APLICAÇÃO DA CURVA ABC NO AUXÍLIO À GESTÃO DE ESTOQUE

UNIVERSIDADE IGUAÇU – CAMPUS V – ITAPERUNA, RJ

APLICAÇÃO DA CURVA ABC NO AUXÍLIO À GESTÃO DE ESTOQUE

RICARDO LUZ RODRIGUES

Resumo

Atualmente, a Gestão de Estoques tem ganhado cada vez mais espaço dentro das empresas, devido às necessidades que as mesmas possuem, de forma a reduzir os custos e aumentando a satisfação dos clientes. Com base nesse contexto, este estudo teve como finalidade aplicar o método ABC no estoque de uma empresa que revende carros usados em Itaperuna-RJ, com o intuito de identificar os tipos de veículos que merecem maior atenção, bem como demonstrar uma média de permanência destes veículos em estoque. A metodologia se resumiu em coletar os dados do sistema de gestão da empresa, filtrar os dados, agrupar os modelos dos veículos em tipos e realizar os cálculos para elaboração da Curva ABC e dos índices de permanência dos veículos em estoque. Após a aplicação do estudo e análise dos resultados, foi obtido em suma que o tipo “Hatch compacto” compõe cerca de 40% sobre o faturamento total da empresa, com uma média de permanência de aproximadamente um mês para cada automóvel. Os resultados foram apresentados à empresa, onde os gestores afirmaram que o estudo foi de suma importância na contribuição com as decisões gerenciais e operacionais, fornecendo informações essenciais e afirmando que a empresa deve focar ainda mais no mercado de carros populares.

Palavras-chave: Estoque.Gestão de Estoque. Método ABC.

Abstract

Currently, Inventory Management has gained more and more space within companies, due to the needs they have, in order to reduce costs and increase customer satisfaction. Based on this context, the purpose of this study was to apply the ABC method to the inventory of a company that resells used cars in Itaperuna-RJ, in order to identify the types of vehicles that deserve greater attention, as well as to demonstrate an average permanence of these vehicles in stock. The methodology was summarized in collecting data from the company’s management system, filtering the data, grouping vehicle models into types and performing the calculations for the elaboration of the ABC curve and the indices of permanence of the vehicles in stock. After applying the study and analysis of the results, it was obtained in sum that the type “Compact Hatch” composes about 40% on the total turnover of the company, with an average stay of approximately one month for each car. The results were presented to the company, where managers said that the study was of paramount importance in contributing to managerial and operational decisions, providing essential information and stating that the company should focus even more on the popular car market.

Palavras-chave: Inventory. Inventory Management. ABC method.

Introdução

Neste capítulo será apresentada uma contextualização do tema em questão, identificando sua importância e relevância, a situação problema, os objetivos da pesquisa e a delimitação do estudo.

CONTEXTUALIZAÇÃO

Atualmente, a Gestão de Estoques tem ganhado cada vez mais espaço dentro das empresas, devido às necessidades que as mesmas possuem para gerenciar seus estoques eficientemente, de forma a reduzir os custos alinhando sempre com a satisfação dos clientes, sendo um diferencial competitivo diante do cenário globalizado e concorrido. Ademais, a Gestão de Estoques promove o ganho na eficiência através da redução de falhas e custos, utilizando o planejamento e controle do fluxo empresarial, visando também encontrar melhorias na disponibilidade de produtos, impactando diretamente na rentabilidade das empresas (Carlos dos Santos et al., 2014).

A logística empresarial é, de forma relativa, uma área recente de estudo da gestão integrada. Devido à definição da gestão coordenada, há a novidade nas atividades de movimentação e armazenagem (transporte-estoque), onde estas relacionam entre si de forma oposta à prática arcaica de gerenciá-las separadamente. Essa novidade também advém do ideal que a logística agrega valor aos produtos e serviços, sendo imprescindíveis para as vendas e que os clientes fiquem satisfeitos (Ballou, 2006).

Diante desse contexto, surge então a necessidade da utilização de métodos facilitadores no gerenciamento das atividades, de forma que melhore os resultados esperados. De acordo com Goebel (1996), o princípio da curva ABC foi identificado por Vilfredo Pareto, no final do século passado, na Itália, em um estudo de riqueza e renda, onde percebeu-se que uma parcela bastante significativa da renda estava nas mãos de uma pequena parte da população, em uma proporção 80%-20%, respectivamente. Este método tem sido bastante utilizado na gestão de estoque, visto que constata que a maior parte das vendas é gerada por poucos itens da linha comercial da organização, ou seja, 80% das vendas é proveniente de 20% dos itens do catálogo de produtos da empresa. 

A partir disso, o método de análise ABC tem sido amplamente utilizado a partir da segunda metade do século XX em outras áreas, como na industrial e comercial. A análise ABC é comumente utilizada na determinação do meio mais econômico para controle de estoques, pois é possível através dela reconhecer que nem todos os itens estocados merecem a mesma atenção por parte da gestão ou que precisam estar com a mesma disponibilidade em estoque para satisfazer os clientes. Além disso, a análise ABC conclui a separação dos itens do estoque em três grupos de acordo com a demanda anual – se tratando de produtos acabados. Esse valor é determinado através da multiplicação do preço ou custo unitário de cada item pelo seu respectivo consumo ou demanda anual (Pereira, 1999).

Para Ballou (2006), o mais importante é que o tratamento para com os produtos precisa ser diferenciado. A relação 80-20, com base nas vendas, determina quais itens irão receber os vários tipos de tratamento logístico.

SITUAÇÃO PROBLEMA

Devido ao fato das organizações estarem imersas em um ambiente de competitividade constante, estas buscam cada vez mais melhorias para permanecerem no mercado (Oliveira, 2004). De Melo et al. (2016) afirmam que, abordando a gestão de estoque, é coerente a elaboração de metas e objetivos concretos por parte do gestor para que haja maiores lucros e que o cliente esteja satisfeito, o que é o mais importante.

Para Pereira (1999), o método de análise ABC é uma ferramenta gerencial, permitindo identificar quais itens precisam de atenção e tratamento adequados de acordo com sua importância relativa.

Diante disso, faz-se necessário o estudo da gestão de estoque, através do método ABC, em uma empresa de revenda de carros usados em Itaperuna-RJ, para que a mesma possua informações necessárias à disponibilidade de automóveis, ou seja, a fim de identificar quais modelos a empresa deve focar em investir e disponibilizar mais aos seus clientes.

Portanto, justifica-se o estudo do tema pela importância da utilização do método ABC na identificação do estoque em uma empresa situada na cidade de Itaperuna-RJ que revende automóveis usados, de forma a auxiliar a mesma na necessidade de detectar os tipo de automóveis que merecem ser tratados com maior importância, para que haja harmonia com o mercado consumidor local, identificando os tipos mais demandados, com o interesse de aumentar a eficiência da empresa e a satisfação dos clientes.

OBJETIVOS DA PESQUISA

Objetiva-se com este estudo, através do método ABC, identificar os tipos de automóveis que possuem a classificação “A” de acordo com o método ABC, com base no preço de venda, para que a empresa possa identificar quais tipos de automóveis ela deve dar uma atenção especial. Também para que a empresa se concentre em atender atender um nicho específico clientes no mercado local.

Os objetivos específicos da pesquisa se concentram em:

  • Obter os dados e relatórios do sistema de gestão de estoque que a empresa utiliza como suporte computacional em um período de 6 meses;
  • Agrupar os modelos dos automóveis em tipos, de acordo com suas características;
  • Filtrar os automóveis cadastrados que possuem preço de venda, preço de compra, data de entrada e de saída dos automóveis que não possuem estes dados cadastrados no sistema;
  • Aplicar o método ABC para identificar os tipos de automóveis mais vendidos e que compõem a maior parte do faturamento da empresa no período de 6 meses;
  • Realizar os cálculos de média de permanência destes veículos em estoque;
  • Apresentar os resultados obtidos à empresa e obter um feedback.

DELIMITAÇÃO DO ESTUDO

Esta pesquisa delimitou-se em uma empresa de revenda de automóveis usados, situada em Itaperuna-RJ, onde a mesma solicitou que não fosse identificada. Sendo assim, será denominada e identificada como “Empresa” no presente trabalho.

REFERENCIAL TEÓRICO

Neste capítulo serão abordados alguns conceitos sobre estoques, bem como a necessidade de mantê-los, o controle e gestão de estoques e uma abordagem sobre o mercado automotivo.

ESTOQUES

Chiavenato (2005) diz que Estoque é composto por materiais, sejam eles acabados, semi acabados ou em processamento que a empresa pode usar ou não, dependendo da necessidade que possa surgir no futuro.

Slack et al (1997) definem estoque como:

“O estoque e definido como acumulação de recursos materiais em um
sistema de transformação. Algumas vezes estoque também e usado para descrever qualquer recurso armazenado. Não importa o que esta sendo armazenado como estoque, ou onde ele esta posicionado na operação, ele existirá porque existe uma diferença de ritmo ou de taxa entre fornecimento e demanda.”


Carlos dos Santos et al (2014) citam diversos benefícios dos estoques às empresas, sendo: 

  • Melhoram o nível de serviço;
  • Auxiliam na economia da produção;
  • Economia de escala nas compras e transportes;
  • Atuam na proteção contra aumento de preços;
  • Protegem a empresa na flutuação da demanda e no tempo de ressuprimento;
  • Apresentam segurança contra contingências.

Huber (2017) exemplifica cinco funções que os estoques podem cumprir:

  • Estoque de Ciclo: Estes estoques possuem a finalidade de suprir a demanda média que ocorre nos intervalos de tempo entre subsequentes reabastecimentos. O volume deste estoque depende muito do tamanho dos lotes de produção, das quantidades de embarque, dos espaços de armazenamento serem limitados, do tempo de ressuprimento, entre outros.
  • Estoque de Segurança: É um complemento a mais no estoque normal, cuja finalidade é assegurar contra flutuações na demanda, bem como nos prazos para repor os produtos. Este estoque une os fatores de incerteza do comportamento da demanda e também a variação do prazo de entrega, sendo estas duas incertezas sintetizadas em um indicador único e relacionado com o risco que a organização assume por falta.
  • Estoque em Trânsito: Este estoque é aquele que está se movimentando ao longo dos canais de distribuição, pela necessidade de se transportar produtos de um lugar até outro, sendo impactado diretamente pelo tempo de transporte do produto.
  • Estoque Pulmão: Este estoque possui a característica de poder suprir nos períodos de maior demanda, ou seja, nos períodos de sazonalidade. Por isso a empresa realiza um planejamento da sua capacidade produtiva, com base nos picos de demanda, a fim de não deixar o estoque ocioso em uma boa parte do ano. Por isso a empresa fabrica produtos a mais antes destes picos para criar os estoques pulmão que serão consumidos nos períodos de alta demanda.
  • Estoque Especulativo: É um estoque que é adquirido pelo fato da empresa poder se beneficiar de acordo com alguma situação externa, ou seja, a fim de aproveitar um desconto especial, prevenção por falta de produtos e mão-de-obra, entre outros. 

Funções dos estoquesFunções dos estoquesHuber (2017)

Oliveira e Silva (2013) dizem que as principais funcionalidades do estoque se concentram em garantir que a empresa seja abastecida de materiais que ela precise, mitigando efeitos de:

  •  Atraso no fornecimento, estando atendo à todo momento na quantidade e qualidade dos materiais estocados;
  • Sazonalidade, verificando as transformações dos materiais ao longo do tempo;
  • Riscos na dificuldade no fornecimento, analisando o tipo da dificuldade encontrada.

Os autores também afirmam que os estoques também proporcionam economias de escala através da compra ou produção de lotes econômicos, da flexibilidade da produção e da efetividade no suprimento das necessidades.

Pozo (2002) argumenta que, para ele, os três custos mais importantes na formação dos estoques são:

  • Custo do pedido: Ocorrem custos fixos (como folha de pagamentos) e variáveis (necessários para a conclusão do pedido) de acordo com cada pedido emitido. Este custo se relaciona diretamente com o volume desses pedidos;
  • Custo de manutenção do estoque: São os custos relativos ao armazenamento com volumes altos que necessitam de muito controle e de um espaço físico enorme, assim como equipamentos e sistemas de gestão informatizados. Também são os custos relacionados aos impostos, aos seguros, à roubo de materiais estocados, à perda, à obsolescência, entre outros;
  • Custo por falta de estoque: Esse custo pode ser mais visível quando as empresas tendem a reduzir seus estoques o quanto podem, o que pode ter como consequência o não-cumprimento do prazo de entrega pré-estabelecido, gerando insatisfação e cancelamento do pedido por parte do cliente, assim como multas. Além de que isso prejudica a imagem da empresa no mercado, sendo um custo muito alto e complicado de medir. 

No entanto, de acordo com Dias (1993), os custos totais produzidos pelo armazenamento de produtos podem ser identificados como custo de armazenagem (CA), sendo calculado da seguinte maneira:

CA = (quantidade do material estocado/2) X tempo X preço unitário X taxa de armazenamento

O autor ainda diz que custo de pedido (CP) é o capital necessário para se pôr um pedido de compra, sendo calculado de acordo com o custo anual de pedidos, com a seguinte fórmula:

CP = mão-de-obra + material + custos indiretos / número anual de pedidos

Com isso, o custo total se compõe pela soma destes dois custos supracitados, de acordo com este mesmo autor.

A NECESSIDADE DE SE MANTER ESTOQUES 

De Melo et al (2016)  argumentam que o estoque é um dos departamentos mais importantes na empresa, sendo responsável pela preservação dos materiais que são indispensáveis, sendo necessário uma gestão correta do mesmo.

Os estoques também têm sua devida importância financeiramente, pois os mesmos representam de 20% à 60% dos ativos totais no balanço patrimonial das empresas. O estoque vai se convertendo em dinheiro à medida em que é utilizado, melhorando assim o fluxo de caixa e o retorno sobre o investimento. Além disso, existem os custos gerados pelos estoques, o que ocasiona um aumento dos custos operacionais, diminuindo assim o lucro e apontando que uma boa gestão de estoques é vital para as empresas (ARNOLD, 2012).

Azevedo e Souza (2017) afirmam que grande parte das empresas objetivam atender seus clientes no momento certo e com a quantidade certa e que para obter uma vantagem competitiva conservadora é necessário que haja velocidade e prontidão na entrega de produtos. Nesse contexto, existem vantagens que os estoques geram, como:

  • Melhorar o serviço ao cliente: dar apoio à área de marketing, que objetiva criar demanda, necessitando de produtos disponíveis para concluir as vendas;
  • Economia de escala: os custos são menores quando a produção de produtos é realizada em escala;
  • Proteção de alterações de preço devido á alta inflação: Quanto maior é o volume de compras, menos impacto sofre o aumento de preços pelos fornecedores;
  • Proteção contra incertezas na demanda e tempo na entrega: Problema advindo de sistemas logísticos quando a previsão de demanda quanto o tempo de ressuprimento não são calculados, sendo necessário o uso dos estoques de segurança para suprir as necessidades dos clientes;
  • Proteção contra contingências: Assegurar a empresa contra incêndios, greves, inundações, instabilidade política e outros fatores externos que podem ser uma “dor de cabeça” para a empresa. A manutenção correta dos estoques podem diminuir estes riscos.

O Quadro 1 demonstra as forças e os tipos de estoques necessários segundo Robenson, Copacino e Howe (1994).

Forças que tornam os estoques necessários

Motivo do EstoqueTipo de Estoque
IncertezasEstoque de segurança
Produção/Transporte em lotesEstoque de ciclo
Tempo de transporteEstoque em trânsito
Tempo de processamentoEstoque em processo
SazonalidadeEstoques sazonais
Variação na taxa de atividadesEstoque de antecipação
EspeculaçãoEstoques especulativos

Robenson, Copacino e Howe (1994)

Azevedo e Souza (2017) argumentam que o ideal seria a inexistência de estoques, onde o cliente pudesse ser atendido no momento em que precisasse. Porém os autores afirmam, assim como Viana (2002), que os principais motivos para manter estoque permanente para o atendimento imediato ao consumo interno e às vendas da empresa são:

  • A necessidade do operacional dar continuidade;
  • Incerteza da futura demanda ou flutuações da demanda na fase de planejamento; 
  • Imediata disponibilidade de materiais e poder cumprir os prazos de entrega. 

De forma similar, Ballou (2004) argumenta que não é preciso manter estoques caso a demanda seja previsível, ou seja, se a previsão da demanda for precisamente calculada, é mais fácil e simples para controlar os estoques. Em contrapartida, como é praticamente impossível prever exatamente a demanda, as empresas mantém estoques para mitigar os efeitos causados pelas variações da oferta e procura do mercado.

Viana (2002) aponta outras razões para a existência de estoques. Para o autor, um dos fatores é a impossibilidade de possuir os materiais disponíveis no momento em que há demanda. Outro fator é a redução das variações dos custos unitários, bem como a diminuição da frequência de contatos com o mercado externo, que pode ser muita das vezes prejudicial à atuação formal do comprador e a segurança contra os riscos ou indisponibilidades provenientes da produção do mercado fornecedor.

Corrêa, Gianesi e Caon (1997) citam alguns fatores para a existência e manutenção de estoques:

  • O fato de não ser possível ou não ser viável a correta correlação entre a demanda e a oferta;
  • As oscilações nas previsões de demanda ou de abastecimento; 
  • A ocupação dos meios de distribuição. 

Controle e GESTÃO DE ESTOQUES

 De acordo com Slack, Chambers e Johnston (2002):

“O conceito de gestão de estoques originou-se na função de compras em empresas que compreenderam a importância de integrar o fluxo de materiais a suas funções de suporte, tanto por meio do negócio, como por meio do fornecimento aos clientes imediatos. Isso inclui a função compras, acompanhamento, gestão de armazenagem, planejamento e controle de produção e gestão de distribuição física”.

O controle de estoques é toda atividade exercida a fim de registrar, fiscalizar e gerir entradas e saídas de produtos e/ou mercadorias em uma organização, devendo ser utilizado tanto para produtos produzidos, matéria-prima ou produtos vendidos. O controle de estoques influencia de maneira significativa a rentabilidade das organizações, pois os estoques sugam capital que poderia estar aplicado em outras finalidades, ou seja, absorvem um capital de outra finalidade potencia, tendo o mesmo custo de outro projeto de investimento da organização. Através desse estoque é possível ter ciência de quanto comprar e o que comprar para que a empresa não tenha desperdícios de materiais ou até mesmo da falta deles (OLIVEIRA; SILVA, 2013).

Castro (2005) referencia alguns dos principais modelos matemáticos que foram desenvolvidos para a gestão de estoques, sendo eles:

  • Lote Econômico: foi desenvolvido por Harris em 1913, tendo como lógica de que a quantidade ótima a ser produzida é a que possui, ao mesmo tempo, o menor custo de pedido e de estocagem;
  • Modelos de Scheduling: pode ser considerado uma programação, envolvendo o uso limitado de recursos em um certo período de tempo a fim de atender os pedidos dos clientes ou repor estoques;
  • Formação dinâmica de lotes: se originou a partir do Lote Econômico, com características semelhantes, excluindo o fato de que a demanda não precisa ser constante;
  • Modelos probabilísticos: estes são mais sofisticados e complexos, levando em conta certos defeitos dos modelos supracitados. Os mais usuais são: Modelo do jornaleiro, Modelo de revisão periódica de estoque, Modelo de reposição contínua de estoque e Modelo de estoque base.

Gonçalves (2010) diz que, para manter o controle sobre os estoques é importante conhecer o nível dos mesmos e então poder identificar o momento que for preciso repor a quantidade de materiais antes de atingir o nível de estoque, garantindo que não falte produto. O autor ainda aponta que é preciso atender a demanda, de forma a suprir suas necessidades e aconselha a possibilidade da existência de um estoque “extra”, para lidar com imprevistos a fim de conseguir atender a demanda, evitando a insatisfação da mesma e a perda de vendas. Porém, é importante tomar cuidado com o excesso, já que aumentaria os custos de estoques. Arnold (2008) diz que o estoque de segurança deverá ser utilizado para imprevistos no comportamento da demanda ou no tempo de ressuprimento, ou seja, para suprir uma necessidade futura que possa ocorrer.

Oliveira e Silva (2013) afirmam que o controle de estoques é focado no setor financeiro da empresa devido ao fato da manutenção dos estoques possui um valor elevado e a correta gestão desses estoques devem possibilitar que o capital investido seja minimizado, pois é impossível uma empresa trabalhar sem estoque. De acordo com isto, para obter um bom controle de estoques, primeiro é necessário que haja o planejamento de estoque, pois os níveis de estoques são relacionados com a rapidez da demanda. Se a procura pelo produto for maior que o tempo necessário para suprir o estoque, ocorrerá uma ruptura ou esvaziamento do estoque, acarretando em prejuízos em praticamente todos os setores da empresa. Por isso é necessário também tomar providências para evitar esta interrupção no reabastecimento do estoque.  

Para Ching (2010) a gestão de estoques integra a parte de compras, movimentação de produtos e funções de suporte para a empresa e para satisfazer as necessidades dos clientes. Ademais, inclui o acompanhamento, planejamento e controle da produção, armazenagem dos produtos e distribuição.

Pascoal (2008) evidencia que o gerenciamento de estoques se resume à planejar totalmente como deverá ser controlado os materiais dentro da empresa, mantendo um equilíbrio entre o estoque e o consumo, com foco nas áreas de estocagem que a empresa necessita de fato. A autora ainda argumenta que a preocupação por qualquer empresa é preservar o equilíbrio entre as variáveis do sistema, como os custos de aquisição, estocagem e de distribuição, bem como o nível de atendimento das demandas por parte dos consumidores, entre outros.

Oliveira e Silva (2013) argumentam que uma má gestão ocasionaria em uma série de prejuízos á empresa, como um aumento no cancelamento de pedidos, perda de produção devido á falta de materiais, pouco espaço para armazenamento, estoques maiores quando a produção é constante, entre outros. Por isso o correta gestão planejamento no controle de estoque torna-se essencial e vital, pois ela age como uma proteção contra o aumento dos preços, incertezas da demanda e no tempo de ressuprimento do estoque. Os autores citam as principais funções da gestão de estoques, sendo elas:

  • Definir o que manter estocado;
  • Definir o momento de reabastecimento; 
  • Definir a quantidade à ser requisitada; 
  • Acionar o processo de reabastecimento;
  • Suprir, receber e estocar os materiais de acordo com a requisição dos mesmos; 
  • Efetuar o saneamento do estoque. 

mercado automotivo

O mercado automotivo na América do Sul, em 2011, cresceu 10,7% em relação a 2010 no qual o Brasil e a Argentina representam quase 80% do total de veículos vendidos (Semple, 2012). O gráfico 1 ilustra a evolução das vendas de automóveis de 2006 à 2011.

Venda de veículos na América do SulVenda de veículos na América do SulSemple (2012) apud Carcon Automotive (2012)

Rios (2014) argumenta que os consumidores voltaram seus olhares para os carros novos devido à redução do IPI e à facilidade de crédito nos últimos anos. Com isso, as vendas sobre os automóveis seminovos caíram significativamente porém os sinais de aumento começaram a surgir, de maneira que os estoques de carros novos aumentaram e os consumidores voltavam a desejar os carros usados. A figura 2 ilustra os dados sobre as vendas de automóveis usados e seminovos no período de 2011 à 2013. A autora ainda afirma que foi obtido uma alta de 9,4% no primeiro trimestre de 2014 em relação ao mesmo período no ano de 2013, segundo os dados da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores). As vendas se totalizaram em 3,03 milhões de veículos, compostas de motos, automóveis, caminhões e ônibus. Ao mesmo momento em que as vendas de veículos novos caíram 2,1% para 812,8 mil. Além disso, a autora aponta que o preço é o principal motivo para que os consumidores prefiram o veículo usado.

Vendas de automóveis seminovos e usados de 2011 a 2013 em nível nacionalVendas de automóveis seminovos e usados de 2011 a 2013 em nível nacionalAdaptado de Gazeta do Povo (2014) apud Fenauto (2014)

Scheller e Silva (2015) prosseguem argumentando que enquanto o mercado de carros novos sofreu uma crise grave com queda de mais de 16% nas vendas do primeiro trimestre de 2015, as revendas de carros usados terminaram o mês de março de 2015 com alta de 2,3% nas vendas. Os autores também apontam que o consumidor está atento ao preço, critério em que os veículos usados levam vantagem. O valor do carro novo subiu 7,2% e os usados obtiveram uma queda de 3,2% nos últimos 12 meses, em média. 

Devido ao aumento dos preços dos carros zero quilômetro, o desejo na compra do carro usado ficou mais atraente para o consumidor. O resultado disso é a queda de 25,4% no primeiro semestre do ano de 2016 para os veículos zero quilômetro, ao mesmo tempo que as vendas de carros usados cresceu 23,6% no mesmo período, de acordo com os dados da Fenauto. As vendas totais de veículos usados no primeiro semestre de 2015 foi de 1,83 milhões, enquanto no primeiro semestre de 2016 foram vendidos 2,26 milhões de veículos usados. Em contrapartida, foram vendidos 951,2 mil veículos novos (ou zero quilômetro) no mesmo período. Em média, foram vendidos quatro veículos usados para cada veículo novo. Somente no mês de Junho de 2016 a demanda subiu em 1,4% com 413.971 unidades vendidas. O automóvel mais vendido no primeiro semestre de 2016 é o Volkswagen Gol, seguido pelo Fiat Uno e pelo Fiat Palio, conforme mostra o quadro 2 (iG São Paulo, 2016).

Os dez carros usados mais vendidos no primeiro semestre de 2016

PosiçãoModeloQuantidade
Volkswagen Gol456.746
Fiat Uno287.999
Fiat Palio262.028
Chevrolet Celta166.478
Chevrolet Corsa141.671
Fiat Strada122.189
Ford Fiesta122.044
Volkswagen Fox117.361
Fiat Siena108.219
10ºVolkswagen Saveiro93.253

iG São Paulo (2016)

Moraes (2017) que os carros usados “caíram no gosto” dos consumidores, ou seja, os consumidores têm preferido os carros usados aos novos. Isso se deve ao fato do impulsionamento gerado pela liberação das contas inativas do FGTS, ocasionando em um aumento de 10% na comercialização de carros usados em março de 2017, em relação ao mesmo período do ano de 2016. A autora ainda aponta que no acumulado do ano a alta foi de 8,7% e que houve um aumento na facilidade de negociação, aquecendo as vendas. O gráfico 2 mostra a participação acumulada dos automóveis no mercado até março de 2017, de acordo com as respectivas montadoras.

Participação de mercado acumulado até Março de 2017Participação de mercado acumulado até Março de 2017Fenabrave (2017)

Segundo os dados da Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores), conforme citado por Moraes (2017), mesmo diante do crescimento nas vendas dos carros usados, em março de 2017 houve uma queda de 26% sobre as vendas de carros importados em comparação ao mesmo período do ano de 2016. Foi constatado também um recuo de 38,3% no acumulado de 2017.

Os dados de mercado de 01 de Abril de 2017 da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) demonstram que os modelos Gol, Uno e Palio estão no topo da lista de carros usados mais comercializados em março de 2017, conforme mostra o quadro 3.

Ranking de usados mais negociados em Março de 2017

PosiçãoModeloMar/17
GOL81.507
 UNO52.227
 PALIO50.466
 CELTA30.329
 CORSA25.228
 FIESTA22.854
 FOX22.848
 SIENA20.723
 CLASSIC18.108
10º COROLLA17.182
11º KA16.007
12º CIVIC15.357
13º SANDERO13.705
14ºVOYAGE 13.196
15º ECOSPORT12.158
16º FIT10.821
17º PRISMA9.873
18º ONIX9.538
19ºHB20 8.393
20ºC3 8.104
21ºPALIO WEEKEND 7.709
22ºVECTRA 7.574
23ºGOLF 7.434
24º FUSCA7.319
25º ASTRA6.995
26ºCLIO 6.894
27º FIESTA SEDAN6.487
28ºPUNTO 6.479
29º PARATI6.382
30º LOGAN5.802
31ºIDEA 5.651
32ºFOCUS 5.275
33ºAGILE 5.224
34ºTUCSON 4.862
35ºDUSTER 4.700
36º2064.645
37º PAJERO4.608
38ºCITY 4.549
39º COBALT4.498
40º MERIVA4.374
41ºESCORT 4.230
42ºCORSA SEDAN 4.193
43ºCROSS FOX 4.092
44ºPOLO 3.975
45º2073.900
46º CRUZE SEDAN3.662
47º I303.557
48º MONZA3.550
49º SPACE FOX3.474
50º POLO SEDAN3.377

Fenabrave (2017)

METODOLOGIA

Este capítulo abordará o tipo da pesquisa, bem como sua abordagem, o método de pesquisa utilizado, a utilização do método ABC para gestão de estoques, amostra e coleta de dados e o projeto da pesquisa.

Classificação da pesquisa

O tipos de pesquisa utilizados no presente trabalho são: a pesquisa Descritiva, que objetiva descrever as características de um fenômeno, e a pesquisa Exploratória, pelo fato desta pesquisa poder fazer com que o pesquisador tenha mais familiaridade com o assunto à ser explorado, geralmente assumindo a forma de um Estudo de Caso (GIL, 2008).

Quanto á abordagem da pesquisa, este estudo adotou a abordagem quantitativa, conforme explica Fonseca (2002):

“Diferentemente da pesquisa qualitativa, os resultados da pesquisa quantitativa podem ser quantificados. Como as amostras geralmente são grandes e consideradas representativas da população, os resultados são tomados como se constituíssem um retrato real de toda a população alvo da pesquisa. A pesquisa quantitativa se centra na objetividade. Influenciada pelo positivismo, considera que a realidade só pode ser compreendida com base na análise de dados brutos, recolhidos com o auxílio de instrumentos padronizados e neutros. A pesquisa quantitativa recorre à linguagem matemática para descrever as causas de um fenômeno, as relações entre variáveis, etc.”

Com relação aos métodos de pesquisa, existem vários, como o método Survey, Pesquisa-Ação, Modelagem, Simulação e Estudo de Caso, por exemplo. O método utilizado neste trabalho foi o Estudo de Caso que, para Yin (2015), é uma investigação de um fenômeno contemporâneo em um contexto real, de modo empírico, realizada de uma forma mais aprofundada.

O método ABC

De acordo com Pinto (2002), a análise ABC (ou Curva ABC) é uma classificação de materiais, realizada a partir de cálculos estatísticos e no princípio de Pareto, que leva em conta a importância dos produtos estocados, com base no valor e nas quantidades vendidas.

O principal objetivo da Curva ABC é o reconhecimento dos produtos que possuem maior valor de demanda, para realizar uma gestão mais eficiente sobre eles. Estes produtos são classificados como “A” e representam valores de investimentos elevados e, se controlados corretamente, podem gerar uma redução nos custos de estoques (GONÇALVES, 2010).

A Curva ABC é uma ferramenta de auxílio ao gestor, pois permite a identificação dos produtos que necessitam de uma atenção maior e priorização, ou seja, através deste método pode-se classificar os itens de acordo com sua importância relativa (DIAS, 1993).

A Curva ABC, de acordo com Moreira (2008), é dividida em três classes, sendo:

  • Classe A: cerca de 20% dos itens correspondem a 70-80% dos investimentos e são os mais importantes, devendo ser tratados com uma atenção especial;
  • Classe B: são os 20% dos itens que correspondem a 20% dos investimentos, sendo produtos intermediários que devem receber atenção, porém menos que a classe A;
  • Classe C: a maior parte dos itens, cerca de 60-70% que correspondem a 10% dos investimentos, sendo controlados com menos rigor. 

Mitiuye et al. (2008) diz que a classificação dos itens pode ser representada por meio de um gráfico traçado nos eixos cartesianos, sendo indicados o percentual do faturamento acumulado e o percentual de itens de acordo com cada classe, sendo demonstrado no gráfico 3.

Gráfico da Curva ABCGráfico da Curva ABCLetti e Gomes (2014)

Viana (2002) exemplifica a aplicação do método ABC em três partes:

“[…] por primeiro, deve-se realizar a elaboração da tabela mestra, em segundo, construir o gráfico e, por terceiro e último passo, fazer a interpretação do gráfico, com identificação plena de percentuais e quantidades de itens envolvidos em cada classe, bem como de sua respectiva faixa de valores.”

Dias (2011) comenta que a análise ABC pode resultar em diferentes comportamentos, podendo ter no gráfico a forma reta, onde todos os produtos possuem o mesmo valor e com isso a mesma participação no valor total, possuindo nenhuma concentração. Caso os valores mais altos são resultantes de poucos itens, existe uma concentração forte, conforme ilustra o gráfico 4.

Diferentes concentrações na Curva ABCDiferentes concentrações na Curva ABCAdaptado de Dias (2011)

Projeto da pesquisa

Com o intuito de atingir o objetivo geral e os objetivos específicos, o primeiro passo foi coletar os dados do software de gestão que a Empresa utiliza, utilizando os registros de vendas totais em um período de 6 meses. Os dados brutos foram obtidos no formato de planilha do Excel, contendo as seguintes informações: marca, modelo, ano, placa, tipo (se é próprio ou consignado), data de entrada, data de saída e valor vendido. Logo após foi realizada uma filtragem dos dados, onde foram eliminados os veículos consignados, bem como os que não possuíam data de entrada, data de saída e valor vendido. 

Com os dados sintetizados, o próximo passo foi agrupar os modelos de automóveis em tipos, para que facilite a visualização na aplicação do método ABC. Esse agrupamento desconsiderou o ano do veículo, relacionando somente o modelo com a quantidade vendida e o valor vendido. Com referência em um artigo do portal Carros de Garagem (2017), os modelos de carros foram agrupados da seguinte maneira:

  • Hatch compacto: São modelos de entrada, mais simples e baratos, possuindo 2 a 4 portas e o motor biocombustível. São populares, práticos, fáceis de manobrar e possuem o porta-malas pequeno e o espaço para passageiros também. Os principais modelos para essa categoria são: Fiat Uno, Peugeot 206, Chevrolet Celta, Ford Ka, Fiat Palio, Chevrolet Corsa Hatch e VW Gol;
  • Hatch médio e esportivo: São maiores que o Hatch compacto, com o motor mais potente e um acabamento mais refinado. Por isso possui um preço superior ao Hatch compacto, possuindo melhor desempenho e velocidade. Os principais modelos para essa categoria são: Fiat Stilo, Fiat Punto, Renault Sandero Hatch, VW Golf, VW Polo Hatch, Chevrolet Astra Hatch, Peugeot 307 e Ford Focus Hatch;
  • Sedã compacto: São produzidos com base nos Hatches compactos, não sendo esportivos. Porém o porta-malas é o grande diferencial deste tipo de carro, pelo seu tamanho maior. Os principais modelos para essa categoria são: Chevrolet Corsa Sedã, Chevrolet Classic, Chevrolet Prisma, VW Voyage, Ford Fiesta Sedã, Renault Logan Sedã e Fiat Siena;
  • Sedã médio: São carros mais conservadores, preferidos por famílias grandes. O porta-malas é grande e possuem um motor mais potente que o Sedã compacto, bem como uma sofisticação maior dos itens de série e acabamento. Os principais modelos para essa categoria são: Fiat Linea, Honda Civic, Toyota Corolla, VW Polo Sedã e Chevrolet Vectra;
  • Sedã grande: São os mais caros e sofisticados, pra quem deseja luxo e conforto. A maioria é importada, com acabamento e itens de séries impecáveis. Os principais modelos para essa categoria são: Ford Fusion, VW Passat, Toyota Camry, Hyundai Azera, Audi A6, Audi A8, Citroën C5, Honda Accord, Mercedes-Benz Classe E.
  • Perua (station wagon): Possuem amplo espaço interno, sendo essenciais para quem precisa de muito espaço para viajar ou famílias grandes. O número de itens de série varia muito, variando também o preço. Os principais modelos para essa categoria são: VW Parati, WV Space Fox, VW Passat Variant, Peugeot 207 SW e Fiat Palio Weekend;
  • Picape: São popularmente conhecidas como “caminhonetes” , sendo inicialmente criadas para trabalho pelo fato de transportarem carga em compartimento aberto. Porém esse tipo de carro é bastante adotado por jovens e esportistas. A estrutura é basicamente composta por uma cabine de dois lugares e uma carroceria na parte traseira. Os principais modelos para essa categoria são: Ford F250, Ford Courier, Fiat Strada, Chevrolet Montana., Ford Ranger, Toyota Hilux e Chevrolet S10;
  • Utilitário esportivo (SUV): É como uma Perua, mas coma  estrutura elaborada com base na Picape, sendo projetadas para andar em qualquer terreno, pois são robustas e geralmente possuem tração 4X4. O acabamento é luxuoso e possui tecnologia de ponta. Os principais modelos para essa categoria são: Porsche Cayenne, BMW X5, Mercedes-Benz ML, Jeep Cherokee, Nissan Pathfinder e Pajero Full, Ford EcoSport e Chevrolet Tracker.

Depois do agrupamento, foi realizado todos os cálculos de acordo com o método ABC, onde foram realizados no software Excel 2016. Primeiramente foi calculado o valor total de vendas para cada tipo, bem como a quantidade vendida. Depois foi calculado o valor médio de cada unidade para cada tipo de carro, de acordo com a quantidade vendida e o valor total de vendas. Na sequência, foi calculado o valor acumulado e a porcentagem acumulada das vendas para cada tipo de automóvel, onde foi obtido a classificação ABC para cada um destes tipos. 

Logo após foi calculada a média do tempo de permanência em estoque (em dias) para cada tipo de automóvel, sendo obtida de acordo com as datas de entrada e saída, tempo de permanência total de cada tipo de automóvel e quantidade vendida de cada tipo no período analisado. O último passo foi apresentar os resultados aos gestores da Empresa, sendo obtido um feedback sobre a relevância do estudo realizado. O fluxograma 1 ilustra os passos que foram descritos.

Fluxograma da metodologiaFluxograma da metodologiaO autor (2017)

ESTUDO DE CASO

Este capítulo abordará a descrição do objeto de estudo, os resultados obtidos e uma discussão dos mesmos.

Descrição do objeto de estudo

A “Empresa”, que não quis ser identificada no presente trabalho, autorizou a coleta de dados para execução deste estudo, sendo de interesse para a mesma obter um maior conhecimento acerca do seu estoque.

A “Empresa” é uma revenda de automóveis usados, situada no município de Itaperuna-RJ, com um histórico de 10 anos de vendas, sendo um referencial na cidade para compra de carros usados e seminovos. O cliente que deseja trocar de carro consegue facilmente, pois a loja possui financiamento próprio, quando o valor de entrada chega a ultrapassar cerca de 70% do veículo que o cliente deseja adquirir, sendo que a loja considera como “entrada” o veículo que o cliente possui e deseja se desfazer dele. Os gestores da empresa buscam focar na revenda de carros populares, pois sentem que há uma demanda maior por essa categoria de carros na cidade de Itaperuna-RJ.

A empresa possui um sistema de gestão de estoque, onde funcionário insere todos os dados do veículo, tais como: data de entrada, preço de compra, preço de venda, data de saída, preço vendido, descrição da negociação, dados do comprador, dados do vendedor, situação do documento etc. Este sistema é indispensável para o controle operacional e gerencial da empresa, sendo tudo registrado nele.

resultados e discussão

O primeiro passo foi sintetizar os dados, agrupando os modelos dos veículos de acordo com seu tipo e eliminando veículos que possuíam dados incompletos necessários para a realização deste estudo.

Depois disso foi realizado todos os cálculos necessários para a elaboração da tabela mestra do método ABC, conforme demonstra a tabela 1. Primeiramente foi inserida a quantidade total vendida para cada tipo de automóvel, bem como o valor total e o valor médio de cada veículo. Logo após foi calculado o valor acumulado e o percentual acumulado, sendo o referencial na identificação das classes ABC.

Análise ABC dos tipos de automóveisAnálise ABC dos tipos de automóveisO autor (2017)

Como se pode visualizar, os tipos de veículos que merecem destaque e maior atenção são os tipos de automóveis da categoria “A”, sendo: “Hatch compacto”, “Picape” e “Sedã compacto”. Estes veículos representam o maior percentual sobre o faturamento da empresa, com um foco ainda maior para o tipo “Hatch compacto”, com um total de 54 vendas, representando cerca de 40% sobre o faturamento da empresa no período analisado.

Posteriormente foi elaborado o gráfico da curva ABC, com base na tabela mestra, conforme ilustra o gráfico 5.

Curva ABC dos tipos de automóveis sobre o percentual acumuladoCurva ABC dos tipos de automóveis sobre o percentual acumuladoO autor (2017)

Com os resultados obtidos dos cálculos da curva ABC, o próximo passo foi calcular a média da permanência (em dias) para cada automóvel de acordo com o seu tipo, ou seja, quantos dias cada automóvel de cada tipo ficou estocado, conforme demonstra a tabela 2.

Média de permanência dos automóveis em estoque

TipoQuantidadePermanência total (em dias)Média de permanência (em dias)
Hatch médio3239,579,83
Perua7350,550,07
Sedã médio8348,7543,59
Hatch compacto541912,2535,41
Picape11345,7531,43
Sedã compacto1442530,36
SUV5132,7526,55
Sedã grande23115,50

O autor (2017)

Para melhor visualização, foi construído um gráfico com os resultados finais da tabela 2. O gráfico 6 mostra que os tipos de automóveis da classe “A” (Hatch compacto”, “Picape” e “Sedã compacto”) obtiveram uma média de aproximadamente um mês em estoque, enquanto os tipos de automóveis da classe “C”, com exceção do tipo “Sedã grande”, apresentaram uma média de permanência elevada em estoque, sendo 80 dias para o tipo “Hatch médio” e 50 dias para o tipo “Perua”.

Permanência dos tipos de automóveis em estoquePermanência dos tipos de automóveis em estoqueO autor (2017)

Por fim, foi realizada uma reunião com os gestores da empresa, onde estes resultados foram apresentados, a fim de obter um feedback sobre a relevância deste estudo à empresa.

Os resultados foram apresentados e discutidos, onde os gestores da empresa ficaram muito satisfeitos com a realização e com o sucesso na execução, sendo o primeiro estudo realizado sobre o estoque da empresa. O estudo comprovou que a empresa investe na revenda de carros populares, sendo o tipo “Hatch compacto” o mais vendido pela empresa. Os gestores afirmaram que irão focar mais ainda nesse nicho de mercado e nos clientes que buscam esse tipo de veículo, sendo uma característica forte da empresa. 

CONCLUSÃO

A principal finalidade deste trabalho foi oferecer à “Empresa” informações necessárias sobre seu estoque para auxiliar nas decisões gerenciais e operacionais, com base na aplicação do método ABC e no cálculo das médias de permanência em estoque para cada tipo de automóvel.

Dentre vários métodos conhecidos para gestão de estoque, o método ABC foi considerado o mais adequado para a execução deste estudo,  pois havia um interesse em identificar quais tipos de automóveis a empresa necessita dar uma atenção especial, bem como demonstrar os índices de carros que ficam mais dias em estoque.

A análise permitiu concluir que a empresa precisa focar em carros populares, sendo demonstrado pelos carros do tipo “Hacth compacto”, que resultaram em aproximadamente 40% sobre o faturamento da empresa, com uma média de aproximadamente um mês em estoque, para cada automóvel. O método também forneceu que os tipos de automóveis da classificação “C” são os que permanecem mais tempo em estoque, exceto o tipo “Sedã grande”.

Finalmente, a partir da apresentação dos resultados obtidos à empresa, foi levantado o interesse pelos gestores da empresa em investir ainda mais em automóveis populares, com foco no tipo “Hatch compacto”. A empresa também considerou satisfatório a execução e os resultados obtidos e apontou que o presente trabalho ajudou no fornecimento de informações relevantes que irão auxiliar nas decisões gerenciais e operacionais da empresa.

A partir dessas informações, a análise ABC pode auxiliar em vários aspectos importantes para que a empresa continue evoluindo, como a redução de custos, melhoria no nível de serviço e aproveitamento maior do espaço do estoque.

Concluindo, algumas sugestões para trabalhos futuros são:

  • Realizar uma análise similar no período posterior ao realizado no presente trabalho e comparar com os resultados deste trabalho, a fim de obter informações relevantes, como sazonalidade;
  • Elaborar um estudo que verifique a melhoria no nível de serviço prestado pela empresa com foco nos clientes que demandam por carros populares;
  • Implementar indicadores de desempenho (KPI) na otimização da parte operacional da empresa, a fim de aumentar a eficiência.
feito

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