APS PRONTA

UNIVERSIDADE PAULISTA- UNIP

Introdução

Acredita-se que a primeira comunicação da criança seja os gestos, depois os sons e logo as brincadeiras chegam fazendo com que a imaginação seja desenvolvida. Junto dela, podem ser desenvolvidas outras capacidades, sendo elas a memória, a imitação e a atenção. E também coloca-se em prática outras capacidades com a utilização das regras. Por meio do brincar a criança se comunica com o mundo real, onde vai adquirir controle próprio, autoestima e confiança em si, que a leva a agir de maneira mais ativa para que vivencie experiências de tomada de decisões, como por exemplo, vestir-se, com quem brincar e entre outros.

Relacionando o lúdico ao brincar, ORNELAS (2002), diz que o brincar é um conjunto de ações lúdicas realizadas pelo ser no brincar e no jogar (com uso ou não do objeto denominado brinquedo). Então, a brincadeira, o brinquedo e o jogo são categorias do lúdico.

O ato de educar junto do brincar, proporciona uma eficácia no ensino-aprendizagem do aluno. Esse método de ensinar tem sido cada vez mais aplicado em sala de aula pelos resultados obtidos com essa relação. Assim, sendo abordada também a docência, porque os professores devem conhecer a importância do brincar, (em especial o faz de conta) desenvolvendo socialmente a criança.

Nesse trabalho, procuramos entender o significado e o conceito do lúdico, procurando esclarecer sua importância na formação social, afetiva e cognitiva da criança/aluno na Educação Infantil.

Desenvolvimento

Para começarmos a falar da Educação infantil e o desenvolvimento da aprendizagem através da ludicidade dos brinquedos, jogos e brincadeiras, precisamos voltar na história, para entendermos a evolução e o aprendizado por trás dessas diversões que tanto contribuem para o desenvolvimento da criança.

Podemos começar falando de como era o processo de aprendizado a séculos atrás, mesmo quando as crianças eram vistas como adultos em miniatura até com vestimentas iguais aos adultos, mesmo com a duração da infância reduzida é impossível pensar que não existia seus momentos de lazer, de encanto e prazer.

Desde a antiguidade, mulheres e crianças eram consideradas inferiores e não mereciam nenhum tipo de tratamento diferenciado, inclusive a duração da infância reduzida. Por volta do século XII era provável que não houvesse lugar para a infância, uma vez que a arte medieval a desconhecia (ARIÈS, 1978).

Através da pesquisa de Ariès podemos destacar que a particularidade da infância não era reconhecida e praticada por todas as crianças, pois nem todas viviam a infância propriamente dita, devido às suas condições econômicas, sociais e culturais.

Por volta de 1600, ele destacou que, nessa fase, não existia muita discriminação entre meninos e meninas, que ambos os sexos usavam os mesmos trajes, uma espécie de vestido, e que a brincadeira com bonecas era partilhada entre ambos.

A aprendizagem infantil era advinda da convivência da criança com o adulto, que o auxiliava em seus afazeres, sendo assim, a criança era logo misturada aos adultos, partilhava de seus trabalhos e jogos, garantindo assim sua educação.

 Os sinais de desenvolvimento de sentimento para com a infância tornaram-se mais numerosos e mais significativos a partir do fim do século XVI e durante o século XVII, pois os costumes começaram a mudar, tais como os modos de se vestir, a preocupação com a educação, bem como separação das crianças de classes sociais diferentes. No início do século XVII, surgia um novo conceito sobre comportamento, além de uma literatura pedagógica destinada não somente às crianças e adolescentes, mas principalmente aos pais e educadores. É importante mencionar que até o final do século XVIII, a escolas não eram particularmente frequentadas por crianças de acordo com a faixa etária. Os centros (como eram chamados) acomodavam pessoas de qualquer idade devido seu objetivo ser de caráter mais técnico que pedagógico, dessa forma somente os jovens é que começaram a frequentar a escola.

 O alemão Friedrich Froebel (1782-1852) foi um dos primeiros educadores a considerar o início da infância como uma fase de importância decisiva na formação dos indivíduos, ideia hoje consagrada pela psicologia, ciência da qual foi precursor.

Ele marca a história da educação infantil ao fundar o primeiro Jardim de Infância, o Kindergarten, que era constituído como um centro de jogos, organizado segundo seus princípios e destinado as crianças menores de 6 anos. Foi também o primeiro pedagogo a desenvolver jogos e materiais educativos especificamente apropriados ao jardim de infância.

Froebel criou um material pedagógico muito rico, constituído por sólidos geométricos, gravuras coloridas, trabalhos manuais que consistiam em exercícios sensório-motores (pintura, desenho, recorte, colagem, tecelagem, bordados, etc.) como fundador dos jardins de infância, ele reflete um princípio de que a criança é como uma planta em sua fase de formação, exigindo cuidados periódicos para que cresça de maneira saudável.

Ele procurava na infância o elo que iria igualar todos os homens, sua essência boa e divina ainda não corrompida pelo convívio social. A partir de suas ideias a afetividade e o lúdico passam a ser destaque no processo educativo das crianças menores de 8 anos, sendo assim, Froebel foi um precursor a perceber que através do brincar o desenvolvimento lúdico na criança é essencial para sua evolução no convívio social.

ORIGEM DOS BRINQUEDOS

Os brinquedos se originaram do artesanato, eram feitos manualmente, muitas vezes pelas próprias crianças, como as pipas, bolas de crina de cavalo, boneca de barro ou pano, ou ainda pelos familiares da criança, de acordo com o oficio que exercia, assim o padeiro fazia para seu filho bonecos de pão e o marceneiro fazia carrinhos de madeira, por exemplo.

A atividade de fazer brinquedo com as próprias mãos tem raízes em sociedades agrárias, quando um artesão faz um brinquedo, tanto como um trabalho ou como em regime de curtição lúdica, ele o faz não só com base na sua experiência prática individual. Além dela, há uma sabedoria acumulada da atividade artesanal, que é fruto do trabalho e do conhecimento prático, deixado pelas gerações que nos precederam. Há, portanto, elementos de conexão entre a atividade artesanal e o passado.

Com isso podemos afirmar que, mesmo com esses brinquedos feitos de forma natural, artesanal, continha por trás desse passa tempo um lazer e um aprendizado que contribuía para o desenvolvimento da criança, pois além da ludicidade explícita, podemos dizer que a criança acabava conhecendo vários materiais na confecção dos mesmos ,tais como, bambu, madeira ,pano, papel, etc.

Atualmente a indústria de brinquedos existe no mundo todo e movimenta valores econômicos muito elevados. A evolução tecnológica permitiu a criação de um grande número de brinquedos que encantam as crianças, pelo menos por algum tempo, ate serem esquecidos. Na verdade, nenhum deles substitui o encanto de brinquedos simples como uma bola ou uma boneca, os quais permitem o pleno desenvolvimento da imaginação.

Brincar é fundamental, pois permite á criança enfrentar desafios, resolver problemas, aperfeiçoar o pensamento e desenvolver potencialidades. Para atingir estes objetivos, o brinquedo adequado é aquele que convida a criança a brincar, aguça a sua curiosidade e imaginação, proporcionando o prazer de descobrir e de experimentar. Além disso, é claro, ele precisa ser adequado á etapa de desenvolvimento que a criança está vivenciando.

O valor de um brinquedo para uma determinada criança não será medido pelo seu custo ou sofisticação, mas sim pelo seu significado simbólico e pela intensidade do desafio que representa para ela. A aprendizagem e a paz de espírito proporcionado pelo ato de brincar são independentes do tipo ou qualidade do brinquedo, pois, como afirmou Piaget, “a recompensa tem que ser a própria realização da atividade”.

Com o surgimento da brinquedoteca que é um espaço onde crianças e jovens podem brincar livremente, colocando em prática suas criatividades, podemos perceber novamente por trás um aprendizado individual e coletivo que tanto contribui não só para as atividades lúdicas, como a interação entre seus participantes como forma de lazer e desenvolvimento cognitivo.

Na brinquedoteca, as potencialidades e habilidades das crianças são despertadas e desenvolvidas de maneira natural, sem forçá-las a atividades que não gostam ou que não lhe despertam interesse.

De acordo com RODARI (1982) por meio das brinquedotecas avaliamos nas crianças o seu desenvolvimento, através do acompanhamento e da observação, no que se refere a socialização, a iniciativa, a linguagem, ao ;desenvolvimento motriz e buscamos através das atividades lúdicas o ‘desenvolvimento de suas potencialidades.

Através da brinquedoteca com profissionais competentes, permitira a criança um maior desenvolvimento afetivo, ao interagir com outras crianças, desenvolvendo o companheirismo, a disciplina, principalmente ao guardar o brinquedo após seu uso, no comportamento, na sociabilidade, na criatividade, enfim, permite uma “liberdade” ao aprender brincando.

A brinquedoteca favorece a ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano, resgatando um espaço para a expressão mais genuína do ser, é o espaço do exercício da relação afetiva com o mundo, com as pessoas, com os objetos, trazendo uma socialização entre crianças e jovens das comunidades mais simples, como dos condomínios de alto padrão.

ORIGEM DOS JOGOS

    Em sua história os jogos não tem registro sobre sua origem. Logo, temos a seguinte informação: o termo advém do latim “ludús”, ludere, que significava movimentos rápidos, mas também com relação cênica, aos ritos de iniciação e aos jogos de azar.

    Aqui trataremos jogo como sinônimo de brincadeira, independentemente das poucas diferenças entre eles. Victoria Amir, mostra que o jogo é uma manifestação otimista, alegre e plena em energia vital, uma atividade humana repleta de significados e que, além do desenvolvimento, favorece também a aprendizagem, o prazer, a inserção na cultura, a solução de problemas e a socialização.

    O jogo como sendo um processo dialético caracterizado por uma ação tanto física quanto mental, que ocorre dentro dos limites de um determinado tempo e local, caracterizando-se por influenciar mudanças de comportamento similares as que ocorrem com um pêndulo de um relógio. Jogar permite ir da alegria a tristeza, do modelo à fantasia, da liberdade à regra, da imitação à criatividade.

    Reaver a história dos jogos é conhecer os caminhos percorridos pelo ser humano, tem relação com o tempo vívido em uma sociedade, sua realidade na época em questão.

    Como as sociedades humanas a princípio eram nômades, sabe-se que havia muitas dificuldades em classificar os jogos por faixas etárias.

    As atividades lúdicas tem origem na cultura, porque consistem em representações das realidades de onde se originaram.

O brincar é um direito das crianças, mas nem sempre foi assim. No Concílio de Trento (1545-1563), conselho de bispos tornou os jogos pecaminosos, banindo-os da sociedade.

A obra de Huizinga, Homo Ludens, de 1943, mostra que antes de o homem se constituir na espécie Homo Faber, ele já brincava. As sociedades nômades, não deixaram registros de suas vidas e suas culturas. Havia poucas crianças pois transportá-las, diante das adversidades não era nada fácil.

    Foi possível identificar algumas coisas deixadas nas Tumbas de adultos, em geral da nobreza ou dos mestres das crianças , mas nem sempre os jogos estavam completos. Muitos jogos retratavam atividades culturais e econômicas da época, um exemplo do jogo Real de Ur, de 3.500 a.C, encontrado em túmulo da nobreza. Na Mesopotâmia, foram encontrados quadros mágicos, utilizado mais tarde em horóscopos.

Entre os fenícios, uma das heranças mais importantes foi o “Jogo da Trilha”, um tabuleiro dividido em quatro áreas, apresentando cidades famosas pelo seu comércio, como Biblos, Sidon e Tiro. Graças à escrita hieroglífica e aos pictogramas deixados pelos egípcios, conhecemos alguns de seus jogos, especialmente o Senet, uma representação da passagem do mundo dos vivos para o dos mortos. Salienta-se mais uma vez, porém, que em sua grande maioria, as atividades lúdicas retratavam aspectos culturais de um determinado povo.

Com a entrada dos muçulmanos na Europa, especialmente na Espanha, os jogos de dados se espalharam pois tornaram-se conhecidos graças á obra de Afonso X, O Livro dos Jogos, que os dividia em três grandes categorias: azar, cartas, e loterias. Com o tempo, porém, o catolicismo reprimiu tais atividades lúdicas, deixando com que a obra do rei espanhol se constituísse em um dos poucos legados sobre os jogos de azar. Esses jogos tiveram sua fabricação intercalada logo após o quarto Concílio de Latrão. Tal fato contribuiu para que perdessem prestígio.

Embora em diferentes contextos, alguns jogos apareceram simultaneamente, não havendo certeza de como se espalharam pelo mundo. Um dos exemplos mais famosos foi o xadrez, conhecido como charutanga, inventado por um sábio da corte indiana, que nele representou os quatro elementos do exército: carros, cavalos, elefantes e soldados dos comandados pelo rei e seu vizir. Da índia o xadrez estendeu-se para a Pérsia, Arábia e Europa.

No séc. XVII, começou-se a perceber o valor educativo do jogo, adotando-se medidas menos radicais em relação a ele. Isso fez com que fossem introduzidos, e por vezes, oficialmente regulamentos nos colégios após as tarefas escolares como forma de relaxamento, principalmente os que envolviam exercícios físicos foram adotados.

Portanto, Adrian Klisys, diz que o jogo é um mundo particular, regido por regras e interesses, próprios das crianças, com exceção de um outro adulto mais interado das brincadeiras .

“Talvez venha daí uma particularidade interessante dos jogos quem constrói e faz valer as regras é a criança. É um mundo de autoria infantil”. Maria Angela Barbato Carneiro, professora titular e coordenadora do Núcleo de Estudos do Brincar- PUC-SP.

Dessa forma, conclui-se segundo Tizuko Morchida Kishimoto que o significados dos jogos é complexo pois depende de um contexto onde ele será utilizado, mostrando representar uma grande variedade de categorias. Esses são transmitidos de geração em geração e vai fazendo parte do universo infantil. Com isso o jogo tem a identidade que tal sociedade lhe atribui, assim, seus significados podem mudar.

O JOGO

Os jogos geralmente envolvem estimulação mental ou física, e frequentemente ambos. Muitos deles contribuem para o desenvolvimento de competências práticas como forma de exercício ou desempenham um papel educacional, de simulação ou psicológico.

Eles competem com os adversários, o que os diferencia do jogo, que podem ser outros jogadores ou jogos analógicos (para jogos digitais) que interagem com os jogadores.

 Em suma, os jogos têm muitas características comuns, que podem ser classificadas como elementos de jogos:

• Jogador;

• Adversário;

• Interatividade;

• Deve existir regras;

• Deve existir objetivo;

• Condições de vitória, empate e derrota;

• Ser uma forma de entretenimento.

  • Tizuko Kishimoto

 A autora chega à conclusão de que o jogo se ramifica na família e seu conceito é impreciso. O que exatamente essa imprecisão significa? Quando alguém diz: Ensine as crianças a brincar! Se estou oferecendo um jogo de dados por dinheiro, alguém pode me dizer: "Não foi um jogo como esse!" Certamente, em sua representação do jogo, uma ideia vaga excluía os dados quando se tratava de ensino. O conceito de jogo de dois heróis apresenta limitações diferentes: por um lado, inclui o jogo de dados, por outro, eu o excluo. Isso é o que chama a atenção: o termo é claramente visível no dia a dia, na forma como você o usa. Para contornar as dificuldades de definição, muitos pesquisadores começam a procurar as características mais comuns encontradas em toda a teia de manifestações de jogos .

  • Claparede

Não é absurdo pensar que o jogo pode ser um passo necessário para conseguir um emprego. E a observação mostra que é assim. Não há oposição radical entre jogo e trabalho, entretanto, que é assumida pela pedagogia tradicional. Serão recursos em estratégias para despertar as necessidades e interesses dos alunos no ambiente escolar. Claparede sugeriu: “Qualquer que seja a atividade que você queira fazer nas aulas, é preciso encontrar uma forma de apresentá-la como um jogo.” Regina Campos disse: “Ele apoia essa ideia. Isso era completamente novo na época porque a psicologia era um sujeito ativo. “Segundo os psicólogos, à medida que as crianças crescem, o conceito de brincar foi sendo substituído pelo trabalho, que é um complemento natural do trabalho.

  • Groos

Para Groos, jogar é uma necessidade biológica, instinto e psicologicamente, voluntário. Se o jogo envolve natureza, universais e criaturas, é necessário espécies usadas para treinar instintos genéticos. Tais Groos restaure o jogo com ações espontâneas naturais (influência biológica) prazer e liberdade (influência psicológica), e espera-se que seja educação (treinamento do instinto). Groos adotou a hipótese biológica das necessidades das espécies, aumente a vontade e a consciência da criança para a busca da diversão justifique o processo psicológico. Então, revise a teoria e as preparações pré-exercício relacionadas ao DalWinismo ganharam uma nova roupagem dê o status do jogo para que ele possa ser divulgado na psicologia e na pedagogia.

  • Wallom

Segundo a teoria de Wallom, o desenvolvimento humano deve ser considerado em todas as áreas funcionais que alocam as atividades infantis, pois as crianças devem estar vinculadas ao meio ambiente. Dessa forma, o desenvolvimento ocorrerá no ambiente físico e social, que são dois fatores importantes na formação da personalidade. Realiza a integração de duas funções principais: emoção e inteligência. Nos estágios iniciais de desenvolvimento, as crianças não veem suas interações separadas de seus parceiros, mas com o tempo, as crianças perderão esse papel e se tornarão personalizadas. Para Wallom, as pessoas nascem para se socializar e se tornarem personalizadas no processo de desenvolvimento.

Portanto, o jogo será uma atividade voluntária, sem filhos, quando outros impuserem o jogo, a natureza do jogo desaparecerá, que se caracteriza pelo trabalho ou ensino.

a IMPORTÂNCIA DO FAZ-DE-CONTA NO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E EMOCIONAL DA CRIANÇA

A brincadeira de faz-de-conta proporciona a criança a capacidade de dramatizar, aprender, representar fazendo sempre alusão a alguém, a um personagem ou a um objeto. A imaginação possibilita a criança a criar, por exemplo, um cabo de vassoura se torna um cavalo, uma menina se torna uma princesa, uma médica ou uma professora, entre outras infinitas possibilidades.

É com essa imaginação que a brincadeira de faz-de-conta se faz concreta, e que a criança descobre pensamentos e ideias que as introduzem no meio social, e as encorajam a querer aprender e explorar mais seu conhecimento de mundo, trazendo evoluções vantajosas para a sua formação cognitiva, emocional e social.

A definição de ‘Brincar’ segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI), diz que:

“Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de as crianças, desde muito cedo poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação.” (BRASIL, 1998, v. 2, p. 22).


Brincar de faz de conta é diferente de imitar, pois é a representação, a recriação, a elaboração e a significação de situações e papéis sociais que envolvem atitudes, valores e emoções. Esse processo é importante para que a criança se perceba como pessoa pertencente a um grupo social.

Nas brincadeiras de faz de conta as crianças são responsáveis por si mesmas, elas realizam suas vontades e seus desejos, desenvolvendo assim sua autonomia e estimulando a experimentação e imaginação.

Criança brincando de faz de conta.Figura 1 — Criança brincando de faz de conta.
https://mepoenahistoria.com.br/atividades/faz-de-conta/

 principais APRENDIZADOS PROPORCIONADOS PELO FAZ DE CONTA  

 Pesquisas apontam que o brincar de faz de conta, traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento infantil, fazendo com que o aprendizado de diversos valores e lições se torne mais significativo e lúdico.

Os principais aprendizados proporcionados pelo faz de conta são:

  • Autoconhecimento

Ao brincarem de faz de conta as crianças tem total liberdade de expressarem seus gostos, seus interesses e suas habilidades, possibilitando assim sua autonomia e também autoconhecimento, por ser um meio seguro de expressar seus sentimentos mais profundos. A autoestima também é bastante estimulada com essa brincadeira, pois a criança pode ser o que ela quiser com a sua imaginação. Ela pode sonhar em ser o que quiser na vida real.

  • Empatia

Imaginando ser outra pessoa, um animal ou até mesmo um ser do mundo mágico, a criança tem que se esforçar para entender diferentes realidades e se colocar no lugar do outro, exercitando assim, a empatia. É normal que as crianças menores enxerguem o mundo a partir do seu próprio ponto de vista egocêntrico, mas a medida que vai crescendo e enxergando outras realidades diferentes, ela também tem a capacidade de compreender o sentimento do outro.

  • Enfrentar medos

É através dessas brincadeiras que as crianças colocam em conflito seus medos e problemáticas de situações do cotidiano. Por exemplo, ao brincar de médico, uma criança que tem medo de ir ao consultório, está enfrentando ali essa situação confusa e assustadora para ela. Essas dramatizações trazem confiança e as preparam para situações reais futuras.

  • Resolução de problemas

No momento da brincadeira as crianças podem enfrentar diversas situações que as fazem pensar, seja sozinha ou em conjunto, para resolver certa problemática. Exemplo, quando duas crianças querem desempenhar o mesmo papel na brincadeira, elas precisam entrar em um acordo para que este caso seja resolvido. Ou quando precisa-se encontrar um material para montar a casa de mentira, ela precisa pensar em como vai resolver este problema. Essas situações fazem com que as crianças utilizem diversas habilidades de resolução de problemas que serão importantes em contextos reais ao longo de sua vida.

  • Linguagem e Comunicação

Falando e argumentando com o outro dentro da brincadeira, a criança aprende como as palavras e a comunicação são importantes para representar suas ideias. Isto pode ajudá-la futuramente no processo de alfabetização, pois ela entenderá a importância dessa conexão, entre linguagem falada e escrita.

O poder da imaginaçãoFigura 2 — O poder da imaginação
https://institutoalianca.net.br/o-poder-que-existe-na-imaginacao/

BENEFÍCIOS PARA A VIDA ADULTA

Além de todos esses aprendizados, a pesquisa também relata que, crianças que brincam de faz de conta com frequência, tendem a se tornar adultos mais criativos e interessados a sempre aprender mais: 

“A pesquisa de Root-Bernstein com indivíduos claramente criativos, como vencedores do Prêmio Nobel e ganhadores de bolsas "geniais" da MacArthur Foundation, indicou que os jogos da primeira infância sobre mundos de faz de conta eram mais frequentes nesses indivíduos do que nos participantes de controle em seus campos (Root-Bernstein, 2012)."



Não existe limite para imaginação.Figura 3 — Não existe limite para imaginação.
https://jornadaedu.com.br/familia-na-escola/faz-de-conta-o-que-as-criancas-aprendem-com-ele/

Os benefícios da brincadeira de faz de conta, são levados até a vida adulta, pois crianças que tem essa prática em seu dia a dia se tornam adultos mais criativos, autônomos, empáticos e esperançosos.

 


 

 

  

considerações finais

Os dados pesquisados demonstram que existe uma relação importante entre o brincar lúdico e o ensino-aprendizagem na Educação Infantil. Foi observado que é através da brincadeira que as crianças desenvolvem habilidades extremamente significativas para o seu crescimento social, cognitivo, emotivo entre outros âmbitos importantes para a vida do mesmo.

Além disso foi possível entender que esta relação entre Jogos, Brinquedos e Educação já existe a muitos anos, e é historicamente comprovada por teóricos renomados no meio da Pedagogia e Psicologia.

Devido a análise de todos os fatos e dados apresentados neste trabalho, conclui-se que a prática de estimular nas crianças as brincadeiras de faz de conta, o contato com jogos e brinquedos se faz necessário para o desenvolvimento e evolução como ser – humano do aluno da Educação Infantil. 

Referências

A origem do brinquedo. Disponível em: https://dikecraftart.wordpress.com/2013/04/17/a-origem-do-brinquedo/. Acesso em: 25 out. 2020.

Brincar brincadeiras. Disponível em: https://brincarbrincadeira.blogspot.com/2011/11/origem-dos-brinquedos.html. Acesso em: 9 out. 2020.

KaufmanScott Barry . The Need for Pretend Play in Child Development. Tradução Google. Tradução de: A necessidade de brincar de fingir no desenvolvimento infantil. Disponível em: https://www.creativitypost.com/education/the_need_for_pretend_play_in_child_development. Acesso em: 31 out. 2020.

SILVAMárcia Gomes dos Santos. A IMPORTÂNCIA DE FRIEDRICH FROEBEL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL. Disponível em: https://www.recantodasletras.com.br/artigos-de-educacao/4243695. Acesso em: 5 out. 2020.

TaylorMajorie. The Development of Imagination. Tradução Google. Tradução de: A criação de mundos imaginários. Disponível em: https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=leXFsERtP8IC&oi=fnd&pg=PP1&dq=The+Oxford+Handbook+of+the+Development+of+Imagination&ots=bUtlvp3WmM&sig=I6ChYjkRFG6pcAicRv9H3rh7IVY#v=onepage&q&f=false. Acesso em: 23 out. 2020.

TrevisoVanessa Cristina ; GumieriFrancielly Aparecida . A importância do lúdico para o desenvolvimento da criança: o brincar como ferramenta de aprendizagem na Educação Infantil . Disponível em: http://unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/sumario/40/25042016154500.pdf. Acesso em: 18 out. 2020.

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