ANÁLISE DE GESTÃO EMPRESARIAL

INSTITUTO SUPERIOR DO LITORAL DO PARANÁ

ANÁLISE DE GESTÃO EMPRESARIAL

Elizeu tomporowski

Resumo

Este estudo ressalta a análise real da gestão de um empreendimento, onde buscou-se avaliar os aspectos administrativos e operacionais, tendo como objetivo, identificar possíveis deficiências que possam comprometer a gestão e desenvolvimento de suas atividades. Para as investigações, foram utilizados como métodos visitas técnicas à empresa e entrevistas com o gestor e os proprietários. Já para a coleta de dados, buscou-se material didático em bibliotecas, internet e na própria empresa. Nos resultados obtidos, evidenciou-se que a empresa é dependente da oferta de matéria prima, oferta, esta, que está diretamente relacionada às condições climáticas. Notou-se, também, que o planejamento do estoque não atende por completo as necessidades obtidas.
Com relação ao capital de giro, percebeu-se que foi necessário a busca de empréstimos para financiá-lo. Também foi observado evoluções no decorrer da pesquisa, onde, no período, os procedimentos operacionais foram melhorados e apresentaram um aumento significativo na produção.
Os demais pontos focados foram em relação ao ótimo comprometimento dos funcionários; a falta de demonstrações financeiras claras e organizadas e possíveis distorções na contabilidade e recolhimento de impostos. Conclui-se que apesar de algumas deficiências, esta apresenta ótimo potencial de crescimento em função de três motivos principais: estar próximo de um grande mercado consumidor; ter disponibilidade de matéria-prima próxima na região e ter pessoas comprometidas em todos os níveis hierárquicos.

Palavras-chave: Gestão, Estoque de Matéria Prima, Biomassa, Capita de Giro, Condições Climáticas.

Abstract

This study highlights a real analysis of the management of an enterprise, where it is sought administrative management and development of its activities. For the investigations, they were used as research methods for companies and interviews with the manager and the owners. Already for a data collection, it was looked for didactic material in libraries, Internet and in the own company. In the obtained results, it was evidenced that a company is dependent on the supply of raw material, supply, that is directly related to the climatic conditions. It was also noted that inventory planning does not fully meet the needs obtained.
With regard to working capital, it was realized that it required a search for loans to finance it. Non-research developments were also observed, where there was no period, operational procedures were improved and presented a significant increase in production.
The other focal points were in relation to the excellent commitment of the employees; The lack of clear and organized financial statements and possible distortions in accounting and tax collection. It is concluded that despite some deficiencies, this presents great growth potential due to three main factors: being close to a large consumer market; ave availability of raw material coming in the region and have committed people at all hierarchical levels.

Palavras-chave: Management, Raw Material Stock, Biomass, Turnover Cap, Climate Conditions.

Introdução

O conhecimento organizacional e cultural de uma instituição, indiferentemente do setor em que ela está inserida, é indispensável para que o administrador conduza a sua gestão, com o objetivo de maximizar o seu desempenho, tornando-a competitiva. Segundo Gitman (1997), a habilidade para acompanhar e reconhecer as mudanças no contexto empresarial é uma capacitação gerencial fundamental.

Por fazerem parte de um mercado competitivo, as empresas, principalmente as de pequeno porte, apresentam dificuldades para se adequarem as atividades, sendo sustentáveis, lucrativas e responsáveis ambientalmente e socialmente.

Busca-se com esta pesquisa, vivenciar o dia a dia de uma organização, permitindo observarmos as peculiaridades que forma o ambiente, com o objetivo de responder a seguinte questão: O perfil de gestão, quanto aos aspectos financeiros e operacionais da empresa florestal estudada, é eficaz?

Este trabalho propõe-se a responder a pergunta, tomando como base uma empresa real produtora de “cavaco”, biomassa de madeira oriunda de reflorestamentos, utilizada para obtenção de energia calorífica. A empresa está localizada na região do Alto Vale do Itajaí, Estado de Santa Catarina.

No decorrer da sua gestão, o empresário necessita, em muitas ocasiões, redirecionar medidas estratégicas, verificar quais produtos estão ocasionando lucro ou prejuízo, entre outras. Se as mudanças forem feitas isoladamente, provavelmente não alcançará o seu objetivo principal.

Assim como as mudanças empresariais, o ciclo operacional de uma empresa deve ser entendido pelos administradores, para que eles possam aprofundar-se no assunto, melhorando a qualidade e a rapidez de um processo financeiro.

Tão importante quanto o conhecimento do ciclo operacional da empresa, é necessário, também, se ter o entendimento da gestão e aplicação do capital de giro, que segundo Souza (1996), representa o valor total dos recursos demandados pela empresa para financiar o seu ciclo operacional.

A administração do capital de giro está relacionada com as estratégias traçadas numa organização, que como define Porter (1999), 

para se criarem estratégias dentro de uma organização, é necessário primeiramente conhecer o ambiente em que a empresa está inserida para saber a estratégia necessária para competir, ou seja, verificar os pontos favoráveis que vão beneficiar a empresa neste jogo.

Os produtos provenientes de base florestal, desde os tempos primitivos até os dias atuais, são utilizados pelo homem em inúmeras finalidades, sendo a combustão da madeira para a obtenção de calor uma das suas principais utilizações. Com o passar do tempo surgiram algumas alternativas para o melhor aproveitamento, principalmente nos processos industriais, como a energia elétrica, através das termoelétricas e a produção de pellets para o aumento do potencial calorífico na combustão.

No Brasil e no mundo, as indústrias buscam alternativas renováveis de energia em substituição parcial aos combustíveis fósseis, que por sua vez, são limitados, onde estas sejam mais limpas e causem menores impactos ao meio ambiente. Neste contexto, houve um aumento significativo do consumo de biomassa para fins industriais, onde a demanda por estes produtos acarretaram no desenvolvimento de empreendimentos no setor que atendam a estas necessidades do mercado.

Desenvolvimento

uso da biomassa para energia

Uma das primeiras utilizações da biomassa pelo homem para obtenção de energia foi o uso do fogo. A madeira foi por muito tempo a principal fonte energética utilizada, ao lado dos óleos vegetais e animais em menor escala. A revolução industrial marcou o auge da importância do consumo da biomassa, com o uso de lenha na indústria siderúrgica, além de sua aplicação nos transportes.

De acordo com Banco Mundial (2012), “50% a 60% da energia nos países em desenvolvimento vêm da biomassa, e metade da população mundial cozinha com madeira.”

Dados estatísticos indicam que a madeira destinada para energia soma mais da metade da biomassa florestal consumida mundialmente, em especial nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. A lenha e o carvão vegetal, os combustíveis provenientes da madeira mais amplamente usados, são vitais à nutrição das famílias rurais e das comunidades em diversas regiões do Planeta. A realidade mundial de centenas de milhares de pessoas é ter a lenha como a fonte energética predominante. De cada seis pessoas, duas utilizam a madeira como a principal fonte de energia, particularmente para famílias de países em desenvolvimento. Ela sustenta determinados processos, como secagens, cozimentos, fermentações, produções de eletricidade.

A madeira foi a principal fonte de energia primária no Brasil até 1972, quando foi suplantada pelo petróleo, devendo-se ressaltar que somente em 1978 ela foi superada pela energia elétrica. Como conseqüência, a participação porcentual da madeira no balanço energético no País vem decrescendo ao longo do tempo, pois seguindo a tendência da maioria dos países desenvolvidos, visando atender às novas demandas energéticas, nas últimas três décadas o Brasil vem incentivando principalmente o uso de derivados de petróleo e a eletricidade. Apesar disto, atualmente a madeira ainda se coloca como importante recurso energético nacional, com valores de consumo situados ao lado dos observados para os produtos da cana-de-açúcar e da eletricidade.

Uma análise da evolução do consumo da madeira para energia nos últimos dez anos mostrará ainda que, embora tenha ocorrido diminuição na sua participação porcentual relativa ao consumo total, a quantidade de madeira consumida anualmente permaneceu na escala de 20 milhões de toneladas equivalentes em petróleo. Este fato demonstra a existência de um mercado cativo para uso energético da madeira no País.

 Administração do Capital de Giro 

O capital de giro é a base de todo negócio financeiro. É administrado em empresas de pequeno, médio e grande porte. Para Berti (1999), “capital de giro é o montante estipulado, empregado à aplicação dos meios de produção, de forma que a empresa complete o ciclo operacional.”

Na visão de Souza e Menezes (1997), “os recursos financeiros representados pelo capital de giro disponíveis na empresa são aplicados em ativos circulantes, principalmente nas disponibilidades financeiras, estoques e contas a receber e ativos não circulantes tais como aqueles ativos sem perspectiva da não-realização em um futuro caracterizado como de curto prazo, ou seja, sem retorno financeiro.”

De acordo com Assaf Neto e Silva (1997), a necessidade de investimento em capital de giro dá-se pelo cálculo do ativo circulante e o passivo circulante do balanço patrimonial. A empresa poderá solicitar capital de terceiros para suprir a necessidade de capital de giro. Este procedimento só será preciso caso a empresa não consiga pagar e/ou investir em seus elementos patrimoniais com recursos próprios.

Para que a instituição consiga avaliar da melhor maneira os elementos do capital de giro, é importante organizá-los de acordo com o seu perfil operacional. Este está evidenciado nas demonstrações financeiras da empresa que ressaltam a cada exercício social todos os fatos ocorridos, podendo por meio desta evidenciação, auxiliar o administrador a tomar decisões de investimentos em determinadas atividades ou elementos patrimoniais.

Assaf Neto e Silva (1997) dividem o capital de giro entre: o capital de giro permanente, que tem como função manter a empresa em condições normais de funcionamento, e o capital de giro variável que supre alguma necessidade básica da empresa tal como um valor de caixa ou uma compra antecipada de matéria-prima.

No diagrama abaixo, observa-se a transição que o capital de giro percorre durante as atividades da empresa:

Transição do Capital de Giro (Capital Circulante)Transição do Capital de Giro (Capital Circulante)Neves e Viceconti (1998, p.244).

CICLO OPERACIONAL  

Para que a gestão do capital de giro seja eficaz numa instituição, é importante que se possa avaliar todas as atividades realizadas no ciclo operacional. Esta avaliação inclui identificar se todos os setores estão alcançando seus objetivos e no prazo médio estipulado.

Por meio do ciclo operacional, é possível estabelecer o quanto a empresa precisa de capital de giro para investir em elementos patrimoniais.

Assaf Neto e Silva (1997) definem ciclo operacional como todo processo repetitivo que se inicia na aquisição da matéria-prima para a produção e finaliza no recebimento pela venda do produto final. O ciclo operacional faz parte de todo o processo empresarial de produção-venda-recebimento.

De acordo com Marion (1998), o ciclo operacional começa pela entrada de matéria-prima e termina com o recebimento de dinheiro por meio de vendas à vista e a prazo.

Ciclo OperacionalCiclo OperacionalMarion (1998, p.70).

Nota-se como se torna importante tal entendimento das possibilidades que as instituições detêm para aumentarem ou estabilizarem seus rendimentos, diminuindo ou aumentando prazos. Este planejamento aplicado de maneira eficaz, provavelmente será um diferencial fantástico na gestão.

Conforme Assaf Neto e Silva (1997), para que o ciclo operacional da empresa gire em curto prazo, é necessário que haja uma união de esforços de administradores da empresa, a fim de que recursos sejam mais bem aproveitados de forma a maximizar o retorno financeiro.

Iudícibus (2000) alerta que a rotatividade do ciclo operacional, que poderá ser de curta e de longa duração, dependerá da quantidade de fabricação de produtos.

O ciclo operacional, para Assaf Neto e Silva (1997), pode ser definido por fases e prazos médios conforme descrição abaixo:

Prazos e Fases do Ciclo OperacionalPrazos e Fases do Ciclo OperacionalAssaf Neto (1997, p.19).

Onde:

PME (Mp) – Prazo médio de estocagem de matérias-primas;

PMF – Prazo médio de fabricação;

PMV – Prazo médio de vendas (prazo médio de estocagem de produtos       acabados);

PMC – Prazo médio de cobrança (prazo médio de recebimento).

O prazo médio de estocagem de matérias-primas (PME) depende da atuação do setor de insumos. O setor de compra deve estar integrado ao ciclo financeiro de forma a adequar as necessidades da empresa ao prazo para pagamento dos seus fornecedores, tornando eficientes às compras de matéria-prima para suprir o estoque.

O prazo médio de fabricação (PMF) supõe que, num determinado período de tempo, o setor de produção fabrique produtos num prazo razoável para abastecer o estoque e assim supra os pedidos de cliente. O prazo médio de venda (PMV) está vinculado ao estoque. A venda deve estar comprometida com o prazo de entrega do produto. Deverá o estoque ter uma quantidade mínima para atender aos pedidos.

O prazo médio de cobrança (PMC) equivale ao tempo de recebimento de dinheiro proveniente das vendas a prazo.

As fases e os prazos variam de empresa para empresa, dependendo das necessidades e do ramo de atividade. Há casos em que o PMV não é utilizado visto que a empresa não opera com vendas a prazo.

 DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 

É através das demonstrações financeiras que se pode observar, os resultados econômicos e financeiros da Administração do Capital de Giro. Também por meio destas demonstrações, o gestor tem possibilidade de avaliar as fontes e aplicações dos recursos da empresa para perceber o capital de giro disponível e as necessidades líquidas do capital de giro, onde estas necessidades liquidas são obtidas subtraindo-se as fontes do capital de giro das aplicações deste capital.

A Administração de Capital de Giro está diretamente relacionada com as Demonstrações Financeiras. Marion (1998) define demonstrações financeiras como relatórios devidamente elaborados e solicitados pelos diversos usuários da empresa.

As demonstrações financeiras variam de empresa para empresa. Dependendo do ramo de atividade, as informações tendem a ser extensas ou reduzidas.

As demonstrações financeiras previstas na Lei nº 6.404/76 são as seguintes:

• Balanço Patrimonial;

• Demonstração do Resultado do Exercício;

• Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados;

• Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido;

• Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos.

O Balanço Patrimonial apresenta resumidamente o patrimônio da empresa, em quantidade e qualidade. Este compreende todos os elementos relacionados aos bens, direitos e obrigações da empresa, alocados em grupos do ativo e passivo, grupos estes destinados a registrar todos os fatos patrimoniais que estão interligados pelo registro como exemplo de:

• Recebimento e/ou pagamento em dinheiro;

• Compra de bens para uso da empresa.

• Investimentos em outras sociedades;

• Integralização de capital;

• Registro de material em estoques.

A partir da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), pode-se perceber o resultado que a empresa obteve (lucro ou prejuízo) no desenvolvimento de suas atividades durante um determinado período.

Para Santos (1999), a apresentação da Demonstração do Resultado do Exercício é muito importante. Por meio dessa demonstração é que são evidenciados os dividendos, as participações de lucros dos empregados e os impostos.

Esta demonstração apresenta todas as variações do Patrimônio Líquido da empresa, evidenciando os saldos iniciais, os ajustes de exercícios anteriores, os aumentos do Capital, as Reversões de Reservas, o Lucro Líquido do Exercício e sua destinação, além dos saldos finais das respectivas contas que compõem o Patrimônio Líquido da empresa.

Com base na Lei nº 6.404/76, Marion (1998) evidencia Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) como a figura do Capital Circulante Líquido no início e no final do exercício, indicando as modificações na posição financeira da companhia decorrentes da política financeira da entidade ou da diretoria.

Neves (1998) descreve a DOAR como uma demonstração capaz de identificar todas as modificações financeiras como as aquisições e aplicações de novos recursos ocorridas em curto prazo pela empresa.

A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos descreve valores referentes ao Capital Circulante Líquido:

a) Origens de Recursos – São representadas pelos aumentos no Capital Circulante Líquido (CCL) comum em situações próprias da empresa, aumento de capital, empréstimos de terceiros em longo prazo e venda de bens de uso da empresa;

b) Aplicações de Recursos – São representados pelas diminuições do Capital Circulante Líquido (CCL) comuns em situações de aquisições de bens de uso, investimentos, recursos transferidos para a empresa em fase pré-operacional, transferências de empréstimos em longo prazo para curto prazo e distribuição de dividendos.

Segundo Santos (1999), Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido são obrigatórias para as Companhias de Capital Aberto, podendo ser substituída opcionalmente pela DLPA (Demonstração dos Lucros ou Prejuízos). Para a elaboração desta demonstração, são necessárias todas as informações existentes no Balanço Patrimonial, na Demonstração do Resultado do Exercício e na Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados.

METODOLOGIA

A empresa estudada está localizada na região do Alto Vale do Itajaí estado de Santa Catarina, onde o setor florestal tem ganhado força nos últimos anos, com o plantio espécies exóticas (Pinus e Eucalipto). Esta é uma sociedade limitada de capital fechado, atua desde agosto de 2008 na produção, transporte e comercialização de biomassa.

 A principal atividade da microempresa é a produção de biomassa chamada vulgarmente de “cavaco”, onde é processada a madeira através de equipamentos instalados na sede da empresa, além do transporte do produto até o cliente final, que por sua vez são indústrias que o utilizam para a produção de energia e calor, obtidos através da combustão do material. As entregas são realizadas em um raio de 200 km e a matéria prima é obtida a uma distância de no máximo 50 km da sede, sendo feito o transporte com caminhões próprios.

 Além da atividade principal, a empresa tem investido em um viveiro florestal, produzindo mudas de espécies exóticas com o objetivo de reflorestamentos próprio e venda para seus parceiros e fornecedores de matéria prima. Outro objetivo futuro do viveiro é a produção de espécies nativas da região para recuperação de áreas degradadas e de mananciais, que segundo o Código Florestal deveriam estar preservadas.

 Importante salientar que a partir de um metro cúbico de madeira após o processamento resultam na geração de aproximadamente um metro e meio cúbico de material.

 Os fornecedores da matéria prima são agricultores e silvicultores que tem comercializado madeira de reflorestamentos oriundos de suas propriedades, onde esta atividade tem o objetivo de geração de renda, substituindo principalmente na maioria dos casos o cultivo do fumo.

 A empresa incentiva e realiza reflorestamento de áreas degradadas bem como promove a criação de empregos diretos e indiretos em muitas atividades que compõem o ambiente ao qual a empresa se encontra.
  

Atualmente a microempresa tem em seu quadro de funcionários seis colaboradores, sendo estes divididos em suas respectivas funções.

Quadro de FuncionáriosQuadro de FuncionáriosJJM Biomassa Ltda.

As receitas são obtidas através da venda do produto final processado pela empresa que é comercializado em m³. É feita uma medição da carroceria do caminhão transportador para saber aproximadamente a metragem cúbica da carga total a ser carregada. Atualmente o preço do m³ praticado pela empresa é de R$ 29,00 (vinte e nove reais), incluído neste valor os custos com impostos, nota fiscal e o de transporte do material até o cliente final.

As formas de pagamento são transferências online entre contas correntes e elas podem ser efetuadas até quinze dias após a entrega.

Custos

Os custos da empresa podem ser divididos em Fixos e Variáveis, sendo neste caso considerados como Custo Total para efeito de avaliação. Os mais significativos são: matéria-prima (madeira); folha de pagamento; combustíveis e lubrificantes; manutenção de máquinas e equipamentos; contabilidade (terceirizada); energia elétrica; telefone; impostos e encargos trabalhistas; financiamentos e empréstimos; entre outros.

Compra de Matéria Prima

O administrador negocia diretamente com os fornecedores a compra da madeira já extraída (na pilha), onde se faz uma medida prévia da quantidade, observa os acessos para o carregamento da mesma, pois este se caracteriza como um importante fator que pode limitar a operação de retirada em função do clima. Combina também as formas de pagamento que pode ser à vista (no carregamento) ou em até 30 dias, e determina uma previsão de retirada, que é de no máximo 10 dias após a data da compra.

transporte de matéria prima

Este é realizado conforme a necessidade da empresa, não ultrapassando a previsão dada ao fornecedor. Normalmente o administrador procura direcionar o transporte para os fornecedores que apresentam a matéria-prima em locais de difícil acesso nos dias de clima favorável (seco) e programa os carregamentos em locais de melhor acesso nos dias de clima chuvoso.

Os transportes são realizados com caminhões próprio sendo o carregamento feito de forma manual pelos próprios funcionários, pois desta forma o acondicionamento da carga fica mais adequado. Este procedimento é de extrema importância, principalmente para se obter uma metragem mais exata da madeira adquirida.

 

processamento

Com a chegada na matéria-prima no pátio da empresa, esta madeira é descarregada diretamente no triturador, e após este processo, o material já acabado é transportado por esteiras transportadoras até o silo de armazenamento. Pode ocorrer também da matéria-prima ser armazenada no pátio da empresa para ser processada posteriormente conforme a necessidade. Esta madeira estocada serve como garantia para a empresa não estar suscetível ás variações no preço de compra em épocas de escassez de matéria prima no mercado.

transporte do produto acabado

No silo de armazenamento os caminhões são carregados por gravidade e o produto é entregue aos clientes, que por sua vez são fixos e recebem diariamente. O excedente da produção, a empresa busca comercializar no mercado separadamente sem compromisso ou contratos. 

objetivos da empresa

O principal objetivo da sociedade é o desenvolvimento do ramo florestal na região, com a produção de produtos obtidos a partir do cultivo de espécies exóticas, desta forma além de garantir renda para os proprietário e funcionários da mesma, ela pretende auxiliar na diminuição do êxodo rural, pois tendo os agricultores melhores condições de sobrevivência no meio rural através da renda obtida com a venda de madeira. Percebe-se também que com o avanço do plantio destas espécies, substitui em muitas propriedades o cultivo do fumo que por muito tempo foi a principal fonte de renda destas famílias, onde muitas vezes em função da grande utilização de agrotóxicos foi o causador de inúmeras doenças e enfermidades, prejudicando a saúde e qualidade de vida dos mesmos. Além destas características, nota-se que o agricultor, melhorando suas condições de sobrevivência, proporcionará para seus filhos a oportunidade de frequentarem a escola ao invés de estarem trabalhando na lavoura, tendo desta forma melhores perspectivas para o futuro.

Outro objetivo, mas não menos importante leva em consideração diminuir o desmatamento da Mata Atlântica regional, a degradação das cabeceiras e encostas da bacia do Rio Itajaí e preservação da biodiversidade.

 Além da preocupação com o desenvolvimento social e a preservação ambiental da região, a empresa visa á qualidade do produto comercializado e o atendimento das necessidades de seus clientes, já que esta é uma característica indispensável para a sustentabilidade de empreendimentos de qualquer natureza. As empresas têm-se deparado com o desafio de alcançar uma gestão adequada as suas características, onde análises financeiras e operacionais têm o objetivo de detectar desvios e distorções na administração. Com base neste exposto, formulou-se a seguinte situação problema:

O perfil de gestão quanto aos aspectos financeiros e operacionais da empresa é eficaz?

O estudo estendeu-se no período compreendido entre os dias 1° de Março e 30 de Setembro de 2010, onde os aspectos metodológicos que foram utilizados para a investigação do perfil do empreendimento florestal estão evidenciados neste capítulo. Martins (1996) esclarece que, na delimitação do assunto, é necessário evidenciar a pesquisa no tempo e no espaço, na discussão teórica e/ou prática, ou seja, indicar todos os aspectos indispensáveis à compreensão do mesmo.

No primeiro momento buscamos entender o funcionamento da empresa como um todo, a fim de arquitetar o ciclo e as atividades que a compõe, posteriormente a investigação focou os procedimentos gerenciais quanto aos aspectos financeiros da administração, percebendo onde o capital estava sendo aplicado e o impacto que este proporciona na instituição. Já na etapa seguinte a pesquisa teve o objetivo de identificar os procedimentos gerenciais quanto aos aspectos operacionais, investigando suas peculiaridades no dia a dia no processo produtivo do início ao fim do ciclo.

Com base nas proposições de Vergara (2001), esta pesquisa foi classificada sob dois aspectos: No que tange aos fins, a pesquisa foi considerada descritiva e aplicada. Descritiva, à medida que alcançou, obteve e expôs dados representativos de determinada situação. Aplicada por seu caráter prático e pela necessidade de resolver problemas reais, podendo auxiliar a empresa em uma adequada administração. Quanto aos meios de investigação, a pesquisa foi considerada Bibliográfica e de Campo. Bibliográfica, pois incorporou uma revisão de literatura sobre o tema, isto é, a coleta de dados para subsidiar teoricamente este estudo. A revisão de literatura foi feita por meio de livros, artigos científicos, dissertações, teses e periódicos.

A revisão da literatura foi realizada em bibliotecas públicas e bibliotecas privadas. Houve também a necessidade do auxílio da internet e a base de dados em Universidades de alguns estados brasileiros.

A pesquisa foi também de Campo, uma vez que se realizou uma investigação empírica junto a gestores, obtendo-se dados reais por meio de documentos contábeis e financeiros sobre os aspectos perceptíveis a respeito da administração da empresa.

Quanto à natureza, a pesquisa classificou-se como Qualitativa, pois foram realizadas entrevistas com os gestores da empresa, os quais tiveram a oportunidade de expor suas descrições e informações importantes nos diversos setores.

  Para o levantamento de dados da pesquisa, decidiu-se pela elaboração de entrevistas e visitas técnicas na empresa com o objetivo de conhecer a sua cultura organizacional, suas atividades operacionais e financeiras de setores administrativos tais como: logística, contabilidade, financeiro e estoque. Também foram disponibilizadas pelo gestor todas as movimentações financeiras, que por sua vez foram subdivididas conforme sua utilização, para que desta forma possibilita-se análises adequadas ao estudo.

resultados e discussões

Levando-se como base os dados obtidos com a pesquisa, foi possível esclarecer questionamentos diversos que surgiram com a idéia de estudar o assunto. Neste contexto apresentamos primeiramente de forma resumida as receitas totais, que provém da venda do produto final processado e capital de terceiros; os custos totais e por último o fluxo de caixa da instituição no período pesquisado:

11O autor (2016)

1.11.1O autor (2016)

22O autor (2016)

2.12.1O autor (2016)

33O autor (2016)

3.13.1O autor (2016)

Nota-se que as receitas e custos não mantêm um padrão, isto foi confirmado através do conhecimento de como o empreendimento é influenciado por alguns fatores, onde dentre esses percebeu-se que o principal é o clima, pois quando ocorrem períodos prolongados de chuva o custo de extração da matéria-prima torna-se mais alto, fazendo com que o valor pago por está aumente significativamente, e com isso ocorre uma diminuição nos lucros. Com esta constatação, nota-se que a empresa ainda não conseguiu chegar a uma quantidade suficiente no estoque de matéria-prima para enfrentar estes períodos adversos, ficando desta forma suscetível a situação do mercado no dia, isto é, sujeita as variações ocasionadas pela diminuição ou aumento da oferta e da demanda por madeira.

Entendida esta constatação de que o estoque de matéria prima foi insuficiente para suprir as necessidades de consumo da produção, os proprietários buscaram executar um planejamento para os próximos meses, com o auxilio do gestor em um primeiro momento buscou-se observar qual seria a previsão de vendas para o próximo mês, onde chegou-se ao o valor de aproximadamente 1855 m3 de produto final o que por sua vez consumiria aproximadamente 1113m³ de madeira, como anteriormente o estoque utilizado era de 120m³ de madeira a partir desta análise decidiu-se acrescer ao estoque 130m³ de matéria prima no próximo mês e assim acrescentando 50m³ ao estoque nos próximos meses, tendo como meta chegar a aproximadamente 400m³, onde para este aumento de estoque os proprietários decidiram por injetar a quantia necessária de recursos para colocar em pratica tal estratégia.

Através desta análise de custos e receitas também foi possível perceber que o planejamento utilizado para o financiamento do capital de giro é insuficiente, fazendo com que em certas situações o administrador tivesse que adquirir empréstimos e utilizar limite de cheque especial a altas taxas que variaram de 4 a 8% ao mês para cobrir despesas do processo produtivo.

Conforme as demonstrações financeiras e operacionais, foi percebido pelos proprietários as dificuldades no capital de giro e comprometeram-se eles mesmos fazer este planejamento junto ao gestor, compreenderam que o administrador estava com sua atenção comprometida com as áreas operacionais, não tendo condições de acompanhar adequadamente a gestão financeira, neste sentido eles prepuseram a buscar um sistema informatizado para tal, implantando este no inicio do próximo ano e contratando um funcionário para auxiliar o gestor neste controle financeiro geral da empresa.

 Analisando o ciclo operacional da instituição, foi possível perceber que este está determinado de maneira eficiente, pois o administrador e os proprietários delimitam prazos adequados ao mercado de compra da matéria-prima e de venda de seu produto acabado, utilizando estratégias para conseguirem um diferencial na gestão financeira.

 Com relação aos demonstrativos financeiros eles existem na empresa, porém até a execução desta pesquisa estes nunca antes foram agrupados e analisados de uma maneira objetiva, o que não possibilitava perceber fatos importantes. Um fato que exemplifica claramente esta situação esta relacionada ao custo de manutenção, onde evidenciou-se que este estava fora dos padrões pretendidos pela empresa e pelo gestor.

 Também para este diagnóstico os proprietários decidiram que este mesmo funcionário contratado para o controle financeiro ficaria responsável para o agrupamento destes dados e demonstrativos através de relatórios diários, semanais, mensais, trimestrais e anuais.

 No estudo, a gestão dos colaboradores apresentou-se como a maior qualidade desta empresa, onde os funcionários têm um entrosamento e comprometimento exemplares, estando sempre motivados para execução de suas tarefas individuais e contribuindo como um todo para o alcance do resultado almejado.

 Evidenciou-se que neste período de pesquisa houve significativo incremento na produção, onde no início a empresa produzia aproximadamente 280 m3 de biomassa por semana na planta instalada e que ao final da pesquisa, nesta mesma estrutura, foi alcançado aproximadamente 410 m3 por semana, o que provavelmente ocorreu em função de ter melhorado seus procedimentos e suas vendas.

Também com a coleta de dados e análises, observou-se que há possíveis distorções na tributação. Esta atividade por sua vez é feita por uma empresa terceirizada, o que chamou a atenção do gestor para que ele acompanhe melhor este importante componente da instituição, entendendo como estes são gerados, calculados e recolhidos, bem como as taxas a serem utilizadas.

considerações finais

As atividades analisadas no período de pesquisa desencadearam oportunidades a serem estudadas e aplicadas no dia a dia de um empreendimento, no entanto como o problema proposto para tal investigação foi: o perfil de gestão utilizada quanto aos aspectos financeiros e operacionais da empresa, direcionamos nossa atenção a captura de informações reais, sem distorções indo até a origem do objetivo.

De acordo com o que foi levantado quanto à identificação do perfil de gerenciamento, nos aspectos operacionais e financeiros, concluiu-se que a empresa apesar de possuir algumas falhas apresenta ótimo potencial de crescimento: por estar próximo a uma grande mercado consumidor, ter disponibilidade de matéria-prima na sua região e por ter pessoas comprometidas em todos os níveis.

Em um primeiro momento foi buscado entender como a empresa funcionava como um todo, no intuito de moldarmos o ciclo operacional, nesta parte não houve grandes dificuldades, pois a empresa possui uma estrutura relativamente simples e facilmente compreensível. Posteriormente foi recolhido todo o material que contivesse relação com as movimentações financeiras, esta etapa foi muito complexa, pois a empresa possuía somente extratos bancários e comprovantes de gastos, onde por sinal as informações eram limitadas. Nesta fase foi determinante a presença direta do gestor, visto que a cada lançamento ele explicava onde era utilizado e por muitas vezes descrevia o contexto da aplicação e o objetivo para tal.

Notou-se com a pesquisa que empreendimentos, indiferentes de setor ou área, necessitam de inúmeras aptidões reunidas do início ao fim do processo, sendo indispensável o planejamento e a implementação das tarefas, pois inevitavelmente situações diversas surgem e nem sempre o que foi arquitetado pode ser aplicado naquele momento. Evidente que o objetivo macro deve estar presente em todas as decisões e pessoas envolvidas.

Diante ao exposto, foi apresentado à empresa pesquisada algumas sugestões:

Buscar informações com instituições de apoio e crédito, como o SEBRAE e BNDS, respectivamente;

Organizar os procedimentos de controle orçamentário com utilização de planilhas;

Organizar antecipadamente as despesas para manter um capital disponível para seu fluxo de caixa, e;

Fazer planejamentos mensal, trimestral e anual, quando possível.

feito

Use agora o Mettzer em todos
os seus trabalhos acadêmicos

Economize 40% do seu tempo de produção científica