principal característica a sua boa atividade associada ao mínimo potencial de citotoxicidade (RODRIGUEZ et al., 2008).

Os agentes antioxidantes, segundo Halliwell e Gutteridge (1995) são substâncias que quando presente em baixa concentração comparada à do substrato oxidável, regenera o substrato ou previne significativamente a oxidação do mesmo. Dois métodos laboratoriais espectrofotométricos para verificação desta atividade foram escolhidos, sendo: DPPH• (2,2-difenil-1-picrilhidrazil) e β–caroteno/ácido linoleico. O DPPH• que é um cromógeno muito estável e apresenta um pico de absorbância em 515 nm, mas as metodologias utilizadas podem variar bastante (ARNAO, 2000; ZHUANG; SCHOLZ; PRAGST, 1999).

Para Mensor et al. (2001) o método DPPH• é rápido e fácil para avaliar a presença de antioxidante na amostra. A grande vantagem deste método consiste na sua rápida preparação, realizada em temperatura ambiente, eliminando, assim, qualquer risco de degradação térmica das moléculas em estudo.

Ensaios com DPPH•

O método DPPH• é um dos métodos utilizados para avaliação in vitro para investigar a atividade sequestradora de radicais de moléculas que possuam, em seu mecanismo de ação, a capacidade de doar átomos de hidrogênio para o radical (ARNAO, 2000). A seguir, está representado o radical livre utilizado neste método (Figura 3).

Figura 3 — Radical livre DPPH•
Radical livre DPPH•O autor (2021)

O método DPPH• é  utilizado para avaliação da capacidade antioxidante, mas essa avaliação antioxidante não deve se basear apenas em uma única metodologia, sendo necessários outros métodos para caracterizar completamente um composto como antioxidante.

Ensaios com β- caroteno/ácido linoléico 

Trata-se de um ensaio baseado na descoloração (oxidação) do β-caroteno induzida pelos produtos de degradação oxidativa do ácido linoleico, ou seja, avalia a atividade de inibição de radicais livres gerados durante a peroxidação do ácido linoleico (DUARTE-ALMEIDA et al., 2006). A inibição da reação de auto oxidação do β-caroteno deve ser realizada seguindo a metodologia de Wannes et al. (2010), a qual se baseia na perda da cor amarela do β-caroteno devido a sua reação com os radicais formados pela oxidação do ácido linoleico por uma emulsão, sendo então os resultados expressos como porcentagem de atividade antioxidante (% AA). Sendo assim, a atividade antioxidante é avaliada pela adição de uma amostra que contenha antioxidantes e que, ao reagir com o radical peroxil, contribui para retardar a queda de coloração do β-caroteno, consequentemente a defesa contra o ataque dos radicais livres. A seguir são apresentados, o β-caroteno e ácido linoleico (Figura 4 A,B).

Figura 4 — (A) β-caroteno e (B) ácido linoleico
(A) β-caroteno e (B) ácido linoleicoO autor (2021)

Dessa forma o método de oxidação do β-caroteno/ácido linoléico avalia a atividade de inibição de radicais livres gerados durante a peroxidação do ácido linoléico. O método está fundamentado em medidas espectrofotométricas da descoloração (oxidação) do β-caroteno induzida pelos produtos de degradação oxidativa do ácido linoléico. (MARCO, 1968; MILLER, 1971).

fatores ambientais

São fatores relacionados às características do meio em que estão inseridas as plantas que se desenvolvem em um ambiente tropical. Os fatores abióticos são os fatores recebidos pelos seres vivos em um ecossistema.

A savana de Roraima detém o clima tropical do tipo Aw pela classificação de Köppen, com altas temperaturas médias durante o ano e com o pico da estação seca situado entre dezembro e março; com os meses de maio a julho representando o período de maior ocorrência de chuvas (BARBOSA, 1997). Essa variação determina duas estações climáticas: uma seca e uma chuvosa.

As condições ambientais podem influenciar na biossíntese de metabólitos secundários e a temperatura é uma delas, pois variações extremas são desfavoráveis ao metabolismo das plantas, sejam pelos seus valores muito elevados ou muito baixos. De maneira geral, temperaturas amenas são mais produtivas enquanto as temperaturas altas incidem negativamente sobre as vias metabólicas das plantas (SANTOS, 2011). Os inventários de savanas amazônicas comprovam que a diversidade de plantas aromáticas e medicinais em campos naturais dos estados de Mato Grosso, Roraima, Amapá, Tocantins, Maranhão e Pará (incluindo a Ilha de Marajó) são maiores que a apresentada pela floresta, várzea e igapó, em toda a Amazônia brasileira (MAIA et al.,2009).

A delimitação da área de estudo dentro da savana de Roraima foi representada seguindo o delimitado por Barbosa e Campos (2011), onde as variações dos fatores ambientais podem ser plenamente representadas (Figura 5).

Figura 5 — Localização da área de estudo – formação Boa Vista
Localização da área de estudo – formação Boa VistaO autor (2021)

Estudos têm demonstrado que as características genéticas das plantas medicinais e aromáticas podem ser afetadas por fatores ecológicos, incluindo precipitações, temperatura, competição entre plantas, colheita e pós-colheita, concentração de nitrogênio no solo, origem geográfica, clima, topografia, elevação e fatores edáficos (PIRBALOUTI et al.,2013).

Aspectos ambientais devem ser considerados, pois podem influenciar na produção de óleos essenciais, quais sejam: os fatores genéticos, o método e o tempo de extração, o horário de colheita, a localização das amostras, o tipo de solo, o tipo de vegetação, a incidência solar, os índices pluviométricos e a atividade antrópica. O horário de colheita é um parâmetro relevante para a produção de óleo essencial e para a composição química das plantas ao longo do dia. A temperatura e a luminosidade apresentam papel relevante na fotossíntese, pois a interação destes fatores garante um ambiente ideal para o processo fisiológico (SOUZA et al., 2008). Apesar das adaptações das espécies ao seu habitat natural, os vegetais são capazes de resistir às variações de temperatura, as quais são responsáveis pelas alterações na produção de metabólitos secundários. Os óleos essenciais, na maioria das vezes, apresentam um aumento em seu teor quando as plantas produtoras se encontram em ambientes com temperatura elevada, porém, em dias muito quentes, pode-se observar perda excessiva dos mesmos.

A intensidade luminosa é um fator que influencia a concentração, bem como a composição dos óleos essenciais. Como exemplo o desenvolvimento dos tricomas glandulares (estruturas vegetais que biossintetizam e armazenam o óleo essencial) de Ocimum basilicum (Laminaceae) são dependentes de luz (SILVA et al., 2003). A radiação solar intervém diretamente sobre o crescimento e o desenvolvimento da planta, e, indiretamente, pelos efeitos no regime térmico, sendo fundamental à produção de fitomassa.


sazonalidade

O estado de Roraima é caracterizado em seu clima pela presença de dois períodos: chuvoso e não chuvoso. O período chuvoso é compreendido entre os meses de maio a julho, quando há maior índice de precipitação. O tipo climático, de acordo com o sistema de Köppen, é do tipo Aw (tropical úmido de savana), ocorrendo no nordeste de Roraima. As médias anuais de precipitação pluvial são de 1.700-2.000 mm/ano (BARBOSA, 1997; BARBOSA et al., 2007; BRASIL,1976).

Há relatos de variação na composição química de óleos voláteis de diferentes espécies vegetais em função de variações sazonais (CHERICONI et al., 2004). As simples variações sazonais, refletidas no comportamento das plantas, certamente deslumbraram os primeiros observadores da natureza (CURTI; CZEPAK; MARTINS, 2003). Barros, Zambarda e Heinzmann (2009) avaliaram a variabilidade sazonal de Lippia alba (Verbenaceae) e comprovaram que a combinação de fatores típicos à estação do verão no sul do Brasil (altas temperaturas, longos períodos de insolação, baixos índices de umidade relativa do ar e de precipitação) favorecem o aumento da produção de óleo essencial. No inverno, por sua vez, sob condições de baixas temperaturas, curtos períodos de insolação e elevados índices de umidade relativa do ar e precipitação, ocorre diminuição dos seus teores. Com a variação sazonal, a quantidade e a natureza dos constituintes não são constantes durante o ano. Silva et al. (1999) trabalhando com alfavaca, Ocimum gratissimum (Laminaceae) obtiveram variação de mais de 80% na concentração de eugenol em seu óleo essencial, o qual atingiu o máximo no período do meio-dia (98%), contrastando com 11% no período das 17 horas.

Os trabalhos de Sarrazin et al. (2015) analisando óleo de Lippia origanoides Kunth (Verbenaceae) e a correlação com a variação sazonal, mostraram pouca influência sobre a composição do óleo em doze meses. Gobbo-Neto e Lopes (2007) mostraram que o metabolismo secundário de plantas pode variar, consideravelmente, dependendo de vários fatores ambientais como: sazonalidade, temperatura, disponibilidade hídrica, radiação ultravioleta, nutrientes e poluição atmosférica.

Nos estudos de Mendes, Casarin e Ohland (2012) o teor de óleos voláteis das folhas de Duguetia frutescens (Annonaceae) variou de forma significativa ao longo do ano. A análise de forma temporal deve prever algumas condições de padronização das coletas para que as amostras representem a espécie de forma aleatória e, acima de tudo, represente de forma fidedigna a continuidade do experimento nos mesmos indivíduos; portanto, também devem ser padronizados os horários e os períodos de coleta. As variações de padronização podem trazer resultados com efeitos inesperados ou correlações diferentes.

A análise temporal tem efeito na descrição da variação em função do tempo de estudo, favorecendo, assim, melhor entendimento sobre o uso da planta, os melhores períodos de coleta com maior rendimento de óleo essencial e, principalmente, a variação da composição em função deste fator. Em estudos realizados com Salvia officinalis (Laminaceae), nos quais se avaliou a influência da sazonalidade no rendimento e na composição química do seu óleo essencial, Putievsky e Dudai (1986) concluíram que o maior rendimento de óleo essencial foi obtido no primeiro ano de cultivo, em corte realizado no verão. Com relação à composição do óleo essencial, este apresentou maior teor de constituintes majoritários (tujona e cânfora) no segundo ano de cultivo, em corte realizado na primavera. Avaliando os efeitos da evolução sazonal na composição do óleo essencial de Virola surinamensis (Myristicaceae), Lopes et al. (1997) concluíram que não houve variação no rendimento do óleo essencial nas diferentes estações do ano e horários de coleta avaliados, porém a proporção relativa dos componentes do mesmo alterou significativamente.

Chaves (2002) avaliou o efeito da época de corte (outono, inverno, primavera e verão) na composição do óleo essencial de folhas e inflorescências de alfavaca-cravo, Ocimum gratissimum (Laminaceae). Os resultados obtidos demonstraram que houve interferência na composição do óleo essencial em função da variação climática, apresentando as folhas, como componente majoritário, o eugenol no verão e o selineno e trans-cariofileno no inverno. As inflorescências apresentaram o 1,8-cineol como principal composto, com níveis baixíssimos de eugenol, sendo o teor do primeiro menor no outono.

Bezerra et al. (2008) observaram alterações nos teores de acetato de trans- pinocarveíla, acetato de mirtenila e beta-pineno, componentes majoritários do óleo essencial de macela Egletes viscosa Less (Asteraceae), de capítulos florais provenientes de diferentes épocas de colheita.

Ao destilarem folhas de Eucalyptus citriodora (Myrtaceae), durante um ano, a intervalos mensais, Kapur, Vashist e Atal (1982) verificaram que a produção de óleo essencial foi mínima durante os meses de inverno (junho e julho), mas após a ocorrência de ventos e chuvas intensas, aumentaram gradualmente e alcançam o máximo de produção durante os meses mais quentes (dezembro a fevereiro). Observaram também, que houve um pequeno declínio nos meses de março e abril. O teor de citronelal foi baixo em maio e junho, mas permaneceu alto nos outros meses do ano.

Já Silva (2005), com o objetivo de verificar a influência da época e do horário de coleta no rendimento e na composição do óleo essencial de manjericão, Ocimum basilicum (Laminaceae), realizou cortes às 8 e às 16 horas, em agosto de 1999 e janeiro de 2000. O autor conclui que a época de colheita influenciou o teor final do óleo essencial, apresentando o óleo essencial colhido em janeiro maior rendimento que o óleo essencial colhido em agosto. No entanto, não houve influência do horário de coleta em relação à composição do óleo essencial, que apresentou como compostos majoritários o eugenol e o linalol.

Os trabalhos de Carvalho-Filho et al. (2006) investigaram a interferência do horário de coleta, associado a diferentes temperaturas de secagem, na composição do óleo essencial de folhas de manjericão, Ocimum basilicum (Laminaceae). Foi observado um aumento na concentração de linalol proveniente do óleo essencial extraído do manjericão colhido às 16 horas e seco à 40˚C, porém a maior concentração de eugenol foi observada no óleo essencial extraído de folhas frescas, colhido às 16 horas. Estas alterações na composição química do óleo essencial podem ser explicadas pela conexão entre a variação de temperatura com a atividade metabólica das plantas. Ainda, deve-se ressaltar que a época em que se obtém maior produção de óleo essencial, pode não ser a época de maior produção do composto químico de interesse.

Desta forma, a análise temporal dos compostos de óleos essenciais de Xylopia aromatica (Annonaceae) permitirá compreender as variações de teores, assim como estabelecer correlação entre a composição química e as condições ambientais.

As variações no conteúdo total, bem como as proporções relativas de metabólitos secundários em plantas, ocorrem em diferentes níveis, tais como sazonais e diárias. Apesar da existência de um controle genético, a expressão pode sofrer modificações resultantes da interação de processos bioquímicos, fisiológicos, ecológicos e evolutivos (HARTMANN, 1996). Os metabólitos secundários representam uma interface química entre as plantas e o ambiente circundante, portanto sua síntese é, frequentemente, afetada por condições ambientais (KUTCHAN, 2001).

Os estudos de Putievsky e Dudai (1986) inferem que mudanças sazonais na composição química do óleo essencial de Micromeria fruticosa (Laminaceae) são principalmente, devido à maturação da folha e não são diretamente relacionadas com as condições ambientais. Provavelmente estas alterações podem estar relacionadas com o papel ecológico desempenhado pela planta em diferentes estágios do seu desenvolvimento. O desenvolvimento e o teor de princípios ativos em plantas bioativas ou medicinais nada mais são do que a combinação dos fatores ambientais (vento, temperatura, umidade e luz), que ocorre de maneira diversificada ao longo das quatro estações do ano (PINTO; BERTOLUCCI,2002).

Os trabalhos de Taveira et al. (2003) estudaram a composição química do óleo essencial extraído de folhas, ramos e cascas de Aniba canelilla (Lauraceae) coletados em locais diferentes e concluíram que há mudanças no teor dos dois constituintes majoritários em função da estação. No período chuvoso, o 1-nitro-2-feniletano alcançou 75% enquanto o metil eugenol apresentou teor de 18%. Em contraste, no período seco, apresentaram teor de 39% e 45%, respectivamente.

Espacialidade

Roraima ocupa a região mais ao norte da Amazônia brasileira, fazendo fronteira internacional com a Guiana e a Venezuela. O Estado apresenta sua cobertura vegetacional original distribuída em diferentes formações florestais e não florestais, incluindo formações vegetais particulares como as campinas e campinaranas concentradas ao sul e os tepuis ao norte (BARBOSA et al.,2003; IBGE, 1992; BARBOSA et al. 2007; BARBOSA; MIRANDA, 2005). Esses ambientes apresentam características bastante contrastantes quanto aos aspectos geológicos, geomorfológicos, vegetação e pedologia (VALE JÚNIOR E SCHAEFER, 2010). Dentre os ecossistemas não florestais as savanas encontradas em Roraima se constituem como as maiores áreas de savanas da Amazônia brasileira (BARBOSA et al.,2007).

Altitude

A altitude dos campos da savana de Roraima está em torno de 80 a 150 metros. O mapeamento geomorfológico resultou na constatação de uma grande variedade de relevo, quanto aos seus tipos, origem e posição altimétrica. Assim, ocorrem relevos muito baixos na parte centro-sul e erguem-se, ao norte, planaltos que atingem quase 3.000 metros nas áreas de fronteira com a Venezuela (BRASIL, 1976; IBGE, 1992). O gradiente altimétrico aumenta no sentido Sul-Norte em direção à área nuclear da savana.

O município de Mucajaí apresenta, nas proximidades, inúmeros relevos residuais topograficamente mais baixos, mas a altitude média é de cerca de 80 metros nas áreas de savana próximas do rio Mucajaí. Ao contrário, a cidade de Boa Vista está na cota de 120 metros, enquanto a região mais ao norte (Igarapé do Truarú) pode alcançar 150 metros (BRASIL, 1976).

A altitude também exerce efeitos sobre o desenvolvimento e a produção de metabólitos secundários em plantas, apesar de existirem, relativamente, poucos estudos neste sentido. A correlação positiva, geralmente existente entre o conteúdo total de flavonóides e a altitude, despertando interesse particular, uma vez que estes são constituintes ativos de um grande número de plantas medicinais (ZIDORN; STUPPNER, 2001; POLLE et al., 1992; VEIT et al. 1996).

Esta correlação pode ser explicada pela maior susceptibilidade à radiação UV em altitudes maiores, uma vez que, conforme comentado anteriormente, os flavonoides são reconhecidos por propiciarem proteção à radiação e seus efeitos. Foi descrita, por exemplo, uma significante correlação positiva entre a altitude do local de coleta (entre 30 e 2.950 m) de espécies do gênero Leontodon e o conteúdo total de flavonoides; em contraste, o conteúdo de ácidos fenólicos não mostrou variação altitudinal significante (ZIDORN; STUPPNER,2001) e um maior conteúdo de compostos fenólicos em Sedum album (Crassulaceae) coletados em altitudes maiores (2.100 m) também foi relatado (BANCHEREAU; MARIGO; ASTA, 1998).

Por outro lado, estudo recente com Swertia franchetiana (Gentianaceae) que é a matéria-prima para a elaboração de um importante medicamento popular conhecido como DiDa no Tibet (utilizado no tratamento de uma série de doenças, como desordens do fígado) mostrou que, entre as altitudes de 2.200 e 3.960 metros, dentre os metabólitos secundários bioativos analisados, somente as concentrações das xantonas mangiferinas e 1,8-diidróxi-3,7-dimetóxi-xantona correlacionaram-se com a latitude, e apenas a última mostrou correlação negativa com a altitude (YANG et al.,2004).

Metabólitos não fenólicos também podem ser influenciados pela altitude e uma comparação entre coletas de Plantago lanceolata L (Plantaginaceae) efetuadas em altas e baixas altitudes revelou maiores concentrações do iridóide catalpol nas maiores altitudes. Por outro lado, o aumento de altitude leva ao decréscimo no conteúdo dos alcaloides diterpênicos de Aconitum napellus (Ranunculaceae) e piperidínicos de Lobelia inflata (Campanulaceae) e no de óleos voláteis de tomilho e hortelã pimenta. Já o conteúdo de piretrinas, substâncias utilizadas comercialmente como inseticidas em Chrysanthemum (Asteraceae), é maior em altas altitudes e baixas latitudes (DARROW; BOWERS, 1997).

Fatores edáficos

As plantas desenvolvem-se absorvendo água e minerais do solo e dióxido de carbono (CO2) através das folhas, e elementos minerais são individualmente necessários. Fatores relacionados com a composição do solo estão diretamente ligados à atividade metabólica das plantas e à disponibilidade de nutriente como carbono (C), Hidrogênio (H), Sódio (Na), Potássio (K), Magnésio (Mg), Fósforo (P) além do pH (potencial hidrogeniônico).

O tipo de solo (Latossolo amarelo) encontrado sob a savana de Roraima, ocorre em áreas de relevo plano e suave. Segundo Vale Júnior e Schaefer (2010), têm características químicas de baixa fertilidade, com baixos níveis de cálcio e magnésio e níveis elevados de alumínio. Estas características estão relacionadas com a origem destes solos e as condições climáticas (tropical úmido da região).

Ainda consoante Vale Júnior e Schaefer (2010) existe a tendência destes solos possuírem baixos níveis de matéria orgânica, assim apresentando baixos índices de nitrogênio e fósforo. Segundo Martins, Alvarenga e Roque (1995), dentre todos os fatores que podem interferir nos princípios ativos de plantas, a nutrição é um dos que requerem maior atenção, pois o excesso ou a deficiência de nutrientes podem estar diretamente correlacionados à variação na produção de substâncias ativas. (MATTOS et al., 1996). Alguns exemplos destas variações já foram descritos, como, o déficit de nitrogênio pode provocar redução no teor de alcaloides em Lobellia inflata (Campanulaceae), sendo observada ação inversa para papoula, Papaver somniferum (Papaveraceae) e beladona, Atroppa belladona (Solanaceae), as quais apresentaram aumento no teor de morfina e atropina. O fósforo também contribui para o aumento da concentração de atropina, assim como do teor de óleos essenciais em coentro, Coriandrum sativum (Apiaceae) e funcho, Foeniculum vulgare (Apiaceae), porém o seu déficit no solo reduz a concentração de cumarinas em chambá, Justicia pectoralis var stenophilla (Acanthaceae) , tendo como efeito mais prejudicial a redução na sua produção de fitomassa, gerando produção de fitomassa, gerando uma diminuição na produção global do princípio ativo. Corrêa- Júnior, Minge Scheffer (1994) afirmam que a deficiência de magnésio pode causar uma sensível diminuição na formação de princípios ativos de um modo geral, devido à diminuição da clorofila e, consequentemente, da taxa de fotossíntese. Avaliando a influência da nutrição mineral no rendimento e na composição do óleo essencial de Ocimum basilicum (Laminaceae), Coriandrum sativum L. (Apiaceae), Anethum graveolens L. (Apiaceae) e Mentha piperita L. (Laminaceae), Hornok (1983) relatou a ocorrência de variações em função dos quatro níveis de NPK utilizados. Com o aumento do nível de fósforo houve um aumento no teor de óleo essencial de menta e manjericão, e redução no teor de óleo essencial e de fitomassa de endro. O aumento dos níveis de nitrogênio também incrementou o óleo essencial da menta e do manjericão, ocorrendo, porém, redução no percentual de mentol e linalol. Ainda em relação aos níveis de nitrogênio, o autor observou aumento na produção de biomassa verde de endro e coentro, mas não de sementes. Houve incremento nos teores de mentol Mentha piperita L. (Laminaceae), linalol e estragol no manjericão, Ocimum basilicum (Laminaceae), à medida que os níveis de potássio foram elevados. De acordo com Paulus et al. (2008), plantas de menta japonesa Mentha arvensis (Laminaceae) em cultivo hidropônico, submetidas a diferentes concentrações da solução nutritiva, apresentaram diferentes teores de mentol e mentona, compostos majoritários do óleo essencial. Isto demonstra que estes compostos são diretamente influenciados pela nutrição mineral. Prakasa Rao, Puttanna e Ramesh (2000) avaliaram o efeito de doses de nitrogênio (0; 50 e 100 kg N/ha) no rendimento e na qualidade do óleo essencial de Tagetes minuta L (Asteraceae) e concluíram que um maior rendimento de fitomassa aérea foi obtido com a maior dose de nitrogênio aplicada. No momento em que as plantas se encontravam em pleno florescimento, houve discreta redução na concentração do óleo essencial. Notou-se, ainda, aumento no percentual de cis-ocimeno, com o aumento da idade da planta em todos os tratamentos, sendo maior (26%) no tratamento sem aplicação de nitrogênio nas plantas que se encontravam em fase de produção de sementes mais velhas. Houve diferença significativa, para a composição do óleo, apenas quando as plantas se encontravam no início da floração, sendo a maior dose de dihidrotagetona (33,6%) observada no tratamento com ausência de nitrogênio, e a maior concentração de cis-ocimeno (8,5%) observada na maior dose de nitrogênio aplicada.

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Determinar o efeito das condicionantes ambientais na constituição química e na atividade antioxidante de óleos essenciais de folhas da Xylopia aromatica (Annonaceae).

Objetivos Específicos

• Determinar a composição química do óleo essencial de folhas da Xylopia aromatica (Annonaceae) durante 12 meses;

• Determinar a atividades antioxidantes das amostras;

• Verificar o efeito da sazonalidade na composição dos óleos essenciais;

• Verificar o efeito das determinantes ambientais sobre a composição química e o rendimento do óleo essencial.

 material e método

O modelo de estudo foi do tipo experimental e prospectivo, oportunizando a caracterização dos componentes químicos, atividades antioxidantes e relação entre fatores ambientais e a composição do óleo essencial. A localização e escolha da área de estudo se deu por oportunizar acesso aos indivíduos experimentais dentro das áreas de savana e considerando elementos ambientais já descritos e escolhidos como critério analítico.

Área de estudo

Foram escolhidas três localidades amostrais na savana de Roraima com diferenças na altitude, utilizando o critério de ocorrência e aleatoriedade dos indivíduos de Xylopia aromatica (Annonaceae).

Os indivíduos selecionados estavam situados próximo à BR 174, ao Sul do município de Boa Vista (52 km), ao Norte,na região do Truarú (50 km). Os outros indivíduos foram selecionados na grade do PPBio no campus Cauamé da Universidade Federal de Roraima. Em cada localidade foram escolhidos três exemplares da espécie. Todos os nove indivíduos foram identificados, georreferenciados e numerados sequencialmente entre 1 a 9 (Tabela 1).

Tabela 1 — Codificação, tombo e localização dos indivíduos estudados
Indivíduo Código Tombo herbário Latitude Longitude Altitude (m)
  1   Sul -1   UFRR8645 N. 020 320 26.9   2.540806 W. 0600 52’ 18.2   -60.871722   64
  2   Sul -2   UFRR8646 N. 020 320 26.7   2.540750 W. 0600 52’ 18.9   -60.871917   66
  3   Sul -3   UFRR8647 N. 020 320 25.2   2.540333 W. 0600 52’ 18.9   -60.871917   68
  4   CCA-4   UFRR8648 N. 020 510 59.1   2.866417 W. 0600 43’ 01.2   -60.717000   74
  5   CCA 5   UFRR8649 N. 020 510 55.7   2.865472 W. 0600 43’ 01.6   -60.717111   78
  6   CCA 6   UFRR8650 N. 020 510 51.1   2.864194 W. 0600 43’ 02.9   -60.717472   76
  7   Norte-7   UFRR8651 N. 030 120 28.8   3.207930 W. 0600 50’ 12.5   -60.836796   106
  8   Norte-8   UFRR8652 N. 030 160 17.0   3.271389 W. 0600 50’ 48.1   -60.846694   104
  9   Norte-9   UFRR8653 N. 030 160 16.5   3.271250 W. 0600 50’ 48.3   -60.846750   104
O autor (2021)

De todos os indivíduos foram elaboradas exsicatas que foram depositadas no Herbário do Centro de Estudos da Biodiversidade da UFRR e identificados pelo Dr. Rodrigo Schütz Rodrigues.

coleta de folhas

As amostras de folhas de Xylopia aromatica (Annonaceae) de cada um dos 9 indivíduos foram coletadas em parcelas de material foliar saudável, em todo o entorno do exemplar das espécies, visando a homogeneização das amostras. Posteriormente, todas as amostras foram transportadas em recipiente térmico de capacidade 5,0 L, contendo gelo reciclável de forma a manter o material fresco até o início da etapa de extração do óleo.

As coletas foram realizadas através da licença de coleta emitida pelo Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade – SISBIO, registro n° 47.017-2 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis(IBAMA).

As coletas foram realizadas mensalmente entre julho de 2015 a junho de 2016, conforme o roteiro demonstrado na tabela 2.

Tabela 2 — Roteiro de coletas
Mês Dia/Sul Dia/ CCA Dia/ Norte Intervalo em dias
07/2015 06 07 08 0
08/2015 11 12 13 32
09/2015 09 10 11 28
10/2015 12 13 14 33
11/2015 10 11 12 28
12/2015 08 09 10 28
01/2016 06 07 08 28
02/2016 03 04 05 27
03/2016 02 03 04 29
04/2016 04 05 06 32
05/2016 04 05 06 30
06/2016 07 08 09 33
O autor (2021)

A elaboração do roteiro de coleta determinou a periodicidade e replicação dos resultados das amostras dentro do período pretendido.

coleta de dados meteorológicos

Os dados meteorológicos foram coletados mensalmente da seguinte forma: índice de precipitação a partir dos dados disponíveis no banco de dados das estações automáticas do INMET, sendo resgatados os dados dos acumulados dos 30 dias anteriores à coleta. Os dados de insolação foram coletados mensalmente em cada local de coleta utilizando o equipamento solarímetro SL-100 da marca Kimo ®.

A temperatura foi verificada mensalmente, em cada local de coleta utilizando um termômetro Incoterm ®. Os dados foram plotados em planilhas para que possam ser avaliados pelo tratamento estatístico adequado, fazendo parte da matriz ambiental.

extração de óleo essencial

As folhas de Xylopia aromatica (Annonaceae) de cada indivíduo e local foram submetidas à extração separadamente e previamente foram cortadas em pedaços para facilitar a extração e obtenção dos óleos por hidrodestilação seguindo a Farmacopeia Brasileira (BRASIL, 2010).

Para a extração do óleo essencial foram utilizados 100 gramas de biomassa foliar fresca, coletadas e conservadas até a manipulação analítica. O material foliar foi colocado em balão de fundo redondo, adicionada água destilada e o balão foi, então, acoplado ao aparelho de Clevenger, sobre a manta de aquecimento, ocorrendo a extração por três horas de ebulição.

O hidrolato foi removido com o auxílio de uma pipeta Pasteur, sendo o óleo essencial seco com sulfato de magnésio anidro conforme Santos (2011). Em Seguida o solvente foi evaporado com auxílio de gás nitrogênio. Foram obtidas as massas para cálculo de rendimento. Os rendimentos foram calculados com base na relação entre volume e peso e expressos em porcentagem (%). Foram então pesados 10 µg de cada óleo obtido e solubilizado em acetato de etila marca cromoline P.A 88,11 previamente bidestilado e colocado em frasco vial marca shimadzu.co.

análises do óleo essencial

As amostras foram dissolvidas na proporção de 10 mg óleo em 1 mL de solvente hexano, e injetadas em injetor split em cromatógrafo a gás da marca Shimadzu, modelo GC 2010 acoplado a um detector de massas modelo QP 2110 Plus do mesmo fabricante. As amostras foram acompanhadas mensalmente por injeção em CG-DIC utilizando um cromatógrafo a gás da marca Shimadzu, modelo GC 2010,acoplado a um detector de ionização por chama. Os espectros de massas foram analisados e os índices de retenção tiveram seus valores comparados com os valores da literatura disponível.

Parâmetros analíticos usados para a análise por CG-EM

O equipamento foi operado a 70 eV, utilizou coluna capilar de sílica fundida Rtx-5 (30 m x 0,25 mm x 0,25 µm). Como gás de arraste foi empregado o hélio, na vazão de 13,2 mL/min. As injeções das amostras foram da ordem de 1,0 µL. Para análise foram empregadas as seguintes condições:

Programa: 60ºC-280ºC (3ºC/min-1), temperatura da interface: 280ºC, temperatura da fonte de íons: 260ºC, temperatura do forno: 60oC, por 2 min, temperatura do injetor: 220oC e variação de temperatura de 4oC/min até 220oC, 220oC por 10,5 min, modo de injeção: split (20:1) com purga de 2 mL/min-1, modo de controle de fluxo em velocidade linear, pressão do gás em 58,8 kPa, fluxo de gás de araste: 1,02 mL/min-1, velocidade linear a 36,8 cm/seg, fluxo de purga a 2,0 mL/min e split ratio em 10,0 com tempo total de análise 83 min.

Parâmetros analíticos usados para a análise por CG-DIC

O equipamento utilizou coluna capilar de sílica fundida Rtx-5 (30 m x 0,25 mm x 0,25 µm). Como gás de arraste foi empregado o hidrogênio, na vazão de 13,2 mL/min. As injeções utilizaram um auto injetor AOC 20i+s com volume de injeção:1,0 µL, 03 limpezas previas e 5 limpezas após a injeção e as condições de análise foram:

Injetor no modo Split,temperatura do injetor: 220oC, modo de controle de fluxo pela velocidade, pressão a 46,5 kPa, fluxo total de 55,0 mL/min, fluxo na coluna em 1,02 mL/min, velocidade linear a 31,2 cm/seg, fluxo de purga 3,0 mL/min, split Ratio em 50,0. Temperatura Inicial 60oC, tempo de equilíbrio em 1,0 min, temperatura do detector em 310oC, sampling Ratio em 40 mL/seg, make-up flow em 30 mL/min, fluxo de Hidrogênio 400,0 mL/min. Programa: 60ºC-310ºC (3ºC/min-1), temperatura da interface: 280º C, temperatura da fonte de íons: 260 ºC, temperatura do forno: 60oC, por 2 min, temperatura do injetor: 220oC e variação de temperatura de 4oC/min até 220oC, 220oC por 10,5 min, modo de injeção: split (20:1) com purga de 2mL/min-1, modo de controle de fluxo em velocidade linear, pressão do gás em 58,8 kPa, fluxo de gás de araste: 1,02 mL/min-1, velocidade Linear a 36,8 cm/seg, e fluxo de purga a 2,0 mL/min, split ratio em 10,0 com tempo total de análise 83 min.

As análises por cromatografia a gás acoplada a espectrometria de massas (CG-EM) e CG-DIC foram realizadas no Laboratório de Cromatografia do Núcleo de Pesquisas Energéticas da Universidade Federal de Roraima (NUPENERG).

caracterização química do óleo

A identificação dos compostos presentes nos óleos essenciais foi realizada através de índice de Kovats (IK), comparação dos seus respectivos espectros de massas com as bibliotecas Wiley 8 e Flavour and Fragrance Natural and Shyntetic Compounds (FFNSC, versão 1.2) disponíveis no software do equipamento com dados da literatura disponível (ADAMS, 2007). O IK foi calculado por meio da relação dos tempos de retenção (tr) de uma série homóloga de hidrocarbonetos como padrão (C7-C30), submetidos às mesmas condições de análise das amostras.

avaliação da atividade antioxidante

A partir dos óleos essenciais, foram também realizados teste para esta atividade  por métodos diferentes a saber: Ensaios do sequestro do radical DPPH• e o da co-oxidação do β-caroteno/ácido linoleico. Estas análises foram realizadas em apenas três meses dentro do grupo amostral.

Avaliação da atividade antioxidante por DPPH•

A capacidade de sequestro do radical livre pode ser medida utilizando metodologia descrita por Mensor et al. (2001), adaptada por Pontis et al. (2014), através do 2,2-difenil-1-picrilhidrazil (DPPH)

Os valores de IC50 foram calculados por regressão linear utilizando os programas estatísticos BioEstat 5.3 e Past4.0

Foram preparadas soluções de DPPH• e soluções com a substância teste e padrões. As atividades antioxidantes das substâncias testadas foram comparadas com as dos padrões: quercetina, BHT (2,6-terc-butil-1-hidroxi-tolueno)e o declínio da concentração do radical foi monitorado por espectrofotometria em filtro 517 nm, monitorando-se o consumo do radical livre DPPH• pelas amostras, através da medida do decréscimo da absorbância de soluções de diferentes concentrações (BRAND-WILLIAMS; CUVELIER; BERSET, 1995).

O controle foi constituído de 1,5 mL de DPPH e metanol até completar o volume de 5 mL. Após 40 minutos de reação ao abrigo da luz, as absorbâncias das soluções amostra, branco e controle foram medidas em espectrofotômetro a 517 nm. Com os resultados adquiridos no ensaio foram realizados os cálculos do percentual de atividade antioxidante (%AA) de cada ponto, por meio da fórmula abaixo:

%AA = 100 – [(Abs amostra – Abs branco) x 100] / Abs controle

As análises foram realizadas em triplicata e os valores de IC50, definidos como concentração de antioxidante requerida para sequestrar 50% dos radicais DPPH•, foram calculados a partir da regressão linear dos gráficos (software Origin 6.0) em que o eixo das abscissas representou a concentração dos óleos e o eixo das ordenadas, a atividade antioxidante(%).

Foram realizadas para todas as amostras de óleo essencial diluições de 5, 10, 20, 25 e 40 mg/mL com o intuito de triar a diluição com a menor concentração que apresentasse atividade.

Avaliação da atividade antioxidante por auto oxidação do sistema β-caroteno/ácido linoleico

A capacidade do óleo essencial de foi avaliada de acordo com a metodologia descrita por Emmons, Peterson e Paul (1999), com algumas adaptações propostas por (ROCKENBACH et al., 2008). Foi preparada solução de β-caroteno (40 mg/mL). Em um erlenmeyer adicionada uma alíquota de 40 µl de ácido linoleico, 265 µL de Tween 40, 50 µL de solução β-caroteno (10 mg/mL) e 1 mL de clorofórmio.

Em seguida, o clorofórmio foi removido com a utilização de uma corrente de gás nitrogênio e o resíduo obtido foi redissolvido em, aproximadamente, 150 mL de água aerada. A emulsão formada (sistema β-caroteno/ácido linoleico) se apresentou límpida e sua absorbância foi ajustada entre 0,7 a 0,6 nm a 470 nm.

Em tubos de ensaio,a alíquota de cada óleo foi misturada com 5 mL da emulsão β-caroteno/ácido linoleico, homogeneizado em agitador e mantidos em banho-maria a 40ºC. A oxidação da emulsão foi monitorada em espectrofotômetro a 470 nm, no tempo inicial (2 minutos após a adição das soluções no banho-maria) e em intervalos de 15 minutos durante 2 horas, ao abrigo de luz. Para a amostra controle foi utilizada a emulsão β-caroteno/ácido linoleico (sem antioxidante) e como controle positivo foi utilizado o padrão BHT a 10 mg/mL, Trolox (1 mg/mL) e quercetina (1 mg/mL). A atividade antioxidante (AA) foi expressa como percentual de inibição relativa comparada ao controle depois de 120 minutos.

ANÁLISE DO SOLO

As amostras de solo foram coletadas nos três locais de ocorrência de X. aromatica próximo a cada planta da amostragem e, posteriormente, foram enviadas para análise em intercambio com o laboratório de análise de solos do departamento de solos da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel da UFPel - Universidade Federal de Pelotas onde foram realizadas analises da textura (% de areia, silte e argila), fertilidade (macro e micronutriente) e acidez (pH) (anexos 1 e 2).

ANÁLISE DE DADOS

Os dados foram analisados a partir do uso de técnicas multivariadas. A análise multivariada permite abordar mais de uma variável simultaneamente e identificar a existência ou não de correlações entre elas. Este tipo de abordagem permite um entendimento mais completo e sistematizado dos resultados analíticos e possibilitando determinar padrões de comportamento. Assim sendo, foram estabelecidas duas matrizes com dados: a primeira contendo os dados obtidos da composição do óleo essencial de cada indivíduo pelo período inteiro de análises que foi denominada matriz de composição (Apêndice 1). A segunda, contendo os dados ambientais denominada matriz ambiental (Apêndice 2), a partir das quais foi possível extrair os dados para a realização da análise dos componentes principais (PCA, ou ACP em português). Esta técnica possui como objetivo projetar o conjunto de dados em um número menor de variáveis chamadas de componentes principais (CP). Com este pequeno número de variáveis, este conjunto passa a ser representado por duas matrizes distintas e complementares: scores e loadings. O gráfico de scores fornece informações sobre as amostras, em que se observa a formação de aglomerados e amostras discrepantes. Através dos loadings (gráficos) se identifica as variáveis mais importantes para a caracterização da amostra. Com estas duas informações, é possível fazer a seleção de variáveis, a fim de identificar as características específicas para um determinado grupo de amostras (WOLD et al.,1984).

A análise hierárquica de agrupamentos permite exibir os dados em um gráfico bidimensional, de maneira a enfatizar os seus agrupamentos e padrões naturais. As variáveis mais similares são agrupadas em primeiro lugar, e mesclados de acordo com as suas semelhanças. A fusão de agrupamentos pode ser realizada considerando-se diferentes critérios de ligação, dentre os quais os mais utilizados são a ligação simples ou euclidiana (distância mínima ou vizinho mais próximo), a ligação completa (máximo de distância ou vizinho mais distante) e a ligação média (distância média). A distância entre os objetos (amostras ou variáveis) indica a similaridade de suas propriedades e desta forma, quanto mais próximos estiverem os pontos no plano amostral, mais similares serão. Os resultados são então apresentados na forma de um gráfico chamado dendograma (FERREIRA et al., 2008.

Todos os resultados pontuais foram montados na forma matricial, onde as linhas representavam os dias de coleta por localidade, mês e indivíduo, enquanto as colunas representavam a composição centesimal dos elementos químicos extraídos das folhas. Para determinar a presença de possíveis agrupamentos que representassem padrões de distribuição temporal foi aplicada uma análise de componentes principais (ACP), usando o princípio da Correlação entre os fatores para gerar a matriz de produtos cruzados. O objetivo desta análise foi reduzir dimensões (eixos) e direcionar as respostas para uma simplificação de três eixos que representam de melhor forma a variação entre as observações.

Esta análise foi realizada sob três presunções: (i) todos os resultados individuais foram utilizados como observações independentes nas linhas da matriz (testar a existência de agrupamentos, independente do mês de coleta, da localidade ou do indivíduo); (ii) os resultados foram resumidos de forma independente por mês de coleta, sendo aplicada a média simples entre os três indivíduos de cada localidade (testar o padrão temporal, se compostos químicos variam ao longo do tempo em função do mês de coleta); (iii) os resultados composicionais foram inseridos na matriz, levando em consideração o resultado geral de cada indivíduo ao longo dos 12 meses de observações (testar o padrão de distinção entre indivíduos associados com a localidade). Nas presunções (ii) e (iii), o eixo de maior significância (Eixo I) foi cruzado com possíveis variáveis explicativas edáficas (textura e fertilidade) e climáticas (precipitação, insolação e temperatura).

Os resultados das três análises são apresentados na forma de gráficos bi- dimensionais e de dendrogramas de dupla entrada (two-way cluster analysis), onde grupos da variável dependente (composição centesimal) se associam com grupos de variáveis independentes (data da coleta, local de coleta e indivíduo coletado).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

RESULTADOS

Os resultados foram obtidos a partir de todos os dados de amostras e fatores ambientais considerados par este estudo dentro do período proposto para os indivíduos experimentais estudados.

Rendimento de óleo essencial

Foram obtidas cento e oito amostras de óleos essenciais de Xylopia aromatica (Annonaceae) coletadas em três áreas de savana de Roraima (Tabela-1), de onde obteve-se um rendimento médio geral de 0,35% (Tabela 3). 

Tabela 3 — Rendimento de óleo % por indivíduo ao longo de 12 meses
Amostra Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Jan. Fev. Mar. Abril Maio Jun. Média
Sul -1 0,76 0,02 0,08 0,23 0,5 1,35 0,16 0,9 1,13 0,27 0,66 0,69 0,56
Sul -2 0,44 0,36 0,09 0,41 0,09 0,15 0,20 0,13 0,24 0,15 0,12 0,07 0,20
Sul -3 0,11 0,06 0,57 0,24 0,18 0,28 0,18 0,24 0,23 0,23 0,11 0,20 0,22
Cca-4 0,25 0,55 0,55 0,90 1,58 1,12 0,53 1,11 0,36 1,19 0,77 1,17 0,84
Cca-5 0,61 0,78 0,56 0,33 1,29 0,81 0,52 0,97 1,03 1,14 0,78 0,93 0,81
Cca-6 0,31 0,25 0,25 0,25 0,09 0,24 0,21 0,32 0,30 0,19 0,23 0,02 0,22
Norte-7 0,08 0,13 0,06 0,03 0,09 0,20 0,12 0,21 0,22 0,16 0,03 0,10 0,12
Norte-8 0,13 0,19 0,03 0,10 0,06 0,15 0,14 0,11 0,15 0,13 0,05 0,06 0,11
Norte-9 0,02 0,24 0,11 0,05 0,04 0,12 0,13 0,22 0,05 0,58 0,04 0,03 0,14
Média 0,30 0,28 0,25 0,28 0,43 0,49 0,24 0,46 0,41 0,44 0,31 0,36 0,35
O autor (2021)

O resultado médio de maior rendimento foi associado aos indivíduos CCA-04 (0,84%) e CCA-05 (0,81%), enquanto os indivíduos Norte-08 (0,11%) e Norte-09 (0,14%).

Caracterização dos óleos essenciais

Neste estudo foram detectados trinta e sete compostos, sendo, trinta e um, identificados e seis não identificados. Observadas todas as amostras dos nove indivíduos (Apêndice 1). Vinte e seis compostos são inéditos para óleo essencial de folhas de Xylopia aromatica (Annonaceae) e treze já foram identificados em outros estudos (Quadro 2).

Quadro 2 — Composição do óleo essencial de folhas de Xylopia aromatica (Annonaceae).
Componente IRc IRl Componente IRc IRl
sabineno1,2 980 973 biciclogermacreno1,2 1497 1500
β-pineno1,2 983 979 γ-cadineno 1510 1514
mirceno1,2 993 990 δ-cadineno* 1527 1523
α-felandreno 1003 1005 nerolidol 1533 1533
α-terpineno 1018 1017 germacreno B1,2 1556 1561
p-cimeno 1023 1025 espatulenol1,2 1561 1578
β-felandreno 1028 1030 viridiflorol 1597 1593
3-δ-careno 1031 1031 guaiol 1601 1601
(Z) β- ocimeno1,2 1037 1035 α-muurolol 1646 1646
(E) β-ocimeno1,2 1046 1050 α-acorenol 1655 1653
γ-terpineno 1058 1060 β-eudesmol 1655 1651
trans-b- terpineol 1163 1163 n.i 32 1654 -
δ-elemeno2 1348 1338 liral 1654 1667
α-copaeno2 1374 1377 bulsenol 1684 1672
β -cariofileno2 1418 1419 n.i 35 1743 -
aromadendreno2 1450 1441 n.i 37 1745 -
γ-gurjuneno 1477 1476 n.i 39 1767 -
germacreno D1,2 1485 1485 n.i 41 1844 -
γ-amorfeno 1496 1497 n.i 43 1908 -
O autor (2021)

1 = componente identificado também por Lago et al (2003)
2 = componente identificado também por Maia et al (2005)
IRc= índice de retenção calculado
IRl = índice de retenção da literatura (Adams, 2007)
n.i = não identificado

Compostos majoritários

Os compostos majoritários ao longo de todo o período amostral foram: β-felandreno (37,5% na média de todos os indivíduos), biciclogermacreno (15,9%), identificados em outros trabalhos, e viridiflorol (5,1%), composto inédito para óleo essencial de folhas de X. aromática (Tabela 4). Dentre os compostos, não identificados, dois deles (ni-39 e ni-43) foram majoritários em períodos específicos da amostragem e em alguns indivíduos (Apêndice 1). Dentre os compostos, não identificados, dois deles (ni-39 e ni-43) foram majoritários em períodos específicos da amostragem e em alguns indivíduos (Apêndice 1).

Tabela 4 — Percentuais (% media ±DP) dos constituintes majoritários em todos os indivíduos.
Composto β-felandreno biciclogermacreno viridiflorol ni-39 ni-43
Sul-1 18,65 23,82 2,21 28,13 7,20
Sul-2 48,00 13,66 2,87 6,62 3,27
Sul-3 51,04 8,79 5,61 2,58 1,12
CCA-4 0,56 23,16 0,82 44,88 18,53
CCA-5 1,91 26,15 2,16 38,46 9,58
CCA-6 57,29 12,96 7,15 0,00 0,00
Norte-7 50,57 17,58 7,90 0,52 0,27
Norte-8 62,57 6,57 6,66 0,05 0,00
Norte-9 47,31 10,75 11,06 0,00 0,00
Media± 37,54± 15,93± 5,15± 13,46± 4,44±
DP* 26,54 11,06 4,67 20,58 7,38
O autor (2021)

Os dois compostos majoritários não identificados (ni-39 e ni-43) são sugeridos como sesquiterpenos oxigenados e isômeros, constatados pela análise do espectro de massas (Figura 6 A, B). 

Figura 6 — Espectros de massas dos compostos majoritários não identificados: (A) ni-39 e (B) ni-43.
Espectros de massas dos compostos majoritários não identificados: (A) ni-39 e (B) ni-43.O autor (2021)

Estes não puderam ser identificados em literatura pelos índices de retenção, nem por seus espectros de massas, sendo assim tratados neste trabalho por essa designação.

Variabilidade temporal dos compostos majoritários por localidade

Localidade sul

Os compostos majoritários predominantes na localidade sul foram β- felandreno, biciclogermacreno e ni-39 (Figura 7). Quanto ao β-felandreno os indivíduos Sul-2 e Sul-3 apresentaram altas concentrações ao longo de todo o período seco (Nov-Mar), em contraponto ao indivíduo Sul-1, que apresentou baixas concentrações em alguns meses.

Quanto ao biciclogermacreno, o indivíduo Sul-1 apresentou altas concentrações ao longo de todo o período seco, já os indivíduos Sul-2 e Sul-3, apresentaram baixas concentrações.

Figura 7 — Compostos majoritarios localidade Sul
Compostos majoritarios localidade SulO autor (2021)

Quando verificados os valores do composto ni- 39, este se apresenta em altas concentrações no indivíduo Sul-1 durante o período seco, já os indivíduos Sul-2 e Sul-3, apresentaram baixas concentrações.

Localidade CCA

Os compostos majoritários predominantes na localidade CCA foram β-felandreno, biciclogermacreno, ni-39 e ni-43 (Figura 8). Quanto ao β-felandreno comparando os indivíduos, verifica-se que os indivíduos CCA-4 e CCA-5 apresentaram baixas concentrações ao longo de todo o período de estudo, em contraponto ao indivíduo CCA-6, que apresentou altas concentrações. Este comportamento é inverso para o biciclogermacreno onde os indivíduos CCA-4 e CCA-5 apresentaram as maiores concentrações, enquanto que ao indivíduo CCA-6 apresentou concentrações menores, exceto no mês de maio de 2016.

Figura 8 — Compostos majoritários localidade CCA
Compostos majoritários localidade CCAO autor (2021)

Quando verificados os valores dos compostos ni-39 e ni-43, os indivíduos CCA-4 e CCA-5 apresentaram as maiores concentrações durante todo o estudo, em contraponto, o indivíduo CCA-6 que apresentou onde não foram identificados em nenhuma amostra.

Localidade Norte

Os compostos majoritários predominantes na localidade Norte foram β-felandreno, biciclogermacreno, viridiflorol (Figura 9).

Quanto ao β-felandreno, apenas no mês de março, este composto apresentou brusca queda de concentrações e apenas no indivíduo Norte-9.Quanto ao biciclogermacreno o indivíduo Norte-7 apresentou as maiores concentrações durante todo o período de estudo.

Figura 9 — Compostos majoritários localidade Norte
Compostos majoritários localidade NorteO autor (2021)

Quanto ao composto viridiflorol o indivíduo Norte-7 também apresentou as maiores concentrações por quase todo o período de estudo, tendo queda de concentração em março e maio.

Atividade antioxidante do óleo essencial

A atividade antioxidante foi determinada pelo método de captura do radical livre DPPH e do sistema β-caroteno/ácido linoleico.

Resultados de atividade antioxidante pelo método DPPH•

Os resultados de IC50 das amostras (Tabela 5 ) apresenta a amostra CCA-06 com a melhor atividade antioxidante por este método por apresentar menor IC50. Em contrapartida a amostra NORTE-7 apresentou menor potencial antioxidante por este método devido aos resultados apresentarem o maior IC50. 

Tabela 5 — Atividade antioxidante expressa em IC50(µg/mL), (média e DP) de três meses de ensaios pelo método DPPH• de todas as amostras
  Sul-1 Sul -2 Sul -3 CCA-4 CCA-5 CCA-6 Norte-7 Norte-8 Norte-9
jul 0,526 0,676 0,531 0,57 0,526 0,521 0,876 0,661 0,752
ago 0,552 0,675 0,52 0,562 0,516 0,501 0,859 0,652 0,652
set 0,444 0,676 0,542 0,584 0,506 0,511 0,839 0,660 0,522
Média 0,507 0,676 0,531 0,572 0,516 0,511 0,858 0,658 0,642
DP 0,056 0,001 0,011 0,011 0,010 0,010 0,019 0,005 0,115
O autor (2021)

Para complementar os resultados das atividades antioxidantes, foi utilizada a metodologia do β- caroteno/ácido linoleico descritos a seguir.

Resultados de atividade antioxidante pelo método pelo β-caroteno/ácido linoleico

 Os valores das absorbâncias (Tabela 6) das amostras foram superiores aos valores do monitoramento do sistema, sendo compatíveis com a indução da oxidação. 

Tabela 6 — Absorbâncias medias (nm) três meses pelo tempo (minutos) na avaliação da atividade antioxidante pelo método β-caroteno/ácido linoleico
Tempo sul-1 sul-2 sul-3 cca-4 cca-5 cca-6 norte-7 norte-8 norte-9 SIST BHT
0 0,915 0,940 0,928 0,906 0,905 0,916 0,913 0,910 0,938 0,683 0,975
15 0,819 0,852 0,868 0,862 0,838 0,852 0,856 0,860 0,882 0,668 0,944
30 0,763 0,813 0,930 0,919 0,794 0,810 0,813 0,815 0,839 0,640 0,920
45 0,631 0,612 0,731 0,730 0,641 0,701 0,718 0,707 0,702 0,612 0,808
60 0,512 0,548 0,618 0,657 0,533 0,619 0,644 0,621 0,635 0,601 0,705
75 0,500 0,503 0,521 0,536 0,502 0,521 0,516 0,512 0,508 0,583 0,651
90 0,421 0,413 0,401 0,431 0,448 0,426 0,401 0,400 0,435 0,515 0,624
105 0,402 0,386 0,331 0,368 0,335 0,302 0,316 0,321 0,339 0,510 0,610
120 0,401 0,377 0,323 0,358 0,331 0,300 0,306 0,312 0,329 0,505 0,606
O autor (2021)

Para demonstrar este efeito de oxidação, a figura a seguir (Figura 11) apresenta a curva das absorbâncias.

Figura 10 — Monitoramento das absorbâncias das amostras pelo método β- caroteno/ácido linoleico
Monitoramento das absorbâncias das amostras pelo método β- caroteno/ácido linoleicoO autor (2021)

Devido à baixa atividade potencial antioxidante representada pelas amostras de  Xylopia aromatica (Annonaceae) realizadas e a quantidade elevada de óleo necessária para sua realização, estes testes foram suprimidos a partir da terceira coleta sendo considerados indutores antioxidantes pelos métodos utilizados.

PADRÕES DE VARIAÇÃO TEMPORAL E ESPACIAL

Variação temporal do rendimento do óleo essencial

O rendimento de óleo essencial foi distinto entre as três localidades avaliadas (ANOVA 0,05; F=31,6; p <0,0001), com o rendimento médio mensal (%) da localidade CCA (0,624 ± 0,40 %) apresentando os maiores valores (Tukey 0,05; p<0,05) (Figura 11).

Figura 11 — Rendimento % de óleo essencial de X. aromatica por localidade
Rendimento % de óleo essencial de X. aromatica por localidadeO autor (2021)

Independentemente da localidade, os maiores rendimentos foram observados entre o final do período chuvoso e por quase todo o período seco (Out a Jan-Mar), com algumas variações ao final da estação seca.

PADRÃO DE DISTRIBUIÇÃO DAS OBSERVAÇÕES

Agrupamentos das observações individuais

A análise multivariada (ACP) determinou dois distintos grupamentos relacionados às observações realizadas ao longo do período de coleta, (Figura 12). Essa distinção foi causada pelos diferentes teores dos componentes observados em cada uma das coletas individualmente. Para tentar entender quais componentes ou grupos de componentes foram responsáveis pelo agrupamento das observações foi então realizada uma análise de dupla entrada (Figura 14, Two-way cluster analysis), onde verificou-se que o grupo 1 é caracterizado pela presença em maiores concentrações dos monoterpenos sabineno, β-pineno, Mirceno, α-felandreno e β- felandreno. 

Figura 12 — Distribuição das observações da matriz de composição
Distribuição das observações da matriz de composiçãoO autor (2021)

Por outro lado, o grupo 2 é especialmente composto por hidrocarbonetos sesquiterpênicos, especialmente o viridiflorol, germacreno-D, biciclogermacreno e os compostos não identificados ni-39 e ni-43.

Agrupamento de observações de agrupamento individual

As observações das análise de agrupamento de dupla entrada para as observações realizadas individualmente ao longo do período de coleta são apresentados na figura a seguir (Figura 13).

Figura 13 — Análise de agrupamento de dupla entrada para as observações realizadas individualmente ao longo do período de coleta
Análise de agrupamento de dupla entrada para as observações realizadas individualmente ao longo do período de coletaO autor (2021)

Essas observações de todos os indivíduos durante o período de amostragem apresenta dois grupos de amostras distintas diferenciadas pela presença majoritária de composição de sesquiterpenos no grupo 2 e predominantemente monoterpenos no grupo 1.

Variação mensal das observações de composição e localidade

A análise da variação mensal (temporal) a partir do agrupamento das observações individuais indicou que a localidade CCA se distingue em um grupo separado, enquanto que as localidades Sul e Norte se apresentam juntas em outro grupo (Figura 14, Two-way cluster analysis), independente do mês e coleta. 

Figura 14 — Análise de agrupamento de dupla entrada para as observações mensais
Análise de agrupamento de dupla entrada para as observações mensaisO autor (2021)

Essa análise sugere que a composição do óleo essencial dos indivíduos amostrados não foi influenciada pela variação temporal ocorrida ao longo do estudo, e que outras causas devem indicar esta distinção.

Reagrupamento das informações no nível individual

O reagrupamento das informações obtidas apenas para o nível individual indicou uma forte tendência de separação entre indivíduos (Figura 15, Two-way cluster analysis).

Figura 15 — Análise de agrupamento de dupla entrada para as observações individualmente
Análise de agrupamento de dupla entrada para as observações individualmenteO autor (2021)

A partir destas observações foi possível inferir que os Indivíduos Sul-1, CCA-4 e CCA-5 formaram um grupo distinto dos outros indivíduos a partir da ausência/presença de alguns compostos, em especial ni-32 e α-muurolol em associação com o maior rendimento de óleo essencial, denotando uma característica de comportamento especialmente associado à composição química.

Condicionantes ambientais determinando a variabilidade na composição do óleo essencial

As condicionantes ambientais de maior significância com a composição dos óleos essenciais de Xylopia aromatica (Annonaceae) nas três localidades de savana estudadas em Roraima foram pH solo, alumínio e CTC (capacidade de troca catiônica) efetiva (Figura 16, A,B e C) contendo os valores dos componentes principais da composição em função da variável ambiental, considerando os valores de R2 maiores que 0,35. Os indivíduos 1, 4, 5 (os mais produtivos) estão associados à solos com maior acidez, maior toxidez e CTC efetiva igual ou inferior a 2,5 mol c/Kg indicando que os solos onde os indivíduos mais produtivos se encontram é do tipo ácrico (com baixíssima fertilidade). 

Figura 16 — Condicionantes ambientais de maior significância com a composição dos óleos essenciais de Xylopia aromatica (Annonaceae).
Condicionantes ambientais de maior significância com a composição dos óleos essenciais de Xylopia aromatica (Annonaceae).O autor (2021)

A partir da avaliação desses dados pode-se afirmar que os maiores rendimentos de óleos essenciais estão associados com os solos de maiores restrições edáficas.

DISCUSSÕES

Os resultados de rendimento (0,35% +/- 0,36) obtidos para as localidade de savana em Roraima são contrastantes com as análises realizadas por Maia et al, (2005) com quatro espécies de Xylopia, em uma região da floresta Amazônica no sul do estado do Pará, neste estudo, os autores encontraram um rendimento médio de 0,2% para  Xylopia aromatica (Annonaceae), um valor 4 vezes inferior ao estudo em tela. Em outro estudo, Lago et al, (2003) encontraram um rendimento médio de 0,08% também para  Xylopia aromatica (Annonaceae)  em uma região de cerrado do estado de São Paulo (Araraquara), contudo, nenhum destes dois estudos aponta o efeito temporal do rendimento do óleo, detendo-se apenas em análises pontuais.

Lopes et al, (1997) concluíram que não houve variação no rendimento do óleo essencial nas diferentes estações do ano, trabalhando com Virola surinamensis (Myristicaceae) contudo, Mendes et al, (2003), trabalhando com Duguetia frutescens (Annonaceae) do estado de Santa Catarina, no sul do Brasil encontraram aumento no rendimento de óleo essencial proporcional às maiores temperaturas, Os resultados indicam que a tendência de maior rendimento entre o final da estação seca e início da chuvosa pode ser um padrão para espécies da família Annonaceae.

Quanto à caracterização dos óleos essenciais deste estudo, podemos observar que apenas nove destes constituintes tinham sido identificados anteriormente por Lago et al (2003), sendo cinco monoterpenos não oxigenados, três sesquiterpenos não oxigenados e um sesquiterpeno oxigenado. Na comparação com Maia et al (2005) além dos nove já citados anteriormente, outros quatro sesquiterpenos não oxigenados também foram identificados. Portanto este estudo proporcionou a identificação inédita de vinte e sete componentes para o óleo essencial das folhas de Xylopia aromatica (Annonaceae).

Quanto aos compostos majoritários, os resultados deste estudo também diferem de Maia et al (2005), que não identificaram β-felandreno em Xylopia aromatica (Annonaceae) e sendo majoritário neste trabalho, Entre os monoterpenos não oxigenados estes autores identificaram o limoneno com 4,6 % enquanto que este composto foi ausente neste trabalho com espécies da savana de Roraima. Em relação aos hidrocarbonetos sesquiterpênicos, ainda nos trabalhos de Maia et al (2005),o majoritário foi o biciclogermacreno (36,5%) enquanto que para este trabalho realizado nas amostras da savana de Roraima foi de 15,9%. 

Entre os sesquiterpenos oxigenados ainda encontraram o espatulenol apresentou percentual de 20,5%, em contraponto, as amostras de Xylopia aromatica (Annonaceae) de Roraima apresentaram 1,71%.

Já para Lago (2003), os monoterpenos mais abundantes foram α-pineno (26,1%) e β-pineno (19%) e limoneno (22,3%), valores maiores que os encontrados para este trabalho, porém semelhantemente, o sesquiterpeno mais abundante foi biciclogermacreno (20,4%), As Indivíduos experimentais deste trabalho apresentam o sesquiterpeno viridiflorol dentre os majoritários, fato este, até então não observado em estudos com óleos essenciais desta espécie de Annonaceae, indicando um fator diferencial.

Os testes de atividade antioxidante pelo método DPPH• se mostraram aceitáveis em virtude dos valores de IC50 em média 0,50 µg/mL, porém são inferiores aos valores encontrados por Boaventura (2010), que avaliou uma espécie de Annonaceae. Os resultados desta atividade antioxidante pelo método do sistema antioxidante β-caroteno/ácido linoleico, expressam resultados negativos e diferentemente do que se esperava, os compostos dos óleos essenciais de  Xylopia aromatica (Annonaceae) foram indutores oxidantes. Pelo método do β-caroteno/ácido linoleico os monitoramentos das amostras em função do tempo indicaram efeito oxidante por não ser suficiente para proteção do radical livre, estabelecendo que este método é menos eficiente para a verificação desta atividade em amostras de Xylopia aromatica (Annonaceae) da savana de Roraima. Desta, a partir da terceira coleta, as análises foram suprimidas, sendo então necessários que outros estudos apontem metodologias mais eficientes para esta determinação ou a melhor concentração para esta atividade.

A variação temporal apesar de ser observada em outros estudos, ainda é pouco discutida quando se trabalha com espécies de Annonaceae. Alguns trabalhos apresentam resultados comparando o rendimento e até composição majoritária em diferentes épocas do ano, como realizado por Lopes et al, (2007), A variação temporal apresentada neste estudo não indicou qualquer distinção entre os indivíduos, isso sugere um comportamento para a espécie estudada.

Durante este estudo a localidade Sul apresentou como compostos mais representativos oβ-felandreno, biciclogermacreno e NI-39 com teores inversamente proporcionais para os indivíduos Sul 1 em relação a Sul-2 e 3, β-felandreno, com exceção dos meses de agosto a outubro e Abril, manteve sua concentração no indivíduo 1 oposta as amostras do 2 e do 3, Nos meses de novembro a março essa observação fica melhor evidenciada, enquanto que para o os indivíduos 2 e 3 os teores foram elevados para o indivíduo 1 foram mínimos, biciclogermacreno, nos meses de meses de novembro a março, onde para os indivíduos 2 e 3 foi observado maiores teores do β-felandreno , esse composto apresenta-se com menores quantidades, já para Sul-1 elevada proporção, NI-39, nos meses nos meses supracitados, observa-se comportamento semelhante, predominância em Sul-1.

Para as amostras da localidade CCA o β-felandreno, biciclogermacreno, NI- 30 e NI-43 apresentaram predominância com variações entre os indivíduos ao longo do período de análise. De modo geral pode ser observado uma relação nos teores do β-felandreno e biciclogermacreno, quando β-felandreno apresenta elevadas concentrações no indivíduo CCA-6, biciclogermacreno apresenta menores proporções, Em CCA-4 e CCA-5 β-felandreno ocorre com baixos teores, já biciclogermacreno apresenta concentração expressiva. Os compostos NI-39 e 43 são identificados com altos teores e notável variação nos indivíduos CCA-4 e CCA-5 enquanto que em CCA-6 eles não são detectados. Os trabalhos anteriormente citados, de Maia et al (2005) e Lago et al (2003) não apresentam este mesmo perfil de compostos por não considerarem a variação temporal.

Nas amostras Norte-7, Norte-8 e Norte-9 o β-felandreno apresenta teores variando moderadamente nos meses de julho a fevereiro, com destaque para Norte- 8 com percentuais maiores desse composto. No mês de março, na amostra Norte-9, esse composto não foi detectado. Os teores do biciclogermacreno apresentou variação inversamente proporcional ao β-felandreno, em Norte-8, característico por elevados percentuais do β-felandreno, foi a amostra de menor quantidade deste composto. Esse comportamento fica bem evidente no mês de março quando não foi detectado o β-felandreno, o biciclogermacreno ocorre com percentuais significativos. O viridiflorol, também não citado em outros trabalhos, apresentou percentuais elevados e variante ao longo do período de análise. Não foi observado padrão de variação que pudesse sugerir uma relação com os demais compostos citados, entretanto comparado às demais localidade esse constituinte é mais expressivo nestas amostras, Em Norte-9, o viridiflorol apresentou os maiores teores, exceto no mês de maio. Essas variações podem definir características específicas de cada amostra, além de fornecer um perfil expresso a cada mês.

Os agrupamentos por observações não são explicados em função das localidades das amostras, porém considerando os estudos de Maia et al, (2005) e Lago et al, (2003) é possível notar há indícios do efeito do ambiente na composição,

A partir destes dados é possível evidenciar a existência dos distintores dos grupos de observações, sendo que o grupo 2 compõe indivíduos que apresentam escassez de compostos monoterpênicos: em sua composição de óleos essenciais.

Vale ressaltar que a escassez desses compostos combinados com a presença maciça de compostos sesquiterpênicos: viridiflorol, germacreno-D, biciclogermacreno e os compostos não identificados ni-39 e ni-43, fazem estabelecer a característica principal deste grupo. Por outro lado, o grupo 1, apresenta comportamento de presença de compostos monoterpênicos exatamente contrário, sendo fortemente presentes durante o experimento. Quanto aos compostos sesquiterpênicos, este grupo também os apresenta, porém, os compostos não identificados ni-39 e ni-43 estão praticamente ausentes, sendo então possível inferir que a ausência deles, ou sua substituição faz distinção dos dois grupos.

Quanto aos determinantes para a distinção entre os indivíduos, é possível inferir que os fatores edáficos transmitem as explicações em nível de indivíduos, pois considerados pobres, os solos da savana de Roraima, apresentam espécies de plantas que se mostram adaptadas. Nos estudos de Lopes (2007), foi exposto que a menor taxa de crescimento e metabolismo das plantas estava associado à menor fertilidade do solo e consequente baixa de nutrientes, apresentou também maiores rendimentos associados, Já Mendes (2012), apresenta fortes justificativas para influência do ambiente na composição química de Dalbergia frutescens (Fabaceae), porém os fatores relacionados ao solo não são considerados.

Observando que a distinção de grupos não era justificada pelos padrões apresentados anteriormente, foi possível inferir que a distinção da composição no nível do indivíduo justificava, ou poderia reger a variação espacial e temporal, A distinção em grupos de indivíduos independente de localidade reafirma que em nível dos indivíduos há distinção relacionada com suas características ou outros fatores, Entre os fatores edáficos foi possível determinar distintores de indivíduos.

As condicionantes ambientais que explicam a variabilidade entre indivíduos neste estudo com Xylopia aromatica (Annonaceae), estão relacionadas com os fatores edáficos, pois foi possível relacionar esta variabilidade com solos com maior acidez, maior toxidez e contraditoriamente com valores maiores de CTC efetiva. As características do solo da savana de Roraima encontradas neste trabalho corroboram as características descritas por Vale Júnior e Schaefer (2010) afirmando caráter químico de baixa fertilidade, com baixos níveis de cálcio e magnésio e níveis elevados de alumínio, além da tendência de baixos níveis de matéria orgânica.

Assim como Martins, Alvarenga e Roque (1995), podemos correlacionar a variação na produção de substâncias ativas aos fatores ambientais. Podemos afirmar que apesar da adaptação da espécie Xylopia aromatica (Annonaceae) à savana de Roraima, seus teores de compostos presente no óleos essenciais sofrem variabilidades e que tais variações podem ser plenamente explicadas pelos fatores ambientais, especialmente as características edáficas onde os indivíduos se encontram, muito embora haja a constatação de que os solos de savanas sejam pobres em nutrientes, esta espécie de Annonaceae apresenta grande potencial para bioprospecção a partir de suas características químicas e do entendimento da relações entre elas e o meio ambiente. Outros estudos devem aprofundar o conhecimento das características genéticas da espécie bem como outras relações ou fatores que possam determinar suas características ou justificar suas mais variadas aplicações.

Conclusão

A constituição química e atividade antioxidante de óleos essenciais de folhas da Xylopia aromatica (Annonaceae) da savana de Roraima pode ser relacionada com as condicionantes ambientais visto que os resultados apresentam comportamento de composição diferentes entre indivíduos do mesmo grupo amostral.

A composição química do óleo essencial de folhas da Xylopia aromatica (Annonaceae) apresentou um perfil genérico com diferenças de teores entre indivíduos e entre períodos durante a pesquisa indicando efeito sazonal.

Os compostos majoritários foram determinados para cada indivíduo experimental e foram divididos principalmente entre monoterpenos e sesquiterpenos,porém houveram seis compostos não identificados e estudos posteriores deverão elucidar melhor esta questão.

Os óleos essenciais das amostras apresentaram perfil de baixa atividade antioxidante pelos métodos realizados. Mais estudos devem aplicar metodologias diferentes para esta determinação e elucidação da variabilidade desta atividade entre indivíduos da mesma espécie.

Em função da composição dos óleos essenciais os fatores ambientais podem determinar a formação de grupos distintos quando comparadas todas as observações

Dentre os diversos fatores ambientais, os que apresentaram influência significativa sobre a composição química e rendimento dos óleos essenciais de folhas de Xylopia aromatica (Annonaceae) foram as características edáficas representadas pelo maior pH do solo, maior acidez do solo e CTC efetiva, indicando que os maiores rendimentos de óleo essencial estão associados com os solos de maiores restrições edáficas.

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APÊNDICE A — Composição (%) dos óleos das amostras

Quadro 3 — Porcentagem (%) dos compostos voláteis de óleo essencial de Xylopia aromatica (amostra Sul-1)
Componente Ikc Ik lit jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun med
1 sabineno 980 975 - 2,00 2,71 2,40 0,10 - - - - 1,42 - - 0,72
2 beta pineno 983 979 - 0,61 1,55 1,55 0,11 - - - - 0,82 - - 0,39
3 mirceno 993 991 - 3,34 4,84 4,50 0,12 - - - - 3,92 - - 1,39
4 alfa felandreno 1005 1003 - 3,05 4,65 4,31 0,12 - - - - 2,96 - - 1,26
5 alfa terpineno 1018 1017 - - - - - - - - - - - - -
6 cimeno (para) 1023 1025 - - 0,13 - - - 0,41 - - 0,50 - - 0,09
7 beta felandreno 1028 1030 - 44,41 64,98 57,48 1,41 3,05 0,51 1,42 1,06 49,31 0,22 - 18,65
8 3-delta careno 1031 1031 - - - - - - - - - - - - -
9 (Z) beta ocimeno 1035 1037 - 0,87 1,81 1,05 0,99 0,87 0,47 1,08 0,79 0,98 0,46 - 0,78
10 (E) beta ocimeno 1046 1050 - - - - - - - - - - - - -
11 gama terpineno 1058 1060 - - - 0,33 - - - - - - - 0,64 0,08
12 4- terpineol 1163 1177 - - - - - - - - - - - - -
13 delta elemeno 1338 1348 - - - - - - - - - - - - -
14 alfa copaeno 1374 1377 - 1,87 0,99 1,05 - - - - - - 0,40 0,32 0,39
15 beta cariofileno 1419 1425 - - - 0,89 0,49 3,53 1,68 3,50 2,74 0,62 2,15 0,48 1,34
16 aromadendreno 1450 1441 - - - - - - - - - - - - -
17 gama gurjuneno 1477 1496 - 1,09 - - - - - - - - - - 0,09
18 germacreno D 1485 1485 5,49 2,67 1,66 2,15 5,20 7,50 4,22 7,03 5,12 1,68 5,47 1,74 4,16
19 gama amorfeno 1496 1497 - - - - - - - - - - - - -
20 biciclogermacreno 1496 1500 31,13 20,95 10,36 10,89 32,47 36,33 26,81 50,00 40,74 15,23 10,47 0,44 23,82
21 gama cadineno 1510 1514 1,97 - - - - - - - - - - 4,26 0,52
22 delta cadineno 1527 1523 - - - - - - - - - - - - -
23 nerolidol 1553 1533 - - - - - - - - - - - - -
24 germacreno B 1556 1561 4,13 0,88 - 1,66 0,85 7,32 4,05 7,44 5,70 0,64 2,86 17,84 4,45
25 espatulenol 1576 1578 - 1,59 1,69 0,49 4,70 1,59 - 2,69 3,33 2,27 1,37 2,21 1,83
26 viridiflorol 1597 1593 - 5,49 0,47 4,89 3,10 - - - 1,04 4,40 3,88 3,24 2,21
27 guaiol 1612 1601 - 1,48 - 0,75 - - - - - - - - 0,19
28 N.I 32 1654 * - 1,93 - - - - - - - - - - 0,16
29 alfa acorenol 1633 1655 - - - - - - - - - - - - -
30 alfa muurolol 1646 1646 - 4,27 - 2,19 - - - - - - - - 0,54
31 beta eudesmol 1655 1651 - 0,92 2,18 0,94 - - - - 2,20 3,14 - - 0,78
32 liral 1655 1664 - - - - - - - - - 1,98 - - 0,17
33 bulsenol 1672 1684 - 2,58 1,98 2,48 - - - - - 1,11 - - 0,68
34 N.I 37 1743 * - - - - - - - - - - - - -
35 N.I 39 1745 * 47,34 - - - 38,62 35,56 46,27 24,18 27,44 6,84 56,75 54,54 28,13
36 N.I 41 1767 * - - - - - - - - - - - - -
37 N.I 43 1844 * 9,94 - - - 11,72 4,25 15,58 2,67 9,84 2,18 15,98 14,29 7,20
O autor (2021)

APÊNDICE B — Matriz dados ambientais amostras sul

Quadro 4 — Matriz de dados ambientais do período de estudo período de estudo - Sul 1,2 e 3.
  alt ToC Ins pre %_are %_sil %_arg ph ca mg al h_al ctc_efe sat_al
sul 1 64 27,0 956 150 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 28,0 878 70 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 30,0 918 30 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 29,0 752 10 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 33,0 607 30 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 32,0 594 20 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 29,0 509 10 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 25,0 182 45 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 26,0 480 20 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 26,0 122 250 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 30,0 401 300 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 1 64 33,0 392 400 78,0 4,0 18,0 4,3 0,1 0,1 0,9 3,1 1,2 75,0
sul 2 66 27,0 956 150 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 28,0 878 70 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 30,0 918 30 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 28,0 750 10 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 32,0 759 30 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 33,0 596 20 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 28,0 514 10 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 26,0 201 45 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 25,0 487 20 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 26,0 161 250 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 32,0 384 300 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 2 66 33,0 393 400 78,0 4,0 18,0 4,2 0,1 0,1 1,0 3,9 1,3 76,9
sul 3 68 27,0 956 150 60,7 11,2 28,1 4,3 0,1 0,1 0,8 2,8 1,2 66,7
sul 3 68 28,0 878 70 60,7 11,2 28,1 4,3 0,1 0,1 0,8 2,8 1,2 66,7
sul 3 68 30,0 918 30 60,7 11,2 28,1 4,3 0,1 0,1 0,8 2,8 1,2 66,7
sul 3 68 28,0 748 10 60,7 11,2 28,1 4,3 0,1 0,1 0,8 2,8 1,2 66,7
sul 3 68 32,0 601 30 60,7 11,2 28,1 4,3 0,1 0,1 0,8 2,8 1,2 66,7
sul 3 68 33,0 571 20 60,7 11,2 28,1 4,3 0,1 0,1 0,8 2,8 1,2 66,7
sul 3 68 28,0 528 10 60,7 11,2 28,1 4,3 0,1 0,1 0,8 2,8 1,2 66,7
sul 3 68 26,0 187 45 60,7 11,2 28,1 4,3 0,1 0,1 0,8 2,8 1,2 66,7
sul 3 12,0 6,4 1,4 21,0 3,8 15,0 3,2 0,1 0,2 0,7 5,0 0,0 2,0 5,0
sul 3 12,0 6,4 1,4 21,0 3,8 15,0 3,2 0,1 0,2 0,7 5,0 0,0 2,0 5,0
sul 3 12,0 6,4 1,4 21,0 3,8 15,0 3,2 0,1 0,2 0,7 5,0 0,0 2,0 5,0
sul 3 12,0 6,4 1,4 21,0 3,8 15,0 3,2 0,1 0,2 0,7 5,0 0,0 2,0 5,0
O autor (2021)

APÊNDICE C — Matriz dados ambientais amostras CCA

Quadro 5 — Matriz de dados ambientais do período de estudo período de estudo - CCA 4,5 e 6
  sat_bas ind_smp %_mo %_arg p_meh k ctc_ph7 cu zn mn na %_fe ca_mg ca_k mg_k
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 4 17,0 6,1 1,8 20,0 4,8 22,0 4,7 0,1 0,4 0,7 5,0 0,0 6,0 10,0 1,7
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 5 6,0 5,4 3,2 15,0 5,7 31,0 9,2 0,0 0,7 3,3 10,0 0,0 1,0 2,5 2,5
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
cca 6 5,0 6,0 1,5 18,0 2,9 13,0 4,7 0,0 0,2 0,0 5,0 0,1 1,0 3,3 3,3
O autor (2021)

APÊNDICE D — Matriz dados ambientais amostras Norte

Quadro 6 — Matriz de dados ambientais do período de estudo período de estudo - Norte 7,8 e 9.
  sat_bas ind_smp %_mo %_arg p_meh k ctc_ph7 cu zn mn na %_fe ca_mg ca_k mg_k
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 7 7,0 6,1 2,2 16,0 7,6 30,0 4,2 0,8 2,2 47,8 7,0 0,0 1,0 1,3 1,3
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 8 9,0 6,3 1,5 3,0 6,7 23,0 3,4 0,2 5,0 9,3 8,0 0,0 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
norte 9 9,0 6,3 1,4 14,0 5,7 23,0 3,4 0,7 1,0 61,1 8,0 0,1 1,0 1,7 1,7
O autor (2021)

APÊNDICE E —  Composição (%) dos óleos das amostras

Quadro 7 — Porcentagem (%) dos compostos voláteis de óleo essencial de Xylopia aromatica (amostra Sul-1)
Componente Ikc Ik lit jul ago set out nov dez jan fev mar abr mai jun med
1 sabineno 980 975 - 2,00 2,71 2,40 0,10 - - - - 1,42 - - 0,72
2 beta pineno 983 979 - 0,61 1,55 1,55 0,11 - - - - 0,82 - - 0,39
3 mirceno 993 991 - 3,34 4,84 4,50 0,12 - - - - 3,92 - - 1,39
4 alfa felandreno 1005 1003 - 3,05 4,65 4,31 0,12 - - - - 2,96 - - 1,26
5 alfa terpineno 1018 1017 - - - - - - - - - - - - -
6 cimeno (para) 1023 1025 - - 0,13 - - - 0,41 - - 0,50 - - 0,09
7 beta felandreno 1028 1030 - 44,41 64,98 57,48 1,41 3,05 0,51 1,42 1,06 49,31 0,22 - 18,65
8 3-delta careno 1031 1031 - - - - - - - - - - - - -
9 (Z) beta ocimeno 1035 1037 - 0,87 1,81 1,05 0,99 0,87 0,47 1,08 0,79 0,98 0,46 - 0,78
10 (E) beta ocimeno 1046 1050 - - - - - - - - - - - - -
11 gama terpineno 1058 1060 - - - 0,33 - - - - - - - 0,64 0,08
12 4- terpineol 1163 1177 - - - - - - - - - - - - -
13 delta elemeno 1338 1348 - - - - - - - - - - - - -
14 alfa copaeno 1374 1377 - 1,87 0,99 1,05 - - - - - - 0,40 0,32 0,39
15 beta cariofileno 1419 1425 - - - 0,89 0,49 3,53 1,68 3,50 2,74 0,62 2,15 0,48 1,34
16 aromadendreno 1450 1441 - - - - - - - - - - - - -
17 gama gurjuneno 1477 1496 - 1,09 - - - - - - - - - - 0,09
18 germacreno D 1485 1485 5,49 2,67 1,66 2,15 5,20 7,50 4,22 7,03 5,12 1,68 5,47 1,74 4,16
19 gama amorfeno 1496 1497 - - - - - - - - - - - - -
20 biciclogermacreno 1496 1500 31,13 20,95 10,36 10,89 32,47 36,33 26,81 50,00 40,74 15,23 10,47 0,44 23,82
21 gama cadineno 1510 1514 1,97 - - - - - - - - - - 4,26 0,52
22 delta cadineno 1527 1523 - - - - - - - - - - - - -
23 nerolidol 1553 1533 - - - - - - - - - - - - -
24 germacreno B 1556 1561 4,13 0,88 - 1,66 0,85 7,32 4,05 7,44 5,70 0,64 2,86 17,84 4,45
25 espatulenol 1576 1578 - 1,59 1,69 0,49 4,70 1,59 - 2,69 3,33 2,27 1,37 2,21 1,83
26 viridiflorol 1597 1593 - 5,49 0,47 4,89 3,10 - - - 1,04 4,40 3,88 3,24 2,21
27 guaiol 1612 1601 - 1,48 - 0,75 - - - - - - - - 0,19
28 N.I 32 1654 * - 1,93 - - - - - - - - - - 0,16
29 alfa acorenol 1633 1655 - - - - - - - - - - - - -
30 alfa muurolol 1646 1646 - 4,27 - 2,19 - - - - - - - - 0,54
31 beta eudesmol 1655 1651 - 0,92 2,18 0,94 - - - - 2,20 3,14 - - 0,78
32 liral 1655 1664 - - - - - - - - - 1,98 - - 0,17
33 bulsenol 1672 1684 - 2,58 1,98 2,48 - - - - - 1,11 - - 0,68
34 N.I 37 1743 * - - - - - - - - - - - - -
35 N.I 39 1745 * 47,34 - - - 38,62 35,56 46,27 24,18 27,44 6,84 56,75 54,54 28,13
36 N.I 41 1767 * - - - - - - - - - - - - -
37 N.I 43 1844 * 9,94 - - - 11,72 4,25 15,58 2,67 9,84 2,18 15,98 14,29 7,20
O autor (2021)

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