ARQUITETURA E URBANISMO

UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

ARQUITETURA E URBANISMO

DOMINIQUE OLIVAR

Ramom nogueira

Duane oliveira

Rodrigo massoni

Introdução

A Arquitetura do Renascimento ou Renascentista foi gerada durante os séculos XIV, XV e XVI do Renascimento europeu. Caracteriza-se por ser um momento de ruptura na História da Arquitetura nos meios de produção da arquitetura, na linguagem arquitetônica adotada e na sua teorização.

Esta ruptura, que se manifesta a partir do Renascimento, representava atitudes mais profissionais e independentes dos arquitetos em relação à sua arte, ou seja, incrementavam a originalidade e estilo pessoal. Conjuntamente com a retomada de valores da vertente arquitetônica da Antiguidade Clássica.

Caracteriza-se uma arquitetura que busca a beleza ao extremo, a disposição ordenada dos elementos de um prédio, a tradução da esfera das idéias nas linhas dos edifícios, os arcos de volta-perfeita. A influência da composição formal da natureza, vista como modelo de perfeição. Também a naturalidade das obras, com forte presença dos aspectos humanistas e a utilização sistemática das perspectivas, com conjunto de regras matemáticas e de desenho que reproduziam sobre uma folha de papel ou sobre qualquer superfície plana o aspecto real dos objetos.

Será apresentado os arquitetos renascentistas e suas respectivas obras mais notáveis como exemplos Leon Battista, Andrea Palladio e Michelangelo Buonarotti. Com descrição e exemplificações de construções mais comuns da época como palácios, igrejas, vilas com suas casas de repouso, fortalezas com suas funções militares e a concepção do planejamento urbanístico.

ARQUITETURA RENASCENTISTA

O renascimento foi um movimento intelectual e cultural que iniciou por volta do século XIV na Itália e logo se espelhou por toda Europa. A principal característica do movimento renascentista foi sua busca por compreender a humanidade como um todo. Essa preocupação orientou o desenvolvimento das ciências, da política, das arteCs e até da religião.

CARACTERÍSTICAS GERAIS

A arquitetura do Renascimento está bastante comprometida com uma visão mundo assente em dois pilares essenciais: o Classicismo e o Humanismo. Além disso, vale lembrar que, ainda que ela surja não totalmente desvinculada dos valores e hábitos medievais, os conceitos que estão por trás desta arquitetura são os de uma efetiva e consciente ruptura com a produção artística da Idade Média (em especial com o estilo gótico).

  • ESTILOS:
    • Planos – Eram idealizados levando em consideração a simetria, conseguida graças às semelhanças das partes que ficavam de cada lado das linhas centrais axiais;
    • Interiores – Com recessos quadrangulares e abobados cruzados com uma cúpula central;
  • Torres – Raras, ás vezes única e quando existentes são simétricas. A cúpula e o aspecto externo predominaram;
  • Telhados – Com pequeno caimento, devido à influência clássica, ou arredondados;
  • Aberturas – Arcada de arcos semicirculares, especialmente nas construções civis;
  • Arcos e Abóbadas – Semicirculares, de caráter romano;
  • Janelas – Em geral tem as linhas clássicas e eram pequenas devido ao clima da Itália;
  • Portas e Janelas – Colocadas em simetria umas acima das outras ;
  • Paredes Externas – O tratamento varia em cada país. Na Itália são lisas com tratamento especial. Ás vezes há balaustrados. Na Inglaterra, Alemanha e França são altas. Sua construção era de alvenaria de pedra ou então de tijolo, em cursos regulares.

FASES DO RENASCENTISMO    

É possível fazer uma divisão entre as grandes fases do Renascimento na Itália:

A primeira renascença, aproximadamente entre 1400 e 1500, tendo Florença como centro dominante e se expandindo ao norte; Milão, Verona, Ferrara, Veneza, etc. também chamada de Trecento ou pré renascimento.

A Renascença Romana entre 1500 e 1550, também chamada de Quattrocento, correspondente ao apogeu do esplendor dos grandes papas e das grandes realizações. Em tal período dominou uma simetria flexível nas obras.

Período Final ou Cinquecento, compreendendo ainda Roma, fase que assinala alto grau de elaboração das obras, um rigor simétrico e o início do Barroco. Abrangerá entre 1550 e 1650. 

IDEIA    

As ideias no renascimento buscam inspiração na Antiguidade clássica. A nova expressão nascida assim, idealista, generalizadora, planificadora, sintética, unitária, encontrou através do seu próprio método valores novos na matemática – a medida e as proporções – na simplicidade e na grandeza. O Renascimento na verdade nasceu de uma vasta corrente de causas que afetavam aos núcleos mais dinâmicos de Europa, mas em nenhum lugar assumiu a importância que alcançou nos países baixos e na Toscana (Itália), onde a economia de uma burguesia empreendedora se via favorecida por uma relativa liberdade política. A idealização da realidade motivou que a arte florentina, que intentava ser de uma construtividade perfeita e platônica, constitui-se de fato um belo canto à saúde, à juventude, à vitalidade e à alegria de viver. Por outro lado, imaginando ser realistas, esqueceu-se do feio, do velho, do doente e do triste. Para os italianos, que tinham plena consciência de que, no passado, a Itália, tendo Roma como capital, fora o centro do mundo civilizado, a ideia de um renascimento associava-se à ideia de uma ressurreição da “grandeza de Roma”. Um ponto de partida para os arquitetos do Renascimento foi a redescoberta e divulgação de Vitrúvio e dos seus Dez Livros de Arquitetura cuja repercussão seria imensa. Vitrúvio exaltava o primado da geometria e assinalava o círculo como forma perfeita. Um dos ideais perseguidos pelos grandes arquitetos é o da planta centrada. Ao contrário da cruz latina tradicional das obras primas da arquitetura gótica, os homens do renascimento vão perseguir na cruz grega um ideal por eles sempre sonhado e várias vezes realizado.   

Método As ideias no renascimento buscam inspiração na Antiguidade clássica. A nova expressão nascida assim, idealista, generalizadora, planificadora, sintética, unitária, encontrou através do seu próprio método valores novos na matemática – a medida e as proporções – na simplicidade e na grandeza.

O Renascimento na verdade nasceu de uma vasta corrente de causas que afetavam aos núcleos mais dinâmicos de Europa, mas em nenhum lugar assumiu a importância que alcançou nos países baixos e na Toscana (Itália), onde a economia de uma burguesia empreendedora se via favorecida por uma relativa liberdade política. A idealização da realidade motivou que a arte florentina, que intentava ser de uma construtividade perfeita e platônica, constitui-se de fato um belo canto à saúde, à juventude, à vitalidade e à alegria de viver. Por outro lado, imaginando ser realistas, esqueceu-se do feio, do velho, do doente e do triste. Para os italianos, que tinham plena consciência de que, no passado, a Itália, tendo Roma como capital, fora o centro do mundo civilizado, a ideia de um renascimento associava-se à ideia de uma ressurreição da “grandeza de Roma”. Um ponto de partida para os arquitetos do Renascimento foi a redescoberta e divulgação de Vitrúvio e dos seus Dez Livros de Arquitetura cuja repercussão seria imensa. Vitrúvio exaltava o primado da geometria e assinalava o círculo como forma perfeita. Um dos ideais perseguidos pelos grandes arquitetos é o da planta centrada. Ao contrário da cruz latina tradicional das obras primas da arquitetura gótica, os homens do renascimento vão perseguir na cruz grega um ideal por eles sempre sonhado e várias vezes realizado. 

A arte renascentista é uma arte de pesquisa, de invenções, inovações e aperfeiçoamentos técnicos. Anda paralelamente as descobertas da física, matemática (perspectiva de Brunelleschi), da geometria, da anatomia (estudos de Michelangelo), da engenharia (estudos de Leonardo da Vinci) e da filosofia.

Como por exemplo: É difícil definir um método comum a todos os artistas do renascimento. Cada qual adotou o seu próprio sistema utilizando sim alguns fatores em comum: O detalhe parece constituir uma existência à parte, voltada para si todas as atenções. Grande preocupação arquitetônica com a fachada frontal. Busca a estratificação por planos distintos, causando a impressão de profundidade. Procuram a representação total do espaço, através da modulação linear e das superfícies curvas. Todo complexo arquitetônico é uma unidade perfeita. Concentração de elementos expressivos, de efeito extraordinário e de proporções geométricas. Apresentava apenas uma quantidade de ornamentos que pudesse ser assinalada na visão do conjunto. Almejavam aspirar a vontade humana. Articulavam a beleza aos elementos construtivos, tornando-o algo perfeito, complexo e fechado em si mesmo. A cor encontra-se a serviço da forma, no conjunto, não somente nos detalhes. A rua como um organismo arquitetônico autônomo e o edifício como um bloco quadrado, um espaço vazio e aberto definido pela qualidade formal dos planos laterais. Levava em conta sempre a proporção humana visando sua adaptação ao pé direito e à amplitude do ambiente. 

 OS ARQUITETOS DO RENASCIMENTO

  • Filipo Brunelleschi (1377 – 1446) – Foi o primeiro arquiteto a estudar com profundidade a arquitetura antiga buscando medir monumentos rigorosamente e procurando métodos para transpor as relações métricas para o papel. Por meio de seus estudos e utilizando-se de criatividade e destreza, Brunelleschi combinou os elementos clássicos sem quebrar o ritmo, introduzindo um novo tipo de abóbada cuja superfície curva era formada pela parte superior de uma cúpula de raio igual a metade da diagonal do compartimento quadrado na qual seria sobreposta. Seus arcos assentavam sobre colunas nas paredes externas evidenciando os contornos ou juntas das unidades. Evitando as arestas e nervuras, Brunelleschi criou uma abóbada “de uma só peça” simples e geometricamente regular que fez de cada trama, uma unidade distinta. Com o ressurgimento das formas e proporções clássicas, Brunelleschi transformou a linguagem arquitetônica da época num sistema estável, preciso e baseado em estudos científicos. Brunelleschi fez seu aprendizado como ourives, porém, foi atraído pela arquitetura, tornando-se engenheiro e projetista de edifícios. Em sua arquitetura existem diferenças entre o aspecto da engenharia e a utilização da ornamentação clássica.Sua primeira grande obra foi a construção da cúpula da Catedral de Florença, para qual inventou um sistema de andaimes e um método de construção com tijolos. O domo da Catedral foi concebido em escala comparada às ruínas romanas. Brunelleschi foi considerado o pai da engenharia moderna pelas suas descobertas como a perspectiva matemática e pela introdução do projeto de igrejas em plano central, que substituíram a antiga basílica medieval. A principal técnica desenvolvida por ele foi a de construir duas células, uma apoiando a outra, encimadas por uma cúpula estabilizando o conjunto.
  • Donato Bramante (1444 – 1514)– Foi considerado o criador da arquitetura do Alto Renascimento. Seu estilo surgiu por completo na construção do Tempietto de San Pietro in Montorio, Roma. Este edifício parte de uma plataforma de três degraus, apresentando a rígida ordem dórica clássica nas colunatas. Nas paredes, nichos profundos são contrabalançados pela forma convexa da cúpula e pelos modelados e cornijas acentuadas, apresentando monumentalidade apesar de suas modestas dimensões. Este é o exemplo perfeito da igreja com planta central encimada por um domo, expressando as ideias renascentistas de ordem, simplicidade e harmonia nas proporções.

RENASCIMENTO LITERÁRIO  

O Renascimento deu origem à grandes gênios da literatura, entre eles:

  • Dante Alighieri: escritor italiano autor do grande poema “Divina Comédia”.
  • Maquiavel: autor de “O Príncipe”, obra precursora da ciência política onde o autor dá conselhos aos governadores da época.
  • Shakespeare: considerado um dos maiores dramaturgos de todos os tempos. Abordou em sua obra os conflitos humanos nas mais diversas dimensões: pessoais, sociais, políticas. Escreveu comédias e tragédias, como “Romeu e Julieta”, “Macbeth”, “A Megera Domada”, “Otelo” e várias outras.
  • Miguel de Cervantes: autor espanhol da obra “Dom Quixote”, uma crítica contundente da cavalaria medieval.
  • Luís de Camões: teve destaque na literatura renascentista em Portugal, sendo autor do grande poema épico “Os Lusíadas”.

RENASCENTISMO ARTÍSTICO  

No sécuxo XVI, o principal centro de arte renascentista passou a ser Roma. Os principais artistas plásticos do renascimento foram:

  • Leonardo da Vinci: Matemático, físico, anatomista, inventor, arquiteto, escultor e pintor, ele foi um gênio absoluto. A Mona Lisa e A Última Ceia são suas obras primas.
  • Rafael Sanzio: Foi um mestre da pintura, famoso pela doçura de suas madonas. A Madona do Prado foi considerada a mais perfeita.
  • Michelangelo: artista italiano cuja obra foi marcada pelo humanismo. Além de pintor foi um dos maiores escultores do Renascimento. Entre suas obras destacam-se a Pietá, David, O teto da Capela Sistina, A Criação de Adão e O Juízo Final.

RENASCIMENTO CIENTÍFICO 

O Renascimento foi marcado por importantes descobertas científicas, notadamente nos campos da astronomia, da física, da medicina, da matemática e da geografia.

  • O polonês Nicolau Copérnico– que negou a teoria geocêntrica defendida pela Igreja, ao afirmar que “a terra não é o centro do universo, mas simplesmente um planeta que gira em torno do Sol”.
  • Galileu Galilei – descobriu os anéis de Saturno, as manchas solares, os satélites de Júpiter. Perseguido e ameaçado pela Igreja, Galileu foi obrigado a negar publicamente suas ideias e descobertas.

Na medicina os conhecimentos avançaram com trabalhos e experiências sobre circulação sanguínea, métodos de cauterização e princípios gerais de anatomia.

 


FASES DO RENASCENTISMO    

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Estilo barroco

Barroco é o nome dado ao estilo artístico que floresceu entre o final do século XVI e meados do século XVIII, inicialmente na Itália, difundindo-se em seguida pelos países católicos da Europa e da América, antes de atingir, em uma forma modificada, as áreas protestantes e alguns pontos do Oriente.

Considerado como o estilo correspondente ao absolutismo e à Contrarreforma, distingue-se pelo esplendor exuberante. De certo modo o Barroco foi uma continuação natural do Renascimento, porque ambos os movimentos compartilharam de um profundo interesse pela arte da Antiguidade clássica, embora interpretando-a diferentemente. Enquanto no Renascimento o tratamento das temáticas enfatizava qualidades de moderação, economia formal, austeridade, equilíbrio e harmonia, o tratamento barroco de temas idênticos mostrava maior dinamismo, contrastes mais fortes, maior dramaticidade, exuberância e realismo e uma tendência ao decorativo, além de manifestar uma tensão entre o gosto pela materialidade opulenta e as demandas de uma vida espiritual. Mas nem sempre essas características são bem evidentes ou se apresentam todas ao mesmo tempo. Houve uma grande variedade de abordagens que foram englobadas sob a denominação genérica de “arte barroca”, com certas escolas mais próximas do classicismo renascentista e outras mais afastadas dele, o que tem gerado muita polêmica e pouco consenso na conceituação e caracterização do estilo.

Para diversos pesquisadores o Barroco constitui não apenas um estilo artístico, mas todo um período histórico e um movimento sociocultural, onde se formularam novos modos de entender o mundo, o homem e Deus. As mudanças introduzidas pelo espírito barroco se originaram, pois, de um grande respeito pela autoridade da tradição clássica, e de um desejo de superá-la com a criação de obras originais, dentro de um contexto que já se havia modificado profundamente em relação ao período anterior.

Estilo barroco
Estilo barrocoOs autores (2017)

• Antecedentes

Giambologna: O rapto da Sabina, 1582. Florença, uma das mais conhecidas obras do Maneirismo

Desde o Renascimento a Itália se tornara o maior polo de atração de artistas em toda a Europa, e no início do século XVI Roma, sede do Papado católico e capital dos Estados Pontifícios, se tornara o maior centro irradiador de influência artística, tendo a Igreja como o mais pródigo mecenas. Mas desde lá, tendo passado por invasões dramáticas, como a que culminou no Saque de Roma de 1527, e sofrendo com agitação interna, a Itália havia perdido muito prestígio e força, ainda que continuasse a ser a maior referência na cultura europeia. A atmosfera otimista do Renascimento havia se desvanecido. Os progressos na filosofia, nas ciências e nas artes, o florescer do humanismo, não evitaram os ódios e guerras, e a fé no homem como imagem da Divindade e no mundo como um novo Éden em potencial – um moto recorrente no Renascimento – se deparava com o cinismo e a brutalidade da política, a vaidade do clero, a eterna opressão do povo, surgindo uma nova corrente cultural a que se deu o nome de Maneirismo – erudita, sofisticada, experimental, mas carregada de dúvidas e agitação, e dada a excentricidades e ao cultivo do bizarro. Na religião, o poder papal teve de enfrentar a Reforma Protestante, um evento com amplas repercussões políticas e sociais, que pôs um fim à unidade do Cristianismo e solapou a influência católica sobre os assuntos seculares de toda a Europa, que antes era imensa. Além das diferenças de doutrina, onde se incluía a condenação do culto às imagens, os protestantes denunciaram o luxo excessivo dos templos e a corrupção do clero católico. Suas igrejas rapidamente se esvaziaram de estátuas e pinturas devocionais e de decoração. A reação católica foi orquestrada a partir da convocação do Concílio de Trento (1545-1563), o marco inicial da Contrarreforma, numa tentativa de refrear a evasão de fiéis para o lado protestante e a perda de influência política da Igreja. Ao mesmo tempo que fazia uma revisão na doutrina, estabelecendo uma nova abordagem do conceito de Deus, a Contrarreforma tentou moralizar o clero e disciplinou a produção de arte sacra, buscando utilizá-la como instrumento de proselitismo. Longas guerras de religião seguiriam o cisma protestante nas décadas seguintes, devastando muitas regiões. Na economia, a abertura de novas rotas comerciais em vista das grandes navegações deixou a Itália fora do centro do comércio internacional, deslocando o eixo econômico para as nações do oeste europeu. Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Países Baixos eram as novas potências navais, cuja ascensão política era financiada pelas riquezas coloniais e o comércio em expansão. A arte desses países se beneficiou enormemente desse novo afluxo de riquezas. Murray Edelman, fazendo um balanço da arte deste período, disse que:

“Os pintores e escritores maneiristas do século XVI eram menos “realistas” do que seus predecessores da Alta Renascença, mas eles reconheceram e ensinaram muito sobre como a vida pode se tornar motivo de perplexidade: através da sensualidade, do horror, do reconhecimento da vulnerabilidade, da melancolia, do lúdico, da ironia, da ambiguidade e da atenção a diversas situações sociais e naturais. Suas concepções tanto reforçaram como refletiram a preocupação com a qualidade da vida cotidiana, com o desejo de experimentar e inovar, e com outros impulsos de índole política…. É possível que toda arte apresente esta postura, mas o Maneirismo a tornou especialmente visível”

Estilo barroco
Estilo barrocoOs autores (2017)

• Um novo contexto

Andrea Pozzo: Apoteose de Santo Inácio, teto da Igreja de Santo Inácio de Loyola, Roma

Estilo barroco
Estilo barrocoOs autores (2017)

Estilo barroco
Estilo barrocoOs autores (2017)

Jacob Jordaens: A família do artista, Museu do Prado

Antoine Coysevox: A Fama do Rei cavalgando Pégaso, originalmente no Parque de Marly, hoje no Louvre

A convocação do Concilio de Trento teve profundas consequências para a arte produzida na área de influência da Igreja Católica: a teologia assumiu o controle e impôs restrições às excentricidades maneiristas buscando reiterar a continuidade da tradição católica, recuperar o decoro na representação, criar uma arte mais compreensível pelo povo e homogeneizar o estilo. Desde então tudo devia ser submetido de antemão ao crivo dos censores, desde o tema, a forma de tratamento e até mesmo a escolha das cores e dos gestos dos personagens. Nesse processo a Ordem dos Jesuítas foi de especial importância. Afamados pelo seu refinado preparo intelectual, teológico e artístico, os jesuítas exerceram enorme influência na determinação dos rumos estéticos e ideológicos seguidos pela arte católica, estendendo sua presença para a América e o Oriente através de suas numerosas missões de evangelização. Também foram grandes responsáveis pela preservação da tradição do Humanismo renascentista, e, longe de serem conservadores como às vezes foram considerados, atuaram na vanguarda da arte da época e promoveram o maior movimento de revivalismo da filosofia do classicismo pagão desde aquele patrocinado por Lorenzo de’ Medici no século XV..

Nesse novo cenário, a arte palaciana e sofisticada do Maneirismo já não encontrava lugar, e se tornara especialmente imprópria para a representação sacra. Enfrentando a poderosa concorrência protestante, que lhe roubava multidões, a orientação da Igreja Católica agora era na direção de se produzir uma arte que pudesse cooptar a massa do povo, apelando para o sensacionalismo e uma emocionalidade intensa. O estilo produzido por este programa se provou desde logo ambíguo: pregava a espiritualidade mas usava de todos os meios materiais para a sensibilização sensorial do público. As imagens eram criadas com formas naturalistas como meio de serem imediatamente compreendidas pelo povo inculto, mas faziam uso de complexos recursos ilusionísticos e dramáticos, de efeito grandioso e teatral, para acentuar o apelo visual e emotivo e estimular a piedade e a devoção. São especialmente ilustrativos os grandes painéis pintados nos tetos nas igrejas católicas nesse período, que aparentemente dissolvem a arquitetura e se abrem para visões sublimes do Paraíso, povoado de santos, anjos e do Cristo. Ainda que alimentado pelo movimento contrarreformista, o Barroco não se limitou ao mundo católico, afetando também áreas protestantes como a Alemanha, Países Baixos e Inglaterra, mas por outros motivos, descritos adiante.

Outro elemento de importância para a formação da estética barroca foi a consolidação das monarquias absolutistas, que através da arte procuraram consagrar os valores que defendiam. Os palácios reais passaram a ser construídos em escala monumental, a fim de exibir visivelmente o poder e a grandeza dos Estados centralizados, e o maior exemplo dessa tendência é o Palácio de Versalhes, erguido a mando de Luís XIV da França. Por outro lado, nesta mesma época a burguesia começou a se afirmar como uma classe economicamente influente, e com isso passou a se educar e abrir um novo mercado consumidor de arte. Tendo preferências estéticas distintas da realeza, foi importante para a formação de certas escolas barrocas mais ligadas ao realismo. Por fim, outra força ativa foi um renovado interesse no mundo natural e uma gradativa ampliação dos horizontes culturais através da exploração do globo e do desenvolvimento da ciência, que trouxeram uma consciência da insignificância do homem em meio à vastidão do universo e da insuspeitada complexidade da natureza. O desenvolvimento da pintura de paisagem durante o Barroco foi um reflexo desses novos descobrimentos.

Na economia a principal mudança foi a formação de um sistema de mercado internacional através do desenvolvimento do sistema colonial nas Américas e Oriente, com a escravidão como uma das bases de seu funcionamento. O sistema bancário também foi aprimorado, as práticas de comércio se tornaram mais complexas e a importação de produtos coloniais, como o café, tabaco, arroz e açúcar, transformou hábitos culturais e a dieta. Junto com a afluência para a Europa de outros bens da colônia, incluindo grandes quantidades de ouro, prata e diamantes, o sucesso do sistema mercantil europeu enriqueceu o continente e afetou as relações sociais e políticas, originando novas regras de diplomacia e etiqueta, além de financiar um grande florescimento artístico.

Os séculos XVII e XVIII, período principal de vigência do Barroco, continuaram a ser marcados por numerosas mudanças na situação política europeia e pelo conflito constante. Foi assinalado que entre 1562 e 1721 a Europa como um todo não conheceu a paz senão em quatro anos. A maior guerra deste período foi a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), que envolveu a Espanha, França, Suécia, Dinamarca, Países Baixos, Áustria, Polônia, Império Otomano e Sacro Império. De início desencadeada pela disputa entre católicos e protestantes, logo repercutiu para o campo secular em questões dinásticas e nacionalistas. Na conclusão do confronto, a Paz de Vestfália determinou uma reorganização ampla na geografia política continental, favoreceu o fortalecimento de Estados absolutistas, enfraqueceu outros, mas reconheceu a impossibilidade da reunificação do Cristianismo, que foi deslocado como força política pelas realidades práticas da política secular.

Estilo barroco
Estilo barrocoOs autores (2017)

• Escultura

Pierre Legros: A Religião derrotando a Heresia e o Ódio, Igreja de Jesus, Roma

Estilo barroco
Estilo barrocoOs autores (2017)

Aleijadinho: Passo da Paixão, no estilo dos sacro montes, no Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Congonhas

Estilo barroco
Estilo barrocoOs autores (2017)

A Contrarreforma deu uma atenção redobrada à imaginária sacra, seguindo antiga tradição que afirmava que as imagens de santos, pintadas ou esculpidas, eram intermediários para a comunicação dos homens com as esferas espirituais. São João da Cruz afirmava que havia uma relação recíproca entre Deus e os fiéis que era mediada pelas imagens, e vários outros religiosos católicos, como São Carlos Borromeu e Roberto Bellarmino reiteraram sua importância no culto, mas o valor delas havia sido negado pelos protestantes, o que desencadeou grandes movimentos iconoclastas em várias regiões protestantes que provocaram a destruição de incontáveis obras de arte. A imaginária sacra, então, voltou a ser vista como elemento central no culto católico, fazia parte de um conjunto de instrumentos usados pela Igreja para invocar emoções específicas nos fiéis e levá-los à meditação espiritual. Num tratado teórico sobre o assunto, Gabriele Paleotti as defendeu a partir da ideia de que elas ofereciam para o fiel inculto uma espécie de Bíblia visual, a Biblia pauperum, enfatizando sua função pedagógica e seu paralelo com o sermão verbal. Mas considerou ainda a função da excitatio, a possibilidade de mexer com a imaginação e as emoções do povo, transferindo para a arte sacra a tipologia da retórica. Nem a liberdade artística deveria ser tolhida nem os teóricos desenvolveriam prescrições estilísticas propriamente ditas, apenas orientações normativas e morais. As imagens deveriam cumprir com o quesito de serem instrutivas e moralmente exemplares para os fiéis, buscando persuadí-los. Através da transmissão da fé “correta” aos fiéis, o artista adquiria um papel teologizante, e o próprio espectador em movimento pela igreja tornava-se uma peça do cenário deste “teatro da fé”.[70] Como disse Jens Baumgarten,

“O teorema jesuítico pós-tridentino e sua nova concepção da imagem em si, os modelos romanos, a representação do poder e a liturgia encontram-se e fundem-se numa síntese. Sem a imagem perfeita não há fé correta. A nova ênfase dada às imagens une-se a uma nova visão da sociedade. As mudanças ocorridas até 1600 levariam à construção de uma nova perspectiva eclesiástica e iconográfica que acabou desembocando no ilusionismo perspectivista, unido elementos de emocionalidade irracional com a transformação plástica de conceitos teológicos intransigentes”.]

Dentro desse espírito, na escultura é de assinalar o desenvolvimento de um gênero de composição grupal chamado de “sacro monte”, concebido pela Igreja e rapidamente difundido por outros países. Trata-se de um conjunto que reproduz a Paixão de Cristo ou outras cenas piedosas, com figuras policromas em atitudes realistas e dramáticas em um arranjo teatralizado, e destinadas a comover o público.] Deste instrumental pedagógico católico fazia parte ainda a construção de cenários nos quais eram inseridas as estátuas a fim de criar ainda maior ilusão de realidade, numa concepção verdadeiramente teatral. Às vezes tais grupos eram confeccionados de forma a poderem ser movidos e transportados sobre carros em procissões, criando-se uma nova categoria escultórica, a das estátuas de roca em madeira. Para aumentar o efeito mimético muitas possuíam membros articulados, para que pudessem ser manipuladas como marionetes, assumindo uma gestualidade eficiente e evocativa, variável de acordo com o progresso da ação cênica. Recebiam roupagens que imitavam as de pessoas vivas, e pintura que assemelhava à carne humana. E para maior ilusão seus olhos podiam ser de vidro ou cristal, as cabeleiras naturais, as lágrimas de resina brilhante, os dentes e unhas de marfim ou osso, e a preciosidade do sangue das chagas dos mártires e do Cristo flagelado podia ser enfatizada com a aplicação de rubis. Assim, nada melhor para coroar a participação do público devoto na re-criação da realidade mística do que permitir que a ação se desenrolasse em espaço aberto, na procissão, onde a movimentação física do fiel ao longo do trajeto poderia propiciar a estimulação da pessoa como um todo, diferentemente da contemplação estática diante de uma imagem em um altar. Nos casos em que o “sacro monte” deveria ser levado às ruas, usualmente era simplificado a uma sugestão de rochas ou numa gruta. Conforme a ocasião, a gruta ou rocha poderiam representar o Monte Sinai, o Monte Tabor, o Monte das Oliveiras, a Gruta da Natividade, a rocha da Tentação de Cristo ou outros locais impregnados de significado. Algumas vezes o cenário rochoso era substituído por outro arquitetônico, especialmente após o trabalho de Andrea Pozzo, codificador da perspectiva ilusionística arquitetônica que foi largamente empregada na decoração de templos católicos. Com os mesmos fins práticos, para aliviar o peso do conjunto, as imagens eram entalhadas apenas parcialmente, com acabamento só nas partes que deveriam ser vistas pelo público, como as mãos, cabeça e pés, e o restante do corpo consistia em uma simples estrutura de ripas ou armação oca coberta pela roupa de tecido

• Pintura

Andrea Pozzo, codificando a técnica da perspectiva arquitetônica ilusionística em seu tratado Perspectiva Pictorum et Architectorum, foi o responsável pela divulgação em larga escala de uma das mais típicas modalidades de pintura do Barroco, a criação de grandes tetos pintados onde as paredes do templo parecem continuar para cima e se abrir para o céu, oferecendo a visão de uma epifania onde santos, anjos e Cristo parecem descer entre nuvens e resplendores de glória. A técnica não era inteiramente nova e já havia sido praticada por outros como Correggio e Michelangelo no Maneirismo, mas o tratado de Pozzo se tornou canônico, sendo traduzido para várias línguas ocidentais, e até para o chinês. Enquanto que seus predecessores continham o céu num espaço mais limitado, Pozzo e seus seguidores buscaram deliberadamente uma impressão de infinitude.

Estilo barroco
Estilo barrocoOs autores (2017)

José de Ribera: São Bartolomeu, Castelo Rohrau

Também típica da pintura barroca foi a corrente dedicada à exploração especialmente dramática dos contrastes de luz e sombra, a chamada escola Tenebrista. Seu nome deriva de tenebra (treva, em latim), e é uma radicalização do princípio do chiaroscuro. Teve precedentes na Renascença e se desenvolveu com maior força a partir da obra do italiano Michelangelo Merisi, dito Caravaggio, sendo praticada também por outros artistas da Espanha, Países Baixos e França. Como corrente estilística teve curta duração, mas em termos de técnica representou uma importante conquista, que foi incorporada à história da pintura ocidental. Por vezes o Tenebrismo é entendido como sinônimo de Caravaggismo, mas não são coisas idênticas. Os intensos contrastes de luz e sombra emprestam um aspecto monumental aos personagens, e embora exagerada, é uma iluminação que aumenta a sensação de realismo. Torna mais evidentes as expressões faciais, a musculatura adquire valores escultóricos, e se enfatizam o primeiro plano e o movimento. Ao mesmo tempo, a presença de grandes áreas enegrecidas dá mais importância à pesquisa cromática e ao espaço iluminado como elementos de composição com valor próprio. Na França Georges de La Tour foi um dos adeptos da técnica; na Itália, Battistello Caracciolo, Giovanni Baglione e Mattia Preti, e na Holanda, Rembrandt van Rijn. Mas talvez os mais notáveis representantes sejam os espanhóis José de Ribera, Francisco Ribalta e Francisco de Zurbarán.

Também se tornaram comuns no Barroco a pintura de naturezas-mortas e interiores domésticos, refletindo a crescente influência dos gostos burgueses. Nos Países Baixos protestantes foram um dos traços distintivos do Barroco local, conhecido ali como a Era Dourada da pintura. Na época a região era uma das mais prósperas da Europa, e estando livre do controle católico pôde manter uma tradição de liberdade de pensamento, dentro de uma organização política bastante democrática. Tinha a burguesia comerciante como sua classe social mais influente, a qual patrocinava uma pintura essencialmente secular, de caráter único no panorama barroco. Entre seus principais expoentes se contam Frans Hals, Vermeer, Frans Snyders, Pieter de Hooch, Meindert Hobema, Jacob Jordaens, Anthony van Dyck, Jacob van Ruisdael e Rembrandt. Oriundo da mesma região, Rubens, um dos maiores pintores de todo o período, se enquadra em uma outra tradição por ter sido católico e por ter cultivado um estilo pessoal cosmopolita e eclético. Também se cultivou ali a pintura de paisagem, geralmente despojada de conteúdo narrativo ou dramático, ao contrário de outras regiões europeias, onde muitas vezes a paisagem foi produzida como um cenário para cenas históricas, alegóricas ou religiosas, como foi o caso de Nicolas Poussin e Claude Lorrain, os principais representantes da vertente classicista do Barroco. Na Espanha o Barroco pictórico tingiu-se de um misticismo desconhecido em outras paragens, inspirado no dramatismo do Tenebrismo, já citado, e na obra de mestres como Francisco Pacheco del Río e em particular El Greco, possivelmente o mais típico integrante da corrente mística.[7] Podemos citar como outros pintores importantes no Barroco Diego Velázquez, Bartolomé Esteban Murillo, Pietro da Cortona, Giovanni Battista Tiepolo, Guercino, Guido Reni, Salvator Rosa, os Carracci, Hyacinthe Rigaud, Charles Le Brun, Philippe de Champaigne, Simon Vouet e Josefa de Óbidos, uma das pouquíssimas mulheres artistas do período.

• Arquitetura e urbanismo

A arquitetura barroca é caracterizada pela complexidade na construção do espaço e pela busca de efeitos impactantes e teatrais, uma preferência por plantas axiais ou centralizadas, pelo uso de contrastes entre cheios e vazios, entre formas convexas e côncavas, pela exploração de efeitos dramáticos de luz e sombra, e pela integração entre a arquitetura e a pintura, a escultura e as artes decorativas em geral. O exemplo precursor da arquitetura barroca geralmente é apontado na Igreja de Jesus em Roma, cujo projeto foi de Giacomo Vignola e a fachada e a cúpula de Giacomo della Porta. Vignola partiu de modelos clássicos estabelecidos pelo Renascimento, que por sua vez se inspiraram na tradição arquitetônica da Grécia e da Roma antigas. As diferenças introduzidas por ele foram a supressão do transepto, a ênfase na axialidade e o encurtamento da nave, e procurou obter uma acústica interna eficaz. A fachada se tornou um modelo para as gerações futuras de igrejas jesuítas, com pilastras duplas sustentando um frontão no primeiro nível, e um outro frontão, maior, coroando toda a composição. O interior era originalmente despojado, e seu aspecto atual é resultado de decorações no final do século XVII, destacando-se um grande painel pintado no teto com o recurso da arquitetura ilusionística.

Estilo Barroco
Estilo BarrocoOs autores (2017)

Vignola e Della Porta: Igreja de Jesus, Roma

Logo depois de completa a Igreja, o papa Sisto V revitalizou um projeto de reurbanização de Roma que havia sido iniciado no século XV. Sua preocupação foi adaptar a cidade a um conceito urbano mais moderno, organizado e espaçoso, permitindo uma circulação facilitada numa cidade que ainda mantinha muito de seu perfil medieval, com ruas estreitas e tortuosas e poucos logradouros públicos amplos. O projeto previu uma organização radial de avenidas importantes, endireitamento de ruas, ampliação e embelezamento de praças e parques com fontes e monumentos, numa perspectiva monumental, e se revelou tão eficiente que foi mantido pelos seus sucessores, sendo continuamente aprimorado e embelezado ao longo de todo o século XVII. Também se construíram muitas novas igrejas e palácios, outros foram reformados, como várias estruturas do Vaticano, entre elas a Basílica de São Pedro, o maior monumento romano do Barroco, completada por Bernini. As inovações na planta de Roma se tornaram modelares, e logo passaram a inspirar a reurbanização de várias cidades italianas, se irradiando também para a Alemanha, França e outros países, em interpretações variadas e em vários casos alterando radicalmente o perfil urbano, como por exemplo em Salzburgo, Dresden, Viena, Praga, Nuremberg, Graz, Cracóvia, Munique, Nápoles e Madrid. Isso se fez mais evidente na recuperação econômica europeia após as múltiplas crises e guerras do início do século XVII. À medida que os Estados absolutistas se consolidavam, alianças renovadas entre o Estado, a Igreja e a nobreza possibilitaram a reformulação das cidades a fim de expressar seu poder e um novo senso de ordem, manifestos em construções suntuosas e ostentatórias. Esse programa foi especialmente intenso onde dinastias católicas governavam e apoiavam a Contrarreforma, mas mesmo em regiões onde o absolutismo católico não prosperou, como nos Países Baixos e Alemanha protestantes, as novidades foram aceitas e implementadas na esteira da expansão e transformação da economia e da sociedade, e em vista das necessidades novas impostas pelo aumento populacional.

Na arquitetura barroca foi importante a observação de proporções geométricas definidas, como a Seção Áurea e a Sequência de Fibonacci, uma vez que a teoria da arquitetura estava permeada de concepções que a relacionavam com a estrutura do universo. Acreditava-se que o cosmos fosse estruturado por proporções matemáticas, que a Terra e os outros planetas se moviam dentro de molduras concêntricas cristalinas, invisíveis e impalpáveis, mas não obstante reais, que deveria ser imitadas na construção dos edifícios e no planejamento urbano, refletindo também a ideologia do Estado centralizado. Além disso, outras artes foram recrutadas pelos arquitetos para tornar a edificação barroca um espetáculo completo, carregado de alegorias e simbolismo, como a pintura, a escultura, as artes decorativas, todas reunidas para ilustrar a ideologia dominante. Já foi dito que na época se concebia o mundo como um vasto teatro onde cada um desempenhava um papel definido através de regras predeterminadas, e entre as estratégias empregadas para a exibição do poder estavam representações teatrais, concertos e produção literária engajada na glorificação dos Estados e dos governantes. Como disse John Marino, os cidadãos da “cidade cerimonial” barroca constantemente se dedicavam a representações públicas como festivais cívicos, procissões e outros ritos devocionais e vários tipos de demonstrações populares. Monumentos, imagens, escritos e emblemas de civismo e fé, ornamentações, paramentos e construções efêmeras se cobriam de alegorias políticas, mitológicas e astrológicas que se fundiam para veicular mensagens polivalentes para uma audiência urbana de extração diversificada. Tais eventos faziam parte do processo ritualizado e doutrinatório que criava uma identidade coletiva, expressava hierarquias definidas e a solidariedade urbana, ao mesmo tempo em que alimentava rivalidades e competição entre classes, gêneros, ofícios, famílias, amigos e vizinhos, e por isso às vezes degeneravam em conflitos violentos.

Entre os arquitetos notáveis na Itália, além dos já citados, se contam Domenico Fontana, Carlo Maderno, Borromini, Carlo Rainaldi, Guarino Guarini, Bernardo Vitone, Francesco Bartolomeo Rastrelli e Filippo Juvarra. Outros europeus foram Johann Balthasar Neumann, Johann Michael Fischer, Christoph Dientzenhofer, Johann Christoph Glaubitz, Louis Le Vau, Charles Perrault, François Mansart, Jules Hardouin-Mansart, Jacob van Campen, Fernando de Casas Novoa, a família Churriguera, Christopher Wren, John Vanbrugh, James Gibbs, João Frederico Ludovice e João Antunes. No Brasil, Daniel de São Francisco, Aleijadinho e Francisco de Lima Cerqueira.

Conclusão

• Renascimento.

Com este trabalho aprendemos um pouco mais sobre o Renascimento. Aprofundámos bastante todos os subtemas pois o Renascimento é para ambas um tema bastante interessante. Já que estamos também na área artística é normal que revelemos esse interesse, especialmente pelas obras-primas da altura. Este trabalho serviu também para nos abrir os horizontes e mergulharmos um pouco mais fundo neste tema tão vasto.

 • Manuelino

Arte arquitetónica, integrada na fase final do Gótico, onde se denotamcaracterísticas ligadas à expansão marítima portuguesa.

A designação “arquitetura manuelina” foi criada por Francisco Varnhagen, aodescortinar uma unidade formal nas obras realizadas ao tempo de D. Manuel I,conotadas com o período de expansão marítima e imbuídas de extraordinárioexotismo. Facilmente se criou o mito da influência oriental, embora a partir dapublicação do opúsculo de Joaquim de Vasconcelos (1885) “Da ArchitecturaManuelina” tenha surgido uma corrente que nega qualquer triunfo deoriginalidade ao estilo, uma vez que se inseria numa cadeia internacional defenómenos idênticos: hispano-flamengo; gótico final francês e alemão, etc. OManuelino não passava então da fase final do estilo Gótico integrado nascorrentes europeias.

Na realidade, a arquitetura manuelina é fruto de um série de variantes: por umlado, a continuidade da arte quatrocentista inserida nas correntesinternacionais do Gótico; por outro, a introdução de modos europeus distintos(influência inglesa; incorporação do ornato mudéjar; tipologias mediterrânicase do Norte da Europa; plateresco espanhol). A envolver o conjunto de modoalgo impositivo, a utilização da heráldica manuelina, omnipresente a níveldecorativo. Embora não se possa falar propriamente de um estilo, estamosperante uma liberdade criativa singular que caracterizou a expressão portuguesa do gótico tardio.

• Barroco

O movimento literário barroco, tem como uma de suas características obras de arte e arquitetura que demonstra a realidade religiosa.

No brasil, o barroco foi introduzido no inicio do século XVI, e deixou marcas aonde tinha riqueza e aonde não tinha ouro ele foi mais modesto Barroco caracteriza-se principalmente porque dilata a religião e a fé.

Só depois que passou os sem anos, da colonização no brasil que o barroco apareceu durante o desenvolvimento do pais, florescendo ao longo da maior parte da historia oficial de quinhentos anos.

Ele teve influencias europeias, portuguesa e indígena e deixou varias riquezas como os poemas, arquitetura e obras de arte.

• Rococó

O estilo rococó surgiu na Europa no século XVIII. A França foi o principal precursor desse estilo, em seguida ele se espalhou para vários países do Velho Mundo e chegou até mesmo alcançar alguns países das Américas, como o Brasil. O nome “rococó” tem origem da palavra francesa rocaille, que era um tipo de decoração de jardins que utilizada rochas e conchas. Muitos historiadores consideram o rococó como um desdobramento do barroco no qual os artistas passam a utilizar linhas em formato de concha e valorizar a função decorativa que a arte poderia exercer.

No século XIX, o estilo rococó serviu como um meio de definir outras manifestações desenvolvidas nos campos de arquitetura e das artes ornamentais. O rococó só deixou de ser uma variante do barroco e passou a ser um estilo de características próprias no ano de 1943, devido a uma pesquisa feita por Fiske Kimball.

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