CRESCIMENTO X DESENVOLVIMENTO

FACULDADE MAURÍCIO DE NASSAU

CRESCIMENTO X DESENVOLVIMENTO

adriano de souza

brendon calheiros

joyce silva

matheus moura

matheus carvalho

nicole costa

Natalia ranne

felipe alves

Introdução

A pesquisa desenvolvida objetiva buscar a evolução dos conceitos de desenvolvimento e crescimento econômico ao longo do tempo, tentando estabelecer a relação existente entre os conceitos propostos e seus autores.

Autores de correntes diferentes, como Marx e Mill, tem uma contribuição em comum, analisando-se o aspecto social ao qual cada um deu enfoque dentro de sua teoria. Mill adota uma postura de apoio ao “laissez fairre”, a liberdade individual, mas ao mesmo tempo critica a omissão dos governos em tentar democratizar o acesso a educação. Marx critica a “selvageria” do sistema capitalista, que retira a sua taxa de lucro em cima da exploração do trabalhador, ao trabalhador resta apenas a quantia necessária a sua manutenção, como Ricardo havia anteriormente abordado.

O problema surge na medida em que ao lermos determinados autores, autores de manuais de macroeconomia e de desenvolvimento econômico, não conseguimos estabelecer relações evidentes com as teorias e os autores que as formularam, ou seja, falta que seja explicitado, uma ligação historicamente estabelecida entre conceitos e os seus autores. Como por exemplo a questão da produtividade, que Adam Smith aborda em seu livro “A Riqueza das Nações” como sendo peça fundamental para que ocorra um aumento da produção, volta a ser abordada por Marshall, que apesar de suas aspirações sociais, rejeita a abordagem dos socialistas, por estes proporem na maior parte das vezes, a retirada da liberdade individual, o que, segundo Marshall, afetaria na produtividade do trabalhador, e não resolveria o problema da distribuição, por um lado, e por outro lado impediria o aumento da riqueza.

Portanto, envolveremos aspectos teóricos, abordados de maneira que possamos identificar essas diferenças e reuni-las em grupos, clássicos e pós clássicos, para que possam ser estudadas de maneira agregada, o que simplifica a análise dos resultados e suas conclusões sobre estes.

ECONOMIA X DESENVOLVIMENTO

O crescimento indica aumento da produção e da capacidade de atendimento, com aumento da estrutura, da mão de obra e dos processos.

Já o desenvolvimento indica o crescimento acompanhado de melhorias, como melhoria da produtividade, eficiência dos processos, melhores índices de satisfação e indicadores. É possível haver crescimento sem desenvolvimento. 

Pegamos o seguinte exemplo: um país pode ter crescido se analisarmos a receita nacional, o aumento de sua força de trabalho, o grau de aperfeiçoamento tecnológico. Porém, ele pode não ter se desenvolvido ao observarmos se houve melhorias na qualidade de vida da população, no índice de pobreza, desemprego, saúde, etc. 

Agora vamos avaliar o mundo dos negócios. Os negócios cresceram, mas o índice de retenção dos clientes aumentou? A qualidade dos produtos se manteve ou melhorou? E o fluxo de caixa, continua apertado? 

O crescimento pode mascarar todas as ineficiências. Um negócio pode ter crescido, mas a sua competitividade pode não ter acompanhado devido ao crescimento sem o devido desenvolvimento do negócio. Necessidade maior de recursos e capital normalmente surgem, levando, muitas vezes as empresa ao endividamento e atraso de pagamentos de tributos.

Nesse momento as empresas podem estar com um enfraquecimento temporário, que pode levar ao declínio caso o desenvolvimento não seja uma preocupação. 

O desenvolvimento é, portanto, essencial para a eficiência e competitividade da empresa, assim como para sua sustentabilidade. 

Este tipo de transformação vai muito além de um superficial crescimento estrutural, tendo muito mais a ver com uma consistente transformação processual, evoluindo os níveis e como eles são planejados, executados, controlados e gerenciados, buscando a construção de um novo posicionamento de mercado através de uma estratégia competitiva e sustentável. Como já disse Michael Porter em seu artigo “O que é Estratégia”, publicado na Harvard Business Review em 1996, a eficiência operacional significa exercer atividades semelhantes melhor do que os rivais. 

Inclui todo tipo de práticas que permitem a uma empresa utilizar da melhor forma os seus recursos. O posicionamento estratégico significa exercer atividades diferentes dos rivais ou exercer atividades semelhantes de um modo diferente. Para que as empresas alcancem o desenvolvimento sustentável é necessário muito mais do que aumentar seu tamanho, mas principalmente que se tornem mais competitivas, elevando sua eficiência operacional acima da média, sobretudo através de uma gestão contínua da mudança e da inovação, reinventando-se constantemente para o melhor aproveitamento das oportunidades deste novo momento econômico nacional, sob pena de crescerem e ampliarem também seus problemas internos. 

A sustentabilidade do seu negócio não é assegurada pelo crescimento, mas sim pela melhoria da qualidade de sua performance e pelo desenvolvimento equilibrado de todos os aspectos. Logo, a prosperidade se alcança construindo bases muito mais sólidas, com o conhecimento do nível de maturidade de gestão e identificação dos gaps nos processos. Esclarecendo os aspectos que estão gerando gargalos e atrapalhando o desenvolvimento do negócio, o próximo passo é trabalhar ações gradativas que resultarão na evolução contínua e sustentável do negócio.

Crescimento Econômico é o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja uma elevação da produção da região estudada. O PIB é calculado através da soma de todos os produtos e serviços finais de uma região para um determinado período. Já o conceito de Desenvolvimento Econômico está relacionado a melhoria do bem estar da população. 

Como se mede o desenvolvimento? Através de indicadores de educação, saúde, renda, pobreza, etc. Atualmente o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH é o critério mais utilizado para comparar o desenvolvimento de diferentes economias. O IDH varia entre 0 e 1, numa analogia grosseira: o IDH do Inferno seria 0 e o IDH do Paraíso seria 1. Alguns países do Norte da Europa como a Noruega e a Suécia possuem IDH próximos a 0,95 (quase o paraíso!), enquanto que muitos países africanos possuem IDH inferior a 0,6.











Pré-clássico

David Hume

Foi um filósofo e historiador escocês que viveu entre 1711 a 1776. Seu pensamento foi influenciado pelas obras de Jonh Locke e de George Berkeley e teve influencia no desenvolvimento do cetismo e do empirismo. Estabeleceu uma teoria ética baseada não na razão, mas na

benevolência, que é um interesse generoso pelo bem-estar geral da sociedade. Entre suas obras, destacam-se: Ensaios morais e políticos (1741-1742), História da Grã-Bretanha (1754), História da Inglaterra (1754-1762) e Diálogos sobre a religião natural (1779).

A idéia de desenvolvimento não é clara nos clássicos, pelo menos não da maneira como passamos a entender o desenvolvimento após a Segunda Guerra Mundial.

Os clássicos nessa primeira fase tinham como principal objetivo combater os mercantilistas, portanto suas idéias tem um viés de oposição as idéias de intervenção estatal e protecionismo. Hume pode ser considerado como um dos predecessores das idéias de crescimento e desenvolvimento.

Um dos obstáculos para Hume a ser ultrapassado na formulação de suas teorias sobre crescimento era a de que o fluxo de metais para um determinado país asseguraria vantagens comerciais aos países ricos. O raciocínio de Hume era o de que se houvesse um fluxo muito grande de metais para estes países, o preço dos produtos nacionais iria aumentar, tornando a balança comercial desfavorável, haja visto que os produtos importados tornar-se-iam por sua vez mais baratos.

Outra concepção mercantilista era de que as nações pobres cresceriam somente com as nações ricas. Hume rechaça essa idéia tentando mostrar que os países pobres tem como vantagem os salários baixos e reservas de tecnologia não aplicadas, isso significa que várias tecnologias desenvolvidas não foram ainda

 

aplicadas nesses países, ou seja, as indústrias podem crescer através de incorporação de novas tecnologias, coisa que já fora realizada em outros países.

Uma terceira idéia combatida por Hume era a de que a austeridade (senão a pobreza) deveria ser uma virtude nas sociedades, e que que o luxo e o bem estar estavam associados a corrupção e ao decaimento. Ele responde a isso dizendo que “O bem estar é amigo da virtude”. Para ele o desenvolvimento de luxos dentro da sociedade tornavam necessárias a exploração das vantagens comparativas, fundamentais , segundo este, ao crescimento. A idéia das vantagens comparativas é abordada por Smith depois de uma maneira mais completa, entretanto, David Hume já fazia alusões ao que seria posteriormente a idéia da Vantagens Comparativas Absolutas.

Pode-se entender que sua noção de desenvolvimento estava ligada a segurança do estado, uma vida social civilizada, liberdade política e sobretudo o desenvolvimento pleno dos talentos humanos e outros meios legítimos para alcançar a satisfação humana. Para que esses objetivos fossem alcançados, a prosperidade e o crescimento econômico eram fundamentais.

Hume acreditava ser o crescimento econômico como um poderoso agente nas mudanças políticas, econômicas e sociais, entretanto essas mudanças econômicas dependiam muito de mudanças não econômicas.

Os países deviam buscar o crescimento através do desenvolvimento do comércio, da indústria e do refinamento das artes mecânicas.

Há uma clara divisão feita por Hume do papel dos países pobres e o dos países ricos, não por opção dos países, mas por escolha dos industriais. Os industriais buscam países pobres para produzirem produtos que necessitam de grande mão de obra, países onde os insumos e o trabalho são baratos. Os países ricos dedicar-se-ão a produção de capital e produtos que exijam um alto grau de tecnologia.

Clássicos

Adam Smith


Nasceu em 1723 em Kirkcaldy e freqüentou as universidades de Glasgow e de Oxford, na Inglaterra. Publica em 1759, a Teoria dos Sentimentos Morais, um tratado sobre a moral. Após a volta de uma viagem à França publica sua obra mais conhecida, Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações,

nela torna-se o responsável pela a Teoria do Liberalismo Econômico. Morre em 1790 em Edimburgo.

A divisão feita por Smith, entre países ricos e pobres, revela a consciência de que os países não eram iguais: “Os países ricos tem vantagens inerentes sobre os pobres, pois os pobres falham na aplicação das políticas corretas”. Smith poderia estar pensando na falta de organização existente nos países mais pobre, e também na corrupção que dificulta a tomada de decisões políticas e econômicas. Os países ricos também levam vantagens com baixos salários por unidade de trabalho, que são possíveis devido a abundância de capital barato e transportes eficientes que reduzem o preço de produtos essenciais.

Pode-se dizer que os países, em Smith, estão em patamares diferentes, não necessariamente em estágios de desenvolvimento diferentes, pois as “vantagens inerentes” pressupõe vantagens previamente estabelecidas, ou seja, não há mudanças que alterem esse estágio no curto prazo, pois “inerente” é algo naturalmente estabelecido.

O crescimento tem também uma ordem natural em Smith (que só é alterada quando o governo passa a interrompê-la) para a organização das manufaturas, do comércio exterior e da agricultura: “As terras precisam ser cultivadas antes que alguma cidade tenha se estabelecido, e algum tipo de indústria ou manufatura precisa existir na cidade antes que desenvolva-se o comércio exterior… “

O desenvolvimento econômico segue esta ordem “natural” para Smith e um constante aumento da produtividade nestes três setores, propiciaria um crescimento econômico. Uma alta produtividade conciliaria também altos salários devido aos baixos custos de manufatura.

 

O crescimento econômico é também em Smith sinônimo de desenvolvimento econômico, e a questão aqui gira em torno do “egoísmo”, do individualismo, e por isso é essencial em Smith a liberdade como um dos valores, ou virtudes mais importantes que assegurem o individualismo. Para Smith o estado tem essa função, garantir a liberdade individual. O estado portanto teria três deveres principais, deve proteger da invasão de outro estado, estabelecer um poder judiciário e garantir a manutenção de serviços públicos essenciais (como educação). A educação é ponto fundamental para o processo de desenvolvimento, pois segundo Smith “para os efeitos degenerativos e alienantes da divisão do trabalho”. Portanto Smith está consciente de que a especialização pode alienar, e há uma noção implícita de que a educação não é importante no processo de desenvolvimento (como sinônimo de crescimento), mas é sim importante para barrar os efeitos do mesmo.

Desenvolvimento seria algo previsível, “natural”, pois dados as pré- condições, a produtividade aumentaria, aumentaria também a divisão do trabalho e com o livre comércio e a liberdade para as unidades produtoras, haveria uma “mão invisível” que proporcionaria o desenvolvimento social, a partir dos desejos e vontades individuais. Porém não deve-se esquecer que a educação não é algo que se agrega ao sistema naturalmente, ela precisa de uma ajuda do estado, para assim barrar os efeitos “nocivos” da divisão do trabalho.

Adam Smith limita o crescimento, pois segundo este, ele está ligado as leis instituições, ao clima e ao solo (traços fisiocratas em Adam Smith). Há uma associação do crescimento com salários mais altos. Para exemplificação deste caso Smith utiliza o caso das colônias inglesas, onde os salários eram altos e, portanto, segundo Smith o crescimento era muito mais acelerado do que na Inglaterra.

Outra relação interessante desenvolvida por Smith é a de que o aumento da produtividade não está relacionado com as inovações tecnológicas radicais (inserção de novas tecnologias) e sim com a especialização e aperfeiçoamento de técnicas já utilizadas. Essa idéia complementa a noção de crescimento, pois os investimentos são a base do crescimento, investimento sem que ocorra a

 

intervenção do estado, e para que os investimento ocorram, são necessárias também: Um aumento da oferta, equipar melhor os funcionários (aumentar portanto a produtividade) e aumentar os salários para que o mercado se expanda. Segundo Smith: “… o investimento continuará enquanto os lucros bases excederem a taxa mínima necessária para que alguém poupe o dinheiro”.1

Há uma diferenciação entre as invenções, que objetivam maiores lucros, e

que não eram relacionadas ao aumento da divisão do trabalho ou ao aumento do mercado, e as especializações que ocorrem por causa destes. Smith diferencia inclusive as pessoas que criam, inventam (“Os filósofos e cientistas”), daqueles que aperfeiçoam (os trabalhadores na fábrica).

T.R.Malthus

Malthus foi um importante economista e sacerdote da Igreja Anglicana, que nasceu em 1766 em The Rockery. Em 1798 expõe suas idéias sobre aumento populacional na obra Ensaio sobre o Princípio da População. Com base em estatísticas, conclui que a miséria é conseqüência da desproporção entre o crescimento da oferta de alimentos e o da população. De acordo com sua teoria, a produção de alimentos cresce em progressão aritmética, enquanto a população aumenta em progressão geométrica.. Morre em Saint Catherine.

A liberdade malthusiana é levemente diferente da de Smith e Ricardo. No aspecto relacionado com a população Malthus é bem enfático e catastrófico, pois haverá, segundo ele, fome e muitos morrerão. Ele cita vários métodos para controle da população, inclusive a guerra. O estado deve estimular essa liberdade
(política, educacional), portanto ele apóia uma intervenção do estado, que é admitida inclusive para estimular a demanda e aumentar a renda. Outra intervenção do estado admitida por Malthus e totalmente oposta a posição que Ricardo e Smith tinham, é a de um país não pode depender somente da importação para sustentar a indústria de seu país ou seu povo, pois ficaria vulnerável ao mal gerenciamento dos produtos por parte do país ofertante, a mudanças desfavoráveis nos termos de negociação, uma mudança da produção no país ofertante (caso deixasse de produzir produtos agrícolas e passa-se a produzir manufaturas também) e em caso de guerra com o país ofertante. Enquanto Smith e Hume posicionavam-se contra os mercantilistas protecionistas, Malthus posicionou-se contra os que defendiam o livre comércio extremo.

Malthus tem como característica principal uma visão macroeconômica2,

enquanto Ricardo tinha uma visão microeconômica. Malthus busca as causa favoráveis para o crescimento da produção. Segundo ele estas seriam: Acumulação do capital, fertilidade do solo e invenções para economizar trabalho. O equilíbrio dinâmico em uma economia em crescimento requer determinadas proporções que equilibrem a oferta e a demanda.

Como valores necessários que Malthus assume para que haja um desenvolvimento, estão principalmente aqueles ligados ao controle da população (fator o qual, Malthus enfatiza durante a sua obra). Os salários caem com um aumento da população, esse aumento ocorre por causa da ignorância, da falta de liberdade política e civil e da opressão.

Cria-se uma discussão com Malthus (que não é abordada pelos outros clássicos da mesma forma), sobre a possibilidade de haver um excesso de oferta devido a uma expansão da economia, “general glut”, devido a massa desempregada, ocorreria então uma acumulação de produtos. Para que isso não
ocorra, ele reconhece que um aumento da população é extremamente importante para o aumento da demanda, porém não é uma condição suficiente para o progresso da riqueza, haja visto que existe uma “tendência natural” da população aumentar sempre que os salários forem maiores do que os necessários a sua subsistência. 

Outra relação proposta por Malthus seria a de que as variações nas taxas de poupança e investimento modificaria o consumo de bens e portanto no consumo de rendas. Uma significante margem de investimento baseada na poupança é o resultado de altas taxas marginais de reinvestimento de uma renda nacional em expansão. Portanto, se existirem forças deprimindo a renda, o aumento da poupança privada pode não resultar em investimento. Políticas de gasto (público ou privado) podem aumentar a renda nacional o que aumentaria a poupança (conceitos de multiplicador e acelerador).

A relação obtida aqui seria a de que as forças que poderiam deprimir o aumento da renda seriam uma falta de demanda, isso ocasionaria uma queda dos investimentos, o que por sua vez deprimiria ainda mais a renda na economia gerando um círculo vicioso. Por outro lado os gasto realizados poderiam inverter esse processo. Aqui há um reconhecimento de que o progresso da sociedade consiste em movimentos irregulares.

O desenvolvimento da sociedade está intimamente relacionado com um aumento da produção, da renda nacional. Ou seja, os fatores seriam essencialmente econômicos. Entretanto, a população tem um papel importante para que haja um crescimento da renda, pois as condições são um equilíbrio com a oferta e demanda. Logo um segundo fator importante para o desenvolvimento seria a população manter-se em um nível em que a produção sempre crescesse numa maior proporção. Há claramente um noção de PIB per capita.

David Ricardo

Economista inglês, um dos fundadores da ciência econômica e autor da tória de valor trabalho. Nascido em Londres em 1772, filho de judeus holandeses.

 

Como corretor da bolsa de Valores, influenciado pelo pai, torna-se milionário e passa a dedicar-se ao estudo da matemática, química e geologia. Influenciado pelas idéias de Adam Smith aprofunda seus estudos sobre as questões monetárias. Em Princípios de Economia Política e Tributação (1817), expõe suas principais teses. Morre em Londres em 1823.

Várias idéias de Ricardo podem ser encontradas em Malthus também , pois estes foram amigos durante vários anos e trocaram uma grande quantidade de informações nesse tempo. A idéia por exemplo de que as taxas de crescimento do investimento estavam ligadas as taxas de crescimento da população foi compartilhada por ambos.

Ricardo não separa, assim como os outros clássicos, crescimento de desenvolvimento. Mas como todos os clássicos Ricardo tem como ponto de partida vários valores que considera fundamental. Ele foi, por exemplo, um grande defensor de reformas políticas e da liberdade religiosa.

Durante vários anos Ricardo lutou para que fossem abolidas as ”Corn Laws”, ou “Lei dos Cereais”. Ele foi muito perspicaz para perceber que pelo fato da Inglaterra ter poucas terras, e sua população ser muito grande, os preços dos alimentos eram demasiadamente elevados, fato que era agravado pelas barreiras impostas sobre o cereal estrangeiro. Logo, se os preços dos cereais fossem mantidos à um preço elevado, os capitalistas teriam que pagar um salário maior para os trabalhadores, o que, segundo Ricardo, reduziria seu lucro, e conseqüentemente o investimento.

O raciocínio desenvolvido por Ricardo para explicar o crescimento é muito simples. O investimento faz com que a produção cresça, fazendo crescer portanto a produção do país. O investimento depende por sua vez da taxa de lucro dos capitalistas, ou seja, quanto maior a taxa de lucro maior será a taxa de reinvestimento.3 O lucro depende, substancialmente, do preço dos salários, logo,
salários que estejam com seu valor de mercado acima de seu valor natural farão com que os lucros caiam, fazendo com que caia também o investimento. O valor natural dos salários seria aquele necessário para manter um trabalhador em condições mínimas, seu componente mais importante eram os alimentos, que na época de Ricardo seriam os cereais.

O crescimento a longo prazo estava condenado por Ricardo. A sua “Lei dos Rendimentos Decrescentes” colocava como certa uma estagnação do investimento e por conseguinte do crescimento, pois quando fossem explorar terras de qualidade inferior, o acréscimo de renda que fosse pago para a utilização desta faria com que os lucros dos capitalistas decaíssem.

.Apesar de ser considerado agressivo, e até desumano por muitos autores, ao tratar sobre salários, ele introduziu uma definição inovadora sobre os salários. Os salários “naturais” seriam definidos muito mais por termos sociais do que por termos fisiológicos, ou seja, os hábitos de consumo e gostos, assim como os confortos e divertimentos eram fundamentalmente mais importantes na definição do valor “natural” do salário, do que as próprias necessidades fisiológicas (comida e bebida em resumo).

O interessante dessa abordagem, no mínimo diferente dos outros clássicos sobre os salários, é de que Ricardo já era consciente das diferenças entre as sociedades, e por mais contraditório que pareça, ele utiliza uma definição subjetiva para o valor “natural” dos salários, ou seja, os salários não teriam uma valor “natural” por definição.

O crescimento da população estava intimamente ligado ao desenvolvimento da nação, pois os preços de mercado dos salários estariam abaixo dos preços naturais toda vez que a população excedesse a capacidade da indústria de absorver a mão de obra, o que resultaria numa queda da qualidade de vida para os trabalhadores, e num aumento dos lucros para os capitalistas.

John Stuart Mill

Foi um filósofo e economista britânico, que nasceu em 1806. Sua obra concilia a exaltação da liberdade, a razão e o ideal científico do XVIII com o empirismo e o coletivismo do XIX. Na filosofia, sistematizou as doutrinas utilitaristas de seu pai, James

Mill, e de Jeremy Bentham em obras como Utilitarismo (1836).. Entre seus escritos figuram Princípios de economia política (1848), Sobre a liberdade (1859) e Três ensaios sobre religião (1874) .Morreu em 1873.

Ele reconheceu também que o processo de crescimento não era contínuo, os seus ciclos econômicos estavam ancorados na teoria das expectativas irracionais “ … a causa do mal (ciclos e depressão) está aonde nenhuma legislação poderá alcançar – a propensão universal da humanidade de superestimar as chances que lhes são fa voráveis”. Haveriam pois três formas de expectativas irracionais: Projetos fraudulentos, subestimar o tempo necessário para um “retorno adequado” do investimento e especulação de mercadorias (commodities ) ou “over-trading”.

Outra reflexão interessante foi aquela anteriormente levantada por Malthus, de que poderia haver um excesso de oferta. As causas, entretanto, apontadas por Mil são distintas das de Malthus. Para ele a divisão do trabalho causaria uma capacidade ociosa crônica (diferença entre o tempo do produto pronto e a sua venda) e devido ao cálculo dos produtores e comerciantes quase nunca serem iguais, haveria por fim uma oferta em excesso.

Os períodos que Mill estudou desde 1780 mostra claramente a existência desses ciclos, onde o investimento torna-se a base das super otimistas ou sub pessimistas expectativas, na qual a forma de crescimento adotada baseada na exploração da especialização das funções, e onde as decisões eram feitas por indivíduos operando sem conhecimento das decisões de outros, mas agindo em resposta ao mesmo sinal de lucros ou perdas futuras.

Podemos considerar Mill como o primeiro dos economistas heterodoxos pois enfatizou a visão socialista, diferencia-se entretanto desses pois defende o

 

princípio de liberdade e o “Laissez-faire”4com algumas exceções como: Evitar o monopólio, pesquisas em universidades, intervenção pública para regular, por exemplo, as horas de trabalho numa indústria onde os empregados ou capitalistas são a minoria. Ele também se preocupa com a igualdade entre homens e mulheres na sociedade. Esses podem ser alguns dos pressupostos básicos que Mill toma para formar a idéia do que seria desenvolvimento.

Essa idéia de desenvolvimento não está ligada somente a um crescimento da produção, para ele as variáveis não econômicas, que eram objetivos das políticas sociais e econômicas, por estarem sujeitas a mudanças como tempo, deveriam ser objetivos das políticas de desenvolvimento econômico.

Essa visão social de Mill que são requisitos para um desenvolvimento social seriam: A proteção do indivíduo do poder do estado, eficácia da produção, assegurar uma democracia que não fosse uma tirania da maioria, e acima de tudo gerar cidadãos mais educados e melhor preparados para assumirem responsabilidades nas instituições sociais.

Outro fator importante na teoria de Mill seria a de colocar uma limitação sobre o crescimento populacional. Era para Mill de extrema importância que existissem políticas públicas encorajando a formação de pequenas famílias. A importância disto estava em conseguir um aumento do PIB per capita, que poderia ser conseguido com um maior número de inovações e com uma estabilização do crescimento populacional.

Para um melhor desenvolvimento ele salienta também a possibilidade de uma melhor distribuição dentro do sistema capitalista.

Requisitos que Mill considerava fundamentais para a produção eram três: O capital, o trabalho e as terras, ou seja P = f(K,L,T). A relação é direta entre a produção e qualquer um desses fatores. Portanto, para que ocorra um aumento da produção é necessário que haja um aumento de um desses três fatores, ou da produtividade desses.

A lei dos rendimentos decrescentes desempenha o papel de freio do crescimento dentro de uma economia. O processo antagônico (aperfeiçoamento dos meios de produção), entretanto, era forte o suficiente para que ocorresse uma queda dos preços dos produtos industrializados. Outros “remédios” para a lei dos rendimentos decrescentes seriam – quando não houvesse mais como inovar – o controle populacional, o livre comércio para os alimentos e a emigração.

Mill também cria uma firme linha divisória entre produção (determinados por sólidos princípios científicos) e distribuição (determinada por leis, costumes e outras instituições humanas).

Alfred Marshall

Nasceu em 1842, na Inglaterra. Foi professor de Economia Política de Cambridge, de 1885 a 1908. Suas principais obras foram: Princípios de Economia

– 1890, na qual faz uma síntese do pensamento neoclássico, esse seu livro substituiu o livro-texto usado até então do Jonh Stuart Mill. Economia da Indústria – 1879, Indústria e Comércio – 1919, Moeda, Crédito e Comércio – 1925

Marshall tinha simpatia pelos socialistas, mas no fim voltou atrás pois não acreditava, como os socialistas, que os defeitos e deficiências humanas seriam resolvidas simplesmente com a abolição da propriedade privada. Ele criticou o socialismo, o caráter burocrático que violaria os direitos individuais e inibiriam a
criatividade. Ele duvidava também que o socialismo poderia expandir a produção e aumentar a produtividade, os quais considera fundamentais para acabar com a pobreza.

Por isso o caráter desenvolvimentista aqui não tomo o rumo de Marx, e se aproxima do de Mill, já que os valores fundamentais para Marshall, existentes no capitalismo, são invioláveis, e que o fim destes não resolveria o problema das pessoas.

Segundo Marshall os problemas econômicos são analisados de forma imperfeita quando tratados como um problema de equilíbrio estático ao invés de um crescimento orgânico. O tratamento estático é necessário como forma de introdução para algo mais complexo, a sociedade como um organismo. As duas variáveis principais no modelo de crescimento de Marshall são a taxa de poupança e o aumento da eficiência da força de trabalho.

Por seu interesse amplo ao tentar explicar as suas variáveis, Marshall foge da matematização e perscruta a complexidade e intensidade das determinantes humanas para determinar as taxas de poupança e eficiência da força de trabalho, na eficácia das mais variáveis formas de organização industrial, e os prós e contras da união de trabalhadores, chegando por fim a discutir os próprios prós e contras do capitalismo.

Outras variáveis que também são importantes dentro do sistema, para que ocorra um aumento real são: número e eficiência dos trabalhadores, estoque de riqueza acumulada, quantidade, riqueza e facilidade de acesso dos recursos naturais, o estado das formas de produção e da segurança pública.

Duas outras questões são centrais para a teoria macro de crescimento: Aumento ou diminuição da produtividade de cada um dos fatores de produção; ligação entre a análise macro e micro-análise do aumento dos retornos para o comércio e indústria. Como conclusão dessa duas questões ele coloca que as altas taxas de crescimento estão associadas com a educação dos trabalhadores. Outra conclusão referente ao aumento dos retornos para as indústrias seria a de que os setores que crescem rápido, não crescem, ou estão declinando estão relacionados ao estágio histórico de suas tecnologias. Entretanto, Marshall nunca

 

chegou a criar uma teoria setorial que pudesse ligar a macro coma micro economia.

Ele utiliza em sua teoria sobre o crescimento uma metáfora sobre uma floresta. A floresta seria a economia numa escala macro. As árvores seriam as empresas. A medida que as arvores vão envelhecendo, elas caem e cedem lugar as árvores mais novas. O investimento em jovens talentosos seria a melhor maneira de sustentar a floresta.

Também aqui em Marshall ele reconhece a existência de ciclos econômicos onde ocorrem na seguinte seqüência: Expansões, tensões e crises, depressão e finalmente retomada do ciclo.

No longo prazo, ele também pensa em uma estagnação da economia, pois o aumento das populações, da demanda por matéria prima e por comida, não considerando as possíveis potencialidades da ciência em reverter esse quadro, iriam frear a economia numa escala global.

Outro fator introduzido por Marshall foi o tempo que deveria ser incorporado na análise econômica, através do instrumental histórico, pois em um longo período de tempo, o fator tempo constitui-se fundamental para a análise do “crescimento orgânico”.

Elemento fundamental para o desenvolvimento de um país é a educação. A educação permite um aumento da eficiência do trabalho, que te m importância fundamental na hora de gerar poupança que eleva os investimentos e a própria riqueza dentro de um país, logo quanto mais riqueza houver, e se essa riqueza crescer a taxas superiores as da população, haverá um aumento da qualidade de vida.

Segundo o próprio Marshall: “Não há extravagância mais prejudicial para o crescimento da riqueza de uma nação do que desperdiçar gênios, que nascem em famílias menos abonadas, em trabalhos não condizentes com sua genialidade”. Com isso ele quer dizer que não se deve investir somente em uma educação para a classe mais rica, mas para todas as classes, haja visto os gênios não escolherem as famílias onde nascem, mas muitas vezes, essa genialidade fica limitada pelo seu poder aquisitivo, para desenvolverem sua potencialidade. O

 

estado deve ser o principal agente modificador dessa realidade, já que isso representa retornos para a nação apenas no longo prazo, o qual não é de interesse da firma, que busca o profissional já pronto.

Outras variáveis que influenciam o desenvolvimento desse capital humano seriam o tamanho e a qualidade de vida da população, sendo que ambos são variáveis dependentes.

Assim como em Mill a análise aqui trata de expectativas irracionais em economia e psicologia. Para uma análise mais profunda da economia e do desenvolvimento dessa, é fundamental confrontar idéias de outras disciplinas como história, sociologia ou qualquer outra disciplina
.

Karl Max

Foi um filósofo alemão(1818-1883), criador junto com Friedrich Engels do socialismo científico (comunismo moderno). Esta teoria demonstra uma clara influência da obra de Friedrich Hegel. Em 1847 Mark escreveu com Engels o Manifesto Comunista . Depois de ser expulso da Alemanha, Marx procurou refúgio em Londres. Nessa cidade, elaborou a base doutrinária da teoria comunista, apresentada em três volumes e denominada Das Kapital (1867-1894; O capital), Em 1864, participou da criação, em Londres, da Primeira Internacional. Foi depois da morte de Marx que seu pensamento começou a prosperar dentro do movimento operário. Essa concepção passou a ser denominada marxismo ou socialismo científico.

Marx conceitua o desenvolvimento econômico por uma sucessão de fases, sendo que a sua última fase seria a do socialismo, fase que sucede o capitalismo.

 

Portanto o último estágio, considerado como o estado ótimo por Marx, seria um estado em que os proletariados tornassem-se donos dos meios de produção, ou melhor, esses apropriariam-se dos meio de produção e criariam, como Marx dizia, “A Ditadura do Proletariado”.

Para Marx o sistema capitalista é explorador da mão-de-obra, preocupa-se apenas em acumular, pois o processo é automático, o egoísmo da “Mão invisível” de Smith, tornasse aqui um vício e não mais uma virtude como em Smith. Portanto os valores em Marx são, nesse caso, os inversos dos em Smith. O capitalismo, como sendo o penúltimo estágio do desenvolvimento, cria também certos mecanismos de defesas que tentavam proteger e alienar as massas, esses mecanismos seriam a religião, o casamento, etc.

Os salários constantes por fim, seriam um dos motivos para a destruição do capitalismo, já que os lucros decaem dada uma taxa crescente de acumulação do capital (i=w/k). Os salários também não são determinados pelo mercado, o que determina os salários são o poder de barganha dos capitalistas versus os proletariados.

Portanto, o desenvolvimento econômico só ocorre enquanto há uma luta constante entre as classes, e todos os valores que o capitalismo criou seriam destruídos, não havendo por fim mais conflito.

A idéia de crescimento em Marx está ligada com a dialética tomada por Marx como método de estudo científico. O crescimento econômico, dentro do sistema capitalista tem uma relação intima com a acumulação e concentração de capital. O lucro é a base dessa concentração. O investimento torna-se necessário porque o capital está em constante competição com outros capitais, e aqueles capitalistas que não aperfeiçoam suas técnicas e diminuem os seus custos, estão fadados ao desaparecimento.

O aperfeiçoamento está intrinsecamente ligado com a acumulação do capital, pois capitais de pequeno porte não podem atingir determinados níveis de aperfeiçoamento, logo os capitais atingem determinados estágio onde torna -se impossível a entrada de outros capitalistas, acabando com o sistema concorrencial, e fazendo ao mesmo tempo com que uma oferta crescente, devido

 

ao aperfeiçoamento dos processos produtivos, encare uma demanda decrescente (já que haveria uma insuficiência de demanda gerada pelo desemprego causado pelos meio de produção aperfeiçoados) , o que gera, obviamente, um excesso de oferta e portanto condena as empresas, e num nível global, o próprio sistema capitalista. Conseqüentemente a economia não cresce num longo prazo, ela se modifica, pois haveria um choque entre duas classes (aqui está mais uma vez uma demonstração da dialética a da abstração utilizada por Marx), a dos detentores de capital e a dos trabalhadores.


Pós classicos

J.A Schumpeter


Foi um economista inglês que nasceu em 1863 em Triesch, Moravia. Conhecido por suas teorias sobre desenvolvimento capitalista e ciclos econômicos; formou-se pela universidade de Viena em 1906. Publicou “A Teoria do Desenvolvimento Econômico” (1921), “Capitalismo, Socialismo e Democracia” (1942), e “Historia da Ana lise Econômica” (1954, postumamente).

 

Em seu livro “Desenvolvimento Econômico” Schumpeter parece aceitar a priori o modelo de equilíbrio estático Walrasiano (ou Marxista) na medida em que considera a existência de um fluxo circular na economia, ele escreve: “um estado organizado de forma comercial onde a propriedade privada, a divisão do trabalho e a livre competição prevalecem”. Esses seriam os pressupostos de Schumpeter, e esses pressupostos afastam Schumpeter do estudo do processo de crescimento nos países subdesenvolvidos, tornando-o por outro lado um papa da economia nos países desenvolvidos. Esse modelo não se aplica de forma alguma nos países subdesenvolvidos, haja vista seus pressupostos não estarem de acordo com a realidade nestes, realidade na qual o modelo se enquadra, pelo menos até o início do século XX quando começam a surgir grandes corporações e monopólios pelo mundo todo. É obvio, porém, que ao final Schumpeter especula sobre os problemas que o capitalismo enfrenta nos países subdesenvolvidos.

Seu sistema de fluxo circular, que aparentemente era estático, mostra-se não tão estático quanto aparentava ser, pois, ocorriam mudanças espontâneas e contínuas no canal de fluxo; “As mesmas coisas não ocorriam ano após ano”; essas mudanças são o coração do desenvolvimento capitalista. A inovação que ocorreria dentro deste sistema seria a peça fundamental, Schumpeter classifica essa inovação como :”espontânea e descontínua”.

Nesse modelo desenvolvido, Schumpeter mostra a importância de indivíduos que estejam prontos para aproveitarem as oportunidades que o sistema oferece, oportunidades rentáveis. Esses indivíduos não seriam administradores mas sim empreendedores.

O investimento do capital e a expansão da riqueza dependiam do reinvestimento do lucro, portanto essas oportunidades devem ser lucrativas para que o sistema possa crescer e se expandir. Os empreendedores não são porém necessariamente capitalistas, daí surge dentro do sistema de Schumpeter os dois principais protagonistas do mercado de capital: Os empreendedores (demanda) e os capitalistas (oferta). O apoio dos capitalistas aos empreendedores é importante principalmente nos estágio iniciais de seus “esforços criativos”.

 

Portanto o principal elemento para o crescimento aqui seriam os empreendedores, que buscariam essas oportunidades rentáveis e reaplicariam os lucros fazendo crescer a riqueza. A análise de crescimento schumpeteriana é feita em um nível microeconômico essencialmente.

O desenvolvimento econômico se confunde aqui também com o crescimento, mas os pressupostos que Schumpeter adota para seu modelo nos dizem um pouco sobre as condições que esse acha essencial para que ocorra um crescimento. A propriedade privada, a divisão do trabalho e a livre competição. Por trás destes pressupostos aparecem um pouco o método idealista racionalista adotado pelos clássicos, pois a livre competição desencadeia nesses um processo de desenvolvimento, aperfeiçoamento da sociedade que é guiada por uma “mão invisível”. A maximização do lucro das empresas também está implícito, pois é fator fundamental para que haja crescimento da riqueza.

“Os movimento cíclicos são a forma que o desenvolvimento econômico assume na era do capitalismo”, segundo Schumpeter. Seu raciocínio pode ser assim parafraseado:

  •  Porque o desenvolvimento econômico não ocorre de uma forma linear mas cíclica?
  •  “Porque inovações –novas combinações- não são distribuídas através do tempo homogeneamente … mas aparentemente … em grupos discontínuos e em enxames”
  •  Enxames ocorrem porque o aparecimento de alguns empreendedores que tiveram sucesso induzem ao um aumento progressivo de empreendedores, havendo entretanto decrescimento de espírito de talento e criatividade, que buscam essas novas possibilidades de lucrar.
  •  Em Schumpeter ciclos econômicos são basicamente um fenômeno setorial com manifestações macroeconômicas. 

Enfim percebe-se que esses valores encontram-se em sociedades desenvolvidas com mais facilidade, valores atribuídos aos indivíduos, esses indivíduos empreendedores. Estaria também implícito a necessidade de um aumento da qualidade do ensino, talvez, para que esses empreendedores
  surgissem mais espontaneamente, porém como Schumpeter havia dito que essas inovações são espontâneas e descontinuas, há uma possibilidade de que ele estivesse se referindo a essas inovações como fenômenos endógenos que por serem descontínuos não poderiam ser estimulados. 

Evsey D. Domar

Russo por nascimento, nascido em 1914, crescido em “Manschurian”, economista do MIT, Domar contribuiu em três áreas da economia, crescimento econômico, economia comparativa e história da economia. Seu maior passo para a fama, foi, quando desenvolveu, paralelo a Harrod, o modelo de crescimento, agora famoso, “Harrod-Domar” (1946), que foi, por fim, um caminho da extensão da demanda determinada do equilíbrio de Keynes. Morreu em 1997.

Domar começa criticando a lei de Say e diz que parte da renda não volta ao sistema econômico pelo entesouramento. Para que houvesse um crescimento contínuo em pleno emprego era necessário um aumento contínuo das despesas e do estoque de moedas. Os gastos que considerava mais aconselhável eram os investimentos, que aumentavam também a capacidade produtiva, além de gerar renda. Mas o fundamental era definir a quantidade ideal de investimento para que fosse mantido o pleno emprego.

O problema relacionado ao desenvolvimento está novamente ligado ao crescimento econômico. Não trata -se de uma questão de atitude, como diria Schumpeter, e sim algo ligado a políticas que devem ser tomadas para que os países cresçam.

A conclusão do modelo de Domar diz que ÄY/Y = ÄI/I . Isso significa que para que ocorra um crescimento a pleno emprego o produto e o investimento devem crescer a uma taxa crescente período após período (ÄY/Y = ÄI/I = sz).

Sendo que s é a propensão a poupar, z a produtividade média do potencial social do investimento. O modelo estabelece pois, de forma direta que se a produtividade média do potencial social do investimento (z) ou a propensão a

 

poupar forem altas, tão altas precisaram ser a acumulação do capital (ÄI/I) e a taxa do crescimento do produto (ÄY/Y).

A inflação e o desemprego ocorrem quando essas taxas são divergentes. Por exemplo, uma variação da renda que não seja acompanhada de uma variação proporcional do investimento irá resultar em uma escassez de produtos no longo prazo que gerará inflação. Ele coloca aqui a possibilidade real da ocorrência de flutuações cíclicas.

O crescimento que estava condenado pelos clássicos ( de Hume até Mill considerava -se uma estagnação, e Marx a completa destruição do capitalismo no longo prazo) é posto como uma possibilidade aqui, isso se essas condições estabelecidas forem seguidas.

De qualquer maneira o desenvolvimento sugerido tem uma relação muito próxima com a vontade de investir, a renda que os agentes recebem, propensão a investir e a produtividade média do investimento. Com relação a esse último vários fatores podem influenciar essa variável, como por exemplo a taxa que se considera mínima de retorno para um investimento e que leva os empresários a investir realmente dado um risco que o mercado calcula, ou seja, há todo um fator psicológico que deve ser considerado e que portanto não está ligado ao termo crescimento econômico e sim ao desenvolvimento econômico.

Roy F. Harrod

Nasceu em 1900. Trabalhou em Oxford a maior parte de sua vida. Entretanto, seu coração estava mais embaixo, em Cambridge. Teve reconhecimento na publicação da sua obra: Essay in Dynamic Theory (1939). A idéia, que marcou o começo da moderna teoria do crescimento, também foi desenvolvida por Domar, O modelo Harrod-Domar. Em seu livro de 1948, Towardsa Dynamic Economics bem como em uma série de ensaios (1960, 1963, 1975) ele desenvolveu este adicional, destacando o problema da instabilidade deste modelo e lançando o programa de pesquisa do
  crescimento econômico do pós-guerra – o que, certamente, ajudou a relançar as teorias dos ciclos econômicos.Suas contribuições para o comércio internacional (1933, 1958) e concorrência imperfeita (1933, 1934, 1952) também tiveram reconhecimento mais tarde. Seus trabalhos menos rigorosos sobre economia política (1963, 1965, 1968, 1969) também foram notáveis. Finalmente, fora da teoria econômica, a reivindicação de Harrod era por seu trabalho sobre lógica indutiva (1956) e seu papel como conselheiro de Winston Churchill durante a Segunda Guerra Mundial. Morreu em 1978. 

Harrod dá extrema importância a fatores macroeconômicos ao crescimento de uma país. O desenvolvimento não é abordado em sua teoria, mas é claro que está implícito a idéia desses dois conceitos estarem ligados. A satisfação social ocorre quando o equilíbrio entre taxas de crescimento e renda são iguais, como ele mesmo disse “… todas as partes ficam satisfeitas produzindo nem mais, nem menos a quantidade justa”.

O modelo de Harrod almeja incluir as expectativas empresariais na função investimento. Ele constata que o maior problema são as divergências entre as taxas efetivas e necessárias de investimento para assegurar o crescimento a pleno emprego.

Ele distingui claramente poupança e investimento realizado e planejado. A poupança realizada será sempre igual ao investimento realizado. (St = It). A poupança planejada é uma função do nível de renda ao fim do período t .(St= s Yt ). A questão que Harrod tenta responder é: O que determina o investimento planejado? O investimento que será realizado depende da variação do produto ao final do período t, ou seja: Ip = v (Yt-Yt-1). Aqui v é o coeficiente de aceleração (a relação capital-produto). E quer dizer que caso não haja variação do produto não

haverá variação do estoque de capital.

O princípio da aceleração é de que o investimento não depende do nível, mas sim da variação da renda ou do produto. Para que haja um crescimento a pleno emprego a taxa planejada e efetiva de investimento e poupança devem ser iguais as efetivas (Ip = It = Sp = St = s Yt ).

 
Para Harrod “… nada assegura que a economia crescerá a taxa garantida de pleno emprego”. Isso aconteceria por acaso. Por isso considerava necessária a ação governamental, que pode ser traduzida por programas de ações setoriais ou planejamento indicativo. 

Esse é considerado o primeiro problema de Harrod: A improbabilidade do equilíbrio e a instabilidade da taxa garantida de investimento necessárias ao crescimento é o segundo.

Ou seja, as determinantes econômicas são fundamentais para o bem estar da scoiedade. Os valores que devem ser buscados são os econômicos, e o governo tem também um papel fundamental, assim como em Domar, para buscar esse equilíbrio, que ocorre somente por acaso em situações de não intervenção.

Ragnar Nurkse

Nasceu em 1907 e morreu em 1959 Foi um seguidor das doutrinas de Rostenstein e Rodan, antecipou muito da teoria de Lewis acentuando o papel da poupança e da formação de capital no desenvolvimento econômico. Foi um dos primeiros expositores da doutrina do “crescimento equilibrado”.

“Um país é pobre porque é pobre”, segundo Nurkse. O crescimento econômico poderia até apoiar-se nas elites para crescer no curto prazo, mas no longo prazo alto custo médio para a produção de bens de consumo final (devido ao fraco mercado interno composto por pobres e desempregados na sua maioria) não permitem a diversificação de um mercado de bens, pois os investimentos necessários não poderiam ser pagos, o que acaba freando o crescimento.

Não há um preconceito em Nurkse ao dizer que os países pobres são pobres por serem pobres. Mas ele cria um paradoxo, pois por um lado você tem que aumentar o mercado para que motivem os empresários a investir e por outro lado o mercado é pequeno com baixo poder aquisitivo e com péssimas perspectivas. O que fazer? Mais uma vez a resposta é de cunho econômico: Intervenção governamental. Fica claro que a insistência dessa política está ligada
  a corrente keynesiana que influenciou Harrod, Domar e Nurkse de forma fundamental. 

Nurkse foi um dos teóricos do desenvolvimento econômico que buscou estudar o crescimento como uma forma de equilíbrio entre a oferta e a demanda.

O crescimento de um determinado país fica limitado pelo tamanho de seu mercado interno. Como o crescimento é pequeno (em termos de produção ou renda) os investimento ficam muito restritos nos países subdesenvolvidos. Um fator agravante para esses países é a insuficiência de recursos financeiros. Os baixos níveis de renda e poupança, reduzida acumulação e produtividade e insuficiente nível de renda formam um ciclo vicioso, pois os países não aumentam sua produção por não haverem incentivos em termos de mercado interno, não aumentam a renda paga aos empregados gerando mais insuficiência de mercado o que gera menos renda e assim por diante.

O crescimento diversificado e a forma pela qual a oferta criaria a sua demanda. Os capitais deveriam se distribuir numa mesma proporção entre as indústrias, haja visto o crescimento da demanda por diferentes bens. As empresas se crescessem juntas gerariam renda e produziriam para outros bens que seriam adquiridos por outros empregados, e quanto maior fosse o mercado, maior seria o crescimento e a expansão da economia e dos investimentos. O crescimento equilibrado tem por fim de aumentar o tamanho do mercado e criar estímulos adicionais aos investimentos.

Aqui há uma retomada da teoria de Schumpeter das ondas de inovação. Nos países subdesenvolvidos o mercado não teria força para fornecer os elementos necessários para alcançar o nível de desenvolvimento desejado. O governo entraria em ação com um planejamento central, atacando em bloco simultaneamente as três principais áreas com investimentos na indústria, agricultura e serviços.

Nurkse busca essa condições econômicas, mas há também condições psicológicas, novamente, envolvidas, pois o aumento de um mercado subentende que há também uma vontade ou necessidade por parte dos habitantes desse país em alcançar níveis mais elevados de consumo, considerando que todos tenham o
  mínimo necessário para sua sobrevivência, o que nem sempre é algo que outras culturas almejam. 

Arthur Lewis

Nasceu na India e recebeu o seu doutorado na London School of Economics em 1949. Suas principais contribuições a economia foram na área de desenvolvimento econômico. Lewis, junto com Theodore Schultz, ganhou o Prêmio Nobel em 1979 opor “pesquisas pioneiras em desenvolvimento econômico… com considerações particulares sobre os problemas dos países em desenvolvimento”. Lewis é mais conhecido pelo seu conceito de “economia dupla”. Definiu o crescimento econômico como : ‘Um processo de desenvolvimento econômico acelerado com o objetivo de eliminação do atraso econômico”. Isso significaria dizer que um país subdesenvolvido deve ter taxas de crescimento do PIB per capita ou do PIB, superiores as de uma país desenvolvido tomando por base, por exemplo os EUA, na medida em que se um país desenvolvido com um

PIB de 100 cresce a 7%, enquanto um país subdesenvolvido com PIB de 30 cresce a taxas de 5% e, portanto, esse país subdesenvolvido nunca alcançara o desenvolvido, muito pelo contrário, o fosso só tenderá a aumentar, apesar dessa definição ser lógica, nunca foi aceita por muitos economistas (até a década de 50) da Mainstream Economics.

Lewis, entretanto, se recusava a fazer qualquer distinção entre crescimento, desenvolvimento e progresso, por achar que se tratam de coisas intrinsecamente ligadas. A anatomia do crescimento seria assim definida: “… desenvolvimento econômico, com uma oferta ilimitada de trabalho e o papel fundamental dos aumentos de produtividade na agricultura no processo de industrialização”.

Os fatores não econômicos tem, entretanto, papel fundamental no crescimento.

O crescimento econômico pode modificar a sociedade, mas , segundo Lewis, há a necessidade de uma mudança no comportamento social para que o
crescimento ocorra. Portanto, algo mais profundo está implícito em sua análise, o próprio desenvolvimento, e o que ele seria. Ele deve ser uma mudança de atitude para trabalhar, ter filhos, para inventar, etc.

A respeito desses fatores ele apresenta três conclusões: Os custos do crescimento econômico não geram necessariamente conseqüências como cidades feias. Isso porque a questão , o como se desenvolve a sociedade, tem explicações não econômicas na maioria das vezes. Outros efeitos considerados maus , não podem ser considerados intrinsecamente maus efeitos, como por exemplo, o crescimento do individualismo e das cidades. Pode ocorrer também que um crescimento alto demais pode ser considerado alto demais para a saúde social também.

O estudo feito por Lewis é o único que toca todas as variáveis necessárias ao crescimento:

– População e força de trabalho (relação inversa entre crescimento per capita e taxa de crescimento; a idéia de que a transferência da mão-de-obra para outros setores seria um efeito e não a causa do crescimento econômico).

– Estuda a acumulação do conhecimento como causa do crescimento econômico, assim como o investimento e a ampliação do estoque de capital, o qual depende invariavelmente do lucro.

– Ciclos Econômicos: Irregularidade da inovação determina a volatilidade do investimento, e o investimento na indústria civil.

– Preços relativos

– Estágio e limites para o crescimento: Para ele haverá uma estagnação no futuro, entretanto não há uma condenação do crescimento econômico, visto que considera os indivíduos como elementos de suma importância num processo de enfrentamento dos desafios futuros.

Há ainda os fatores não econômicos que determinam o crescimento, estes serão explicitados em desenvolvimento.

CONCLUSÃO

A partir das análises feitas, e dos dados levantados, conclui-se que existe uma relação entre os conceitos de desenvolvimento e crescimento econômico de diferentes autores. Há por um lado uma relação histórica entre os conceitos, enquanto existem dois autores, por exemplo Ricardo e Malthus, que convivem em uma mesma época e passam a trocar informações entre si, influenciando a formação de suas teorias, mesmo que estas abordam determinados temas sob diferentes aspectos. Por exemplo, Ricardo tinha uma grande preocupação, quando se trata de crescimento da economia, com o valor dos salários, pois salários altos desestimularam os investimentos, já Malthus alertava sobre os efeitos, principalmente no impacto destes no crescimento, que ocorreriam dentro da economia caso ocorresse uma escassez de demanda.

Outra conclusão que podemos extrair dos dados obtidos são a respeito da evolução, pressupondo-se que exista um aperfeiçoamento das teorias na medida em que novas técnicas de pesquisa e correção sejam criadas para esse fim. A inserção de métodos quantitativos pode, portanto, ser considerada uma evolução, não os métodos quantitativos em si, mas a sua aplicação deu maior precisão e poder de previsão as teorias.

A análise macroeconômica é outro aspecto importante, que podemos considerar como uma evolução, pois permitiu uma visão e estudo geral da economia, principalmente a partir de Keynes, onde conceitos como demanda agregada e oferta agregada são estudadas de forma profunda e busca-se através desta visão geral extrair-se respostas para os problemas da economia, não só problemas de curto prazo, como desemprego e inflação, mas também (através de autores como Nurkse e Lewis) questões como o cresciemtno sustentado longo prazo.

Consideramos por fim, que a pesquisa poderá auxiliar muitos alunos que estão iniciando seus estudos de Economia, dando-lhes uma base para que se entenda os conceitos e o significado de desenvolvimento e crescimento
  econômico ao longo do tempo e abrindo também uma porta para que venham a interessar-se por esses autores que contribuíram para a formação dessas teorias.

Anexos


  • David Hume

  • Adam Smith

  • T.R.Malthus

  • David Ricardo
  • J.A Schumpeter

  • Evsey D. Domar

  • Roy F. Harrod

  • Ragnar Nurkse

  • Arthur Lewis

feito

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