ABRIGO EFÊMERO EMERGENCIAL PARA CONDIÇÕES ADVERSAS

CENTRO UNIVERSITÁRIO DO DISTRITO FEDERAL

Arquitetura e Urbanismo

ABRIGO EFÊMERO EMERGENCIAL PARA CONDIÇÕES ADVERSAS

ludimila dias de souza

Resumo

Em razão dos contextos extremos que são enfrentados durante as crises provocadas por desastres – sejam eles fenômenos naturais ou provocados pela ação humana – e o quão dolorosa possa ser a reconstrução do espaço e do psicológico das vítimas que invariavelmente se encontram em uma situação de vulnerabilidade, a habitação emergencial torna-se indispensável. Empenhado em uma arquitetura mais humana e acolhedora, o projeto de um abrigo efêmero emergencial torna-se imprescindível na busca de manter a dignidade e a agilidade no socorro ao indivíduo atingido. O agrupamento de todas as informações teóricas da presente pesquisa tem, portanto, a finalidade de propor orientações iniciais visando à viabilidade de um abrigo em caráter emergencial.

Palavras-chave: Abrigo efêmero emergencial; Vulnerabilidade; Reconstrução do espaço.

Abstract

Due to extreme situations that are faced during disasters – wheter it is caused by nature or by human action – and how painful may be the reconstruction of the space and the psychological background of the victims who are invariably in a state of vulnerability, an emergency dwelling become essential. Based on a humane and homelike architecture, the project of an emergency ephemeral shelter becomes fundamental in order to maintain dignity and quickness on assisting those ones who were affected. Gathering all the theoretical informations in this current research aims at providing initial orientations to enable the construction of an emergency-based shelter.

Keywords: Emergency ephemeral shelter; Vulnerability,; Space reconstruction

Introdução

O mundo tem testemunhado múltiplas eventualidades e condições adversas as quais têm desencadeado impetuosas catástrofes. Denomina-se catástrofe toda e qualquer situação de destruição e tragédia. Esse termo diz respeito a uma situação negativa ou desastrosa. Desde as primícias da humanidade temos passado por inúmeros desastres ambientais – eventos produzidos espontaneamente pela natureza – catástrofes decorrentes de atos humanos, colapso social e condições adversas. De acordo com a Defesa Civil, desastre é a consequência de eventos adversos, sejam eles frutos da força da natureza ou provocados pelos atos do homem. Esses eventos, consequentemente geram prejuízos materiais, ambientais, econômicos e sociais.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o número de desabrigados à procura de um asilo no mundo é superior ao da II Guerra Mundial. Segundo os números do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (sigla em inglês: UNHCR), cerca de 51,2 milhões de pessoas foram forçadamente desabrigadas conforme podemos ver na figura 1. Esse aumento incessante se deve principalmente aos intensos conflitos na Síria.

Número de desabrigados (entre 1993 e 2013)
Número de desabrigados (entre 1993 e 2013)ACNUR (2015)

No Brasil, a maioria das ocorrências é decorrente de fenômenos naturais, salvo alguns casos que provêm de ações humanas, já que na maioria dos países subdesenvolvidos as pessoas mais sujeitas a situações do gênero são aquelas que vivem em condições precárias e de vulnerabilidade social.

A ocorrência desses eventos adversos tem aumentado gradativamente, não só em quantidade, mas também em intensidade e dimensão englobando incontáveis vítimas que da noite para o dia perdem tudo o que é essencial para sua sobrevivência. Diante disto, surge a necessidade de um abrigo emergencial temporário a fim de que as vítimas de um desastre fiquem resguardadas.

Com o intuito de oferecer proteção às pessoas que se encontram em vulnerabilidade em virtude de uma catástrofe, nasce a proposta de um abrigo efêmero emergencial que absorva a real demanda de uma habitação temporária. É imprescindível que ela siga critérios de eficiência e funcionalidade, e que tenha um baixo custo de operação, além de poder adaptar-se em qualquer topografia, dando assim, assistência e qualidade no atendimento as premências mínimas à população vitimada preservando a dignidade dos indivíduos atingidos.

O objeto de estudo visa intervir em situações de emergência e realojamento da população vitimada por desastres de modo a assegurar a qualidade de vida e a proteção do indivíduo. Esta proposta de elaboração de uma habitação em caráter emergencial leva em consideração soluções e técnicas construtivas sustentáveis com o intuito de proteger quem nela habita das variáveis climáticas e proporcionar-lhe segurança.

Para a elaboração deste trabalho foram desenvolvidos estudos teórico e técnico relacionados à habitação emergencial visando o embasamento das diretrizes projetuais de um futuro abrigo temporário. Desta maneira, busca-se soluções eficazes e funcionais assegurando o bem-estar, a proteção e a dignidade das vítimas atingidas por um determinado contexto extremo. A presente pesquisa aferiu a importância de um abrigo efêmero em caráter emergencial e o quanto essa arquitetura é relevante para preservar a qualidade de vida no período pós-desastre.

Arquitetura efêmera Emergencial

Arquitetura EfêMERA 

De acordo com o dicionário online de português Dicio, a palavra efêmero é um termo de origem grega, ephémeros, que quer dizer “apenas por um dia”. Este termo diz respeito a algo breve, transitório, com pouca duração, por tempo limitado ou passageiro. Portanto, a principal característica da efemeridade é não durar muito.

A arquitetura efêmera, por sua vez, é caracterizada pelo fenômeno da impermanência, por ser transitória e não ter um lugar fixo, além de ser feita para durar um determinado período de tempo.

Necessidade de um abrigo

Desde os primórdios da humanidade o homem necessita da proteção de um abrigo. O abrigo primitivo é a manifestação arquitetônica mais antiga da qual sem tem notícia. Partindo deste mesmo sentimento, o abrigo efêmero emergencial é uma necessidade do indivíduo ou população vitimada durante o pós-desastre.

A humanidade sempre enfrentou inúmeros desastres, tais como as guerras, tsunamis, furacões, terremotos, inundações, secas, explosões, ações diretas ou indiretas do Homem, desabamentos por falta de infraestrutura básica, entre outros. Uma grande consequência destes acontecimentos é a perda, por parte da população vitimada, de tudo o que é essencial em sua vida, e em alguns casos perdem inclusive sua orientação de espaço.

Durante a First International Emergency Settlement – que foi a primeira conferência para abrigos emergenciais, realizada em abril de 1996 no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos com representantes de 49 países – foram discutidas questões relacionadas à assistência humanitária emergencial e planejamento de assentamentos de emergência. No evento foi-se acordado que o acesso a um abrigo é uma necessidade humana essencial.

Com a intenção de suprir o mínimo possível do déficit habitacional pós-catástrofe, o sistema de abrigos objetiva confortar os afetados e oferecer as condições necessárias para socorro às vítimas, além de possibilitar a sensação de acolhimento. A partir da dinâmica de reduto, algo que oferece proteção, acolhimento e conforto, surgem os abrigos emergenciais que buscam atender às necessidades mínimas e habitacionais da população atingida por algum desastre de modo a assegurar a sobrevivência destes indivíduos.

De acordo com o jornal Correio Braziliense, dados das Defesas Civis no ano de 2011 indicaram que aproximadamente 134 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas naquele ano em decorrência das fortes chuvas no primeiro período deste mesmo ano. Devido a estes entristecedores fatos, o abrigo efêmero emergencial é de caráter fundamental à população que sofreu com uma situação extrema, a qual inevitavelmente encontra-se traumatizada, desorientada e confusa. Esse abrigo tem como dever o restabelecimento da dignidade de modo a gerar conforto para estes indivíduos, ajudando-os assim, a reconstruírem suas vidas.

Compreensão das catástrofes e condições adversas

 Desastre de Mariana – MG, 05 de novembro de 2015

Um dos maiores desastres ambientais do Brasil foi causado pelo rompimento da Barragem de Fundão em Bento Rodrigues a alguns quilômetros do município de Mariana – MG. O desastre de Mariana ocorreu em 05 de novembro de 2015 e foi considerado o pior acidente de mineração brasileiro. A tragédia ocorreu após o rompimento da barragem de Fundão da mineradora Samarco controlada pela Vale e BHP Billiton.

Acredita-se em várias causas que induziram o colapso da estrutura que acabou levando ao rompimento da barragem de Fundão. Uma das possíveis causas foi a liquefação dos rejeitos e os problemas de drenagem. Outros fatores pertinentes são o recuo da ombreira e as falhas no monitoramento. Segundo o promotor de Justiça do Meio Ambiente, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, a tragédia “não foi um acidente, tampouco fatalidade, mas erro na operação e negligência no monitoramento da barragem.”

Desconfiguração da paisagem
Desconfiguração da paisagemDana (2015)

O rompimento da barragem desencadeou uma avalanche de lama lançando 62 milhões de m³ de lama de rejeitos que praticamente dizimou as regiões próximas da barragem. Isso causou uma destruição atingindo 230 municípios os quais o Rio Doce abrange e devastou boa parte de Bento Rodrigues onde 207 das 251 edificações ficaram soterradas deixando milhares de pessoas desabrigadas e com pouca água potável disponível. Infelizmente cerca de 82% do distrito de Bento Rodrigues foi destruído pela onda de lama, impactando a vida e a economia dos cidadãos. Atividades como o plantio de milho, café, cana-de-açúcar, pesca, pecuária e a criação de aves estavam entre os principais meios de renda de boa parte da população que, devido a tragédia, perdeu seus meios de sobrevivência.

Após o desastre, logo nas primeiras horas, os desabrigados foram levados para o ginásio Arena Mariana, um complexo esportivo localizado no município vizinho, vide figura 3. Posteriormente ao ocorrido, a Samarco realojou as vítimas para casas alugadas pela mineradora e forneceu uma ajuda mensal aos cidadãos de Bento Rodrigues. Entretanto, estes afirmam que o valor disponibilizado é irrisório e não é capaz de suprir suas reais necessidades.

Vítimas se abrigam em ginásio
Vítimas se abrigam em ginásioZarbietti (2015)

TSUNAMI – TOHOKU JAPÃO, 11 DE MARÇO DE 2011

O Japão, por estar localizado em uma área do oceano com grande encontro de placas tectônicas, sofre com grandes abalos sísmicos. Em decorrência desta característica, o tsunami foi um acontecimento catastrófico de tamanho imensurável ocorrido em 11 de março de 2011, gerado a partir de um violento terremoto com magnitude de 8,9Mw (MMS – Moment Magnitude Scale). O atrito entre as placas tectônicas gerou uma pressão entre elas desencadeando uma onda gigantesca com cerca de 40,5 metros de altura que chegou até a costa e destruiu o litoral nordeste do país. As ondas fizeram com que o reator nuclear da província de Fukushima entrasse em pane e causasse problemas no resfriamento do reator, o que consequentemente levou ao vazamento de energia radioativa.

Como consequência desse evento, a destruição de Tohoku deixou centenas de desabrigados. Alguns tiveram suas residências completamente destruídas conforme podemos ver na figura 4 e outros não tiveram acesso a elas devido ao índice de radiação. Além disso, o tsunami ocasionou a descaracterização da paisagem e da identidade do local tornando-o irreconhecível.

Destruição das residências e da infraestrutura urbana
Destruição das residências e da infraestrutura urbanaGuttenfelder e Hoshiko (2011)

Os desabrigados foram levados a ginásios de esportes e passaram a ter uma vida coletiva. Com o passar do tempo surgiu a necessidade de uma vida particular, de um espaço pessoal e de privacidade. A fim de suprir minimamente estas questões, foram desenvolvidas divisórias leves visando oferecer impermeabilidade visual, porém o projeto ainda não oferecia uma real privacidade.

Divisórias leves que têm o intuito de oferecer privacidades as vítimas
Divisórias leves que têm o intuito de oferecer privacidades as vítimasBan (2011)

 

COLAPSO SOCIAL NA SÍRIA

Atualmente a Síria é governada por um único partido. O país é regido por Bashar al-Assad desde 2000, quando ele sucedeu seu pai, Hafez al-Assad que chegou ao poder através de um golpe de estado instituindo um governo intitulado violento e governou de 1970 até sua morte em 2000.

A ONU considera que a guerra civil na Síria é a maior crise humanitária do século XXI. Hoje, estima-se que o conflito vitimou ao menos 250 mil pessoas, que mais de 5,5 milhões tenham saído do país como refugiadas e que outros 6,5 milhões foram obrigadas a se deslocar dentro da Síria. Com a economia em frangalhos, quase 70% dos sírios que permaneceram agora vivem abaixo da linha de pobreza. 

(Mereles, 2016) 

Alteração da paisagem
Alteração da paisagem Harvey (2016)

O conflito interno na Síria teve início em 2011, a partir da Primavera Árabe. Neste ano, iniciou-se uma série de manifestações em oposição a ditadura árabe. Essas manifestações visavam reformas políticas, a instituição do pluripartidarismo e um regime democrático no qual a população pudesse ter o direito de agir conforme sua própria vontade. Os protestos tiveram início na capital Damasco e teve uma resposta violenta de Bashar al-Assad. Com isso, os protestos se espalharam por todo o país. Conforme o conflito foi se prolongando, surgiram rebeldes e extremistas, entre eles o ISIS, Estado Islâmico, que tem propagado o medo ao espalhar o terror, o pânico e uma violência fora do comum. 

Em razão do colapso social que ocorre na Síria, a população se refugia em busca da ausência de conflitos e uma nova oportunidade de vida. Conforme a ACNUR, Agência da ONU para refugiados, o índice de refugiados sírios é de 5,5 milhões que em razão das circunstâncias do país foram forçados a fugir. Devido ao difícil contexto que a população síria enfrenta, muitos se refugiam em outros países ou em campos de refugiados.

Vista aérea do campo de refugiados Zaatari
Vista aérea do campo de refugiados ZaatariCampos (2014)

Além de viverem na sombra da incerteza e carregarem uma dor imensurável em razão dos horrores vividos durante a guerra, os refugiados, por falta de opção, são obrigados a viver em condições precárias, insalubres e provavelmente em condições sub-humanas, além de estarem sujeito a doenças devido a péssima infraestrutura de alguns campos de refugiados. Em consequência disso, a Arquitetura deve assumir o compromisso de desempenhar seu papel social e humanitário.

COLAPSO SOCIAL NA VENEZUELA 

Atualmente a Venezuela vive uma crise econômica e política. Esta situação crítica tem provocado uma recessão financeira no país e desencadeado um contexto de extrema miséria, violência e manifestações políticas.

O país possui uma economia pouco diversificada e tem como principal base a importação de barris de petróleo, produto que é abundante no país. Entretanto, em razão da crise mundial no setor de petróleo, o produto acaba custando um valor muito inferior no mercado petrolífero, despencando assim, a economia venezuelana que dependia quase que exclusivamente da importação do produto.

Em razão do contexto econômico, a população é privada de bens fundamentais para subsistência. A escassez de alimentos e produtos básicos, constantes apagões e radicalização política têm provocado uma onda de violência no país. Segundo o observatório venezuelano de violência, o OVV, os índices de homicídios na Venezuela são os mais altos da América Latina.

Todos estes fatores têm provocado um movimento migratório para países próximos, entre eles, o Brasil. Os refugiados cruzam até Pacaraima, cidade brasileira que faz fronteira com a Venezuela e é a principal porta de entrada dos refugiados que buscam uma vida melhor fugindo da realidade venezuelana. Segundo o Conare (Conselho Nacional para Refugiados), o número de venezuelanos que pediram refúgio ao Brasil aumentou 1.036%.

A ACNUR providenciou abrigos para a população de refugiados no município de Pacaraima, em Roraima. A população de refugiados vivia em situação de rua, e consequentemente de maneira precária, na incerteza e sem qualquer recurso.

Galpão adaptado para abrigar refugiados venezuelanos no município de Pacaraima em Roraima
Galpão adaptado para abrigar refugiados venezuelanos no município de Pacaraima em RoraimaBrandão (2017)

Legislação

Falta de legislação específica para abrigo emergencial

No presente momento, mesmo com diversas ocorrências anuais de desastres ambientais como inundações, escoamentos, tempestades, entre outros que ocorrem no Brasil, ainda não há nenhuma legislação específica que regulamente o uso e o direito de determinado indivíduo a um abrigo emergencial em caráter provisório. A falta de interesse e investimento por parte do governo prejudicam as vítimas e a qualidade no realojamento da população.

Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC)

No Brasil existe a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012 que tem o intuito de adotar medidas que visam à diminuição de riscos de desastres e proteção das vítimas conforme as diretrizes e objetivos do Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC) que são:

I – a identificação dos riscos de desastres nas regiões geográficas e grandes bacias hidrográficas do País;

II – as diretrizes de ação governamental de proteção e defesa civil no âmbito nacional e regional, em especial quanto à rede de monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico e dos riscos biológicos, nucleares e químicos e à produção de alertas antecipados das regiões com risco de desastres.

(CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2012; BRASIL. Decreto, 2012)

O art. 7º do Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil, que tem com principal objetivo a criação de planos estaduais e proteção das vítimas, informa que:

I – a identificação das bacias hidrográficas com risco de ocorrência de desastres; e

II – as diretrizes de ação governamental de proteção e defesa civil no âmbito estadual, em especial no que se refere à implantação da rede de monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico das bacias com risco de desastre.”

(CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2012; BRASIL. Decreto, 2012) 


O art. 8º traz as competências dos Municípios:

I – executar a PNPDEC em âmbito local;

II – coordenar as ações de proteção e defesa civil em articulação com a União e os Estados;

III -incorporar as ações de proteção e defesa civil no planejamento municipal;

IV – identificar e mapear as áreas de risco de desastres;

V – promover a fiscalização das áreas de risco de desastre e vedar novas ocupações nessas áreas;

VI – declarar situação de emergência e estado de calamidade pública;

VII – vistoriar edificações e áreas de risco e promover, quando for o caso, a intervenção preventiva e a evacuação da

população das áreas de alto risco ou das edificações vulneráveis;

VIII – organizar e administrar abrigos provisórios para assistência à população em situação de desastre, em condições adequadas de higiene e segurança;

IX – manter a população informada sobre áreas de risco e ocorrência de eventos extremos, bem como sobre protocolos de prevenção e alerta e sobre as ações emergenciais em circunstâncias de desastres;

X – mobilizar e capacitar os radioamadores para atuação na ocorrência de desastre;

XI – realizar regularmente exercícios simulados, conforme Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil;

XII – promover a coleta, a distribuição e o controle de suprimentos em situações de desastre;

XIII – proceder à avaliação de danos e prejuízos das áreas atingidas por desastres;

XIV – manter a União e o Estado informados sobre a ocorrência de desastres e as atividades de proteção civil no Município;

XV – estimular a participação de entidades privadas, associações de voluntários, clubes de serviços, organizações não governamentais e associações de classe e comunitárias nas ações do SINPDEC e promover o treinamento de associações de voluntários para atuação conjunta com as comunidades apoiadas; e

XVI – prover solução de moradia temporária às famílias atingidas por desastres.”

(CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2012; BRASIL. Decreto, 2012)


O art. 9º da Lei nº 12.608 visa os objetivos comum do Estado e do município em um eventual desastre:


I – desenvolver cultura nacional de prevenção de desastres, destinada ao desenvolvimento da consciência nacional acerca dos riscos de desastre no País;

II – estimular comportamentos de prevenção capazes de evitar ou minimizar a ocorrência de desastres;

III – estimular a reorganização do setor produtivo e a reestruturação econômica das áreas atingidas por desastres;

IV – estabelecer capacitação de recursos humanos para as ações de proteção e defesa civil;

V – fornecer dados e informações para o sistema nacional de informações e monitoramento de desastres.

(CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2012; BRASIL. Decreto, 2012)


Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH) admitida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 10 de dezembro de 1948 – após as atrocidades que aconteceram durante a II Guerra Mundial – determina os direitos humanos essenciais, enfatizando que:

Artigo 22.

Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.


Artigo 25.

1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.


Artigo 28.

Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.



Estudos de caso

Com base nos contextos apresentados, este instrumento contribui para o enriquecimento da pesquisa de modo a analisar as duas tipologias de abrigo levantando parâmetros e comparações entre elas. O processo cognitivo dos estudos dos abrigos é de imensurável importância para a compreensão da arquitetura abrigacional e para o produto final da pesquisa. 

Com base nisso foram analisados parâmetros projetais das obras Weaving a home e Paper Log
nos aspectos descritos nas tabelas abaixo:

Aspectos Weaving a home

OBRA ANALISADAWeaving a home
Aplicação de usoPós – Desastre
Material Construído
a partir de uma membrana
têxtil.
EstruturaA estrutura é feita a partir de tubos plásticos que fazem a sustentação da membrana têxtil. 
Tipologia Arquitetônica Tenda
Protótipo/Projeto ConstruídoProtótipo, até o momento o projeto não foi de fato executado. 
RecursoRápida implantação, flexível, durável, flexível portátil, dobrável e adaptável.

Autora 2018

Aspectos Paper Log

OBRA ANALISADAPaper Log
Aplicação de usoPós – Desastre
MaterialO principal material empregado são tubos de papel com Ø106 e espessura de 4mm. 
EstruturaConsiste em tubos de papel Ø106 e a fundação é de engradado de cerveja.
Tipologia Arquitetônica Habitação mínima
Protótipo/Projeto ConstruídoConstruído
RecursoAdaptável e baixo custo.

Autora 2018

 Casas Paper Log em Kobe, Japão, 1995 – Shigeru Ban

Shigeru Ban, ganhador do prêmio Pritzker em 2014, é fundador da Volunteer Architect Network (VAN), trabalho que tem como objetivo elaborar e implementar projetos arrojados e transformadores para pessoas em vulnerabilidade social e situações de risco. Ban é conhecido por seus projetos pragmáticos que usam materiais inovadores e de alta qualidade, além de ser reconhecido por seus projetos de arquitetura humanitária e inclusiva. Seus trabalhos também visam a redução da pobreza e a qualidade de vida das pessoas que se encontram em um contexto extremo. A instituição acredita que a arquitetura e o design podem mudar vidas e fazer toda a diferença. 

As Casas Paper Log foram produzidas para as vítimas do terremoto Hanshin em 1995. O projeto em questão propõe fatores arquitetônicos fora do convencional que vão de encontro ao desenvolvimento de um design barato e funcional, que transpareçam soluções que minimizem os impactos ao meio ambiente e simultaneamente, atendam a demanda urgente de uma habitação emergencial. A habitação se torna singular por assinalar o uso de materiais incomuns na sua construção. 

Abrigo com tubos de papel
Abrigo com tubos de papelSakuma (1995)

Esquema de montagem
Esquema de montagemurbanews

A fundação é feita com caixas de engradados de cerveja que são preenchidos com areia. O fechamento vertical do abrigo é feito com tubos de papel com diâmetro de 106mm e espessura de 4mm devidamente impermeabilizados. A tubulação possui ainda o isolamento feito com fita esponja à prova d’água que é fixada entre os tubos. Boa parte dos materiais descritos são recicláveis e reaproveitáveis, o que minimiza a geração de resíduos no canteiro de obras e consequentemente contribui para diminuição do impacto ambiental da construção.

WEAVING A HOME – ABEER SEIKALY 

Abeer Seikaly recebeu o prêmio Lexus Design Award no ano de 2013 com o projeto Weaving a Home. A premiação visa reconhecer trabalhos significativos que busquem solucionar questões relevantes de maneira inovadora no mundo do design.

O projeto de uma habitação têxtil nasce com o intuito de atender as necessidades essenciais dos indivíduos que serão os usuários deste abrigo, podendo adaptar-se a diversos climas e proporcionar conforto ao usuário.

A estrutura do abrigo é composta por uma membrana têxtil elástica apoiada por tubos plásticos que são costurados na membrana têxtil, desempenhando assim, a função de um conduíte que acomoda as instalações elétricas e hidráulicas do abrigo.

Essa habitação transitória de rápida execução, fácil desmontagem e de estrutura leve possui materiais que não são empregados frequentemente na construção tradicional. Essa disposição leva em conta um design viável que direciona a uma arquitetura funcional, prática e humanitária.

Abrigo têxtil
Abrigo têxtil Seikaly (2013)

Desenho esquemático
Desenho esquemático Seikaly (2013)

5.3 PARÂMETROS ANALISADA

ESTUDO DE VIABILIDADE ECONÔMICA E TÉCNICA

Dimensão Econômico-Financeira

A dinâmica do abrigo efêmero, em caráter emergencial, leva em conta a relação do sujeito com o espaço. Esse espaço deve seguir critérios de racionalidade que estão diretamente ligados à eficiência do acionamento, logística de distribuição, transportabilidade, rápida montagem e baixo custo da habitação emergencial. Uma vez que esses fundamentos estejam diretamente ligados à viabilidade desse abrigo, todos os fatores descritos possuirão um custo e um benefício dos quais o objetivo é equilibrar ambos e ter um resultado de qualidade. 

Todavia, deve-se considerar as particularidades configurativas do espaço como as implicações topográficas, aspectos do solo, variáveis climáticas e características da envoltória, pois todas estas particularidades interferem diretamente na relação dos custos de produção, acionamento, utilização, manutenção do espaço, desempenho da edificação, despesas relacionadas a administração e estocagem dos módulos do abrigo e o consumo de recursos energéticos. É importante considerar, também, a quantidade de pessoas envolvidas e a intensidade do desastre. Essas informações configuram o tempo de permanência da população atingida pela crise da catástrofe no abrigo emergencial e os custos com a tipologia adequados para a situação. 

Cada um destes dados e informações compete a um determinado custo, que nem sempre está diretamente relacionado à construção da habitação emergencial em si, mas no uso desse espaço (desgastes, manutenção e operação). Os quantitativos em dinheiro da maneira que esse abrigo funciona reflete justamente no usuário final dessa arquitetura, afetada pelo desempenho técnico dessa infraestrutura.

Os investimentos feitos na edificação resultam em um benefício. Neste sentido, a morfologia de desempenho do abrigo está adjunta a fatores econômicos -financeiros. Os custos provenientes do consumo do abrigo devem ser examinados e analisados durante o processo do projeto a fim de evitar que o custo de funcionamento dessa arquitetura seja discrepante com a realidade do usuário.

Características espaciais da envoltória desse abrigo também contribuem para a variação dos custos em virtude de atributos como configuração da topografia, tipo do solo e clima local. Essas variáveis podem configurar o tipo de material e até mesmo a técnica construtiva adequada para o bom funcionamento desse abrigo.

OPERACIONALIDADE FUNCIONAL

É fundamental examinar o desempenho do espaço a médio e longo prazo, visto que esse abrigo deve cumprir com sua função social desde o primeiro momento de uso até o último. O espaço deve atender as necessidades mínimas e pragmáticas desenvolvidas pelos indivíduos que ali habitam. 

Conforme Abbagano (1962), “função pressupõe operação, atividade, uso ou destinação e se relaciona ao desempenho das mesmas. Vincula-se a objetivos e finalidades. Dois significados fundamentais.”.

Estudo de Viabilidade dos Materiais

O abrigo emergencial efêmero deve nutrir mecanismos flexíveis e adaptáveis que facilitem o seu deslocamento, montagem e desmontagem. Em razão disso, os materiais dessa estrutura devem ter como exigência ser resistente o suficiente para dar conforto ao usuário, porém sem perder a essência de ser transitório durante o período da crise emergencial. Estes fatores podem ser visto na seguinte fala de Andrers (2007):

Para o abrigo proteger um indivíduo, ele precisa ser construído de maneira apropriada aos elementos externos, como o clima, aspectos culturais (…). Os materiais empregados em abrigos para locais de climas quentes devem ter características diferentes daqueles aplicados em regiões de clima frio. (ANDRERS, 2007)

 Tensile   

Segundo Freitas (2009), o sistema Tensile é uma solução bastante flexível que possibilita diversos usos. O sistema consiste em uma infraestrutura sólida que normalmente é feita de aço, essa estrutura suporta as cargas de compressão e uma membrana tensionada que pode ser uma lona, tecido sempre viva ou outro material adequado capaz de realizar o fechamento da estrutura. Segundo Andrers (2007):

O sistema Tensile é fácil de desmontar e transportar, utilizando a lona e a estrutura de suporte, entretanto não pode suportar pequenos incidentes de chuva, vento e sol intenso que podem acontecer onde os abrigos forem instalados. (ANDERS, 2007)

Uso de tensile no projeto da Tent House
Uso de tensile no projeto da Tent HouseJones (2017)

PNEUMATIC 

Conforme o dicionário de português online Dicio, a palavra pneumática provém de pneuma do grego que significa fôlego. Pneumática é um ramo da física que estuda os gases e seus fenômenos. O sistema de estruturas pneumáticas no ramo da arquitetura e engenharia, por sua vez, trata-se de uma estrutura tencionada que geralmente é feita de material inflável. Essa membrana possui estabilidade devido a pressão
exercida pelo ar. O sistema pneumatic dispõe-se de fácil transportabilidade e sua estrutura economiza peso próprio.

Um ponto crítico no sistema pneumatic é o risco de furo em sua estrutura, pois ela apresenta uma estrutura tensionada e de grande porte feita de material inflável, o que restringe o local de instalação, devido a intempéries e condições de assentamento.

Uso de estrutura pneumática no rio Sena em Paris
Uso de estrutura pneumática no rio Sena em Paris  AZC (2017)

Estrutura metálica

As estruturas metálicas são amplamente utilizadas na construção civil. O material dispõe-se de vantagens admiráveis. O aço é um material 100% reciclável e sem qualquer perda de qualidade podendo ser reaproveitado e reutilizado inúmeras vezes. O manuseio e transporte deste material são feitos de forma eficiente em virtude de seu peso que é considerado leve, se comparado a outras estruturas. 

O uso de estruturas metálicas permite um menor tempo na execução da obra. Em razão desta característica, a construção acaba gerando pouquíssimos resíduos no canteiro de obras. Além disso, o material facilita a ampliação futura por ser facilmente reversível, possibilitar novas modulações e criar novos espaços. 

Estrutura metálica
Estrutura metálica p8 architecten (2013)

Light Steel Frame

A técnica visa diminuir o número de etapas da construção tradicional propondo uma construção sem desperdícios, com montagem rápida e in loco. Consequentemente, aumenta a produtividade e promove um desempenho final satisfatório.

O Light Steel Frame é caracterizado basicamente por uma estrutura metálica, preferencialmente leve, a qual é amarrada por parafusos autobrocantes e recebe a instalação de chapas delgadas podendo ser de gesso, compensado OSB ou outros materiais apropriados a fim de formar o fechamento vertical da construção, o piso e até a cobertura, compondo assim, uma arquitetura.

A função geral do sistema construtivo propõe atender requisitos de uma obra rápida e seca, e que conte com pouca geração de resíduo. Desta maneira, acaba possibilitando fáceis adequações futuras onde é imperativo um desempenho racional que objetive um produto final durável e que cumpra as funções a qual foi destinado com eficiência. 

Perfis metálico Light Steel Frame
Perfis metálico Light Steel FrameAMJ HAUSE

Desenho esquemático Steel Framing
Desenho esquemático Steel FramingSANTIAGO , FREITAS e CRASTO (2012)

Easy Wall

Este método construtivo tem como característica elementar o fato de ser extremamente leve, uma vez que tem em sua composição o EPS. Ele permite uma rapidez na construção por ser um material “encaixado” e dispor-se de alto desempenho estrutural – as paredes são autoportantes – e termoacústico. Todos os aspectos citados integram eminentes atributos que são fundamentais na construção civil .

As placas do Easy Wall são totalmente secas e têm em sua composição externa silicato de cálcio em ambas as faces que são pré-acabadas, fator que permite a aplicação de diversos tipos de acabamento. Em sua composição interna há cimento, areia, EPS, cinzas e aditivos. Sua junção é feita a partir do encaixe macho e fêmea que existem nas placas. Para a vedação das fendas dos encontros das placas é necessário a aplicação de espuma de poliuretano expansível com fita anti-crack. O sistema construtivo dispensa fundações para estruturas de até dois pavimentos, precisando apenas de viga baldrame. 

O emprego deste material torna-se relevante para projetos que exijam rapidez e agilidade na montagem, assim como a redução de custos comparada com os custos da quantidade excessiva de materiais que usamos na construção tradicional. 

Easy Wall
Easy Wall habitissimo

Lona acrílica Sempre Viva

O tecido sempre viva é largamente empregado no mercado náutico e de capotaria. Trata-se de um tecido maleável e impermeável produzido com alta tecnologia. Este tecido é feito a partir de fibras acrílicas que possibilitam sua grande resistência.

O material em questão possui aspectos consideráveis que tornam possível o seu uso. Uma das suas grandes vantagens é a facilidade na dobragem e no desdobramento por ser um material extremamente leve. Esta característica também torna o material facilmente transportável e adaptável.

Ao contrário de outros tecidos, este é impermeável e possui alta resistência diante das intempéries. O material conta com um sistema de reflexão que bloqueia o calor e, além disso, permite a passagem de ar através das fibras do tecido e evita a condensação de água, proporcionando assim, um ambiente mais agradável onde é empregado. Outra vantagem é sua durabilidade, pois mesmo que seja exposto a climas adversos, não desbota com facilidade e tem uma vida útil entre 6 a 8 anos. 

Metodologia do abrigacional

ESTUDO PRELIMINAR

O projeto do abrigo efêmero nasce a partir de uma série de diretrizes e procedimentos que são fundamentais para dar o mínimo de conforto ao usuário atingido pela crise emergencial dos desastres.

O projeto arquitetônico tem como responsabilidade atender o mínimo para existência do usuário. O objetivo é atender a demanda habitacional no pós-desastre com o foco em manter a qualidade de vida dos habitantes. É fundamental, portanto, que o produto final dessa arquitetura leve em conta requisitos de racionalidade e funcionalidade.

De fato, o projeto arquitetônico deste abrigo torna-se um instrumento capaz de preencher temporariamente as lacunas da vulnerabilidade social durante o contexto extremo das catástrofes ao proporcionar a proteção de um reduto da vida contemporânea a um indivíduo que perdeu tudo o que tinha.

O conjunto de informações recolhidas dá origem ao desenvolvimento da composição arquitetônica tendo em vista traduzir a viabilidade da implantação das tipologias de uso. 

O projeto habitacional traz em si implicações profundas sobre as pessoas e atividade que vai abrigar. A moradia é elemento da organização social , que ao longo do tempo  incorpora significados diversos.

(CORREIA, 2004)

HABITAÇÕES MÍNIMAS 

As profundas alterações no espaço e principalmente na paisagem durante a II Guerra Mundial direcionaram as habitações e a infraestrutura das cidades à situações assustadoras durante o período pós-guerra. Esse fato junto com o aumento da oferta de emprego nas cidades ocasionaram uma reformulação do habitar e a migração da população do campo para os centros urbanos.

As habitações mínimas surgiram no século XX na Europa e sofreram transformações no decorrer do tempo conforme as evoluções técnicas e mudanças políticas e sociais. Essas mudanças buscaram uma renovação na arquitetura ao tentar criar um modelo de moradia ideal que se adequasse a nova realidade social atípica que a Europa vivia no pós-guerra.

O abrigo emergencial deve seguir o conceito de “existenzminimum”, que prioriza as necessidades básicas e essenciais das quais um indivíduo precisa para viver no momento da crise. Essa habitação tem como responsabilidade proteger os indivíduos e proporcionar-lhes um espaço funcional necessário para os acontecimentos das atividades da vida cotidiana. A relação de auxílio mútuo entre o abrigo efêmero e o socorro às vítimas de um desastre tem em vista uma arquitetura humanitária e eficiente.

HABITAÇÃO ITINERANTE

Em resposta a insalubridade dos alojamentos no pós – desastre e as calamidades adversas que a população vitimada enfrenta nasce elaboração de uma Arquitetura Emergencial que supra a demanda habitacional e principalmente atenda as necessidades essenciais do indivíduo atingido desta forma protegendo a dignidade do usuário. De fato, há uma baxíssima qualidade dos abrigos emergenciais e na forma como o governo conduz as catástrofes e os contextos extremos e é notável a precariedade dos alojamentos fornecidos nestas situações que normalmente são escolas, ginásios, igreja ou tendas sendo estas instalações inapropriadas para recepcionar as vítimas.

O interesse pelo efêmero na arquitetura emergencial, está diretamente relacionado a flexibilidade e economia com novas formas de se pensar sobre o espaço habitado e situações cotidianas. Neste projeto, podemos enxergar a arquitetura transitória com um olhar voltado para um refúgio de provisão imediata de habitações no pós-desastre.

O desenho do projeto se inicia com uma forma retangular única, em seguida cortando suas arestas recebe sua segunda geometria, posteriormente é fragmentada até chegar aos módulos que compõe seu esboço final. Seu traçado remete ao desenho tradicional e simples de moradia que temos em nossa memória afetiva, deixando de ser entendida somente como objeto moradia, reavivando a sensação de pertencimento a um lugar, conforto, aconchego e segurança.

Seus módulos possuem materiais ecologicamente corretos como chapa estrutural de madeira, Ligth Steel Frame e tratamento termoacústico com manda de lã de pet tornando-o viável e exequível, estes materiais também possui um peso consideravelmente inferior aos usados na construção civil tradicional contribuindo assim para sua transportabilidade. O sistema Flat-pack é utilizado nos módulos cujo as peças são desmontáveis e remontáveis montados in loco utilizando o sistema de fixação é encaixe macho-fêmea e posteriormente e parafusado, este sistema contribui também para a transportabilidade uma vez que o abrigo não tem um volume único, tornando mais simples e flexível seu manuseio.

Ao considerar que cada topografia é unica e toda situação necessita de uma solução em relação ao contexto no qual o indivíduo vive durante o período do pós-desastre, o projeto abrigacional propõe o uso de macoco hidráulico automatizado esse aparato visa se adaptar a topografia sem agredir o solo.

A tipologia propõe um abrigo temporário mantendo a adaptabilidade dessa arquitetura, uma vez que frequentemente o governo e organizações competentes demoram a realojarem as vítimas desses eventos adversos para habitações fixas. Devido a isso, a população atingida usa por um tempo considerável a estrutura abrigacional como reduto. Ainda objetiva que os módulos dessa habitação efêmera possibilitem a ampliação e a adaptação do abrigo por questões referentes às particularidades e tamanho da família que o utilizará.

O projeto tem o intuito de oferecer apenas o necessário aos usuários para que essa habitação transitória não vire algo permanente, entretanto, é de extrema importância que o usuário tenha acesso à luz, água, sistema sanitario e principalmente que o projeto seja viável e uma solução rápida. Visando essa provisão imediata o abrigo deve ser industrializado e padronizado diminuindo assim consideravelmente o valor do modulo abrigacional, os materiais escolhidos para a produção do abrigo Chapa estrutural de madeira e Light Steel Frame esses materiais diminuem de valor quando comprados ou fabricados em grande quantidade.

Conclusão

A pesquisa procurou compreender a complexidade do abrigo emergencial durante o contexto extremo do pós-desastre a partir da reflexão sobre a vulnerabilidade social na decorrência de catástrofes climatológicas, ecológicas, ocupações desordenadas, culturais, religiosas, econômicas, sociais, entre outros fatores que levam indivíduos a uma situação de desabrigo. Deste modo, foram analisados parâmetros para viabilizar a implantação do abrigo tornando-o mais acessível e funcional sem perder o foco na qualidade.

O desabrigo, de fato, é um problema social decorrente. Anualmente testemunhamos acontecimentos que causam crises habitacionais deixando inúmeras pessoas desabrigadas e possivelmente em condições insalubres e sub-humanas. Destarte, é imprescindível o fornecimento de abrigos emergenciais unifamiliares para os atingidos durante a crise social no pós-desastre, pois eles proporcionam proteção além de contribuírem com o socorro e o auxílio médico às vítimas.

A análise da viabilidade econômica e técnica para a implantação da estrutura abrigacional é significativa para essa arquitetura, já que o custo interfere na viabilização do projeto e também em sua qualidade final. Em relação à performance do abrigo, é de extrema relevância o bom desempenho do espaço a médio e longo prazo, visto que esse abrigo deve cumprir com sua função social desde o primeiro momento de uso até o último. O espaço deve atender as necessidades mínimas e pragmáticas desenvolvidas pelos indivíduos que ali habitam.

Com base na pesquisa sobre a produção arquitetônica do abrigo emergencial, idealizou-se duas tipologias abrigacionais de forma a potencializar a funcionalidade desta arquitetura. A partir dessas alternativas procurou-se amenizar o impacto social após a ocorrência dos desastres. Ambas as opções visam a proteção e segurança das vítimas.

A partir dessas ponderações é notável que o habitar temporário desempenha papel vital para o recomeço da vida das vítimas. É, sem dúvidas, um elemento acolhedor que respeita as particularidades das famílias, proporcionando-as, da melhor maneira possível, o zelo necessário em um momento tão delicado em suas vidas.

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