CONTRIBUIÇÃO PORTUGUESA À PRODUÇÃO E AO CONSUMO DE HORTALIÇAS NO BRASIL

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

CONTRIBUIÇÃO PORTUGUESA À PRODUÇÃO E AO CONSUMO DE HORTALIÇAS NO BRASIL

MARCELO MARTINS DE SOUZA

Orientador: MARCELO DE ALMEIDA

Resumo

Após descoberta do Brasil em 1500 e o início da colonização sistemática em 1530, os portugueses foram paulatinamente se estabelecendo ao longo do litoral brasileiro.
Ocorreu então, promovido pelos colonos, navegadores e Jesuítas portugueses um amplo processo de troca de plantas, dentre elas as hortaliças entre Portugal, Brasil e as outras possessões portuguesas na África e na Ásia.
Além de diversificar a alimentação, estas introduções serviram de material básico para o melhoramento genético , muitas vezes realizados de formas empírica , na adaptação destas espécies às condições edafoclimáticas brasileiras. A partir do século XVIII, intensificou a imigração portuguesa para o Brasil em função da descoberta de ouro nas Minas Gerais, verificando também um forte surto urbano. Também em meados do século XVIII, ocorreu a imigração sistematizada de açorianos para o Sul do Brasil. Com ele muitas variedades de hortaliças, especialmente de cebola e cenoura. Em cebola a maioria das variedades brasileiras são originárias deste material. A partir de seleção dentro da cultivar portuguesa Garrafal, originou-se a cultivar de cebola Baia-Periforme, cultivar mais plantada no Sudeste até o advento dos híbridos .Também as cebolas do tipo Criou-a ´, até hoje as mais plantadas no Sul do Brasil , são originária de material vindo dos Açores. . Em cenoura , o chamado germoplasma tropical, também de material trazidos pelos açorianos, foi base para o melhoramento genético de cenoura tropical , culminando com o lançamento da cultivar Brasília em 1981 até hoje o material mais plantado no verão . Os portugueses deixaram profundas heranças para a cultura brasileira, determinando alguns de nossos hábitos , entre eles o alimentares.l

Palavras-chave: Imigração , introdução de variedade hortaliças. .

Abstract

After discovering Brazil in 1500 and the beginning of systematic colonization in 1530, the Portuguese gradually established themselves along the Brazilian coast.
Then, promoted by the Portuguese colonists, navigators and Jesuits, a wide process of exchange of plants occurred, among them the vegetables between Portugal, Brazil and the other Portuguese possessions in Africa and Asia.
In addition to diversifying the diet, these introductions served as basic material for genetic improvement, often carried out in empirical ways, in the adaptation of these species to Brazilian edaphoclimatic conditions. From the 18th century onwards, Portuguese immigration to Brazil intensified due to the discovery of gold in Minas Gerais, also verifying a strong urban surge. Also in the middle of the 18th century, systematic immigration of Azoreans to the South of Brazil took place. With it many varieties of vegetables, especially onions and carrots. In onion, most Brazilian varieties originate from this material. From the selection within the Portuguese cultivar Garrafal, the Baia-Periforme onion cultivar originated, cultivated more in the Southeast until the advent of hybrids. Brazil, are originally from material coming from the Azores. . In carrots, the so-called tropical germplasm, also of material brought by the Azoreans, was the basis for the genetic improvement of tropical carrots, culminating with the launch of the cultivar Brasília in 1981 until today the most planted material in the summer. The Portuguese left profound inheritances to Brazilian culture, determining some of our habits, including eating habits.l

Keywords: Immigration, introduction of variety vegetables.

Introdução

                      ” Este Brasil é já outro Portugal , e não falando no clima que é muito mais temperado e sadio, sem calmas grandes , nem frios , e donde os homens vivem muito em poucos doenças , como de cólicas , fígado , cabeça , peitos , sarna , nem outras enfermidades de Portugal; nem falando do mar que tem muito pescado, e sadio; nem das cousas da terra que Deus cá deu a esta nação...”

Brasil foi achado , segundo o termo empregado pelo jornalista e historiador Bueno (2000), pelos portugueses a 22 de abril de 1500, referindo-se ao descobrimento do Brasil como mera formalização de posse de territórios já anteriormente visitados por outros navegadores , que entretanto , não estavam autorizados a reivindicar a posse destes territórios em nome de suas respectivas coroas . E todos os bons e maus hábitos portugueses , como ressaltar Antonil foram transportados da matriz para sua a nova colônia (André João Antonil ,1711). A partir de 1500, os colonos passaram a se estabelecer na nova possessão . De início , aqui foram deixados degradados , isto é pessoas indesejáveis em Portugal como ladrões e traidores que tinham como pena o degredo no Brasil. Os primeiros colonos foram abandonados á própria sorte e acabaram sendo respeitados , temidos e acolhidos ou eliminados e até mesmo comido pelos grupos indígenas que viviam no Litoral.

Nas primeiras décadas do século XVI , a imigração portuguesa para o Brasil foi pouco significativa, pois a Coroa Portuguesa adotou por . estratégia investir na expansão comercial nos continentes asiáticos e africano, deixando suas possessões nas Américas para um momento posterior. Era gigantesco o desafio para a pequena população portuguesa pela enormidade do território sob seu controle , praticamente todo litoral africano e grandes porções na Ásia, em especial a Índia e nas Molucas ( parte da atual Indonésia ). Entretanto, alguns anos após o descobrimento, piratas franceses e de outras nacionalidades começaram a rondar o território brasileiro, traficando principalmente pau-brasil em terras sob domínio luso, o que obrigou a Coroa Portuguesa a começar efetivamente a colonização do Brasil. A coroa então dividiu a colônia em capitais hereditárias em 1530 e repassou sesmarias a colonos que tinham um prazo para desenvolve-las .

  Assim, segundo Bueno (2006) , a verdadeira colonização do Brasil mediante a imigração sistemática, teve seu inicio em 1530 após a famosa expedição de Martin Afonso de Souza e a fundação da primeira vila brasileira, São Vicente , na Baixada Santista . Mais que uma simples Feitoria, a Vila de São Vicente desenvolveu-se, tornando-se sede de próspera capitania. A partir de então, numerosos portugueses foram paulatinamente se estabelecendo ao longo do litoral brasileiro, desde a Foz do Amazonas até o estuário do Rio da Prata. Eram atraídos pela exuberância de sua natureza e prodigiosidade de seu solo adequado ao cultivo agrícola e ao pastoreio e, posteriormente, pelos tesouros em seu subsolo. A Isso se aliava a relativa facilidade de obtenção do braço indígena trabalhador , pois os brasilíndios litorâneos eram poucos hostis aos primeiros desbravadores.

Vieram nesse período portugueses de todos os tipos: ricos fazendeiros falidos, aventureiros, mulheres órfã, degredados, e empresários falidos e membros do clero. O foco da imigração foi o Nordeste brasileiro onde as plantações cana-de-açúcar estavam em pleno desenvolvimento . esta imigração ficou marcada pela masculinidade da população, em função da imagem do Brasil como uma terra selvagens e perigosa, difícil para as mulheres portuguesas. A inda assim, as mulheres indígenas e africanas, oriundas do florescente e terrível trafico de escravos , acabaram por substituir a falta de portuguesas acarretando miscigenação ( GNU FDL, 2008). Isso influenciou nossa cultura e, consequentemente, nossos hábitos alimentares, caracterizados pela mescla de sabores entre a grande diversidade de espécies exóticas introduzidas pelos colonizadores e de espécie nativas , efetivamente já utilizadas pela população indígena que habitava no Brasil.

Em 1711, o famosos livro-marco da história do desenvolvimento brasileiro , o Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e Minas escrito por Antonil , registrava com detalhes a produção de cana-de- açúcar fumo e ressaltava a vastidão da pecuária em todo território.

Dava uma ideia detalhada dos processos sociais da agricultura e particularmente das relações entre o senhor do engenho e todos os outros que com ele interagiam e destacava a prepotência da agricultura sobre as minas .

É interessantemente mudo com relação às hortaliças , já amplamente cultivadas no país . Possivelmente, a decisão estratégia de Portugal de reservar ao Brasil a posição de grande produtor de açúcar e fumo e concentrar as especiarias (entre elas olerícolas como o gengibre ) no Oriente, apesar de ter inicialmente feito as introduções destas no Brasil , em Angola e em São Tomé já no inicio do século XVI . E Don Manuel mandou-as destruir e proibiu o seu cultivo. É sabido, todavia , que a força das ordens reais perdia-se sempre na distância .

Após a restauração, nome dado à reconquista da independência de Portugal em 1940, isto é, o regresso à sua independência plena em relação à Castela, em que por questões de herança as coroas de Portugal e Castela couberam simultaneamente a Felipe II, III E IV de Castela em regime de monarquia dualista que durou 60 anos, dá-se o reconhecimento de que Portugal perdera o comercio das especiarias orientais, levando o Rei de Portugal, D. Pedro II atentar estabelecer um novo polo de especiarias no Brasil. Desde 1967, pelo menos, foram enviadas várias remessas de plantas vivas e sementes pelos barcos que aportavam no Brasil a caminho de Lisboa para deixarem em vários locais do próprio Brasil e nas colônias da África (Ferrão 1993).

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Desenvolvimento

A colonização do Brasil pelos portugueses provocou, sem dúvida um dos mais amplos processos de trocas de plantas entre a Europa, as novas terras descobertas e as outras possessões na África e na Asia . Do reino e das ilhas , os colonos e os navegantes portugueses trouxeram , além da cana-de -açúcar e da videira , outras fruteiras (limoeiro, laranjeiras , cidreiras , figueiras , romãzeiras ) e as hortaliças ( alfaces, couves repolhos , nabos cenouras ,pepinos , espinafres, alhos mostardas, tomates , gengibres , inhames ) Os Padres da Campanha d Jesus , que chegaram ao Brasil a partir de 1549 , possivelmente foram ativos também na introdução de hortaliças no Brasil. As contribuições dos Jesuítas na introdução de algumas espécie , como a canela , é bem conhecida e documentada (Ferrão 1993). Aos 21 de julho d3 1973, o Papa Clemente XIV assinou o Breve “Dominus” ad Redemptor” que suprimiu a Companha de Jesus. É incalculável a contribuição dos jesuítas com relação à difusão do cultivo e do consumo de hortaliças durante os mais de duzentos anos de sua permanência no Brasil.


Os legumes europeus foram introduzidos desde os primeiros anos de colonização . O Padre jesuíta Fernão Cardin, que chegou ao Brasil em 1583, relata: Melões não faltam em muitas capitanias , e são bons e finos; muitas abóboras que fazem conserva, muitas alfaces , de que também fazem couves , pepinos, rabões, nabos, mostarda, hortelã, coentro, funchos, ervilhas, gergelim, cebolas, alhos, borragens , e outros legumes que do Reino se trouxeram , que se dão bem na terra .”(Fernão Cardin; Ana Maria Azevedo ed lit, 1997).

Portanto, pode-se depreender que, possivelmente, a introdução do mateiro como cultura hortícola no Brasil ocorreu após 1601 época em que já havia sido introduzido na Espanha , Itália e Inglaterra.


Os textos do Padre Fernão Cardim; foram escritos entre 1583 e 1601e mantiveram-se inédito durante séculos, só vindo a ser parcialmente divulgado em língua portuguesa em 1847. Na relação das hortaliças apresentada pelo padre Cardim nota-se a ausência do tomateiro que , entretanto , encontra-se presente na relação das hortaliças cultivadas no Brasil em trabalho publicado em 1930 e citado por Ferrão (2005).


A introdução de varias espécie e variedades de hortaliças, além de diversificar a alimentação dos primeiros colonizadores , serviu de material básico para o melhoramento por um melhor genético , na busca por uma melhor adaptação destas espécies ás diferentes condições edafoclimáticas encontradas no Brasil. Outras introduções tornaram-se indispensáveis à culinária regional em algumas regiões brasileiras. Neste particular , destaca-se a tradicional “couve mineira” , herança de um dos produtos mais representativos da culinária portuguesa , que criou raízes profundas no solo mineiro devido à forte presença lusa na província das Minas Gerais durante o ciclo do ouro.

Entretanto que no Brasil as couves do tipo manteiga “pé alto” adaptaram -se melhor.

Outra contribuição , esta indireta e bem menos honrosa para os portugueses , mas que ocorreu de fato e que hoje resultou no enriquecimento ainda maior do miscigenado povo brasileiro, foi em decorrente do tráfico de escravos promovidos pelos portugueses , o fluxo de materiais africanos , como os inhames , jiló e o maxixe, entre outros.

 A introdução de” inhames” africanos e asiáticos no Brasil deve ter sido realizados nos primeiros anos da colonização portuguesa , pois serviam , nos navios , de alimento da tripulação e dos escravos durante as longas viagens marítima dos portugueses (Ferrão 2005 ) . Os “inhames” eram alimentos estratégicos para armada portuguesa , à semelhança dos repolhos para armada Holandesa , pois reduziam o aparecimento de escorbuto durante o período das grandes navegações . O inhame da espécie Dioscorea alata foi introduzido da e as espécies D. bulbifera , D cayanensis , D . dumentorum e D rotundata são originarias da África Ocidental (Ferrão, 1992), todas cuktivadas nas regiões Norte/Nordeste do Brasil ( Pedralli et al., 2002). O taro ( Calocasia esculenta ), comumente chamado de inhameno Sudeste e Sul do Brasil, cuja origem é o Sudeste asiático e Oceania , foi outra cultura introduzida pelos portugueses na nossa dieta.

Incentivo ao consumo e à produção de hortaliças

A partir do século XVIII, intensifica-se a imigração portuguesa para o Brasil em função da descoberta de ouro nas Minas Gerais e do aprimoramento dos meios de transporte. No inicio do século XVIII, a cultura da cana -de -açucar e as mina s de ouro tornaram- se os principais motores da economia da colônia e o desenvolvimento e riqueza trazido s pelo ouro atraiu um grande contigente de colonos portugueses. O surto urbano que se deu na colônia graças à mineração fez crescer as ofertas de emprego para os portugueses, antes quase que exclusivamente rurais e, agora , profissionais do comércio .


A maior parte desses imigrantes vieram do Minho, província ao Norte de Portugal , fixando-se principalmente na região Centro-Oeste e no estado de Minas Gerais. Pela vinda em larga escala de colonos , a língua portuguesa tornou-se dominante no Brasil em meados do século XVIII, em substituição ao tu-pi guarani ou língua geral (GNU FDL 2008).

Particularmente , momento crucial e que este ano completa dois séculos , foi a vinda da família real e sua comitiva em 1808 (mais de oito mil pessoas) , elite da sociedade portuguesa . Por uns é vista como uma fuga covarde e por outros como uma estratégia de guerra . Fato é que esta medida poupou Portugal do inevitavel massacre frente ás tropas napoleônicas. E o gosto dos portugueses pela terras d’além mar foi tanto que o Rei D. João VI ficou por aqui por 13 anos , regressando à Portugal somente em virtude de percalços políticos que o obrigava a isso. Chegando ao Rio de Janeiro , em 08nde março de 1808, e instalando-se abusivamente nas casas dos senhores mais abastados , ao assumir a rotina diária, os portugueses sentiam falta de seus alimentos e passaram promover sua produção e consumo em maior escala. Consigo traziam novas culturas de couve, cenoura , cebola ,batata, alface, entre outras hortaliças.

Esta demanda e a resultante abundância de hortaliças no Brasil imperial 1853 é detalhadamente descrita por Custódio de Oliveira Lima no “ A Guia do Jardineiro – Horticultor e Lavrador Brazileiro ou Tratado Resumido e Claro Ácerca da Cultura das Flores , Hortaliças , Legumes, Fructos e Cereaes ; da Criação e Tratamento das Abelhas , Bicho da Seda, Animaes e Aves Domesticas “. Seu terceiro capitulo (das hortas, e das Searas) , aborda diversos aspectos , citando que a horticultura ou arte do horticultor não se pode aplicar a grandes terrenos . Já fala de algumas sugestões de rotação de culturas como o plantio de cebola após couves, São discutidas mais de 50 hortaliças, incluindo : abóbora , acelga, aipo, chicória , almeirão , alface (250 variedades , com três raças principais:Repolhada , crespa, romana ou orelhas de mula), alcachofra , alho, anil, azedinha, batata, (brancas, amarelas, cinzentas, violáceas, compridas, redondas), bata doce , berinjela, beterraba , borragem, cardos, cebola, cenouras(branca longa, branca redonda , amarela longa , amarela redonda, roxa de Espanha , curva de Holanda vermelha da Alemanha ), Chalotas , chicórias, coentro, couves repolho, couve flor e brocos, chus-chus ou caiota da Ilha da Madeira, espargos, espinafre, favas, grão de bico , ervilha , inhame ou girassol batateiro , lentilha , melancia , melão , morangueiro, mostarda, nabo da Suécia , hortelã, , ouregões , pastel , pepino , pimentão , pimpinela, rabão , rabanetes , ruiva, salsa ,tomates e túbarada terra. 

A contribuição especifica dos Açorianos 

O fluxo de imigrantes açorianos contribuiu marcadamente para o desenvolvimento da agricultura brasileira. A imigração dos Açores para o Brasil foi esporádica até 1617, quando se estabeleceu um contrato para o transporte de 1000 açorianos , sendo os mesmos instalados no Maranhão. Entretanto foi durante o reinado de D. João V que se efetivou a vinda de maiores leva de açorianos , quer seja para o Norte/Nordeste( Pará /Maranhão) e principalmente para a região Sul ( Silva 1994) No Sul , a colonização açoriana instalou-se principalmente em Santa Catarina e Rio Grande do Sul por decisão regulamentada pelo Conselho Ultramarino, de modo a ocupar uma região que vinha sendo ameaçada pela expansão espanhola proveniente do Prata.

Primeiro transporte de açorianos chegou ao Sul do Brasil em 1748 , após três meses de viagens em pequenos navios mercantes (Wiederspahn, 1979). Nos Açores , o excesso demográfico atingia níveis intoleráveis e a miséria grassava , resultado da da baixa produção agrícola . Assim, o recrutamento de colonos ilhéus foi a solução para os açorianos e para o governo português que precisava povoar efetivamente o Sul do Brasil. A Coroa oferecia vantagens aos colonos : passagens gratuita, um pequeno lote de terra , ferramentas agrícolas , sementes , duas vacas , uma égua e farinha suficiente para um ano. Único foco de colonização de povoamento no Brasil colônia , buscavam uma vida melhor e não somente enriquecimento . Santa Catarina recebeu 4.6123 colonos em 1748, 1666 em 1749 , 860 em 1750 e 679mem 1753 , duplicando a escassa população da capitania . Outros tantos rumaram para o Rio Grande do Sul , fixando-se ao longo do litoral . No final século XVIII, quase todo o Sul estava incorporado ao domínio português , predominando no litoral as pequenas propriedades agrícolas e no interior as grandes estâncias. 

Os açorianos reforçaram a presença lusa de Santa Catarina ao Prata e o predomínio da língua portuguesa , enquanto núcleo de resistência à expansão espanhola (GNU FDL, 2008). Introduziram seus costumes e hábitos, inclusive alimentares , trazendo consigo variedades hortaliças que , após seleção empírica pelos agricultores , formou o que hoje chamamos de germoplasma nacional, base do melhoramento genético em algumas hortaliças para as condições edafoclimáticas brasileiras.

Particularmente no caso da cebola , as cultivares introduzidas sofreram um processo de seleção pelos produtores , dando origem a diversas populações mais adaptadas às novas condições de cultivo , mais resistentes a doenças e com melhor conservação pós-colheita ( Melo et al. , 1998). A cultivar Garrafal , oriunda de Portugal , após vários ciclos de seleção , muitas vezes empírica, deu origem à cultivar Baia-Periforme (Lisbão, 1993 ). Até o advento dos híbridos importados na década de 1990, cultivar Baia-Periforme foi a cultivar de cebola mais plantada no Sudeste. Também as cultivares do tipo crioula são originarias de material trazido pelos açorianos (Bendjouya, 1980), provavelmente de origem egípcia , sendo até hoje plantada no Sul do Brasil.

Em cenoura, o germoplasma nacional ou tropical foi coletados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças (então UEPAE de Brasília ) em 1976 no Município de Rio Grande, sul do Rio Grande do Sul ( Vieira et al., 1983), aonde vinha sendo cultivado por descendentes de emigrantes açorianos, constituindo-se em base genética para o melhoramento da cenoura visando adaptação às condições climáticas tropicais. Este esforço de pesquisa culminou com o lançamento da cultivar Brasília , em 191981 , e que até os dias atuais é o material mais plantado durante o verão. Tendo a cultivar Brasilia como material básico , foram selecionadas novas populações de plantas pelas empresa privadas de sementes, gerando algo como uma dezenas de novas cultivares para o verão. Foi este material genético que permitiu a produção de cenoura em praticamente em todo território nacional, assim como a produção ao longo do ano em muitas regiões.

Conclusão

Os portugueses deixaram profundas heranças para a cultura brasileira e também para a etnicidade do povo brasileiro, Hoje, a maioria dos brasileiros tem alguma ancestralidade portuguesa, certamente , a influencia da colonização portuguesa em terras d’ além mar foi fundamental em muitos fatores do nosso dia-a-dia, determinando muitos hábitos que temos hoje, entre eles os alimentares..

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