CUIDADO DE ENFERMAGEM CENTRADO NA MULHER COM CÂNCER DE MAMA

CENTRO UNIVERSITÁRIO SÃO CAMILO

CUIDADO DE ENFERMAGEM CENTRADO NA MULHER COM CÂNCER DE MAMA

Fernanda Mayumi Kondo

Juliana Affonso Ferreira

Resumo

Este artigo mostra a proposta de um modelo de dos profissionais de saúde a mulheres portadoras de câncer de mama. Isso decorre da preocupação e interesse em conhecer a situação atual que eles vivenciam no contexto assistencial.

Essa abordagem da realidade de maneira objetiva e subjetiva nos permitiu identificar o que a enfermagem faz na prática para o atendimento de mulheres com câncer de mama que vão à quimioterapia ambulatorial e, assim, encontram áreas de oportunidade e melhoram o atendimento. Este trabalho foi realizado em instituições de saúde.

Palavras-chave:

Introdução

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) o câncer é o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, facilitando a formação de tumores. Os carcinomas começam em tecidos epiteliais, como pele e mucosas. Os sarcomas têm seu ponto de partida nos ossos, músculos ou cartilagens. É denominado de metástase, a velocidade de multiplicação das células e sua capacidade de invadir outros órgãos e tecidos vizinhos ou distantes. Especificamente no câncer de mama, nos estágios avançados, a metástase acomete alguns sítios, como por exemplo: ósseo, pulmonar, hepático e linfonodos (INCA, 2019).

De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, o câncer de mama é a neoplasia mais frequente entre as mulheres no mundo todo. Em 2018, foram estimados 234.087 casos nos Estados Unidos, com uma taxa de incidência de 84,9 casos por 100 mil mulheres. Na França, foram mais de 56.000 casos, com uma taxa de 99,1. A Austrália também apresentou a taxa de incidência alta, de 94,5, com mais de 18.000 casos (WHO, 2020).  

No Brasil, o câncer de mama também é o tipo que mais acomete as mulheres no país. Para 2018 e 2019, foram estimados 59.700 casos novos, o que representa uma taxa de incidência de 56,33 casos por 100 mil mulheres (INCA, 2017). 

Sabe-se que o cuidado humano é imprescindível nas diversas situações na vida de uma pessoa, desde a promoção da saúde, na prevenção de doenças, no decorrer das enfermidades, nas incapacidades e até durante os cuidados paliativos (ZUCOLO; PAULINO, 2014). 

A enfermagem, enquanto ciência traz o cuidado alinhado e alicerçado nas bases científicas, tornando a assistência sistematizada, gerando um verdadeiro e contínuo processo de atendimento a seus pacientes. Atualmente, temos fundamentado o cuidar de enfermagem por meio do Processo de Enfermagem, a qual torna possível a operacionalização do trabalho de enfermagem, dividido didaticamente (ZUCOLO; PAULINO, 2014). 

A atuação do enfermeiro está em diferentes momentos da vida do paciente, e deve ser desenvolvida para atender as necessidades do paciente, da família e da comunidade. Conhecer e entender a percepção dos profissionais sobre o cuidar é importante, principalmente se considerarmos o cuidado a indivíduos afetados por câncer, uma doença de grande repercussão desde seu diagnostico até seu processo de cura ou terminalidade (ZUCOLO; PAULINO, 2014). 

O diagnóstico do câncer de mama impacta negativamente a vida da mulher, do ponto de vista biopsicossocial. É muito comum que elas apresentem sentimentos de medo e sofrimento ao longo de todo o processo, desde a fase diagnóstica até o final do tratamento. As sobreviventes estão expostas a várias situações, dentre elas, risco de recorrência do câncer e/ou segunda neoplasia maligna, efeitos colaterais e comorbidades decorrentes dos tratamentos (LOPES, 2018). 

Essa experiência tende a gerar dificuldades de comunicação entre os cônjuges e seus familiares, diminuição da atividade sexual e mudança de papéis, pois o companheiro e/ou filhos passam a desempenhar o papel de cuidador da mulher acometida pelo câncer (CASTRO, 2016). 

Cubero e Giglio (2014), apud Peiter (2016), acreditam que a atuação da enfermagem frente a esta doença não é realizada muitas vezes da maneira preconizada e humanizada. Devido ao número reduzido de especialistas, à complexidade clínica e aos tratamentos agressivos e prolongados.  

Estamos em constante evolução no quesito de avanços tecnológicos voltados à eficácia do atendimento hospitalar, mas a questão da humanização não pode ficar em segundo plano. A equipe multidisciplinar precisa estar preparada com base nas reflexões bioéticas para lidar com as angústias de seus pacientes, pois muitas vezes esses profissionais se deparam com situações constrangedoras e não sabem como lidar. O manejo das emoções se faz necessário, agindo sempre com respeito frente à finitude humana, visando à humanização e oferecendo conforto ao paciente e seus familiares (DARONCO et al., 2014). 

Os profissionais de saúde necessitam ter o conhecimento de estratégias de comunicação interpessoal, facilitando a interação e transmitindo atenção, conforto e compaixão, por meio da fala ou de sinais não verbais, criando um laço confiável com o paciente e seus familiares, representando um cuidado que sustenta a esperança e a fé, frente a situações de incertezas, dor e sofrimento (BRITO et al., 2014).

JUSTIFICATIVA 

O cuidado em pacientes oncológicos é um tema extremamente importante na formação do enfermeiro. Além do câncer de mama ser considerado um problema de saúde pública em nosso país, trata-se de um cuidado a ser prestado que demanda conhecimento técnico e emocional. Quando começamos a estudar sobre o câncer, ampliamos nossa visão para outras áreas, levando sempre em conta os princípios, aprimorando nossos conhecimentos humanísticos e comportamentais, aprendendo a ser profissional diante dos casos e aperfeiçoando nossas habilidades, com a prática baseada na evidência.

O enfermeiro está presente em todo o processo de tratamento do câncer, pretende-se então, após a realização desta pesquisa, estimular a realização de novos estudos e pesquisas que contemplem as necessidades psicossociais dos pacientes, aprimorando os meios de comunicação dos profissionais de saúde, oferecendo assim um cuidado específico e de qualidade, baseado em evidências científicas, considerando a sua experiência clínica, os valores e necessidades do paciente. 

OBJETIVO

Levantar os cuidados de enfermagem direcionados às mulheres com câncer de mama, por meio de evidências científicas disponíveis na literatura.

MÉTODO

Trata-se de um estudo exploratório elaborado a partir de uma revisão da literatura acerca do cuidado de enfermagem prestado à mulher que vivência o câncer de mama. A pergunta norteadora do estudo foi: Quais são os cuidados de enfermagem prestados à mulher que vivência o câncer de mama?

O levantamento dos estudos foi realizado em fevereiro de 2020, nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e operadores boleanos utilizados foram: “Enfermagem Oncológica OR Neoplasia da Mama”. Os descritores selecionados para busca constavam no título, resumo e ou assunto da publicação.

Os critérios de inclusão foram: estudos (artigos, teses, guias de prática clínica) disponíveis na íntegra, publicados em língua Portuguesa e Inglesa, que respondessem a pergunta norteadora. Os critérios de exclusão foram: estudos publicados antes do ano de 2006 e estudos cujos participantes fossem homens com câncer de mama. 

RESULTADOS

Após busca bibliográfica abrangente foram identificados 460 estudos, 219 na Lilacs e 241 na Scielo. Após a remoção das referências repetidas nas duas bases, foram selecionados e avaliados os resumos de 72 estudos, e desses, pré-selecionados 27 estudos que foram analisados na íntegra quando à elegibilidade. Dos 27 estudos incluídos na amostra desta revisão, 21 eram primários, e 06 secundários, provenientes de periódicos nacionais e internacionais, publicados entre 2006 e 2020. (Figura 1).

Fluxograma de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos
Fluxograma de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudosAutoras (2020)

A amostra final deste estudo foi constituída por vinte e sete artigos científicos selecionados, destes, nove estavam disponíveis na Lilacs e dezoito na Scielo. No Quadro 01 seguem as especificações dos estudos incluídos neste trabalho.

INSERIR TABELA!

Quadro 1 







O Quadro 02 revela o que cada autor escreve sobre quais são os cuidados dos profissionais de saúde que são prestados à mulher com câncer de mama.

Quadro 2  

DISCUSSÃO

É comum falar em promoção e prevenção para se referir a um estilo de vida saudável, como se fossem a mesma coisa. Alguns autores expressaram a promoção como uma dinâmica mais ambiciosa do que a prevenção; A promoção visa à vida, desenvolvimento e realização do ser humano, pertence mais às esferas sociais, é um intersetorial de ações coletivas que possibilita fatores de proteção na construção de ambientes saudáveis ​​e, consequentemente, de melhores estilos de vida.

Para qualidade de vida, inclui-se a definição de Font, que a entende como a avaliação subjetiva que o paciente faz dos diferentes aspectos de sua vida em relação ao seu estado de saúde. Esses diferentes aspectos seriam os do funcionamento físico, psicológico, social e os sintomas da doença e os efeitos colaterais dos tratamentos. 

A qualidade de vida, em um sentido geral, pode ser definida como o equilíbrio entre estados de bem-estar e desconforto. Se a promoção é voltada para a vida, vale a pena refletir que, em uma deficiência por câncer, a pessoa tem uma vida limitada e a reflexão seria que promoção deve ser realizada nesse tipo de vida para que seja de qualidade. 

Em essência, as teorias mencionadas estão relacionadas à qualidade de vida do paciente com câncer, complementando-se para fornecer ferramentas no manejo terapêutico e multidimensional do paciente com câncer, interagindo na qualidade de vida como um todo integral, físico, biológico, social e espiritual. Esse fator multidimensional na abordagem da qualidade de vida permite gerenciar o equilíbrio entre seus estados de bem-estar e desconforto como resultado dos sintomas da doença. 

Assim, a pessoa com câncer utilizará sua multidimensionalidade, com fatores internos para determinar o significado dos eventos relacionados à sua doença, habilitando-se a decidir, atribuir valores definitivos a objetos e eventos, capazes de prever fatores e conseqüências externas, com base em recursos que podem ser físicos, bioquímicos, materiais, cognitivos, emocionais, de atitude, interpessoais e macroculturais.

Através dos anos de experiência no atendimento a mulheres com câncer de mama, se é convencido que cada vez mais a real necessidade desses pacientes é de um atendimento profissional voltado para: “prestar assistência, informar, acompanhar e orientar durante todo o processo de doença ”. 

Nosso compromisso e ações de enfermagem são despertados “de e para as mulheres”, dando-lhes a coragem e o incentivo para enfrentar da melhor maneira possível esse desafio que a vida lhes apresenta. Planejamos e implementamos o cuidado de enfermagem a partir dessa premissa e é concebido como um processo contínuo e totalmente personalizado, que começa a partir do momento em que a mulher atual, ativa, independente e auto-exigente enfrenta o diagnóstico de câncer.

 Sabe-se que apenas a palavra câncer pode criar sentimentos intensos e inesperados. Também sabemos que as mulheres são afetadas integralmente nos campos físico, psicológico, social, sexual, trabalhista, econômico etc. Dessa forma, nosso trabalho também visa ajudá-la a reconhecer suas emoções, medos e sentimentos, e fornecer-lhe certas “ferramentas” que a ajudarão a canalizá-las da maneira mais apropriada possível. 

Nós certamente os acompanhamos prevenindo e cuidando de possíveis complicações de seus tratamentos. Além disso, nós os incentivamos a descobrir a beleza da vida cotidiana, a valorizar o transcendental e o que os cerca e, acima de tudo, a transformar essa experiência, que às vezes pode ser devastadora, em uma enorme e positiva lição de vida. 

Devido ao amplo papel desempenhado pelo enfermeiro, realizamos as atividades programadas em diversas áreas diretamente relacionadas ao câncer de mama; como prevenção, diagnóstico precoce e tratamento oportuno, além dos cuidados especializados necessários nas diferentes etapas e tipos de tratamento. Prestamos aconselhamento e apoio durante a reabilitação e reintegração à sua vida diária. Assim, no final das terapias, geralmente temos um paciente ativo, altamente responsável e leal para realizar seus controles e subsequente acompanhamento. 

Todos os dias há um maior interesse da população em “como prevenir o câncer”. Atualmente, sabemos que o melhor “tratamento” para o câncer é preveni-lo ou detectá-lo precocemente, quando as possibilidades de tratamento e cura são maiores.

Entre as atividades que provaram ser eficazes na prevenção e principalmente na conscientização sobre o câncer de mama, são processos educacionais maciços e integrados na comunidade. 

Demonstrou-se que oficinas ou campanhas têm maior impacto na modificação de atitudes e comportamentos em favor da saúde. Por fim, esse processo visa conseguir que mulheres de diferentes idades compreendam a importância de conhecer seus seios; promovendo o autocuidado e uma atitude proativa em relação à saúde de seus seios; bem como desmistificar mitos sobre o câncer de mama. Onde o trabalho educacional do enfermeiro e/ou parteira, neste assunto específico, pode contribuir enormemente para adquirir esses conceitos e adquirir o hábito de  controle regular e oportuno.

Conclusão

Tanto as pessoas saudáveis quanto as que estão desequilibradas em sua saúde precisam observar comportamentos saudáveis que lhes permitam enfrentar situações de estresse, crise, desajustes por meio de autocuidado, enfrentamento e adaptabilidade adequados, a fim de abordar vida mais saudável e de melhor qualidade.

As teorias expostas neste trabalho apoiam a prática do cuidado na disciplina de enfermagem a partir do referente dos processos cognitivos, comportamentais, perceptivos e significativos, mudando o indivíduo em relação ao seu ambiente; Esses aspectos envolvem as esferas física, biológica, emocional e espiritual do indivíduo. Essas teorias, oriundas da psicossociologia e da própria enfermagem, são importantes para apoiá-las e a outras, dando origem ao surgimento de novos modelos e teorias que geram bem-estar e desenvolvimento humano em benefício do homem e, portanto, melhoram os indicadores de qualidade de vida.

A qualidade de vida inclui múltiplas dimensões: física, social, psicológica e espiritual, que o enfermeiro levará em consideração em seu plano de cuidados; especificamente para o paciente com câncer, medidas de bem-estar serão atividades funcionais para o controle da dor, fadiga, cansaço, sono, náusea, vômito e outros sintomas como resposta individual do paciente. As medidas de bem-estar social serão atividades funcionais de afeto, aparência e relacionamento com a família, amigos, preocupações com o trabalho, aceitação e apoio da família, e estar ciente de outros fatores, como as respostas individuais dos pacientes.

As medidas de bem-estar psicológico estão relacionadas ao apoio no controle da ansiedade, estresse, desajuste, cognição e angústia gerada pela doença como resposta individual do paciente. O bem-estar espiritual está relacionado à fé, crenças e significados internos de cada paciente; Somente ouvindo e observando suas respostas, a confiança e a boa terapia podem ser compartilhadas para uma melhor qualidade de vida do paciente com câncer.

A opinião de vários autores nos leva a afirmar que existe um consenso de que a qualidade de vida é um fenômeno subjetivo e que deve ser o próprio paciente quem a valoriza. Por fim, uma boa qualidade de vida passará por uma promoção adequada da saúde, considerada em todas as suas dimensões.

Referências

VargasGabriela de Souza et al. Rede de apoio social à mulher com câncer de mama. Rev. Pesqui. (Univ. Fed. Estado Rio J., Online), Rio de Janeiro, v. 12, p. 68-73, 2019.

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