DESAFIOS DO ASSISTENTE SOCIAL NA PANDEMIA COVID-19 EM FUNDAÇÃO DE APOIO AO IDOSO DR.THOMAS/ILPI.

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DESAFIOS DO ASSISTENTE SOCIAL NA PANDEMIA COVID-19 EM FUNDAÇÃO DE APOIO AO IDOSO DR.THOMAS/ILPI.

MICHELE MACÊDO FALCÃOGrupo Educacional Faveni

Erilaine Gregório: Erilaine Gregório

Resumo

O presente artigo tem a finalidade principal evidenciar os desafios postos a atuação do Assistente Social no contexto da Pandemia Covid19 na Instituição de Longa Permanência Fundação de apoio ao Idoso Dr. Thomas. A pandemia do novo corona vírus-Covid19, que atinge o Brasil e o mundo impacta significativamente a vida de toda a população seja nas questões biomédicas, social, cultural e históricas. Assim, esse momento exige dos profissionais de Serviço Social novos desafios quanto a sua atuação de trabalho para garantir a segurança e a saúde de idosos no contexto do Covid19. Trata-se de uma pesquisa qualitativa baseada no método dialético sendo utilizado para execução do campo de pesquisa a aplicação de um questionário com perguntas abertas e fechadas. O resultados da pesquisa estimam que um terço e metade da população exposta a uma epidemia pode vir a sofrer alguma manifestação em consequência do isolamento social caso não seja feita nenhuma intervenção de cuidado específico para reações e sintomas manifestados. Por este motivo, os idosos foram submetidos a avaliação de monitoramento de diagnóstico pós doença. Assim, esse momento exige medidas de prevenção para o bem-estar dos idosos e desafios aos profissionais que tem por dever ético continuar prestando auxílio à população brasileira mesmo em tempos de calamidade pública.

Palavras-chave: Assistente Social, Instituição de Longa Permanência, Idoso.

Abstract

This article has an important evidence of the challenges faced by the Social Worker in the context of the Covid Pandemic19 at the Long Term Care Foundation to support the Elderly Dr. Thomas. The pandemic of the new corona-Covid virus19, which affects Brazil and the world, impacts the life of the entire population, although the impacts on the lives of people and the organization of society cannot be measured. Thus, this moment demands from Social Work professionals new challenges regarding their work performance to guarantee the safety and health of the elderly in the context of Covid19. It is a qualitative research based on the dialectical method used for an execution of the research field at the request of a questionnaire with open and closed questions. The results of the survey estimate that one third and half of the population exposed to an epidemic may suffer some manifestation as a result of social isolation if no specific care intervention is made for manifested reactions and symptoms. For this reason, the elderly were diagnosed with post-disease diagnostic monitoring assessment. Thus, this moment requires preventive measures for the well-being of the elderly and challenges for professionals whose ethical duty is to continue providing assistance to the Brazilian population even in times of public calamity.

Keywords: social worker, long-term institution, old man

Introdução

     O presente estudo teve como objetivo compreender e analisar a prática dos Assistentes Sociais na Instituição de Longa Permanência Fundação de Apoio ao Idoso Dr. Thomas, no período de março a agosto de do ano de dois mil e vinte, momento que se vivenciou um dos maiores desafios para estes profissionais que atuaram na linha de frente no combate ao Covid 19. 

     A pandemia do novo corona vírus/Covid19, que atinge o Brasil e o mundo impacta significativamente a vida de toda a população, embora não se pode dimensionar os impactos na vida das pessoas e organização da sociedade. Assim, esse momento exige dos profissionais de Serviço Social novos desafios quanto a sua atuação de trabalho para garantir a segurança e a saúde de idosos no contexto do Covid19.  

    O exercício profissional durante o período de agudização do Covid19 segue com base no Decreto n° 10.282 de março de 2020-Orientações sobre a atuação de Assistentes em razão da pandemia do novo corona vírus e protocolos do Ministério da Saúde, que diante de novo cenário flexibilizam-se conforme ocorrem as descobertas de combate ao vírus. 

   Por este motivo, inúmeros são os desafios enfrentados a estes profissionais, uma vez que o isolamento social traz implicações diretas ao idoso das Instituições de Longa Permanência por viveram no coletivo. A medicina orienta medidas de prevenções ao novo corona vírus como: ficar isolado, sem contato físico, uso de máscaras, higienizar às mãos frequentemente entre outros. 

     Um dos maiores desafios a categoria foi diminuir o risco de contágio da doença e ainda manter os idosos com a sanidade mental equilibrada. Essa atual demanda provocou questionamentos à prática do Assistente Social, suscitando ainda mais reflexões para alternativas de enfrentamento ao Covid19 e necessidade de atualizações de conhecimento para lidar com essa nova situação. 

     Criar uma atual rotina de trabalho aos idosos com todas as medidas de segurança e não contato físico e ainda manter a sanidade mental é o que será abordado neste artigo bem como o redimensionamento da prática profissional dos Assistentes Sociais que trabalham com a pessoa idosa no contexto da pandemia.

Desenvolvimento

O presente artigo apresenta a trajetória de atendimento do Serviço Social desde a sua gênese até a contemporaneidade dando ênfase a atuação do Assistente Social a idosos assistidos pela Fundação de Apoio ao Idoso Dr. Thomas - ILPI no contexto da pandemia Covid19.

 Falar sobre a prática profissional do Assistente Social segundo Oliveira (1988) é  ter o conceito definido de que o Serviço Social é uma profissão reconhecida por toda a sociedade e seus serviços são requeridos sempre que há necessidade de se mobilizar pessoas, grupos e segmentos sociais numa ação social, tanto para organização de ações interativas, quanto para se procederem mudanças sociais e comportamentais cotidianas.

 Historicamente a profissão surge atrelada à igreja católica. O ano de 1925 pode ser considerado como o nascimento do Serviço Social profissional na América Latina, já que marca a criação da I Escola da especialidade num país latino americano. Manrique Castro (2008) em seus estudos enfatiza que a I Escola, Alejandro Del Rio, fundou-se no Chile em 1925, podendo-se investigar a emergência de um Serviço Social chileno, peruano, argentino etc., marcado com cariz nacional ou, ainda o aparecimento do Serviço Social latino americano.

  Segundo o autor a I Escola de Serviço Social na América Latina foi criada pelo médico Alejandro Del Rio, este já sabia da importância do Assistente Social no êxito de sua tarefa. Sabia também que precisava de cercar-se de subtécnicos na complementação de seus afazeres. Médicos com esta mentalidade perceberam que podiam contar com este profissional em sua equipe, o Assistente Social.

 No Brasil a implantação do Serviço Social surge em 1930, mas não se baseará em medidas coercitivas emanadas do Estado. Na compreensão de Iamamoto (2007), aqui surge da iniciativa particular de grupos e frações da classe, que se manifestam principalmente por intermédio da Igreja Católica. Segue o que diz a autora,

O Serviço Social se institucionaliza e legitima como profissão, extrapolando suas marcas de origem no interior da Igreja, quando o Estado centraliza a política assistencial, efetivada através da prestação de serviços sociais implementados pelas grandes instituições; com isso, as fontes de legitimação do fazer profissional passam a emanar do próprio Estado e do conjunto dominante. (Iamamoto, 2007, p.95)


  Importante compreender a ação emergente do Serviço Social na Doutrina Social da Igreja, no ideário franco-belga e no pensamento de São Tomás de Aquino. O neotomismo está na base das concepções presentes no surgimento da profissão na década de 1930.

  A partir dos anos 50 observa-se a perda da influência religiosa sobre as esferas da vida social, notando-se neste período e início da década seguinte as primeiras manifestações no meio profissional de posições que agora começam a questionar o status quo e contestar a prática profissional vigente.

 Conforme Iamamoto (2007) verificam-se tentativas de ruptura de parte do meio profissional com o posicionamento assumido, agora a profissão assume inquietações e insatisfações deste movimento histórico e direciona questionamentos ao Serviço Social tradicional através de um amplo movimento, de um processo de revisão global em diferentes níveis: teórico, metodológico, operativo e político.

   A isso se alia a busca de fundamentos científicos mais sólidos que orientem a atuação e ultrapasse a mera atividade técnica. Neste período questiona-se, o tipo de orientação metodológica e como esta pode orientar a prática a fim de atender os interesses dos setores populares e de sua organização autônoma.

 O questionamento a este referencial tem início no contexto de mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais que expressam, nos anos de 1960, as novas configurações que caracterizam a expansão do capitalismo mundial, que impõem à América Latina um estilo de desenvolvimento excludente e subordinado.

  Este movimento de renovação no Serviço Social impõe aos assistentes sociais a necessidade de construção de um novo projeto comprometido com as demandas de classes subalternas, particularmente expressas em suas mobilizações o reconhecimento como classe por parte do Estado e do empresariado. Para fundamentar esta assertiva o texto fala que,

a partir dos anos 60, no bojo do Movimento de Reconceituação, verifica-se a gestação de uma trajetória de ruptura com mas marcas de origem conservadoras da profissão. Ou seja, procura-se reorientar o potencial da prática profissional no horizonte dos interesses daqueles que participam da sociedade através do seu trabalho. É no bojo deste movimento, de questionamentos à profissão, não homogêneos e em conformidade com as realidades de cada país, que o Serviço Social vai se aproximar do marxismo e vai configurar para o Serviço Social latino-americano a apropriação de uma matriz teórica: a teoria social de Marx, embora esta apropriação se efetive em tortuoso processo (IAMAMOTO, 2007, p 123).


 Até o final da década de 70, o pensamento de autores latino-americanos ainda orienta ao lado da iniciante produção brasileira divulgada pelo CBCISS, a formação e o exercício profissional no país. Situação que vai aos poucos se modificando com o desenvolvimento do debate e da produção intelectual do Serviço Social brasileiro e que resulta de desdobramentos e da explicitação de vertentes de análise que emergiram no bojo do Movimento de Reconceituação.

Ainda seguindo este processo histórico, Iamamoto (1982), retrata ser no início dos anos 80 a efetiva intercolução da teoria social de Marx à profissão. Como matriz teórico metodológica, esta teoria apreende o ser social a partir de mediações. Ou seja, parte da posição de que a natureza relacional do ser social não é percebida em sua imediaticidade.

 Do ponto de vista intelectual da profissão os anos 90 vai permear-se de ações voltadas à formação de assistentes sociais na sociedade brasileira através do currículo de 1982 e as atuais diretrizes curriculares.

 Com isso amplia-se o campo de trabalho dos assistentes, sendo este requisitados nas diversas áreas de conhecimento humano. Assim convencemo-nos de que o profissional de Serviço Social deve e precisa investigar a realidade social dos usuários dos serviços para que possa intervir de forma crítica, consciente e, acima de tudo, com conhecimentos, garantindo um novo futuro à profissão, capaz de criar condições para o exercício profissional ético, técnico e político, ainda que imbricados na teia contraditória de nossa realidade.

  No lócus institucional Fundação de Apoio ao Idoso Dr. Thomas, tempos atuais, a prática dos Assistentes Sociais dá-se com base na Política Municipal do Idoso, sendo esta referência no atendimento gerontológico enquanto Instituição de Longa Permanência da cidade de Manaus. Em particular esta prática está voltada para idosos institucionalizados, ou seja, que encontram-se abrigados e assistidos por questões de saúde e social.

  Nessa ação cotidiana o profissional deve dispor de conhecimentos teórico metodológicos que possibilitem a construção conjunta do seu projeto político profissional.

  Assim, admite-se que a profissão, ao atuar numa dada Instituição, possui determinadas pecualiarizações em função das justificativas e produtos imediatos postos para ação. Na Fundação de apoio ao Idoso o profissional durante o período de pandemia trabalhou na linha de frente durante o pandemia Covid 19 sendo-lhe requisitado estado de alerta constante em razão do dever profissional uma vez que está explícito no Código de Ética profissional a relação com o usuário,

''participar de programas de socorro à população em situação de calamidade pública, no atendimento e defesa de seus interesses e necessidades" (Lei 8662/93 art. 3 do Código de Ética profissional)


 De acordo com o Código de Ética profissional, não se pode negar atendimento à população, mesmo em situação de calamidade pública, mesmo que suas vidas corram riscos.

 Em pandemias como a Covid19 a quebra da cadeia de infecção é fundamental e exige a separação entre indivíduos sadios e doentes. Esse processo pode ser alcançado por meio de medidas de separação física como o isolamento, quarentena e distanciamento social.

  Estima-se que um terço e metade da população exposta a uma epidemia pode vir a sofrer alguma manifestação em consequência do isolamento social caso não seja feita nenhuma intervenção de cuidado específico para reações e sintomas manifestados. Por este motivo, os idosos foram submetidos a avaliação de monitoramento de diagnóstico e pós doença.

 No auge da pandemia do Covid 19 foram diagnosticados 47 idosos e 08 óbitos de um total de 129 idosos institucionalizados. As reações mais frequentes entre eles estavam o medo de adoecer e morrer, perder as pessoas que amam, ser excluído socialmente por estar associado à doença, ser separado de entes queridos e de cuidadores devido ao regime da quarentena; transmitir o vírus a outras pessoas. Apresentaram também irritabilidade, angústia, tristeza e impotência perante os acontecimentos.

 Segundo estudos científicos é esperado que em caso de isolamento haja a intensificação de sentimentos de desamparo, tédio, solidão e tristeza. Entre as reações comportamentais mais comuns estão: alterações ou distúrbios de apetite (falta de apetite ou apetite em excesso); alterações ou distúrbios do sono (insônia, dificuldade para dormir ou sono em excesso, pesadelos recorrentes); conflitos interpessoais (com familiares, equipes de trabalho..); pensamentos recorrentes sobre a epidemia, saúde da família e morte.

 É importante salientar que este novo cenário apresentado aos Assistentes Sociais direcionou sua atuação seguindo as orientações da Frente Nacional de Fortalecimento às Instituições de Longa Permanência para idosos através dos protocolos a seguir:

  • manter os moradores sempre informados sobre as medidas adotadas acerca do Covid 19, esclarecendo sobre as medidas para que se evite a propagação do vírus;
  • promover contatos com familiares e amigos dos moradores, utilizando os meios de comunicação;
  • fomentar medidas para minimizar questões emocionais deletérias decorrentes do distanciamento social, atenuando a saudade dos amigos e familiares;
  • todos os colaboradores da Instituição devem comunicar carinhosamente os idosos para ouvir e atender suas demandas;
  • promover a comunicação clara e objetiva por escrito para os familiares sobre a pandemia e a necessidade de restrição de visitas (por email ou whatzap);
  • criar um grupo no whatsapp que inclua os familiares aos residentes, e a AS ou outro profissional habilitado, para troca de informações diárias, bem como recados e vídeos;
  • incentivar os voluntários da Instituição a mandarem vídeos cantando, histórias, mensagens de incentivo;
  • promover reuniões com pequenos grupos mantendo as exigências mínimas para pequenas palestras sobre a Covid 19;

 Neste contexto complexo imposto pela pandemia do Covid -19 os Assistentes Sociais e profissionais das Instituições de Longa Permanência para idosos recriaram suas rotinas de trabalho estando atentos as determinações sanitárias do Ministério da Saúde para contenção da propagação do vírus.

 Evidencia-se também nesta pandemia o trabalho junto às famílias que tiveram seus entes queridos mortos. Nesta situação, o profissional de Serviço Social devido o momento de dor ou ausência de familiares viabiliza os serviços funerários, sendo este um profissional presente na vida e na morte do idoso. O Assistente Social busca e garante o direito do usuário ao acesso de Serviço Funeral facilitando e possibilitando o acesso dos usuários aos serviços de Assistência Social, no caso específico os direitos póstumos. É importante salientar, que não é uma atribuição privativa do Assistente Social, este deve ser apenas um colaborador nessa ação, é o que consta nos Parâmetros para atuação do Assistente Social na Saúde:

realizar em conjunto com a equipe de saúde (médico, psicólogo e ou outros), o atendimento à família e/ou responsáveis em caso de óbito, cabendo o Assistente Social esclarecer a respeito dos benefícios e direitos referentes à situação, previstos no aparato normativo e legal vigente tais como, os relacionados à previdência social, ao mundo de trabalho (licença) e aos seguros sociais (danos pessoais causados por veículos automotores por via Terrestre - DPVAT, bem como informações e encaminhamentos necessários, e articulação com a rede de serviços sobre sepultamento gratuito, translado (com relação a usuários de outras localidades), entre outras garantias de direitos (Parâmetros para atuação dos A.S. na Saúde, 2010, p.53).


 Destaca-se, que o Assistente Social nos casos de enlutamento tem lidado com o intuito de oferecer apoio e suporte nos funerais, enterros e rituais de despedidas. A implicação no entanto, está na compreensão por parte de outros profissionais no que tange suas atribuições e competências.

 Assistimos na pandemia o desenvolvimento de um luto complicado, visto que o ritual de despedida foi impossibilitado para não propiciar o contágio. As autoridades sanitárias, os órgãos de vigilância sanitária de cada unidade federativa, bem como organizações e sindicatos ligados aos cemitérios e às empresas funerárias, tem elaborado recomendações sobre biossegurança no manejo dos corpos do hospital ao funeral, para a prevenção do risco de contaminação.

 De modo geral, observa-se que a recomendação para os rituais fúnebres é que ocorram velórios com poucas pessoas, ou seja, apenas as pessoas mais próximas ao falecido; que o sepultamento seja feito em caixão lacrado, que não haja procedimento de tanatopraxia (limpeza, tratamento e maquiagem do corpo para o velório) e que, após o velório de, no máximo 1 hora de duração, o corpo seja cremado.

 Além disso, a Portaria 01/20 publicada conjuntamente pelo Conselho Nacional de Justiça e o Ministério da Saúde, permite o sepultamento e cremação de pessoas sem atestado prévio, bem como determina ainda que a morte por doença respiratória suspeita para Covid-19, não confirmada por exames, deverá ter descrição da causa mortis como '' provável para Covid-19'' ou ''suspeito para Covid-19".

 É nesse complexo de desafios atuais ao profissional, do seu agir e do seu fazer que reforçamos o compromisso ético político da profissão junto ao usuário através de ações que amparem e facilitem o direitos dos idosos.

 Outro desafio a ser salientado é um maior número de solicitações de pedidos de institucionalização de idosos por abandono. A priori por medida de segurança e não exposição dos idosos já assistidos pela Fundação esses casos foram encaminhados para o Abrigo Emergencial na Arena Amadeu Teixeira. O abrigo emergencial é resultado de um plano de emergência criado com a participação das Secretarias de Governo e de entidades de Assistência Social que trabalham no atendimento de moradores em situação de rua, seguindo as orientações pautadas na Organização Mundial de Saúde. Logo, somente após testagem de contágio o idoso é encaminhado para Instituição e ficará em regime de isolamento durante sete dias. Para os Assistentes sociais garantir o direito de idosos em situação de rua e não colocar os idosos já assistidos pela instituição em risco vem sendo feito um esforço de trabalho em conjunto à rede de apoio assistencial para que ambos tenham o seu direito garantido.

Facilitar e possibilitar o acesso dos usuários aos serviços, bem como a garantia de direitos na esfera da Seguridade Social por meio da criação de mecanismos e rotinas de ação são uma das principais ações a serem desenvolvidas pelos Assistentes Sociais (Lei 8662/93 Código de ética do Assistente Social)


Trata-se de um dever profissional do Assistente Social a inclusão dos usuários no acesso aos serviços e um direitos destes serem assistidos.

É importante também salientar, que durante a pandemia o direito de visita ao idoso também sofreu modificações preventivas, sendo no primeiro momento suspensas as visitas de forma presenciais passando a serem realizadas por meio de ligações telefônicas e vídeos chamadas. A ausência do contato físico de familiares e amigos nas visitas trouxe sensação de medo e receio por parte dos idosos por não terem notícias de como estavam seus familiares, por este motivo os profissionais de Serviço Social criaram o Projeto Juntos e conectados, uma forma de manter os idosos em contato com as pessoas por meio de vídeos transmitindo mensagens positivas, um "abraço virtual" para que não fiquem deprimidos neste período em que não podem receber visitas, por serem grupo de risco. 

Após seis meses de total isolamento social e amenização da pandemia no mês de agosto, os profissionais de Serviço Social vislumbraram a possibilidade de abertura das visitas a um membro da da família e ou amigos de forma diária seguindo os protocolos de distanciamento e uso de equipamentos de proteção individual havendo a possiblidade de recuo caso haja aumento novamente, o que realmente aconteceu no mês de setembro.

Contudo, apesar de todos os esforços para amenização dos problemas decorrentes da Pandemia, o vírus continua matando pessoas, sejam elas idosos, grupos de risco ou não, por isso o trabalho continua com todas as precauções para o bem estar geral dos idosos e na esperança de uma vacina que venha destruir esse vírus.

Conclusão

Em dezembro de 2019 surgiu em Wuhan, na China, um novo vírus denominado SARS cov2 (Síndrome Respiratória Aguda Grave por corona vírus 2) que se tornou o mais grave problema de saúde pública desta geração, sido declarada uma pandemia em 11 de março de 2020.

Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde, o país atingiu em 21 de junho a marca de 01 milhão de casos, dobrando o número de casos pouco menos de um mês de depois em 18 de julho. Com relação ao número de óbitos chegamos a cerca de 30 mil no início de junho e, em apenas 02 meses esses números foram triplicados em casos de mortes relacionadas à COVID 19.  O Brasil ainda ocupa o décimo segundo lugar entre aqueles com maior incidência cumulativa (12.860,8) e maior mortalidade acumulada (442,7) por 1 milhão de habitantes (https: Covid19.who.int/table acesso em 04 de agosto).

Por esse motivo o atendimento de idosos em ILPI durante a pandemia tem sido marcado por diversos desafios aos profissionais de Serviço Social que tiveram que readequar suas rotinas de trabalho conforme as medidas de prevenção ao Covid 19 fossem surgindo. O uso de equipamentos de proteção individual passaram a ser usados pelos profissionais no atendimento ao idoso, redução da carga horária de trabalho, readequação dos atendimentos priorizando a prevenção da saúde do idoso e seu bem estar foram e estão sendo os desafios destes profissionais nas ILPIS.

As consequências da pandemia trouxeram para os profissionais aumento de demanda de atendimento para inclusão nos programas das redes de proteção, muitos das vezes insuficientes para os atendimentos. A inclusão com certeza é o maior desafio dos profissionais: promover a garantia de direitos e efetivação da proteção social.

Os novos desafios seguem baseados nas jurisdições e protocolos emanados dos órgãos e autoridades sanitárias e de saúde pública nos estados e municípios. que podem ser diferenciados, devido ao nível de propagação em cada estado/município.

Por fim, a categoria profissional reafirma nesta atuação, a garantia de preceitos éticos- profissionais e compromisso com os direitos sociais da população idosa. 


Referências

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CFESS. Atribuições privativas do Assistente Social em questão. 1. ed. 2012.

CFESS (Org.). Parâmetros para atuação de Assistentes Sociais na Política de Saúde. Brasília, 2010. (Trabalho e projeto profissional nas políticas sociais).

ChizzottiAntônio . Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais. 8. ed. São Paulo: Cortez, v. 16, 2006. (Biblioteca da Educação).

de OliveiraSimone Eneida Baçal . Conhecimento e prática profissional: O saber fazer dos Assistentes Sociais em Manaus. Manaus: Universidade Federal do Amazonas, 2009.

IamamotoMarilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2004.

IamamotoMarilda Villela. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil. 16. ed. São Paulo, 2004.

IamamotoMarilda Villela. Renovação e conservadorismo no Serviço Social: Ensaios Críticos. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2007.

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