A MENTE BILINGUE:  Como a Linguagem Influencia os Pensamentos

Faculdade Unyleya

A MENTE BILINGUE Como a Linguagem Influencia os Pensamentos

ADRIANA SANTOS FERNANDES

Resumo

Partindo da Hipótese de Sapir-Whorf que diz que a língua que falamos é capaz de moldar a forma como pensamos e vemos a realidade, este trabalho apresenta diversas teorias linguísticas que abordam o tema da influência da linguagem no pensamento humano, de como a língua que um determinado grupo de indivíduos fala molda sua visão do mundo. Com base em um estudo bibliográfico dos principais autores sobre o tema, pode-se concluir que a língua falada influencia a forma como um indivíduo percebe o mundo, portanto, os indivíduos bilingues ou multilingues possuem vantagens cognitivas relacionadas a este fator.

Palavras-chave: Hipótese Sapir-Whorf. Bilinguismo. Cognição. Linguística.

Abstract

Starting from the Sapir-Whorf Hypothesis, which says that the language we speak is capable of shaping the way we think and see reality, this paper presents several linguistic theories that deal with the theme of the influence of language on human thought, how the language that A certain group of speaking individuals shapes their view of the world. Based on a bibliographical study of the main authors on the subject, it can be concluded that the spoken language influences the way an individual perceives the world, therefore, bilingual or multilingual individuals have cognitive advantages related to this factor.

Palavras-chave: Hypothesis Sapir-Whorf. Bilingualism. Cognition. Linguistics.

INTRODUÇÃO

Ao falar uma língua que não é sua língua de origem, o indivíduo é transportado para outro universo, onde as coisas são percebidas de uma forma ligeiramente diferente do que na sua língua nativa. Embora pareça algo de filme de ficção científica, existem muitos estudos sérios a respeito de como a língua falada interfere nos pensamentos e na forma como se percebe o mundo. Diversos antropólogos, linguistas, psicolinguistas, entre outros cientistas, vem estudando este tema, com visões muitas vezes antagônicas a respeito da influência da linguagem no pensamento.

Os norte-americanos, Edward Sapir e Benjamin Whorf, no início do século XX, formularam a hipótese Sapir-Whorf, também conhecida como Relativismo Linguístico ou Determinismo Linguístico, que diz que as línguas humanas exercem um papel importante na cognição do seu falante, deste modo, o falante de uma língua vê o mundo de forma diferente daquela que o falante de outra língua vê. No entanto, esta hipótese acabou sendo depreciada e mal compreendida, principalmente após o surgimento das “Ciências Cognitivas”, da teoria de Chomsky da Gramática Universal. Apesar dos cognitivistas contemporâneos refutarem a hipótese clássica do relativismo linguístico, surgiu uma nova geração de pesquisadores defensores de uma reformulação da ideia original de Sapir-Whorf.

Os cognitivistas, maiores críticos do relativismo, argumentam que existe uma característica específica da espécie humana, uma espécie de adaptação evolutiva, a chamada Linguagem Universal, que vêm inscrita geneticamente nos seres humanos. Para eles, as diferenças entre as línguas não são significativas, portanto não há razões para estuda-las a fundo. Pinker, por exemplo, afirma que nossos pensamentos não são formulados em um idioma específico. Os cognitivistas aliados pela tecnologia, como eletroencefalogramas, metodologias refinadas, tentaram derrubar a hipótese de que a língua que falamos interfere na forma como vemos o mundo, a posição deles é muito forte até o presente momento, pois eles contam com fortes argumentos.

No entanto, surgiram pesquisas mais sólidas, com metodologia melhorada, embasamento científico, como as realizadas por Lera Boroditsky, entre outros, que através da comparação de diversas línguas, de maneira mais abrangente, testes e experimentos laboratoriais, fizeram ressurgir o relativismo, revigorado.

Por muito tempo não se falou a respeito do bilinguismo nos debates a respeito de linguagem e pensamento, essa visão monolíngue a respeito de linguagem e pensamento, não é corroborada por Whorf, que foi um dos pioneiros em defender a importância da consciência multilíngue.

A “viagem para outro universo” que falar mais de uma língua possibilita, traz inúmeros benefícios, por enriquecer o repertório linguístico dos falantes, tornando-os mais flexíveis e melhorando seu pensamento crítico. Tudo o que é falado em uma língua pode ser traduzido para outra língua existente, porque o que é incompreensível nessa língua 1 poderá, por exemplo, ser substituído por uma palavra ou expressão equivalente na língua 2, ou então, se não houver, sempre haverá uma forma de explica-lo, esse processo de “pensar com os falantes de outro idioma pensam” para traduzir algo falado para outro idioma, enriquece a cognição e a forma de ver o mundo, por ocorrer essa transposição para que ocorra a compreensão do que se é falado, dentro de determinada cultura em outro idioma.

A pesquisa utilizada nesse estudo é bibliográfica, realizada a partir de textos científicos nas áreas de linguística, psicolinguística e comunicação. Essa pesquisa qualitativa utilizou textos publicados na internet (publicações realizadas pelos autores em sites, páginas de Universidades, etc.) e livros para coleta de dados e análise. Os autores foram selecionados por serem linguistas que publicaram diversos estudos sobre como a linguagem molda os pensamentos e sobre bilinguismo. Este trabalho concentra-se principalmente nos estudos publicados pelos linguistas Aneta Pavlenko, Guy Deutscher e pela cientista cognitiva Lera Boroditsky, que tratam o tema desta monografia de forma clara e coerente. Através de experimentos em laboratório e outras técnicas, esses cientistas vêm coletando cada vez mais evidências que em breve irão comprovar que a linguagem de fato, molda a forma que os seres humanos percebem a realidade que os cerca e influencia seus pensamentos.

Restringir o pensamento aos padrões apenas da língua inglesa, e especialmente a padrões que representem o ápice da simplicidade, é perder um poder de pensamento que, uma vez perdido, nunca mais poderá ser recuperado. É o inglês “mais simples” que contém o maior número de suposições inconscientes sobre a natureza. . . . Acredito que aqueles que imaginam um mundo que no futuro fale apenas uma língua, seja inglês, alemão, russo ou qualquer outro idioma, possuem um ideal equivocado e fariam o maior desserviço para a evolução da mente humana. A cultura ocidental tem feito, através da linguagem, uma análise provisória da realidade e, sem nenhum questionamento, acatam resolutamente essa análise como definitiva. (WHORF, 1956)

A pesquisa utilizada nesse estudo é bibliográfica, realizada a partir de textos científicos nas áreas de linguística, psicolinguística e comunicação. Essa pesquisa qualitativa utilizou textos publicados na internet (publicações realizadas pelos autores em sites, páginas de Universidades, etc.) e livros para coleta de dados e análise. Os autores foram selecionados por serem linguistas que publicaram diversos estudos sobre como a linguagem molda os pensamentos e sobre bilinguismo. Este trabalho concentra-se principalmente nos estudos publicados pelos linguistas Aneta Pavlenko, Guy Deutscher e pela cientista cognitiva Lera Boroditsky, que tratam o tema desta monografia de forma clara e coerente. Através de experimentos em laboratório e outras técnicas, esses cientistas vêm coletando cada vez mais evidências que em breve irão comprovar que a linguagem de fato, molda a forma que os seres humanos percebem a realidade que os cerca e influencia seus pensamentos.

REFERENCIAL TEÓRICO

Os norte-americanos, Edward Sapir e Benjamin Whorf, no início do século XX, formularam a hipótese Sapir-Whorf, também conhecida como Relativismo Linguístico ou Determinismo Linguístico. Esta hipótese, diz que as línguas humanas exercem um papel importante na cognição do seu falante, deste modo, o falante de uma língua vê o mundo de forma diferente daquela que o falante de outra língua vê. No entanto, esta hipótese acabou sendo depreciada e mal compreendida, principalmente após o surgimento das “Ciências Cognitivas”, da teoria de Chomsky da Gramática Universal. Apesar dos cognitivistas contemporâneos refutarem a hipótese clássica do relativismo linguístico, surge uma nova geração de pesquisadores defensores de uma reformulação da ideia original de Sapir-Whorf.

Os cognitivistas, maiores críticos do relativismo, argumentam que existe uma característica específica da espécie humana, uma espécie de adaptação evolutiva, a chamada Linguagem Universal, que vêm inscrita geneticamente nos seres humanos. Para eles, as diferenças entre as línguas não são significativas, portanto não há razões para estuda-las a fundo. Pinker, por exemplo, afirma que nossos pensamentos não são formulados em um idioma específico. Os cognitivistas aliados pela tecnologia, como eletroencefalogramas, metodologias refinadas, tentaram derrubar a hipótese de que a língua que falamos interfere na forma como vemos o mundo, a posição deles é muito forte até o presente momento, pois eles contam com fortes argumentos.

Por muito tempo a Hipótese Sapir-Whorf ficou esquecida, por ter sido desacreditada por vários estudiosos, no entanto, foi redescoberta recentemente. E muitos estudos, inspirados nessa hipótese vem sendo realizados, por nomes como Aneta Pavlenko, Guy Deustcher, entre outros.

Segundo Aneta Pavlenko, com a morte de Sapir e de Whorf, suas ideias passaram para outras mãos que transformaram essas ideias em “hipóteses testáveis” que apareceram no livro “Words and Things” de Brown em 1958. A ideia original começou a ser modificada a partir desse livro, e ficou “conhecida” na sua forma adulterada, que pouco tem a ver com o conceito original.

 A ideia original, proposta por Sapir-Whorf evoluiu e, através de experimentos e novos estudos, pode-se afirmar que a linguagem realmente influencia a forma como em diferentes línguas se expressam em relação à cores, orientação espacial, forma como são agrupados objetos, gênero de objetos, etc.

É possível prosseguir assim, indefinidamente, em análises incomensuráveis da experiência, variáveis de língua para língua. O resultado que desabrocharia de tudo isso seria fazer-nos sentir com muita realidade uma espécie de relativismo que geralmente fica oculto aos nossos olhos, em virtude de aceitarmos ingenuamente hábitos fixos de linguagem como guias para chegarmos à compreensão da natureza da nossa experiência. É o relativismo da forma mental. Não é ele tão difícil de entender como o relativismo físico de Einstein, nem é tão perturbador para o nosso senso de segurança como o relativismo psicológico de Jung, que só agora está começando a ser entendido por alto; mas é talvez mais fácil de se nos escapar que esses outros. Para entendê-lo, os dados comparativos da linguística são “sine qua non”. É a apreciação do relativismo da forma mental, resultante do estudo das línguas, o que dá talvez a esse estudo o seu grande caráter de liberação. O que agrilhoa a mente e entorpece o espírito é sempre a teimosa aceitação de absolutos. (SAPIR, 1961b [1924], p. 42

Sapir explica que a estrutura gramatical sempre deve ser observada, visto que essa é a forma de relativismo que é tem mais facilidade de ser ignorada. Sapir deixa bem claro em seu trabalho que qualquer língua poderá expressar qualquer conteúdo, o que as torna diferentes uma das outras é a maneira de expressar este conteúdo, o que dificulta o falante de um idioma é que ao aprender utilizar estruturas linguísticas exclusivas de sua língua materna , ele sempre procurará utilizar as mesmas estruturas em idiomas diferentes, é o que o autor chama de “relativismo das formas de pensamento”.

O RELATIVISMO LINGUÍSTICO

Segundo Gonçalves (2008), o relativismo linguístico é um termo utilizado para designar as teorias que afirmam que a língua falada influencia os pensamentos. O relativismo linguístico defende a ideia de que a forma como os indivíduos percebem o mundo varia de acordo com as línguas faladas.

A questão da fala e do pensamento já era discutida pelos gregos antigos, passando pelos filósofos alemães do século 19, até chegar aos linguistas e antropólogos norte-americanos Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf. Ao estudar as línguas nativas norte-americanas, eles constataram enormes diferenças entre elas e a língua inglesa. Ao estudar a língua Hopi, não encontraram palavras ou estruturas gramaticais que exprimissem a ideia de passagem de tempo. Sugeriram que os Hopi não eram capazes de entender o conceito de tempo, e que não o viam como uma progressão contínua. Uma consequência lógica seria admitir que as palavras provoquem e moldem nosso pensamento.

A hipótese Sapir-Whorf, também conhecida como Relativismo Linguístico ou Determinismo Linguístico, diz que as línguas humanas exercem um papel importante na cognição do seu falante, deste modo, o falante de uma língua vê o mundo de forma diferente daquela que o falante de outra língua vê, isto é, a língua que falamos é capaz de moldar a maneira como pensamos e vemos a realidade.

Edward Sapir (1884-1939) foi um importante linguista acreditava que a língua não existe isolada de uma cultura, que a língua através da cultura de algum modo molda o ponto de vista dos indivíduos sobre a realidade. Suas ideias foram o ponto de partida para o Relativismo Linguístico.

Benjamin Lee Whorf (1897-1941) linguista amador iniciou sua carreira trabalhando numa companhia de seguros, no entanto, ao tomar contato com as teorias de Edward Sapir, formulou a “hipótese Sapir-Whorf”.

Por muito tempo a Hipótese Sapir-Whorf ficou esquecida, por ter sido desacreditada por vários estudiosos, no entanto, foi redescoberta recentemente. E muitos estudos, inspirados nessa hipótese vem sendo realizados, por nomes como Aneta Pavlenko, Guy Deustcher, entre outros.

Segundo Pavlenko (2013), com a morte de Sapir e de Whorf, suas ideias passaram para outras mãos que transformaram essas ideias em “hipóteses testáveis”.

A ideia original começou a ser modificada a partir de um livro publicado por Brown em 1958, “Words and things”, e ficou “conhecida” na sua forma adulterada, que pouco tem a ver com o conceito original.

 A ideia original, proposta por Sapir-Whorf evoluiu e, através de experimentos e novos estudos, pode-se afirmar que a linguagem realmente influencia a forma como em diferentes línguas se expressam em relação a cores, orientação espacial, forma como são agrupados objetos, gênero de objetos, etc.

A relatividade linguística sustenta que, onde há diferenças de linguagem, haverá também diferenças de pensamento, que linguagem e pensamento estão inter-relacionados. O determinismo vai além, ao afirmar a necessidade da existência de algum padrão de linguagem para produzir algum tipo de pensamento. (BROWN, 1958 p. 260).

Segundo Deutscher (2010), quando uma língua obriga seus falantes a especificar certos tipos de informações, isso faz com que eles estejam atentos a certos detalhes do mundo e a certas experiências que os falantes de outras línguas podem não ater-se. E uma vez que tais hábitos de linguagem sejam cultivados desde a mais tenra idade, é natural que eles se transformem em hábitos mentais que vão além da própria linguagem, afetando suas experiências, percepções, associações, sentimentos, memórias e orientação no mundo. As pessoas de todas as culturas pensam fundamentalmente do mesmo modo, no entanto é um erro superestimar a importância do raciocínio abstrato. Quantas decisões diárias são tomadas com base na lógica dedutiva em comparação com aquelas guiadas pelo sentimento, intuição, emoções, impulso ou habilidades práticas? Os hábitos culturais incutidos em cada indivíduo desde a infância moldam a orientação para o mundo e também podem ter um impacto marcante em crenças, valores e ideologias. Como um primeiro passo para a compreensão do outro, não se deve fingir que todos pensam da mesma forma, deste modo, aceitar que aprender outro idioma influencia a forma que se vê o mundo, é um grande passo nessa direção.

A ideia de que a língua falada afeta de algum modo o pensamento tem defensores e também muitos outros que contestam isso veementemente. A Hipótese de Sapir-Whorf, é o ponto central da controvérsia. Um dos grandes críticos da hipótese, Stephen Pinker, afirma que o pensamento não está relacionado com as palavras, ele acontece independente dela, por exemplo, em forma de imagens, consequentemente a língua falada não tem interferência sobre ele.

Os cognitivistas, maiores críticos do relativismo, argumentam que existe uma característica específica da espécie humana, uma espécie de adaptação evolutiva, a chamada Linguagem Universal, que vêm inscrita geneticamente nos seres humanos. Para eles, as diferenças entre as línguas não são significativas, portanto não há razões para estuda-las a fundo. Os cognitivistas aliados pela tecnologia, como eletroencefalogramas, metodologias refinadas, tentaram derrubar a hipótese de que a língua que falamos interfere na forma como vemos o mundo, a posição deles é muito forte até o presente momento, pois eles contam com fortes argumentos.

Um dos mais enfáticos opositores do Relativismo é o cientista cognitivo Steven Pinker, que afirma que nossos pensamentos não são formulados em um idioma específico.

No entanto, surgiram pesquisas mais sólidas, com metodologia melhorada, embasamento científico, que através da comparação de diversas línguas, de maneira mais abrangente, testes e experimentos laboratoriais, fizeram ressurgir o relativismo, revigorado.

Uma língua representa uma cultura, onde existe uma literatura, uma forma diferente de construir a realidade, um mundo diferente com suas peculiaridades. Quando um indivíduo aprende outra língua é transportado para esta outra dimensão que coexiste com a dimensão da sua língua falada, mas que somente é transportado ao falar este outro idioma. A riqueza de informações para as quais este indivíduo é transportado é enorme, e cada nova língua aprendida, aprende-se uma nova cultura, literatura, costumes, o indivíduo terá maiores habilidades cognitivas e uma melhor percepção do mundo.

A língua não é apenas um meio de comunicação é um passaporte para outros universos. Os antropólogos tem sempre afirmado que a linguagem e a cultura estão intimamente ligadas, e que a linguagem é parte da cultura.

Os seres humanos comunicam-se uns com os outros usando uma incrível variedade de idiomas, e cada idioma difere do outro idioma de inúmeras maneiras (de óbvias diferenças de pronúncia e vocabulário a diferenças mais sutis na gramática). Por exemplo, para dizer que “o elefante comeu amendoim” (‘the elephant ate the peanuts’) em Inglês, devemos mencionar que o fato aconteceu no passado, para dizer a mesma frase em mandarim e indonésio, indicar quando o evento ocorreu seria opcional (BORODITSKY, 2003).

Para Jakobson (1975), o bilinguismo é o problema fundamental da Linguística, os bilíngues adaptam a língua que falam à sua língua e vice versa, assim, levam aos não bilíngues influencias de outra língua, portanto as línguas faladas sempre sofrem constantes mutações, e influências de outras línguas.

Tudo aquilo que é falado em uma língua pode ser dito em outra língua, mesmo que não existam palavras nessa língua para expressar o que se quer dizer, utiliza-se adaptações, neologismos, empréstimos para este fim. O sistema gramatical de uma língua determina quais os aspectos que devem ser expressos.

Apesar disso a linguagem, em relação à significação, depende muito pouco do sistema gramatical, porque é através da interpretação de um conjunto de códigos que a tradução é realizada.

Para traduzir corretamente a sentença inglesa I hired a worker (Contratei um operário / uma operária), um russo tem necessidade de informações suplementares – a ação foi completada ou não – porque ele deve escolher entre um verbo de aspecto completivo e não completivo – nanjal ou nanimal – e entre um substantivo masculino ou feminino rabotnika ou rabotnicu. Se eu perguntar ao enunciador da sentença em inglês se o operário é homem ou mulher, ele poderá julgar minha pergunta não pertinente ou indiscreta, ao passo que, na versão russa dessa mesma frase, a resposta a tal pergunta é obrigatória. Por outro lado, sejam quais forem as formas gramaticais russa escolhidas para traduzir a mensagem inglesa em questão, a tradução não dará resposta à pergunta de se I hired ou I have hired a worker, ou se o operário (ou operária) era um operário determinado ou indeterminado (“o” ou “um”, the ou a). Porque a informação requerida pelos sistemas gramaticais do russo e do inglês é dessemelhante, achamo-nos confrontados com conjuntos completamente diferentes de escolhas binárias; é por isso que uma série de traduções sucessivas de uma mesma frase isolada do inglês para o russo e vice-versa, poderia acabar privando tal mensagem de seu conteúdo inicial. (JACKOBSON, 1975)

 A ideia original, proposta por Sapir-Whorf evoluiu e, através de experimentos e novos estudos, pode-se afirmar que a linguagem realmente influencia a forma como em diferentes línguas se expressam em relação à cores, orientação espacial, forma como são agrupados objetos, gênero de objetos, etc.

É possível prosseguir assim, indefinidamente, em análises incomensuráveis da experiência, variáveis de língua para língua. O resultado que desabrocharia de tudo isso seria fazer-nos sentir com muita realidade uma espécie de relativismo que geralmente fica oculto aos nossos olhos, em virtude de aceitarmos ingenuamente hábitos fixos de linguagem como guias para chegarmos à compreensão da natureza da nossa experiência. É o relativismo da forma mental. Não é ele tão difícil de entender como o relativismo físico de Einstein, nem é tão perturbador para o nosso senso de segurança como o relativismo psicológico de Jung, que só agora está começando a ser entendido por alto; mas é talvez mais fácil de se nos escapar que esses outros. Para entendê-lo, os dados comparativos da linguística são “sine qua non”. É a apreciação do relativismo da forma mental, resultante do estudo das línguas, o que dá talvez a esse estudo o seu grande caráter de liberação. O que agrilhoa a mente e entorpece o espírito é sempre a teimosa aceitação de absolutos. (SAPIR, 1961b [1924], p. 42

Sapir explica que a estrutura gramatical sempre deve ser observada, visto que essa é a forma de relativismo que é tem mais facilidade de ser ignorada. Sapir deixa bem claro em seu trabalho que qualquer língua poderá expressar qualquer conteúdo, o que as torna diferentes uma das outras é a maneira de expressar este conteúdo, o que dificulta o falante de um idioma é que ao aprender utilizar estruturas linguísticas exclusivas de sua língua materna , ele sempre procurará utilizar as mesmas estruturas em idiomas diferentes, é o que o autor chama de “relativismo das formas de pensamento”.

A INFLUÊNCIA DA LINGUAGEM NO PENSAMENTO

Segundo Boroditsky, por muito tempo, a ideia de que a linguagem poderia moldar o pensamento era considerada, na melhor das hipóteses, insustentável e, muitas vezes, simplesmente errada. A realização de experimentos e pesquisas em laboratórios de diversas universidades, como por exemplo, na Universidade de Stanford e no MIT, ajudaram a reabrir essa questão. Para a realização destes experimentos foram recolhidos dados em todo o mundo: China, Grécia, Chile, Indonésia, Rússia e Austrália Aborígene. Pode-se verificar, através desses experimentos que as pessoas que falam línguas diferentes realmente pensam de forma diferente e que até mesmo a gramática pode afetar profundamente a maneira como se vê o mundo. Peculiaridades da gramática, como o gênero gramatical, podem afetar o pensamento profundo das pessoas. Essas peculiaridades são penetrantes na linguagem, o gênero, por exemplo, se aplica a todos os substantivos, o que significa que ele está afetando como as pessoas pensam sobre qualquer coisa que possa ser designada por um substantivo. As línguas moldam os pensamentos sobre espaço tempo, cores e objetos. Existem outros estudos também que encontraram efeitos da linguagem sobre a forma como as pessoas interpretam acontecimentos, como percebem a emoção, assumem riscos e até como escolhem profissões e cônjuges.

 Esses resultados demonstram que, os processos linguísticos moldam nosso inconsciente. As línguas que falamos moldam profundamente a maneira como pensamos, a maneira como vemos o mundo, a maneira como vivemos nossas vidas.

A linguagem é um dom exclusivamente humano, apreciar seu papel na construção de nossas vidas mentais nos deixa cada vez mais perto de compreender a própria natureza da humanidade.

Segundo Deustcher, a melhor área para estudar a influência da linguagem sobre o pensamento é a de orientação espacial, porque a forma que se utiliza para fornecer orientações de como chegar a um endereço podem utilizar diferentes sistemas de coordenadas, coordenadas egocêntricas, que dependem de nossos próprios corpos: um eixo esquerdo-direito e um eixo dianteiro-traseiro ortogonal a ele, ou direções geográficas fixas. Os falantes de línguas europeias geralmente acham útil usar direções geográficas quando caminham no campo aberto, por exemplo, mas as coordenadas egocêntricas dominam completamente o dia a dia. Não se diz “Quando você sair do elevador caminhe para o sul e depois pegue a segunda porta para o leste.” A razão pela qual o sistema egocêntrico é tão dominante é por sua naturalidade e facilidade. Afinal, todos sabem onde fica “atrás” ou “na frente de”. Não é necessário um mapa ou de uma bússola para elaborá-lo, porque as coordenadas egocêntricas são baseadas diretamente em nossos próprios corpos e em nossos campos visuais imediatos.

Uma maneira de responder a esta pergunta, é ensinar às pessoas novas maneiras de falar e, ver se isso muda a maneira como elas pensam. Em nosso laboratório, ensinamos aos falantes de inglês, diferentes maneiras de falar sobre o tempo. Em um desses estudos, falantes de inglês foram ensinados a usar metáforas de tamanho (como em grego) para descrever duração (por exemplo, se um filme é maior do que o tempo que dura um espirro), ou metáforas verticais (como em mandarim) para descrever a ordem do evento. Uma vez que os falantes de inglês tinham aprendido a falar sobre o tempo desta nova maneira, seu desempenho cognitivo começou a se assemelhar ao dos falantes de gregos ou mandarim. Isso sugere que os padrões em uma linguagem podem de fato desempenhar um papel causal na construção de como pensamos. Em termos práticos, isso significa que quando você está aprendendo uma nova língua, você não está simplesmente aprendendo uma nova maneira de falar, você está também inadvertidamente aprendendo uma nova maneira de pensar. (BORODITSKY, 2009).

Estudos realizados pelo antropólogo John Haviland e o linguista Stephen Levinson com a língua dos aborígenes australianos Guugu Yimithirr, e por Lera Borodistsky, com a língua aborígene australiana kuuk thaayorre, mostraram que existem línguas que fogem dos padrões. Essas línguas não utilizam nenhum tipo de coordenadas egocêntricas, nem possuem palavras como direita ou esquerda, “em frente de”, “atrás de” para orientarem-se. Eles utilizam apenas coordenadas geocêntricas, em seu dia a dia, em sua rotina. Os falantes de kuuk thaayorre e de Guugu Yimithirr conversam em termos de pontos cardeais absolutos (norte, sul, leste, oeste, e assim por diante). Claro que, em inglês também há termos designando os pontos cardeais, mas apenas em grandes escalas espaciais. Não diríamos, por exemplo: Eles colocaram os garfos de sobremesa a sudeste dos garfos grandes. Mas em kuuk thaayorre e Guugu Yimithirr os pontos cardeais são usados em todas as escalas. Isso significa que acaba se dizendo coisas como o copo está a sudeste do prato ou o menino em pé ao sul de Mary é meu irmão.

Segundo Boroditsky, foi realizado um experimento com falantes do idioma de kuuk thaayorre, nesse experimento, uma série de fotos embaralhadas mostravam progressões temporais: envelhecimento de um homem, o crescimento de um animal, uma fruta sendo consumida, a seguir foi pedido para os falantes de kuuk thaayorre que organizassem as imagens no chão na sequencia correta. Os kuuk thaayorre arrumaram as cartas de leste para oeste. A direção nunca foi mencionada, apesar disso, eles seguiam a direção naturalmente. A maneira de pensar influencia a maneira de falar, mas a influencia também age na direção contrária. Pessoas bilíngues mudam o modo de enxergar o mundo de acordo com o idioma que estejam falando.

Os cientistas Oludamini Ogunnaike de Harvard e Shai Danziger da Universidade Ben-Gurion de Negev, Israel, observaram bilíngues nos idiomas árabe e francês em Marrocos, espanhol e inglês nos Estados Unidos, e árabe e hebraico em Israel, da seguinte forma, pediram às pessoas bilíngues em árabe e hebraico que apertassem botões em resposta a palavras, nas seguintes situações: ao verem um nome hebreu como Yair, ou uma característica positiva como bom ou forte, deveriam pressionar “M”; se vissem um nome árabe como “Ahmed” ou um aspecto negativo como “mesquinho” ou “fraco”, deveria pressionar “X”. Depois inverteram a situação, as características positivas e nomes árabes passaram a estar relacionadas à letra X e vice-versa. Os pesquisadores mediram a rapidez com que os indivíduos foram capazes de responder nas duas condições. Essa tarefa tem sido amplamente utilizada para medir tendências involuntárias ou automáticas com que naturalidade coisas como características positivas e grupos étnicos parecem se corresponder na mente das pessoas.

Surpreendentemente, os pesquisadores verificaram grandes mudanças nessas tendências involuntárias automáticas em indivíduos bilíngues, dependendo do idioma em que foram testadas. Os bilíngues em árabe e hebraico mostraram atitudes implícitas mais positivas em relação aos judeus quando testados em hebraico que quando testados em árabe.

Experiências psicológicas também mostraram que, em certas circunstâncias, os falantes de línguas em estilo Guugu Yimithirr podem lembrar “da mesma realidade” de forma diferente de nós. Houve um debate acalorado sobre a interpretação de algumas dessas experiências, mas uma conclusão que parece convincente é que, enquanto somos treinados para ignorar as rotações direcionais quando enviamos informações para a memória, os falantes de línguas de orientação geográfica são treinados para não fazê-lo. Uma maneira de entender isso é imaginar que você está viajando com um indivíduo que fale tal língua e que se hospedem em um grande hotel, com grandes corredores idênticos. Seu amigo está hospedado no quarto em frente ao seu, e ao entrar em seu quarto, você pode ver uma réplica exata do seu próprio quarto: a mesma porta do banheiro à esquerda, o mesmo armário espelhado à direita, a mesma cama à esquerda, as mesmas cortinas puxadas para trás, a mesma mesa ao lado da parede à direita, o mesmo televisor no canto esquerdo da mesa e o mesmo telefone à direita. Em suma, você viu o mesmo quarto, duas vezes. Mas quando seu amigo entrar em seu quarto, ele verá algo completamente diferente do que você viu, porque tudo é invertido em relação a norte-sul-sul. No seu quarto, o leito estava no norte, enquanto no seu, ao sul; o telefone que em seu quarto estava a oeste está a agora ao leste, e assim por diante. (DEUTSCHER, 2010)

Uma característica marcante da inteligência humana é a sua adaptabilidade, a capacidade de inventar e reorganizar os conceitos do mundo de modo a adequar-se às mudanças de metas e ambientes. Uma consequência dessa flexibilidade a enorme diversidade de idiomas que surgiu ao redor do mundo.

Segundo Deutscher, há outras maneiras que a linguagem que falamos pode influenciar nossa experiência do mundo. Foram realizados de experimentos que demonstraram variações radicais na forma como as línguas interpretam as diferentes cores. Verde e azul são cores diferentes em inglês, mas são considerados tons da mesma cor em muitas línguas, algumas cores que são tratadas, em determinada língua, como distintas podem refinar a sensibilidade puramente visual a certas diferenças de cor na realidade dos falantes dessa língua. Os cérebros humanos são treinados para exagerar a distância entre tons de cor se estes tiverem nomes diferentes em determinada língua. Por mais estranho que possa parecer.

Nos próximos anos, os pesquisadores talvez possam compreender o impacto da linguagem em áreas mais sutis da percepção, como por exemplo, sobre a língua Matses no Peru, que obriga seus falantes, a especificar com uma riqueza de detalhes, exatamente como eles tiveram contato com os fatos que relatam. Não se diz simplesmente como em português, “Um animal passou por aqui”. É preciso especificar, usando uma forma verbal diferente, se isto foi experimentado diretamente (você viu o animal passar), ou se supôs (você viu pegadas), conjecturar, (Geralmente passar lá que a hora do dia), ouvi dizer ou tal. Se uma declaração é relatada com a “evidência” incorreta, é considerada uma mentira. Assim, se, for perguntado a um homem de Matses quantas esposas ele tem, a menos que ele possa realmente ver suas esposas naquele exato momento, ele responderia no tempo passado e diria algo como “Tinha duas nas últimas vezes que eu vi “Afinal de contas, uma vez que as esposas não estão presentes, ele não pode estar absolutamente certo de que uma delas não morreu ou fugiu com outro homem desde a última vez que as viu mesmo que fosse apenas cinco minutos atrás. Então ele não pode considerar como um fato certo no tempo presente. Será que a necessidade de pensar constantemente sobre a epistemologia de uma maneira tão cuidadosa e sofisticada informar a perspectiva dos oradores sobre a vida ou o seu sentido de verdade e causação? (DEUTSCHER, 2010)

O BILINGUISMO E A HIPÓTESE QUE NUNCA EXISTIU

A hipótese Sapir-Whorf, já explanada nos capítulos anteriores deste trabalho, não é uma hipótese nem tampouco foi criada pelos norte-americanos, Edward Sapir (1884-1939), linguista e antropólogo e Benjamin Lee Whorf (1897-1941), engenheiro químico profissional e linguista autodidata, no entanto, alguns cientistas ainda hoje tratam as ideias relativistas as intitulando de Hipótese Sapir-Whorf.

Não foi publicado na literatura nenhum trabalho em conjunto por Sapir e Whorf, portanto não existe nenhuma hipótese formulada por eles, portanto a ideia Hipótese Sapir-Whorf foi algo, criado por outros autores com o intuito de simplificar as ideias complexas de Sapir.

O termo “Hipótese Sapir-Whorf” aparece a primeira vez em um trabalho intitulado “Sapir-Whorf hypothesis” datado de 1954 de autoria de Harry Hoijer (1904-1976) apresentado em uma conferência sobre Linguagem em Chicago.

A linguagem é um método puramente humano e não instintivo de comunicar ideias, emoções e desejos por meio de um sistema de símbolos produzidos voluntariamente. (…) A linguagem é a arte mais massiva e inclusiva que conhecemos, um trabalho imensurável e anônimo de gerações inconscientes. (SAPIR, 1921).

Segundo Pavlenko, os estudos provocativos de Whorf sempre ocasionaram discussões acaloradas no meio acadêmico, com a publicação em 1956, de uma coletânea de seus trabalhos, estes debates se intensificaram. Estes debates eram motivados por supostas inconsistências na formulação de Whorf para muitos pontos fundamentais da linguística e, por seus estudos falharem ao tentar encontrar um meio de provar de forma adequada sua hipótese. Alguns cientistas tentaram organizar e sistematizar os estudos de Whorf, outros tentaram usar o bilinguismo e a tradutibilidade para testar suas ideias. A abordagem vencedora foi de dois psicólogos, Roger Brown e Eric Lennenberg (1954), que transformaram as ideias de Sapir e Whorf em hipóteses testáveis. Este acontecimento, sem dúvida, alterou de forma definitiva o estudo de linguagem e cognição. Brown e Lennenberg desconsideraram importantes argumentos de Whorf, portanto a hipótese deveria ser chamada de Hipótese Brown-Lennenberg ao invés de Hipótese Sapir-Whorf, visto que, alteraram os termos da problemática de Whorf.

Pavlenko (2013) explica de forma primorosa a origem deste equívoco como uma interpretação parcial e excessivamente resumida dos trabalhos de Sapir e Whorf, ocorrendo inclusive distorções relacionadas ao conteúdo das obras destes autores, transformando seus trabalhos em versões muito simplistas e perdendo assim, sua essência e significado.

Quando olhamos para trás, atribuir a ideia de determinismo linguístico a estudiosos multilíngues interessados na aprendizagem de uma segunda língua e em transformações da linguagem faz pouco sentido. No entanto, a substituição de questões abertas sobre diversidade linguística por duas hipóteses “testáveis” tinha uma grande vantagem – era mais fácil discutir e digerir. A transformação foi ainda mais facilitada por quatro práticas acadêmicas que nos permitem administrar a quantidade cada vez maior de literatura na quantidade cada vez menor de tempo: (a) simplificação de argumentos complexos (que muitas vezes resulta em má interpretação); B) Resumir os textos originais para as citações padronizadas; (C) dependência de exegeses de outras pessoas; E (d) reprodução acrítica do conhecimento recebido. Eventualmente, a própria frequência da sua reprodução da Hipótese Sapir-Whorf a tornou fato consumado. Hoje, o que conhecemos como Hipótese Sapir Whorf, são os termos divulgados por Brown e Lenneberg. (PAVLENKO, 2013)

Abordar a cognição não linguística dos falantes monolíngues em laboratórios através de experimentos, não tem praticamente nada em comum com o que Whorf quis dizer. Pavlenko (2013) através de sua publicação Mente Bilíngue, é considerar o que se entende por pensamento linguístico e quais os efeitos mais peculiares que as línguas têm sobre o pensamento dos falantes monolíngues e multilíngues, convencer que os termos falhos pelos quais a Hipótese Sapir-Whorf foi apresentada ao mundo, ocasionaram um retrocesso referente as verdadeiras questões propostas por Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf, por ter sido apresentada de forma distorcida. A adoção de uma visão mais realista frente à linguagem e pensamento leva a uma mudança benéfica e a aceitação do inegável bilinguismo e multilinguismo da maioria da população mundial.

Os linguistas têm compreendido há muito tempo que a capacidade de falar uma língua fluentemente não confere necessariamente um bom conhecimento linguístico dela, ou seja, não faz com que se compreenda seus fenômenos de fundo e seus processos e estrutura sistemáticos. Assim como, para jogar bem bilhar não é necessário conhecer as leis da mecânica que fazem a mesa de bilhar funcionar. (WHORF, 1940). 

As línguas influenciam nossa maneira de pensar e os bilíngues percebem tal influência, no entanto, por muitos anos, essas perguntas permaneceram sem resposta porque a pesquisa sobre linguagem e pensamento se concentrou unicamente na mente monolíngue. Os bilíngues foram excluídos desta pesquisa como sujeitos “incomuns” ou tratados como falantes representativos de suas primeiras línguas. Só recentemente os bilíngues e multilíngues tornaram-se participantes da pesquisa por direito próprio.

Conclusão

A ideia desse trabalho surgiu de um questionamento a respeito da forma como a linguagem interfere nos pensamentos das pessoas e a relação deste fato com o bilinguismo. Essa pergunta sempre esteve presente em minha vida e neste estudo, tratei de temas que buscavam solucionar essa questão, tão controversa, que envolve tantas áreas do conhecimento. Com as leituras cheguei a algumas conclusões, mas não é possível esgotar um tema tão complexo.

Sinto que iniciei apenas os estudos sobre esse assunto tão complexo que é a forma como a linguagem interfere na nossa percepção do mundo e vice versa. A partir da leitura de textos que explicam a hipótese Sapir-Whorf, muitas vezes de forma extremamente parcial, fui aprofundando meus conhecimentos, até a chegar a uma publicação feita pela linguista Aneta Pavlenko, que defende a ideia de que a visão de Sapir e Whorf foi distorcida pela excessiva simplificação da ideia original, muitas vezes omitindo dados fundamentais que tornam a ideia original desfigurada. Pavlenko renova de certo modo, a visão da hipótese, recuperando sua importância.

Através das leituras e estudos, pude concluir que a forma como vemos o mundo está intimamente ligada à língua falada, que o aprendizado de outros idiomas beneficia não apenas as capacidades cognitivas, como melhora a empatia, retarda o aparecimento de Alzheimer e demência, amplia a visão de mundo.

Percebi que o bilinguismo carrega em si complexidade de conceito, terminologia. Que a tradução de um texto ou fala envolve muitas coisas: características culturais, enxergar o mundo sob nova perspectiva.

Antropólogos, linguistas, psicólogos, neurologistas, sociólogos, tantos estudiosos tentando decifrar o funcionamento da mente humana, da nossa linguagem, que nos faz tão especiais perante todos os outros seres existentes no mundo. Algo tão complexo que transforma pensamentos em sons, sons em símbolos escritos e através desses códigos se comunica. E o ser humano não criou apenas uma língua, existem hoje cerca de sete mil línguas. Quantos mundos diferentes existem nessas línguas?

No início do trabalho fiz uma analogia com viagens a outros mundos, acredito que seja de certa forma verdade. Cada cultura é um mundo em si, rico e que deve ser respeitado. Acredito que se existisse uma cultura que incentivasse que conhecêssemos mais idiomas e as culturas das pessoas que os falam, o mundo seria mais empático.

Portanto, conhecer outro idioma é algo muito enriquecedor, que melhora nossas habilidades cognitivas, faz de nós pessoas mais versáteis e adaptáveis.

feito

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