A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE DE ENFERMAGEM AO ABORDAR A MORTE ENCEFÁLICA

Escola técnica de enfermagem Anna nery

Curso técnico em enfermagem

A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE DE ENFERMAGEM AO ABORDAR A MORTE ENCEFÁLICA

ANDRéia ramos de pina

Maria de FÁTIMA batista

Juliana roberta de moraes

Orientadora: Enfa. docente Isabele Celmy Sena

Resumo

Esse estudo teve por objetivo discutir o papel da equipe de enfermagem diante da morte encefálica, uma situação dolorosa e difícil para a família compreender e aceitar, mas tratamos desse assunto falando da equipe de enfermagem não apenas diante do papel de cuidador, ofertando-lhes medicações, cuidados para manter a viabilidade e vitalidade dos órgãos, mas, sobretudo seu importante papel no cuidado humanizado, tanto diante dos cuidados para com o paciente, como especialmente diante de seus familiares, o que percebemos o quanto isso pode influenciar na decisão favorável da família em caso de confirmação da morte encefálica, embora como abordamos, há outros fatores envolvidos na tomada de decisão da família em aceitar ou não doar os órgãos de seu familiar, quando isso é viável. Os hospitais, sejam privados ou públicos, podem contribuir muito nesse quesito, oferecendo treinamento e apoio emocional para que suas equipes estejam preparadas para um tratamento de excelência desses pacientes graves, e consigam acolher seus familiares de forma humanizada, diminuindo sua dor, ansiedade e medo, de forma mais leve, sem causar a si mesmo sofrimento e ansiedade, já que também são humanos e precisam ter o manejo adequado, partilhando da dor dos familiares diante de um caso grave, algo que os afeta diretamente. Para melhor explanação do tema, foram realizadas pesquisas bibliográficas com abordagem exploratória, baseadas em publicações de artigos científicos por autores especialistas no tema em questão.

Palavras-chave: Doação de Órgãos. Equipe de Enfermagem. Morte Encefálica. Tratamento Humanizado.

Abstract

This study aimed to discuss the role of the nursing team in the face of brain death, a painful and difficult situation for the family to understand and accept, but we address this issue by talking about the nursing team not only in the light of the caregiver role, offering them medications , care to maintain the organs' viability and vitality, but, above all, its important role in humanized care, both in terms of patient care, and especially in relation to their families, which we realize how much this can influence the family's favorable decision in case of confirmation of brain death, although as discussed above, there are other factors involved in the family's decision to accept or not to donate their relative's organs, when this is feasible. Hospitals, whether private or public, can contribute a lot in this regard, offering training and emotional support so that their teams are prepared for an excellent treatment of these critically ill patients, and are able to receive their families in a humane way, reducing their pain, anxiety and fear , in a lighter way, without causing themselves suffering and anxiety, since they are also human and need to be properly managed, sharing the pain of family members in the face of a serious case, something that directly affects them. For a better explanation of the theme, bibliographic research was carried out with an exploratory approach, based on publications of scientific articles by specialist authors on the subject in question.

Keywords: Organ donation. Nursing team. Brain Death. Humanized Treatment.

Introdução

Quando falamos em morte encefálica, uma vez diagnosticada, traz muita dor, angústia, sofrimento e dúvidas aos familiares; dessa forma, torna-se cada vez mais importante o papel dos profissionais de saúde, efetivamente quando se trata da equipe de enfermagem envolvida no atendimento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). É importante que a equipe de enfermagem tenha conhecimento de como funciona esse processo para poder acolher, confortar os familiares e cuidar do paciente durante esse processo que tende a se estender (Lima; Batista; Barbosa, 2013).

De acordo com Westphal, Veiga e Franke (2019), a morte encefálica pode ser definida como a cessação completa e irreversível das atividades corticais – do córtex cerebral e do tronco encefálico – ou seja, esse paciente perde as funções essenciais para a vida, tornando-se incapaz de manter seus sinais vitais, como batimentos cardíacos, pressão arterial, temperatura e respiração.

Diante da uma suspeita de morte encefálica e um paciente, será aberto um protocolo médico, com critérios sistematizados que evitarão erros. A equipe de enfermagem segue com os cuidados a esse paciente conforme prescrição médica; e assim que constata morte encefálica, o paciente é considerado um possível doador de órgãos (Conselho Federal de Medicina, 1997). Diante disso, qual é o papel da equipe de enfermagem no quadro de morte encefálica?

Neste processo é essencial prestar acolhimento a família, embora os médicos façam esse papel de tirar todas as dúvidas dos familiares, a equipe de enfermagem deverá estar preparada para questões levantadas pela família, como a possibilidade do paciente acordar, é muito difícil para a família entender que aquele corpo na maca, ligado a monitores com batimentos cardíacos não tem mais atividade cerebral, ou seja, não há mais vida, e que esse quadro é irreversível (Westphal; Veiga e Franke, 2019)

O objetivo desse trabalho é reconhecer o papel da equipe de enfermagem, analisar campos onde atuaremos na unidade de terapia intensiva (UTI), diante do protocolo de morte encefálica, especialmente quando se tem a possibilidade de doação de órgãos, quais cuidados a equipe de enfermagem tem com os órgãos desse possível doador (Lima, Batista e Barbosa, 2013), porém, sem nos esquecermos da humanização, da empatia para com a familia desse paciente.

Abordar esse tema é muito importante, uma vez que, diante de uma situação dolorosa como essa, a maneira que toda a equipe que ali trabalha, aborda esse assunto, o respeito e segurança que passam aos familiares deve contribuir para a decisão de permitir a doação de órgãos. Em se tratando do Brasil, segundo dados do site hospital Unimed, Sorocaba , há mais de 40 mil pessoas na fila aguardando transplante de órgãos alguns pra uma melhor qualidade de vida, outros simplesmente pra continuarem a viver.

Para o desenvolvimento desse artigo foram utilizados pesquisas em artigos científicos de estudos, utilizados em sites: Scielo – Scientific Eletronic Library Online; ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e o site brasileiro do Ministério da Saúde.

Desenvolvimento

Segundo Garcia (2006), comprova-se através de estimativas, que a cada 15 óbitos, 10 deles, são causados por morte encefálica; é possível observar, dessa forma, o quão importante o conhecimento da equipe médica e de enfermagem nesse processo, os quais poderão favorecer até mesmo na decisão da família, para que o paciente se torne doador de órgãos, sendo confirmada a morte encefálica.

Portanto, ao desenvolver esse trabalho científico, não temos por objetivo discutir apenas o fator doação de órgãos; embora esse seja um assunto muito importante, será abordado esse difícil processo, assim como a dificuldade da familia em compreender o que de fato é morte encefálica, e, sobretudo, o importante papel da enfermagem diante dessa situação.

Seguindo a resolução N° 2.173/2017 do Conselho Federal de Medicina, diante da suspeita de morte encefálica, a equipe médica abrirá um protocolo específico, essa é uma etapa de testes, e exames que seguem critérios rigorosos pré-estabelecidos, no qual é previamente determinado: como, quando, e quem toma a dianteira nesse processo para evitar erros, conforme pontuaram Westphal; Veiga e Franke (2019).

É importante ressaltar que a realização desse protocolo não pode ser feita por médicos que trabalhe ou tenha qualquer ligação com SPOT- Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos e ou CNCDO- Central de Notificação e Captação e Distribuidor de Órgãos, ou seja, que façam parte da equipe que realiza transplantes de órgãos. E durante todo esse processo de exames e testes que procuram confirmar a ausência de atividade elétrica, metabólica ou de perfusão (fluxo de sangue do encéfalo), sob determinação médica e planejamento do enfermeiro, a equipe de enfermagem continuará alguns cuidados para com o paciente, como descreveu Passos et.al (2014).

É essencial lembrarmos que, diante da suspeita da morte encefálica, a familia deve ser comunicada imediatamente, e como já citado, devem ser ofertados todos esclarecimentos possíveis. A equipe de enfermagem poderá contribuir muito nessa etapa, por prestar um atendimento humanizado diante do paciente, o tratando com o respeito que lhe cabe, jamais se referir a ele como morto, ou com algum termo pejorativo, e ao prestar-lhe cuidados, jamais fazê-lo de forma bruta.

Esse tratamento humanizado não é uma técnica que aprendemos na escola, mas sim um processo muito discutido hoje, sim um processo essencial para oferecermos uma assistência de qualidade, focado nas necessidades individuais do paciente, bem como a seus familiares. Cuidar de forma humanizada vai além de cuidar da saúde física, de ofertar medicação, mas tratar de forma respeitosa, levando em conta sua individualidade, privacidade, pudor, crenças e sentimentos, oferecendo o máximo de conforto físico, mental e emocional. Nos lembrarmos que procedimentos que podem ser comuns para nós, para o paciente e sua familia não são comuns e causa-lhe medo e insegurança, então uma boa comunicação entre a equipe e paciente e seus familiares faz parte de um tratamento humanizado. (Escola Anna Nery, 2007).

Referindo-se aos cuidados físicos, Passos et. al (2014) citou alguns cuidados que a equipe de enfermagem continuará ofertando ao paciente, já que se encontra entubado e isso possibilita que seja possível mantê-lo hemodinamicamente estável, mesmo que, de fato, o paciente esteja em morte encefálica. Ainda assim, quaisquer anotações referentes a assistência realizada, bem como seus parâmetros coletados e observados pela equipe médica e de enfermagem, devem continuar sendo registrados em seu prontuário. Alguns desses cuidados foram enumerados, sendo os principais:

• Aspiração;

• Controle hídrico;

• Controle de temperatura;

• Glicemia;

• Coagulação;

• Lubrificação das córneas;

• Eletrocardiograma para detectar alterações cardíacas;

• Além dos medicamentos prescritos.

Embora todos esses cuidados, e outros prescritos pelos médicos preservem a vitalidade e viabilidade dos órgãos para um possível transplante, se de fato confirmada a morte encefálica, na abertura desse protocolo e durante esse processo é inapropriado e até desumano abordarmos a possibilidade de doação de órgãos com a família, mesmo porque, nesse momento a família geralmente tem dificuldades em aceitar a situação e muitas vezes sequer entende o que essa suspeita significa, já que na maioria dos casos, é possível identificar a esperança da família na reversão do quadro do paciente. 

Diante desse momento tão difícil, estudos publicados em 2016, enfatizam a importância da equipe de enfermagem no acolhimento a família, onde percebemos que nosso dever não é apenas cuidar, mas sim de forma humanizada, ofertar apoio, garantindo a empatia, respeitando sua dor bem como suas crenças. Nesse momento, além de prestar alguns esclarecimentos, devemos explicar que o médico ou o enfermeiro responsável falará com eles, o que pode ajudar a familia a passar por este momento tão doloroso.

Lembrando que, como já descrevemos, nossa conduta enquanto equipe de enfermagem é um dever, portanto, devemos fazer com excelência, de forma humanizada respeitando princípios éticos e morais, e se assim o fizermos podemos até contribuir com questões como a decisão da familia de doar os órgãos ao ser, de fato confirmada a morte encefálica e o paciente seja considerado um doador viável(Santos e Massarollo, 2005).

Para melhor entendimento desse aspecto, citaremos aqui um artigo científico de Moraes, Santos e Massarollo, que em 2012 publicou um artigo intitulado: comunicação de más noticias. Sim, confirmada a suspeita, é o momento de comunicar a familia que realmente o paciente tem morte encefálica. Segundo Moraes, Santos e Massarollo (2012). Neste momento também deve-se notificar o SPOT e CNCDO.

Sem duvidas, comunicar a morte de um paciente é uma das tarefas mais difíceis que os profissionais de saúde têm que enfrentar, além do desgaste emocional que esse profissional passa ao dar uma má noticia, ainda esta, implica um forte impacto psicológico e emocional aos familiares. Se tratando de morte encefálica, essa comunicação traz consigo uma sobrecarga de sentimentos e comportamentos, pois envolve a compreensão de um conceito de morte que quase sempre não é bem compreendido, e a compreensão da família é essencial para a decisão da familia sobre doação de órgãos e tecidos.

Nota-se em todos os artigos científicos pesquisados, que existe uma grande dificuldade da família em aceitar que mesmo com o monitor mostrando batimentos cardíacos e temperatura corporal no padrão normal com boa aparência física, o paciente está em morte encefálica, e essa é uma condição irreversível. Sendo assim, neste momento a familia será informada que se desejarem pode-se doar os órgãos (de acordo com a Lei n° 9.434/97 a retirada de órgãos e tecidos do corpo de uma pessoa falecida só poderá ocorrer mediante autorização do cônjuge ou de um parente, maior de 18 anos), porém, a família tem o direito a recusar sem que isso seja questionado.

Podemos nos perguntar, porque estamos abordando essa questão já que comunicar a morte, falar de doação de órgãos não é uma função que cabe a equipe de enfermagem? Podemos adiantar que nas pesquisas que realizamos em artigos científicos, sites e revistas vimos a importância da equipe como um todo na questão de cuidar de paciente em morte encefálica, e não podemos isentar a equipe de enfermagem nem quanto a sua importância tampouco na sua responsabilidade (Costa; Costa e Aguiar, 2016).

Citaremos nesse trabalho alguns relatos de familiares que se recusaram a doar órgãos de pacientes em morte encefálica, os quais deixaram expostos os motivos que contribuíram para a tomada de tal decisão. Dentre os motivos dados podemos citar: discordância familiar; desconhecimento da vontade do potencial doador; desejo de manter o corpo íntegro; medo da demora da liberação do corpo; falta de entendimento do diagnostico de morte encefálica; religião; descontentamento com atendimento da equipe medica do hospital; opção por não ser um doador de órgãos; desconfiança e medo de tráfico de órgãos. (Moraes e Massarollo, 2008).

Analisando as questões pontuadas, no artigo acima citado, notamos que muitas vezes a decisão da familia de doar ou recusar é única e particular, podendo ser por motivos religiosos, ou até mesmo por medo de estar matando seu familiar, seja qual for sua razão, a decisão deve ser respeitada, mas é digno da nossa atenção que as vezes a decisão está intimamente associada a como é sua interação com o hospital, dúvidas que poderiam ser sanadas se essa familia tivesse uma boa comunicação e confiança no hospital ou na equipe que cuidou de seu familiar; e nisso com certeza a equipe de enfermagem é atuante. Note os relatos abaixo citados, podemos compreender melhor a questão levantada–familiares de pacientes identificados como n°7 e n°8:

O familiar n° 7 se recusou a doar os órgãos de seu familiar porque segundo ele, quando chegou ao hospital ninguém falou com ele, não falaram nem mesmo do estado de seu familiar, apenas pediam para ele ter paciência e aguardar, e depois de deixar seu familiar passar a noite numa maca a levaram para UTI (unidade de terapia intensiva). E diante desse descaso no tratamento quando falaram de doação de órgãos, ele disse que “não achava certo doar nada”;

O familiar n° 8, também deu suas razões para não doar os órgãos de seu filho. Segundo ele, não teve noticias, quando procurou por noticias a resposta que teve era que todos estavam ocupados e não tinha apenas seu filho para ser atendido. E diante disso não quis doar nada de seu filho.

Esses relatos deixam muito claro que o descontentamento da família com o atendimento prestado, da falta de comunicação, falta de informações pode fazer que fiquem revoltados e expressem essa revolta se recusando a doar os órgãos de seu familiar. Podemos assim avaliar nosso papel, nossa responsabilidade, saber que quantas vidas apenas um doador pode mudar ou até salvar. E isso foi negado porque o nosso trabalho não foi feito de forma humanizada, a familia não foi assistida e ouvida.

Como já citado, há outros motivos pra essa recusa, porém o objetivo desde trabalho é a conscientização especialmente da equipe de enfermagem, da importância e também da responsabilidade que assumimos ao escolher essa profissão, podemos contribuir para salvar vidas, seja diretamente como indiretamente. Por isso vemos a importância de hospitais federal, estadual, municipal, darem suporte, cursos e palestras a seus funcionários, oferecendo especialmente apoio emocional.

Filizola e Ferreira (1997) destacaram em seu artigo o porquê alguns profissionais se afastaram de pacientes graves ou de seus familiares, e podemos concluir que demonstram essa atitude por medo ou por se sentirem incapacitados de promover ajuda necessária, pois eles também sofrem com toda essa situação.

Podemos destacar também, que muitos enfermeiros preocupados em manter o paciente hemodinamicamente estável para um possível transplante de órgãos, acabam esquecendo de assistir a familia do paciente em suas dúvidas. Claro que não podemos deixar de parabenizar a equipe de enfermagem, ao qual tem trabalhado incansavelmente, estão presentes no inicio da vida, e muitas vezes são eles que seguram a mão de quem está partindo. Então nosso objetivo deve ser apenas melhorar, aprimorar e continuar fazendo com amor tudo que planejamos fazer ao escolhermos essa linda profissão. 

Seja qual for a área atuante dentro de uma unidade de saúde vamos sempre contribuir positivamente, porém, lembrando que somos humanos e precisamos também de suporte e condições necessárias. Por isso cada vez mais se torna primordial abordarmos as dificuldades para equipe de enfermagem diante dos cuidados a pacientes graves, do medo do envolvimento com familiares nesse momento de sofrimento, é diante disso que muitas instituições de saúde não oferecem apenas treinamento de como cuidar de seus pacientes e familiares, mas também ofertam às suas equipes tratamento emocional, tratando-os, sobretudo com humanização, amenizando a rotina que muitas vezes é muito difícil. 

Para concluir, de modo simplificado os passos após a decisão da familia de doar ou não os órgãos de seu familiar; assim que tomada a decisão, a família finda o ciclo, se a decisão for doar os órgãos, a CNCDO é notificada, e respeitando todos os preceitos éticos e morais, é feita a retirada dos órgãos viáveis, onde já se tem os receptores certos pra esses órgãos, seguindo a ordem da fila de transplante para oferta, o corpo então é liberado condignamente recomposto. E diante da recusa da familia em doar, é respeitada a decisão e prosseguimos com a liberação do corpo.

CoNsiderações finais 

Como já visto, a morte encefálica é um processo doloroso e pouco compreendido, infelizmente, esse quadro de cessação completa de atividades cerebral é irreversível. Considerando que a familia tem dificuldades em compreender e aceitar esse quadro, a equipe de enfermagem pode contribuir em vários aspectos. Os cuidados referentes ao paciente durante o processo de morte encefálica continuará ate que seja de fato confirmada a morte encefálica, isso manterá o paciente hemodinâmicamente estável e os órgãos viáveis para, se de fato confirmado o diagnostico e com a autorização de um familiar possa ser realizado a doação dos órgãos.

Neste artigo científico pontuamos até que ponto a equipe de enfermagem pode contribuir nesse processo, qual de fato é a importância da equipe de enfermagem ao abordar a morte encefálica. E podemos ressaltar que o nosso papel vai além de ofertar medicamentos. No contexto morte encefálica, os cuidados ao paciente – mesmo que desacordado – continuará, porém, não apenas na forma como cuidamos desse paciente, mas também com seus familiares, respeitando sua dor, sentimentos, crenças, decisões e, sobretudo prestando todos os esclarecimentos possíveis.

Nesse aspecto, ficou bem claro nesse artigo que quando suprimos a familia de informações, dando acolhimento, estamos cumprindo um dever, mas também podemos com certeza contribuir para uma decisão favorável da família, caso seja confirmada e viável doação de algum órgão, visto que, quando a familia se sente acolhida e respeitada se sente grata, por outro lado, ao se sentirem insatisfeitos ou desrespeitados, ficam revoltados e expressam essa revolta por se recusarem a doar os órgãos de seu familiar.

É digno de nota, é claro, que há outras questões envolvidas na decisão, porém, ao que nos compete, devemos fazer todo possível para contribuir positivamente nessa questão.

Concluímos, portanto, que a equipe de enfermagem tem uma grande e importante participação diante do processo de morte encefálica, e as instituições de saúde onde prestam serviço podem ajudar nesse sentido, não apenas falando no sentido de humanização, no trato com pacientes, mas também, oferecendo a seus profissionais apoio psicológico e emocional, isso com certeza diminuirá a difícil tarefa da rotina de uma unidade de terapia intensiva, pois tratar de pacientes graves, dar noticias ruins a seus familiares é, sem duvidas uma das tarefas mais difíceis que os profissionais da saúde enfrentam, e nem sempre esses profissionais recebem suporte.

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