AVALIAÇÃO DE CAPACIDADES E LIMITAÇÕES FUNCIONAIS EM CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN-RELATO DE DOIS CASOS

INTERFISIO PÓS-GRADUAÇÃO FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL

AVALIAÇÃO DE CAPACIDADES E LIMITAÇÕES FUNCIONAIS EM CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN-RELATO DE DOIS CASOS

lais jatobá

Resumo

AVALIAÇÃO DE CAPACIDADES E LIMITAÇÕES FUNCIONAIS EM CRIANÇAS COM SÍNDROME DE DOWN: RELATO DE DOIS CASOS

Resumo: A Síndrome de Down (SD) é a mais freqüente anomalia dos cromossomos autossômicos e a causa mais antiga de retardo mental. Há alterações físicas e mentais do indivíduo repercutindo em um maior período para aquisição de capacidade funcional. A atuação fisioterapêutica visa adequar o desenvolvimento motor e uma das formas de avaliação da intervenção pode ser realizada com a aplicação da escala GMFM.Este instrumento,validado para crianças com encefalopatia crônica não progressiva da infância já foi utilizada para SD por outros pesquisadores.Dessa forma,o objetivo deste estudo foi relatar dois casos de desenvolvimento de habilidades motoras grossas em crianças com SD com idade entre dois anos e três anos e onze meses seguindo a dimensão E da GMFM.Observou-se que as crianças que fizeram tratamento fisioterapêutico conseguiam desenvolver, na maioria das vezes, atividades compatíveis com sua idade.Os resultados obtidos sugerem que a intervenção multidisciplinar proporciona ganhos significativamente superiores em relação àquelas que foram submetidas a intervenção mais focais, ou seja, com menor diversidade de atuação profissional.Outros estudos são necessários para gerar evidências consistentes sobre esta temática.
Descritores: Síndrome de Down; Desenvolvimento Motor; Pediatria

S

Palavras-chave:

Abstract

FUNCTIONAL CAPACITY AND LIMITATIONS ON CHILDREN WITH DOWN SYNDROME: REPORT OF TWO CASES

Abstract:The Down syndrome (DS) is the most frequent abnormality of autosomal chromosomes and cause oldest of mental retardation. There are changes in mental and physical characteristics of the individual passed in a greater period for the purchase of functional capacity. The performance physiotherapeutic brings the development engine and one of the ways of assessing the intervention can be achieved with the application of the scale GMFM.This instrument validated for children with chronic encephalopathy not progressive of childhood had been used to SD by other researchers. Thus the objective of this study was reporting two cases of developing gross motor in children with SD aged two years and three years and eleven months following the size and the GMFM. It was observed that children who have managed to develop physiotherapeutic treatment, in most cases, activities consistent with their age. The results suggest that intervention multidisciplinary provides significantly higher earnings in relation to those subject to the most focal, or with less diversity of professional expertise. Other studies are needed to generate consistent evidence on this topic.

T

Palavras-chave: Mettzer. Formatting. Academic work.

INTRODUÇÃO

A Síndrome de Down (SD) é uma anomalia genética que promove alterações nas características físicas e mentais do indivíduo1,2 repercutindo dessa forma no atraso do desenvolvimento motor,na aquisição de capacidade funcional e déficit cognitivo3,4,5.Esta síndrome malformativa ocorre de forma aleatória em todos  os países,não apresentando como fatores causais raça e nível sociocultural do indivíduo, no entanto, é diretamente relacionada á gestantes com idade superior a 35 anos2,6,7.

A etiologia da SD pode ser por trissomia total ou padrão na qual o indivíduo apresenta todas as células do seu organismo trissômicas com um percentual de 92% a 95%.Translocação é uma outra opção de erro genético quando o cromossomo 21 encontra-se unido a outro par de cromossomos com um percentual de 4% a 6%. E por Mosaicismo há células normais e células trissômicas com percentual de 3%. No Brasil a incidência é de uma para cada seiscentos nascido vivo5.

O período que compreende de zero aos dois anos de idade é caracterizado pelo desenvolvimento da motricidade da criança normal, porém aquelas com SD apresentam aos dois anos um déficit predominantemente de aquisições motoras4 secundário à hipotonia muscular, frouxidão ligamentar e a disfunção cerebelar, já que elas apresentam um cerebelo desproporcionalmente menor6 e a falta de mielinização das fibras nervosas pré-centrais3.

A capacidade funcional das crianças com SD tende a aperfeiçoar-se ao longo da vida porque a hipotonia e a força muscular reduzida são naturalmente melhoradas á medida que a criança cresce3. No entanto, as aquisições podem ocorrer em tempo hábil através da atuação da fisioterapia. As técnicas de intervenção precoce realizadas ao longo do desenvolvimento destas crianças podem facilitar a melhora do controle cervical, aquisição do sentar, manipulação de objetos e transferências, facilitando a exploração do meio e sua independência9. As atividades resistidas recrutam diferentes tipos de fibras musculares e por isso podem também serem utilizadas5. Essas atividades devem ser adequadas ás condições e limitações de casa indivíduo, preferencialmente de forma lúdica e favorecendo a convivência social10.

A média de atraso para aquisições de habilidades motoras da criança com SD comparada com crianças com desempenho adequado para a idade seguindo o desenvolvimento neuropsicomotor normal é de um mês para rolar, dois meses para sentar, três meses para arrastar-se, três meses para engatinhar, cinco meses para ficar em ortostase e sete meses para andar8. 

A avaliação fisioterapêutica deve ser realizada de forma minuciosa. Na anamnese deve colher informações dos pais e do paciente, seguir as etapas dos exames físicos, mensurar os dados de forma objetiva sempre que possível e cobrar o diagnóstico da patologia dada pelo medico. 

As metas e objetivos do fisioterapeuta devem ser atingidos de forma lúdica, porque deste modo a criança irá se sentir motivada para continuar as atividades,sem transparecer que as tarefas pareçam obrigações e de acordo com a necessidade de cada paciente. O meio no qual a criança encontra-se deve funcionar como um estímulo, o qual irá proporcionar exploração do mesmo e de capacidades e aperfeiçoamento das aquisições motoras e intelectuais, ainda que as limitações físicas dela impeçam a realização plena das atividades.2

A escala modificada utilizada no estudo, Medida de Função Motora Ampla (GMFM), é uma escala que foi idealizada para uso de terapeutas pediátricos como medida avaliativa da habilidade motora em crianças com paralisia cerebral ou doenças cerebrais. A escolha da mesma é em função da similaridade do estudo como de Bodhin, Robinson e Perales11, 2003. Nela contam 88 itens que avaliam as funções motoras em diferentes dimensões. A pontuação é de zero a três para cada tarefa determinada12.

Evidências científicas de mensuração de habilidade funcional baseando-se em um instrumento de medida e a influência de diferentes terapias e prática esportiva em crianças com SD não foram localizadas em bases de dados nacionais e internacionais. Nesse sentido, objetivou-se relatar dois casos de desenvolvimento de aquisições motoras em crianças com SD com idade entre dois anos e três anos e onze meses seguindo a dimensão da GMFM no Centro de Atendimento Tatiana Moraes na cidade de Campo Formoso.

Relato dos Casos

MATERIAL E MÉTODOS

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo denotam que a criança com maior pontuação foi a submetida a maior diversidade de terapias, seguida da que teve maior tempo de tratamento e idade mais avançada.As avaliações de habilidades motoras puderam ser realizadas com a aplicação da escala modificada GMFM. As atividades que envolviam subir e descer escadas alternando os pés e sem apoio nas mãos, saltar em apoio unipodal e deambular com base de sustentação alargada foram as mais complexas para as crianças realizarem.

Moreira, Hani e Gusmão 9,2000 no seu estudo de revisão de literatura com indivíduos com SD concluíram que tratamento com diferentes acompanhamentos profissionais, em especial fisioterapia e fonoaudiologia, são de fundamentais importância para o desenvolvimento motor,cognitivo e social nesta população.Estes resultados podem ser comparados com o presente estudo e outros13,14,15 nos quis há concordância que as crianças que fizeram acompanhamento com equipe multidisciplinar obtiveram maiores ganhos na capacidade motora grossa.

Estudos mostram que o período prolongado de tratamento fisioterapêutico proporciona vantagens na prática de habilidades motoras3,13,15.Amaral, Tabaquim e Lamônica14, 2005, em seu estudo comparativo entre crianças saudáveis e as que tiveram intercorrências peri, pré ou pós natal e cursaram com atraso no desenvolvimento,confirmaram a importância da intervenção em tempo hábil, a qual favorecia o desenvolvimento dasáreas motoras, da linguagem e cognitiva.Estas evoluções foram proporcionadas pela organização da plasticidade neural.No presente estudo houve divergência com a literatura, já que o caso dois foi submetido a um período de tratamento superior aos demais, entretanto não obteve o melhor resultado em relação a outra criança.

Mancini et al4,2003,em seu trabalho compararam o seu desempenho funcional de crianças com SD com as que apresentavam desenvolvimento normal.Concluíram com o uso do Pediatric Evolution of Disabilility Inventory (PEDI), instrumento padronizado norte americano que documenta de forma quantitativa a capacidade funcional da criança que a idade beneficia o desempenho motor desta população.Apesar dos autores16,17 afirmarem esta vantagem, o resultado desse estudo mostrou-se divergente ,como observado com a criança do caso 2. 

No estudo realizado por Gimenez, Manoel, Basso13,2006, com crianças e adultos com desenvolvimento adequado e com SD utilizando atividades em progrmas de computadores, concluíram que os indivíduos com SD necessitam de quantidade e qualidade de prática maior para estabilizar e otimizar o seu desempenho.

A similaridade com o estudo de Bodhin,Robson e Perales11,2003,na utilização da GMFM em crianças com SD e as encefalopatia crônica não progressiva da infância(ECNPI),favoreceu a quantificação das habilidades motoras grossas na população estudada.Ainda que a escala tenha sido validada para indivíduos com ECNPI, no seu estudo ele afirma a eficácia da utilização deste instrumento para a população com SD.

Levitt18,2001, descreveu que a idade preconizada para crianças com desenvolvimento adequado ser capaz de subir degraus alternando os pés e com os membros superiores livres seria aos três anos.Para descer os degraus nestas condições, seria aos quatro anos e seis meses.Estes relatos justificam o fato das crianças em estudo ter apresentado dificuldades nestas atividades, já que elas apresentam predominantemente idade inferior a três anos.A dificuldade foi semelhante na avaliação que envolvia saltar de um degrau com os pés juntos.Baseando-se no desenvolvimento motor normal, o período previsto para realização desta tarefa seria aos dois anos e cinco meses, entretanto as com SD apresentam um atraso previsível.

Ratliffe 8, 2002,preconiza que a criança entre três e quatro anos e com habilidades motoras grossas adequadas à idade consiga saltar sobre um pé.Os resultados do presente estudo foram similares, ainda que comparada com populações diferentes.a única população obtida neste quesito foi a da criança que praticava diferentes terapias, todavia com dificuldades já que esta apresentava idade inferior a três anos.

A população do presente estudo apresenta idade inferior aos quatro anos,o que justifica a não pontuação na atividade que envolvia deambular com uma base de sustentação reduzida.Este dado concorda com a literatura.Levitt18,2001, afirma que seria aos quatro anos de idade o período esperado para crianças com desenvolvimento compatível com a idade conseguissem realizar esta tarefa, sendo assim os resultados obtidos de acordo com a literatura. 

Salienta-se como vantagens deste estudo relatar dois casos de avaliação de habilidades motoras, avanço de um tipo de conhecimento indispensável para a credibilidade de estudos com população pouco abordada em território nacional, produzir coleta de dados primários, favorecer política de intervenção e qualidade de vida.Por outro lado,o número de casos reduzidos, a ocorrência de perdas dos mesmos e a utilização de um instrumento ainda não validado para a população estudada representa limitações.

Conclusão

Este estudo permite concluir que na avaliação de habilidades motoras em
crianças com Síndrome de Down deve-se atentar para a importância dos
aspectos interventivos. A otimização dos recursos estruturais e
funcionais, os quais favorecem o desenvolvimento motor, que pode ser
observado pela aplicação da Dimensão E da escala GMFM. Atrasos no
desenvolvimento motor de crianças com SD são achados comuns em estudos
com esta população. Entretanto, identificar em que as ações se encontram
esses atrasos podem sugerir condutas fisioterapêuticas que poderão, no
futuro, melhorar o desempenho destas crianças.Considerando
que houveram relatos de poucos casos, a realização de futuros estudos
serão necessárias para constatar a importância das abordagens e
limitações de cada terapia dentro da equipe multidisciplinar.Pesquisas
deverão se feitas com um maior número amostral a fim de constatar a
efetividade da GMFM em outras populações e torná-la um instrumento de
avaliação comum entre os profissionais pediatras.






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