A INFLUÊNCIA CULTURAL PRESENTE NA ARTE:  UM ESTUDO SOBRE O SIMBOLISMO APLICADO NA OBRA NEON GENESIS EVANGELION

UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL

A INFLUÊNCIA CULTURAL PRESENTE NA ARTE UM ESTUDO SOBRE O SIMBOLISMO APLICADO NA OBRA NEON GENESIS EVANGELION

VITOR MAGALHÃES DE ANDRADE

Orientador: Prof. Me. Carlos Antonio de Andrade Arnt Universidade de Caxias do Sul – UCS

Resumo

Este trabalho teve como objetivo de pesquisa compreender a influência da cultura sobre a arte, por meio de um estudo do simbolismo aplicado na obra Neon Genesis Evangelion. Para alcançar tal objetivo, foi realizada uma coleta de dados bibliográficos, que apresentou de onde vem a origem do simbolismo e de como ele influencia na criatividade presente na mente humana. Foi realizada uma análise sobre o simbolismo aplicado no objeto de pesquisa. Para comprovar os apontamentos da análise, foram realizadas entrevistas em profundidade. Ao final deste estudo, confirma-se que o simbolismo foi aplicado de maneira intencional e pretensiosa com o intuito de gerar mais impacto no enredo e no mundo presente na obra.

Palavras-chave: Neon Genesis Evangelion, animê, simbolismo, cultura, influencia, arte, consciente, inconsciente.

Abstract

This work had as research objective to understand the influence of culture on art, through a study of the symbolism applied in the work Neon Genesis Evangelion. To achieve this goal, a collection of bibliographic data was carried out, which showed where the origin of symbolism comes from and how it influences the creativity present in the human mind. An analysis of the symbolism applied to the research object was carried out. To prove the analysis notes, in-depth interviews were conducted. At the end of this study, it is confirmed that the symbolism was intentionally and pretentiously applied in order to generate more impact on the plot and on the world present in the work.

Keywords: Neon Genesis Evangelion, anime, symbolism, culture, influence, art, conscious, unconscious.

Introdução

Quando se aprecia uma obra de arte, seja por meio da música, pintura, escultura, literatura, dentre outros; é possível que a ideia central de suposta obra, veio de algo que já tenha sido visto anteriormente pelo sujeito que estaria tendo contato com a produção hipotética. O artista ao realizar uma criação, dá forma aos valores presentes em sua época. Seja estes valores adquiridos de maneira consciente ou não.

Essa forma de pensamento possui uma forte ligação ao simbolismo. Onde mesmo que alguém não reconheça algum mito ou lenda, de forma consciente, é possível que esse determinado sujeito sonhe com isto. Devido ao corpo humano servir como armazenamento de histórias de seus antepassados. Em questões conceituais, nas histórias de fantasias, sempre haverá um demônio, um anjo, um ser humano ou até algum evento que retrata algum acontecimento marcante já visto na realidade do determinado autor. Essas figuras, por mais que diversos autores tendem modificar o sentido de seus arquétipos primários, sempre terão um significado base quando são vistas pela primeira vez em suas obras. Devido ao fato de que um artista tenta se expressar, através de seu repertório, sua linguagem desejada que pode estar cheias de símbolos.

Com a aptidão de criar símbolos, o homem transfaz, de maneira inconsciente, objetos ou formas em símbolos e lhes dá expressão, na religião e nas artes visuais. A crônica da humanidade se interliga em questão de religião e arte. Que se remonta aos tempos pré-históricos. Onde tem um registro, deixado por nossos antepassados, dos símbolos que tiveram especial significação para eles. Algo que os emocionaram. Até hoje a interação entre religião e arte permanece em todos os meios de produção artística.

Esses símbolos sempre estarão presentes no cotidiano de todos, mesmo não compreendendo o contexto único que cada um possa ter, eles podem ser compreendidos por meio de um breve significado que é percebido logo em que são vistos. O uso deles em uma obra pode ou não ser de maneira consciente. Alguns desses supostos símbolos são tão antigos que atualmente se tornaram incompreensíveis. Casos como este demonstram que certos espectadores podem necessitar de ajuda para compreender algum símbolo antigo, que ainda não está morto ou até mesmo perceber o renascer de um símbolo sob uma forma nova e atual. Este suposto termo “renascer”, muitas vezes, é uma técnica que muitos artistas utilizam para dar um novo significado a símbolos mais antigos, com o intuito de passar uma mensagem, na tentativa de produzir um conteúdo mais diversificado.

Para compreender a assertividade da utilização desse conceito, foi realizado uma pesquisa sobre o simbolismo aplicado na obra Neon Genesis Evangelion. Um animêTermo utilizado pelos ocidentais para se referir a animações produzidas no Japão ou que apresentem o gênero mangá.de gênero mechaGênero de anime que apresenta robôs gigantes, que podem ou não serem pilotados por mais de um ou dois pilotos, com o intuito de enfrentar monstros gigantes. . O simbolismo presente na obra é totalmente inspirado em religiões esotéricas. Com forte influência do judaísmo, do cristianismo e do gnosticismo presentes em seu enredo e Iconografia. O que se remete a aplicação do simbolismo que está marcado na cultura de todos. Muitos desses símbolos usados na produção de algum conteúdo, podem ser algo que dificilmente possa ser reconhecido de maneira clara. Não importa se o significado original é claro ou não, a mente inconsciente sempre irá perceber o conceito base de determinado símbolo; e o impacto que pode carregar, pelo fato de ser algo que está presente na história. Muitos autores quando utilizam esse simbolismo de forma consciente, tendem a passar o impacto que carregam, através de sua própria linguagem apresentada na obra. Utilizando desta suposta percepção inconsciente. Conceitos que de diversas formas na obra que será utilizada como instrumento de estudo desta pesquisa.

A utilização de símbolos como base para a elaboração da obra, pode claramente ser vista na animação quando se trata de enredo, traço e cores. Neon Genesis Evangelion é conhecido por ser um anime, composto por 26 episódios, mais um filme, feitos pela a união dos estúdios GAINAX e Tatsunoko. Sendo transmitido inicialmente no Japão, no ano de 1995. Logo após, surgiram mangás e séries com pontos de vista diferentes. Lembrando que a série nova terminou durante a realização desta pesquisa. Portanto, o foco inicial será a história base da obra, que são os primeiros 26 episódios mais o filme final.

O objetivo geral deste estudo é compreender e analisar a simbologia presente na obra. Exercendo como base a questão norteadora de “De que forma o simbolismo presente em Neon Genesis Evangelion foi aplicado a ponto de demonstrar que teve alguma influência sobre o desenvolvimento da obra?” Começando pela compreensão de como a cultura pode influenciar a arte, o conceito de animê, contextualização do objeto de pesquisa e por fim o entendimento do uso do simbolismo aplicado na obra analisada.

O primeiro capítulo trata-se da influência que o simbolismo tem sobre o inconsciente de como trabalha no processo criativo da mente humana.

No segundo capítulo é o entendimento de memória. Como ela afeta o comportamento humano e de como funciona o fluxo constante pensamento. Evolvendo o processo de esquecimento, reprise e de como o simbolismo trabalha perante a estes processos mentais da mente humana.

No terceiro capítulo busca compreender o conceito de “cultura” e de onde ele se originou. A comunicação foi o fator crucial para desenvolvimento deste conceito. O que claramente resultou no que se pode ser considerado um “arquivamento” de todas obras e conhecimentos da história humana. E que, até hoje, continua em constante crescimento. Também será abordado a influência da cultura sobre a arte. Um breve resumo da história da arte e de quanto o simbolismo, mais por parte da religião, desencadeou vários movimentos artísticos que perpetuam até hoje, mesmo apresentando várias derivações em relação ao conceito original.

No quarto capítulo tem o objetivo de contextualizar o leitor ao animê como mídia de entretenimento. E de como funciona sua estrutura, estilo de narrativa e estilo visual. E principalmente compreender os diversos gêneros de tal meio de entretenimento, para assim apresentar uma breve “introdução” o que é a obra que foi analisada. Seguido de uma contextualização sobre Neon Genesis Evangelion, mencionando de como foi a produção, quem é o autor, os personagens e um breve resumo do enredo. Seguido da apresentação e contextualização, será realizado a própria análise do simbolismo aplicado em Neon Genesis Evangelion. Buscando interpretar conforme o contexto de determinada cena, para assim, apresentar um entendimento de como o simbolismo foi utilizado.

Portanto, este trabalho, dentro da área de Comunicação Social – Habilitação em Publicidade e Propaganda, busca compreender qual é a real influência da cultura sobre a arte e de que forma o simbolismo presente em Neon Genesis Evangelion foi aplicado a ponto de demonstrar que teve alguma influência sobre o desenvolvimento da obra, além de auxiliar os artistas profissionais, ou não, que estejam buscando o do porque o simbolismo tem aplicação na produção de suas obras.

INCONSCIENTE

Sobre a influência que o simbolismo possui, muitos artistas tiveram grandes ideias, devido a inspirações surgidas abruptamente de seus inconscientes. O artista profissional possui a capacidade de transformar esse material bruto em literatura, em música, em pinturas, praticamente em todas as linguagens de arte. Segundo Jung (2016) um determinado autor durante a produção de sua obra, pode estar produzindo de acordo com o seu plano prefixado. Seja em um determinado argumento ou até mesmo no desenvolvimento da trama de sua história quando, de repente, muda o rumo. Na mente deste suposto autor, pode ter ocorrido alguma nova ideia, uma imagem diferente, ou uma trama secundária completamente nova. Se investigar o que causou esse deslocamento, o autor não será capaz de explicar. Talvez até mesmo nem sequer tenha notado a mudança, apesar de ter escrito algo inteiramente novo e de que não possuía, aparentemente nenhum conhecimento anterior. Entretanto pode afirmar que o que acabou de escrever tem uma enorme semelhança com o trabalho de outro autor. Suposto trabalho que esse autor pode crer nunca sequer ter visto. Esse exemplo se aplica tanto no simbolismo religioso tradicional ou até mesmo nos novos significados dados a esses símbolos através da obra que o suposto autor leu. Em situações relacionadas a esse evento citado, há uma genuína recordação, mesmo que a pessoa não perceba. A mesma situação pode acontecer com um determinado músico que supostamente possa ter ouvido, durante o período de sua infância, alguma melodia folclórica ou algum tipo de canção popular e que em sua idade adulta, apresentou tal melodia durante a sua composição de um movimento sinfônico. Nessa ocasião, uma ideia ou imagem deslocou-se do inconsciente para o consciente.

Em uma matéria do Fantástico (1979), ocorreu um exemplo semelhante. Onde o compositor e cantor brasileiro, Jorge Duílio Lima Meneses, conhecido como Jorge Ben Jor, teve uma de suas músicas plagiada pelo cantor e compositor britânico, Rod Stewart. A música “Da Ya Think I'm Sexy?” (1978), do músico britânico, apresenta uma grande semelhança nos 8 compassos, repetidos no refrão, com a música “Taj Mahal” (1972) de Jorge Ben Jor. Um tempo depois, Rod Stewart admitiu a semelhança, mas que não teve a intenção de plágio. O compositor mencionou ter ouvido “Taj Mahal” (1972) inúmeras vezes durante sua visita no Rio de Janeiro, no carnaval. Muitos consideraram esse caso como um plágio inconsciente.

Jung (2016) afirma que no inconsciente da mente humana, pode haver materiais subliminares. Que, de maneira espontânea, dão início na produção de símbolos nos sonhos das pessoas. Todo o tipo de urgências, impulsos e intenções; de pensamentos racionais ou irracionais; de conclusões, induções, deduções e premissas; e de toda a imensa gama de emoções, são o que constituem o material sublinhar localizado no inconsciente da mente humana. Qualquer um desses elementos citados tem a capacidade de se tornar parcial, temporária ou definitivamente inconsciente. O inconsciente da mente humana funda-se de uma abundância de pensamentos, imagens e impressões momentâneas e que, apesar de terem sido desponderados, continuam a influenciar a mente consciente.

O estudo da criação de símbolos, deve-se ser iniciado através destas manifestações do inconsciente. E a base inicial disso deve-se começar na investigação dos sonhos que são realizados na mente humana. Sonhos são o que dão capacidade à mente de produzir ou recordar símbolos. Os estudos destes sonhos são o material primordial para o avanço desta pesquisa. Pois Jung, o autor deste estudo, afirma a necessidade de uma aceitação de que o sonho é uma demonstração singular do inconsciente. Isso se excluir o sonho que apresente um sentido que se sustente. Ou seja, tanto a produção quanto a reprodução de símbolos, estão associados ao inconsciente. Para compreender melhor o inconsciente, deve-se analisar suas manifestações. E um dos melhores materiais para isso são os sonhos.

[...] um sonho em nada se parece com uma história contada pela mente consciente. Na nossa vida cotidiana, refletimos sobre o que queremos dizer, escolhemos a melhor maneira de dizê-lo e tentamos dar aos nossos comentários uma coerência lógica. Uma pessoa instruída evitará, por exemplo, o emprego de metáforas complicadas a fim de não tornar confuso o seu ponto de vista. Mas os sonhos têm uma textura diferente. Neles se acumulam imagens que parecem contraditórias e ridículas, perde-se a noção de tempo e as coisas mais banais podem se revestir de um aspecto fascinante e aterrador. (JUNG, 2016, P. 50)


O início da produção de símbolos se deve aos sonhos, que são compostos de pura matéria subliminar, presente na mente humana. Segundo Jung (2016), Todo o tipo de urgências, impulsos e intenções; de pensamentos racionais ou irracionais; de conclusões, induções, deduções e premissas; e de toda a imensa gama de emoções, são o que constituem o material sublinhar localizado no inconsciente da mente humana. Qualquer um desses elementos citados tem a capacidade de se tornar parcial, temporária ou definitivamente inconsciente. É onde permanecem memórias de um passado remoto consciente, mas pode haver também o surgimento de pensamentos novos e ideias. Ideias e pensamentos que não foram originados de pensamentos conscientes. O surgimento dessas concepções, é parte da formação da psique subliminar da mente. Nesse contexto, qualquer coisa que um indivíduo tenha ouvido ou experimentado pode se tornar algo subliminar em sua mente. Ou seja, a experiência vivenciada pelo indivíduo pode passar para o seu inconsciente. E mesmo que os pensamentos conscientes ainda apresentam um estado consciente, a constante reprodução desses pensamentos conscientes, pode gerar uma compressão de meio-tom no inconsciente. O que pode dar uma nova nuança a cada vez que esse suposto pensamento for convocado. Jung (2016) afirma que as impressões conscientes, da mente humana, ligeiramente atribuem um elemento inconsciente que possa possuir uma significação psíquica, ainda de que não há uma noção da existência desse suposto conteúdo subliminar. Os meios-tons, citados anteriormente, variam de pessoa a pessoa. Cada indivíduo tem suas próprias noções gerais e abstratas de seus contextos.

[...] a capacidade da nossa psique de produzir esse material novo é particularmente significativa quando se trata do simbolismo do sonho, pois a minha experiência profissional provou-me, repetidamente, que as imagens e as ideias contidas no sonho não podem ser explicadas apenas em termos de memória; expressam pensamentos novos que ainda não chegaram ao limiar da consciência (JUNG, 2016, P. 48)

MEMÓRIA

Para Mlodinow (2013), o comportamento humano, é produto de um curso infinito de pensamentos, sentimentos e percepções, tanto para a mente consciente do ser humano quanto no inconsciente, por ser um estudo que há séculos está sendo analisado e atualizado, muitos acham difícil de acreditar de que o ser humano não está ciente da causa de boa parte de seu comportamento. Há pouco tempo a ideia de que possa haver um inconsciente que influencia em boa parte do comportamento humano, era descartada e tratada como psicologia popular.

Em geral, temos confiança em que conhecemos as causas do nosso comportamento. E às vezes essa confiança é garantida. Porém, se forças exteriores à consciência desempenham um grande papel nos nossos julgamentos e comportamentos, é porque não nos conhecemos tão bem quanto pensamos (MLODINOW, 2013, P.20)


Com isso, apesar do sonho ser um ótimo material de estudo, deve-se lembrar do componente essencial que todo o sonho é composto, a memória. A memória é um constante fluxo de dados que permanece entre o consciente e inconsciente. Apesar de que o consciente só recebe o que foi filtrado pelo inconsciente. Jung (2016), menciona que esse processo pode estar envolvido com o esquecimento. A ação de esquecer de algo é um desenvolvimento natural do ser humano, em que supostos pensamentos conscientes dissipam a sua energia singular em consequência a um desvio de atenção nos pensamentos. Quando o interesse se afasta, deixa em sombra as coisas que outrora eram abrangidas. Esse tipo de ação é inevitável, devido a consciência só poder conservar uma imagem clara por vez. Mesmo conservando tal clareza do significado de uma imagem, há uma margem de erro nesse processo. Os pensamentos e ideias esquecidos não abstêm da existência. Apesar de não conseguirem se reprisarem à vontade, eles estão presentes em um estado subliminar no fundo da memória. Onde tais imagens esquecidas, podem surgir espontaneamente a qualquer momento, não importando o intervalo de tempo.

Mlodinow (2013) menciona que há uma dúvida quando se pensa em como um procedimento de memória, que descarta muito da experiência vivida pelo ser humano, sobrevive ao processo evolutivo. Apesar de a memória da mente humana se submeter a distorções na reprodução de lembranças, se essas distorções subliminares fossem prejudiciais para o processo de evolução, com certeza não haveria espécie humana. Mesmo que a memória esteja longe da perfeição, na maior parte das circunstâncias funciona em um nível necessário para a sobrevivência. O suficiente para que os ancestrais da raça humana reconhecessem as criaturas que deveriam caçar e, principalmente, as que deveriam evitar. Sem falar da questão da localização: como riachos, trilhas seguras e acampamentos. Apesar de haver tais descartes de lembranças, a mente continua processando uma interminável quantidade de dados, tal ação que está fora da percepção de qualquer indivíduo.

Trata-se de um legado da evolução crucial para nossa sobrevivência como espécie. O pensamento consciente é de grande valia para projetar um automóvel ou decifrar as leis matemáticas na natureza, mas só a velocidade e a eficiência do inconsciente podem nos salvar na hora de evitar picadas de cobra, carros que entram no nosso caminho ou pessoas que nos fazem mal. Como veremos, para garantir nosso perfeito funcionamento, tanto no mundo físico quanto no social, a natureza determinou que muitos processos de percepção, memória, atenção, aprendizado e julgamento fossem delegados a estruturas cerebrais separadas da percepção consciente. (MLODINOW, 2013, P.20)


Esse auxílio da memória sobre o processo evolutivo, envolve o inconsciente e uma de suas aplicidades mais importantes: o processamento de dados enviados pelos olhos. Isso devido ao fato de que um animal que vê melhor durante sua caça ou coleta, come melhor e evita o perigo com mais facilidade. Ou seja, vive mais. Como resultado dessas atividades ancestrais, a evolução cuidou para que cerca de 1/3 do cérebro humano se dedique no processamento da visão. Para assim, interpretar cores, detectar situações e movimentos, identificar objetos e pessoas e até mesmo a percepção de profundidade e distância. Como mencionado anteriormente, Mlodinow (2013) diz que todo esse processo nem se quer é percebido ou acessado de maneira consciente. Esse processamento de dados, ocorrido fora da percepção, só se manifesta de maneira consciente na mente, na hora de apresentar resultados em um relatório minucioso, mostrando somente os dados digeridos e interpretados.

O desafio enfrentado pela mente, e que corresponde ao inconsciente, é ser capaz de filtrar esse inventário de dados a fim de reter as partes que realmente nos interessam. Sem a filtragem, nós simplesmente nos perderíamos no lixo de dados. Nós vemos as árvores, mas não a floresta. (MLODINOW, 2013, P.61)


Uma forma de explicar esse processo de filtragem, é relacionando ao processamento de imagens dos computadores. Quando se amplia uma imagem digitalizada, os detalhes irão apresentar muitos erros de cores, foco, dentre outras minúcias que foram preenchidos de forma imprecisa pelo próprio computador. Erros gerados na tentativa de compensar a falta de dados. Segundo Mlodinow (2013), a mente humana funciona de forma similar. Apesar de que diferente dos computadores, as lembranças da mente humana são alteradas com o passar do tempo.

A memória possui diversas ações que tornam a mente um processo multifacetado. Esses processos podem ser categorizados como: Memória declarativa, memória procedural e memória desclarativa (Oliveira, 2007).

A memória declarativa está relacionada à linguagem. Oliveira (2007), menciona que se for pedido para um indivíduo descrever algum objeto ou ser vivo, esse indivíduo irá facilmente utilizar uma palavra específica, de seu idioma, para descrever determinado objeto ou ser vivo. Esse processo não envolve automatização, mas sim um processo declarável. Ou seja, uma metodologia focada no sistema linguístico.

A memória procedural é um processo gradativo. Envolve experiências vividas pelo cotidiano. Como o caminho de volta pra casa, amarrar os sapatos, dirigir, pegar o ônibus e, em algumas vezes, desenhar. É uma automatização de ações repetidas pela rotina de um determinado indivíduo.

Já a memória desclarativa, apesar de apresentar certas semelhanças com a memória procedural, a diferença é a reprodução de memórias do cotidiano de forma consciente (Oliveira,2007).


CULTURA

Eagleton (2005) menciona que a origem do termo cultura, deriva-se do conceito de natureza. Seu significado primordial vem de “lavoura” ou “cultivo agrícola”, o cultivo que cresce naturalmente, relacionando-se ao trabalho manual. Esses significados possuem ligação com a palavra “colônia” e, por consequência, relaciona-se a adoração religiosa, o "culto". “Cultura” deixou de ser uma palavra que remete ao trabalho manual e material a partir do século XVIII. Após esse período, passou a ser um substantivo abstrato com o objetivo de designar o cultivo geral de intelecto coletivo. Uma definição que mapeia a repercussão semântica da mudança histórica da humanidade da realidade rural para a realidade urbana, da criação de porcos a Picasso (AZEVEDO, 2017). Dando ênfase a menção de Eagleton (2005), onde a palavra “cultura” possui resquícios de uma transição histórica importante. Compilando várias questões filosóficas fundamentais. Envolvendo o foco em questões de determinismo e liberdade, o fazer e o sofrer, mudança de identidade, o dado e o criado. Uma palavra que consagra o uso comum de aprender relações sociais complexas e, algumas vezes, contraditórias.

Se cultura significa cultivo, um cuidar, que é ativo, daquilo que cresce naturalmente, o termo sugere uma dialética entre o artificial e o natural, entre o que fazemos ao mundo e o que o mundo nos faz. É uma noção "realista", no sentido epistemológico, já que implica a existência de uma natureza ou matéria-prima além de nós; mas tem também uma dimensão "construtivista", já que essa matéria-prima precisa ser elaborada numa forma humanamente significativa. Assim, trata-se menos de uma questão de desconstruir a oposição entre cultura e natureza do que de reconhecer que o termo "cultura" já é uma tal desconstrução. (EAGLETON,2005, P. 11)


O conceito de cultura baseia-se no significado simples de uma ideia de comunidade. Referindo-se ao sentido antropológico estabelecido em meados do século XIX. Os indivíduos viventes em uma comunidade, compartilham um sistema de organização, onde como consequência, resultou na captação mental para diversas atividades resignadas da prática social em seu conjunto. Azevedo (2017), menciona esse tipo de sistema como algo social, em escala global, que se materializa em instituições concretas, como política, arte e ciência. Cada uma dessas instituições, apesar de serem socialmente distintas, de maneira simultânea, todas se dissolvem em algo comum: a comunicação. Ou seja, mesmo tendo seus contrastes sociais, possuem relações com a comunicação humana.

A comunicação dá ênfase na existência de uma rede de significados que estão por toda a parte. Não somente na língua falada e escrita, mas em toda manifestação visual e auditiva também. Os seres humanos vêm e vão, mas os seus símbolos permanecem em sobrevivem, para assim, serem herdados e terem seus significados recriados de forma contínua. Atividade que se não fosse desenvolvida a sociedade deixaria de existir. Azevedo (2017 apud WILLIANS, 200), afirma que “cultura” são dimensões que podem se dividir em três conceitos. A cultura como “ideal”, a cultura como “documentação” e , por fim, a cultura como “modo de vida”. A cultura como “ideal”, trata-se da definição de que esse termo significa um estado ou processo de perfeição humana. A análise da cultura torna-se essencialmente, descoberta e descrição, em vidas e trabalhos atemporais que têm potencial em fazer referência à condição humana. Já a cultura como “documentação”, refere-se a todo o registro existente de trabalhos intelectuais e imaginativos, de maneira detalhada. A análise da cultura sobre esse contexto, é uma atividade crítica que descreve a percepção e experiência. Levando em conta detalhes como linguagem, forma e convenções. Sendo um processo de análise ideal, na tentativa de coletar o melhor que foi pensado e escrito no mundo. Examinando trabalhos particulares, com o objetivo de buscar relacioná-los às sociedades e tradições particulares. Já a cultura como “modo de vida”, refere-se a estilos de vida particulares, articulados através de significados e valores comuns, oriundos de instituições e expressos no comportamento banal. Uma análise crítica histórica, com o objetivo de esclarecer significados e valores em trabalhos intelectuais. Tudo envolvendo claramente práticas “documentadoras” (AZEVEDO,2017 apud WILLIANS, 2000).

As variáveis dos significados e referência no uso do termo “cultura” não precisam ser vistas como algo que atrapalhe a essência de definição. Cada uma das três dimensões possui suas referências significativas. Qualquer teoria relacionada à cultura precisa incluir as três dimensões apontadas por Willians.


Influência da cultura sobre a arte  

A história do simbolismo mostra que tudo pode revelar uma acepção simbólica. Exemplo disso, são os objetos naturais: como pedras, plantas, animais, homens, vales, montanhas, lua, sol e os próprios elementos. E tem os que são fabricados pelo próprio homem: Como casas, barcos ou carros. E é claro formas abstratas também estão incluídas nessa lista. A presença do simbolismo na arte é constante e está presente desde os primórdios da humanidade. Como dito anteriormente, tudo se deu início aos símbolos naturais. Mais precisamente a pedra, o animal e o círculo. Esses símbolos possuem uma significação psicológica que permaneceu constante desde as mais primitivas expressões da consciência, até as mais sofisticadas formas de arte da atualidade. Mesmo uma pedra não trabalhada, possuía uma significação simbólica para as sociedades ancestrais. Segundo Jaffé (2016), pedras naturais, em suas formas brutas, eram consideradas moradia para os espíritos ou deuses. Essa cultura ancestral utilizava essas pedras como lápides, marcos, ou objetos de veneração. Esse tipo de função que a pedra possuía, pode ser considerado uma forma primitiva de escultura. Uma ação para dar a pedra um maior poder expressivo do que simplesmente ter que contar com acasos ou a natureza em si.

O homem começou muito cedo a tentar exprimir aquilo que sentia ser a alma ou o espírito de uma rocha, trabalhando-a de forma distinta. Em muitos casos, a forma era uma aproximação mais ou menos definida da figura humana — por exemplo, os antigos menires que esboçam toscamente as linhas de um rosto, as hermas nascidas dos marcos divisórios da antiga Grécia ou os vários ídolos primitivos com feições humanas. A animização da pedra é explicada como a projeção de um conteúdo mais ou menos preciso do inconsciente sobre ela. (JAFFÉ, 2016, P. 394)

As pinturas de animais são um exemplo disso. As figuras de animais presentes em cavernas remontam ao último período glacial (entre 60.000 e 10.000 anos a.c). A descoberta dessas cavernas trouxe uma percepção de que havia uma cultura pré-histórica. Apesar de que a existência dessas cavernas, antes de suas descobertas, era totalmente desconhecida. Curiosamente, habitantes dos locais próximos, onde as cavernas se encontravam, evitavam adentrar ou se aproximar das cavernas. Eles apresentavam um certo temor religioso. Mesmo sem conhecer o verdadeiro significado, viajantes nômades depositavam oferendas diante das pinturas antigas. Segundo Jaffé (2016), cavernas e rochas com desenhos de animais foram sempre instintivamente assumidas como uma função religiosa. O que acontece desde sua origem, apesar de terem percepções com significados diferentes.

Essas citadas pinturas paleolíticas, são animais reproduzidos por meio de habilidades artísticas, que apresentavam movimentos e posturas observados pela natureza. Na maioria dessas representações, os animais estão sendo atacados ou feridos. Essas imagens revelam algum tipo de magia. O determinado animal pintado, tem o papel de um dublê. Retratado com ferimentos e até mesmo sendo morto. Esse massacre simbólico simbolizava a garantia para os caçadores, de que sua caçada futura seria bem sucedida. Resumindo, essa “simpatia” demonstra que, o que acontece com o animal na pintura, acontece com o animal verdadeiro. Jaffé (2016), afirma ter uma explicação psicológica sobre tal expressão. A explicação seria que é uma forte identificação entre o ser vivo e sua imagem, que representa a alma daquele ser.

Esse tipo de ritual, com o objetivo de ferir o inimigo através de uma representação em imagem, perpetua até hoje. Gombrich (2000), faz uma analogia sobre isso. Onde um suposto indivíduo, enquanto lê o seu jornal, vê na capa a foto de seu campeão favorito e decide furar os olhos da imagem com um alfinete, esse indivíduo apresentaria uma vaga relutância em causar danos ao ícone. Mesmo sabendo, em seus pensamentos, que se trata apenas de uma mera retratação de seu ídolo. Com essa analogia, o autor afirma que se essa ideia irracional, permanece no inconsciente, sobrevive até hoje, significa que esteve presente em quase todos os povos primitivos. Em quase todas as partes do mundo houveram pessoas chamados de médicos-feiticeiros, pajés ou bruxos que tentaram praticar magia. Através do ato de retratar determinado inimigo por meio de uma imagem e, logo em seguida, prejudicá-la com o intuito de causar tal dano. Seja em pinturas, bonecos ou esculturas.

Nas mesmas cavernas existem pinturas de um ser humano composto de chifres de veado, cabeça de cavalo e patas de urso, fazendo uma ação similar a uma dança. Esse retrato representa o “Rei dos Animais”. Nas tribos africanas primitivas, essa figura simbólica composta de partes animalescas, citada anteriormente, possui um papel muito importante. Em geral, na maioria dessas tribos primitivas máscaras de animais costumam representar o rei e o chefe como animais. Quando um chefe primitivo utiliza vestes com características animalescas, ele está encarnando algum ancestral de sua tribo, ou até mesmo seu deus original.

Esse tipo de ritual existiu por séculos. Porém foi evoluindo de vestes completas para máscaras. Além de animais, essas máscaras também passaram a representar demônios. Devido ao fato de demônios apresentarem características de animais predatórios. Como chifres e presas. Até hoje essas máscaras ritualísticas fazem parte da arte popular de diversos países. Principalmente no Japão, onde eram utilizadas no teatro No, onde são extremamente expressivas. Com tudo, o objetivo da máscara é o mesmo que o da veste completa. Transformar um indivíduo em um portador da expressão de uma fera. Transformando-o em uma imagem arquetípica.

Gombrich (2000), menciona que essas condições ritualísticas influenciam a arte de diversas maneiras. Várias obras são produzidas com o objetivo de exercer um papel em um suposto ritual, onde o que realmente importa não é se a obra é bela, mas sim se “funciona”, no sentido de executar a magia requerida. Os artistas que trabalham nas tribos, que realizam tais rituais, sabem exatamente o que cada forma ou cor pretende significar. A missão desses artesões não é alterar ou criar algo inteiramente novo, mas sim, como aplicar suas habilidades na execução do trabalho desejado.

A arte primitiva funciona justamente de acordo com essas normas preestabelecidas, mas permite ao artista margem bastante para que mostre sua índole. O domínio técnico de alguns artífices tribais é deveras surpreendente. Não devemos esquecer, quando se fala de arte primitiva, que a palavra não quer dizer que os artistas possuem apenas um conhecimento primitivo de seu mister. Pelo contrário, muitas tribos remotas desenvolveram uma arte verdadeiramente assombrosa em obra de talha, cestaria, na preparação do couro ou mesmo no trabalho com metais. Se nos lembrarmos com que ferramentas rudimentares essas obras foram feitas, não poderemos deixar de nos maravilhar com a paciência e a segurança de mão que esses artífices primitivos adquiriram ao longo de séculos de especialização. (GOMBRICH, 2000, P. 18)

Segundo Jaffé (2016), nas regiões de quase todas as raças, os elementos animalescos associam-se aos deuses ou de como são representados. Exemplos disso são os antigos babilônios projetavam seus deuses, sob forma dos signos do zodíaco: Leão, Escorpião, Touro, Peixe etc. Os egípcios representavam a deusa Hátor com cabeça de vaca. Ganesha, o deus hindu da sorte, possui um corpo humano e cabeça de elefante.

Na mitologia grega há incontáveis símbolos relacionados aos animais. O próprio Zeus, o pai dos deuses, é um exemplo disso. Em várias de suas histórias, Zeus, se aproximava das jovens que desejava, em forma de águia, touro ou até mesmo de um cisne. Na mitologia germânica, Freya era associada ao gato. O cristianismo também está incluído nessa lista do simbolismo animal. Cristo é representado simbolicamente como o cordeiro de Deus. Sem falar que já foi associado a outros animais: como serpente, peixe, leão e até mesmo unicórnio. Jaffé (2016), menciona que esses elementos animalescos relacionados a Cristo demonstram que o Filho de Deus não se abstém da sua natureza animal, da mesma forma que não exonera de sua natureza espiritual. Considera-se tanto o inumano quanto o sobre-humano como partes do reino divino. Essa conexão entre os dois aspectos do homem é simbolizada na imagem do nascimento de cristo em um estábulo, entre os animais.

A profusão de símbolos animais na religião e na arte de todos os tempos não acentua apenas a importância do símbolo: mostra também o quanto é vital para o homem integrar em sua vida o conteúdo psíquico do símbolo, isto é, o instinto. O animal em si não é bom nem mau; é parte da natureza e não pode desejar nada que não pertença a ela. Em outras palavras, ele obedece a seus instintos. Esses por vezes nos parecem misteriosos, mas guardam correlação com a vida humana: o fundamento da natureza humana é o instinto. (JAFFÉ, 2016, P. 403)

Os animais sempre coexistiram com a raça humana desde a era primitiva até os tempos atuais, e assim procede. Não é à toa que eles seriam representados e expressados na arte e na religião, devido ao fato de serem uma influência constante da natureza. Mas não são só os animais que influenciam a humanidade. Existe outra fonte de inspiração que também esteve presente desde a era primitiva, e essa fonte são as formas. Formas base, são a fonte primordial para a construção de qualquer coisa que apresente características complexas. Isso pode ser visto como exemplo na prática da ilustração. Para se desenhar um rosto é necessário que inicialmente comece com um círculo. Essa é a forma primordial que contribuiu para a criação de muitas culturas. Um símbolo de peso que esteve presente desde a adoração primitiva do sol até a religião moderna. De mandalas desenhadas por monges do Tibete a planejamentos de cidades, e até mesmo nos conceitos de esfera dos primeiros astrônomos.

Jaffé (2016), menciona uma certa semelhança entre o mito indiano do deus Brahma e o Buda. No mito indiano, conta-se que, sobre um lótus gigantesco de milhares de pétalas, o deus Brahma pôs os seus olhos nos quatro pontos cardeais. Logo após iniciou o seu trabalho de criação. Fazendo com que essa suposta “olhada” sobre os quatro pontos cardeais, tratava-se de um tipo de orientação preliminar. Apesar de apresentar pequenas diferenças nos detalhes, a história de Buda não se difere muito da de Brahma. Na história conta-se que no nascimento de Buda, ele subiu sobre uma for de lótus que nascerá da terra, para observar as dez direções do espaço. Essa ação simbólica é uma maneira de dizer que Buda era uma personalidade digna e única a receber luz. As duas lendas apresentam protagonistas que tiveram suas orientações através de situações e mediações circulares, que podem representar a preparação do homem para lidar com as impressões que recebe do exterior e do interior. Mais especificamente são quatro funções que o homem deve alcançar. Jung (2016), afirma que essas mesmas funções podem ser as quatro funções da consciência: o pensamento, o sentimento, a intuição e a sensação.

Todas essas orientações são exercidas com a orientação da forma círculo. O círculo composto de quatro ou oito raios é o padrão costumeiro das imagens religiosas que servem como instrumento para meditação. Característica presente nas artes plásticas da Índia e do extremo Oriente. Como por exemplo no Lamaísmo. Onde mandalas tibetanas eram abundantemente ornamentadas, para representar os cosmos na sua relação com os poderes divinos. Um significado que tem semelhança com a maioria das imagens de meditação oriental, pois quase todas são compostas por apenas desenhos geométricos, conhecidos como iantras. Além dos círculos, há também a presença do triângulo. Dois triângulos que se interpenetram, apontando em direções opostas, representa a união de Shiva e Shakti, as divindades masculina e feminina. Mas em relação ao simbolismo psicológico, simboliza a união dos opostos, ou a união do mundo pessoal e temporal do ego com o mundo impessoal e atemporal do não ego. Jaffé (2016) conclui que essa união é o alvo de todas as religiões, mais precisamente a união da alma com Deus. Os dois triângulos interpenetrados possuem uma interpretação semelhante em relação às mandalas circulares. Simbolizam a unidade e a totalidade da psique, que fazem parte tanto do consciente quanto do inconsciente.

Em ambos, tanto nos triângulos iantras quanto nas esculturas representando a união de Shiva e Shakti, é acentuada a tensão entre os opostos. Daí o caráter marcadamente erótico e emocional de muitos desses símbolos. Essa qualidade dinâmica implica um processo — a criação ou o nascimento da unidade —, enquanto o círculo de quatro ou oito raios representa a própria unidade, isto é, uma entidade existente. (JAFFÉ, 2016, P. 407)

Essas mandalas abstratas, que apresentam formas geométricas simples, estiveram presente em quase toda a cultura do mundo. Exemplo disso é a arte cristã europeia. As mandalas seriam as auréolas de cristo e dos santos cristãos nas pinturas religiosas. No caso de Cristo sua auréola é dividida em quatro, uma menção ao seu sofrimento como Filho do Homem e à sua morte na cruz. Figuras com o significado semelhante e dentre outras abstratas, foram encontradas nas paredes das primeiras igrejas romanas, vindas de origens pagãs. Os círculos eram chamados de “rodas solares”.

Uma mandala importante na arte pictórica cristã, é a imagem da Virgem no centro de uma árvore circular, que é o símbolo divino da sarça ardente. Entretanto, as mais comuns seriam as que representam Cristo cercado pelos quatro evangelistas. A origem disso tem relação com as antigas representações egípcias do deus Hórus com seus quatro filhos.

Com o forte uso do círculo como forma base para a produção de várias representações religiosas, a arquitetura não podia ficar de lado. O uso da mandala para esse propósito passou quase que despercebido, porém compõe o plano básico de construções seculares e sagradas da maioria das civilizações. Seja em traçados de cidades antigas e medievais até as construções mais modernas. Jaffé (2016) menciona como exemplo o relato de Plutarco sobre a criação de Roma. Onde Rômulo adquiriu costumes e conhecimento dos arquitetos da Etrúria. Onde aprendeu as leis sacras para a realização de rituais que foram requisitados. Após a realização de tais tradições, Rômulo traçou os limites da cidade em círculo, com o auxílio de uma charrua puxada por um touro e uma vaca. Há muitas teorias e relatos que podem contradizer essa história, porém a maioria aceita ou afirma que Roma foi elaborada em quatro partes que se baseiam ao centro. Essa base de construção serviu para inúmeras cidades medievais, que foram construídas sobre a planta baixa de uma mandala e até mesmo apresentavam muralhas em formas aproximadamente circulares. Todas envolvendo a divisão de partes em números pares, que se intercalam ao centro.

Porém a utilização da técnica que uma mandala podia proporcionar, não possuía uma explicação lógica ou matemática na época. As cidades eram elaboradas com o intuito de transformar as construções em uma espécie de imagem ordenada dos cosmos, um lugar sagrado ligado por meio de seu centro ao “outro mundo”. Ações que estão relacionadas aos sentimentos vitais do homem religioso. Jaffée (2016) afirma que toda construção, religiosa ou secular, baseada na elaboração de uma mandala, é uma projeção da imagem arquétipa do interior do inconsciente humano sobre o mundo exterior.

No caso do cristianismo, apesar de o símbolo central de sua arte ser o crucifixo, durante a época carolíngia a forma originária era a cruz grega ou equilateral, motivo pelo o qual a mandala tem um envolvimento indireto nos desenhos durante esse período. Contudo, não demorou muito para que esse símbolo evoluísse. O centro da cruz foi movido para o alto, que hoje é conhecido como a cruz latina. Uma transformação importante que surgiu como consequência da evolução da cristandade. Representando o desejo de traduzir em ação as palavras de Cristo. Mais precisamente a frase “Meu reino não é deste mundo”. Onde a vida terrena e o corpo são algo que deve ser vencido. Ou seja, essa alteração de símbolo é para representar o desejo de descolar da terra o centro do homem e sua fé e "alçá-lo" a uma esfera espiritual. Durante a era medieval esse pensamento fazia com que os devotos depositassem suas esperanças ao além. Uma promessa de paraíso onde todos podem atingir a realização total. Esse fascínio pelo além, não só influenciou a alteração de um símbolo importante, mas como influenciou também as construções das catedrais góticas. Construções, que na época, eram gigantescas com a intenção de simbolizar a aproximação do além. Afinal de contas trata-se da simbolização da casa de Deus.

Porém o inverso aconteceu durante o Renascimento. A concepção do homem sobre o mundo foi mais uma vez alterada. A atenção voltou-se para terra. Os interesses sobre o corpo e a natureza aumentaram cada vez mais. A ciência passou a ser o centro de quase tudo. Onde as leis da mecânica e da causalidade se tornaram os seus fundamentos. O pensamento lógico tomava cada vez mais a posição de influência que o irracional e misticismo possuíam sobre todos durante a era medieval.

Jaffé (2016) menciona que o interesse do Renascimento pela realidade foi o que desviou os artistas da arte “imaginativa” para a natureza. A arte passou-se a ser mais realista e mais sensual. Abandonou as regras rígidas que os temas religiosos possuíam. E o foco se voltou para o mundo visível. Criando uma divisão entre o cristianismo tradicional e a mente racional ou intelectual. Os pintores renascentistas possuíam um fascínio sobre a terra e a natureza, o que resultou na arte sensorial. Um estilo que envolve uma produção direto da natureza. Ou seja, utiliza a “realidade”, onde o pensamento lógico predomina, como fonte. Fator determinante para a evolução da arte visual durante os séculos seguintes.

Indo para a arte moderna, a visão do artista se transforma mais uma vez e foca no interior do homem. Dando ênfase ao segundo plano espiritual da vida e do mundo. Abandonando assim, o domínio do mundo concreto. O universo individual foi deixado de lado e a arte tornou-se altamente coletiva. O que deixou de atingir poucas pessoas, com vasto conhecimento em artes, para atingir todas as pessoas. Segundo Jaffé (2016), o que restou de individual foi apenas a maneira de se expressar de cada artista.

O conflito entre conhecimento e fé, que era presente no renascentismo, evoluiu para uma divisão entre a natureza e a mente. Consequência da constante evolução da civilização, que resultava cada vez mais na separação do homem. Se afastando dos fundamentos primitivos. Formando um abismo entre o consciente e o inconsciente. Opostos que expressavam a condição mental do artista que está buscando se expressar na arte moderna.

ANIMÊS

“Animê” é termo utilizado para se referir há animações que possuem um estilo de desenho específico e que, muitas vezes, se originam do Japão. Esse termo possui certas controvérsias pelo fato de que “animê” vem do japonês “アニメ (anime)”, que simplesmente significa “animação”. Ou seja, esse termo é exclusivamente usado por pessoas do ocidente, para se referir a produções japonesas, ou que apresentem as mesmas características artísticas. No Brasil, se escreve “animê” ao invés de “anime”, para ter a fonética verdadeira da palavra na língua portuguesa. Esse gênero caracteriza-se por apresentar personagens com olhos grandes, cabelos coloridos e espetados, histórias com dramas sérios e reações ou expressões exageradas.

Sato (2007) menciona que inicialmente o animê teve seu início com a intenção de transpor histórias de um mangáHistórias em quadrinhos no estilo japonêsdeterminado. Devido ao fato de que muitos mangás se caracterizam por apresentarem uma certa angulação e diagramação, que se baseavam em enquadramentos cinematográficos. Tornando assim, uma certa facilidade em converter uma mídia para outra. Essa gênese de produção era diretamente feito pelos próprios mangakásAutor de mangá, que normalmente é japonês . E com o passar dos anos o mangá deixou de ser a única fonte de inspiração para este meio de produção. Deu-se origem aos animês que possuem seu próprio conteúdo original. A obra que será o objeto de análise nesta pesquisa:Neon Genesis Evangelion, é um exemplo de um caso como este.

O estilo característico do animê teve sua origem nos anos 50. Período pós-guerra mundial que exerceu grande influência ocidental sobre o Japão. Um dos afetados por essa influência ocidental, foi o artista chamado Osamu Tezuka. Desenhista que revolucionou o mangá e o animê, ao dar ênfase aos olhos grandes e brilhantes, misturando aos quadrinhos técnicas de enquadramento cinematográfico e animação baseando-se nas obras de Walt DisneyProdutor cinematográfico e cofundador da The Walt Disney Company.e Max FleischerAnimador de clássicos como Betty Boop, Koko the Clown, Popeye e o Super-Homem. . Destacando as emoções sinceras e profundas dos personagens (Figura 1). (FARIA, 2008 apud. MOLINÉ, 2004).

Figura 1 — Seya de Pegasus Chorando, personagem principal do animê Os Cavaleiros do Zodíaco
Seya de Pegasus Chorando, personagem principal do animê Os Cavaleiros do Zodíacowww.quadrinheiros.com/2019/08/26/a-dramaticidade-em-cavaleiros-do-zodiaco/

Alencar (2010) afirma que os enredos dos animês e mangás, possuem próprio estilo de contar histórias. As narrativas dão-se a perceber que sempre há uma conjuração de intenções por trás da trama central, histórias que se intercalam com o intuito de demonstrar que nunca há uma verdade só a ser exposta. Diferente das obras ocidentais, não há apenas um mal a ser combatido. Pontos de vistas diferentes são sempre apresentados com uma carga emocional para os dois lados de um suposto conflito. Em muitos casos, questões sociais são fortemente abordadas. Dependendo da faixa etária do público determinado, a produção dessa abordagem pode ser tanto de maneira simples como tanto de maneira mais complexa para um público mais velho.

As animações japonesas possuem características próprias e particulares que agregam em si uma estrutura que também é ideológica, valendo-se de aspectos já estabelecidos, mas que adquirem notoriedade quando criam críticas ou propõem novas abordagens sobre temas consolidados. (ALENCAR, 2010, P. 17)


Diferente dos desenhos ocidentais, os animês possuem um enredo contínuo de início, meio e fim. Podendo ter sub histórias denominadas de “arcos” que se intercalam, ou não, com o enredo principal. Em alguns casos, os minutos iniciais de cada episódio são utilizados para explicar ou reprisar os acontecimentos importantes do episódio anterior. Estrutura que só depois de Avatar: A Lenda de AangAnimação ocidental criada por Michael Dante, DiMartino e Bryan Konietzko, emitido pelo canal Nickelodeon. , o ocidente passou a utilizar em suas animações. Geralmente as séries do gênero animê têm em média de 26 episódios de 25 minutos ou mais, podendo chegar até 900 episódios ou mais. Em alguns casos raros entre 5 e 12 episódios. Outra característica dessa continuidade de enredo, seria a trilha sonora que, por si só, compõe uma narrativa complementar. A música de abertura vem em forma de videoclipe que pode reunir uma sinopse da história com um conjunto de cortes específicos ou cenas criadas exclusivamente para a abertura, com o intuito de anunciar ao público que um novo enredo começa ou que o clímax da história se aproxima. Antecedendo por um prólogo. (ALENCAR, 2010)

Vale ressaltar que assim como os mangás, os animês são divididos em vários gêneros. Essa divisão normalmente é fragmentada por sexo (feminino e masculino), gênero (fantasia, terror, ficção, etc.) e, claramente, a faixa etária. Produções voltadas para um público determinado, que pode ser para jovens ou adultos. Nos dias atuais os temas voltados exclusivamente para um determinado sexo, são mais abertos e receptivos para um público novo. Os próprios espectadores são mais abertos a novos fãs. Os temas são bem variados de acordo com o público-alvo determinado, tornando possível cenários como fantasia medieval, cotiamos, futuristas, dentre outros.

Com a propagação constante do animê até os dias atuais. Durante esse crescimento consequentemente se originou grandes estúdios e diretores deste meio midiático de entretenimento. O Studio Ghibili, é um exemplo disso. O estúdio foi fundado pelo diretor Hayao Miyazaki, ex-estagiário da Toei Estúdio de animação que faz parte da Toei Company. . Myazaki produziu vários longas, séries de TV e OvasOriginal Vídeo Animation – animês produzidos para a distribuição em vídeo, não para o cinema, nem para a televisão . Os maiores destaques de suas obras que fizeram grande sucesso no ocidente são: Sen to Chihiro No Kamikakushi (A Viagem de Chihiro) de 2001 (Figura 2 ) e Hauru No Ugoku Shiro (O Castelo Animado) de 2004 (Figura 3). Obras que concorreram ao Oscar de melhor animação da Academia Norte-Americana, sendo que a primeira obra citada conquistou o prêmio. Além disso, Myazaki foi nomeado pela própria academia de “Walt Disney Orinteal”. (FARIA, 2008 apud. SCHILLING, 1998).

Figura 2 — Cartaz original de Sen to Chihiro No Kamikakushi (A Viagem de Chihiro) de 2001.
Cartaz original de Sen to Chihiro No Kamikakushi (A Viagem de Chihiro) de 2001.https://cutt.ly/yn1Ix5d

Figura 3 — Cartaz original de Hauru No Ugoku Shiro (O Castelo Animado) de 2004.
Cartaz original de Hauru No Ugoku Shiro (O Castelo Animado) de 2004.https://cutt.ly/xn1IEEC

Faria (2008) menciona que devido ao crescimento e grandiosidade de produção, o animê tornou-se um produto de exportação japonês, assim como seus eletrônicos e carros. Apesar de grande parte dos animês serem feitos exclusivamente para os japoneses, esse estilo peculiar ainda consegue cativar seus consumidores ocidentais, pela individualidade cultural e qualidade. Graças ao crescimento e popularidade dos serviços de streamingO streaming envolve a reprodução de um arquivo de áudio ou vídeo em uma conexão com a internet, seja usando um navegador da web ou um aplicativo, em uma ampla variedade de dispositivos. . Serviços como Crunchyroll e Funimation, surgiram para distribuir os animês com mais facilidade pelo resto do mundo.

Neon Genesis Evangelion  

A série animada Neon Genesis Evangelion foi transmitida pela primeira vez em outubro de 1995. Os principais responsáveis nesta produção são: Yoshiyuki Sadamoto, desenhista principal da série, e Hieaki Anno, a mente criativa por trás de todo o enredo e direção de arte. Ambos eram funcionários do Estúdio Gainax. O Animê é composto por 26 episódios mais um filme. Durante o desenvolvimento desta pesquisa a animação teve uma versão refeita com pontos de vistas diferentes e finais alternativos em relação à obra original. Porém nesta pesquisa serão abordados apenas os 26 episódios originais em conjunto ao filme. Apesar de ser o animê de mecha, o grande destaque da obra são os conflitos pessoais dos personagens principais. E é claro o simbolismo fortemente inspirado nas religiões judaico cristãs.

O enredo se propaga em um mundo pós-apocalíptico. Tal mundo se encontra naquele estado devido a um evento chamado “Segundo Impacto”, conhecido como uma explosão catastrófica no continente Antártico, causada, segundo os governos, pelo impacto de um meteorito de grandes dimensões. Evento semelhante a extinção dos dinossauros, cujo fora conhecida como o “Primeiro Impacto”.

Na história a humanidade é atacada constantemente por criaturas gigantescas, conhecidas como “Anjos”. O único meio que a humanidade tem de derrotar tais criaturas, são os homens gigantes que utilizam uma armadura, nomeados de unidades EVA (Evangelion). Essas armas destrutivas são controladas por adolescentes.

É então que entra o protagonista Shinji Ikari, que foi convocado pelo seu pai, Gendo Ikari, para encontrá-lo em Tokyo-3. Ao chegar na cidade o anjo Sachiel começa a atacar a cidade. Shinji se apavora ao ver uma criatura gigantesca com gestos animalescos, atacando a cidade. A graças a ajuda da major Misato, que estava a esperando por Shinji, os dois conseguiram fugir do evento destrutivo.

Ao chegar à base da Nerv, Sinji percebe o real motivo de ter sido chamado. Ele foi chamado com o intuito de pilotar o EVA-01 e derrotar Sachiel. Revoltado, o menino recusa o pedido de comandar o ser gigantesco. Gendo, então o convence a pilotar, ao tentar forçar a personagem Rei, que estava muito ferida, a pilotar o EVA. Com o orgulho ferido, Shinji aceita pilotar o EVA-01. Por sorte, ele consegue derrotar o anjo e logo depois desmaia. E assim, deu-se início a história principal.

O SIMBOLISMO EM NEON GENESIS EVANGELION    

Antes de começar, vale ressaltar que a análise será feita seguindo a ordem cronológica dos acontecimentos da obra. A ordem dos eventos que são apresentados na obra pode gerar confusão, pelo simples fato, de que a origem do mundo da história é contada apenas no final. Conforme partes dos eventos principais vão surgindo. Será feito uma análise do simbolismo aplicado sobre determinado acontecimento.

Seguindo a ordem cronológica da história, começa há bilhões de anos atrás, onde uma raça tecnologicamente avançada, conhecida como Raça Ancestral, decidiu semear vida em outros planetas. Foi então criado duas sementes. A semente da vida, conhecida como Adão, e a semente do conhecimento, conhecida como Lilith. Cada uma dessas sementes foi posta dentro de containers esféricos, receberam uma lança e um manual de instruções. Por causa destes containers em formatos esféricos, Adão ficou conhecido como Lua Branca e Lilith como a Lua Negra.

Começando por Adão, se trata de um personagem presente no livro Gênesis da Bíblia judaico cristã. Conhecido como o primeiro homem. “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2, 7). Porém o conceito estético de Adão presente na obra não corresponde ao Adão da bíblia tradicional e sim de uma derivação da Cabala Judaica, conhecida como Cabala Mística escrita por Fortune Dion. Onde é nomeado como Adão Cadmo, que é abordado de uma forma diferente em relação à Bíblia. Onde Adão não é o primeiro e sim o original. O conceito original e perfeito, conhecido como a primeira obra Deus relacionada à humanidade.

Como em cima, tal é embaixo. O microcosmo corresponde ao macrocosmo, a precisamos, por conseguinte, buscar no homem a Sephirah Kether que está acima da cabeça que brilha com um puro esplendor branco em Adão Cadmo, o Homem Celeste. Os rabinos a chamam Yechidah, a Centelha Divina; os egípcios a chamam Sah; os hindus a chamam Lótus de Mil Pétalas - o núcleo do espírito puro que emana as múltiplas manifestações nos planos da forma, mas nelas não habita. (UCHÔA, 2016, P. 132)

Na obra Adão é retratado como um ser gigantesco de luz, fazendo analogia a Adão Cadmo. (Figura 4)

Figura 4 — Cena do Segundo Impacto onde Adão é revelado
Cena do Segundo Impacto onde Adão é reveladoFonte: deviantart.com/sideswipe217/art/GODZILLA-Angel-Wars-Angel-Files-Adam-406051903

O motivo de Adão ser contracenado por Lilith (Figura 5) e não Eva, na obra, também tem uma relação ao simbolismo. Lilith, apesar de não ter comprovação total de sua existência, se trata de fato da primeira mulher. Para Sicuteri (2007) Lilith possui uma certa relação condescendente aos demônios e ao se consumar com Adão, o fez cair em tentação. Tornando o arquétipo de Lilith algo ligado à relação Homem-mulher, ao nível mais primitivo no sentido evolucionista. Lilith se negou a se curvar a Adão, e como consequência disso, foi expulsa do paraíso. E passou a ser nomeada como Mãe dos Demônios. O fato dela ser tratada como mãe, também é fortemente abordado em Neon Genesis Evangelion. Algo que será abordado posteriormente. Já a Lua Negra no qual, na obra, ela tem posse. Se associa ao título que sua versão real possuía.

A formação do mito da Lua Negra associada a Lilith tem sua raiz típica e específica no ciclo da Lua, com suas fases. Lua crescente e Lua cheia correspondem à Grande Mãe. Com a Lua resplandescente no céu, era vivida, analogicamente, a plenitude da fertilidade e do influxo benéfico em toda a natureza, especialmente na psique feminina. Quando a Lua, concluída a última fase, desaparece, realiza-se, analogicamente, a dramática Lua Negra, a "ausente": o demónio da obscuridade. (SICUTERI, 2007, P.32)

Figura 5 — Lilith de Neon Genesis Evangelion
Lilith de Neon Genesis EvangelionPágina 66 do livro "Der Mond: The Art of Neon Genesis Evangelion" por Yoshiyuki Sadamoto

No enredo de Neon Genesis Evangelion , as duas sementes foram espalhadas pelo universo com a missão de semear vida nos planetas em que pousarem. Fazendo uma associação clara ao livro Gênesis da Bíblia. Tratando esses dois como seres primordiais, que darão início a vida de um mundo inteiro.

Adão por ser conhecido como semente da vida, cria seres gigantescos e poderosos, movidos por algo semelhante ao instinto animal. E Lilith, seres fracos e pequenos, porém com alto intelecto e capacidade para criar civilizações. Esta categorização segundo Sicuteri (2007), é pelo fato de que Deus tinha em seus pensamentos a criação da mulher como uma criatura predestinada a ser inferior ao homem. Essa colocação da mulher ser inferior, se deve ao machismo inserido na sociedade hebraica estruturada rigidamente a base do patriarcalismo. Sem falar que o Homem é relacionado a pura força e instinto.

Retornando a história, a única regra de todo esse processo de criação é que não pode ter uma semente onde já havia caído outra, pois se essas duas reunissem, ocorreria algo catastrófico. Em Gênesis 3, Deus menciona que após Adão e Eva comerem o fruto do conhecimento, eles não deveriam se aproximar da árvore da vida. Pois ao consumir o fruto do conhecimento, possuíam o conhecimento do bem e do mal se equivalente a sabedoria de Deus, e se comessem o fruto da vida, eles teriam vida eterna. “Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente,...”(Gn3, 22)

No primeiro livro de EnoqueTexto apócrifo da Bíblia (En1) certos anjos chegam a terra e tomam mulheres como suas esposas. Dessa consumação se originam os gigantes e assim por diante seus descendentes. Seus patriciados anjos lhes ensinaram tecnologia e outros conhecimentos. Tais descendentes se revoltaram e impregnaram o caos sobre a terra. Lembrando que os anjos são conhecidos por ter vida eterna, o que se relaciona ao fruto da vida; e suas respectivas esposas eram humanas descendentes de Eva, ou seja, possuem o fruto do conhecimento. Resultando assim, os seus descendentes serem por si só a própria união dos dois frutos que fora proibida por Deus em (Gn 3,22). Como consequência estes tais descendentes possuíam conhecimento e vida eterna, algo equivalente ao divino. Devido ao caos gerado por eles, Deus tomou conhecimento de tudo e decidiu purificar a terra. Resultando em um dilúvio. Se o livro de Enoque (En1) fosse considerado cânone na Bíblia, esse dilúvio é o mesmo causado no livro em que Noé aparece. Ou seja, o primeiro dilúvio foi causado devido aos seres que eram a união dos dois frutos proibidos por Deus.

Então o Altíssimo, o Santo e Grande falou e enviou Uriel ao filho de Lameque, e disse a ele: “Vá até Noé e diga a ele em meu nome ‘Esconda-se!’ e revele a ele o fim que está se aproximando: que toda a terra será destruída e que um dilúvio está prestes a chegar sobre toda a terra e que ele destruirá tudo que está sobre ela. E instrua-o para que ele possa escapar e a sua semente possa ser preservada para todas as gerações do mundo”. (En1, 1-3)

Em Neon Genesis Evangelion, tal união é proibida com a mesma entonação. E Para evitar tal acontecimento a lança que acompanha tanto Lilith quanto Adão, será ativada e conterá algum dos dois seres primordiais. Essa lança se chama Longinus (Figura 6). O nome significa “uma lança” e faz referência ao soldado centurião que perfurou Jesus Cristo durante sua crucificação. Posteriormente no enredo do anime, esse símbolo será interligado.

Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.

Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como ele fora crucificado;

Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas.

Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais. (Jo 19.,31-35)

Figura 6 — Lança de Longinus
Lança de Longinushttps://images7.alphacoders.com/713/thumb-1920-713474.png

Retornando ao enredo, Adão havia caído sobre a terra e estava propenso a criar sua civilização de anjos. Porém devido a um acidente, não especificado na obra, a Lua Negra, a semente do conhecimento caiu e impactou a terra tão forte que a lança que acompanhava Lilith foi quebrada. Devido a isso a lança a ser ativada foi a de Adão. Fazendo com que o ser poderoso entre em estado de hibernação. Desta maneira Lilith, teve sua liberdade para criar a vida na terra. Como animais, humanos, etc... Essa queda da segunda semente foi conhecida como o “Primeiro Impacto”. Assim como Sicuteri (2007) menciona, Lilith perturba e atormenta Adão.

Milhares de anos depois, uma organização governamental secreta chamada Seele encontrou as instruções das duas sementes. Essas instruções no mundo de Neon Genesis Evangelion são conhecidas como registros do Mar Morto. Ao traduzi-las, eles entendem tudo a respeito das raças ancestrais, anjos e lanças. Em nossa realidade, os Manuscritos do Mar Morto foram encontrados em Qumran, no Mar Morto, por volta dos anos 40. Neles se encontram um conjunto de textos e fragmentações da Bíblia Hebraica e alguns livros apócrifos. Textos bíblicos que antecedem mil anos da Bíblia hebraica que é usada nos tempos atuais. A descoberta dos manuscritos possibilitou um grande progresso no conhecimento judaico da época helenística, principalmente no que repercute à história mística judaica (GOETSCHEL, 2005).

Em Neon Genesis Evangelion essa descoberta resultou no descobrimento da localização da Lua Negra, onde Lilith estava em estado de retardo, pois ao criar toda a vida na terra, ela perdeu todas suas energias e permaneceu neste estado por milhares de anos. Se referindo ao descanso de Deus no sétimo dia após criar o mundo.

Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados.

E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.

E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera. (GN 2,1-3)

Logo após, Seele, descobriu a localização da Lua Branca onde Adão se encontra. Como Adão tem a semente da vida, dentro de seu corpo havia uma espécie de motor orgânico que lhe gerava energia infinita. Ou seja, o possuidor do fruto da vida terá vida eterna. Estrutura biológica que motivou a Seele a realizar experimentos em Adão. O evento ficou conhecido como “experimentação de contato”. Envolvendo um contato leve entre o fruto da sabedoria, presente em qualquer ser vivo da terra, e a semente da vida de Adão. O experimento resultou em uma catástrofe que ficou conhecida como o "Segundo Impacto". Gerando um enorme anti campo AT. Se um campo deste tipo entrar em contato com algum ser vivo, esse suposto ser entra em estado líquido. Adão perdeu o controle e acabou se auto destruindo. Resultando na morte de um continente inteiro. Adão se transformou em um feto, que ficou em posse de Seele, e sua alma foi para Kaworu Nagisa, indivíduo que nasceu no mesmo dia do "Segundo Impacto". Em Neon Genesis Evangelion todo o ser vivo é uma alma interligada à "sopa primordial” vinda de Lilith. E o campo AT é um campo invisível que dá forma ao líquido do ser vivo.

Esse experimento realizado envolvia um plano de Seele. Plano chamado de Projeto de Instrumentalidade Humana, projeto que transformará todos os seres humanos, incompletos e inconstantes, numa única entidade perfeita. Manabu Tsurine (1999) argumenta que tal projeto coteja a filosofia de Hegel, onde há uma ideia de um sistema em forma de anel, simbolizando que o começo é o fim, e o fim é o começo. Uma espécie de pensamento ideal, uma realização que envolve as contradições e confrontos dinamicamente, interligados de forma monística. Felipe (2012) menciona que a filosofia de Hegel é a ideia de que " Todo é igual à soma das partes". A individualidade e a acidentalidade são subjugadas à universidade e à individualidade. Um sistema com um processo no qual uma criança se torna um homem e mesmo o percurso da humanidade são consideradas como partes de um método de evolução gradual para a realização da ideia.

Voltando ao enredo, graças ao registro do Mar Morto, Seele descobriu quando seria a chegada dos anjos, descendentes de Adão, e que vão fazer de tudo para encontrar seu ancestral primordial, para liberá-lo e causar a morte de toda a descendência de Lilith. Para assim, ocupar o lugar que os correspondiam originalmente.

Devido a isso foi criada uma nova organização chamada GEHIRN na qual foi construída em volta da Lua Negra. A própria logo da organização (Figura 7) se refere ao livro Gênesis da Bíblia Hebraica. Mostrando uma serpente sob a árvore da vida indo buscar o fruto proibido para os humanos. Uma referência clara a serpente do livro Gênesis que enganou Adão e Eva para comerem o fruto proibido.

Figura 7 — Logo da organização GEHIRN
Logo da organização GEHIRNhttps://cutt.ly/snM6tu2

O propósito da organização era criar um sistema de defesa capaz de acabar com os anjos que estavam por vir. Então, usando o DNA extraído do embrião de Adão, se proporcionaram a criar clones gigantescos chamados EVAs (Figura 8). Fazendo referência a criação de Eva no livro Gênesis. “E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão.” (Gn 2, 22). Apenas o EVA-01, arma do protagonista, trata-se de uma exceção por ter sido feito de parte de Lilith. Os EVAs tratam-se de seres orgânicos que possuem muitas semelhanças com os humanos. Seus corpos encontram-se cobertos por uma armadura que suprime a sua vontade e evita que saiam de controle. Tais criaturas podem ser pilotadas por humanos. EVAs possuem uma abertura na coluna vertebral onde é inserido uma cápsula (Figura 9) que contém um indivíduo humano que entra em sincronia com o EVA por meio de impulsos nervosos. Podendo assim movê-los à vontade, porém também sentem a mesma dor. Exemplo, se um EVA perder um braço, seu piloto sentirá uma dor equivalente a perder um braço, mesmo não acontecendo nada em seu corpo.

Figura 8 — EVA-01
EVA-01https://cutt.ly/5nM6iPs

Figura 9 — Cena da cápsula, com o Shinji dentro, sendo inserida no EVA-01
Cena da cápsula, com o Shinji dentro, sendo inserida no EVA-01Neon Genesis Evangelion, Vol.1, Pág 33

Após um acidente que resultou na morte da mãe de Shinji, uma nova organização foi criada para substituir a GEHIRN, chamada Nerv. Então temos as duas junções de Seele, que significa “alma” em alemão, e Nerv, que significa “cérebro” em alemão. Nerv foi fundada e construída dentro da Lua Negra que se encontra em Tóquio-3. Futuramente as duas organizações entrarão em conflito devido à escolha de certo e errado. Contudo no momento em que a história está sendo contada o Plano de Instrumentalidade Humana ainda estava nos planos das duas organizações.

Um dos fundadores da Nerv e ex- funcionário da GEHIRN é Gendo Ikari, pai de Shinji. Gendo e sua esposa eram responsáveis pela criação dos Evas até que um dia ocorreu um acidente. Sua esposa foi morta e sua alma ficou presa dentro de EVA-01. Gendo abandonou seu filho, mas com a chegada iminente do primeiro anjo, Gendo não teve escolha a não ser chamar seu filho para pilotar o EVA-01. Pelo fato dele ser altamente compatível com o EVA-01.

Os anjos, descendentes de Adão, são conhecidos por serem algo fora do comum. Além de por si só carregarem o nome do “anjo” e serem monstruosidades gigantes (Figura 11), sua estética foge totalmente dos padrões artísticos do animê. Para assim, causar estranhamento e o público ter mais facilidade em perceber que eles são de outro mundo. Cada anjo possui um núcleo cristalino em seu corpo, gerando energia infinita a eles. Simbolizando o fruto da vida que lhes deixa quase imortais, oferecendo-lhes regeneração infinita. O único jeito de matá-los é romper seu campo AT e destruir o núcleo. Algo que apenas os Evas conseguem fazer. Ao morrerem, os anjos desencadeiam uma explosão em forma de cruz latina (Figura 10). Principal símbolo do cristianismo que representa a aliança com Deus. “E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. (Ef 2, 16)”

Figura 10 — Explosão da morte de um Anjo
Explosão da morte de um Anjohttps://cutt.ly/Rn1osWe

Figura 11 — Alguns Anjos de Neon Genesis Evangelion
Alguns Anjos de Neon Genesis Evangelionhttps://cutt.ly/1n1i01d

No ano de 2015, Shinji recebeu uma carta de seu pai, Gendo, pedindo para que ele vá a Tóquio-3. Coincidentemente o dia em que ele chegou a cidade é o mesmo dia em que o primeiro anjo invade a terra. Não tendo escolha Shinji foi forçado a pilotar o EVA-01. E assim começa a história principal. Onde se juntam as personagens Rei e Asuka. 

Seele e Nerv estavam prontos para prosseguir com os planos da Instrumentalidade Humana. Eles precisavam de Lilith e da lança de Longinus. O que possuíam os dois visto que Lilith estava sendo contida junto com a lança de Longinus na base localizada na Lua Negra. Essa é uma das cenas mais carregadas de símbolos da série. Lilith encontra-se presa em uma posição para que Nerv possa extrair pedaços, prendendo seus braços e apenas deixando a parte de baixo livre (Figura 12). Se assemelhando perfeitamente com o crucifixo de Jesus Cristo (Figura 13). Sendo que de Lilith estava saindo seu sangue que seria também a sopa primordial. Líquido importante para semear qualquer tipo de vida. Se assemelhando ao momento em que Jesus é perfurado pela lança de longinus, onde sai sangue e água. ”Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.” (Jo 19, 34)

Figura 12 — Cena de Lilith crucificada
Cena de Lilith crucificadahttps://cutt.ly/5n1ohJ3

Figura 13 — Jesus Cristo Sendo Perfurado Por Longinus
Jesus Cristo Sendo Perfurado Por Longinushttps://cutt.ly/FnM5oy6

Um dos fatores curiosos desta cena é que Lilith está sendo retratada como instrumento reprodutor. Sua forma dormente está acima do peso da original e expelindo a sopa primordial de onde os humanos nasceram. Remontado às estátuas conhecidas como vênus paleolíticas (Figura 14). Estatuetas femininas com formas exageradas, sendo símbolos que são interpretados a fertilidade e a função reprodutora da mulher. Domingues (2020)

Figura 14 — Diversas estátuas de Vênus Paleolíticas
Diversas estátuas de Vênus PaleolíticasMulheres ao longo da História (1): Pré-História (ensinarhistoria.com.br)

A lança é o fator principal que contém Lilith, porém devido a certos acontecimentos, a lança teve que ser retirada para ser utilizada para enfrentar um anjo que estava fora da atmosfera da terra. Quando o anjo foi derrotado, a lança ficou presa na Lua e os planos das duas organizações tiveram que ser alterados, visto que Lilith não estava mais contida e poderia acordar a qualquer momento. Durante algumas batalhas, Shinji perdeu o controle de seu EVA-01 e devorou o anjo derrotado naquele momento. Eva-01 é um clone derivado de Lilith, por tanto possui o fruto do conhecimento e o anjo devorado possuía o fruto da vida. Ou seja, o EVA-01 possuiu os dois frutos e se tornou um ser perfeito. O substituto perfeito para o plano de Instrumentalidade Humana.

Porém os planos de Nerv e Seele entraram em conflito. Ambos queriam a Instrumentalidade Humana, todavia por propósitos diferentes. Seele queria unir toda a humanidade em um único ser perfeito, onde todos teriam o mesmo objetivo e ninguém sofreria mais. Contudo Gendo, chefe da Nerv, queria se fundir a Lilith e Adão para assim trazer sua esposa morta de volta a vida. Representando o conflito entre entre alma e cérebro, visto que Selee, significa alma em alemão e Nerv, Cérebro em alemão. Seele envia soldados para impedir a Nerv, junto disso é enviado EVAs de produção em massa. Um projeto derivado do EVAs originais, porém não apresentam capacidade de raciocínio por não apresentarem pilotos como os originais. Depois de muitas batalhas e mortes, Shinji se sente forçado a pilotar seu EVA, ao acioná-lo começa o processo Instrumentalidade Humana. Genji tentou se fundir a Rei, uma das protagonistas que seria um clone de Lilith junto com a mãe de Shinji. Gendo achou que estava totalmente sob controle e inseriu o embrião de Adão em Rei, mas ela se revoltou, pois escolheu o Shinji. Pelo simples fato dela o ama-lo como amante e mãe. E Rei se torna novamente Lilith e a união proibida entre a vida e o conhecimento.

EVA-01 se funde a lança de Longinus e aos outros EVAs. Nesta cena em especifico. É criado a árvore da vida (Figura 15), sob o contexto da cabala. Goestschel (2001) menciona que o termo “cabala” é geralmente utilizado para definir a mística judaica e as tradições esotéricas do judaísmo. E com o passar dos éculos foi utilizado a mística teosófica surgida e praticada a partir do século XII. A árvore da vida (Figura 16) sob o contexto da cabala trata-se de um conjunto de dez esferas interligadas umas nas outras. Essas esferas são chamadas de sefirot. Goestschel (2001) ainda menciona que se trata do caminho que Deus fez para chegar ao conceito do homem. Porém assim como Deus, os humanos podem fazer o caminho inverso, compreenderem todo o conhecimento da verdade e se tornarem Deus. O que foi desejo de Seele e Nerv. Principalmente em relação a Gendo que queria se tornar um com os seres primordiais para trazer a sua esposa de volta.

Figura 15 — Cena da formação da árvore da vida
Cena da formação da árvore da vidahttps://br.pinterest.com/pin/836051118295143534/

Figura 16 — Modelo base da árvore da vida
Modelo base da árvore da vidahttps://cutt.ly/wnM5zaa

METODOLOGIA

O presente trabalho se propõe a fazer uma pesquisa qualitativa através de entrevistas em profundidade com espectadores do animê Neon Genesis Evangelion. Além disso, este trabalho utilizou-se da pesquisa bibliográfica, da Análise de Conteúdo segundo Bardin (2011) e Análise do Discurso. De acordo com Zanella (2013) a Análise do Discurso é útil para estudar diferentes tipos de texto. A Análise de Conteúdo, conforme Bardin (2011) é um método ferramental que auxilia esta pesquisa para que seja possível analisar o discurso da obra estudada.

 A Análise de Conteúdo segundo Bardin (2011) divide-se em três fases. A primeira delas, é a pré-análise, onde os elementos serão selecionados para contribuir com o estudo em questão. A segunda fase, intitulada exploração do material visa extrair as informações a respeito dos objetos analisados. Por fim, a fase final, intitulada tratamento dos resultados, inferência e interpretação unirá os conceitos apresentados no presente Trabalho de Conclusão de Curso com os elementos estudados e explorados na fase 2.

Também será feita uma pesquisa documental, que será diferente da pesquisa bibliográfica, na utilização de fontes primárias ou em vês das secundárias. Zanella (2013) menciona que esse tipo de pesquisa abrange a investigação de documentos internos ou externos que fazem parte de organizações governamentais e não governamentais. Instituições de pesquisa também estão incluídas. Uma técnica que pode ser utilizada tanto na pesquisa quantitativa, como na qualitativa.

Para dar acréscimo a compreensão sobre o tema pesquisado, foram entrevistados 7 indivíduos que tenham tido contato com a obra Neon Genesis Evangelion. A abordagem selecionada foi a entrevista em profundidade, onde segundo Demo (2001) é um artifício metodológico que procura, com base em um assunto definido pelo investigador, adquirir respostas por meio de vivências subjetivas de uma fonte.

PESQUISA COM ENTREVISTADOS

As entrevistas em profundidade foram realizadas com 7 participantes que tiveram contato com a obra Neon Genesis Evangelion. Cada entrevista teve uma duração média de 40 minutos há 90 minutos e buscou-se conversar com usuários familiarizados com o animê como mídia de entretenimento. As gravações das entrevistas estão disponíveis no youtube como vídeo privado. Os links estão disponíveis no apêndice. Durante a análise, os entrevistados serão tratados por meio de números para uma fácil compreensão. Antes de iniciar as análises das entrevistas, será feita uma breve apresentação de cada entrevistado através da tabela 1.

Tabela 1
EntrevistadoIdadeProfissãoCidade
 1 23CTO na empresa Summit hubCanela - RS
 2 20Designer PublicitárioCaxias do Sul - RS
 3 28PublicitáriaCaxias do Sul - RS
 429Artista PlásticoCaxias do Sul - RS
 5 32TradutoraRio de Janeiro - RJ
 6 23JornalistaSão Paulo - SP
 7 36Funcionário Público Rio de Janeiro - RJ
O autor (2021)

A primeira questão foi do quanto eles acreditam que o simbolismo cultural tem influência em qualquer obra existente. A grande maioria respondeu que o simbolismo influencia em quase todo o processo de produção de uma suposta obra. Apenas a Entrevistada 3 respondeu que o simbolismo tem apenas uma pequena participação em um processo criativo. O Entrevistado 1, apesar de ter concordado com a maioria, acredita em um resultado diferente; mencionando que os significados originais são alterados. Ainda que haja certa variedade nas respostas, elas mantêm o mesmo sentido, sob o contexto de que nenhuma utilização do simbolismo é algo inconsciente. Lembrando que a menção ao simbolismo, utilizada nestas entrevistas, trata-se de uma composição, seguindo os ensinamentos de Jung (2016) e Jaffé(2016), onde o simbolismo é formado por religião, experiências pessoais e influência de outras obras que o determinado artista goste. Apesar dos entrevistados concordarem com essa composição, nenhum deles confirmou a utilização de tal conteúdo de maneira inconsciente em uma obra.

Para se familiarizar com o tema, foi feita uma pergunta se os entrevistados já produziram algo que consideram artístico, mesmo sendo como um hobby. O Entrevistado 1, realiza várias montagens artísticas como hobby e possui um perfil no instagram para tais propósitos. O Entrevistado 2 gosta de trabalhar com a identidade visual de seu canal no youtube, onde também realiza produções audiovisuais. A Entrevistada 3 gosta de desenhar como hobby. Já o Entrevistado 4, sua profissão fala por si só. Entrevistada 5 gosta de escrever contos e poesias. Entrevistada 6 escreve contos também. E por fim, Entrevistado 7 não trabalhou ou realizou qualquer produção artística, mesmo como hobby. Por tanto, foi feito um pequeno exercício de criatividade para complementar o critério faltante na entrevista. O exercício consistia em lembrar de algo que queria produzir. Como resultado, lembrou de que em sua época do ensino médio gostava de imaginar seus próprios universos narrativos. Por tanto as perguntas seguintes foram voltadas para tais memórias imaginativas que ele possuía.

Inicialmente foi perguntado se algum deles já utilizou algum simbolismo, voltado por parte da religião, como fonte de inspiração em suas produções. Apenas o Entrevistado 7 respondeu que em grande parte de suas criações sempre tiveram tal influência. Devido ao fato do indivíduo ter crescido em uma família evangélica e por gostar de jogos eletrônicos de RPG que se baseiam na mesma fonte religiosa.

Sobre a influência de relações pessoais ou convívio, a maioria afirma colocar suas experiências pessoais sob algum contexto de suas obras. Especialmente quando se trata de criar personagens. Onde os entrevistados mencionam colocar partes de personalidades de seus conhecidos em seus respectivos personagens criados. Apenas os entrevistados 3 e 4 afirmaram colocar pouco deste tipo de influência em suas obras.

O fator principal que influencia as obras, que são feitas pelos entrevistados, seriam as obras de seus artistas favoritos. Todos afirmam que a estrutura base do desenvolvimento de suas produções artísticas vem da inspiração causada pelas obras de seus artistas preferidos. Todos deram ênfase de que nada de que criaram seria possível sem tal referência.

Antes de começar a perguntar sobre Neon Genesis Evangelion, foi necessário ver se os entrevistados estavam acostumados com o animê como mídia de entretenimento. Os entrevistados se originam de gerações diferentes. Os mais novos tiveram sua primeira relação com esse tipo de mídia através de canais da TV aberta. Como a Globo e o SBT, que tinham horários específicos para a reprodução de programas infantis. Dentre estes programas estavam alguns animês. Os mais velhos tiveram experiências com canais mais antigos como Animax, e TV Manchete. Os que tiverem contato com esses canais conhecerem Neon Genesis Evangelion mais cedo que os mais novos. Pois os da geração mais nova apenas conheceram os animês por meio da TV Globinho e só depois tiveram algum primeiro contato com Neon Genesis Evangelion. A idade em que os entrevistados tiveram seu primeiro contato, foi crucial para o entendimento da série. Os mais velhos que tiverem um contato mais cedo com a série, afirmam que tiveram dificuldades de compreender o final da obra. E só depois de mais velhos, ao assistir novamente, compreenderam a produção. Diferente dos entrevistados mais novos que só conseguiram acesso à obra só depois da adolescência. Curiosamente, apesar dos entrevistados terem seu primeiro contato, sob perspectivas diferentes, todos afirmaram que Neon Genesis Evangelion possuía algum tipo de simbolismo. Os mais velhos que acompanharam quando crianças não reconheceram os símbolos mas compreendiam que determinada cena tinha algum contexto religioso. Já os mais novos que viram a série pouco depois da adolescência, tiveram uma compreensão mais clara na questão de identificar os símbolos presentes. Lógico que como foi a primeira vez que assistiram, não reconheceram todos os símbolos logo de início, mas tiveram mais facilidade em reconhecer alguns comparando com os entrevistados mais velhos.

Logo após tal discussão sobre o reconhecimento e símbolos, foi perguntado se Hideaki Anno, autor da obra, colocou todo o simbolismo judaico cristãoo apenas porque gostou e que nada tinha um significado muito profundo. Tal questionamento foi feito sobre o contexto de que em uma de suas entrevistas, tanto o autor quanto o diretor de arte, afirmam ter colocado pelo simples fato de que gostaram e que nada teria algum significado intencional.

“Há muitos programas de robôs gigantes no Japão, e queríamos que nossa história tem um tema religioso para ajudar a nos distinguir. Porque o Cristianismo é uma religião incomum no Japão, pensamos que seria misterioso. Nenhum dos funcionários que trabalharam em Eva é cristão. Não há nenhum significado cristão real para o show, nós apenas pensamos nos símbolos visuais do Cristianismo parece legal ”(Cavallaro 2008 apud. Tsurumaki 2001. Pág. 85)

Os entrevistados discordam totalmente do argumento dos produtores. Afirmaram que cada coisa foi colocada com um propósito e um significado. Significado onde tanto no sentido religioso como no do enredo, se casam ao apresentar a mensagem do autor. Apenas a Entrevistada 3 concordou com o argumento. Dizendo que a verdadeira essência da obra não era o simbolismo e sim a personalidade e experiências do autor retratadas pelos personagens da obra.

Logo após de mencionar e analisar todo o simbolismo com os entrevistados foi abordado o quanto o autor utilizou de suas experiências pessoais em sua obra. Em uma entrevista o Hideaki Anno menciona:

“Eles dizem: ‘Viver é mudar.’ Comecei esta produção com o desejo de que, assim que a produção fosse concluída, o mundo e os heróis mudassem. Esse era o meu ‘verdadeiro’ desejo. Tentei incluir tudo de mim em Neon Genesis Evangelion – eu mesmo, um homem quebrado que não pôde fazer nada por quatro anos. Um homem que fugiu por quatro anos, alguém que simplesmente não estava morto. Então, um pensamento. ‘Você não pode fugir’, veio a mim, e reiniciei esta produção. É uma produção onde meu único pensamento era gravar meus sentimentos em um filme. Eu sei que meu comportamento foi impensado, problemático e arrogante. Mas eu tentei. Não sei qual será o resultado. Isso porque dentro de mim a história ainda não acabou [...] (ANNO, Hideaki. What were we trying to make here? [Entrevista concedida a] Eva Monkey An Evangelion Fansite, 17 jul. 1995.)

Sobre este contexto, todos os entrevistados concordam. Todos os sentimentos de Hideaki foram passados através de seus personagens e de seu mundo. Neon Genesis Evangelion é conhecido por ser um animê “melancólico”. O que os entrevistados apontam que isso é devido a depressão que o autor passava em sua época. Além disso, todos mencionaram que o final da obra é uma mensagem para o próprio autor sobre a circunstância de “está tudo bem ser você”.

Nos anos de produção da obra muitas coisas além das experiências pessoais de Hideaki o influenciou. O seu cenário de convívio por si só era uma influência, devido aos filmes dos anos 90.Onde as temáticas de apocalipse e governos conspiratórios estavam em alta por todo o mundo (PIRES, Alexandre et al. 1998).

Entretanto havia um fator importante. No ano de 1995, ano em que lançou a Neon Genesis Evangelion, o Japão passou por dois desastres, sendo um natural e outro um ataque terrorista que vitimou mais 5500 pessoas. (cf. ANTONIOLI, 2012). Envolvendo um ataque simultâneo em 5 carros de metrô. O povo Japonês estava totalmente abalado . Muitos fatores que resultaram em conflitos de gerações. Onde os jovens estavam enfrentando um novo ideal de mudanças contra o tradicionalismo japonês.

Sobre tais circunstâncias apresentadas, foi perguntado aos entrevistados se é possível que  Neon Genesis Evangelion   pudesse ser lançado em outra época. Das respostas mais relevantes: A Entrevistada 3 afirmou que não, pois foi tudo devido a depressão que o autor sofria na época. Já os Entrevistados 1 e 7, afirmaram que sim, seria possível a obra sair em outra época. Porém sob outra temática e outra mensagem. O Entrevistado 7 menciona que se fosse lançado no ano em que esta pesquisa está sendo feita,2021, a obra abordaria as aflições causadas pelo COVID-19.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No desenvolvimento desta pesquisa, pode-se concluir que, a partir da compreensão de como funciona o simbolismo na mente humana, junto da análise de Neon Genesis Evangelion. O projeto estético de Hideaki Anno sugere que sua forte aplicação do simbolismo, não foi meramente por capricho. O objetivo geral desta pesquisa foi alcançado durante a análise, um dos objetivos específicos, quando, pode-se notar que cada simbologia aplicada na série, apresentava um fator religioso ligado à cultura judaico cristã. A hipótese de que o animê Neon Genesis Evangelion utiliza-se de simbologias advindas de influências culturais em sua construção, foi concretizada ao concluir os objetivos específicos. Durante o desenvolvimento, pode-se compreender como uma cultura alimenta a outra. Raízes culturais que se interligam uma com a outra. Nada simplesmente é criado do zero. Assim como o conceito de uma ideia, deu-se a entender que os símbolos não são criados cem por cento do zero, mas eles se originam de algo muito mais antigo. Algo que fora herdado de nossos ancestrais pré-históricos. Assim como Jaffé (2013) mencionou.

A compreensão do animê como mídia de entretenimento, foi crucial para dar continuação a contextualização do objeto de pesquisa. Para assim ter um compreendimento adequado da estrutura de apresentação e enredo, que são diferentes do que se está habituado ao ocidente.

Sobre a questão norteadora: “De que forma o simbolismo presente em Neon Genesis Evangelion foi aplicado a ponto de demonstrar que teve alguma influência sobre o desenvolvimento da obra?”, pode ser respondida com os resultados das entrevistas, somados à análise. Onde comprovam que cada cena, cada nome, tudo foi colocado com a devida intenção de causar o impacto que tais nomes simbólicos causam ao serem vistos e usados. Mesmo sendo uma releitura de alguns critérios religiosos, a obra não deixa de perder seu simbolismo original. Tanto o da própria série como os da própria religião judaico cristã. A análise, junto das entrevistas, confirmou que Hideaki Anno fez sua utilização simbólica de forma consciente e pretensiosa. Por mais que ele negue em suas entrevistas, os resultados adquiridos nesta pesquisa provam o contrário.

Acredita-se que esta pesquisa contribuiu para a compreensão de que o simbolismo na arte é algo constante e presente desde os primórdios da humanidade. Começou com símbolos naturais como a pedra, o animal e o círculo. Símbolos que possuem uma significação psicológica que ainda permanecem, apesar de terem várias derivações de interpretação. E de que é algo herdado pela própria cultura local e passado adiante por meio de outras obras que se basearam em outras culturas.

Seguindo os estudos de Mlodinow (2013), junto dos resultados adquiridos, dão o entendimento de que com os símbolos que envolvem o fluxo de pensamentos e memórias, dar-se-á notar o impacto que a cultura pode ter sobre o processo criativo da mente humana. Como a estética e estrutura de narrativa que Neon Genesis Evangelion apresentou. De fato, o grande estudo de Jung (2016) foi o que desencadeou o desenvolvimento desta pesquisa. Entender e compreender de onde veio a inspiração de uma obra é essencial para compreender a história humana e seu percurso. Visto que o artista é aquele que consegue registrar os momentos e vivências à sua volta. (JAFFÉ, 2016)

Cada detalhe, cada cor, cada letra, são colocados com um peso emocional na história daquele que produziu tal obra. Com o estudo apresentado, percebe-se de que o quanto uma cultura influencia para o desenvolvimento de uma obra ou de até mesmo de uma nova cultura. Algo que é passado de geração a geração. Toda a obra produzida por mais simples ou não que seja pode contribuir como registro da determinada época ou sociedade. Comprovando que os humanos aprendem uns com os outros, mesmo sendo de forma indireta. A importância de qualquer produção artística deve ser sempre levada em conta, antes e depois do resultado final.

A obra de Hideaki Anno apresentou uma grande importância neste estudo, mostrando o quanto ainda continuam sendo impactantes os nossos símbolos herdados.

Referências

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DemoPedro. Pesquisa e Informação Qualitativa. Campinas, 2001. Disponível em: https://cutt.ly/Mn0G98U. Acesso em: 9 abr. 2021.

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Fantástico: Polêmica envolvendo canções de Jorge Ben Jor e Rod Stewart (1979). Direção de Wanderley Moreira. Produção de Paulo Kohn (8:56). Disponível em: https://cutt.ly/0nM5c8s. Acesso em: 10 out. 2020.

FelipeKaio. A Representação de Dilemas Morais e Existenciais em Neon Genesis Evangelion. Academia. 20 p. Disponível em: https://cutt.ly/On0Hdl2. Acesso em: 11 nov. 2020.

GoetschelRoland. Cabala. L&PM, v. 3, f. 64, 2005. 128 p.

GombrichErnst H.. A história da arte, f. 344. 1992. 688 p.

JungCarl G. et al. O homem e seus símbolos. HarperCollins Brasil, v. 3, f. 224, 2016. 448 p.

JungCarl Gustav. Psicologia e religião. Editora Vozes Limitada, v. 3, f. 81, 2011. 162 p.

MinayoMaria Cecília de Souza; DeslandesSuely Ferreira; GomesRomeu. Pesquisa social: Teoria, método e criatividade. Editora Vozes Limitada, v. 3, f. 57, 2002. 114 p.

MlodinowLeonard. Subliminar: Como o inconsciente influencia nossas vidas. Editora Schwarcz - Companhia das Letras, v. 3, f. 150, 2013. 299 p.

Neon Genesis Evangelion. Direção de Hideaki Anno. Produção de Noriko Kobayashi. Tokyo: GAINAX, 1995. Animação (26 Episódios).

OliveiraAlcyr Alves. Memória: cognição e comportamento. 1. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. 309 p.

PiresAlexandre et al. O cinema dos Anos 90: Filmes e Tendências Que Marcaram a Década. Eclética. Rio de Janeiro, ano 1998, 21 ago. 1998. Cinema. Disponível em: https://cutt.ly/9n0kBGL. Acesso em: 26 mai. 2021.

SadamatoYoshiyuki. Neon Genesis Evangelion. VIZ Media LLC, f. 92, 2015. 184 p.

SadamotoYoshiyuki. Der Mond: The Art of Neon Genesis Evangelion. VIZ Media LLC, f. 60, 2006. 120 p.

The End of Evangelion. Direção de Hideaki Anno. Produção de Mitsuhisa Ishikawa. Tokyo: GAINAX, 1995. Animação (87 min).

WilliamsRaymond. Materialismo & cultura, f. 127. 2011. 254 p.

APÊNDICE A —  ENTREVISTAS

Nome: Pietro Rutzen

Idade: 23

Profissão: CTO na empresa Summit hub

Cidade: Caxias do Sul - RS

Linl: https://www.youtube.com/watch?v=QOBsolYzflo

Nome: Marcos Taufer

Idade: 20

Profissão: Designer

Cidade: Caxias do Sul - RS

Link: https://www.youtube.com/watch?v=N6Fo2KPF7HA

Nome: Gabriela Borges de Paula

Idade:28

Profissão: Publicitária

Cidade: Caxias do Sul - RS

Link: https://www.youtube.com/watch?v=xbsWjzFmFZ4

Nome: Matheus Bresolin

Idade: 28

Profissão: Artista Plástico

Cidade: Caxias do Sul - RS

Link: https://www.youtube.com/watch?v=6FRLAUVpTZk&feature=youtu.be

Nome: Elisa Guimarães

Idade: 32

Profissão: Tradutora

Cidade: Rio de Janeiro - RJ

Link: https://www.youtube.com/watch?v=5hjdrUulkVE

Nome: Beatriz Silva

Idade:23

Profissão: Jornalista

Cidade: São Paulo - SP

Link: https://www.youtube.com/watch?v=EipEl6OmQyg&feature=youtu.be

Nome: Marcel Santos Oliveira

Idade:32 anos

Profissão: Funcionário Público

Cidade: Rio de Janeiro - RJ

Link: https://www.youtube.com/watch?v=GGQKPIUuV30

Perguntas:

1- O quanto você acha que o o simbolismo influencia em uma produção artística?

2- Você produz alguma coisa que considera arte?

3- O quanto de influência religiosa você tem em suas obras?

4-O quanto de influência de outras obras você tem em suas produções?

5- Seus eventos e relações pessoais influencia no desenvolvimento de uma produção sua?

6- Qual a sua familiaridade com animês?

7- Como foi sua primeira experiência com Neon Genesis Evangelion?

8- Identificou algum simbolismo presente na obra?

9- Acredita que Hideaki Anno, diretor e produtor da obra, colocou o simbolismo de maneira intencional?

10- Hideaki teria colocado suas experiências pessoais na obra?

11- Neon Genesis Evangelion foi lançado nos anos 90, onde o Japão estava passando por conflitos de gerações e estava em popularidade pelo mundo filmes que apresentam o tema de apocalipse e governo conspiracional. Sobre esse contexto, se a obra fosse lançada em outra época ela seria totalmente diferente do que conhecemos? 


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